sábado, 11 de julho de 2015

O CAMINHO DA SALVAÇÃO — A Relação entre Fé e Obra !

O CAMINHO DA SALVAÇÃO — A Relação entre Fé e Obra em Tiago 2
A Palavra de Deus é muito clara com respeito à condição para a salvação. Deus nos mostra que a salvação é por fé e não por obras. Lemos as Escrituras o suficiente e vimos razões suficientemente claras por que nossas obras não podem ser levadas em consideração. Por crermos na obra de Deus por meio do Seu Filho, nossas próprias obras não devem existir. Contudo, alguns que não compreendem as palavras da Bíblia têm vindo a mim, perguntando: “Não é verdade que o livro de Tiago diz-nos claramente que um homem não é justificado pela fé, mas pelas obras? É possível que Tiago e Paulo se contradigam? É possível que o homem seja justificado tanto pela fé como pelas obras?” Essas pessoas acham que Tiago e Paulo não concordam um com o outro. Eles pensam que os livros de Romanos, Gálatas e Tiago também não concordam entre si. Tenho de usar a expressão de Paulo: “Certo que não!” Vamos ao livro de Tiago e vejamos o que ele mesmo tinha a dizer.
Quando lemos o livro de Tiago, devemos tomar cuidado com uma coisa. Podemos ler somente o que está dito; não podemos adicionar a ele nossos próprios conceitos. O que deve ser levado em conta é o que Tiago disse. O que for acrescentado não deve ser considerado. Não leia seus próprios pensamentos no livro de Tiago. Você deve ver o que Tiago disse e não o que ele não disse.

   O TEMA DE TIAGO É MISERICÓRDIA — JUSTIFICAÇÃO É SECUNDÁRIO
Vamos ler Tiago 2:14-26. Contudo, antes de lermos essa passagem, quero fazer uma pergunta: Qual é o contexto desses versículos? Paulo escreveu o livro de Romanos com um tema em mente. Ele também escreveu Gálatas com um tema em mente. Romanos diz que o homem é justificado pela fé; Gálatas diz que o homem não é justificado pelas obras. Romanos fala do lado positivo; Gálatas fala do lado negativo. Romanos declara positivamente como o homem é justificado; Gálatas argumenta, do lado negativo, como ser justificado e como não ser justificado. Portanto, os dois livros, Romanos e Gálatas, complementam-se. O tema desses livros é estritamente a justificação. Eles tratam especificamente do problema da justificação. Um trata do problema do lado positivo; o outro, do lado negativo.
Muitas pessoas acham que Tiago 2 é um capítulo difícil. Qual é o tema de Tiago 2? O tema de Romanos é a justificação e o de Gálatas também é justificação. Mas qual é o tema de Tiago 2? O tema desse capítulo compreende pelo menos a misericórdia e a ajuda aos outros. Que dizem os versículos anteriores a essa porção? Começando do versículo 6, Tiago diz: “Entretanto, vós outros menosprezastes o pobre. Não são os ricos que vos oprimem, e não são eles que vos arrastam para tribunais? Não são eles os que blasfemam o bom nome que sobre vós foi invocado? Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás, também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo” (vs. 6-13). O tema desses versículos é a demonstração de misericórdia. Tiago diz-nos não para favorecer o rico, mas, pelo contrário, para cuidar dos humildes e mostrar misericórdia para com o pobre. Isso é o que os versículos de 1 a 13 dizem. Além disso, o versículo 1 é uma continuação do capítulo 1. O último versículo do capítulo 1 diz: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (v. 27). Esse é o tema de Tiago. Se um homem disser que é um cristão piedoso, sua piedade deve ser manifestada no seu cuidado pelos órfãos e viúvas e na sua oferta a eles. Ele não deve convidar alguém que use vestes ricas para sentar-se em um bom lugar e pedir que os órfãos, as viúvas e o pobre sentem-se debaixo do estrado de seus pés. Ele deve cuidar, mostrar misericórdia e suprir os desprezados. O assunto de Tiago é a religião pura e sem mácula. A religião pura e sem mácula é manifestada para com o pobre, o humilde e o desprezado.
Após 2:14, ele continua a falar sobre o suprir: “Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?” (vs. 15-16). No final do capítulo um, o tema de Tiago é revelado, qual seja, cuidar dos órfãos e viúvas. Ao final da primeira seção do capítulo dois, ele diz que devemos mostrar misericórdia para com os outros, que devemos suprir o pobre e não desprezá-lo. Na segunda seção do capítulo dois, Tiago nos diz o que alguém deveria fazer quando vir um irmão ou irmã sem vestimenta e carente do sustento diário. Todas essas palavras têm a ver com dar aos outros, mostrar misericórdia para com outros, não desprezar o pobre e ajudar os outros. Os versículos de 14 a 26 falam superficialmente sobre justificação. A questão da justificação é mencionada somente de passagem. Por ser a misericórdia, o dar e o cuidar dos órfãos e viúvas o tema, a justificação é mencionada somente de passagem, como meio de chegar à meta no desenvolvimento de seu tema. Portanto, vemos que Tiago não está ensinando a questão da justificação no seu livro.
O tema de nossas reuniões nessas duas semanas passadas tem sido a salvação de Deus. Mas suponha que nesse período eu me levante na manhã de domingo e dê uma mensagem, não sobre salvação, mas sobre vencer ou sobre o reino ou sobre como reinar com o Senhor Jesus no milênio. Aquele seria o tema da minha mensagem. Enquanto falasse, poderia mencionar de passagem oito ou nove sentenças sobre salvação. Se você desejasse compreender a doutrina da salvação, não consideraria as outras mensagens que dei no restante das duas semanas? Você ignoraria tudo aquilo que foi falado em duas semanas e tomaria apenas as oito ou nove sentenças que ouviu naquela única mensagem? Romanos e Gálatas tratam especificamente de justificação, enquanto Tiago somente menciona umas poucas palavras sobre ela. O seu tema não é a justificação, tampouco é seu propósito ensinar justificação. Seu objetivo é exortar os outros a dar; a questão da justificação é mencionada apenas de passagem. Uma pessoa não pode destruir Romanos e Gálatas com as poucas palavras de Tiago sobre justificação. Tiago, então, está em conflito com Romanos e Gálatas? Em breve você verá que não. Mas desde o início, quero que compreenda precisamente o tema de Tiago. Ele não falou sobre justificação. Ele falou sobre misericórdia, sobre cuidar e sobre o que alguém deve fazer pelos órfãos e viúvas.
A FÉ SEM OBRAS É DE NENHUM PROVEITO
O versículo 14 diz: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras?” Repare que Tiago não diz que esse homem tem fé em Deus. Não acrescente a esse versículo o que Tiago não diz. Tiago não diz se esse homem é cristão ou não. Ele só diz que esse homem diz ter fé. Não levando em conta se ele tem obras ou não, esse homem não deveria dizer que tem fé. Se você de fato tiver fé diante de Deus, não há necessidade de falar sobre isso. Paulo diz que o que crê é justificado. Ele nunca diz que o que diz ter fé é justificado. Certamente ninguém é justificado apenas por dizê-lo. Não sei como é o homem mencionado aqui. Não sei se ele tem fé ou não. Tiago não diz que ele verdadeiramente tem fé. O que vemos, entretanto, é um homem orgulhoso. Ele pode ou não ter algo dentro dele. Contudo, quer tenha algo ou não, ele gosta de se mostrar diante dos outros. Ele gosta de imprimir fé em seu cartão de visita e mostrar às pessoas que tem fé. Portanto, Tiago diz: “Meus irmãos, (...) se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” Se você vir um homem que não se preocupa o mínimo com seu comportamento, que é livre para fazer qualquer coisa, mas diz que crê em Jesus, você diria a mesma coisa que Tiago. Você também perguntaria que proveito há se alguém diz ter fé, mas não tem as obras. Talvez ele estivesse brigando ou discutindo com alguém há um minuto, e agora diz que tem fé. Se essa pessoa não tivesse dito nada acerca de ter fé, Tiago não teria dito nada a ela. O motivo de Tiago ter dito algo, é que alguns não têm as obras e, no entanto, se gabam. Você já encontrou pessoas assim? Estes tais gostam de se gabar. Gostam de ser exaltados e glorificados. Não somente Tiago teve de subjugar esse tipo de pessoa; também nós devemos subjugá-las.
Portanto, Tiago não está falando sobre ter fé ou não ter fé. Tampouco está falando de obras para os que têm fé. Tiago está falando especificamente sobre obras para os que dizem ter fé. Ele não trata das obras de cristãos, mas das obras dos que se dizem cristãos. Ele está tratando das obras dos membros nominais da igreja e dos cristãos nominais que dizem ter fé. Tiago 2 diz “se alguém”. Não diz “se algum cristão”.
O versículo 14 prossegue dizendo: “Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” Que é “semelhante fé”? Se a fé não pode salvá-lo, que pode, então? Tiago refere-se à “semelhante fé”, não simplesmente à “fé”. Se a fé não pode salvar-nos, não precisamos mais pregar. Contudo, Tiago refere-se à “semelhante fé”, isto é, a fé que alguém tem em seus lábios. Não distorça o que Tiago está dizendo. Ele não está falando sobre a fé salvando esse homem. Ele está falando sobre aquele tipo de fé salvando-o, isto é, o tipo de fé que alguém tem somente nos lábios. Não sei se você já conheceu pessoas assim. Eu conheci. Dizem que são cristãos, que crêem nisso e naquilo, e que sua fé é isso e aquilo. Pode essa fé salvá-los?
A FÉ SEM OBRAS É MORTA
Nos versículos 15-16, Tiago dá uma ilustração. “Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser”. Este é o homem que diz ter fé. Ele diz aos irmãos e irmãs em necessidade: “Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos”. Se você perguntar a essa pessoa por que ela diz aos outros para ir em paz e por que deseja que sejam aquecidos e alimentados, ela lhe diria que é porque tem fé. Ela lhe diria que acredita que eles serão vestidos com roupas quentes e alimentados abundantemente ao irem para casa. Ela diria que acredita que eles podem ir para casa em paz. Tiago está falando do tipo de fé que crê que estômagos vazios são enchidos automaticamente, e corpos nus são instantaneamente vestidos.
“Sem, contudo, lhes dardes o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?” O propósito da ilustração de Tiago não é o de discorrer sobre justificação. Pelo contrário, é de exortar os irmãos e irmãs a adotar medidas práticas. Nosso amor para com os irmãos e irmãs não deve ser somente de palavras, mas igualmente ser evidenciado na conduta. Se vir alguém necessitando de roupa e comida, você deve dar-lhe roupa e comida. Você deve cuidar dele. Essa é a razão de Tiago dizer isso. Tiago é contra alguém dizer: “Vá em paz, pois eu já cri por você”. Tiago diz aqui que agora não é o momento para você crer; agora é o momento para você abrir sua carteira. Nesse momento, para você, a fé não é a questão; a questão é o soltar seu dinheiro. Se você agarra-se firmemente à sua carteira e diz aos outros para irem em paz, dizendo que tem fé, qual o benefício desse tipo de fé? Se você deparasse com um irmão ou irmã pobre e não desse tudo o que tem para ajudar e cuidar dele, mas somente dissesse que crê por ele e que ele pode ir em paz — fosse esse o tipo de fé que você exercitasse ao crer no Senhor Jesus, será que tal fé o salvaria? Se esse é o tipo de fé que você exercita para com os irmãos e irmãs, e se esse é o mesmo tipo de fé que tem quanto à sua justificação, então eu duvido que esse tipo de fé irá justificá-lo. Tiago mostra que se esse é o tipo de fé que você possui para com os irmãos e irmãs, então talvez esse também seja o tipo de fé que você tenha para com o Senhor Jesus. Se a fé que tem para com os irmãos e irmãs é a mesma que tem com relação à salvação e justificação, duvido que semelhante fé possa salvá-lo. Se não houver base para o seu crer em roupas quentes e alimento abundante, então não haverá base para a sua fé na salvação e justificação. Contudo, se vir um irmão em pobreza e der-lhe dinheiro, roupa ou comida, e então crer, haverá base para sua fé.
Quando Deus o viu nu, faminto e pobre, foi assim que Ele disse: “Fique aquecido e saciado. Que você nunca vá para o inferno. Que você vá para o céu”? Se a fé de Deus fosse como a sua, ninguém seria salvo na terra. Mas, que fez Deus? Quando Ele nos viu pobres, famintos, nus, e mortos em pecado, Ele veio cumprir a obra da redenção a fim de que pudéssemos ser salvos. Graças ao Senhor. Primeiramente, Ele demonstrou Sua obra diante de nós; a seguir nós a recebemos. A sua fé para com os irmãos e irmãs é uma fé vã? Se Deus fosse vão com você, tudo sem dúvida seria vaidade. E, se você é fútil para com Deus, sua fé, sem dúvida, também é vazia. Sabemos que somos justificados e salvos e que temos a vida eterna. Por que é assim? É porque Deus não está assentado nas nuvens dizendo: “Que todos em todo o mundo sejam salvos e que ninguém vá para o lago de fogo”. Pelo contrário, Deus desceu pessoalmente do céu para levar a cabo a Sua justiça e tratar com o pecado na cruz. Por Deus ter realizado uma obra concreta, hoje podemos ter fé. Essa é a razão de nossa fé, hoje, ser digna de confiança.
O versículo 17 diz: “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta”. Tiago não diz que um homem não é salvo pelo crer. Ele não quer dizer que um homem não é justificado ou não tem a vida eterna pelo crer. Ele quer dizer que ao ouvir tais palavras desse tipo de pessoa, você sabe que a fé dela é morta. Se você pedisse a Paulo para vir aqui hoje e comentar sobre isso, até ele mesmo diria que esse tipo de fé é morta. Se alguém simplesmente diz que tem fé, mas não tem uma expressão exterior disso, essa fé deve ser morta. Pois não importa quão grande seja a fé de alguém, os outros ainda precisam de veste e comida. Eles não podem cobrir sua nudez com a luz do céu. Tampouco podem comer o ar para satisfazer sua fome. Portanto, uma fé sem obras é vazia e morta.
DEMONSTRAR FÉ POR MEIO DAS OBRAS
O versículo 18 diz: “Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé”. Se uma pessoa fútil e arrogante ficar se gabando, alguém por fim se levantará e dirá: “Você diz que tem fé. Mas onde está ela? Fique quieto. Você tem fé, mas eu tenho obras”. Note que esta pessoa não diz que tem somente obras; ela não diz que não tem fé. Isso não é o que um cristão diria. Ele diz: “Você tem fé e eu tenho obras. Hoje dei de comer a alguém. Hoje dei roupas a alguém. Por favor, mostre-me sua fé sem obras. Que benefício há se você apenas fala sobre essas coisas?” Você pode ver o significado dessas palavras? Ao lê-las, você deve dar atenção ao tom. Quando lê Tiago, a coisa mais importante é considerar o tom. Se prestar atenção ao tom aqui, terá de admitir que essa palavra é dita para uma pessoa fútil e arrogante. Tiago, aqui, está falando da prática; ele não está tratando da justificação pela fé.
Devemos considerar a palavra mostrar aqui. Essa pessoa diz: “Mostra-me” e “te mostrarei”. Portanto, Tiago 2 não fala de um homem ter fé ou não perante Deus. Tampouco trata de nossa fé perante Deus; pelo contrário, trata da nossa fé diante dos homens. Se alguém se vangloria diante do homem de que tem fé, você deve dizer a tal pessoa: “Mostre-me sua fé sem obras”. Tiago 2 trata do problema da fé diante dos homens. Ninguém pode ver se você tem fé ou não. Outros vêem somente se você tem obras, isto é, se alimenta os outros e dá roupas para que se vistam. Você percebe que isso também requer fé? Suponha que haja um irmão ou irmã aqui, nesta noite, que tenha carência de roupas ou comida. Se disser a ele ou a ela que, uma vez que creiamos, seremos vestidos e alimentados, isso não é suficiente. Tiago diz que temos de alimentá-lo e vesti-lo e ao mesmo tempo devemos ter fé. Você percebe que a fé é necessária para se dar sustento aos outros? Essa fé provém de dois lados. Se não tiver muito dinheiro, talvez umas poucas moedas em meu bolso, e vir alguém sem comida e roupa, tenho de exercitar a fé. Não preciso ter fé pelos outros; para com eles preciso de obras somente. Todavia, por mim mesmo, preciso de fé. Se não tiver fé, provavelmente não serei capaz de dar essas poucas moedas até que tenha reconsiderado e contado algumas vezes mais. Vou querer saber se serei capaz de conseguir de volta o que vou dar. Mas se puder dar espontaneamente as poucas moedas, isso deve significar que tenho fé. Portanto, ao ver um homem pobre e dar-lhe comida e veste, você deve ter fé antes que possa ter as obras. Sem as obras, sua fé não pode ser manifestada. Além disso, mesmo que você seja rico e que não precise de muita fé para dar um pouco, como sabe que após ter dado o dinheiro, isso não prejudicará aquele que recebeu, levando-o a procurá-lo novamente a fim de que você carregue o fardo dele? Se fizer o bem aos outros indiscriminadamente, isso não faria com que buscassem ajuda no homem continuamente? Muitas vezes não damos nada aos pedintes por temer que agindo assim façamos deles eternos pedintes. Assim, mesmo que seja uma pessoa rica, você deve ter fé de que Deus pode impedir que a pessoa desenvolva o mau hábito de dependência e confiança nos outros. Você deve crer que Deus não quer fazê-lo carregar o fardo dessa pessoa continuamente. Isso é uma obra, mas é uma obra de fé. É uma obra que provém da fé.
Aquele que faz grandes promessas e profere palavras vazias parece ter uma grande fé. Contudo, na verdade, ele não tem fé alguma. Se você tiver fé, deve tirar seu casaco e deixar que outro o vista. Deve convidar outros a comerem sua comida. Se apenas falar de fé, você não a tem. Portanto, Tiago concluiu que este tipo de falar é pecado. O ponto aqui não é que fé é errado, mas que falar palavras vazias é errado. No capítulo anterior falamos sobre fé. No penúltimo também falamos sobre fé. Contudo, ainda não demos atenção a esse tipo de fé. Visto que Tiago era contra ela, nós também nos opomos a ela. É inútil falar palavras vazias.
O versículo 19 diz: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem, e tremem”. Essa é uma palavra dura. Você crê que Deus é único. Faz bem em crer assim. Os demônios crêem nisso também, contudo eles tremem. Por favor, considerem a palavra e. A questão hoje não é se você crê ou não. Se disser que crê, ninguém pode dizer o contrário. O problema é que até mesmo os demônios crêem. Todavia, eles não têm paz. Os apóstolos não escreveram aos demônios, dizendo: “Paz seja convosco. Que Deus possa abençoá-los e aos anjos caídos”. Apesar de os demônios crerem, eles tremem. Esse tipo de fé não faz bem a eles. Sua fé faz com que tremam e percam a paz. Se você diz que crê, o seu crer é do mesmo tipo que os demônios têm? As palavras de Tiago são muito fortes e afiadas. Sem dúvida, você crê em Deus. Contudo, os demônios também o crêem. Você diz que crê, mas ao mesmo tempo treme, sente medo e fica nervoso. Portanto, você está na mesma posição dos demônios. Ao continuar a leitura, compreendemos a que Tiago se opõe. Tiago não é absolutamente contra a fé. Ele é contra certo tipo de fé. Tiago não está dizendo que a fé não justifica. Ele está simplesmente dizendo que este tipo de fé não justifica.
No versículo 20, Tiago chama essas pessoas pelo nome. Ele as chama pelo que são. Ele não as chama de irmãos e irmãs. Ele não as chama de seus amados, como Paulo fazia; tampouco as chama de pais ou filhinhos, como fazia João. Pelo contrário, ele as chama de insensatas. “Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” Note as palavras queres, pois. Por Tiago ter dito isso prova quão insuportável era a atitude delas. Quando outros falavam a Palavra de Deus a elas e as admoestavam, ainda assim não criam. Portanto, Tiago pergunta se elas queriam ficar certas de que essa espécie de fé é morta. Não que fossem incapazes de saber ou de ter clareza. Não é que ninguém as ensinasse. É simplesmente uma questão de não estarem interessadas em saber. Suponha que eu tente falar a um irmão, e ele olha para outro lado. Ao tentar novamente, ele olha para outra direção. Tentando pela terceira vez, ele começa a falar com outro irmão. Então eu diria: “Irmão, você quer ouvir-me ou não?” Isso é o que Tiago está falando aqui. Vocês estão dispostos a entender que esse tipo de fé sem obras é morta?
Ao lermos a Bíblia, devemos pedir a Deus que nos mostre as circunstâncias em que aquela porção foi escrita. Tiago chama esse tipo de pessoa de insensatos. Eles colocam tudo às claras para que outros vejam e comentem, e assim exibem a si mesmos. Eles querem tomar parte em tudo. Querem falar alto onde quer que estejam. Tiago diz que esse tipo de pessoa deve ser subjugado. ‘Ó homem insensato, você está disposto a saber que esse tipo de fé é inútil?’ Visto que não ouviram após ter-lhes falado tanto, ele tem de ironizar e gritar um pouco com eles.
O EXEMPLO DA JUSTIFICAÇÃO DE ABRAÃO
Nos versículos de 21 a 25, há dois exemplos. Ambos são muito significativos. Eles nos mostram o que a justificação pela fé realmente é. O versículo 21 diz: “Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?” Tiago 2 menciona o exemplo de Abraão. Gálatas 3 e Romanos 4 também mencionam o exemplo de Abraão. Paulo diz que o homem é justificado pela fé, não por obras, e usa o exemplo de Abraão como prova. Tanto Romanos 4 como Gálatas 3 provam que o homem é justificado pela fé e não por obras. Tiago também menciona o exemplo de Abraão, mas ele o usa para provar que o homem é justificado não somente pela fé, mas também pelas obras. Se ele tivessse mencionado exemplos de outras pessoas, poderíamos não compreender essa questão. Contudo, ao mencionar o exemplo de Abraão, podemos seguramente entender o que a justificação pela fé realmente é.
Ao usar o exemplo de Abraão, Paulo refere-se a Gênesis 15, enquanto Tiago refere-se a Gênesis 22. Em Gênesis 15 Deus prometeu a Abraão que a sua descendência seria como as estrelas do céu. Em Gálatas 3, Paulo enfatiza intensamente a promessa de Deus a Abraão. No livro de Gálatas, Paulo repetidamente fala da promessa. A palavra promessa é usada com muita freqüência no livro de Gálatas. Paulo exalta a promessa em Gálatas.
Você sabe o que é uma promessa? Em todo o mundo, há somente uma única maneira para o homem receber uma promessa, que é pela fé. Não existe outra maneira para o homem recebê-la. Há somente essa única condição. Se Deus disser que devemos fazer algo e nós o fizermos, isso é obra. Mas Deus não disse a Abraão que lhe daria algo caso fizesse isso ou aquilo. Pelo contrário, Deus disse que lhe daria descendentes. Como Abraão recebeu a promessa? Não havia outra maneira senão por meio da fé. Suponha que um irmão diga a seu filho que se ele memorizar uma lista de palavras esta noite, receberá cinco doces amanhã. Se o filho quiser receber os cinco doces, ele tem de memorizar as palavras. Isso é obra. Contudo, se o pai simplesmente promete ao filho os cinco doces, que seu filho tem de fazer? Dirá ele: “Tenho de fazer isso ou aquilo antes de conseguir o doce?” O menino não tem de fazer nada. Tudo o que tem a fazer é acreditar que seu pai fará isso para ele. Em Gênesis 15 Deus não deu a Abraão uma única coisa para fazer. É como se Deus dissesse: “Eu o farei para você. Dar-lhe-ei descendentes”. Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça (Gn 15:6). Voltando ao exemplo do filho do irmão, o menino poderia dizer: “Meu pai realmente me dará cinco doces? Não parece que uma coisa boa assim possa acontecer”. Se pensar assim, ele não tem fé. Todos os que querem entender o livro de Gálatas devem perceber que uma promessa não implica condição nem obra. A pessoa não tem de fazer coisa alguma. O Pai fez tudo. Graças ao Senhor que tudo o que Deus promete Ele cumprirá. Já que Deus é fidedigno, tudo está bem. Mesmo que alguém tente fazer uma obra, ela não terá utilidade.
Em Gênesis 15 Deus prometeu a Abraão que lhe daria muitos descendentes. Abraão tinha tudo. Todavia ele não tinha filho. Ele possuía gado, ovelhas e tendas. Contudo, ele não tinha filho. Entretanto, Abraão creu em Deus. Ele creu que Deus lhe daria um filho. Ele simplesmente creu em Deus. Ele não fez nenhuma obra. No capítulo vinte e dois, após ter-lhe dado um filho, Deus disse a Abraão: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (v. 2). Então Abraão levantou-se cedo de manhã e levou seu filho ao monte Moriá. Ele colocou a lenha para o holocausto nas costas de seu filho Isaque e este a carregou, da mesma forma como o Senhor Jesus carregou a cruz. Quando chegaram ao monte, Abraão erigiu um altar, pôs seu filho sobre este, e estava prestes a matá-lo. Este é o acontecimento que Tiago relembra ao referir-se à justificação de Abraão. Em Gênesis 15 a justificação de Deus a Abraão estava relacionada com seu filho. E, em Gênesis 22, a justificação de Deus para ele também estava relacionada com seu filho.
Em Gênesis 15 Abraão não tinha filho. Contudo ele creu em seu coração que se Deus disse que lhe daria um filho, ele certamente teria um filho. No capítulo vinte e dois ele de fato teve um filho, mas Deus quis que ele oferecesse esse filho. Se Abraão não tivesse tido fé, ele teria dito: “Deus, Tu me disseste que me darias muitos descendentes. Ora, se eu matar meu filho, não perderei a todos? Não é que não queira fazer isso; apenas quero ver Tua promessa cumprida. Não que eu tema fazê-lo; simplesmente quero preservar Tua fidelidade”. Você acha que Abraão oferecer Isaque foi uma obra ou um ato de fé? Que boa obra é essa, matar o filho de alguém? Que há para se louvar em matar o próprio filho? O fato de Abraão levantar o cutelo para sacrificar seu filho mostra que ele ainda cria na promessa do capítulo quinze. Deus havia prometido dar-lhe muitos descendentes, e para esse fim Ele lhe havia dado um filho. Agora, se Deus queria que ele matasse o filho, devia ser porque Deus o ressuscitaria dentre os mortos. Isso é o que Abraão pensou quando estava prestes a matar seu filho. Sua prontidão em matar o filho mostra que ele cria que Isaque seria ressuscitado dentre os mortos. A fé em Gênesis 15 é a fé Naquele que chama à existência as coisas que não existem, enquanto a fé em Gênesis 22 é a fé Naquele que ressuscita as pessoas dentre os mortos (Rm 4:17). Em ambos os casos, o que Abraão fez não foi algo de obra, mas de fé. O ato de Abraão provou que ele tinha fé. Isso não significa que Abraão podia ser justificado matando seu filho. Significa que ao sacar o cutelo, ele provou que tinha fé. A prova da fé de Abraão estava na sua disposição de oferecer seu filho.
Portanto, Tiago não disse que não se pode ser justificado pela fé. Paulo diz firmemente que justificação não é por obras, mas Tiago não poderia dizer firmemente que a justificação não é pela fé. Se ambos se contradissessem, esperaríamos que um deles dissesse: “Justificação é proveniente da fé, não de obras”, e o outro: “Justificação é proveniente de obras, não de fé”. Contudo, Tiago não diz isso. Não devemos dizer o que Tiago não disse. Tiago não diz que não devemos ter fé; ele diz que alguém deveria demonstrar sua fé com sua obra. Paulo é alguém que fala do princípio, assim ele pode ousadamente declarar que a justificação é proveniente da fé e não de obras. Tiago é um homem de prática. Assim, ele diz que a pessoa deve ter não somente a fé, mas deve ter as obras igualmente. Somente quando existem obras o homem demonstra que sua fé é genuína. Leiamos Tiago 2:21 novamente: “Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?” A oferta de seu filho foi uma obra, e foi essa obra que demonstrou que ele tinha fé.
O versículo 22 diz: “Vês como a fé operava juntamente com as suas obras”. Paulo ousa dizer que alguém pode ter apenas a fé, sem as obras. Contudo, Tiago não ousa dizer que alguém deve ter somente as obras, sem a fé. Ele indica que a fé em Gênesis 15 e a obra em Gênesis 22 andam de mãos dadas. Então ele acrescenta outra frase. Ele não diz que a justificação vem por meio da fé acrescida da obra. Pelo contrário, ele diz: “Foi pelas obras que a fé se consumou”. Em Gênesis 15 vemos que por Abraão ter fé, ele foi justificado perante Deus. Em Gênesis 22 vemos que por Abraão ter as obras, ele foi justificado perante os homens. A justificação de Abraão foi consumada pela sua obra em Gênesis 22. A oferta de Isaque em Gênesis 22 manifestou a fé em Gênesis 15, e a fé em Gênesis 15 foi consumada pela obra em Gênesis 22.
No versículo 23 nosso irmão Tiago também faz citação de Gênesis 15. Em Romanos 4 Paulo cita Gênesis 15 para provar que a pessoa precisa de fé somente, não de obras. Agora nosso irmão Tiago cita a mesma palavra que Paulo: “E se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça”. Em Tiago a palavra isso refere-se ao ato no monte em Gênesis 22. Abraão ter oferecido Isaque em Gênesis 22 foi uma oferta de fé. Foi uma obra que manifestou sua fé. Foi um cumprimento das palavras em Gênesis 15, que diz que Abraão creu em Deus e foi-lhe isso imputado para justiça. Em Gênesis 15 Deus justificou Abraão devido à sua fé. A obra de Abraão em Gênesis 22 cumpriu a promessa de Deus em Gênesis15. Portanto, não podemos dizer que a fé somente não salva e que há necessidade de obras também. A condição para a salvação é a fé, não as obras. Todavia se existir fé, então espontaneamente haverá uma mudança em obras.
Suponha que haja um homem cuja ocupação seja a de fazer dinheiro de imitação para ser queimado a ídolos. Um dia ele ouve o evangelho e crê. Contudo, após crer, ele continua a fazer dinheiro de imitação. Isso está errado? Ele compreende no seu íntimo que o dinheiro de imitação é para adoração a ídolos e que um cristão não pode fazer tal trabalho. Se você perguntar se ele crê ou não no Senhor Jesus, ele diria que sim. Mas se ele desistir do seu negócio com dinheiro de imitação, como irá sustentar-se? Ele confessa que é cristão, mas não podemos dizer com certeza que seja salvo. Não sabemos se ele foi salvo perante Deus, se ele tem fé ou não. Se virmos uma pessoa que crê que o Senhor Jesus é o Filho de Deus e que Ele foi crucificado por ele, e que crê no evangelho de Deus plenamente, no entanto não desiste de tal negócio por temor de perder sua subsistência, não há como dizer se ele é realmente salvo. Talvez ele tenha fé diante de Deus. Embora a semente tenha sido semeada, o broto ainda não saiu. Somente podemos saber com certeza após as folhas saírem. Não digo que ele não seja salvo. Digo apenas que não estamos certos se ele é salvo ou não. Aqui está a diferença. Não existe questionamento sobre o ser salvo pela fé. Todavia, se nenhuma obra resultar da fé, os outros não saberão acerca desta fé. Isso não é absolutamente uma questão de bom ou mau comportamento. Perceba isso com muito cuidado. Tiago 2 não fala absolutamente sobre bom ou mau comportamento. A ênfase em Tiago 2 é sobre as obras que provam a fé de alguém. Tiago 2 não nos diz para focalizar nossa atenção em boas ou más obras. O que ele enfatiza são as obras que resultam da fé. Muitas pessoas são muito boas em suas obras. Contudo, essas obras não manifestam sua fé. São obras sem fé; não era com elas que Tiago se preocupava.
O versículo 24 é muito bom: “Uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente”. Você vê como Tiago é cuidadoso? Ele diz que uma pessoa é justificada por obras e não apenas pela fé. Paulo foi capaz de dizer que um homem é justificado pela fé e jamais pelas obras. Mas Tiago nunca disse que o homem é justificado somente pelas obras e jamais pela fé. Se ele dissesse isso, concluiríamos que os dois apóstolos têm divergências na doutrina. Tiago diz que o homem é justificado por obras. Contudo, em seguida acrescenta outra palavra: "e não por fé somente". Quando alguém tem as obras, isso prova que ele tem fé. Isso não significa que alguém deva ter somente as boas obras, mas a pessoa deve ter obras de fé.
O EXEMPLO DA JUSTIFICAÇÃO DE RAABE
Tiago temia que não tivéssemos clareza sobre o exemplo de Abraão; assim, no versículo 25 vemos outra ilustração. Ele menciona o exemplo de uma prostituta. Raabe não era uma mulher honrada. Nada havia de valoroso em suas obras. Portanto, vemos que justificação não é uma questão de boas obras, mas de obras de fé. Já repeti isso algumas vezes. O que está em questão são as obras de fé, não as obras de moralidade. “De igual modo, não foi também justificada por obras a meretriz Raabe, quando acolheu os emissários e os fez partir por outro caminho?” Que tipo de boas obras é esse? Os israelitas estavam atravessando o rio Jordão para atacar Jericó. Se Raabe tivesse sido ao menos um pouco patriota, teria entregue os dois espias. Todavia, quando o rei de Jericó enviou homens para procurá-los, Raabe os escondeu no eirado. Mais tarde ela os deixou fugir. Tiago nos diz que a obra dessa mulher a justificou. Que obra ela praticou? Sua obra foi mentir. Os homens obviamente estavam ali, mas ela disse que não estavam. Mentir é uma boa obra? Todo cristão sabe que mentir não é bom. Contudo, Raabe foi justificada por sua obra de mentir. Se alguns dizem que isso é justificação por obras, é algo que dizem por si mesmos; não é o que Tiago está dizendo. Eles estão simplesmente dizendo em nome de Tiago o que querem dizer. Mas que o próprio Tiago diz? Ele diz que quando Raabe deixou fugir os dois homens que espionavam Jericó, isso foi imputado a ela para justiça.
Que Tiago quer dizer com isso? Quando os israelitas saíram do Egito e foram para o deserto, eles não puderam estabelecer-se em lugar algum, mas tiveram de vagar por quarenta anos. Que há de bom em tal nação? Pelo menos havia uma muralha ao redor da Jericó de Raabe. Tudo o que os israelitas tinham era areia debaixo dos pés. Ao menos havia casas em Jericó. Tudo o que os israelitas tinham eram tendas; até mesmo o Deus deles tinha de habitar em uma tenda. Que havia de tão especial com essa nação? Entretanto, quando os dois espias vieram e contaram-lhe como Deus havia cuidado deles, realizado milagres por eles, e havia prometido que Jericó e até mesmo toda a terra de Canaã seriam entregues a eles, as suas palavras fizeram com que Raabe cresse. Ela pôs seu próprio futuro, sua vida, e mesmo toda sua família sob a custódia deles. Ela até mesmo estava disposta a fazer algo contra seu próprio país. Deus não diz que isso foi uma boa obra; Ele diz que essa obra foi a expressão da sua fé. Se os muros de Jericó tivessem sido feitos de palha ou penas de galinha poderíamos achar que os muros poderiam de fato cair. Mas as muralhas de Jericó eram tão altas como o céu. Seus portões eram fortificados com barras de bronze. Como poderia ser tomada facilmente? Como Raabe pôde ter-se confiado aos dois espias? Isso foi uma obra proveniente da fé, e Deus diz que o que justifica uma pessoa é esse tipo de obra. Não é uma questão de bem ou mal. Não se trata de ter ou não boas obras. A carne é absolutamente inútil diante de Deus. Ela não tem lugar. Toda obra em Adão, seja boa ou má, é rejeitada por Deus. Se um homem disser aos outros que somente as boas obras salvam, essa pessoa não sabe o que é a carne. Portanto, não é uma questão de obras. Boas obras não podem justificar. Tampouco as más obras podem.
Portanto, Tiago 2 fala sobre obras da fé. Nada além disso. Raabe estava ali arriscando sua vida. Se os homens enviados pelo rei de Jericó tivessem encontrado os espias em sua casa, ela imediatamente teria perdido a vida. Mas a sua esperança era ser salva por intermédio dos espias de Israel. Ela entregou a própria vida e futuro nas mãos deles. Portanto, a questão não é boas obras ou más obras, mas o ter fé ou não ter fé. É a fé que justifica. Apesar de Tiago dizer que Raabe foi justificada por obras, suas obras foram nada mais que uma manifestação da sua fé.
Finalmente, o versículo 26 diz: “Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta”. Nosso espírito habita dentro do nosso corpo. Portanto, podemos dizer que nosso espírito é o espírito do nosso corpo. Dizemos que os espíritos malignos são espíritos que deixaram seu corpo, pois eles não têm um corpo. Há um tipo de obra que requer fé e que deve estar unido à fé. Há um tipo de obra que provém da fé e que resulta da fé. Se a fé for sem obras, ela é morta, da mesma forma que um corpo sem espírito é morto. Portanto, somos salvos por meio da fé, somos justificados por meio da fé e também recebemos vida por meio da fé. Embora haja muitas diferentes maneiras de expressar a fé, a fonte ainda é a fé. Alguns expressam-na abandonando sua profissão. Outros expressam-na por não seguir os passos de seus pais. Ainda outros expressam-na por não acompanhar o marido em certas coisas ou por abandonar sua posição. Existem todos os tipos de expressões da fé. A questão não é de boas ou más obras, mas de fé. O que Tiago está dizendo é que quando a oportunidade surge, nossa fé deve ser expressa.
Portanto, não podemos dizer que a salvação é proveniente de obras. Hebreus 6:1 menciona os princípios elementares da doutrina de Cristo. O fundamento da doutrina de Cristo é o arrependimento de obras mortas. Que é o arrependimento de obras mortas? É o arrependimento do que fizemos quando estávamos mortos. Na Bíblia, existem duas coisas das quais devemos nos arrepender. Uma é o pecado; a outra são as obras mortas. Tudo o que é moralmente errado é pecado e transgressão. Se um homem crê no Senhor, ele deve realmente se arrepender e lidar com esses pecados. Além do mais, devemos também odiar e nos arrepender do que fizemos como pessoas mortas. Que são essas obras mortas? São todas as boas obras que fomos capazes de fazer por nós mesmos antes de sermos salvos, antes de nos tornarmos filhos de Deus, antes de recebermos a nova vida e antes de nos tornarmos uma nova raça. As pessoas vêem seus pecados e transgressões pelo que elas são. Mas não vêem as coisas que consideram morais e nobres como algo de que se devam arrepender. Deus diz que são obras mortas. Elas foram realizadas quando estávamos mortos. Devemos arrepender-nos de todas essas obras, não dependendo delas para a salvação.
Ao sermos salvos, existem dois grandes arrependimentos. Um é o arrependimento por todas as coisas que não deveriam ter sido feitas. Todavia, quando a pessoa entende o evangelho e vê a obra completa da cruz do Filho de Deus, ela se arrepende por outras coisas também, que são todas as boas obras que realizou anteriormente. Antes dávamos o melhor de nós para fazer o bem, como se Deus fosse salvar-nos somente se ficasse bastante impressionado pelas nossas boas obras. Hoje, entretanto, tornamo-nos cristãos. Devemos arrepender-nos não somente dos nossos pecados, como também das nossas obras mortas. Por conseguinte, as obras mortas não podem ajudar-nos a ser salvos. Você pode dizer que alguém deveria crer no Senhor Jesus, mas também deveria ter boas obras. Mas Deus vê você como um trapo rasgado. A justiça que Deus nos concede excede em muito à justiça da lei. Portanto, se queremos achegar-nos a Deus, não somente não devemos trazer nossos pecados conosco, como também não devemos trazer as nossas obras. Se desejamos falar sobre obras, então, antes que possam ser aceitáveis, nossas obras devem ser tão perfeitas como são as de Cristo perante Deus.
Meu amigo, você deve ver que a salvação não vem de você mesmo. Deve perceber de coração que tudo é proveniente do Senhor Jesus. A fé não é uma virtude. Fé é simplesmente receber. Um dos nossos hinos1 diz: “Trabalhar não me salvará” e “Prantear não me salvará”. A última estrofe diz: “A fé em Cristo me salvará”. Quando vi pela primeira vez essa linha, imediatamente risquei e substituí por “Somente Jesus me salvará”. A fé não é uma virtude. Fé é apenas permitir que o Senhor nos salve. É como uma pessoa que cai no mar. Quando alguém chega para salvá-la atirando-lhe uma rede, ela não tem de fazer nada. Desde que não pule para fora da rede, estará bem. Tudo foi feito pelo Senhor Jesus. Aleluia! Digo novamente, nunca entenda mal Tiago 2. Obra em Tiago 2 não é uma questão de ser bom ou mau, mas de ter fé ou não.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Discipulado Segundo as Escrituras

  Minhas mais antigas lembranças giram em torno de viagens de pesca com o meu pai. Ele me ensinava a como pôr a isca, como lançar o anzol e como pegar uma peixe-gato sem ser ferido de morte. Mas pesca não era tudo o que eu aprendia. Eu aprendia sobre o meu pai. Aprendia sobre como ele andava, como falava, como brincava, como orava, como conversava e como sempre pensava na minha mãe enquanto dirigíamos para casa.

Mais do que pescar, eu aprendia sobre como ser um homem.

Até hoje, as lições que aprendi com meu pai impactam o modo como eu vivo e amo o próximo. O que acontecia naqueles momentos com o meu pai era uma forma de discipulado. Ele liderava e eu seguia.

O que é o discipulado bíblico? De todas as questões com as quais os cristãos precisam lidar, essa é uma das mais importantes. Sermos discípulos de Jesus é o próprio coração de quem nós somos e do que devemos fazer com as nossas vidas.

Neste artigo, eu sugiro que discipular – ajudar outros a seguirem Jesus – é uma consequência direta de ser um discípulo de Jesus. Discípulos são chamados a seguir Jesus e segui-lo significa ajudar outros a segui-lo.

Você é um discípulo que faz discípulos?

Discípulos seguem Jesus

Ao encontrarmos Jesus, conhecemos um homem que nos chama a vir e morrer (Marcos 8.34-35). E ele nos chama a segui-lo e a aprender dele (Mateus 4.19, 11.29). Não importa se somos espertos ou burros, ricos ou pobres, jovens ou velhos, asiáticos, africanos ou americanos. O único requisito é que nos arrependamos de nossa rebelião contra o Criador e nos apeguemos a ele pela fé (Marcos 1.15; 1 Tessalonicenses 1.9). Se fizermos isso, Deus nos promete perdoar os nossos pecados e nos reconciliar consigo mesmo (Colossenses 1.13-14; 2 Coríntios 5.17-21). Jesus nos chama a vir e morrer, a fim de podermos viver.


Aqueles que seguem Jesus pela fé são conhecidos como seus discípulos. Alguns sugerem que discípulos são “super-cristãos” que são ativos na obra por Jesus, ao passo que cristãos são apenas “crentes normais”. A Escritura, contudo, não oferece nenhum apoio a essa distinção (ver, por exemplo, Mateus 10.38; 16.24-28; Marcos 8.34; Lucas 9.23; João 10.27; 12.25-26). Ou nós estamos seguindo Jesus ou não estamos; não há uma terceira via (Mateus 12.30).

Discípulos imitam e replicam Jesus

No coração do seguir Jesus está o chamado de Jesus para imitá-lo e replicá-lo. Enquanto discípulos, somos chamados a imitar o amor de Jesus (João 13.34), sua missão (Mateus 4.19), sua humildade (Filipenses 2.5), seu serviço (João 13.13), seu sofrimento (1 Pedro 2.21) e sua obediência ao Pai (1 João 2.3-6). Uma vez que ele é o nosso mestre, somos chamados a aprender com ele e lutar, no poder do Espírito Santo, para sermos como ele é (Lucas 6.40). Esse crescimento em semelhança à Cristo é o esforço de uma vida inteira, o qual é estimulado pela esperançosa expectativa de que, um dia, o veremos face a face (1 João 3.2-3).

Discípulos ajudam outros a seguirem Jesus

Ao seguirmos nosso Senhor, rapidamente aprendemos que parte da imitação é replicação. Ter um relacionamento pessoal com Jesus é magnífico, mas é incompleto se termina em nós mesmos. Parte de ser seu seguidor é intencionalmente ajudar outros a aprenderem dele e se tornarem mais parecidos com ele. Como um amigo meu disse, “Se você não está ajudando outras pessoas a seguirem Jesus, eu não sei o que você quer dizer quando afirma estar seguindo Jesus”. Ser seu seguidor é ajudar outros a seguirem-no.

Ser um discípulo que faz discípulo ocorre de duas maneiras em particular. Primeiro, somos chamados a evangelizar. Evangelismo é dizer a pessoas que não seguem Jesus o que significa segui-lo. Nós fazemos isso ao proclamar e adornar o evangelho em nossa vizinhança e entre as nações (Mateus 28.19-20). Nunca podemos esquecer que Deus nos colocou em nossas famílias, locais de trabalho e círculos de amizade a fim de proclamarmos o evangelho da graça àqueles que estão destinados ao inferno à parte de Cristo. Nós devemos ajudar as pessoas a aprenderem como começar a seguir Jesus.

O segundo aspecto de fazer discípulos é ajudar outros crentes a crescerem em semelhança a Cristo. Jesus planejou a sua igreja como um corpo (1 Coríntios 12), um reino de cidadãos e uma família que ativamente edifica uns aos outros até a plenitude de Cristo (Efésios 2.19; 4.13, 29). Somos chamados a instruir uns aos outros sobre Cristo (Romanos 15.14) e a imitar aqueles que estão seguindo a Cristo (1 Coríntios 4.16; 11.1; 2 Tessalonicenses 3.7, 9). Enquanto discípulos, devemos intencionalmente nos deixar gastar por outros discípulos para que eles também possam se deixar gastar por outros (2 Timóteo 2.1-2).

Discípulos intencionalmente constroem relacionamentos

Discipulado não é algo que simplesmente acontece. Nós precisamos ser intencionais em cultivar relacionamentos profundos e honestos nos quais possamos fazer bem espiritual a outros cristãos. Embora possamos ter relacionamentos de discipulado em qualquer lugar, o lugar mais natural para que eles se desenvolvam é a comunidade da igreja local. Na igreja, os cristãos são ordenados a se reunirem regularmente, a estimularem uns aos outros a serem semelhantes a Cristo e a protegerem uns aos outros do pecado (Hebreus 3.12-13; 10.24-25).

Os relacionamentos de discipulado que brotam desse tipo de comunidade comprometida devem ser tanto estruturados como espontâneos. Ao estudarmos a vida de Jesus, vemos que ele ensinava formalmente seus discípulos (Mateus 5-7; Marcos 10.1), enquanto também permitia que eles observassem sua obediência a Deus à medida que viviam juntos (João 4.27; Lucas 22.39-56).

Do mesmo modo, alguns de nossos relacionamentos de discipulado devem ser estruturados. Talvez dois amigos decidam ler um capítulo do Evangelho de João e então discuti-lo durante um café ou um treino na academia. Talvez dois homens de negócios leiam a cada semana um capítulo de um livro cristão e, então, conversem sobre ele no sábado, durante uma caminhada pela vizinhança com seus filhos. Talvez dois casais se encontrem uma vez por mês, à noite, para conversar sobre o que a Bíblia diz acerca do casamento. Talvez uma piedosa senhora convide uma moça solteira mais jovem à sua casa, na tarde de uma terça-feira, para orar e estudar uma biografia cristã. Talvez uma mãe passe algum tempo no parque com outras mães, a cada semana. Independentemente do formato, parte do nosso discipulado deve envolver momentos agendados de leitura, oração, confissão, encorajamento e desafio a que outros cristãos se tornem mais parecidos com Cristo.

O discipulado também pode ser espontâneo. Talvez amigos vão juntos ao cinema e, depois, tomem um sorvete enquanto comparam a mensagem do filme com o que a Bíblia diz. Talvez um pai e um filho se sentem na varanda e reflitam na glória de Deus sendo demonstrada em um pôr-do-sol. Talvez você convide visitantes da igreja para almoçar e pergunte a cada um como eles vieram a conhecer a Cristo.

Nós sempre devemos ser intencionais, mas nem sempre precisamos ser estruturados. De fato, Deuteronômio 6 nos mostra que o discipulado acontece “assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (v. 7). Cada momento apresenta uma oportunidade para discutir quem Deus é e o que ele está fazendo. Uma vez que nós estamos sempre seguindo Jesus, nós sempre temos a oportunidade de ajudar outros a segui-lo também.

Discípulos dependem da graça

Embora seja verdade que um discípulo de Jesus deva ajudar outros a seguirem Jesus, nós devemos sempre nos lembrar de que, à parte da graça sustentadora e fortalecedora de Deus, nada podemos fazer (João 15.5). Seja você um pastor, um encanador, um policial ou uma dona-de-casa, você nunca deixa de depender da graça de Deus.

Ao seguirmos Jesus e ajudarmos outros a seguirem-no, somos constantemente lembrados de que precisamos da graça. Nós falhamos. Nós pecamos. Nós lutamos. Mas, ainda bem, a graça de Deus abunda sobre os seus filhos. Essas são boas novas ao buscarmos juntos seguir Jesus e ser diariamente transformados segundo a sua gloriosa imagem (2 Coríntios 3.18). Que possamos seguir fielmente a Cristo e ajudar outros a fazerem o mesmo até que vejamos a sua face. Ora vem, Senhor Jesus !

terça-feira, 26 de maio de 2015

"SEDE SANTOS"

Um esboço da pregação no culto ao Senhor com a cooperação dos jovens na Assembléia de Deus em São Roberto - SP (24/05/2015)

 "SEDE SANTOS" - (Lv 19:1-2) ;  (Lv:20:7) ;  (1 Pe 1:15-16)

   (Lv 19:1,2)  "Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo."

   (Lv 20:7) - "Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus."

   (1 Pe 1:15-16) - "Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;  Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo."

   A SANTIDADE DE DEUS SIGNIFICA A SUA ABSOLUTA PUREZA MORAL. INDICA QUE ELE NÃO PODE PECAR E NEM TOLERAR O PECADO. DEUS É SANTO POR NATUREZA.

   Deus está separado do homem quanto à natureza e caráter. Ele é perfeito , o homem é imperfeito ;   Ele é Divino, o homem é humano ;  Ele é Espírito, o homem é matéria ;   Ele é moralmente perfeito, o homem é pecaminoso ;   Ele é o Criador, o homem é a criatura.

   JESUS -  é a maior revelação da Santidade de Deus (Lc 1:35) ;  (2 Co 5:21) !

   A Santidade de Deus é revelada através da igreja - (1 Pe 2:9)

   ***DEFINIÇÃO DE SANTO , SANTIDADE - "hebraico KADOSH"- definição : Separado do uso comum, cortado e colocado à parte.
   Ser santo não significa apenas ser separado ;  significa ser separado e consagrado para uso do Senhor - "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus o nosso Senhor" (Rm 6:11)

   O adorno dos seus atributos é o fulgor da santidade de Deus. Isso significa dizer que a Justiça de Deus é santa, a soberania de Deus é santa, a onipotência, onisciência, onipresença de Deus é santa, todos os seus atributos é fundamentado em Sua SANTIDADE.

   O universo tem 40 bilhões de anos luz de diâmetro. Se você pegar uma nave espacial e atravessar de uma ponta do universo a outra à velocidade da luz, a 360.000 KM por segundo, você demora 40 bilhões de anos pra chegar no final do universo. Nem essa imensidão que compõe bilhões de galáxias, e que cada galáxia compõe bilhões de estrelas, isso é pó perto da natureza de Deus. DEUS É SANTO.

   Uma igreja santa, um povo santo, aponta para um Deus Santo, uma igreja  corrupta e um povo corrupto, aponta para um deus corrupto...

    A santidade é a própria essência do ser de Deus.
 *** Algumas razões pelas quais devemos ser santos :

1) Devemos ser santos porque somos filhos de Deus -  "Amados, agora somos filhos de Deus..." (1 Jo 3:2)

2) Devemos ser santos porque queremos fazer a vontade do Pai  -  "Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação..." (1 Ts 4:3)

3) Devemos ser santos porque queremos ser morada de Deus e um templo para seu Espírito  -  (Jo 14:23) "Jesus respondeu, e disse-lhe; se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada" ;   (1 Co 6:19) "Ou não sabeis que  o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós..."

4)  Devemos ser santos porque queremos ser vaso nas mãos de Deus  -  "Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra" (1 Ts 4:4)

5)  Devemos ser santos porque somos peregrinos a caminho da Canaã Celestial  -  "...Andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação" (1 Pe 1:17)

6) Devemos ser santos porque queremos morar no céu  -  "Senhor, quem habitará no teu tabernáculo?  Quem morará no teu santo monte? (Sl 15:1)

  "Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça." (Ec 9;8)
  "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;" (Hb 12:14)
   "Tu és tão puro de olhos, que não podes contemplar o mal,..." (Hb 1:13)
   " E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas." (1 Jo 1:5)
   "...nem os céus são puros aos seus olhos." (Jó 15:15)
   "Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu..." ( Sl 50:21)
   "...santo e tremendo é o seu nome." (Sl111:9)
   "Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras." (Ec 5:2)

Quando lemos o texto de Isaías (Is 6:1-4)  , vemos algo interessante, vemos senhor escrito com apenas o S maiúsculo e também vemos senhor escrito com todas as letras maiúsculas...: -  Senhor  -  com "S" maiúsculo e as demais letras minusculas - -  definição hebraica - Adonai...  O Senhor, soberano, supremo.
SENHOR  -  com todas as letras maiúsculas - definição hebraica - YAHWEH   (Javé aportuguesado) - EU SOU, Está associado ao Santo, está intrínsecamente ligado a sua pessoa, ao ser de Deus....
   O judeu ortodoxo usa adonai e jamais  YAHWEH.

Armandinho - "quando deus me desenou, ele estava namorando, ..."
Xuxa  -  o cara lá de cima..."
Existe uma seita na América do norte que na entrada do seu templo tem um enorme tapete escrito o nome  de "JESUS" ,  e  a medida que os membros vão chegando eles pisam neste tapete e cospem no nome de Jesus que ali está escrito...

 E VOCÊ O QUE ESTÁ FAZENDO COM O NOME DE JESUS QUE VOCÊ LEVA POR SE INTITULAR CRISTÃO ???

  Olha o testemunho que a Bíblia dá do seu santo nome :

   "Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;" (Fp2:9)
    "Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos."  (Is 57:15)

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!  Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?  Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?  Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." (Rm 11:33-36)

Rei Uzias - Um dos monarcas que mais reinou sob a nação de Israel (55 anos) - Promoveu uma reforma, pecou  , ficou leproso e morreu. Após sua morte houve um grande declínio espiritual na nação de Israel. Cinco anos depois foi fundada a cidade de Roma, coincidência ou não, que sabe... e então Deus levanta um profeta chamado Isaías.
  Isaías tem uma visão, onde serafins cobrem o rosto e os pés com suas asas diante da glória de Deus...

 COBREM O ROSTO  -  Cobrem o rosto com duas asas porque eles estão diante da glória de Deus, para que não sejam dizimados, desintegrados instantaneamente,...

COBREM OS PÉS  -  Porque o lugar que eles estão é santificado pela presença e glória de Deus, referência do Sinai onde Deus manda Moisés  tirar as suas sandálias porque o lugar onde está é santo...Os serafins sequer podem pisar no lugar onde a glória de Deus é emanada em toda sua essência... A santidade de Deus é insuportável e sequer eles ousam pisar naquele lugar.

***MEU IRMÃO COMO É QUE VOCÊ TEM ENTRADO NA PRESENÇA DE DEUS ???

  A única coisa que podem dizer naquele lugar é o TRISSÁGIO    :  SANTO, SANTO, SANTO  - O único atributo de Deus que é elevado ao terceiro graú de repetição em toda a Bíblia, Deus é três vezes santo,  triplamente santo.

 A expressão da santidade de Deus, a glória que emana de Deus é tão forte que até os umbrais se movem, até os objetos inanimados, ininteligíveis tremem,  eles respondem a santidade de Deus, e vemos hoje crentes apáticos a tal atributo.

Agora por que 3x santo ???

Na língua portuguesa quando se quer dar ênfase a alguma palavra escrita, tal palavra é colocada entre aspas, parenteses, em negrito, escreve-se tudo maiúsculo, faz-se um círculo em volta de tal palavra.

Na língua hebraíca se repete a palavra para dar ênfase.

Em Gálatas 1:8-9 vemos : "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.  Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." (Gl 1:8,9)
 (HÁ UMA REPETIÇÃO)

JESUS -  Em verdade em verdade vos digo  - (há uma repetição para dar-se ênfase.)

No livro de Isaías vemos o profeta pronunciando vários "AÍS" , mas quando ele se depara ante a glória do Senhor ele diz aí de mim que vou perecendo...Mas quando ele se depara com o Deus 3x santo ele aponta um aí a sí mesmo : "Aí de mim que vou perecendo..."

O que eu aprendo com isso :  A santidade de Deus é traumática, transformadora, insuportável para a raça humana.

A glória de Deus está externada na sua criação. Mas quando nos deparamos com sua real presença, somos transformados, não somos capazes de suportar tal essência... Olha exemplos do que a santidade de Deus faz :

 - (Dn 10:4-9) - "E no dia vinte e quatro do primeiro mês eu estava à borda do grande rio Hidequel;  E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz;  E o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão.  E só eu, Daniel, tive aquela visão. Os homens que estavam comigo não a viram; contudo caiu sobre eles um grande temor, e fugiram, escondendo-se.  Fiquei, pois, eu só, a contemplar esta grande visão, e não ficou força em mim; transmudou-se o meu semblante em corrupção, e não tive força alguma.  Contudo ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo o som das suas palavras, eu caí sobre o meu rosto num profundo sono, com o meu rosto em terra."

- (Ap 1:17) -  "E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último;"

- (At 9:4) - "E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?"

- (Is 6:5) - " Então disse eu: Ai de mim ! Pois estou perdido; (perecendo) , o mais próximo do original é "desintegrado" - Desintegrado é o contrário de íntegro. Ele quis dizer que era miserável, vil, pecador.

(Lv  10:1-3) -  " E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara.  Então saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor.  E disse Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor falou, dizendo: Serei santificado naqueles que se chegarem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão calou-se."
***Obreiros e ministros tomem cuidado em como abrem a boca para falar de um Deus SANTO...

***Precisamos entender que todos os atributos de Deus são alicerçados em sua santidade:

A onisciência de Deus é santa... Ele sabe o que você pensa...
A onipresença de Deus é santa... Ele está com você em todo lugar...
Todos os atributos de Deus estão intrínsecamente ligados à sua santidade. Deus é santo...

O Julgamento de Deus para o ditador Joseph Stalin, para o nazista Adolf Hitler não é nada perto de falsos profetas que existem por aí e que estão blasfemando de um nome tão santo quanto o nome do Senhor... Eles darão conta diante do juízo do trono branco !!! (Ap 20:11)

sábado, 2 de maio de 2015

O que quer dizer "piedade" no Novo Testamento?

  As palavras piedade, piedoso(a) e piedosamente são encontradas mais de 40 vezes no Novo Testamento, e freqüentemente são mal-entendidas. A palavra "piedade" vem do Latim, e tem dois sentidos: "1. Amor e respeito às coisas religiosas; religiosidade; devoção. 2. Pena dos males alheios; compaixão, dó, comiseração". Na linguagem popular, e muitas vezes no Antigo Testamento, a palavra tem o segundo sentido e traz a idéia de compaixão. Mas, no Novo Testamento, o sentido normalmente é o primeiro, ou seja, devoção a Deus ou respeito às coisas religiosas.
   Quando você encontra a palavra "piedade" ou "piedoso" na leitura do Novo Testamento, pense primeiro no sentido de devoção a Deus (temente a Deus) ou às coisas religiosas, e na santidade. Na maioria dos casos, essas definições vão comunicar melhor o sentido do original. Vamos ver alguns exemplos:
   (1 Timóteo 2:10) fala sobre "mulheres que professam ser piedosas". A palavra grega aqui é theosebeia, que obviamente inclui Deus (theos) como o objeto da devoção. (João 9:31) usa uma forma da mesma palavra, onde é traduzido "teme a Deus".
Outras palavras gregas são traduzidas como piedade, piedoso e piedosamente, especialmente a palavra eusebeia e outras da mesma família. O sentido principal destas palavras é louvor, reverência ou devoção.
   Veja como este entendimento esclarece alguns versículos. (2 Timóteo 3:12) diz que "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos." O sentido de mostrar compaixão para com outras pessoas não se encaixa aqui (seremos perseguidos por mostrar compaixão?). Antes, os que demonstram reverência a Deus serão oprimidos. (1 Timóteo 3:16) diz que "grande é o mistério da piedade", mas o versículo não fala de sentir dó para os outros. Fala, sim, dos motivos que temos para adorar a Jesus.
   Enquanto os presbíteros devem mostrar compaixão e hospitalidade, a palavra "piedoso" (gr. hosios) em (Tito 1:8) quer dizer santo, puro e devoto a Deus.
   A nossa palavra "piedade" descreve os dois grandes mandamentos (Mateus 22:37-40), mas o sentido mais comum no Novo Testamento enfatiza o primeiro, "Amar a Deus". Vamos nos esforçar para ser verdadeiramente piedosos.

terça-feira, 21 de abril de 2015

A Fé Evangélica ou a Religião Evangélica?

A Fé Evangélica ou a Religião Evangélica? - 
A fé evangélica é revolucionária, pois, quando retomada, significou a libertação da pregação da mensagem da Cruz e da Ressurreição. A fé evangélica foi retomada pela reforma, dita, protestante, um movimento de mais de século, que culminou com a afixação, por Lutero, das 95 teses, na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, em outubro de 1517.
A retomada da fé evangélica, a fé ensinada pelos país da Igreja, levou o fiel de volta ao Santo dos Santos, isto é, o fiel voltou a compreender que só há um mediador entre Deus e os homens, Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus, que com o seu sangue fez o novo e vivo caminho, pelo qual entramos na Presença do Eterno, pessoalmente, sem nenhuma outra mediação.
A fé evangélica fez voltar a valer o ato de rasgar o véu do Templo, levado a efeito pelo Eterno, por ocasião da morte de Jesus de Nazaré, o Ungido, consumando o sacrifício conhecido e efetivo desde antes da fundação do mundo. Ato, este, que liberou o Santo dos Santos para todos aqueles que, por crerem no Ungido, foram feitos filhos de Deus. De modo que a denominada intercessão pelos santos de devoção particular perdeu todo o sentido.
A fé evangélica é libertária, uma vez que, em seu primeiro movimento de retomada, na história, ao abolir, pela recuperação do ensino da expiação pelo Ungido, toda a mediação humana entre o Eterno e o ser humano, desconstruiu toda a hierarquia religiosa. A fé evangélica pôs fim à religião organizada como representante da Igreja, tornando a ver a Igreja como o ajuntamento dos crentes no Ungido, que se manifesta por meio de reuniões locais, cuja relação entre si é fraterna, uma vez que a Igreja deixa de ter um chefe terreno, para depender, exclusivamente, da iluminação pelo Espírito Santo.
A fé evangélica devolveu à Bíblia o papel de Revelação Escrita sob inspiração do Espírito Santo, portanto, um livro recebido por fé, e, como tal, infalível e inerrante, única regra de fé e de prática para a vida da Igreja. Assim como aboliu a figura do intérprete oficial, devolvendo ao fiel a possibilidade de examinar livremente as Escrituras, a partir da decisão dos quatros concílios fundantes: Nicéa e Constantinopla no sec IV, Éfeso e Calcedônia no sec V, e dos chamados "solas" da reforma: sola Gratia, sola Fide, solo Cristos, sola Escriptura, soli Deo Glória!
A fé evangélica pôs fim à noção de clero, que propõe a existência de pessoas especiais, com exclusivo ou maior acesso à Deus, retomando o sacerdócio universal dos crentes, proclamando que todos são iguais perante de Deus, e que a Igreja é Reino de sacerdotes. A fé evangélica retomou a lógica apostólica de reconhecimento dos presbíteros, leigos, como todos os demais, porém, reconhecidos, por sua maturidade espiritual, como aptos para supervisionar a igreja local, de modo a impedir qualquer desvio que transforme a fé evangélica em mera religião.
A fé evangélica aboliu a noção de Templo, fazendo jus ao ensino neo-testamentário, de que o contingente dos crentes constitui o que Jesus de Nazaré, o Ungido, chamou de Sua Igreja, e que este grupo de pessoas é, portanto, o Templo, a Casa do Deus Vivo, anulando a possibilidade de qualquer prédio ser chamado de Igreja ou Casa de Deus. O Deus Vivo só pode habitar numa Casa Viva, nunca em prédio construído por mãos humanas.
A fé evangélica, quando não fomentou, contribuiu para que mudanças estruturais ocorressem na história humana, principalmente, no Ocidente; tais como: a noção de igualdade entre os seres humanos; a rede de proteção às crianças; a honra e o cuidado aos idosos; a igualdade de gênero; o surgimento do Estado Moderno; a preponderância da Democracia; a luta pela liberdade, pelo fim de todo o tipo de colonização e de escravidão; a laicização do Estado, na luta por liberdade de credo e de expressão.
O maior adversário, entretanto, que a fé evangélica enfrentou e enfrenta é a religião evangélica.
O surgimento da religião evangélica aconteceu mais rápido do que se poderia prever, e se caracterizou pelo retorno da noção de Clero; por voltar a titular prédios de templo ou de casa de Deus, descaracterizando a Casa Viva do Deus Vivo; pelo retorno da hierarquização; pelo volta da estatização da fé; pela busca por chefes terrenos para a Igreja; caracterizado pelo denominacionalismo e pelo "ministerialismo", onde as organizações, que reúnem as reuniões locais, e os ministros deixam de ser servos para serem senhores da Igreja.
A religião evangélica é adversária, porque onde a fé evangélica ilumina, a religião evangélica produz trevas, porque luta por hegemonia, inclusive em relação ao Estado, de modo que, enquanto a fé evangélica procura chamar todos os homens à noção de igualdade, por obra do amor abrangente de Deus, a religião evangélica os classifica entre fiéis e infiéis, se vendo no direito de punir os infiéis, postura semelhante à que, no passado, por meio da religião romana, gerou o que ficou conhecido como a "era das trevas", e está voltando a gerar.
A religião evangélica é adversária, porque enquanto a fé evangélica procura apresentar ao ser humano a pessoa do Ungido, que por seu Espírito transforma o ser humano, a religião evangélica oferece um conjunto de crenças e costumes que aprisionam ao invés de emancipar e que, ao invés de salientar a ação salvífica da Trindade, por sua Graça, por meio do sacrifício expiador do Filho, reintroduz a meritocracia, impondo tarefas aos infiéis, sob o pretexto de levá-los a conquistar as benesses que já lhes foram outorgadas por meio da Cruz e da Ressurreição do Ungido.
A fé evangélica apela para a fraternidade que gera unidade e promove a cooperação, a partir dos dons e talentos distribuídos pelo Santo Espírito; a religião evangélica, por sua vez, impõe a hierarquização, que se impõe como única forma do agir divino, uma vez que, nessa imposição, há quem alegue que o Espírito Santo não mais galardoa com dons os fiéis, reduzindo toda a iluminação que Jesus, o Ungido, disse que Consolador traria, à interpretação autorizada dos líderes eclesiásticos, que a rigor, não explicam como podem interpretar acertadamente a Espada do Espírito, uma vez que este não distribui mais os dons, pela inauguração do tempo do cessacionismo. A hierarquização institui, também, a luta pelo poder, com a agravante de que o poder, se não contido, acaba por promover a escravização do ser humano.
A fé evangélica propõe o serviço como fonte de autoridade; a religião evangélica promove a subserviência ao líder, que deve ser servido por sua condição de ser especial. Aliás, a religião evangélica gera elites, enquanto a fé evangélica gera prestadores de serviço.
A religião evangélica subverte os mais ricos ensinos da fé evangélica, como a verdade de que a Trindade elege seres humanos para serem santos, que se doarão para produzir o bem para a humanidade, para transformar o ensino em motivo para a soberba, e para a exigência de privilégios.
A fé evangélica ensina que o texto sagrado é do Espírito Santo, e, portanto, deve ser examinado para produzir um discurso pastoral para a vida da comunidade, como serva de Deus, para o bem da humanidade. A religião evangélica, por meio de seus teólogos, passou a questionar o texto, tornando-o, de novo, propriedade de uma elite que decide o que é e o que não é divino no texto, transformando-o num arremedo de oráculo, onde o fiel não sabe mais no que crê e no quanto deve crer, se é que deve crer.
A fé evangélica procura pelos pobres, para abençoá-los e emancipá-los pela busca da justiça, que é entendida como a construção de realidade onde todo ser humano, em igualdade, desfrutará de tudo o que Deus é e de tudo o que Deus doa. A religião evangélica, por sua vez, procura os ricos, ratificando o pretenso direito destes a promover a desigualdade, sustentando como divina a ideologia que reconhece no acúmulo, no abuso na obtenção de propriedade e na competição sinal de progresso humano, ainda que às custas da miséria e da exclusão da maioria.
A fé evangélica se pauta pelo amor, que é a busca pela unidade entre os seres humanos, enquanto a religião evangélica se pauta pela disputa, que é uma manifestação da disposição contrária ao amor. Assim, a fé evangélica busca a misericórdia e a prática do espírito da lei, enquanto a religião evangélica privilegia a punição, inclusive, confundindo, ingênua ou malignamente a lei com a justiça e o direito. A fé evangélica quer ser a consciência do Estado, a religião evangélica que tomar o Estado.
A fé evangélica sabe que ao andar na história, a partir de Deus, tem de saber discernir entre manutenção e anuência, pois, embora Deus sustente a tudo e a todos, ele não concorda, necessariamente, com tudo o que acontece com e a partir de tudo e todos os que sustenta. Por isso, a oração da fé evangélica é: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino e seja feita a vossa vontade tanto na terra como no ceu". Assim, embora o Pai faça determinações e intervenções, não é determinista, Ele não tenta e nem é tentado. Ele administra a história da salvação, e aqui a determinação aparece, mas, intervém na história circunstante, de modo que esta não venha a ameaçar com solução de continuidade a história da salvação; Deus não gerou o pecado, e nem a história é mera pantomima.
A religião evangélica, por meio de verve pseudo intelectual, pode vir a ser determinista, tornando a história um palco de horror, por algum enigma indecifrável e incontornável por Deus, que tem, assim, a sua onipotência questionada, pois, uma vez que, sendo o único protagonista do Universo, não consegue fazer algo diferente do horror; ele, ou não pode tudo ou não é bom, concordando, dessa forma, com a proposição de Epicuro. A religião evangélica, ao tender para o determinismo: "tudo (o que inclui o mal) é de acordo com a vontade de Deus" busca fechar um sistema de pensamento, pois, tem de explicar porque alia-se aos poderosos e mantém a injustiça. Não poucas vezes, no transcurso da história, agentes da fé evangélica tiveram de enfrentar agentes da religião evangélica, na luta pela emancipação do ser humano. Assim, a religião evangélica confunde o Deus da revelação com potestades malignas que mantêm o ser humano sob opressão, assim como levam o ser humano à prática da opressão, julgando, este, estar sendo conduzido pelo implacável deus da punição pela punição.
A fé evangélica propõe, como estilo de vida, o louvor e a adoração ao Pai Nosso, por meio das ações de graças, que ratifica a fé na fidelidade do Deus à sua Palavra, que anuncia que, tal como cuida do pássaro e dos lírios, cuidará de seus santos, de maneira que estes só têm o que agradecer, passando a usar, portanto, a oração como ferramenta de missao, por meio da intercessão. A fé evangélica luta pela vida e acredita em milagres, mas, não os impõem à Trindade. A religião evangélica, por sua vez, pode, também, ser histriônica, ou oca por completo, e buscar fomentar a meritoriedade, e o anseio por bênçãos pessoais, que podem ser adquiridas por meio de barganhas com o Eterno, sob direção do clérigo em exercício da liderança, como modo de obter de Deus, desejos pessoais, claro que tudo tem um preço, que deve abençoar o ser humano especial que conduz o fiel a tal experiência com o divino,
Os agentes da fé evangélica e os agentes da religião evangélica, se encontram na localidade, porém, a distinção entre eles só é absolutamente clara para o Pai Eterno, pois, pode acontecer de um agente da fé evangélica ser co-optado pelo movimento da religião evangélica, por estar distraído quanto à sua real natureza.
O fato de uma reunião local, aparentemente, em nome do Ungido estruturar-se de modo institucional ou unir-se em associação com outras reuniões locais, de modo a formar uma agremiação que otimize a consecução de objetivos comuns, não faz, necessariamente, com que essa ou essas reuniões locais sejam agências da religião evangélica, mas, só a compreensão profunda de que a reunião dos crentes é sempre local, e que é à reunião local que 'Aquele que anda entre os Candeeiros' se dirige em suas falas, e que as reuniões locais é que são as responsáveis por responder-lhe, dificultará o perigo de que tais localidades caiam da fé evangélica para a religião evangélica.

domingo, 12 de abril de 2015

Os traumas de Mefibosete

Os traumas de Mefibosete  -  Texto chave - 2 Samuel 9:1-9

O que é trauma?
A palavra trauma é oriunda do vocábulo grego e mantém um significado de ferida. Já no contexto psicológico o trauma é considerado como uma interferência forte o suficiente para não permitir que uma ação original aconteça, tendo assim a capacidade de mudar o rumo, o direcionamento da vida de uma pessoa, de forma que esta pessoa seja afastada por forças externas de seu projeto de vida.

A história de Mefibosete

A Bíblia narra em II Samuel a história de um homem chamado Mefibosete, filho de Jonatas, filho de Saul, um príncipe, homem de descendência real que quando criança é acometido por um acidente e se torna aleijado (IISm 4: 1-4). Uma interferência forte começa então a mudar a história de Mefibosete, o seu projeto de vida, tudo aquilo que seu pai tinha sonhado para ele.

O que tem te afastado da posição de príncipe? Uma queda (pecado), forças externas?

Mefibosete é o que podemos denominar O COLECIONADOR DE TRAUMAS, toda a sua vida foi marcada por decepções, perdas irreparáveis, frustrações e angústias. O histórico de vida de Mefibosete nos mostra que os traumas começaram na sua infância.

O significado do nome Mefibosete
O primeiro nome de Mefibosete tinha sido meribe-baal (O senhor contende) mais por causa da semelhança ao deus dos cananeus, logo seu nome foi mudado para ISHBOSET (homem de vergonha) algum tempo depois surge Mefibosete (alguma coisa indigna/ exterminador da vergonha)
O príncipe, herdeiro do trono, agora é um homem envergonhado, detentor de traumas, cheio de frustrações.

Os traumas da vida de Mefibosete

1- O trauma físico 
(II Sm 4) – O trauma físico sofrido por Mefibosete impedia que ele exercesse a posição de guerreiro, de valente. Geralmente todos os príncipes em Israel tinham que ir a guerra, empunhar suas espadas, defender o rei, Mefibosete não conseguia, imagine a frustração de ver todos os seus irmãos irem à batalha vestidos com armaduras, e ele sozinho não poder ir. O trauma físico veio acompanhado de outra notícia bombástica, de uma dor terrível.

2 - O trauma familiar 
Imagine alguém chegando à porta de sua casa gritando: TEU PAI É MORTO E TODOS OS SEUS FILHOS E SUA CASA, essa noticia chegou aos ouvidos de Mefibosete, um novo trauma, uma dor ainda mais forte, Mefibosete naquele momento passava a estar sem pai, sem irmãos sem ninguém.

3 - O trauma emocional
As dores físicas e familiares causaram em Mefibosete uma dor emocional profunda, a ponto dele mesmo olhar para ele como um cão morto. Um dos mais inferiores tratamentos em Israel era ser chamado de cão ou cabeça de cão. Agora imagine a própria pessoa se autodenominar CÃO MORTO. (II Sm 9:8) Ser chamado de cão morto dava a ideia de ser imprestável, miserável e sujo (II Sm 16:9) O Senhor Jesus disse certa vez: vinde a mim todos os cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei.

4 - O trauma social
Em conseqüência do trauma físico e familiar Mefibosete é levado a um lugar denominado LÔ DEBAR (sem pasto/ lugar do esquecimento) um lugar onde ovelha nenhuma poderia viver. Uma cidade destinada aos doentes, aos miseráveis, cegos leprosos enfim os emprestáveis. Foi no lugar do esquecimento, no meio deste cenário que Mefibosete viveu por quase vinte anos. Mefibosete era um homem que tinha nascido para viver de tragédias, ou melhor, não viver. Ser esquecido é um dos piores sentimentos sociais que alguém pode sentir. Mas o Senhor não nos esqueceu. Em Lc 19:10 o pastor vai em busca da ovelha perdida, num lugar sem pasto, ou seja, em lô debar. O rei Davi se lembrou da aliança que tinha feito com Jonatas. Jesus te lembra hoje da aliança feita com você. O posicionamento de Davi foi semelhante à ação de Jesus. ( restituição)

5 - O trauma espiritual-
Os complexos, feridas na alma causaram na vida de Mefibosete uma idéia de escravidão, ele perdeu a posição de príncipe, todos os bens de sua família, passando a ser escravo de seus traumas. Mefibosete talvez tinha esquecido daação de Deus, talvez este não se lembrava mais das vitórias que Deus tinha concedido ao seu pai Saul.
Mefibosete era oprimido espiritualmente,e andava se arrastando sem FÉ alguma. Alguns homens de Deus, também, passaram por grandes crises e traumas, o próprio Davi nos salmos narra suas constantes aflições (Sl. 57:6/ Sl. 38:8/ Sl. 69:29)
Diante de tudo isso, de todas as frustrações o Rei olha para um homem lançado ao chão, no meio da amargura e vê um príncipe, foi assim que Davi olhou para Mefibosete. A Bíblia ao narrar os milagres de Jesus diz que ELE fitava os olhos nas pessoas, fixava os olhos e dizia a tua fé te salvou. Deus não te vê como um derrotado, como um aleijado, mas sim como um príncipe. O próprio Davi tinha saído de um lugar de esquecimento e foi posto como príncipe.

A restauração de Mefibosete

A restauração começa em Jerusalém, Mefibosete foi levado do lugar do esquecimento a uma terra de paz (Jerusalém) A restauração na sua vida pode começar com os princípios existentes na ação de Mefibosete:

1- Mefibosete foi ao Rei como estava.
A bíblia narra à história de uma mulher sírio-fenícia que foi até Jesus e se humilhou na presença dele de maneira semelhante à ação de Mefibosete.

2- Mefibosete reconheceu sua situação.
Para que haja restauração é necessário reconhecimento, confissão. Davi enquanto não reconheceu seu estado, seu pecado tinha os seus ossos envelhecidos (Sl 35:2) O povo de Israel precisou reconhecer sua situação de escravidão para que houvesse restituição

3- Mefibosete estava cheio de temor.
O temor no Senhor é fonte de sabedoria (Pv. 9:10). Precisamos entrar na sala do trono, diante do REI com temor (Sl 19:9) Assim, faziam os sacerdotes quando entravam no santo dos santos.

A partir do dia em que Mefibosete entrou na presença do rei, ele passou a comer pão continuamente na presença do REI, os seus termos de possessão foram restituídos, o homem que tinha perdido a posição de príncipe e se tornado escravo é novamente colocado como príncipe, como um dos filhos do Rei.

quarta-feira, 4 de março de 2015

7 coisas que Deus odeia num casamento

7 coisas que Deus odeia num casamento
 
“Há seis coisas que Deus odeia no casamento, a sétima ele detesta. A ira, a mentira, o egoísmo, o orgulho, o abuso em todas as suas dimensões, a indiferença para com as necessidades do cônjuge e o divórcio.”
Este versículo não está na Bíblia. Apenas aproveitei o estilo do escritor de Provérbios (Pv 6.16-19). Daí, eu e minha esposa, alistamos algumas coisas que fazem mal ao casamento e que, com certeza, Deus não gosta. Talvez o leitor concorde com nossa lista. Certamente, você pode fazer a sua lista e será diferente da nossa. Tudo bem. Mas fechamos nestes itens.
A ira
A ira é um veneno para o casamento. Ela destrói o amor, fere o coração da pessoa amada. Deixa marcas negativas profundas na relação, mesmo que depois se peça perdão. A ira é uma porta aberta para a violência, palavras rudes e ofensas diversas. O antídoto para a ira é o amor (1Co 13.5). Um marido cristão ou uma esposa cristã que deseja agradar a Deus deve extirpar a ira do coração (Ef 4.31).
A mentira
A mentira quebra a confiança que deve haver na relação entre marido e mulher. A Palavra de Deus está repleta de textos que condenam veementemente a mentira. O mais conhecido deles está em João 8.44. As palavras deste versículo foram ditas por Jesus. Para combater a mentira só com a verdade, por mais dura que seja, sempre a verdade.
O egoísmo
O egoísta só pensa em si mesmo. Um cônjuge egoísta nunca considera a vontade do outro. Não abre mão do restaurante preferido. O bife maior é dele. Seus prazeres e vontades em primeiro lugar. O outro que se arranje. Nas relações sexuais nunca está atento ao prazer do cônjuge. O dinheiro é somente para seu deleite. Nunca pensa em comprar um presentinho melhor para o outro, mas para ele… O egoísmo é obra da carne (Gl 5.20), não um fruto do Espírito Santo.

O orgulho
Um cônjuge orgulhoso nunca reconhece o seu erro, nunca pede uma opinião, sempre acha que está certo. Quando o orgulho está presente na relação do casal, o errado é sempre o outro. Um cônjuge orgulhoso, por exemplo, nunca olha para si mesmo e tenta encontrar o erro em suas palavras e comportamentos. Nunca pede perdão. O orgulho é irmão gêmeo da arrogância. A humildade, não o orgulho, é o que Deus quer ver no casamento (1Pd 5.5,6).
O abuso
O abuso é um verdadeiro explosivo para destruir qualquer relação, especialmente o casamento. Um cônjuge abusador desconhece limites. Acha que tem o poder para todas as coisas. Abusa do poder, usa de violência verbal e física. Abusa na vida sexual, financeira. Abusa na moral. Abusa psicologicamente. Pedro, um discípulo casado, recomendou que o respeito deve ser valorizado em todas as relações (1Pd 2.17).
A indiferença
A indiferença é prima do egoísmo. Quando a indiferença se instala no coração de um marido ou de uma esposa o outro não é atendido em suas necessidades físicas, emocionais e espirituais. A esposa que deseja ser abraçada (sem conotação sexual) nunca recebe um abraço. Precisa de um carinho, jamais é atendida nas suas carências emocionais. Na cama é sempre usada como objeto sexual. O marido, que precisa de palavras de afirmação, fica zerado neste quesito. Precisa ser respeitado, a esposa não está nem aí para esta necessidade masculina. 1 Pedro 3.7 fala sobre entendimento. Entender o cônjuge é compreender suas necessidade e satisfazê-las sempre.
O divórcio
Deus detesta, odeia o divórcio. Está na Bíblia (Ml 2.16). O divórcio destrói o plano original de Deus (Gn 2.21-26). O divórcio é a ruptura de uma aliança, de um pacto, de um compromisso. É resultado da dureza do coração humano (Mt 19.8). O divórcio tem um impacto negativo nas pessoas envolvidas, nos filhos, na sociedade, na igreja de Cristo. Os casais para agradarem deveriam lutar por seus casamentos e não caminharem em direção divórcio quando as dificuldades se tornam presentes.