Você sabe o que é “Janela 10/40? - No centro do nosso mundo vive um grande numero de povos não alcançados, compreendidos numa porção retangular, identificada como “Janela 10-40”.
Aproximadamente 95% das pessoas menos alcançadas pelo evangelho são habitantes da Janela 10-40; e entre os 52 países menos evangelizados do mundo 31 estão nela, são 62 países na janela com 3,8 bilhões de pessoas, das quais 1,8 bilhões nunca ouviram de Cristo, Cristianismo ou Evangelho.
O mundo tem 6,5 bilhões de habitantes em 252 países e 60% da população mundial vive na Janela 10-40; os países da janela são também em sua maioria os de maior intolerância aos cristãos e ao evangelho; Numa lista das 50 maiores cidades do mundo, todas estão na Janela; 81% dos mais pobres do mundo também estão na Janela 10-40, são eles 26% da população mundial, e em sua maioria os habitantes dela são adeptos do Islamismo, Hinduismo e Budismo.
O termo “Janela 10-40” originou-se com Luis Bush durante a 2ª conferencia de Lausanne, em Manilla, em julho de 1989.
Esta região do mundo, antes conhecida como “Cinturão de Resistência”, estende-se desde o oeste da África até o leste da Ásia, sendo 10 graus de longitude e 40 de latitude acima da linha do Equador.
I. Algumas razões para focalizarmos a “Janela 10-40”:
1. O Significado Bíblico e histórico desta área; Este é o lugar onde Deus colocou Adão e Eva como moradores.
2. A predominância da pobreza.
Mais de 95% dos pobres menos evangelizados do mundo vivem na “Janela 10-40”.
3. O Maior grupo de mega povos etnolinguísticos (Mais de Um milhão vivem na janela). De fato mais de 90% dos indivíduos desses grupos populacionais vivem na “Janela 10-40”.
4. As fortalezas de Satanás estão concentradas na “Janela 10-40”. Bilhões de pessoas que vivem na janela não só sofrem com enfermidades, pobreza, calamidades mais também tem sido impossibilitada de conhecer o poder do Evangelho Transformador.
Vamos profetizar que todos estes pontos negativos já caíram por terra
Nem todos os crentes sabem que no mundo ainda há povos completamente ignorantes da existência de Jesus Cristo e seu plano redentor. Poucos se importam em saber que hoje no oriente há cristãos presos e sendo torturados por causa de sua fé. Quantos têm um programa intensivo de oração pelos povos não alcançados pelo evangelho? Saber que há povos cometendo suicídios e guerras, por falta de esperança ou fanatismo, não é um assunto que interessa a todos os cristãos.
Os cristãos no mundo estão direcionando apenas 1,2% do seu fundo missionário e de seus missionários estrangeiros para bilhões de pessoas que vivem no mundo evangelizado. No mundo ainda há dezenas de país com suas portas total ou parcialmente fechadas à entrada de missionários. Há 28 países muçulmanos (sem incluir seis da antiga união soviética), 7 nações budistas, 3 Marxistas e 2 países hindus, formando o maior aglomerado de povos não alcançados.
II. Porque evangelizar os povos da Janela 10/40
- Porque ali vive o maior número de povos não alcançados pelo evangelho. Cobre 1/3 total do planeta e representa 2/3 da população do mundo. São cerca de 3,2 bilhões de -pessoas em 61 países.
- Porque ali está a maioria dos seguidores das 3 maiores religiões do mundo: Islamismo, Budismo e Hinduismo.
- Porque dos 50 países menos evangelizados do mundo 37 estão nessa área.
- Porque as maiores Capitais do mundo estão nessa região.
De acordo com os missiólogos, há diversidades no número de povos não alcançados pelo evangelho hoje. Para Ralph Winter, há 17 mil povos não alcançados e 12 mil línguas. David Barrete declara que são 11 mil o número total de povos não alcançados. Bob Waymire também arrola 11 mil povos diferentes no mundo. Patrick Johnstone avalia em 12.017 o total de povos não alcançados em todo o mundo. Subtraindo desse número os povos entre os quais há cristãos, missionários de fora e autóctones, restam apenas 1.200 povos a serem alcançados. Em sua perspectiva, 99% da população do mundo serão cobertos, inteiramente, com a mensagem do evangelho se ela for transmitida, nomáximo, entre 400 e 500 línguas diferentes.
Então concluímos que missões, ainda não é um assunto sério para muitas igrejas. Enquanto templos são enfeitados e grande parte do tempo é utilizada para inúmeros programas, missões é ocasional, ainda não é assunto íntimo.
III. O Mundo dos povos não alcançados
Segundo alguns estudiosos, temos aqui algumas estatísticas: - Cada hora 10700 crianças nascem e morrem sem escutar as Boas Novas em países da Janela 10/40;
- Cada hora de esforço missionário resulta em 9.800 pessoas escutando o evangelho pela primeira vez;
- O resultado é a redução no mundo não evangelizado de 500 pessoas a cada hora, ou pouco mais que 4 milhões de pessoas por ano.
- 9 em cada 10 países mais pobres do mundo estão na África e 8 destes são parte do mundo menos evangelizado.
IV. Os Países da Janela:
01 - KUWAIT
Localização: Golfo Pérsico 5% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas e alguns Xiitas Evangelismo Restrito
02 - IRÃ
Localização: Golfo Pérsico 0,5% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Xiitas e alguns Sunitas Evangelismo Proibido
03 - EGITO
Localização: Oriente Médio 0,8% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Restrito
04 - ISRAEL
Localização: Oriente Médio0,35% de Cristãos evangélicos Predominante: Judeus e alguns Muçulmanos Evangelismo Restrito
05 - BRUNEI Localização: Sudoeste da Ásia 0,6% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Budistas Evangelismo Restrito
06 - LÍBIA
Localização: Norte da África 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
07 - SOMÁLIA
Localização: Leste da África 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
08 - BANGLADESH
Localização: Ásia Central 2% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Hindus Evangelismo Restrito
09 - BURKINA-FASO
Localização: Oeste da África 3% de Cristãos evangélicos Predominante: Animistas e alguns Muçulmanos Evangelismo Restrito
10 - UZBEQUISTÃO
Localização: Leste da Ásia 0,001% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Ortodoxos Russos Evangelismo Restrito
11 - TADJIQUISTÃO
Localização: Leste Asiático 0,001% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Ortodoxos Russos Evangelismo Restrito
12 - LÍBANO
Localização: Oriente Médio 4,3% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Xiitas e alguns Sunitas Evangelismo Permitido
13 - MALÁSIA
Localização: Sul da Ásia 2% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos, alguns Budistas e Hindus Evangelismo Restrito
14 - PAQUISTÃO
Localização: Oeste da Ásia 0,5% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas e alguns Xiitas Evangelismo Restrito
15 - ÍNDIA
Localização: Ásia Central 1% de Cristãos evangélicos Predominante: Hindus e alguns Muçulmanos Evangelismo Restrito
16 - BUTÃO
Localização: Ásia Central 0,3% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas e alguns Muçulmanos Evangelismo Restrito
17 - MALI
Localização: Oeste da África 0,9% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e algumas Crenças Tradicionais Evangelismo Permitido
18 - NEPAL
Localização: Ásia Central 0,5% de Cristãos evangélicos Predominante: Hindus e alguns Budistas Evangelismo Restrito
19 - CHINA
Localização: Leste da Ásia 4% de Cristãos evangélicos Predominante: Não religiosos(Ateus) e Folclóricos Chineses Evangelismo Restrito
20 - QATAR
Localização: Golfo Pérsico 0,007% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
21 - OMÃ
Localização: Golfo Pérsico 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Evangelismo Proibido
22 - NIGÉRIA
Localização: Oeste da África 17% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Animistas Evangelismo Restrito
23 - MAURITÂNIA
Localização: África do Norte 0,0% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
24 - ARÁBIA SAUDITA
Localização: Golfo Pérsico 0,007% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
25 - AZERBAIJÃO
Localização: Leste da Ásia 0,003% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Restrito
26 - EMIRADOS ÁRABES UNIDOS
Localização: Golfo Pérsico 0,7% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas e alguns Xiitas Evangelismo Proibido
27 - DJIBUTI
Localização: Leste da África 0,03% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
28 - TURQUEMENISTÃO
Localização: Leste da Ásia 0,001% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Ortodoxos Russos Evangelismo Restrito
29 - KAZAQUISTÃO
Localização: Leste da Ásia 0,004% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Ortodoxos Russos Evangelismo Restrito
30 - MALDIVAS
Localização: Centro Sul Asiático 0,0% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
31 - SUDÃO
Localização: Leste da Ásia 3% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas e alguns Animistas Evangelismo Restrito
32 - GUINÉ
Localização: Oeste da África 0,75% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Animistas Evangelismo Restrito
33 - BENIN Localização: Oeste da África 2% de Cristãos evangélicos Predominante: Crenças Tradicionais e alguns Muçulmanos Evangelismo Permitido
34 - ALBÂNIA
Localização: Sul da Europa 5% de Cristãos evangélicos Predominante: Ortodoxos e alguns Muçulmanos Evangelismo Restrito
35 - IEMEM
Localização: Oriente Médio 0,01% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
36 - ETIÓPIA
Localização: Leste da África 10% de Cristãos evangélicos Predominante: Ortodoxos, Sunitas e Crenças Tradicionais Evangelismo Permitido
37 - TUNÍSIA
Localização: Norte da África 0,001% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
38 - JORDÂNIA
Localização: Oriente Médio 0,4% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Restrito
39 - AFEGANISTÃO Localização: Leste da Ásia 0,2% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas e alguns Xiitas Evangelismo Restrito
40 - TAILÂNDIA
Localização: Sudoeste da Ásia 0,3% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas Evangelismo Restrito
41 - INDONÉSIA
Localização: Norte da Ásia 0,01% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Hindus Evangelismo Restrito
42 - MARROCOS
Localização: Norte da África 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
43 - VIETNÃ
Localização: Sudoeste da Ásia 0,6% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas e Crenças Tradicionais Evangelismo Restrito
44 - MYANMAR
Localização: Sudoeste da Ásia 4% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas e alguns Muçulmanos Evangelismo Permitido
45 - CAMBOJA
Localização: Sul da Ásia 0,05% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas Evangelismo Restrito
46 - SENEGAL
Localização: Oeste da África 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Restrito
47 - JAPÃO
Localização: Leste da Ásia 0,3% de Cristãos evangélicos Predominante: Shinto / Budistas Evangelismo Permitido
48 - NIGÉR
Localização: Oeste da África 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas e alguns Animistas Evangelismo Restrito
49 - LAOS
Localização: Sudoeste da Ásia 1,9% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas Evangelismo Restrito
50 - IRAQUE
Localização: Golfo Pérsico 0,5% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Xiitas e alguns Sunitas Evangelismo Restrito
51 - TAIWAN
Localização: Leste da Ásia 3% de Cristãos evangélicos Predominante: Folclórica Chinesa e alguns Sunitas Evangelismo Permitido
52 - TIBET
Localização: Oeste da China 0,02% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas Evangelismo Restrito
53 - TURQUIA
Localização: Oeste da Ásia 0,03% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Restrito
54 - SÍRIA
Localização: Oriente Médio 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas e alguns Xiitas Evangelismo Proibido
55 - GUINÉ-BISSAU
Localização: Oeste da África 1,2% de Cristãos evangélicos Predominante: Animistas e alguns Muçulmanos Evangelismo Restrito
56 - QUIRQUISTÃO
Localização: Leste da Ásia 0,003% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Ortodoxos Russos Evangelismo Restrito
57 - SAARA OCIDENTAL
Localização: Norte da África 0,0% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Evangelismo Proibido
58 - SRI LANKA
Localização: Ásia Central 0,9% de Cristãos evangélicos Predominante: Budistas, alguns Hindus e Muçulmanos Evangelismo Restrito
59 - BANRAI
Localização: Golfo Pérsico 1,5% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos e alguns Hindus Evangelismo Proibido
60 - ARGÉLIA
Localização: Norte da África 0,01% de Cristãos evangélicos Predominante: Muçulmanos Sunitas Evangelismo Proibido
61 - CORÉIA DO NORTE
Localização: Leste da Ásia 0,5% de Cristãos evangélicos Predominante: Não religiosos(Ateus) e Crenças Tradicionais Evangelismo Proibido
62 - MONGÓLIA
Localização: Centro-Norte da Ásia 0,1% de Cristãos evangélicos Predominante: Não religiosos(Ateus) e Crenças Tradicionais Evangelismo Restrito
QUEM PODE EVANGELIZAR OS POVOS DA JANELA 10/40
Então, os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, . . .. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles e muitos, crendo, se converteram ao Senhor (Atos 11:19-21).
A expansão da Igreja em Atos não foi feita apenas por ministros profissionais como Pedro e Paulo. Foi feita por cristãos fiéis, dispostos a perderem seus empregos, seus lares e sua vida normal por causa da sua fé em Jesus Cristo como o Salvador e Senhor verdadeiro. Fugiram da perseguição, mas não ficaram amedrontados e calados. Anunciavam o Evangelho e a mão do Senhor estava com eles!
Ronaldo Lidório, missionário em Gana, disse que os povos mais fáceis de alcançar já foram contatados. Restam agora os mais difíceis, onde muitos dos quais, com certeza, existem dentro da Janela 10/40. O evangelista nesta região tem que ser fiel, disposto a negar-se a si mesmo e ter a “mão do Senhor sobre ele”. Este missionário, nos campos difíceis, precisa de uma clara direção de Deus e da poderosa manifestação da Sua presença e benção na vida dele.
Estatísticas ao Contrário
Conforme estatísticas recentes,[1] o Brasil perde um quarto da sua força missionária a cada três anos. As razões principais são
(1) a falta de preparo,
(2) o baixo nível de compromisso,
(3) os problemas pessoais e sociais e a
(4) falta de apoio das suas igrejas no Brasil.
O missionário que trabalha na Janela 10/40 especialmente precisa superar estes problemas. Além da dificuldade e resistência inerentes na região, muitos vão trabalhar como “fazedores-de-tendas”, ou profissionais seculares, como aqueles primeiros missionários espalhados pela perseguição em Jerusalém. Mesmo assim, o candidato precisa ter certeza de que estas qualificações não faltam, para que ele também não entre na estatística de desistência.
Padrões Bíblicos
No capítulo onze de Atos, acima citado, temos o relato da história tremenda da primeira expansão da Igreja de Jesus Cristo. A Igreja de Jerusalém tinha crescido rapidamente, pelo poder do Espírito Santo atuando na vida dos seus apóstolos, diáconos e membros. Pedro relata a sua experiência na casa de Cornélio, um gentio que aceitou o Evangelho e recebeu a aprovação do Espírito Santo. Anteriormente, Pedro precisou ter uma visão sobrenatural para entender a ordem de Deus para evangelizar os gentios.
Resumindo para os irmãos em Jerusalém, Pedro disse que “Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (11:18). Uma parte forte da mensagem do Evangelho foi o arrependimento, que levava ao perdão e a vida, algo que aqueles primeiros missionários tinham experimentado e compreendido.
Logo começou a complicar mais para a Igreja. Os mesmos que mataram Jesus, começaram a perseguir e a matar os Seus seguidores. Os crentes foram espalhados, deixando tudo para trás, mas firmes na convicção e compromisso com a nova fé em Jesus como Messias e Salvador. Tal foi o impacto que alguns, que tinham mais contato com gentios, começaram a falar com eles também. Os gregos se ajuntaram às igrejas, e este fato chegou logo aos ouvidos dos Apóstolos em Jerusalém.
Enviaram um homem aprovado, experiente e de confiança para verificar o que se passava em Antioquia. Quando chegou, podia ver que Deus estava atuando. Ele ficou para dar os ensinos mais profundos e estabelecer a igreja, com a ajuda de Saulo. A igreja de Antioquia cresceu com o ministério dos evangelistas fieis e dos mestres com conhecimento mais profundo da Palavra de Deus. Em pouco tempo se tornou a igreja enviadora de missionários, e capaz de continuar o trabalho sem os seus dois principais líderes.
A Janela 10/40 também precisa receber homens e mulheres que experimentaram uma profunda experiência de arrependimento e salvação, e precisa também de homens e mulheres que possam ensinar as verdades mais profundas do Evangelho.
Características do Missionário à Janela 10/40
A PRIMEIRA CARACTERÍSTICA DO MISSIONÁRIO, para qualquer lugar, é que tenha experimentado o “arrependimento para vida”. Não pode ser um “crente”, membro de igreja, que nunca chegou a reconhecer o seu pecado e a profunda necessidade da salvação em Cristo. Quem de verdade é salvo demonstra o fruto do Espírito e vive uma vida de humildade, pois sabe de onde veio. Ama os outros, porque experimentou o grande amor de Deus na sua vida. Perdoa as falhas dos outros, mesmo como ele foi perdoado por Deus.
Além destas características “normais” do crente em Cristo, o missionário precisa também ter um CONHECIMENTO PROFUNDO DA PALAVRA DE DEUS. Quem vai para a Janela 10/40 vai encontrar pessoas de religiões formadas e articuladas. Muitos são evangelistas das suas próprias crenças e sabem combater o cristianismo. Muitos têm ódio de cristãos. No entanto em primeiro lugar o missionário vai precisar explicar o Evangelho para estas pessoas, com sabedoria. Em segundo lugar, ele vai precisar instruir na fé cristã as pessoas que aceitam o Evangelho.
Capacidade e conhecimento para poder explicar a história bíblica, os conceitos de Deus, o significado da vinda, morte e ressurreição de Jesus Cristo, e o papel da igreja no mundo de hoje é essencial para qualquer missionário. Precisam estar aptos a ensinar o verdadeiro significado do texto bíblico, aplicando-o na vida do novo crente e demonstrando esta aplicação na sua própria vida e na vida do outro.
Uma terceira característica de quem quer servir o Senhor nos campos missionários, é UMA VIDA DE COMUNHÃO COM DEUS. Um período devocional regular, submissão e busca da presença e vontade de Deus (Pedro ouviu o Espírito “falar” com ele [Atos 11:12]) devem fazer parte do cotidiano do missionário. Qualquer servo do Senhor tem que reconhecer que é Ele quem capacita e dirige. É o Espírito Santo em Atos 1:8 que vai dar o poder para testemunhar tanto em Jerusalém como até aos confins da terra!
A vida espiritual, comunhão com Deus, dependência no Espírito Santo são essenciais para alguém que vai trabalhar às vezes sozinho, cercado por pessoas convictas de outras religiões e por um ambiente muitas vezes carregado da influência das trevas.
Estas características são desenvolvidas e reconhecidas dentro do contexto da igreja local. Um seminário ou instituto bíblico podem e devem ajudar especialmente na área de conhecimento bíblico, mas não substituem as bases formadas no convívio da igreja.
O missionário deve ter tido UMA BOA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO E MINISTÉRIO NA SUA IGREJA DE ORIGEM.
O ministério prático é essencial para o futuro missionário. Ele precisa ter experiência no evangelismo, no ensino da Palavra, no discipulado e na expressão do papel da igreja local. Precisa ser acompanhado por pessoas maduras que ajudam a moldá-lo conforme os padrões bíblicos. Infelizmente, muitas vezes as igrejas enviam jovens para os seminários e depois esperam que voltem como ministros formados e capacitados! Esquecem que é dentro do contexto da igreja local que o ministro é formado de verdade, com a ajuda importante do seminário.
Muitos irão para a Janela 10/40 como profissionais seculares. Nisto a igreja e a Junta precisam verificar O PREPARO E A CAPACIDADE PROFISSIONAL. Não podemos esperar que alguém que fez auxiliar de enfermagem se torne uma enfermeira chefe no campo missionário. Devemos investir nas pessoas para que tenham as melhores credenciais profissionais possíveis, se tornando exemplos e podendo treinar outros.
Finalmente este missionário precisa ter CONHECIMENTO MISSIOLÓGICO. Soube de alguém que foi para as Filipinas ser missionário. Saiu do avião e descobriu que não se fala português por ali! Há muitas pessoas dedicadas, aprovadas nas suas igrejas de origem, e desejosas de servir ao Senhor a qualquer custo, que não conseguem fruto no campo missionário transcultural porque nunca estudaram sobre choque cultural, comunicação transcultural ou os costumes e significados dos povos onde vão trabalhar.
Nós naturalmente enxergamos o mundo através dos nossos preconceitos e pressupostos culturais. Portanto julgamos as outras culturas conforme nossos critérios e evangelizamos discipulamos e implantamos igrejas de forma brasileira, às vezes, mais do que de forma bíblica, e muitas vezes de forma estranha e fora da compreensão dos recipientes.
Este preparo missiológico exige tempo, pois necessita efetuar transformações na cosmovisão e compreensão do missionário. Exige profundo conhecimento da Bíblia e profundo conhecimento de si mesmo e da sua própria cultura, para poder distinguir entre os dois. E exige estudos de culturas recipientes, para podermos viver, comunicar e trabalhar num ambiente transcultural, sem maiores transtornos e confusões.
Quem pode ir para a Janela 10/40? Alguém sensível e sensato. Alguém com convicção das verdades cristãs. E alguém que sabe ensinar e aplicar estas maravilhosas verdades de forma relevante em outro contexto. Talvez a palavra chave e, para alguns surpreendentes, para tudo que temos falado é humildade. O missionário precisa de humildade diante de Deus e da Sua Palavra para a
O Papel da Igreja Enviadora
“Quem pode ir para a janela 10/40?” A resposta é que podem ir pessoas qualificadas na sua vida espiritual, no seu caráter, no seu ministério e na sua profissão. Essencial em tudo isto é a igreja local. A pessoa que pode ir para este campo difícil é a pessoa que tem a aprovação e o firme apoio da sua igreja local.
Às vezes é fácil pensar que tendo o sustento da sua própria profissão, não precisa da aprovação ou apoio da igreja local ou de uma agência missionária. Mas, quem vai para a Janela 10/40 - aquele campo mais difícil - precisa acima de tudo do apoio espiritual, emocional e missiológico de sua igreja e de uma junta missionária. Precisa de pessoas que possam oferecer uma rede comprometida de oração, orientação estratégica e logística no campo e contato constante com pessoas que darão seu amor, compreensão e compaixão pelas lutas, desafios e vitórias obtidas no campo.
Com certeza temos um papel importante na Janela 10/40, como em muitos outros lugares no mundo. Vamos enviar pessoas escolhidas e preparadas por Deus para levar a mensagem do Evangelho e fazer discípulos fiéis a Ele.
Que Deus nos ajude a cooperar com esta obra; existem três formas:
A. Orando;
B. Indo;
C. Contribuindo.
Façamos cada um de nossa parte na obra missionária.
Fique na Paz do Senhor Jesus. Amém!
quinta-feira, 9 de março de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
Adoção - Um dos Elos da Salvação !
TERMINOLOGIA - O termo “adoção” ocorre cinco vezes no Novo Testamento, todas nas epístolas paulinas: Romanos 8.15,23; Romanos 9.4; Gálatas 4,5 e Efésios 1.5. No grego a palavra é uioqesia (uiotesia) que tem o sentido de uma relação familiar com todos os privilégios e responsabilidades de herdeiros legítimos.
SENTIDO JURÍDICO
Adoção é o ato pelo qual se confere a uma pessoa estranha os mesmos direitos e privilégios (inclusive a herança) de seu filho.
Na sociedade grega e romana, a adoção entre classes superiores era algo relativamente comum. O cidadão adotado por um romano tornava-se praticamente escravo de seu pai adotivo. Tinha direitos, mas também uma lista de deveres.
Outro sentido dado pelos gregos para adoção, era o reconhecimento público de um filho, por seu pai, quando este lhe dava o direito da herança. Isso era feito quando o filho atingia a maioridade. O sentido deste ato era que o filho não precisava mais submeter-se ao pai, e dali pra frente, poderia dirigir a sua própria vida. Estava socialmente emancipado.
A DOUTRINA DA ADOÇÃO NAS EPÍSTOLAS PAULINAS
A adoção tem três sentidos básicos nos escritos de Paulo:
1º - Salienta a nova relação com Deus, que o cristão goza através de Cristo. Esta relação nos eleva a posição de filhos.
2º - Destaca o fato de que a adoção é fruto da Graça, não méritos pessoais.
3º - Destaca o fato de que ninguém é por natureza filho de Deus.
Enquanto João e Pedro usam o termo “regeneração” (grego paliggenesia) para caracterizar a filiação cristã, Paulo usa uma figura jurídica, talvez devido ao seu contato com os romanos. Para ele a adoção é algo passado, presente e futuro. Fomos libertos da escravidão do pecado (passado) vivemos um novo estilo de vida, andando em espírito (presente), e vivemos em esperança da ressurreição e redenção do corpo (futuro).
A adoção manifesta a misericórdia de Deus, em salvar por intermédio de Jesus Cristo, e restabelecer a relação entre a criatura e o criador.
Pela adoção passamos a pertencer à família de Deus, recebendo os mesmos direitos que Cristo tinha por direito eterno.
Vejamos o sentido da palavra em cada uma das passagens:
1 – Romanos 8.15 – “Porque não recebestes um espírito de escravidão para vos conduzir ao temor, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!” –Versão Almeida século 21
Aqui Paulo faz um contraste entre “espírito de escravidão” e o “espírito de adoção de filhos pelo qual clamamos: Aba pai”. O escravo serve por medo, por necessidade, por posição inferior e imposta. O filho clama Aba pai (linguagem íntima da criança, na língua aramaica). Jesus usou o mesmo contraste: “já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer”, João 15.15. Isso transforma todo o espírito de nossa vida e atividade cristã.
Paulo ensina a necessidade da filiação cristã, da relação com Deus como Pai em Jesus Cristo mediante o Espírito Santo. Ele prossegue nesse pensamento e afirma que somos filhos e também herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. O Espírito Santo em nossas vidas é o penhor da herança do cristão. (II Coríntios 1.22 – II Coríntios 5.5 e Efésios 1.14).
2 – Romanos 8.23 – “... Também nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, também gememos em nosso íntimo, aguardando ansiosamente nossa adoção, a redenção de nosso corpo.” - Versão Almeida século 21
Paulo afirma que Cristo haverá de redimir não só o espírito, mas também o corpo. O corpo do cristão é tão santo quanto o seu espírito. O triunfo final da graça redentora de Jesus será a ressurreição dos nossos corpos. Quando o corpo e o espírito forem reunidos, estará completa em Deus toda a nossa personalidade. A adoção também pertence ao corpo.
A redenção significará para a natureza inteira, o cumprimento da profecia acerca do deserto que florescerá como a rosa.
Os cristãos, que possuem o penhor do Espírito, esperam pelo momento em que o corpo será liberto do pecado. A ressurreição será então a etapa final da filiação com Deus.
3 – Romanos 9.4 - “Eles são israelitas, e deles são a adoção, a glória, as alianças, a promulgação da lei, o culto e as promessas.” – Versão Almeida século 21
Este versículo faz parte de um contexto, em que Paulo se refere ao povo de Israel (capítulos 9, 10 e 11).
Deus tratou o povo escolhido como filho, herdeiro e sacerdote, servo de IAVÉ. Coube e Jesus todos os títulos de Israel, e Ele realizou o que os israelitas não puderam realizar. Israel era para Deus o filho predileto entre todas as nações. Paulo considera esse fato como uma das glórias de seu povo. Ele usa o mesmo termo “adoção” para designar a condição de Israel como filho.
4 – Gálatas 4.5 – “Para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.” Versão Almeida século 21
No capítulo 4 Paulo prossegue com o mesmo raciocínio do capítulo 3. antes da vinda de Cristo a raça humana estava em período de “minoridade”. O filho, enquanto menor, estava sob os cuidados de seus pais ou tutores, não podendo exercer a sua própria vontade. Era escravo de leis e obrigações, até o dia em que tronava-se adulto, e então era reconhecido como tal, e estava apto a dirigir a sua própria vida. Paulo usa esta comparação para mostrar que antes da vinda de Cristo, o homem estava sob a lei, até que, na plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, para resgatá-lo e adotá-lo como filho.
Conforme a sua infinita graça, Deus tem recebido em sua família aqueles que antes pertenciam a uma família inteiramente diferente (João 8.44); dando-lhe o direito de receber as bênçãos e privilégios dos filhos de Deus. Em Cristo, os cristãos são restaurados à categoria de filhos, membros da grande família divina. É uma transformação radical de categoria: de escravo a filho.
No verso 6 Paulo deixa claro que o ato da adoção, nos proporciona o direito de recebermos o Espírito Santo de Deus.
5 – Efésios 1.5 – “Ele nos predestinou para si mesmo, segundo a boa determinação de sua vontade, para sermos filhos adotivos por meio de Jesus Cristo.” – Versão Almeida século 21
Paulo destaca o fato de que não há destino fatal na vida do cristão, quando diz que “Deus nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo”. A filiação que o homem recebeu de Deus, em virtude de ter sido criado à sua imagem e semelhança, precisava ser renovada após a queda. Esta renovação foi antes de tudo completada no Filho de Deus encarnado e, então, naqueles que estão nele pela fé. A filiação se dá por meio da regeneração e da adoção: enquanto o novo nascimento altera nossa natureza, a doção altera a nossa relação com Deus. Ambas só são possíveis através de Jesus Cristo e sua obra redentora. Deus faz isso “segundo o beneplácito de sua vontade”. Esta expressão engloba a primeira e última expressão do propósito eterno de Deus.
Considerações finais
Pelo nascimento físico, o homem é membro da família de Adão e, como tal, excluído, pelo pecado, da família de Deus. Nascido de novo, passa a fazer parte da família de Deus. Apenas excepcionalmente, a Bíblia fala de Deus como pai de todos os homens, e isso no sentido de ser seu criador e preservador. De modo gral a Bíblia reserva o nome “pai” para designar a nova relação que Ele assumiu para com aqueles que adotou como filhos. São aqueles que nascidos do Espírito, foram transformados e regenerados pelo Sangue do cordeiro.
Diferentemente da adoção humana, a adoção Divina não leva em conta qualidades pessoais. Entretanto é preciso reconhecer que como filhos “adotados” por Deus, Ele como pai, tem o direito de nos corrigir e até nos castigar, a fim de que possamos ser melhores filhos, obedecendo em tudo ao nosso pai. O autor da Epístola aos Hebreus declara que “o Senhor corrige e açoita a qualquer que recebe como filho” (Hebreus 12.6-7).
A filiação por meio da fé tira os homens de debaixo da lei, tornando-os membros e participantes de Cristo.
Quatro consequencias da adoção divina
1ª – Os filhos são emancipados da lei – Gálatas 3.25
2ª – Todos, judeus e gentios, desde que tenham aceitado a Cristo, tornam-se filhos de Deus. Não há distinção – Gálatas 3.28
3ª – Como filhos desfrutamos de todos os direitos como herdeiros das bênçãos de Deus – Gálatas 3.29
4ª – A adoção devolve a dignidade do homem, e o torna consciente de sua nova relação com Deus, através do Espírito Santo – Gálatas 4.6
SENTIDO JURÍDICO
Adoção é o ato pelo qual se confere a uma pessoa estranha os mesmos direitos e privilégios (inclusive a herança) de seu filho.
Na sociedade grega e romana, a adoção entre classes superiores era algo relativamente comum. O cidadão adotado por um romano tornava-se praticamente escravo de seu pai adotivo. Tinha direitos, mas também uma lista de deveres.
Outro sentido dado pelos gregos para adoção, era o reconhecimento público de um filho, por seu pai, quando este lhe dava o direito da herança. Isso era feito quando o filho atingia a maioridade. O sentido deste ato era que o filho não precisava mais submeter-se ao pai, e dali pra frente, poderia dirigir a sua própria vida. Estava socialmente emancipado.
A DOUTRINA DA ADOÇÃO NAS EPÍSTOLAS PAULINAS
A adoção tem três sentidos básicos nos escritos de Paulo:
1º - Salienta a nova relação com Deus, que o cristão goza através de Cristo. Esta relação nos eleva a posição de filhos.
2º - Destaca o fato de que a adoção é fruto da Graça, não méritos pessoais.
3º - Destaca o fato de que ninguém é por natureza filho de Deus.
Enquanto João e Pedro usam o termo “regeneração” (grego paliggenesia) para caracterizar a filiação cristã, Paulo usa uma figura jurídica, talvez devido ao seu contato com os romanos. Para ele a adoção é algo passado, presente e futuro. Fomos libertos da escravidão do pecado (passado) vivemos um novo estilo de vida, andando em espírito (presente), e vivemos em esperança da ressurreição e redenção do corpo (futuro).
A adoção manifesta a misericórdia de Deus, em salvar por intermédio de Jesus Cristo, e restabelecer a relação entre a criatura e o criador.
Pela adoção passamos a pertencer à família de Deus, recebendo os mesmos direitos que Cristo tinha por direito eterno.
Vejamos o sentido da palavra em cada uma das passagens:
1 – Romanos 8.15 – “Porque não recebestes um espírito de escravidão para vos conduzir ao temor, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!” –Versão Almeida século 21
Aqui Paulo faz um contraste entre “espírito de escravidão” e o “espírito de adoção de filhos pelo qual clamamos: Aba pai”. O escravo serve por medo, por necessidade, por posição inferior e imposta. O filho clama Aba pai (linguagem íntima da criança, na língua aramaica). Jesus usou o mesmo contraste: “já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer”, João 15.15. Isso transforma todo o espírito de nossa vida e atividade cristã.
Paulo ensina a necessidade da filiação cristã, da relação com Deus como Pai em Jesus Cristo mediante o Espírito Santo. Ele prossegue nesse pensamento e afirma que somos filhos e também herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. O Espírito Santo em nossas vidas é o penhor da herança do cristão. (II Coríntios 1.22 – II Coríntios 5.5 e Efésios 1.14).
2 – Romanos 8.23 – “... Também nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, também gememos em nosso íntimo, aguardando ansiosamente nossa adoção, a redenção de nosso corpo.” - Versão Almeida século 21
Paulo afirma que Cristo haverá de redimir não só o espírito, mas também o corpo. O corpo do cristão é tão santo quanto o seu espírito. O triunfo final da graça redentora de Jesus será a ressurreição dos nossos corpos. Quando o corpo e o espírito forem reunidos, estará completa em Deus toda a nossa personalidade. A adoção também pertence ao corpo.
A redenção significará para a natureza inteira, o cumprimento da profecia acerca do deserto que florescerá como a rosa.
Os cristãos, que possuem o penhor do Espírito, esperam pelo momento em que o corpo será liberto do pecado. A ressurreição será então a etapa final da filiação com Deus.
3 – Romanos 9.4 - “Eles são israelitas, e deles são a adoção, a glória, as alianças, a promulgação da lei, o culto e as promessas.” – Versão Almeida século 21
Este versículo faz parte de um contexto, em que Paulo se refere ao povo de Israel (capítulos 9, 10 e 11).
Deus tratou o povo escolhido como filho, herdeiro e sacerdote, servo de IAVÉ. Coube e Jesus todos os títulos de Israel, e Ele realizou o que os israelitas não puderam realizar. Israel era para Deus o filho predileto entre todas as nações. Paulo considera esse fato como uma das glórias de seu povo. Ele usa o mesmo termo “adoção” para designar a condição de Israel como filho.
4 – Gálatas 4.5 – “Para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.” Versão Almeida século 21
No capítulo 4 Paulo prossegue com o mesmo raciocínio do capítulo 3. antes da vinda de Cristo a raça humana estava em período de “minoridade”. O filho, enquanto menor, estava sob os cuidados de seus pais ou tutores, não podendo exercer a sua própria vontade. Era escravo de leis e obrigações, até o dia em que tronava-se adulto, e então era reconhecido como tal, e estava apto a dirigir a sua própria vida. Paulo usa esta comparação para mostrar que antes da vinda de Cristo, o homem estava sob a lei, até que, na plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, para resgatá-lo e adotá-lo como filho.
Conforme a sua infinita graça, Deus tem recebido em sua família aqueles que antes pertenciam a uma família inteiramente diferente (João 8.44); dando-lhe o direito de receber as bênçãos e privilégios dos filhos de Deus. Em Cristo, os cristãos são restaurados à categoria de filhos, membros da grande família divina. É uma transformação radical de categoria: de escravo a filho.
No verso 6 Paulo deixa claro que o ato da adoção, nos proporciona o direito de recebermos o Espírito Santo de Deus.
5 – Efésios 1.5 – “Ele nos predestinou para si mesmo, segundo a boa determinação de sua vontade, para sermos filhos adotivos por meio de Jesus Cristo.” – Versão Almeida século 21
Paulo destaca o fato de que não há destino fatal na vida do cristão, quando diz que “Deus nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo”. A filiação que o homem recebeu de Deus, em virtude de ter sido criado à sua imagem e semelhança, precisava ser renovada após a queda. Esta renovação foi antes de tudo completada no Filho de Deus encarnado e, então, naqueles que estão nele pela fé. A filiação se dá por meio da regeneração e da adoção: enquanto o novo nascimento altera nossa natureza, a doção altera a nossa relação com Deus. Ambas só são possíveis através de Jesus Cristo e sua obra redentora. Deus faz isso “segundo o beneplácito de sua vontade”. Esta expressão engloba a primeira e última expressão do propósito eterno de Deus.
Considerações finais
Pelo nascimento físico, o homem é membro da família de Adão e, como tal, excluído, pelo pecado, da família de Deus. Nascido de novo, passa a fazer parte da família de Deus. Apenas excepcionalmente, a Bíblia fala de Deus como pai de todos os homens, e isso no sentido de ser seu criador e preservador. De modo gral a Bíblia reserva o nome “pai” para designar a nova relação que Ele assumiu para com aqueles que adotou como filhos. São aqueles que nascidos do Espírito, foram transformados e regenerados pelo Sangue do cordeiro.
Diferentemente da adoção humana, a adoção Divina não leva em conta qualidades pessoais. Entretanto é preciso reconhecer que como filhos “adotados” por Deus, Ele como pai, tem o direito de nos corrigir e até nos castigar, a fim de que possamos ser melhores filhos, obedecendo em tudo ao nosso pai. O autor da Epístola aos Hebreus declara que “o Senhor corrige e açoita a qualquer que recebe como filho” (Hebreus 12.6-7).
A filiação por meio da fé tira os homens de debaixo da lei, tornando-os membros e participantes de Cristo.
Quatro consequencias da adoção divina
1ª – Os filhos são emancipados da lei – Gálatas 3.25
2ª – Todos, judeus e gentios, desde que tenham aceitado a Cristo, tornam-se filhos de Deus. Não há distinção – Gálatas 3.28
3ª – Como filhos desfrutamos de todos os direitos como herdeiros das bênçãos de Deus – Gálatas 3.29
4ª – A adoção devolve a dignidade do homem, e o torna consciente de sua nova relação com Deus, através do Espírito Santo – Gálatas 4.6
sábado, 4 de março de 2017
Deus odeia o pecado, mas ama o pecador ?
Deus odeia o pecado, mas ama o pecador? -
O sentido do verbo grego ἀγαπάω (agapaó), ou do verbo hebraico אָהַב (aheb), utilizado na Bíblia, detém um valor aristocrático, voltado para a realidade do homem camponês da antiguidade, apontando para as relações que envolviam os senhores e os servos, ou as relações familiares entre marido e mulher, pais e filhos nos tempos antigos.
Em uma conversa informal, um cristão afirmou: - “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”! Não pude deixar de questionar: - “Está na Bíblia”? Não obtive resposta!
É comum citações de pensamentos de origem desconhecida, como se fossem uma verdade bíblica. Sermões e pregações, em nossos dias, estão repletos de frases, pensamentos, provérbios, como: - “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”.
Quem cunhou a frase ‘Deus odeia o pecado, mas ama o pecador’, não compreendia verdades bíblicas essenciais, além de desconhecer o significado bíblico de termos como ‘ódio’, ‘amor’, ‘pecado’ e ‘pecador’.
Para entender qual a relação de Deus com o pecador, primeiro faz-se necessário entender o significado dos termos ‘amor’ e ‘ódio’; após isso, abordaremos o significado de ‘pecado’ e ‘pecador’.
Amor e ódio
"Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão" (Pv 8:17).
Segundo esse provérbio, pergunta-se: - a quem Deus ama? A resposta é direta: - àqueles que O amam!
Esse provérbio trata do amor[1], segundo os sentimentos ou as emoções humanas? Qual o melhor significado para a palavra ‘amor’, segundo os termos utilizados pelos gregos? Eros, Fhilia, Ágape? Deus exige do homem afeição, amizade, caridade?
Não! Absolutamente, não! Deus não exige do homem que tenha afeição por Ele! Deus não está em busca de amizade! Deus não quer caridade! Todos esses significados que se atribui ao termo amor, não condizem com o que Deus requer do homem.
Mas, alguém pode contra argumentar, dizendo: - “O termo grego ‘ágape’ define o amor de Deus para com os homens e vice-versa”. Alto lá! Essa concepção, é fruto de uma má leitura bíblica, engendrada por vários padres, influenciados pela filosofia grega, como Agostinho, de Hipona e Tomás de Aquino, da Itália, sendo que este pendia para a tradição aristotélica enquanto que, aquele, para as ideias platônicas.
Diante de tantas teorias, como amar a Deus? No que consiste o amor a Deus?
O sentido do verbo grego ἀγαπάω (agapaó), ou do verbo hebraico אָהַב (aheb), utilizado na Bíblia, detém um valor aristocrático, voltado para a realidade do homem camponês da antiguidade, apontando para as relações que envolviam os senhores e os servos, ou as relações familiares entre marido e mulher, pais e filhos nos tempos antigos.
Quando lemos:
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom" (Mt 6:24).
Depreende-se do texto que ‘amor’ está para sujeição a um senhor, assim como ‘ódio’ está para insubordinação a outro senhor. Os termos não foram empregados para fazer referências a sentimentos ou, emoções, mas, sim, para destacar a relação entre senhor e servo.
Ama a Deus aquele que O obedece, ou seja, que se sujeita a Ele, como servo obediente.
Jesus mesmo disse: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele" (Jo 14:21). "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (Jo 14:15). "Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14:23). "Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou" (Jo 14:24).
Jesus não estava exigindo que gostassem d’Ele! Na verdade, Jesus exigia que os homens se sujeitassem a Ele, tomando sobre si o jugo d’Ele. "Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mt 11:29). “E por que me chamais, SENHOR, Senhor, se não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).
Jesus nos deixou exemplo de como se ama a Deus: "Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui" (Jo 14:31).
Por conseguinte, obediência é a essência do amor bíblico: "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1Jo 5:3).
Quando os apóstolos escreveram os Evangelhos e as cartas do Novo Testamento, o termo ἀγαπάω[2] (agapaó) foi escolhido dentre outros por uma caraterística impar: não tinha um significado específico e, raramente, era utilizado! A ideia do termo deriva do seu significado básico: honra.
Quando é dito que Deus ama os que O amam, é o mesmo que dizer que Ele honra aqueles que O honram: "Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim, perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam, serão desprezados" (1Sm 2:30).
É possível Aquele que é amor, odiar?
O apóstolo João afirma que Deus é amor, mas como compreender essa declaração acerca de Deus? Comparemos os dois versos abaixo, considerando que ambos foram extraídos do mesmo contexto:
"Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele, em Deus" (1Jo 4:15);
"E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus e Deus nele" (1Jo 4:16).
O apóstolo afirma que quem confessar que Jesus é o Filho de Deus, significa que Deus está nele e ele em Deus. Por conseguinte, o Pai e o Filho fizeram morada naquele que confessa a Cristo. Mas, como o Pai e o Filho passam a fazer morada no homem? Obedecendo a palavra de Cristo, ou seja, ao amá-Lo:
"Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14:23).
Perceba que, confessar a Cristo, é o mesmo que amar, obedecer e crer, e resulta em salvação: "A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Rm 10:9).
Por intermédio de Moisés, Deus deixou bem claro que Ele faz misericórdia aos que o amam, ou seja, àqueles que guardam os mandamentos de Deus.
"E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos" (Êx 20:6).
“Eu amo aos que me amam e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17)
O amor de Deus para com os que O obedecem, não diz de um sentimento ou de uma emoção. O amor de Deus para os que O amam é misericórdia, ou seja, bondade, benignidade, fidelidade.
- “Deus amou o povo de Israel”. Esta frase é verdadeira! Mas, como Deus amou os filhos de Israel? R: guardando o juramento feito a Abraão, a Isaque e a Jacó.
“Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” (Dt 7:8).
O amor de Deus é demonstrado na sua fidelidade à Sua palavra. Como Deus fez aliança com Abraão e prometeu que ele seria pai de muitas nações, Deus ‘amou’ os filhos de Israel, mantendo a palavra que falara a Abraão: resgatando-os da servidão do Egito (Gn 17:4-8).
Mas, apesar de Deus demonstrar a sua benignidade, conforme a boa palavra que falara aos patriarcas, Ele também odeia a todos os que praticam a maldade, ou seja, que não O obedecem.
“Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade” (Sl 5:5);
“E retribui no rosto a qualquer dos que o odeiam, fazendo-o perecer; não será tardio ao que o odeia; em seu rosto lhe pagará” (Dt 7:10);
"Se eu afiar a minha espada reluzente e se a minha mão travar o juízo, retribuirei a vingança sobre os meus adversários e recompensarei aos que me odeiam" (Dt 32:41);
"Eis que o justo recebe na terra a retribuição; quanto mais o ímpio e o pecador!" (Pv 11:31).
Enquanto o amor de Deus é dar o que prometeu, segundo a sua palavra aos que O amam, o ódio de Deus refere-se à sua retribuição a todos os que são ímpios e pecadores.
“Amai ao SENHOR, vós todos que sois seus santos; porque o SENHOR guarda os fiéis e retribui, com abundância, ao que usa de soberba” (Sl 31:23);
"Mas, o que pecar contra mim, violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte" (Pv 8:36).
Quando a Bíblia fala daqueles que odeiam a Deus, não fala de pessoas que tem um sentimento rancoroso ou que falam impropérios contra Deus. O ódio a Deus decorre da desobediência, de propagar o engano, ou seja, de pronunciar mentiras em nome de Deus: "Efraim era o vigia com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves, em todos os seus caminhos e ódio na casa do seu Deus" (Os 9:8).
Não basta dizer: - “Deus existe”; “Deus é bom”; “Eu amo a Deus”; “Vive o Senhor”, etc., mas não fazer o que Ele manda. Os filhos de Israel eram religiosos, legalistas, moralistas e ritualistas e tinham a lei chegada à boca, mas longe do coração: "Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído" (Is 29:13).
Quando Jesus faz referência aos que O odiaram, diz daqueles que não O obedeceram, pois não creram em Cristo, por consequência, não creram em Deus. Quem crê em Cristo, obedeceu a Deus, ou seja, amou a Deus. Mas, quem não crê em Cristo, desobedeceu, tanto a Cristo, quanto a Deus, ou seja, odiou tanto o Filho, quanto o Pai: “Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. Se eu, entre eles, não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai. Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa” (Jo 15:23-25). "Jesus clamou e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou” (Jo 12:44).
Enquanto o amor do homem para com Deus consiste em obediência ao seu mandamento, o amor de Deus, diz do seu cuidado, expresso em um mandamento: "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor" (Jo 15:10).
O amor de Deus é proteção, cuidado, abrigo, fidelidade, como se lê:
"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor" (Jo 15:10).
O apóstolo Paulo expressa a essência do amor de Deus, nessas palavras:
“Palavra fiel é esta: que, se morrermos com Ele, também com Ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2:11 -13).
Pecado e pecador
No imaginário popular, o pecado é representado por um fardo pesado que o pecador leva sobre os seus ombros. Várias ilustrações e canções advertem os pecadores a deixarem o fardo do pecado aos pés de Cristo. Mais um engano!
A Bíblia apresenta o pecado com um senhor, não como um fardo: "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, todo aquele que comete pecado é servo do pecado" (Jo 8:34). Os servos do pecado pecam, por isso são nomeados pecadores! Nas sociedades escravagistas a servidão era intrínseca ao escravo, portanto, era impossível ao servo se separar do seu senhor.
A ilustração que apresenta o pecado como um fardo não descreve a verdade das Escrituras, pois o pecador é apresentado como quem tem autonomia para deixar o pecado (fardo) ao pé da cruz e sair livre.
Além dessa figura, há várias considerações equivocadas, acerca do pecado: “O pecado nasce no coração do homem”. “O homem é uma fábrica de pecado”. “O homem não apenas, ama praticar o pecado, como ele em si mesmo é o pecado”, etc.
O homem não é o pecado, por não ser senhor de si mesmo. O pecado não é uma questão de gostar, querer, etc., na verdade, é uma questão de sujeição. O pecado não nasce no homem, antes o homem é concebido no pecado, ou seja, escravo do pecado.
Uma má leitura de Tiago 1, versos 12 à 15, leva ao entendimento de que o pecado é gerado dentro da pessoa, ou seja, em algum momento da existência do indivíduo o pecado nasce. Erro gravíssimo de interpretação do versículo, pois o que gera o pecado é a concupiscência, não o indivíduo.
O evento em que a concupiscência deu a luz ao pecado, ocorreu no Éden, quando Eva foi tentada e, ao observar o fruto da árvore do conhecimento, surgiu a concupiscência dos olhos: olhou para a árvore do conhecimento do bem e do mal e entendeu que o fruto era bom para comer, vez que agradou os seus olhos e considerou ser desejável para dar entendimento.
O evangelista João aponta três tipos de concupiscência: da carne, dos olhos e a soberba da vida (1Jo 2:16). A concupiscência não é pecado, mas se deixar guiar por ela levará o homem a sujeitar-se ao pecado. A prática reprovável não é o pecado, antes é uma ofensa. O pecado é o senhor que o indivíduo se sujeita, após a ofensa decorrente da concupiscência.
O pecado não é uma ‘simbiose’, antes, um senhor que utiliza o corpo do indivíduo como instrumento, independentemente do tipo de ação que o indivíduo vier a praticar: "Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade, mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6:13).
A concupiscência que deu à luz ao pecado pela ofensa e que trouxe a morte a todos os homens, iniciou-se com Eva e foi consumada por Adão. Tiago não estava tratando com os pecadores, quando fez essa descrição do surgimento do pecado, mas com os cristãos judeus (das doze tribos da dispersão). Esses cristãos estavam livres do pecado, pois se fizeram servos da justiça, quando creram em Cristo (Rm 6:18).
Entretanto, se os cristãos se deixassem levar por falsos discursos (a tentação que leva à concupiscência), e não perseverassem na lei perfeita da liberdade, novamente seriam presas do pecado, consequentemente, sujeitos à morte (Tg 1:22 e 25). Cristo de nada aproveitaria aos cristãos das doze tribos da dispersão, caso se deixassem levar por falsos discursos.
As Escrituras apontam que o único modo de desfazer a sujeição do pecador ao pecado é através da morte do pecador:
“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6:6).
Não se separa o pecado do pecador. É impossível punir o pecado ou deixar o pecador sem punição. O pecador é instrumento do pecado, de modo que o pecador só peca por ser servo do pecado.
O pecado (senhor) entrou no mundo por causa da ofensa de Adão, e, em função do pecado, entrou a morte, pela força que há na lei, que diz: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16-17).
Adão foi quem ofendeu a Deus, porém, a consequência do seu ato (morte) passou a todos os seus descendentes, por isso é dito que todos pecaram (Rm 5:12). Isso equivale a dizer que todos se tornaram imundos, pecadores, não por suas próprias ações ou omissões, mas, pelo fato de terem herdado essa condição de Adão: morte!
Equivocadamente, as pessoas acham que os homens tornam-se pecadores porque fazem coisas inconvenientes, contrárias à moral e aos bons costumes, ou, por transgredirem a ordens legais. Na verdade, os homens são pecadores por causa da morte que lhes foi transmitida. Todos pecaram, porque a morte passou a todos, e não porque todos ofenderam a Deus: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5:12).
Ocorreu somente uma transgressão, e por meio dela entrou no mundo o pecado (senhor) e a morte (aguilhão). O que prende o homem ao pecado é a morte, ou seja, a condenação decorrente da ofensa de Adão (1Co 15:56).
"Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos" (Rm 5:19).
O salário que o pecado (senhor) dará aos seus servos (pecadores) é a morte. Aqui temos uma figura decorrente das relações que existiam nas sociedades escravocratas, pois, a única certeza dos escravos é que morreriam. Tudo o que os escravos produziam, pertenciam, por direito, a seu senhor:
"Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos, para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, do pecado para a morte, ou da obediência, para a justiça?" (Rm 6:16).
Deus, sendo justo, estabeleceu que:
A alma que pecar, essa mesma morrerá, portanto, a pena não pode passar da pessoa do transgressor: "Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado" (Dt 24:16).
Não pode justificar o ímpio: "De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei ao ímpio" (Êx 23:7).
Não faz acepção de pessoas: "Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas" (Dt 10:17).
Todos os homens que veem ao mundo, independente das suas ações, são pecadores, ou seja, servos do pecado. Todos os descendentes de Adão estão condenados à morte, sem exceção. Todos os descendentes de Adão foram gerados segundo a carne, portanto, são carnais, e carne e sangue não podem herdar o reino dos céus (1Co 15:50).
Estamos diante de um impasse: como é possível esse Deus justo, justificar o ímpio? O que é necessário para que Deus seja, simultaneamente, justo e justificador?
"Para demonstração da sua justiça, neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador, daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3:26).
Deus não pode negar-se a si mesmo, portanto, segundo a Sua palavra, Ele não justifica o ímpio (Ex 23:7). Mas, o apóstolo Paulo, por sua vez, afirma categoricamente que Deus justifica o ímpio: "Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça" (Rm 4:5).
Como inocentar um culpado? Como perdoar o ímpio sem ser injusto?
Há outro problema: a pena imposta ao pecador não pode ser paga por outro, pois a alma que pecar, essa mesma morrerá (Ez 18:4 e 20).
A figura de um homem carregando um fardo pesado de pecados não explica essas várias nuances que envolvem a relação senhor/servo, pecado/pecador, por isso não deve ser utilizada ou propagada.
Todos os homens são concebidos em pecado, ou seja, sujeitos ao pecado. Da mesma forma que os filhos dos escravos nasciam escravos, o homem é concebido servo do pecado. O único modo de o homem ser livre do pecado é através da morte, por isso é dito que 'o salário do pecado é a morte'.
Quando o homem recebe o convite, que há no evangelho, e crê em Cristo, na verdade, seguiu após Cristo, até o calvário, sendo crucificado com Ele, tornando-se participante da morte de Cristo. O pecador, quando tem um encontro com Cristo, não deixa um fardo ao pé da cruz, na verdade, deixa o seu corpo crucificado na cruz:
"Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6:6).
Quando o pecador é crucificado com Cristo, Deus é justo, pois a pena, efetivamente, não passou da pessoa do transgressor. Na morte do pecador com Cristo, Deus não justificou o ímpio, antes o pecador sofreu a pena, pois a alma que pecar, essa mesmo morrerá.
O batismo em Cristo significa morrer com Cristo, não sepultar pecados. Em Cristo, o pecador é declarado morto para o pecado, pois o corpo do pecado é desfeito e sepultado (Cl 3:3).
"Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?" (Rm 6:3)
Após o pecador ser sepultado com Cristo, por intermédio d’Ele ressurge com Cristo, pela fé no evangelho, um novo homem, criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 3:24). Sómente após morrer com Cristo e ser sepultado, é que ocorre o novo nascimento, passando a existir uma nova criatura: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2Co 5:17).
"Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé, no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" (Cl 2:12).
"De sorte, que fomos sepultados com ele, pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida" (Rm 6:4).
Deus é justo, por isso é necessário que o homem morra com Cristo, e é justificador, quando cria o novo homem e o declara justo. O novo homem é livre do pecado e servo da justiça. Como é impossível servir a dois senhores, o novo homem não é mais pecador: "E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça" (Rm 6:18).
O pecado decorre da semente, não do comportamento. Os nascidos da semente corruptível, a semente de Adão, são pecadores. Já os nascidos da semente incorruptível, a palavra de Deus, são santos, irrepreensíveis e inculpáveis, pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus: "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus" (1Jo 3:9). "No corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele, vos apresentar santos, irrepreensíveis e inculpáveis" (Cl 1:22).
Deus amou o mundo
Vale destacar que os termos ‘pecador’ e ‘ímpio’ são intercambiáveis, pois o ímpio é pecador e vice-versa: "Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios" (Rm 5:6).
A frase “Deus ama os pecadores, mas odeia o pecado” não está na Bíblia e nem evidencia uma verdade das Escrituras. Deus é essencialmente justo e fidedigno à justiça. Deus olha (mostra o seu favor) somente para os retos, consequentemente, Deus não olha para os ímpios, pois olhar para o ímpio não é ser justo: “Porque o SENHOR é justo e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos” (Sl 11:7).
O termo ‘amor’, quando tem Deus por sujeito, não diz de um sentimento de afinidade, afeição, carinho, afeto, antes, revela, essencialmente, o cuidado que Ele dispensa aos que O obedecem: "O SENHOR guarda a todos os que o amam; mas todos os ímpios serão destruídos" (Sl 145:20).
O cuidado, a proteção, a fidelidade de Deus se faz presente somente naqueles que ouvem o mandamento de Deus e creem: "A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam os teus estatutos" (Sl 119:155). Por isso, é dito que Deus ama os que O amam e honra os que O honram, mas para os ímpios é dito: não há paz! (Is 57:21)
Semelhantemente, o termo ‘ódio’ quando tem Deus como sujeito, não possui o sentido de antipatia, desgosto, aversão, raiva, rancor, horror, inimizade, execração, ira ou repulsa. O termo é utilizado para fazer referência a justa retribuição que Deus dá aos que são desobedientes à sua palavra: "Eis que vem o dia do SENHOR, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação e dela destruir os pecadores" (Is 13:9).
Quem obedece, é retribuido com salvação, aos pecadores, por sua vez, destruição. Se Deus amasse o pecador, preservaria a vida do pecador, sem ser necessário morrer e ser sepultado com Cristo. Mas, como é imprescindível o pecador ser batizado na morte de Cristo para ressurgir uma nova criatura, certo é que Deus não ama o pecador. "Mas, os transgressores e os pecadores, serão juntamente destruídos; e os que deixarem o SENHOR serão consumidos" (Is 1:28). "Pois, eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti" (Sl 73:27).
Mas, alguém pode contra argumentar utilizando a seguinte passagem bíblica:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).
É em função deste versículo que muitos dizem: - “Deus ama o pecador”.
Vamos analisar o versículo? Esse verso é explicação do verso anterior, portanto não é uma asserção independente do seu contexto, em decorrência do ‘Porque...’. O que diz o verso anterior?
“Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:15).
O evangelista João estava explicando que, assim como Moisés levantou a serpente de metal no deserto, para que aqueles que foram picados pelas serpentes olhassem para ela, a fim de serem curados, importava que o Filho do homem, também, fosse levantado (morto).
O motivo de Cristo ser levantado da terra é para que todo aquele que crê n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Semelhantemente, era necessário que os picados pelas serpentes cressem na palavra anunciada por Moisés para não morrerem, pois assim foi anunciado: "E disse o SENHOR a Moisés: Faze-te uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela" (Nm 21:8).
Mas, para que a palavra de Deus tivesse efeito sobre os mortalmente picados, a serpente de metal precisava ser erguida por Moisés. Se Moisés não levantasse a serpente de metal não haveria cura e os picados, por sua vez, deveriam crer na palavra dita por intermédio de Moisés e olharem para serpente de metal, erguida segundo a palavra de Deus.
E como Deus amou o mundo? Dando o seu Filho Unigênito! Esse amor diz de afeição? Não! O amor de Deus diz do mesmo amor com que Jesus amou o Jovem rico:
"E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me" (Mc 10:21).
Jesus amou o Jovem rico dando, um mandamento: - “Vai, vende tudo quanto tens...”. Jesus não estava afeiçoado ao rapaz, não tinha predileção e nem estimava aquele jovem, antes deu um mandamento, para ser Senhor daquele homem rico. Se acatasse o mandamento de Cristo, aquele jovem se faria servo, ou seja, se humilharia a si mesmo e Cristo tornar-se-ia seu Senhor. Entre Jesus e o jovem rico, dar-se-ia a mesma relação que havia entre Jesus e Deus:
"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor" (Jo 15:10).
Se Cristo é Senhor, os homens devem obedecê-Lo: “E por que me chamais, SENHOR, Senhor, se não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).
Quando o evangelista João disse que Deus amou ao mundo, na verdade estava evidenciando que Deus estava dando um mandamento a todos os homens, mandamento esse que demanda obediência. Quando o evangelista João disse que Deus deu o seu Filho unigênito, estava anunciando o mandamento de Deus: crer naquele que Ele enviou!
Outra questão que se faz necessário observar no versículo é que Deus amou O MUNDO, não indivíduos. Ao enviar o Seu Filho, Deus deu o mesmo mandamento para todos os homens, ou seja, não há acepção de pessoas. Cristo ter sido enviado ao mundo, demonstra que Deus não tem preferência por ninguém.
O amor de Deus pela humanidade já havia sido expresso a Abraão, quando foi dito: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12:3). Semelhantemente, Deus amou os filhos de Israel e, por isso, foram resgatados do Egito, entretanto, o amor de Deus estava no mandamento que deviam seguir e, como não obedeceram, pereceram no deserto (Dt 7:8). Deus não amou a indivíduos, mas a nação, em função da promessa dada a Abraão, agora, cada indivíduo da nação de Israel deveria permanecer no amor de Deus, obedecendo ao Seu mandamento (Dt 4:1).
Deus amou todas as famílias da terra, assim como amou a Israel, de modo que, para ter vida eterna, se faz necessário crer em Cristo (o mandamento de Deus na Nova Aliança), assim, como era necessário ouvir e cumprir todos os mandamentos e estatutos da Antiga aliança (Jo 3:16 e Dt 4:1; 1Jo 3:23).
Quando lemos: Deus amou o mundo, temos que ter esse versículo em mente:
"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1Jo 5:3).
E qual é o mandamento de Deus?
"E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento" (1 Jo 3:23)
A salvação em Cristo se dá por substituição de ato. Adão desobedeceu ao mandamento de Deus no Éden, e Cristo foi obediente ao pai em tudo (Rm 5:19). Agora, para ser salvo, é necessário obedecer ao mandamento de Deus, por isso o Salmista pede um mandamento:
"Sê tu a minha habitação forte, à qual possa recorrer continuamente. Deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza" (Sl 71:3).
Vale destacar que o termo ‘mundo’ em João 3, verso 16 tem o sentido de ‘toda criatura’, ‘todos os povos’, evidenciando que Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, deviam pregar para judeus e gentios da mesma forma que Deus amou judeus e gentios: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16:15; Mt 28:19; Cl 1:23; At 10:34).
Deus ‘odeia’ o ímpio e ‘ama’ o justo
"O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia" (Sl 11:5)
Quando é dito que Deus ‘prova’ os justos (צַדִּ֪יק), significa que é Ele quem purifica os justos, assim como se purifica a prata: "Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata" (Sl 66:10; Is 1:25; Sl 51:2). Neste verso, ‘prova’ não é sinônimo de provação, aflição, mas, sim, de redenção.
Tanto o ouro, quanto a prata, se purificam com meios específicos, já o coração do homem, só Deus pode purificar: "O crisol é para a prata e o forno para o ouro; mas, o SENHOR é quem prova os corações" (Pv 17:3). "Tenha já fim a malícia dos ímpios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus, provas os corações e os rins" (Sl 7:9).
A partir do momento que o homem (pecador) ama a justiça, ou seja, obedece à palavra de Deus, Deus o purifica e o torna justo. É só o homem reconhecer a sua cegueira e se humilhar (se fazer servo), debaixo das potentes mãos de Deus, guardando os Seus mandamentos, que será amado por DeusL "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor" (Jo 15:10). “O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos" (Sl 146:8).
Se o pecador guardar os mandamentos de Deus, ou seja, esconder a Sua palavra no coração, deixará de pecar (não mais será servo do pecado) e passa à condição de justo. Como a boca fala do que o coração está cheio, transbordará a boca do justo de sabedoria e juízo: "A boca do justo fala a sabedoria; a sua língua fala do juízo" (Sl 37:30). "Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti" (Sl 119:11).
Antes de ter um encontro com Cristo, o homem é nomeado pecador, mas após obedecê-Lo, crendo que Ele é o Filho de Deus, passa à condição de justo.
O uso do termo ‘pecador’ é semelhante ao uso do termo ‘náufrago’. Enquanto alguém está à deriva no mar, é um náufrago, mas após ser resgatado, tornou-se passageiro da embarcação. O título de náufrago já não se aplica a quem foi resgatado. Semelhantemente, quando servo do pecado, o homem é pecador, mas após deixar a servidão do pecado, é servo da justiça, portanto, justo e amado de Deus.
Mas, aos ímpios, ou seja, aqueles que não obedecem a Deus (amam a injustiça), Deus os odeia: "Os arrogantes não são aceitos na tua presença; odeias todos os que praticam o mal" (Sl 5:5).
Como Deus poderia amar os que amam a injustiça? Ele é claro: "Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão" (Pv 8:17), ou: "Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim, perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam, serão desprezados" (1 Sm 2:30).
Podemos dizer que ‘Deus ama o pecador’? Teologicamente tal asserção é equivocada, porém, na linguagem evangelística é plenamente aceitável, desde que você aponte o mandamento de Deus: crer em Cristo, assim como Jesus fez com o Jovem rico, quando o amou dizendo: - ‘Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres...’ "E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me" (Mc 10:21).
O evangelista deve saber qual é o amor de Deus, antes de dizer aos pecadores: - ‘Jesus te ama’.
"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1 Jo 5:3).
Deus não justifica o ímpio, mas podemos dizer, evangelisticamente, como o apóstolo Paulo disse, que Deus justifica o ímpio, desde que não deixemos de enfatizar que é necessário crer: "Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça" (Rm 4:5). "De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio" (Êx 23:7).
[1] “Amor (do latim amore) é uma emoção ou sentimento, que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa”. Dicionário Aurélio.
[2] “Amor (gr. agape) (1 Pe 4.8; Rm 5.5, 8; 1 Jo 3.; 4.7,8,16; Jd 21). Esta palavra, raramente, era usada na literatura grega, antes do Novo Testamento. E quando isso acontecia, ela era usada para expressar um ato de gentileza aos estrangeiros, oferecer hospitalidade e ser caridoso” O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao alcance de todos. Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House, Rio de Janeiro, 2010, pág. 701.
“agapaõ que, originalmente, significava “honrar” ou, “dar boas-vindas”, é, no Gr. clássico, a palavra que tem menos definição específica; frequentemente, se emprega como sinônimo de phileõ, sem haver qualquer distinção, necessariamente, nítida quanto ao significado (...) 4. Não está clara a etimologia de agapaõ e agapè. O vb. agapaõ aparece, frequentemente, na literatura gr. de Homero em diante, mas o subs. agapè é uma construção que só aparece no Gr. posterior. Foi achada uma só referência fora da Bíblia: ali, a deusa Isis recebe o título de agapè (P. Oxy. 1380, 109; século II d.C.), agapaõ é, frequentemente, uma palavra descolorida”. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento/Colin Brown, Lothar Coenen (orgs.); [tradução Gordón Chown]. — 2ª ed. — São Paulo; Vida Nova, 2000 págs. 113 e 114.
O sentido do verbo grego ἀγαπάω (agapaó), ou do verbo hebraico אָהַב (aheb), utilizado na Bíblia, detém um valor aristocrático, voltado para a realidade do homem camponês da antiguidade, apontando para as relações que envolviam os senhores e os servos, ou as relações familiares entre marido e mulher, pais e filhos nos tempos antigos.
Em uma conversa informal, um cristão afirmou: - “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”! Não pude deixar de questionar: - “Está na Bíblia”? Não obtive resposta!
É comum citações de pensamentos de origem desconhecida, como se fossem uma verdade bíblica. Sermões e pregações, em nossos dias, estão repletos de frases, pensamentos, provérbios, como: - “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”.
Quem cunhou a frase ‘Deus odeia o pecado, mas ama o pecador’, não compreendia verdades bíblicas essenciais, além de desconhecer o significado bíblico de termos como ‘ódio’, ‘amor’, ‘pecado’ e ‘pecador’.
Para entender qual a relação de Deus com o pecador, primeiro faz-se necessário entender o significado dos termos ‘amor’ e ‘ódio’; após isso, abordaremos o significado de ‘pecado’ e ‘pecador’.
Amor e ódio
"Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão" (Pv 8:17).
Segundo esse provérbio, pergunta-se: - a quem Deus ama? A resposta é direta: - àqueles que O amam!
Esse provérbio trata do amor[1], segundo os sentimentos ou as emoções humanas? Qual o melhor significado para a palavra ‘amor’, segundo os termos utilizados pelos gregos? Eros, Fhilia, Ágape? Deus exige do homem afeição, amizade, caridade?
Não! Absolutamente, não! Deus não exige do homem que tenha afeição por Ele! Deus não está em busca de amizade! Deus não quer caridade! Todos esses significados que se atribui ao termo amor, não condizem com o que Deus requer do homem.
Mas, alguém pode contra argumentar, dizendo: - “O termo grego ‘ágape’ define o amor de Deus para com os homens e vice-versa”. Alto lá! Essa concepção, é fruto de uma má leitura bíblica, engendrada por vários padres, influenciados pela filosofia grega, como Agostinho, de Hipona e Tomás de Aquino, da Itália, sendo que este pendia para a tradição aristotélica enquanto que, aquele, para as ideias platônicas.
Diante de tantas teorias, como amar a Deus? No que consiste o amor a Deus?
O sentido do verbo grego ἀγαπάω (agapaó), ou do verbo hebraico אָהַב (aheb), utilizado na Bíblia, detém um valor aristocrático, voltado para a realidade do homem camponês da antiguidade, apontando para as relações que envolviam os senhores e os servos, ou as relações familiares entre marido e mulher, pais e filhos nos tempos antigos.
Quando lemos:
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom" (Mt 6:24).
Depreende-se do texto que ‘amor’ está para sujeição a um senhor, assim como ‘ódio’ está para insubordinação a outro senhor. Os termos não foram empregados para fazer referências a sentimentos ou, emoções, mas, sim, para destacar a relação entre senhor e servo.
Ama a Deus aquele que O obedece, ou seja, que se sujeita a Ele, como servo obediente.
Jesus mesmo disse: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele" (Jo 14:21). "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (Jo 14:15). "Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14:23). "Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou" (Jo 14:24).
Jesus não estava exigindo que gostassem d’Ele! Na verdade, Jesus exigia que os homens se sujeitassem a Ele, tomando sobre si o jugo d’Ele. "Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mt 11:29). “E por que me chamais, SENHOR, Senhor, se não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).
Jesus nos deixou exemplo de como se ama a Deus: "Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui" (Jo 14:31).
Por conseguinte, obediência é a essência do amor bíblico: "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1Jo 5:3).
Quando os apóstolos escreveram os Evangelhos e as cartas do Novo Testamento, o termo ἀγαπάω[2] (agapaó) foi escolhido dentre outros por uma caraterística impar: não tinha um significado específico e, raramente, era utilizado! A ideia do termo deriva do seu significado básico: honra.
Quando é dito que Deus ama os que O amam, é o mesmo que dizer que Ele honra aqueles que O honram: "Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim, perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam, serão desprezados" (1Sm 2:30).
É possível Aquele que é amor, odiar?
O apóstolo João afirma que Deus é amor, mas como compreender essa declaração acerca de Deus? Comparemos os dois versos abaixo, considerando que ambos foram extraídos do mesmo contexto:
"Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele, em Deus" (1Jo 4:15);
"E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus e Deus nele" (1Jo 4:16).
O apóstolo afirma que quem confessar que Jesus é o Filho de Deus, significa que Deus está nele e ele em Deus. Por conseguinte, o Pai e o Filho fizeram morada naquele que confessa a Cristo. Mas, como o Pai e o Filho passam a fazer morada no homem? Obedecendo a palavra de Cristo, ou seja, ao amá-Lo:
"Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14:23).
Perceba que, confessar a Cristo, é o mesmo que amar, obedecer e crer, e resulta em salvação: "A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Rm 10:9).
Por intermédio de Moisés, Deus deixou bem claro que Ele faz misericórdia aos que o amam, ou seja, àqueles que guardam os mandamentos de Deus.
"E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos" (Êx 20:6).
“Eu amo aos que me amam e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17)
O amor de Deus para com os que O obedecem, não diz de um sentimento ou de uma emoção. O amor de Deus para os que O amam é misericórdia, ou seja, bondade, benignidade, fidelidade.
- “Deus amou o povo de Israel”. Esta frase é verdadeira! Mas, como Deus amou os filhos de Israel? R: guardando o juramento feito a Abraão, a Isaque e a Jacó.
“Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” (Dt 7:8).
O amor de Deus é demonstrado na sua fidelidade à Sua palavra. Como Deus fez aliança com Abraão e prometeu que ele seria pai de muitas nações, Deus ‘amou’ os filhos de Israel, mantendo a palavra que falara a Abraão: resgatando-os da servidão do Egito (Gn 17:4-8).
Mas, apesar de Deus demonstrar a sua benignidade, conforme a boa palavra que falara aos patriarcas, Ele também odeia a todos os que praticam a maldade, ou seja, que não O obedecem.
“Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade” (Sl 5:5);
“E retribui no rosto a qualquer dos que o odeiam, fazendo-o perecer; não será tardio ao que o odeia; em seu rosto lhe pagará” (Dt 7:10);
"Se eu afiar a minha espada reluzente e se a minha mão travar o juízo, retribuirei a vingança sobre os meus adversários e recompensarei aos que me odeiam" (Dt 32:41);
"Eis que o justo recebe na terra a retribuição; quanto mais o ímpio e o pecador!" (Pv 11:31).
Enquanto o amor de Deus é dar o que prometeu, segundo a sua palavra aos que O amam, o ódio de Deus refere-se à sua retribuição a todos os que são ímpios e pecadores.
“Amai ao SENHOR, vós todos que sois seus santos; porque o SENHOR guarda os fiéis e retribui, com abundância, ao que usa de soberba” (Sl 31:23);
"Mas, o que pecar contra mim, violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte" (Pv 8:36).
Quando a Bíblia fala daqueles que odeiam a Deus, não fala de pessoas que tem um sentimento rancoroso ou que falam impropérios contra Deus. O ódio a Deus decorre da desobediência, de propagar o engano, ou seja, de pronunciar mentiras em nome de Deus: "Efraim era o vigia com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves, em todos os seus caminhos e ódio na casa do seu Deus" (Os 9:8).
Não basta dizer: - “Deus existe”; “Deus é bom”; “Eu amo a Deus”; “Vive o Senhor”, etc., mas não fazer o que Ele manda. Os filhos de Israel eram religiosos, legalistas, moralistas e ritualistas e tinham a lei chegada à boca, mas longe do coração: "Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído" (Is 29:13).
Quando Jesus faz referência aos que O odiaram, diz daqueles que não O obedeceram, pois não creram em Cristo, por consequência, não creram em Deus. Quem crê em Cristo, obedeceu a Deus, ou seja, amou a Deus. Mas, quem não crê em Cristo, desobedeceu, tanto a Cristo, quanto a Deus, ou seja, odiou tanto o Filho, quanto o Pai: “Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. Se eu, entre eles, não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai. Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa” (Jo 15:23-25). "Jesus clamou e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou” (Jo 12:44).
Enquanto o amor do homem para com Deus consiste em obediência ao seu mandamento, o amor de Deus, diz do seu cuidado, expresso em um mandamento: "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor" (Jo 15:10).
O amor de Deus é proteção, cuidado, abrigo, fidelidade, como se lê:
"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor" (Jo 15:10).
O apóstolo Paulo expressa a essência do amor de Deus, nessas palavras:
“Palavra fiel é esta: que, se morrermos com Ele, também com Ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2:11 -13).
Pecado e pecador
No imaginário popular, o pecado é representado por um fardo pesado que o pecador leva sobre os seus ombros. Várias ilustrações e canções advertem os pecadores a deixarem o fardo do pecado aos pés de Cristo. Mais um engano!
A Bíblia apresenta o pecado com um senhor, não como um fardo: "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, todo aquele que comete pecado é servo do pecado" (Jo 8:34). Os servos do pecado pecam, por isso são nomeados pecadores! Nas sociedades escravagistas a servidão era intrínseca ao escravo, portanto, era impossível ao servo se separar do seu senhor.
A ilustração que apresenta o pecado como um fardo não descreve a verdade das Escrituras, pois o pecador é apresentado como quem tem autonomia para deixar o pecado (fardo) ao pé da cruz e sair livre.
Além dessa figura, há várias considerações equivocadas, acerca do pecado: “O pecado nasce no coração do homem”. “O homem é uma fábrica de pecado”. “O homem não apenas, ama praticar o pecado, como ele em si mesmo é o pecado”, etc.
O homem não é o pecado, por não ser senhor de si mesmo. O pecado não é uma questão de gostar, querer, etc., na verdade, é uma questão de sujeição. O pecado não nasce no homem, antes o homem é concebido no pecado, ou seja, escravo do pecado.
Uma má leitura de Tiago 1, versos 12 à 15, leva ao entendimento de que o pecado é gerado dentro da pessoa, ou seja, em algum momento da existência do indivíduo o pecado nasce. Erro gravíssimo de interpretação do versículo, pois o que gera o pecado é a concupiscência, não o indivíduo.
O evento em que a concupiscência deu a luz ao pecado, ocorreu no Éden, quando Eva foi tentada e, ao observar o fruto da árvore do conhecimento, surgiu a concupiscência dos olhos: olhou para a árvore do conhecimento do bem e do mal e entendeu que o fruto era bom para comer, vez que agradou os seus olhos e considerou ser desejável para dar entendimento.
O evangelista João aponta três tipos de concupiscência: da carne, dos olhos e a soberba da vida (1Jo 2:16). A concupiscência não é pecado, mas se deixar guiar por ela levará o homem a sujeitar-se ao pecado. A prática reprovável não é o pecado, antes é uma ofensa. O pecado é o senhor que o indivíduo se sujeita, após a ofensa decorrente da concupiscência.
O pecado não é uma ‘simbiose’, antes, um senhor que utiliza o corpo do indivíduo como instrumento, independentemente do tipo de ação que o indivíduo vier a praticar: "Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade, mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6:13).
A concupiscência que deu à luz ao pecado pela ofensa e que trouxe a morte a todos os homens, iniciou-se com Eva e foi consumada por Adão. Tiago não estava tratando com os pecadores, quando fez essa descrição do surgimento do pecado, mas com os cristãos judeus (das doze tribos da dispersão). Esses cristãos estavam livres do pecado, pois se fizeram servos da justiça, quando creram em Cristo (Rm 6:18).
Entretanto, se os cristãos se deixassem levar por falsos discursos (a tentação que leva à concupiscência), e não perseverassem na lei perfeita da liberdade, novamente seriam presas do pecado, consequentemente, sujeitos à morte (Tg 1:22 e 25). Cristo de nada aproveitaria aos cristãos das doze tribos da dispersão, caso se deixassem levar por falsos discursos.
As Escrituras apontam que o único modo de desfazer a sujeição do pecador ao pecado é através da morte do pecador:
“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6:6).
Não se separa o pecado do pecador. É impossível punir o pecado ou deixar o pecador sem punição. O pecador é instrumento do pecado, de modo que o pecador só peca por ser servo do pecado.
O pecado (senhor) entrou no mundo por causa da ofensa de Adão, e, em função do pecado, entrou a morte, pela força que há na lei, que diz: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16-17).
Adão foi quem ofendeu a Deus, porém, a consequência do seu ato (morte) passou a todos os seus descendentes, por isso é dito que todos pecaram (Rm 5:12). Isso equivale a dizer que todos se tornaram imundos, pecadores, não por suas próprias ações ou omissões, mas, pelo fato de terem herdado essa condição de Adão: morte!
Equivocadamente, as pessoas acham que os homens tornam-se pecadores porque fazem coisas inconvenientes, contrárias à moral e aos bons costumes, ou, por transgredirem a ordens legais. Na verdade, os homens são pecadores por causa da morte que lhes foi transmitida. Todos pecaram, porque a morte passou a todos, e não porque todos ofenderam a Deus: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5:12).
Ocorreu somente uma transgressão, e por meio dela entrou no mundo o pecado (senhor) e a morte (aguilhão). O que prende o homem ao pecado é a morte, ou seja, a condenação decorrente da ofensa de Adão (1Co 15:56).
"Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos" (Rm 5:19).
O salário que o pecado (senhor) dará aos seus servos (pecadores) é a morte. Aqui temos uma figura decorrente das relações que existiam nas sociedades escravocratas, pois, a única certeza dos escravos é que morreriam. Tudo o que os escravos produziam, pertenciam, por direito, a seu senhor:
"Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos, para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, do pecado para a morte, ou da obediência, para a justiça?" (Rm 6:16).
Deus, sendo justo, estabeleceu que:
A alma que pecar, essa mesma morrerá, portanto, a pena não pode passar da pessoa do transgressor: "Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado" (Dt 24:16).
Não pode justificar o ímpio: "De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei ao ímpio" (Êx 23:7).
Não faz acepção de pessoas: "Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas" (Dt 10:17).
Todos os homens que veem ao mundo, independente das suas ações, são pecadores, ou seja, servos do pecado. Todos os descendentes de Adão estão condenados à morte, sem exceção. Todos os descendentes de Adão foram gerados segundo a carne, portanto, são carnais, e carne e sangue não podem herdar o reino dos céus (1Co 15:50).
Estamos diante de um impasse: como é possível esse Deus justo, justificar o ímpio? O que é necessário para que Deus seja, simultaneamente, justo e justificador?
"Para demonstração da sua justiça, neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador, daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3:26).
Deus não pode negar-se a si mesmo, portanto, segundo a Sua palavra, Ele não justifica o ímpio (Ex 23:7). Mas, o apóstolo Paulo, por sua vez, afirma categoricamente que Deus justifica o ímpio: "Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça" (Rm 4:5).
Como inocentar um culpado? Como perdoar o ímpio sem ser injusto?
Há outro problema: a pena imposta ao pecador não pode ser paga por outro, pois a alma que pecar, essa mesma morrerá (Ez 18:4 e 20).
A figura de um homem carregando um fardo pesado de pecados não explica essas várias nuances que envolvem a relação senhor/servo, pecado/pecador, por isso não deve ser utilizada ou propagada.
Todos os homens são concebidos em pecado, ou seja, sujeitos ao pecado. Da mesma forma que os filhos dos escravos nasciam escravos, o homem é concebido servo do pecado. O único modo de o homem ser livre do pecado é através da morte, por isso é dito que 'o salário do pecado é a morte'.
Quando o homem recebe o convite, que há no evangelho, e crê em Cristo, na verdade, seguiu após Cristo, até o calvário, sendo crucificado com Ele, tornando-se participante da morte de Cristo. O pecador, quando tem um encontro com Cristo, não deixa um fardo ao pé da cruz, na verdade, deixa o seu corpo crucificado na cruz:
"Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6:6).
Quando o pecador é crucificado com Cristo, Deus é justo, pois a pena, efetivamente, não passou da pessoa do transgressor. Na morte do pecador com Cristo, Deus não justificou o ímpio, antes o pecador sofreu a pena, pois a alma que pecar, essa mesmo morrerá.
O batismo em Cristo significa morrer com Cristo, não sepultar pecados. Em Cristo, o pecador é declarado morto para o pecado, pois o corpo do pecado é desfeito e sepultado (Cl 3:3).
"Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?" (Rm 6:3)
Após o pecador ser sepultado com Cristo, por intermédio d’Ele ressurge com Cristo, pela fé no evangelho, um novo homem, criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 3:24). Sómente após morrer com Cristo e ser sepultado, é que ocorre o novo nascimento, passando a existir uma nova criatura: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2Co 5:17).
"Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé, no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" (Cl 2:12).
"De sorte, que fomos sepultados com ele, pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida" (Rm 6:4).
Deus é justo, por isso é necessário que o homem morra com Cristo, e é justificador, quando cria o novo homem e o declara justo. O novo homem é livre do pecado e servo da justiça. Como é impossível servir a dois senhores, o novo homem não é mais pecador: "E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça" (Rm 6:18).
O pecado decorre da semente, não do comportamento. Os nascidos da semente corruptível, a semente de Adão, são pecadores. Já os nascidos da semente incorruptível, a palavra de Deus, são santos, irrepreensíveis e inculpáveis, pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus: "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus" (1Jo 3:9). "No corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele, vos apresentar santos, irrepreensíveis e inculpáveis" (Cl 1:22).
Deus amou o mundo
Vale destacar que os termos ‘pecador’ e ‘ímpio’ são intercambiáveis, pois o ímpio é pecador e vice-versa: "Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios" (Rm 5:6).
A frase “Deus ama os pecadores, mas odeia o pecado” não está na Bíblia e nem evidencia uma verdade das Escrituras. Deus é essencialmente justo e fidedigno à justiça. Deus olha (mostra o seu favor) somente para os retos, consequentemente, Deus não olha para os ímpios, pois olhar para o ímpio não é ser justo: “Porque o SENHOR é justo e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos” (Sl 11:7).
O termo ‘amor’, quando tem Deus por sujeito, não diz de um sentimento de afinidade, afeição, carinho, afeto, antes, revela, essencialmente, o cuidado que Ele dispensa aos que O obedecem: "O SENHOR guarda a todos os que o amam; mas todos os ímpios serão destruídos" (Sl 145:20).
O cuidado, a proteção, a fidelidade de Deus se faz presente somente naqueles que ouvem o mandamento de Deus e creem: "A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam os teus estatutos" (Sl 119:155). Por isso, é dito que Deus ama os que O amam e honra os que O honram, mas para os ímpios é dito: não há paz! (Is 57:21)
Semelhantemente, o termo ‘ódio’ quando tem Deus como sujeito, não possui o sentido de antipatia, desgosto, aversão, raiva, rancor, horror, inimizade, execração, ira ou repulsa. O termo é utilizado para fazer referência a justa retribuição que Deus dá aos que são desobedientes à sua palavra: "Eis que vem o dia do SENHOR, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação e dela destruir os pecadores" (Is 13:9).
Quem obedece, é retribuido com salvação, aos pecadores, por sua vez, destruição. Se Deus amasse o pecador, preservaria a vida do pecador, sem ser necessário morrer e ser sepultado com Cristo. Mas, como é imprescindível o pecador ser batizado na morte de Cristo para ressurgir uma nova criatura, certo é que Deus não ama o pecador. "Mas, os transgressores e os pecadores, serão juntamente destruídos; e os que deixarem o SENHOR serão consumidos" (Is 1:28). "Pois, eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti" (Sl 73:27).
Mas, alguém pode contra argumentar utilizando a seguinte passagem bíblica:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).
É em função deste versículo que muitos dizem: - “Deus ama o pecador”.
Vamos analisar o versículo? Esse verso é explicação do verso anterior, portanto não é uma asserção independente do seu contexto, em decorrência do ‘Porque...’. O que diz o verso anterior?
“Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:15).
O evangelista João estava explicando que, assim como Moisés levantou a serpente de metal no deserto, para que aqueles que foram picados pelas serpentes olhassem para ela, a fim de serem curados, importava que o Filho do homem, também, fosse levantado (morto).
O motivo de Cristo ser levantado da terra é para que todo aquele que crê n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Semelhantemente, era necessário que os picados pelas serpentes cressem na palavra anunciada por Moisés para não morrerem, pois assim foi anunciado: "E disse o SENHOR a Moisés: Faze-te uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela" (Nm 21:8).
Mas, para que a palavra de Deus tivesse efeito sobre os mortalmente picados, a serpente de metal precisava ser erguida por Moisés. Se Moisés não levantasse a serpente de metal não haveria cura e os picados, por sua vez, deveriam crer na palavra dita por intermédio de Moisés e olharem para serpente de metal, erguida segundo a palavra de Deus.
E como Deus amou o mundo? Dando o seu Filho Unigênito! Esse amor diz de afeição? Não! O amor de Deus diz do mesmo amor com que Jesus amou o Jovem rico:
"E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me" (Mc 10:21).
Jesus amou o Jovem rico dando, um mandamento: - “Vai, vende tudo quanto tens...”. Jesus não estava afeiçoado ao rapaz, não tinha predileção e nem estimava aquele jovem, antes deu um mandamento, para ser Senhor daquele homem rico. Se acatasse o mandamento de Cristo, aquele jovem se faria servo, ou seja, se humilharia a si mesmo e Cristo tornar-se-ia seu Senhor. Entre Jesus e o jovem rico, dar-se-ia a mesma relação que havia entre Jesus e Deus:
"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor" (Jo 15:10).
Se Cristo é Senhor, os homens devem obedecê-Lo: “E por que me chamais, SENHOR, Senhor, se não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).
Quando o evangelista João disse que Deus amou ao mundo, na verdade estava evidenciando que Deus estava dando um mandamento a todos os homens, mandamento esse que demanda obediência. Quando o evangelista João disse que Deus deu o seu Filho unigênito, estava anunciando o mandamento de Deus: crer naquele que Ele enviou!
Outra questão que se faz necessário observar no versículo é que Deus amou O MUNDO, não indivíduos. Ao enviar o Seu Filho, Deus deu o mesmo mandamento para todos os homens, ou seja, não há acepção de pessoas. Cristo ter sido enviado ao mundo, demonstra que Deus não tem preferência por ninguém.
O amor de Deus pela humanidade já havia sido expresso a Abraão, quando foi dito: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12:3). Semelhantemente, Deus amou os filhos de Israel e, por isso, foram resgatados do Egito, entretanto, o amor de Deus estava no mandamento que deviam seguir e, como não obedeceram, pereceram no deserto (Dt 7:8). Deus não amou a indivíduos, mas a nação, em função da promessa dada a Abraão, agora, cada indivíduo da nação de Israel deveria permanecer no amor de Deus, obedecendo ao Seu mandamento (Dt 4:1).
Deus amou todas as famílias da terra, assim como amou a Israel, de modo que, para ter vida eterna, se faz necessário crer em Cristo (o mandamento de Deus na Nova Aliança), assim, como era necessário ouvir e cumprir todos os mandamentos e estatutos da Antiga aliança (Jo 3:16 e Dt 4:1; 1Jo 3:23).
Quando lemos: Deus amou o mundo, temos que ter esse versículo em mente:
"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1Jo 5:3).
E qual é o mandamento de Deus?
"E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento" (1 Jo 3:23)
A salvação em Cristo se dá por substituição de ato. Adão desobedeceu ao mandamento de Deus no Éden, e Cristo foi obediente ao pai em tudo (Rm 5:19). Agora, para ser salvo, é necessário obedecer ao mandamento de Deus, por isso o Salmista pede um mandamento:
"Sê tu a minha habitação forte, à qual possa recorrer continuamente. Deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza" (Sl 71:3).
Vale destacar que o termo ‘mundo’ em João 3, verso 16 tem o sentido de ‘toda criatura’, ‘todos os povos’, evidenciando que Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, deviam pregar para judeus e gentios da mesma forma que Deus amou judeus e gentios: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16:15; Mt 28:19; Cl 1:23; At 10:34).
Deus ‘odeia’ o ímpio e ‘ama’ o justo
"O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia" (Sl 11:5)
Quando é dito que Deus ‘prova’ os justos (צַדִּ֪יק), significa que é Ele quem purifica os justos, assim como se purifica a prata: "Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata" (Sl 66:10; Is 1:25; Sl 51:2). Neste verso, ‘prova’ não é sinônimo de provação, aflição, mas, sim, de redenção.
Tanto o ouro, quanto a prata, se purificam com meios específicos, já o coração do homem, só Deus pode purificar: "O crisol é para a prata e o forno para o ouro; mas, o SENHOR é quem prova os corações" (Pv 17:3). "Tenha já fim a malícia dos ímpios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus, provas os corações e os rins" (Sl 7:9).
A partir do momento que o homem (pecador) ama a justiça, ou seja, obedece à palavra de Deus, Deus o purifica e o torna justo. É só o homem reconhecer a sua cegueira e se humilhar (se fazer servo), debaixo das potentes mãos de Deus, guardando os Seus mandamentos, que será amado por DeusL "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor" (Jo 15:10). “O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos" (Sl 146:8).
Se o pecador guardar os mandamentos de Deus, ou seja, esconder a Sua palavra no coração, deixará de pecar (não mais será servo do pecado) e passa à condição de justo. Como a boca fala do que o coração está cheio, transbordará a boca do justo de sabedoria e juízo: "A boca do justo fala a sabedoria; a sua língua fala do juízo" (Sl 37:30). "Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti" (Sl 119:11).
Antes de ter um encontro com Cristo, o homem é nomeado pecador, mas após obedecê-Lo, crendo que Ele é o Filho de Deus, passa à condição de justo.
O uso do termo ‘pecador’ é semelhante ao uso do termo ‘náufrago’. Enquanto alguém está à deriva no mar, é um náufrago, mas após ser resgatado, tornou-se passageiro da embarcação. O título de náufrago já não se aplica a quem foi resgatado. Semelhantemente, quando servo do pecado, o homem é pecador, mas após deixar a servidão do pecado, é servo da justiça, portanto, justo e amado de Deus.
Mas, aos ímpios, ou seja, aqueles que não obedecem a Deus (amam a injustiça), Deus os odeia: "Os arrogantes não são aceitos na tua presença; odeias todos os que praticam o mal" (Sl 5:5).
Como Deus poderia amar os que amam a injustiça? Ele é claro: "Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão" (Pv 8:17), ou: "Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim, perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam, serão desprezados" (1 Sm 2:30).
Podemos dizer que ‘Deus ama o pecador’? Teologicamente tal asserção é equivocada, porém, na linguagem evangelística é plenamente aceitável, desde que você aponte o mandamento de Deus: crer em Cristo, assim como Jesus fez com o Jovem rico, quando o amou dizendo: - ‘Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres...’ "E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me" (Mc 10:21).
O evangelista deve saber qual é o amor de Deus, antes de dizer aos pecadores: - ‘Jesus te ama’.
"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1 Jo 5:3).
Deus não justifica o ímpio, mas podemos dizer, evangelisticamente, como o apóstolo Paulo disse, que Deus justifica o ímpio, desde que não deixemos de enfatizar que é necessário crer: "Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça" (Rm 4:5). "De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio" (Êx 23:7).
[1] “Amor (do latim amore) é uma emoção ou sentimento, que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa”. Dicionário Aurélio.
[2] “Amor (gr. agape) (1 Pe 4.8; Rm 5.5, 8; 1 Jo 3.; 4.7,8,16; Jd 21). Esta palavra, raramente, era usada na literatura grega, antes do Novo Testamento. E quando isso acontecia, ela era usada para expressar um ato de gentileza aos estrangeiros, oferecer hospitalidade e ser caridoso” O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao alcance de todos. Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House, Rio de Janeiro, 2010, pág. 701.
“agapaõ que, originalmente, significava “honrar” ou, “dar boas-vindas”, é, no Gr. clássico, a palavra que tem menos definição específica; frequentemente, se emprega como sinônimo de phileõ, sem haver qualquer distinção, necessariamente, nítida quanto ao significado (...) 4. Não está clara a etimologia de agapaõ e agapè. O vb. agapaõ aparece, frequentemente, na literatura gr. de Homero em diante, mas o subs. agapè é uma construção que só aparece no Gr. posterior. Foi achada uma só referência fora da Bíblia: ali, a deusa Isis recebe o título de agapè (P. Oxy. 1380, 109; século II d.C.), agapaõ é, frequentemente, uma palavra descolorida”. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento/Colin Brown, Lothar Coenen (orgs.); [tradução Gordón Chown]. — 2ª ed. — São Paulo; Vida Nova, 2000 págs. 113 e 114.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
DISPENSAÇÕES E ALIANÇAS !
1. DISPENSAÇÃO DA INOCÊNCIA ALIANÇA EDÊNICA- Em Gn l .28, começa a "Primeira Dispensação". Uma Dispensação é um período de tempo em que o homem é provado com respeito à sua obediência e alguma revelação específica da vontade divina. O homem foi colocado em um ambiente perfeito, sujeito a uma lei simples e advertido das conseqüências da desobediência. A mulher caiu pelo orgulho; o homem deliberadamente, Ef l. 10; I Tm 2.14. Deus restaurou as suas criaturas pecaminosas, mas a Dispensação da inocência terminou com o julgamento e a expulsão do casal, Gn 3.24. Nesta Dispensação o homem tinha uma perfeita comunhão com Deus, pois notamos que o Senhor andava no jardim na viração do dia, Gn 3.8.0 homem foi dotado de inteligência perfeita e capacidade para poder administrar o mundo. Foi-lhe dado o direito de dar os nomes aos animais, orientado por uma intuição dos propósitos divinos a seu respeito. O homem possuía por intuição, e não por um processo didático, uma perfeição física, mental e moral. A mulher foi feita não da cabeça do homem, para não governá-lo; nem de seus pés, para não ser pisoteada por ele; mas de seu lado, para ser amparada; e de perto do coração, para ser amada. Em Gn l .28, temos também a primeira das oito grandes Alianças da Bíblia - A Edênica, que determina a vida e a salvação do homem. Esta aliança tem seis elementos, onde o homem e a mulher haviam de: 1. Encher a Terra de uma nova ordem - a humana; 2. Subjugar a Terra, para o proveito humano; 3. Ter domínio sobre a criação animal; 4. Zelar do jardim; 5. Comer ervas e frutas; 6. Abster-se de comer da árvore da ciência do bem e do mal. A penalidade pela desobediência desta última ordenação era a morte. O Elemento Estranho Satanás, cujo único desejo era introduzir confusão no ambiente de paz. O ardil usado foi a "Dúvida" que conseguiu introduzir na mente da mulher, por meio de insinuação muito disfarçada. Em Gn 2.16,17: Deus disse: "... mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela mo comerás". O homem, com seu livre-arbítrio, estava sendo testado. Verifique os passos que o homem deu para sua queda: l°)ver; 2°) cobiçar; 3°) tomar; 4°) esconder; 5°) transmitir; 6°) morrer. As Conseqüências da Queda do Homem 1°) Conhecimento do mal; 2°) A perda da comunhão com Deus;
3°) Separou-se de Cristo; 4°) O espírito do homem ficou em estado de morte; 5°) A perversão da natureza moral; 6°) Tornou-se escravo do pecado e de Satanás; 7°) Perdeu muito de sua inteligência (além de outros resultados funestos). As três conseqüências más sobre a mulher, uma maldição tríplice: 1°) A concepção multiplicada; 2°) O aumento de dores durante a maternidade, e 3°) Sujeição ao domínio do homem. Vedado o Caminho da Árvore da Vida, Gn 3.24. Foi por misericórdia que Deus expulsou Adão e Eva do Jardim e proibiu a sua aproximação da árvore da vida, pois se tivessem comido dessa árvore amargariam uma existência eterna, no triste estado em que se encontravam. Era preferível estarem sujeitos a morte física, pois a mesma serve para conduzir o homem a Cristo. Em Gn 3.15, encontramos a Primeira Promessa do Redentor. 2. DISPENSAÇÃO DA CONSCIÊNCIA, Gn 3. l Aliança Adâmica (Não deixe de Ver este estudo Aliança) Enquanto a Primeira Dispensação não teve uma duração muito certa, a Segunda Dispensação, de "Adão ao Dilúvio", teve uma duração de 1656 anos, ^ quando deu-se a Tentação e a queda do homem até Gn 2. Temos visto muitas coisas boas; porém em Gn 3, a cena muda e o mal aparece. O tentador, com o aspecto de uma serpente, tenta a mulher e ela comete o pecado da desobediência, acompanhando-a Adão. Se a serpente era simplesmente influenciada pelo maligno ou se era uma positiva materialização dele, não sabemos; não resta dúvida porém que Satanás foi a causa original da tentação, Ap 12.9; 20.2. Ao menos, é evidente que a serpente foi possuída por Satanás e chegou a ser identificada com ele e o mesmo falou por ela, Gn 3.1,4: "...Diz que a Serpente falou". Por que Deus fez o homem com a capacidade de pecar? Podia haver criatura moral sem capacidade de escolher? A Liberdade é um dom de Deus ao homem: liberdade de pensar, liberdade de escolher, liberdade de consciência e sendo assim, ainda usa essa liberdade para rejeitar e desobedecer a seu Deus. Deus não sabia que o homem haveria de pecar? Sim. E Ele previu as terríveis conseqüências disso, e também previu seu resultado final. Sofremos e tomamos a sofrer, e indagamos sem atinarmos porque Deus fez o mundo assim, um dia, porém, depois tudo tiver chegado à plena realização, nosso sofrimento acabará } e todos enigmas se deslizarão. E assim, desobedecendo, pecaram e trocaram sua inocência por uma consciência acusadora; sua ignorância por um conhecimento do bem que tinham desprezado e do mal que não podiam remediar. Tinham agora seus olhos abertos para descobrir o que teria sido mais feliz ignorar; e, impelidos por um sentimento de vergonha, trabalharam (inutilmente) para cobrir a sua nudez. Notamos que Adão e Eva podiam estar tranqüilos com os aventais de folhas que fizeram, enquanto lhes parecia que Deus estava longe. Mas, em vindo o Senhor, logo se esconderam, sentindo-se, aos olhos divinos, descobertos e envergonhados. Temos no pecado de Eva, os seguintes resultados: a) A Concupiscência do Comer: "...boa para comer"; b) A Concupiscência dos Olhos: "...agradável aos olhos",; c) A Soberba da Vida: "...desejável para entendimento ". Notamos que a primeira conseqüência do pecado foi a vergonha que eles tiveram, ao encontrar-se com
Deus, ao ponto de "fazerem aventais", Gn 3.7. O Todo Poderoso então fez túnicas de pele de animal, para vesti-los, Gn 3.21. Aliança Adâmica A Aliança Adâmica determina a vida do homem decaído, e marca condições que prevalecerão até a época do reino eterno. "A própria criatura será liberada do cativeiro da correção para a Uberdade da glória dos filhos de Deus '¥ Rm 8.21. Os Elementos da Aliança Adâmica, são os seguintes: 1°)A Serpente, instrumento de Satanás, amaldiçoada; 2°) A primeira promessa de um redentor, Gn 3.15; 3°) A condição da Mulher mudada em três sentidos, Gn 3.16: concepção multiplicada; maternidade ligada com sofrimento; sujeição ao homem, Gn 1.26,27. 4°) A Terra Amaldiçoada por causa do homem, Gn 3.17; 5°) O inevitável cansaço da vida, Gn 3.17; 6°) O leve trabalho do Éden, Gn 2.15; mudado para o serviço laborioso, Gn 3.18,19; 7°) A morte física, Gn 3.19; Rm 5.12,2; para a Morte Espiritual. "Deus dá uma demonstração que sua atitude para com o Homem é sempre com o intuito de fazê-lo compreender sua pequenez e dependência, mas jamais deixa de prover". Aqui, duas Ofertas Diferentes: 1a) Abel oferece sangue. Ele mostrou penitência e desejo de aproximar-se de Deus. O sacrifício foi feito pela Fé nos atributos que ele via em Deus, I Jo 3.12. Devemos observar que havia uma grande diferença na conduta de Caim e Abel, que era um homem de fé e obediente ao Senhor, Gn 4.4; Hb 11.4 e Caim, ofereceu dos frutos do campo que cultivava, demonstrando um espírito de alta confiança, onde temos uma "Oferta Sem Fé", movida pela rebelião e pelo desprezo ao Redentor. Deus recebe a oferta de Abel e Caim revolta-se e mata seu irmão: "É bom notar que a "primeira contenda" entre irmãos resultou em ódio, separação e morte ". 2a) Caim. Foi o primeiro a construir cidades e o primeiro a glorificar o nome do homem, Gn 4.17. Edificou uma cidade e pôs o nome de seu filho, Enoque. Sua Linhagem Ímpia: Lameque, Gn 4.19. Foi o "primeiro polígamo", isto é, possuiu mais de uma mulher, Gn 4.23,24. Brigou com um rapaz, saiu ferido e o matou. Jabal, um dos filhos de Lameque. Distingue-se como o "primeiro homem a ocupar-se da pecuária e a adotar uma vida nômade", habitando em tendas. Talvez em desafio ao mandamento. Jubal, outro filho de Lameque. Foi o "Inventor de Instrumentos Musicais". A música é do Senhor e haverá maravilhosa harmonia no Céu. Tubal-Caim era "fabricante de Artefatos de Ferro e Cobre". Possivelmente, foi o primeiro homem a forjar armas bélicas^ Por causa desses materiais, Gn 6.13, é "pois a terra está cheia de violência dos homens". Isso indica a orgia de crimes, homicídios e obras iníquas. Esses homens: Jabal, Jubal e Tubal-Caim eram ímpios, Gn 4.26. Depreendemos de Gn 4.25, que o assassinato de Abel teve lugar pouco antes do nascimento de Sete, isto é, uns 130 anos depois da criação do homem. Por isso não devemos pensar que Abel e Caim fossem os únicos filhos de Adão e Eva. Em Gênesis 3.20, lemos: Eva, mãe de todos os viventes; e Gn 5.4, registra
que Adão e Eva tiveram filhos e filhas. A tradição diz que foram 33 filhos e 27 filhas. Esses naturalmente tiveram descendências. Por isso quando Abel morreu, provavelmente havia muito mais gente no mundo do que se pensa. Deus coloca um sinal em Caim, Gn 4.15. Na V.B. lê-se: "Jeová deu um Sinal a Caim'9. Não devemos entender que ele fosse marcado, mas que Deus, de alguma maneira, assinalou a pretensão divina. Uma pergunta freqüente é esta: "Com quem casou Caim? ". A resposta, por uma suposição, é esta: com uma irmã dele. Você talvez vai ignorar este casamento, mas não deve esquecer que a proibição de casamento com parente próximo, veio só 2.500 anos depois, Lv 18.6. Sabemos que "tais uniões", ilícitas para os Israelitas, eram praticadas por outros povos, Lv 18.24. Não podemos continuar nesta história, pois é muito longa. Ao chegarmos a Terceira Dispensação é necessário que conheçamos: A Genealogia de Adão a Noé e suas idades relacionadas: Adão, 930 anos; Sete, 912 anos; Enos, 905 anos; Cainã, 910 anos; Maalelel, 895 anos; Jerede, 962 anos; Enoque, 365 anos; Metusalém, 969 anos; Lameque, 777 anos; Noé, 950 anos. Temos aí uma influência do pecado na raça humana. O homem perdendo vida, saúde e alegria; e hoje o salmista afirma: "que os nossos dias são de 70 anos e se alguns chegarão aos 80 anos pela sua robustez". SI 90.9,10. No começo da Dispensação, colocamos sua duração de 1656 anos. Vamos dividi-la: Adão viveu 930 anos e Noé, 950 anos; entre a morte de Adão e o nascimento de Noé, temos 126 anos. Do Dilúvio a Abraão, 427 anos e Noé viveu 600 anos antes do castigo divino e 350 anos após. No final da Dispensação da Consciência, os homens estavam em um estado de iniqüidade desenfreada, soltando as rédeas às práticas carnais, isto com exemplos vividos pela geração passada, resultando em costumes e corrupção do povo antediluviano. O seu cálice de iniqüidade encheu-se; porém o Justo Noé, passou a avisar seus compatriotas do que poderia acontecer. Foram 720 anos de pregação. Então o Senhor disse: "Arrependo-me de ter feito o homem na terra e isso pesou no coração". Disse o Senhor: "Farei desaparecer da face da terra o homem que criei", Gn 6.6,7. Um período longo de 1656 anos onde a raça humana havia aumentado muito e o Senhor destruiu com o Dilúvio, o qual durou l ano e 10 dias. Noé entra na arca no dia 17 do segundo mês, quando tinha 600 Anos, e continuou até o dia 27 do segundo mês, no ano seguinte, Gn 7.11; SI 1.22. O que significa a Arca ? Era uma simples e clara figura de Cristo, e um meio de salvação pelo qual uma geração passou pelas águas da morte, e saiu salva do juízo divino. Os refugiados na arca escaparam da sorte dos ímpios. Assim Cristo. nos salva, por sua morte e ressurreição, se somos achados mortos nele. Para quem está nele não há condenação, Rm 8.1. Noé não esperou o pronunciamento de um juízo. O que ele queria é que sua família fosse salva por meio da arca, não importando com quem não cria em sua pregação. Seu dever foi cumprido. O incidente do Dilúvio é, sem dúvida, o exemplo clássico de Juízo Divino e, por isso, deve ser aceito como o tipo e ensino do Espírito Santo sobre o assunto. Lemos que juízo é uma obra estranha de Deus, Is 28.21. Significa que é diferente de falar que Deus é amor, paz, alegria, prazer e misericordioso. O juízo tem cinco aspectos diferentes: 1°) É para a Glória de Deus; 2°) É para Instruir as Nações, Is 26.9; 3°) É para Purificar, Gn 15.16;
4°) É, conseqüentemente, uma Libertação do Mal; 5°) É Profético, Lei 7.26,27. O desfecho da Dispensação da Consciência não significa que Deus deixou de usar a consciência como um meio de falar ao homem. A consciência é conhecida como "a voz. de Deus dentro da alma ". Noé e sua família haviam presenciado tanto o bem como o mal e eram responsáveis, junto com a sua posteridade, pela obediência à voz da consciência e a escolher o bem. O Dilúvio marcou o término de um período de Intervenção Divina, na história do homem e um novo começo com Noé e seus filhos. O aluno deve localizar esta Dispensação da Consciência no mapa das Dispensações. Questionário das Dispensações: Inocência e Consciência 1) Qual a função de uma aliança durante uma Dispensação? 2) Em que sentido o homem morreu, quando pecou? 3) Por que foi rejeitada a oferta de Caim? 4) Qual foi a promessa que a Aliança Adâmica trouxe para a humanidade? 5) Quem construiu a primeira cidade? 6) De quem o homem se tornou escravo? 7) Qual foi o primeiro resultado da queda do homem? 8) Quem foi o primeiro polígamo? 9) Mencionar dois nomes da linhagem ímpia. 10) Qual a duração da Dispensação da consciência? 11) Como se define uma Dispensação? 3. DISPENSAÇÃO DO GOVERNO HUMANO, Gn 8 15 11.19. ALIANÇA NOÉTICA Esta Dispensação durou 427 anos, desde o tempo do Dilúvio até a Dispersão do homem sobre a superfície da Terra, Gn 10.35; 11. l O-19. O homem fracassou inteiramente e o julgamento do Dilúvio marca o fim da Segunda Dispensação e o começo da Terceira. A declaração da aliança com Noé sujeita a humanidade a uma prova: "o homem é essencialmente responsável pelo governo do mundo, de acordo com a vontade de Deus". Essa responsabilidade pesou sobre os judeus e gentios, até que o fracasso de Israel sobre a Aliança da Palestina, Dt 28-30.1-10, resultou no julgamento dos cativos quando começaram "os tempos dos gentios", Lc 21.24. O governo do mundo passou definitivamente para os gentios, Dn 2.3 6-45; At 15.14-17, e Israel, como os Gentios, tem governado para si e não para Deus. Neste trecho de Noé e seus descendentes, contém alguns pontos que pedem a nossa atenção: a bênção e a promessa de Deus', o pacto que fez com Noé e com toda a alma vivente. O arco-íris, Gn 9.12,17. Alguns pensam que antes do Dilúvio, nunca houve chuva, Gn 2.6. Ezequiel teve uma visão, Ez l .28: "Como o aspecto do arco que aparece no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isto, caí sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava". Em Gn 9.21, lemos sobre a embriaguez, de Noé que nos faz ver que até um homem ricamente abençoado por Deus pode ser vencido por pecados carnais. De passagem, notamos o procedimento correio de Sem e Jafé, que em tempos remotos tiveram um sentimento moral tão desenvolvido como o dos mais ilustrados de hoje. Notamos também, como a maldição caiu sobre Canaã, o filho mais moço de Cão, e não sobre seu pai, e
desde então os Cananitas foram adversários do povo de Deus, até serem totalmente extintos da Terra, Is 17.18. Se a Bíblia não tivesse registrado: a embriaguez de Noé; o adultério de Davi e a mentira de Pedro, estaríamos imaginando que os homens piedosos do passado eram diferentes de nós mesmos, pois temos tido nossos lapsos na senda da retidão. Verificamos que tal falha não nos autoriza cairmos no mesmo delito, porque deles já temos a história e o aviso: "Olha, Não Caia)>. Quatro Raças originaram-se dos quatro filhos de Cão. Essas por sua vez subdividiram depois, povoaram as terras da África, da Arábia Oriental, da Costa Oriental do Mar Mediterrâneo e do grande Vale dos rios Tigre e Eufrates. Descendentes de Noé: a) Jafé: zona Norte das nações e as proximidades dos mares Negro e Cáspio: as raças caucásicas da Europa e Ásia. b) Cão: zona Sul das nações, a Arábia Meridional e Central, o Egito, a costa oriental do Mediterrâneo e a costa oriental da África. (Canaã, filho de Cão). c)Sem: zona central das nações. Os semitas incluíam os judeus, assírios e sírios, na parte Norte do vale do Eufrates. A Aliança com Noé, Gn 9.1-17: 1) Confirmação de que o homem seria relacionado à terra, conforme a Aliança Adâmica,Gn8.21; 2) Confirmação da ordem da natureza, Gn 8.22; 3) Estabelecimento do governo humano, Gn 9. l -6; 4) Garantia de que a Terra não sofreria outro Dilúvio, Gn 8.21; 9.11; 5) Declaração profética de que procederia de Cão uma posteridade inferior e serviçal, Gn9.24.25; 6) Declaração profética de que haveria uma relação especial entre Jeová e Sem, Gn9.26.27; 7) Declaração profética de que de JAFÉ procederiam as "raças dilatadas ", Gn 9.27. Os governos, as ciências e as artes têm provido, geralmente, de descendentes de Jafé; assim a História tem confirmado o exato cumprimento dessas declarações. A Torre de Babel, Gn 11 Neste capítulo do Gênesis encontramos o começo da confederação e do engrandecimento humano. E Deus desaprovou essa confederação: impediu o projeto de se fazer uma alta torre que tocasse no "céu". É interessante confrontar com este começo o desenvolvimento de confederações humanas de hoje e a multiplicação de nomes partidários. A Descendência de Sem. Vemos que a posteridade abençoada por Deus nem sempre seguiu pela linha do primogênito. Arpachade era o terceiro filho de Sem, Gn 10.22, e não o primeiro. Em Gn 5, vemos que as idades dos patriarcas vão quase sempre diminuindo. Porventura seria licito entender que os anos eram, no princípio, mais curtos do que atualmente7 Somente assim poderemos compreender o caso de um homem esperar uns 100 anos antes de nascer-lhe um filho. A Chamada de Abraão, Gn 12. A chamada de Abraão e as promessas que Deus lhe fez. Podemos estudar neste capítulo: a) A escolha divina. Deus escolheu Abraão e isto importa conhecimento, aprovação, confiança, preparação para o fim destinado; b) O plano de (mediante o escolhido de Deus) abençoar muitos povos;
c) A proteção divina - "amaldiçoarei os que te amaldiçoarem "; d) A chamada divina - uma chamada positiva, individual, imperativa; e) A Revelação Divina - "apareceu o Senhor a Abraão "; f) A Promessa Divina - "à tua descendência darei esta terra". A chamada é descrita em At 7.2,3, a resposta, em Hb 11.8. Abraão desce ao Egito, Gn 12.10. Isto nos parece um desvio da senda da fé, pois aí Abraão perde a sua confiança na proteção de Deus e pretende valer-se de um subterfúgio para evitar o ciúme do rei da terra. Contudo, Deus o protegeu sem que ele esperasse. Sete coisas neste desvio de Abraão, notemos: 1) Agiu sem consultar a Deus, Gn 12.10; 2) Escolheu seu destino, confiando na própria inteligência, Gn 12.10; 3) Valeu-se da duplicidade, para conseguir seu propósito, Gn 12.13; 4) Perdeu de vista a perspectiva e o plano de sua vida, Gn 12.2,12; 5) Sua astúcia parecia alcançar bom êxito, Gn 12.14,15; 6) Achou-se mais tarde enlaçado na trama que ele mesmo fizera, Gn 12.18, 7) Foi censurado por um rei pagão, e mandado para sua própria terra, Gn 12.18-20. 4. A QUARTA DISPENSAÇÃO, Gn 12.1-Êx 18 27. ALIANÇA ABRAÃMICA Começa aqui a História da Redenção. Dela surge uma idéia vaga pelo tempo, Gn 3.15. Agora, 1963 anos após a criação e a queda do homem, ou seja 427 anos após o Dilúvio, num mundo que desenfreadamente aderiu-se a idolatria e a maldade. Foi aí que houve por objetivo a recuperação e a redenção do gênero humano. A duração desta Dispensação foi de 430 anos, considerada a Dispensação da Promessa, que terminou quando Israel tão facilmente aceitou a Lei, Êx 19.8. A Graça tinha oferecido um Libertador (Moisés), um sacrifício para o culpado, e, por divino poder, libertado Israel da escravidão, Êx 19.17, mas no final trocaram a Graça pela Lei. Separação Para Deus Agora Abraão volta do Egito e vira o rosto para a Terra Prometida. Sua vida de peregrinação é caracterizada por Três Coisas: a Tenda; o Altar e o Poço. Nada lemos sobre altar no Egito. As riquezas que Abraão e Ló acumularam no Egito, foram a causa de contenda e separação', porém Abraão tinha uma confiança em seu Deus. Por isso, deixou que Ló escolhesse primeiro para onde iria. A confiança na proteção Divina faz. com que o homem fique desprovido de qualquer dúvida. Em Gn 14, é mencionado pela primeira vez. o termo Reis. Dois reis encontram- se com Abraão em sua volta vitoriosa: o de Sodoma e Melquisedeque (Tudo que sabemos que está neste capítulo, no SI 110 e Hb 5,6 e 7). Ele é também o primeiro Sacerdote mencionado na Bíblia: um Sacerdote Real e por isso uma figura do Senhor Jesus Cristo. Também aqui pela primeira vez, lemos sobre "O Deus Altíssimo ". Depois da divina bênção, pronunciada por Melquisedeque, vem a tentação material por parte do rei de Sodoma. Há um ditado, que diz: "Cada homem tem seu preço", porém um homem como Abraão não pode ser comprado por um rei mundano, como este de Sodoma. E na volta de Abraão da matança dos reis que a misteriosa figura de Melquisedeque aparece. Ele vem
ter com Abraão, traz-lhe p ao, vinho e o abençoa; Abraão dá-lhe o dízimo de tudo. Tanto se fala deste incidente no NT, que devemos estudá-lo. Vamos notar os seguintes pontos, como seguem: 1) Por ser ele o Primeiro Sacerdote mencionado na Bíblia, tem sido escolhido pelo Espírito Santo como tipo de Cristo, um Sacerdote maior que Aarão; 2) Ele era Rei e também Sacerdote. Rei de Salém (da paz) e seu nome significa "Rei da Justiçai Cl 6.12,13; Hb 7.2; 3) Assim, no SI 110.4 está escrito de Cristo: "Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque "; 4) Não há alguma menção de seu pai ou de sua mãe, do seu nascimento ou morte; por isso é tomado em Hb 7.3, como um tipo de Cristo: O Sacerdote Eterno. Para estudar o assunto mais detalhadamente, é preciso ler com cuidado Hb 5.7. Promessa de uma Posteridade Em Gn 15.6 , pela primeira vez, a Fé é mencionada, e lemos "E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça"; cf. Rm 4.3; Tg 2.23. Abraão nasceu quando seu pai Terá tinha 26 anos, Gn 11.25. Abraão tinha 75 anos quando foi convidado por Deus a deixar sua parentela e partir para uma terra desconhecida (Canaã). Contava com 80 anos quando encontrou-se com Melquisedeque e foi abençoado por ele. Tinha 86 anos quando nasceu Ismael, fruto de uma fragilidade em sua vida. Persuadido pela esposa, lança mão de outro meio, sugerido pela sua desconfiança quanto a conseguir as promessas de Deus. Toma a serva egípcia de sua mulher e por ela tem seu filho Ismael. Depois desse incidente sua fé foi provada mais 13 anos. Em Gn 17, seu nome foi mudado. Um quadro interessante foi as três vezes que Deus apareceu a Abraão: 1a) u Apareceu o Senhor a Abraão, e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera '¥ Gn 12.7; 2a) "Quando atingiu Abraão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-poderoso: anda na minha presença e sê perfeito", Gn 17.1, 3a) "Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia", Gn 18.1. Abraão tinha 90 anos quando Sodoma foi destruída. Contava com 100 anos quando nasceu Isaque e tinha 137 anos quando Sara morreu. Em seguida, casou-se com Quetura, com quem teve seis filhos; morre com 175 anos de idade. Em Gn 18, deparamos com o aparecimento de três visitantes celestiais que falaram com Abraão com aparência de seres humanos: "três varões e dos três um era o Senhor", Gn 18.1-3; Mc 16.5; Jo 5.13. Um acontecimento interessante é quando dois anjos seguem para Sodoma, e Abraão começa a fazer sua célebre intercessão ao terceiro. Esta é a primeira grande oração intercessória registrada na Bíblia. Verificamos como a oração de um justo pode mudar os rumos das coisas: 1) A base da oração é dupla: Primeiro, o reconhecimento de Deus e da liberdade que tinha para falar com Ele. Segundo, o concerto de Deus, Gn 17.19. Abraão tinha sido chamado por Deus a fim de interessar-se por Ele e seus propósitos, referentes ao mundo, e por isso sente liberdade em falar-lhe. 2) Características da oração de Abraão:
Discriminação, Gn 18.24,25, entre os justos e os ímpios, e o interesse pêlos dois grupos; Confiança na justiça de Deus, Gn 18.23,25; na Graça de Deus, Gn 18.24, e no Poder de Deus, Gn 18.25; Precisão, Gn 18.28-32. Lembremo-nos que petições em termos gerais não terão respostas precisas; Importunidade. Seis vezes Abraão pede que Sodoma seja poupada e cada vez reforça seu pedido; Humildade, Gn 19.27. Ele jamais se esquece de que fala com Deus; 3)0 êxito da oração de Abraão. Não obteve tudo o que desejava, mas alcançou tudo o que Sodoma tomou possível, (leia Jr 5. l.) Salvação de Ló e a Destruição de Sodoma Notamos que os varões, em Gn 18.2, são anjos. Em Gn 19.1, Ló parece ser tão hospitaleiro quanto Abraão. Veja algumas considerações sobre o nosso amigo Ló: a) Parece ser o tipo do "meio-crente"'. convencido mas não convertido: b) Uma pessoa costuma ser contenciosa; c) Resultado: uma inutilidade ou uma catástrofe. SODOMA: figura o mundo e sua sensualidade; EGITO: simboliza o mundo e sua comunidade (Êx 16.3); BABILÔNIA: simboliza o mundo e sua grandeza (Js 7.21). A história de Ló ensina que embora o cristão mundano possa conseguir para si a salvação, pode contudo perder a família, filhos e filhas, pois, criados no meio da devassidão, podem ser corrompidos. A mulher que olha saudosa para a vaidade do mundo, em pouco tempo não poderá mais trilhar a senda da salvação. "A não observância da Palavra de Deus pode ser funesta para a nossa vida espiritual". Isaque nasce - Ismael é despedido Afinal, nasce Isaque, depois de muitos anos de fé alternada com incredulidade da parte de seus pais, Abraão e Sara. Em Gl 4, o apóstolo encontra um sentido simbólico em cada um dos dois filhos. Na alegoria que Paulo percebe na história de ambos, Hagar representa o monte Sinai e tudo que a lei pode produzir, enquanto que Isaque é o fruto da fé, e mostra o que Deus faz para o crente. Vemos que Ismael, o filho "nascido segundo a carne ", Gl 4.29, persegue o filho da promessa, e é despedido, porque não pode herdar com este. Os que são das obras da Lei, Gl 3.10, não herdarão as promessas dadas a Abraão, mas sim aqueles que têm fé em Cristo, Gl 3.12-14. Uma religião carnal é sempre inimiga da religião espiritual. O altar sobre o monte Este incidente é talvez o mais misterioso e sublime na história de Abraão. Somente após longos anos de preparo espiritual poderia Deus submetê-lo a tal provação de sua fé, com a certeza de que havia de sair triunfante. Era sem dúvida um experiência penosa à vista do mundo cruel. Mas o resultado final havia de ser um notável engrandecimento da vida espiritual de Abraão, e o conhecimento, mediante a sua própria experiência, de verdades bem importantes. Notemos, os seguintes pontos: 1°) Certeza da Palavra Divina. Para agirmos em algum sentido contrário ao sentimento natural, ao procedimento comum, aquilo que nossas convicções e as dos vizinhos aprovam, precisamos ter uma palavra de Deus mui positiva, que não admita dúvidas; 2°) Falta de Explicação. O mandado divino não trouxe consigo um porquê"; contudo, havia um raio de luz nas palavras "a quem amas", revelando que Deus não estava esquecido da forte afeição natural de Abraão para com Isaque;
3°) A Completa Confiança de Abraão. Isto nos faz pensar nas palavras de Jó: "Ainda que me mate, nele esperarei",Jó 13.15. A explicação dada em Hb 11.18, é que Abraão "considerou que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar (a Isaque)"; 4°) O Conhecimento de Deus. Fruto de longos anos de experiência da divina proteção e bondade, progrediu até que, afinal, Abraão podia obedecer a Deus cegamente; 5°) A Submissão de Isaque a Vontade do Pai. Um belo tipo da obediência de Cristo até a morte; 6°) A Palavra Profética De Abraão. Disse Abraão: "Deus proverá para si o cordeiro ". Também havia um sentido profético no nome que Abraão deu ao lugar: Jeová-Jireh: "ü Senhor proverá". Em Jo 8.56, permite pensar que ele tinha alguma vaga previsão do "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"; 7°) A Lição da Substituição. O carneiro "travado pelas suas pontas num mato ", y j veio a ser o substituto do moço; e quantos seres humanos desde o tempo de p; Isaque têm dado graças a Deus por Ele ter "fornecido um substituto " ¥ 8°) A maneira maravilhosa como Deus operou em Abraão, uma semelhança a si ^ mesmo. Num dia futuro Deus havia de ceder seu Filho, em sacrifício pelo pecado, Mas então não haveria outro cordeiro para tomar o lugar dele: "Nem mesmo a seu próprio filho poupou, antes o entregou por todos nós", Rm 8.32. A obediência de Abraão era agradável aos olhos de Deus; por isso o mandamento foi dado. A morte de Isaque não teria sido agradável a Deus, visto que o ato da matança foi impedido". ^No Monte do Senhor se Proverá". Os três significados dos nomes desta História Abraão lembrou-se de que já era tempo de o filho contrair matrimônio. Ele marcou duas condições: a noiva havia de ser da mesma parentela, e Isaque não havia de sair da Terra Prometida em procura de esposa. Felizmente, Abraão tinha um empregado fiel e competente para tratar desse negócio. Abraão receava que Isaque se casasse com uma moça de Canaã, ou voltasse para a terra de onde tinha sido chamado. Ainda hoje, às vezes, os pais sabem melhor do que os próprios moços que tipo de casamento será bom para seus filhos. Entre os chineses são os pais que escolhem as noivas para seus filhos, e parece que todos acham essa maneira mais proveitosa. Notemos, em relação ao empregado Eliézer, Gn 15.2, os seguintes pontos: 1. Era um homem de idade e pessoa de confiança. É bem possível que Abraão não tivesse outro a quem pudesse confiar uma tarefa tão delicada; 2. Era um homem prevenido. Levou consigo tudo o que era necessário para o bom êxito de sua missão; 3. Era um homem cauteloso. Pediu um sinal, uma coisa que nem sempre é preciso, e que o Deus misericordioso às vezes fornece; 4. Era um homem piedoso. Orou a Deus pelo serviço que havia de fazer; 5. Era um homem eloqüente. Quando precisava falar do seu Senhor; 6. Era um homem pontual. E não quis perder tempo, Gn 25.54. Eliézer é o servo Modelo'. 1. Não vai sem ser mandado, Gn 24.2-9; 2. Vai para onde o mandam, Gn 24.4,10; 3. Não se preocupa com outra coisa; 4. Ora e dá graças, Gn 24.12,14,26,27; 5. É sábio para persuadir, Gn 24.17,18,21;
6. Fala, não de si, mas das riquezas do amo, e da herança do filho, Gn 22.34-36; At l.8;7. Apresenta o caso sem equívoco e requer uma decisão positiva, Gn 24.49. Eliézer enfeita a noiva com as jóias da casa paterna, mesmo antes dela iniciar a viagem. O Espírito Santo procura enfeitar a Igreja com as lindas regalias da casa do Pai, antes dela ser arrebatada, Gn 24.53. Isaque saiu a orar (meditar sobre o falecimento de sua mãe no campo), Gn 24.63; talvez por falta de sossego necessário na tenda, ali mesmo levanta os olhos e vê chegando Eliézer vindo de regresso. Na oração solitária podemos ver coisas maravilhosas. Vamos agora considerar Rebeca: 1. Era formosa, Gn 24.16; 2. Trabalhadeira, Gn 24.19; 3. Hospitaleira, corajosa, decidida, Gn 24.58, 4. Modesta.Gn24.65. Significado dos Nomes: 1. Isaque (hb - riso) representa Cristo. 2. Rebeca (hb - corda com laço) representa a Igreja. 3. Eliézer (hb - meu Deus é auxílio) representa o Espírito Santo. Caro Aluno, aqui citarei alguns personagens da História e que fazem parte desta Dispensação: Esaú e Jacó; Jacó e seu Tio Labão e José do Egito. QUESTIONÁRIO: TERCEIRA E QUARTA DISPENSAÇÃO 1) Por quanto tempo durou a Dispensação do governo humano? 2) Com quantos anos morreu Abraão? 3) O que significa Sodoma? 4) Qual o significado do nome Isaque? 5) Com quantos anos Abraão estava quando nasceu Isaque? 6) O que simboliza o Egito? 7) Quantos filhos Abraão teve com Quetura? 8) Com quantos anos morreu Sara? 9) Qual o significado representativo de Rebeca? 10) Quanto tempo durou a Dispensação Patriarcal? 11) Qual foi a duração da Dispensação do Governo Humano? 5. A QUINTA DISPENSAÇÃO ALIANÇA MOSAICA A Dispensação da Lei teve uma duração de 1.430 anos: do "Êxodo do Egito" até a "Crucificação de Cristo". Para estudarmos este livro, onde começa a Quinta Dispensação, vamos verificar de!, importantes revelações de Deus, a saber: 1) O "Eu Sou ", na sarça ardente - Um Deus que mantém aliança; 2) As pragas - Um Deus de punição; 3) A Páscoa - Um Deus de redenção; 4) A travessia do Mar Vermelho - Um Deus de poder; 5) A jornada até o Sinai - Um Deus de provisão;
6) A Lei - Um Deus de santidade; 7) Tabernáculo, sacerdote, ofertas - Um Deus de comunhão; 8) A punição devida do bezerro de ouro - Um Deus de disciplina; 9) A Renovação da Aliança - Um Deus de graça; 10) A vinda da glória - Um Deus de glória. "Porque a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e verdade vieram por Jesus Cristo '¥ Jo l. 17. É bom lembrar que esta Dispensação pode ser chamada de Dispensarão dos Israelitas. Devemos lembrar que o cenário histórico data de 1440 a.C. aproximadamente. Sabemos que a data do Êxodo foi por volta de 1445 a.C. Além desta outra data, também é defendida pêlos estudiosos do AT, a de 1290 a.C. O tema do livro: "Redenção e organização de Israel como povo da Aliança". Em Gn 19.3 começa a Quinta Dispensação, quando a Lei foi colocada em ênfase dos princípios de Deus. Israel chega ao monte Sinai depois de 3 meses de uma longa viagem. Neste momento. Deus chama-o a um Concerto mais sério, e passa-lhe uma no vá lição: 1. Mediante ao mandamento aprendeu a Santidade de Deus; 2. Mediante ao seu próprio erro, aprendeu a sua fraqueza pecaminosa; 3. Mediante a provisão do sacerdócio e do sacrifício, aprendeu a Bondade de Deus. Em Gl 3.6-25, aprendemos a relação da Lei para com a Aliança Abraãmica: 1. A Lei não pode anular esta aliança; 2. Foi "acrescentada " para convencer do pecado; 3. Servia de pedagoga até a vinda de Cristo; 4. Era uma disciplina preparatória "até que viesse a semente ". A trajetória de Israel no deserto e em Canaã é uma longa história de violação da Lei. A prova terminou no julgamento dos cativeiros, mas a Dispensação propriamente dita só terminou na Cruz. Podemos considerar: 1) O estado do homem no começo da jornada, Êx 19.1-3; 2) Sua responsabilidade, Êx 19.5,6; Rm 10.5; 3) Seu fracasso, II Rs 17.7-17; At2.22.23, 4) O julgamento, II Rs 17.1-6,20; 25.1-11; Lc 21.20-24. Notemos neste capítulo o cuidado que Deus tem de desenvolver em Israel uma compreensão de sua santidade. No Egito tinham se acostumado com as imundas divindades do paganismo, e agora precisam aprender que Jeová é um Deus santíssimo e temível. A Lei foi dada de três maneiras: 1°) Verbalmente, Êx 20.1-17. Isto era lei pura, sem nenhuma provisão de sacerdócio ou sacrifício, e foi acompanhada das "Ordenanças", Ex 21.1-23.13, relativas às relações de hebreus com hebreus; a isto foram acrescentadas, Ex 23.14- 49, direções diferentes às três festas anuais, Êx 23.30-33, e inscrições sobre a conquista de Canaã. Estas palavras Moisés comunicou ao povo, Êx 24.3-8. Imediatamente, na pessoa dos seus anciões, foram admitidos na presença de Deus, ÊX24.9-11. 2°) Moisés foi então chamado ao monte para receber as tábuas de pedra, Êx 24.12-18. A história então se divide. Moisés no monte recebe instruções referentes ao Tabernáculo, ao sacerdócio e aos sacrifícios, Êx 25-31. No entanto, o povo, Êx 32, chefiado por Aarão, transgride o primeiro mandamento. Moisés, voltando, quebra as tábuas escritas pelo dedo de Deus, Êx 31.18; 32.16-19. 3°) As segundas tábuas são feitas e a Lei escrita novamente (por Moisés?) na presença de Jeová, Êx
34.1,28,29. Os Dez Mandamentos A Aliança Mosaica foi dada a Israel com três divisões, cada uma ligada às outras, e, conjuntamente, formando a Aliança Mosaica. Os Dez Mandamentos, expressão da vontade de Deus para seu povo, Ex 20.1- 26; Os Juízos, governo da vida social de Israel, Êx21.1 - 24.11; e as Ordenanças, governando a vida religiosa de Israel, Êx 24.12 - 31.18. Estes três elementos formam a "LEI" como essa palavra se emprega no NT, Mt 5.17,18. Os Mandamentos e Ordenanças formam um só sistema religioso. Os mandamentos foram um "Ministério de Condenação) e de "Morte)), II Co 3.7-9. Os Dez Mandamentos são: 1) Não terás outros deuses diante de mim; 2) Não farás para ti imagem de escultura; 3) Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; 4) Lembra-te do dia de sábado para o santificar; 5) Honra a teu pai e a tua mãe; 6) Não matarás; 7) Não adulterarás; 8) Não furtarás; 9) Não dirás falso testemunho; 10) Não cobiçarás. TABERNÁCULO Passaremos à história do Tabernáculo, considerado a grande Tipologia do Plano da Salvação, uma ordenança de Deus a Moisés para proteção e orientação do povo de Deus. Vejamos alguns significados: 1. Tenda provisória onde Deus falava ao seu povo, Êx 33.3-10; 2. Construção portátil em forma de tenda, Êx 25.8,9; 3. Recebeu o nome de habitação, Êx 25.9; 4. Onde estava depositada a tábua da lei; 5. O tabernáculo do testemunho; 6. Denominado casa do Senhor, Êx 34.26; 7. Sua planta foi dada pelo Senhor a Moisés, Êx 25.22. Verifique Sua Planta: PERDÃO Pelo sacrifício do sangue PURIFICAÇÃO Pela limpeza PODER DE DEUS Pela participação, percepção e oração PRESENÇA DE DEUS Pelo Sangue aspergido e Obediência Nota: 1. O Tabernáculo simboliza: Israel aproximando-se de Deus;
2. Tipificou a obra redentora de Cristo para trazer os pecadores a Deus. 6. A SEXTA DISPENSAÇÃO A Nova Aliança, A AliANÇA DA GRAÇA Chamada Dispensação Eclesiástica. A palavra-chave é: Graça. Sua duração começa com a crucificação de Cristo até a sua segunda vinda, tempo determinado pelo Senhor: "Aquele dia e hora ninguém sabe, unicamente meu pai que está nos céus". Hoje, já contamos com quase 2000 anos em que o véu do Templo foi rasgado e esta Dispensação findará com o toque da trombeta, quando acontecerá a segunda etapa da vinda de Cristo convocando os fiéis ao Arrebatamento. Na Dispensação da Graça, Deus fez uma aliança com o homem, uma aliança superior às outras, ou seja, o próprio Filho enviado por Deus à humanidade: 1°. Mt 19.28 2°. Hb 2.7 3°. Lc 2.27 4°. Mt 13.55-57 5°. Lc 4.2-8 6°. Is 53.1-6 7°. G13.13 A Nova Aliança Tal qual Moisés foi mediador da aliança mosaica, assim Cristo é o Mediador da Nova Aliança, Hb 8.6; 9.15; 12.24. Com o aparecimento de Cristo, a Antiga Aliança terminou, como Paulo afirma em Rm 10.4; Gl 3.19. Novamente apareceu Ele celebrando a Ceia com os discípulos, conforme registra Lc 22.20 e I Co 11.25. "Ele disse: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue", Mc 14.24. A Graça não dispensa ordenação pois há l .050 mandamentos no NT; mas, ao contrário da Lei, ela dá poder ao homem para cumpri-los. A palavra Graça aparece 166 vezes na Bíblia e tem um valor inestimável. Verifique 10 citações da palavra Graça, com referências: Ef 2.8,9; At. 4.33; 18.27; Tt3.7;Rm5.20; 15.15; I Co 15.10; Gl 1.15; Cl 3.16; IITm2.1. Verificamos três aspectos da revelação de Deus nessa Dispensação: 1. Os Evangelhos, um tratado da revelação de Jesus Cristo, um Deus introduzido no meio dos homens: "Emanuel, Deus Conosco". 2. Revelação através do Espírito Santo: o Guia; o Orientador; o Consolador; o Intercessor; o Fortificador; o Ornamentador da Igreja. "Todos que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus". 3. Revelação pela Palavra Escrita - A Bíblia Sagrada. Nela está a revelação perfeita da vontade de Deus. Esta mesma Graça atua na formação da Igreja desde a fundação do mundo e já existia na mente de Deus: 1. Eleita por Deus desde a fundação do Mundo, Ef 1.4,5; 2. No AT, os Profetas falaram dela; 3. Personagens que simbolizaram a vida e a ação da Igreja (Enoque, Rebeca, Azenate, etc.); 4. Organização espiritual da Igreja, Mt 16.16; 5. Data de inauguração: Dia de Pentecostes, At 2; A Igreja, uma representação do Corpo de Cristo aqui na Terra. Suas funções, seu trabalho e suas obrigações'. 1. Em relação a ela mesma "Comunhão", At 2.42; 2. Em relação ao mundo "Evangelização", Mc 16.15; 3. Em relação a Deus "Adoração". Toda e qualquer tarefa da Igreja depende exclusivamente da Graça. Ela é quem nos encoraja no sentido
de cumprirmos nossa tarefa como Igreja que também é um Luzeiro no Mundo e Sal da Terra. Tenho me preocupado muito com a expressão: "Se o sal se tomar insípido para mais nada presta, a não ser para ser pisado pêlos homens". Que Deus proteja a Igreja! Seu compromisso para o futuro é o desfecho final do cumprimento das profecias, do fim dos tempos e a Dispensação da Igreja. Verifique alguns acontecimentos que surgirão : 1. Ressurreição dos crentes; 2. Transformação dos crentes vivos na vinda do Senhor; 3. Arrebatamento; 4. Tribunal de Cristo (compensação); 5. Casamento da Igreja (bodas do Cordeiro); 6. Glorificação da Igreja; 7. E nos fez Reis e Sacerdotes para Deus seu Pai. QUESTIONÁRIO: QUINTA E SEXTA DISPENSAÇÕES 1) Qual a duração da quinta Dispensação? 2) O que Deus representa quando institui a Páscoa? 3) Qual a representação de Deus na Lei? 4) Qual o tema do livro de Êxodo? 5) Onde Moisés recebeu as tábuas de pedra? 6) Qual a missão da Igreja frente ao mundo? 7) Qual a duração desta Dispensação (Igreja)? 8) Quando termina esta Dispensação? 9) Como se chama o Tribunal em que os crentes hão de comparecer? 10) Apresente dois aspectos do futuro da Igreja. 7. A SÉTIMA DISPENSAÇÃO (MILÊNIO) ALIANÇA MILÊNICA O plano redentor de Deus para com o homem termina com o cumprimento dos mil anos de paz sobre a Terra, que serão seguidos do Juízo Final e a volta à eternidade. Jesus Cristo descerá pessoalmente a terra e será REI. Ele denominou esta Dispensação de "Regeneração", Mt 19.28; é também chamada de "Tempo de_ Restauração", At 3.20,21. A juntura destes "Séculos", presente e vindouro, forma um nítido exemplo de sobreposição das Dispensações, isto é, às vezes, a um tempo transitório entre um tempo e outro. Sua duração, o próprio título indica, terá mil anos', seu início se dará com a manifestação (Parousia) de Cristo na segunda etapa de sua segunda vinda a terra, Ap 19.11-21, e findará com a instalação do grande Trono Branco, Ap 20.11-15. O próprio Cristo voltará literalmente a terra, onde Ele esteve durante 33 anos e pessoalmente reinará sobre a mesma por um espaço de 1.000 anos, e terá ao seu lado a SUA IGREJA. Ela voltará dos céus para onde foi levada no Arrebatamento. O Plano de Deus para com o mundo é fazer "Convergir" nele (em Cristo), na Dispensação e na plenitude dos tempos, Ef 1.10. Havendo efetuado a redenção dos homens pelo seu sangue derramado na cruz, e Deus no século
vindouro mostrará a suprema riqueza de sua graça. A dupla revelação do Milênio será feita: l. Pela presença pessoal de Jesus Cristo, que se sentará no trono de Davi, Lc 1.32,33; 2. O Sermão do Monte, pregado por Jesus no início de seu ministério terreno, Mt 5.6,7, é uma legislação que se tomará plena como plataforma do reino milenial. Ela será a Pedra Angular das atividades do Rei durante o Milênio. O Governo será um regime teocrático, isto é. Governo Pessoal de Deus, Is 52.7; Lc l .33; Dn 7.13. A SEDE DO GOVERNO A capital do mundo não será Washington, Londres, Tóquio e nem Paris, mas, sim, Jerusalém, a desprezada cidade tantas vezes pisada pêlos exércitos invasores. Ela será totalmente restaurada, vindo a realizar-se a visão do salmista que disse: "Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus. Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte de Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei. Nos palácios dela. Deus se faz conhecer como alto refúgio '¥ SI 48.1-3; Is 2.2-4. A BÍBLIA NO SEU TRANSCURSO MILENIAL 1. Será um reino literal e universal, Dn 2.34,35; 2. Jerusalém será a capital do reino, Jr 3.27; Is 24.23; Ez 48; 3. Os animais serão dóceis. Is 11.6-9; 65.25; Os 2.18; 4. Época de justiça e paz. Is 9.6,7; 11.4; Zc 9.10; SI 96.13; 5. A terra ficará mais fértil, Is 35. l; Am 9.3,6; 6. O prolongamento da vida humana. Is 65.20,22; Zc 8.4,5; 7. Satanás será amarrado, Ap 20.20,22,23. Haverá duas classes de pessoas: 1. Glorificados e 2. Não-glorifícados. Os glorificados são os crentes do AT e NT e os do período da Grande Tribulação e as não-glorificados são os judeus sobreviventes da Grande Tribulação, gentios remanescentes das nações e os nascidos no Milênio. A cena final e a justificação do grande Trono Branco, quando comparecerão diante do Cordeiro e Rei todos os mortos de todas as épocas, ainda não ressuscitados. Esta é a Segunda Ressurreição. O julgamento iniciará por ocasião da abertura dos livros de Deus, Ap 20.12: 7. Cada pessoa serei julgada', 2. Os inimigos do Rei serão punidos', 3. Os inimigos espirituais do Rei serão julgados: Satanás; o Anticristo; o Falso Profeta; os demônios; o Inferno e a morte. Cristo colocará sob seus pés todos os seus inimigos, I Co 15.24,25. A Ele, toda honra, glória e louvor para sempre. Amém!
3°) Separou-se de Cristo; 4°) O espírito do homem ficou em estado de morte; 5°) A perversão da natureza moral; 6°) Tornou-se escravo do pecado e de Satanás; 7°) Perdeu muito de sua inteligência (além de outros resultados funestos). As três conseqüências más sobre a mulher, uma maldição tríplice: 1°) A concepção multiplicada; 2°) O aumento de dores durante a maternidade, e 3°) Sujeição ao domínio do homem. Vedado o Caminho da Árvore da Vida, Gn 3.24. Foi por misericórdia que Deus expulsou Adão e Eva do Jardim e proibiu a sua aproximação da árvore da vida, pois se tivessem comido dessa árvore amargariam uma existência eterna, no triste estado em que se encontravam. Era preferível estarem sujeitos a morte física, pois a mesma serve para conduzir o homem a Cristo. Em Gn 3.15, encontramos a Primeira Promessa do Redentor. 2. DISPENSAÇÃO DA CONSCIÊNCIA, Gn 3. l Aliança Adâmica (Não deixe de Ver este estudo Aliança) Enquanto a Primeira Dispensação não teve uma duração muito certa, a Segunda Dispensação, de "Adão ao Dilúvio", teve uma duração de 1656 anos, ^ quando deu-se a Tentação e a queda do homem até Gn 2. Temos visto muitas coisas boas; porém em Gn 3, a cena muda e o mal aparece. O tentador, com o aspecto de uma serpente, tenta a mulher e ela comete o pecado da desobediência, acompanhando-a Adão. Se a serpente era simplesmente influenciada pelo maligno ou se era uma positiva materialização dele, não sabemos; não resta dúvida porém que Satanás foi a causa original da tentação, Ap 12.9; 20.2. Ao menos, é evidente que a serpente foi possuída por Satanás e chegou a ser identificada com ele e o mesmo falou por ela, Gn 3.1,4: "...Diz que a Serpente falou". Por que Deus fez o homem com a capacidade de pecar? Podia haver criatura moral sem capacidade de escolher? A Liberdade é um dom de Deus ao homem: liberdade de pensar, liberdade de escolher, liberdade de consciência e sendo assim, ainda usa essa liberdade para rejeitar e desobedecer a seu Deus. Deus não sabia que o homem haveria de pecar? Sim. E Ele previu as terríveis conseqüências disso, e também previu seu resultado final. Sofremos e tomamos a sofrer, e indagamos sem atinarmos porque Deus fez o mundo assim, um dia, porém, depois tudo tiver chegado à plena realização, nosso sofrimento acabará } e todos enigmas se deslizarão. E assim, desobedecendo, pecaram e trocaram sua inocência por uma consciência acusadora; sua ignorância por um conhecimento do bem que tinham desprezado e do mal que não podiam remediar. Tinham agora seus olhos abertos para descobrir o que teria sido mais feliz ignorar; e, impelidos por um sentimento de vergonha, trabalharam (inutilmente) para cobrir a sua nudez. Notamos que Adão e Eva podiam estar tranqüilos com os aventais de folhas que fizeram, enquanto lhes parecia que Deus estava longe. Mas, em vindo o Senhor, logo se esconderam, sentindo-se, aos olhos divinos, descobertos e envergonhados. Temos no pecado de Eva, os seguintes resultados: a) A Concupiscência do Comer: "...boa para comer"; b) A Concupiscência dos Olhos: "...agradável aos olhos",; c) A Soberba da Vida: "...desejável para entendimento ". Notamos que a primeira conseqüência do pecado foi a vergonha que eles tiveram, ao encontrar-se com
Deus, ao ponto de "fazerem aventais", Gn 3.7. O Todo Poderoso então fez túnicas de pele de animal, para vesti-los, Gn 3.21. Aliança Adâmica A Aliança Adâmica determina a vida do homem decaído, e marca condições que prevalecerão até a época do reino eterno. "A própria criatura será liberada do cativeiro da correção para a Uberdade da glória dos filhos de Deus '¥ Rm 8.21. Os Elementos da Aliança Adâmica, são os seguintes: 1°)A Serpente, instrumento de Satanás, amaldiçoada; 2°) A primeira promessa de um redentor, Gn 3.15; 3°) A condição da Mulher mudada em três sentidos, Gn 3.16: concepção multiplicada; maternidade ligada com sofrimento; sujeição ao homem, Gn 1.26,27. 4°) A Terra Amaldiçoada por causa do homem, Gn 3.17; 5°) O inevitável cansaço da vida, Gn 3.17; 6°) O leve trabalho do Éden, Gn 2.15; mudado para o serviço laborioso, Gn 3.18,19; 7°) A morte física, Gn 3.19; Rm 5.12,2; para a Morte Espiritual. "Deus dá uma demonstração que sua atitude para com o Homem é sempre com o intuito de fazê-lo compreender sua pequenez e dependência, mas jamais deixa de prover". Aqui, duas Ofertas Diferentes: 1a) Abel oferece sangue. Ele mostrou penitência e desejo de aproximar-se de Deus. O sacrifício foi feito pela Fé nos atributos que ele via em Deus, I Jo 3.12. Devemos observar que havia uma grande diferença na conduta de Caim e Abel, que era um homem de fé e obediente ao Senhor, Gn 4.4; Hb 11.4 e Caim, ofereceu dos frutos do campo que cultivava, demonstrando um espírito de alta confiança, onde temos uma "Oferta Sem Fé", movida pela rebelião e pelo desprezo ao Redentor. Deus recebe a oferta de Abel e Caim revolta-se e mata seu irmão: "É bom notar que a "primeira contenda" entre irmãos resultou em ódio, separação e morte ". 2a) Caim. Foi o primeiro a construir cidades e o primeiro a glorificar o nome do homem, Gn 4.17. Edificou uma cidade e pôs o nome de seu filho, Enoque. Sua Linhagem Ímpia: Lameque, Gn 4.19. Foi o "primeiro polígamo", isto é, possuiu mais de uma mulher, Gn 4.23,24. Brigou com um rapaz, saiu ferido e o matou. Jabal, um dos filhos de Lameque. Distingue-se como o "primeiro homem a ocupar-se da pecuária e a adotar uma vida nômade", habitando em tendas. Talvez em desafio ao mandamento. Jubal, outro filho de Lameque. Foi o "Inventor de Instrumentos Musicais". A música é do Senhor e haverá maravilhosa harmonia no Céu. Tubal-Caim era "fabricante de Artefatos de Ferro e Cobre". Possivelmente, foi o primeiro homem a forjar armas bélicas^ Por causa desses materiais, Gn 6.13, é "pois a terra está cheia de violência dos homens". Isso indica a orgia de crimes, homicídios e obras iníquas. Esses homens: Jabal, Jubal e Tubal-Caim eram ímpios, Gn 4.26. Depreendemos de Gn 4.25, que o assassinato de Abel teve lugar pouco antes do nascimento de Sete, isto é, uns 130 anos depois da criação do homem. Por isso não devemos pensar que Abel e Caim fossem os únicos filhos de Adão e Eva. Em Gênesis 3.20, lemos: Eva, mãe de todos os viventes; e Gn 5.4, registra
que Adão e Eva tiveram filhos e filhas. A tradição diz que foram 33 filhos e 27 filhas. Esses naturalmente tiveram descendências. Por isso quando Abel morreu, provavelmente havia muito mais gente no mundo do que se pensa. Deus coloca um sinal em Caim, Gn 4.15. Na V.B. lê-se: "Jeová deu um Sinal a Caim'9. Não devemos entender que ele fosse marcado, mas que Deus, de alguma maneira, assinalou a pretensão divina. Uma pergunta freqüente é esta: "Com quem casou Caim? ". A resposta, por uma suposição, é esta: com uma irmã dele. Você talvez vai ignorar este casamento, mas não deve esquecer que a proibição de casamento com parente próximo, veio só 2.500 anos depois, Lv 18.6. Sabemos que "tais uniões", ilícitas para os Israelitas, eram praticadas por outros povos, Lv 18.24. Não podemos continuar nesta história, pois é muito longa. Ao chegarmos a Terceira Dispensação é necessário que conheçamos: A Genealogia de Adão a Noé e suas idades relacionadas: Adão, 930 anos; Sete, 912 anos; Enos, 905 anos; Cainã, 910 anos; Maalelel, 895 anos; Jerede, 962 anos; Enoque, 365 anos; Metusalém, 969 anos; Lameque, 777 anos; Noé, 950 anos. Temos aí uma influência do pecado na raça humana. O homem perdendo vida, saúde e alegria; e hoje o salmista afirma: "que os nossos dias são de 70 anos e se alguns chegarão aos 80 anos pela sua robustez". SI 90.9,10. No começo da Dispensação, colocamos sua duração de 1656 anos. Vamos dividi-la: Adão viveu 930 anos e Noé, 950 anos; entre a morte de Adão e o nascimento de Noé, temos 126 anos. Do Dilúvio a Abraão, 427 anos e Noé viveu 600 anos antes do castigo divino e 350 anos após. No final da Dispensação da Consciência, os homens estavam em um estado de iniqüidade desenfreada, soltando as rédeas às práticas carnais, isto com exemplos vividos pela geração passada, resultando em costumes e corrupção do povo antediluviano. O seu cálice de iniqüidade encheu-se; porém o Justo Noé, passou a avisar seus compatriotas do que poderia acontecer. Foram 720 anos de pregação. Então o Senhor disse: "Arrependo-me de ter feito o homem na terra e isso pesou no coração". Disse o Senhor: "Farei desaparecer da face da terra o homem que criei", Gn 6.6,7. Um período longo de 1656 anos onde a raça humana havia aumentado muito e o Senhor destruiu com o Dilúvio, o qual durou l ano e 10 dias. Noé entra na arca no dia 17 do segundo mês, quando tinha 600 Anos, e continuou até o dia 27 do segundo mês, no ano seguinte, Gn 7.11; SI 1.22. O que significa a Arca ? Era uma simples e clara figura de Cristo, e um meio de salvação pelo qual uma geração passou pelas águas da morte, e saiu salva do juízo divino. Os refugiados na arca escaparam da sorte dos ímpios. Assim Cristo. nos salva, por sua morte e ressurreição, se somos achados mortos nele. Para quem está nele não há condenação, Rm 8.1. Noé não esperou o pronunciamento de um juízo. O que ele queria é que sua família fosse salva por meio da arca, não importando com quem não cria em sua pregação. Seu dever foi cumprido. O incidente do Dilúvio é, sem dúvida, o exemplo clássico de Juízo Divino e, por isso, deve ser aceito como o tipo e ensino do Espírito Santo sobre o assunto. Lemos que juízo é uma obra estranha de Deus, Is 28.21. Significa que é diferente de falar que Deus é amor, paz, alegria, prazer e misericordioso. O juízo tem cinco aspectos diferentes: 1°) É para a Glória de Deus; 2°) É para Instruir as Nações, Is 26.9; 3°) É para Purificar, Gn 15.16;
4°) É, conseqüentemente, uma Libertação do Mal; 5°) É Profético, Lei 7.26,27. O desfecho da Dispensação da Consciência não significa que Deus deixou de usar a consciência como um meio de falar ao homem. A consciência é conhecida como "a voz. de Deus dentro da alma ". Noé e sua família haviam presenciado tanto o bem como o mal e eram responsáveis, junto com a sua posteridade, pela obediência à voz da consciência e a escolher o bem. O Dilúvio marcou o término de um período de Intervenção Divina, na história do homem e um novo começo com Noé e seus filhos. O aluno deve localizar esta Dispensação da Consciência no mapa das Dispensações. Questionário das Dispensações: Inocência e Consciência 1) Qual a função de uma aliança durante uma Dispensação? 2) Em que sentido o homem morreu, quando pecou? 3) Por que foi rejeitada a oferta de Caim? 4) Qual foi a promessa que a Aliança Adâmica trouxe para a humanidade? 5) Quem construiu a primeira cidade? 6) De quem o homem se tornou escravo? 7) Qual foi o primeiro resultado da queda do homem? 8) Quem foi o primeiro polígamo? 9) Mencionar dois nomes da linhagem ímpia. 10) Qual a duração da Dispensação da consciência? 11) Como se define uma Dispensação? 3. DISPENSAÇÃO DO GOVERNO HUMANO, Gn 8 15 11.19. ALIANÇA NOÉTICA Esta Dispensação durou 427 anos, desde o tempo do Dilúvio até a Dispersão do homem sobre a superfície da Terra, Gn 10.35; 11. l O-19. O homem fracassou inteiramente e o julgamento do Dilúvio marca o fim da Segunda Dispensação e o começo da Terceira. A declaração da aliança com Noé sujeita a humanidade a uma prova: "o homem é essencialmente responsável pelo governo do mundo, de acordo com a vontade de Deus". Essa responsabilidade pesou sobre os judeus e gentios, até que o fracasso de Israel sobre a Aliança da Palestina, Dt 28-30.1-10, resultou no julgamento dos cativos quando começaram "os tempos dos gentios", Lc 21.24. O governo do mundo passou definitivamente para os gentios, Dn 2.3 6-45; At 15.14-17, e Israel, como os Gentios, tem governado para si e não para Deus. Neste trecho de Noé e seus descendentes, contém alguns pontos que pedem a nossa atenção: a bênção e a promessa de Deus', o pacto que fez com Noé e com toda a alma vivente. O arco-íris, Gn 9.12,17. Alguns pensam que antes do Dilúvio, nunca houve chuva, Gn 2.6. Ezequiel teve uma visão, Ez l .28: "Como o aspecto do arco que aparece no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isto, caí sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava". Em Gn 9.21, lemos sobre a embriaguez, de Noé que nos faz ver que até um homem ricamente abençoado por Deus pode ser vencido por pecados carnais. De passagem, notamos o procedimento correio de Sem e Jafé, que em tempos remotos tiveram um sentimento moral tão desenvolvido como o dos mais ilustrados de hoje. Notamos também, como a maldição caiu sobre Canaã, o filho mais moço de Cão, e não sobre seu pai, e
desde então os Cananitas foram adversários do povo de Deus, até serem totalmente extintos da Terra, Is 17.18. Se a Bíblia não tivesse registrado: a embriaguez de Noé; o adultério de Davi e a mentira de Pedro, estaríamos imaginando que os homens piedosos do passado eram diferentes de nós mesmos, pois temos tido nossos lapsos na senda da retidão. Verificamos que tal falha não nos autoriza cairmos no mesmo delito, porque deles já temos a história e o aviso: "Olha, Não Caia)>. Quatro Raças originaram-se dos quatro filhos de Cão. Essas por sua vez subdividiram depois, povoaram as terras da África, da Arábia Oriental, da Costa Oriental do Mar Mediterrâneo e do grande Vale dos rios Tigre e Eufrates. Descendentes de Noé: a) Jafé: zona Norte das nações e as proximidades dos mares Negro e Cáspio: as raças caucásicas da Europa e Ásia. b) Cão: zona Sul das nações, a Arábia Meridional e Central, o Egito, a costa oriental do Mediterrâneo e a costa oriental da África. (Canaã, filho de Cão). c)Sem: zona central das nações. Os semitas incluíam os judeus, assírios e sírios, na parte Norte do vale do Eufrates. A Aliança com Noé, Gn 9.1-17: 1) Confirmação de que o homem seria relacionado à terra, conforme a Aliança Adâmica,Gn8.21; 2) Confirmação da ordem da natureza, Gn 8.22; 3) Estabelecimento do governo humano, Gn 9. l -6; 4) Garantia de que a Terra não sofreria outro Dilúvio, Gn 8.21; 9.11; 5) Declaração profética de que procederia de Cão uma posteridade inferior e serviçal, Gn9.24.25; 6) Declaração profética de que haveria uma relação especial entre Jeová e Sem, Gn9.26.27; 7) Declaração profética de que de JAFÉ procederiam as "raças dilatadas ", Gn 9.27. Os governos, as ciências e as artes têm provido, geralmente, de descendentes de Jafé; assim a História tem confirmado o exato cumprimento dessas declarações. A Torre de Babel, Gn 11 Neste capítulo do Gênesis encontramos o começo da confederação e do engrandecimento humano. E Deus desaprovou essa confederação: impediu o projeto de se fazer uma alta torre que tocasse no "céu". É interessante confrontar com este começo o desenvolvimento de confederações humanas de hoje e a multiplicação de nomes partidários. A Descendência de Sem. Vemos que a posteridade abençoada por Deus nem sempre seguiu pela linha do primogênito. Arpachade era o terceiro filho de Sem, Gn 10.22, e não o primeiro. Em Gn 5, vemos que as idades dos patriarcas vão quase sempre diminuindo. Porventura seria licito entender que os anos eram, no princípio, mais curtos do que atualmente7 Somente assim poderemos compreender o caso de um homem esperar uns 100 anos antes de nascer-lhe um filho. A Chamada de Abraão, Gn 12. A chamada de Abraão e as promessas que Deus lhe fez. Podemos estudar neste capítulo: a) A escolha divina. Deus escolheu Abraão e isto importa conhecimento, aprovação, confiança, preparação para o fim destinado; b) O plano de (mediante o escolhido de Deus) abençoar muitos povos;
c) A proteção divina - "amaldiçoarei os que te amaldiçoarem "; d) A chamada divina - uma chamada positiva, individual, imperativa; e) A Revelação Divina - "apareceu o Senhor a Abraão "; f) A Promessa Divina - "à tua descendência darei esta terra". A chamada é descrita em At 7.2,3, a resposta, em Hb 11.8. Abraão desce ao Egito, Gn 12.10. Isto nos parece um desvio da senda da fé, pois aí Abraão perde a sua confiança na proteção de Deus e pretende valer-se de um subterfúgio para evitar o ciúme do rei da terra. Contudo, Deus o protegeu sem que ele esperasse. Sete coisas neste desvio de Abraão, notemos: 1) Agiu sem consultar a Deus, Gn 12.10; 2) Escolheu seu destino, confiando na própria inteligência, Gn 12.10; 3) Valeu-se da duplicidade, para conseguir seu propósito, Gn 12.13; 4) Perdeu de vista a perspectiva e o plano de sua vida, Gn 12.2,12; 5) Sua astúcia parecia alcançar bom êxito, Gn 12.14,15; 6) Achou-se mais tarde enlaçado na trama que ele mesmo fizera, Gn 12.18, 7) Foi censurado por um rei pagão, e mandado para sua própria terra, Gn 12.18-20. 4. A QUARTA DISPENSAÇÃO, Gn 12.1-Êx 18 27. ALIANÇA ABRAÃMICA Começa aqui a História da Redenção. Dela surge uma idéia vaga pelo tempo, Gn 3.15. Agora, 1963 anos após a criação e a queda do homem, ou seja 427 anos após o Dilúvio, num mundo que desenfreadamente aderiu-se a idolatria e a maldade. Foi aí que houve por objetivo a recuperação e a redenção do gênero humano. A duração desta Dispensação foi de 430 anos, considerada a Dispensação da Promessa, que terminou quando Israel tão facilmente aceitou a Lei, Êx 19.8. A Graça tinha oferecido um Libertador (Moisés), um sacrifício para o culpado, e, por divino poder, libertado Israel da escravidão, Êx 19.17, mas no final trocaram a Graça pela Lei. Separação Para Deus Agora Abraão volta do Egito e vira o rosto para a Terra Prometida. Sua vida de peregrinação é caracterizada por Três Coisas: a Tenda; o Altar e o Poço. Nada lemos sobre altar no Egito. As riquezas que Abraão e Ló acumularam no Egito, foram a causa de contenda e separação', porém Abraão tinha uma confiança em seu Deus. Por isso, deixou que Ló escolhesse primeiro para onde iria. A confiança na proteção Divina faz. com que o homem fique desprovido de qualquer dúvida. Em Gn 14, é mencionado pela primeira vez. o termo Reis. Dois reis encontram- se com Abraão em sua volta vitoriosa: o de Sodoma e Melquisedeque (Tudo que sabemos que está neste capítulo, no SI 110 e Hb 5,6 e 7). Ele é também o primeiro Sacerdote mencionado na Bíblia: um Sacerdote Real e por isso uma figura do Senhor Jesus Cristo. Também aqui pela primeira vez, lemos sobre "O Deus Altíssimo ". Depois da divina bênção, pronunciada por Melquisedeque, vem a tentação material por parte do rei de Sodoma. Há um ditado, que diz: "Cada homem tem seu preço", porém um homem como Abraão não pode ser comprado por um rei mundano, como este de Sodoma. E na volta de Abraão da matança dos reis que a misteriosa figura de Melquisedeque aparece. Ele vem
ter com Abraão, traz-lhe p ao, vinho e o abençoa; Abraão dá-lhe o dízimo de tudo. Tanto se fala deste incidente no NT, que devemos estudá-lo. Vamos notar os seguintes pontos, como seguem: 1) Por ser ele o Primeiro Sacerdote mencionado na Bíblia, tem sido escolhido pelo Espírito Santo como tipo de Cristo, um Sacerdote maior que Aarão; 2) Ele era Rei e também Sacerdote. Rei de Salém (da paz) e seu nome significa "Rei da Justiçai Cl 6.12,13; Hb 7.2; 3) Assim, no SI 110.4 está escrito de Cristo: "Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque "; 4) Não há alguma menção de seu pai ou de sua mãe, do seu nascimento ou morte; por isso é tomado em Hb 7.3, como um tipo de Cristo: O Sacerdote Eterno. Para estudar o assunto mais detalhadamente, é preciso ler com cuidado Hb 5.7. Promessa de uma Posteridade Em Gn 15.6 , pela primeira vez, a Fé é mencionada, e lemos "E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça"; cf. Rm 4.3; Tg 2.23. Abraão nasceu quando seu pai Terá tinha 26 anos, Gn 11.25. Abraão tinha 75 anos quando foi convidado por Deus a deixar sua parentela e partir para uma terra desconhecida (Canaã). Contava com 80 anos quando encontrou-se com Melquisedeque e foi abençoado por ele. Tinha 86 anos quando nasceu Ismael, fruto de uma fragilidade em sua vida. Persuadido pela esposa, lança mão de outro meio, sugerido pela sua desconfiança quanto a conseguir as promessas de Deus. Toma a serva egípcia de sua mulher e por ela tem seu filho Ismael. Depois desse incidente sua fé foi provada mais 13 anos. Em Gn 17, seu nome foi mudado. Um quadro interessante foi as três vezes que Deus apareceu a Abraão: 1a) u Apareceu o Senhor a Abraão, e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera '¥ Gn 12.7; 2a) "Quando atingiu Abraão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-poderoso: anda na minha presença e sê perfeito", Gn 17.1, 3a) "Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia", Gn 18.1. Abraão tinha 90 anos quando Sodoma foi destruída. Contava com 100 anos quando nasceu Isaque e tinha 137 anos quando Sara morreu. Em seguida, casou-se com Quetura, com quem teve seis filhos; morre com 175 anos de idade. Em Gn 18, deparamos com o aparecimento de três visitantes celestiais que falaram com Abraão com aparência de seres humanos: "três varões e dos três um era o Senhor", Gn 18.1-3; Mc 16.5; Jo 5.13. Um acontecimento interessante é quando dois anjos seguem para Sodoma, e Abraão começa a fazer sua célebre intercessão ao terceiro. Esta é a primeira grande oração intercessória registrada na Bíblia. Verificamos como a oração de um justo pode mudar os rumos das coisas: 1) A base da oração é dupla: Primeiro, o reconhecimento de Deus e da liberdade que tinha para falar com Ele. Segundo, o concerto de Deus, Gn 17.19. Abraão tinha sido chamado por Deus a fim de interessar-se por Ele e seus propósitos, referentes ao mundo, e por isso sente liberdade em falar-lhe. 2) Características da oração de Abraão:
Discriminação, Gn 18.24,25, entre os justos e os ímpios, e o interesse pêlos dois grupos; Confiança na justiça de Deus, Gn 18.23,25; na Graça de Deus, Gn 18.24, e no Poder de Deus, Gn 18.25; Precisão, Gn 18.28-32. Lembremo-nos que petições em termos gerais não terão respostas precisas; Importunidade. Seis vezes Abraão pede que Sodoma seja poupada e cada vez reforça seu pedido; Humildade, Gn 19.27. Ele jamais se esquece de que fala com Deus; 3)0 êxito da oração de Abraão. Não obteve tudo o que desejava, mas alcançou tudo o que Sodoma tomou possível, (leia Jr 5. l.) Salvação de Ló e a Destruição de Sodoma Notamos que os varões, em Gn 18.2, são anjos. Em Gn 19.1, Ló parece ser tão hospitaleiro quanto Abraão. Veja algumas considerações sobre o nosso amigo Ló: a) Parece ser o tipo do "meio-crente"'. convencido mas não convertido: b) Uma pessoa costuma ser contenciosa; c) Resultado: uma inutilidade ou uma catástrofe. SODOMA: figura o mundo e sua sensualidade; EGITO: simboliza o mundo e sua comunidade (Êx 16.3); BABILÔNIA: simboliza o mundo e sua grandeza (Js 7.21). A história de Ló ensina que embora o cristão mundano possa conseguir para si a salvação, pode contudo perder a família, filhos e filhas, pois, criados no meio da devassidão, podem ser corrompidos. A mulher que olha saudosa para a vaidade do mundo, em pouco tempo não poderá mais trilhar a senda da salvação. "A não observância da Palavra de Deus pode ser funesta para a nossa vida espiritual". Isaque nasce - Ismael é despedido Afinal, nasce Isaque, depois de muitos anos de fé alternada com incredulidade da parte de seus pais, Abraão e Sara. Em Gl 4, o apóstolo encontra um sentido simbólico em cada um dos dois filhos. Na alegoria que Paulo percebe na história de ambos, Hagar representa o monte Sinai e tudo que a lei pode produzir, enquanto que Isaque é o fruto da fé, e mostra o que Deus faz para o crente. Vemos que Ismael, o filho "nascido segundo a carne ", Gl 4.29, persegue o filho da promessa, e é despedido, porque não pode herdar com este. Os que são das obras da Lei, Gl 3.10, não herdarão as promessas dadas a Abraão, mas sim aqueles que têm fé em Cristo, Gl 3.12-14. Uma religião carnal é sempre inimiga da religião espiritual. O altar sobre o monte Este incidente é talvez o mais misterioso e sublime na história de Abraão. Somente após longos anos de preparo espiritual poderia Deus submetê-lo a tal provação de sua fé, com a certeza de que havia de sair triunfante. Era sem dúvida um experiência penosa à vista do mundo cruel. Mas o resultado final havia de ser um notável engrandecimento da vida espiritual de Abraão, e o conhecimento, mediante a sua própria experiência, de verdades bem importantes. Notemos, os seguintes pontos: 1°) Certeza da Palavra Divina. Para agirmos em algum sentido contrário ao sentimento natural, ao procedimento comum, aquilo que nossas convicções e as dos vizinhos aprovam, precisamos ter uma palavra de Deus mui positiva, que não admita dúvidas; 2°) Falta de Explicação. O mandado divino não trouxe consigo um porquê"; contudo, havia um raio de luz nas palavras "a quem amas", revelando que Deus não estava esquecido da forte afeição natural de Abraão para com Isaque;
3°) A Completa Confiança de Abraão. Isto nos faz pensar nas palavras de Jó: "Ainda que me mate, nele esperarei",Jó 13.15. A explicação dada em Hb 11.18, é que Abraão "considerou que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar (a Isaque)"; 4°) O Conhecimento de Deus. Fruto de longos anos de experiência da divina proteção e bondade, progrediu até que, afinal, Abraão podia obedecer a Deus cegamente; 5°) A Submissão de Isaque a Vontade do Pai. Um belo tipo da obediência de Cristo até a morte; 6°) A Palavra Profética De Abraão. Disse Abraão: "Deus proverá para si o cordeiro ". Também havia um sentido profético no nome que Abraão deu ao lugar: Jeová-Jireh: "ü Senhor proverá". Em Jo 8.56, permite pensar que ele tinha alguma vaga previsão do "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"; 7°) A Lição da Substituição. O carneiro "travado pelas suas pontas num mato ", y j veio a ser o substituto do moço; e quantos seres humanos desde o tempo de p; Isaque têm dado graças a Deus por Ele ter "fornecido um substituto " ¥ 8°) A maneira maravilhosa como Deus operou em Abraão, uma semelhança a si ^ mesmo. Num dia futuro Deus havia de ceder seu Filho, em sacrifício pelo pecado, Mas então não haveria outro cordeiro para tomar o lugar dele: "Nem mesmo a seu próprio filho poupou, antes o entregou por todos nós", Rm 8.32. A obediência de Abraão era agradável aos olhos de Deus; por isso o mandamento foi dado. A morte de Isaque não teria sido agradável a Deus, visto que o ato da matança foi impedido". ^No Monte do Senhor se Proverá". Os três significados dos nomes desta História Abraão lembrou-se de que já era tempo de o filho contrair matrimônio. Ele marcou duas condições: a noiva havia de ser da mesma parentela, e Isaque não havia de sair da Terra Prometida em procura de esposa. Felizmente, Abraão tinha um empregado fiel e competente para tratar desse negócio. Abraão receava que Isaque se casasse com uma moça de Canaã, ou voltasse para a terra de onde tinha sido chamado. Ainda hoje, às vezes, os pais sabem melhor do que os próprios moços que tipo de casamento será bom para seus filhos. Entre os chineses são os pais que escolhem as noivas para seus filhos, e parece que todos acham essa maneira mais proveitosa. Notemos, em relação ao empregado Eliézer, Gn 15.2, os seguintes pontos: 1. Era um homem de idade e pessoa de confiança. É bem possível que Abraão não tivesse outro a quem pudesse confiar uma tarefa tão delicada; 2. Era um homem prevenido. Levou consigo tudo o que era necessário para o bom êxito de sua missão; 3. Era um homem cauteloso. Pediu um sinal, uma coisa que nem sempre é preciso, e que o Deus misericordioso às vezes fornece; 4. Era um homem piedoso. Orou a Deus pelo serviço que havia de fazer; 5. Era um homem eloqüente. Quando precisava falar do seu Senhor; 6. Era um homem pontual. E não quis perder tempo, Gn 25.54. Eliézer é o servo Modelo'. 1. Não vai sem ser mandado, Gn 24.2-9; 2. Vai para onde o mandam, Gn 24.4,10; 3. Não se preocupa com outra coisa; 4. Ora e dá graças, Gn 24.12,14,26,27; 5. É sábio para persuadir, Gn 24.17,18,21;
6. Fala, não de si, mas das riquezas do amo, e da herança do filho, Gn 22.34-36; At l.8;7. Apresenta o caso sem equívoco e requer uma decisão positiva, Gn 24.49. Eliézer enfeita a noiva com as jóias da casa paterna, mesmo antes dela iniciar a viagem. O Espírito Santo procura enfeitar a Igreja com as lindas regalias da casa do Pai, antes dela ser arrebatada, Gn 24.53. Isaque saiu a orar (meditar sobre o falecimento de sua mãe no campo), Gn 24.63; talvez por falta de sossego necessário na tenda, ali mesmo levanta os olhos e vê chegando Eliézer vindo de regresso. Na oração solitária podemos ver coisas maravilhosas. Vamos agora considerar Rebeca: 1. Era formosa, Gn 24.16; 2. Trabalhadeira, Gn 24.19; 3. Hospitaleira, corajosa, decidida, Gn 24.58, 4. Modesta.Gn24.65. Significado dos Nomes: 1. Isaque (hb - riso) representa Cristo. 2. Rebeca (hb - corda com laço) representa a Igreja. 3. Eliézer (hb - meu Deus é auxílio) representa o Espírito Santo. Caro Aluno, aqui citarei alguns personagens da História e que fazem parte desta Dispensação: Esaú e Jacó; Jacó e seu Tio Labão e José do Egito. QUESTIONÁRIO: TERCEIRA E QUARTA DISPENSAÇÃO 1) Por quanto tempo durou a Dispensação do governo humano? 2) Com quantos anos morreu Abraão? 3) O que significa Sodoma? 4) Qual o significado do nome Isaque? 5) Com quantos anos Abraão estava quando nasceu Isaque? 6) O que simboliza o Egito? 7) Quantos filhos Abraão teve com Quetura? 8) Com quantos anos morreu Sara? 9) Qual o significado representativo de Rebeca? 10) Quanto tempo durou a Dispensação Patriarcal? 11) Qual foi a duração da Dispensação do Governo Humano? 5. A QUINTA DISPENSAÇÃO ALIANÇA MOSAICA A Dispensação da Lei teve uma duração de 1.430 anos: do "Êxodo do Egito" até a "Crucificação de Cristo". Para estudarmos este livro, onde começa a Quinta Dispensação, vamos verificar de!, importantes revelações de Deus, a saber: 1) O "Eu Sou ", na sarça ardente - Um Deus que mantém aliança; 2) As pragas - Um Deus de punição; 3) A Páscoa - Um Deus de redenção; 4) A travessia do Mar Vermelho - Um Deus de poder; 5) A jornada até o Sinai - Um Deus de provisão;
6) A Lei - Um Deus de santidade; 7) Tabernáculo, sacerdote, ofertas - Um Deus de comunhão; 8) A punição devida do bezerro de ouro - Um Deus de disciplina; 9) A Renovação da Aliança - Um Deus de graça; 10) A vinda da glória - Um Deus de glória. "Porque a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e verdade vieram por Jesus Cristo '¥ Jo l. 17. É bom lembrar que esta Dispensação pode ser chamada de Dispensarão dos Israelitas. Devemos lembrar que o cenário histórico data de 1440 a.C. aproximadamente. Sabemos que a data do Êxodo foi por volta de 1445 a.C. Além desta outra data, também é defendida pêlos estudiosos do AT, a de 1290 a.C. O tema do livro: "Redenção e organização de Israel como povo da Aliança". Em Gn 19.3 começa a Quinta Dispensação, quando a Lei foi colocada em ênfase dos princípios de Deus. Israel chega ao monte Sinai depois de 3 meses de uma longa viagem. Neste momento. Deus chama-o a um Concerto mais sério, e passa-lhe uma no vá lição: 1. Mediante ao mandamento aprendeu a Santidade de Deus; 2. Mediante ao seu próprio erro, aprendeu a sua fraqueza pecaminosa; 3. Mediante a provisão do sacerdócio e do sacrifício, aprendeu a Bondade de Deus. Em Gl 3.6-25, aprendemos a relação da Lei para com a Aliança Abraãmica: 1. A Lei não pode anular esta aliança; 2. Foi "acrescentada " para convencer do pecado; 3. Servia de pedagoga até a vinda de Cristo; 4. Era uma disciplina preparatória "até que viesse a semente ". A trajetória de Israel no deserto e em Canaã é uma longa história de violação da Lei. A prova terminou no julgamento dos cativeiros, mas a Dispensação propriamente dita só terminou na Cruz. Podemos considerar: 1) O estado do homem no começo da jornada, Êx 19.1-3; 2) Sua responsabilidade, Êx 19.5,6; Rm 10.5; 3) Seu fracasso, II Rs 17.7-17; At2.22.23, 4) O julgamento, II Rs 17.1-6,20; 25.1-11; Lc 21.20-24. Notemos neste capítulo o cuidado que Deus tem de desenvolver em Israel uma compreensão de sua santidade. No Egito tinham se acostumado com as imundas divindades do paganismo, e agora precisam aprender que Jeová é um Deus santíssimo e temível. A Lei foi dada de três maneiras: 1°) Verbalmente, Êx 20.1-17. Isto era lei pura, sem nenhuma provisão de sacerdócio ou sacrifício, e foi acompanhada das "Ordenanças", Ex 21.1-23.13, relativas às relações de hebreus com hebreus; a isto foram acrescentadas, Ex 23.14- 49, direções diferentes às três festas anuais, Êx 23.30-33, e inscrições sobre a conquista de Canaã. Estas palavras Moisés comunicou ao povo, Êx 24.3-8. Imediatamente, na pessoa dos seus anciões, foram admitidos na presença de Deus, ÊX24.9-11. 2°) Moisés foi então chamado ao monte para receber as tábuas de pedra, Êx 24.12-18. A história então se divide. Moisés no monte recebe instruções referentes ao Tabernáculo, ao sacerdócio e aos sacrifícios, Êx 25-31. No entanto, o povo, Êx 32, chefiado por Aarão, transgride o primeiro mandamento. Moisés, voltando, quebra as tábuas escritas pelo dedo de Deus, Êx 31.18; 32.16-19. 3°) As segundas tábuas são feitas e a Lei escrita novamente (por Moisés?) na presença de Jeová, Êx
34.1,28,29. Os Dez Mandamentos A Aliança Mosaica foi dada a Israel com três divisões, cada uma ligada às outras, e, conjuntamente, formando a Aliança Mosaica. Os Dez Mandamentos, expressão da vontade de Deus para seu povo, Ex 20.1- 26; Os Juízos, governo da vida social de Israel, Êx21.1 - 24.11; e as Ordenanças, governando a vida religiosa de Israel, Êx 24.12 - 31.18. Estes três elementos formam a "LEI" como essa palavra se emprega no NT, Mt 5.17,18. Os Mandamentos e Ordenanças formam um só sistema religioso. Os mandamentos foram um "Ministério de Condenação) e de "Morte)), II Co 3.7-9. Os Dez Mandamentos são: 1) Não terás outros deuses diante de mim; 2) Não farás para ti imagem de escultura; 3) Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; 4) Lembra-te do dia de sábado para o santificar; 5) Honra a teu pai e a tua mãe; 6) Não matarás; 7) Não adulterarás; 8) Não furtarás; 9) Não dirás falso testemunho; 10) Não cobiçarás. TABERNÁCULO Passaremos à história do Tabernáculo, considerado a grande Tipologia do Plano da Salvação, uma ordenança de Deus a Moisés para proteção e orientação do povo de Deus. Vejamos alguns significados: 1. Tenda provisória onde Deus falava ao seu povo, Êx 33.3-10; 2. Construção portátil em forma de tenda, Êx 25.8,9; 3. Recebeu o nome de habitação, Êx 25.9; 4. Onde estava depositada a tábua da lei; 5. O tabernáculo do testemunho; 6. Denominado casa do Senhor, Êx 34.26; 7. Sua planta foi dada pelo Senhor a Moisés, Êx 25.22. Verifique Sua Planta: PERDÃO Pelo sacrifício do sangue PURIFICAÇÃO Pela limpeza PODER DE DEUS Pela participação, percepção e oração PRESENÇA DE DEUS Pelo Sangue aspergido e Obediência Nota: 1. O Tabernáculo simboliza: Israel aproximando-se de Deus;
2. Tipificou a obra redentora de Cristo para trazer os pecadores a Deus. 6. A SEXTA DISPENSAÇÃO A Nova Aliança, A AliANÇA DA GRAÇA Chamada Dispensação Eclesiástica. A palavra-chave é: Graça. Sua duração começa com a crucificação de Cristo até a sua segunda vinda, tempo determinado pelo Senhor: "Aquele dia e hora ninguém sabe, unicamente meu pai que está nos céus". Hoje, já contamos com quase 2000 anos em que o véu do Templo foi rasgado e esta Dispensação findará com o toque da trombeta, quando acontecerá a segunda etapa da vinda de Cristo convocando os fiéis ao Arrebatamento. Na Dispensação da Graça, Deus fez uma aliança com o homem, uma aliança superior às outras, ou seja, o próprio Filho enviado por Deus à humanidade: 1°. Mt 19.28 2°. Hb 2.7 3°. Lc 2.27 4°. Mt 13.55-57 5°. Lc 4.2-8 6°. Is 53.1-6 7°. G13.13 A Nova Aliança Tal qual Moisés foi mediador da aliança mosaica, assim Cristo é o Mediador da Nova Aliança, Hb 8.6; 9.15; 12.24. Com o aparecimento de Cristo, a Antiga Aliança terminou, como Paulo afirma em Rm 10.4; Gl 3.19. Novamente apareceu Ele celebrando a Ceia com os discípulos, conforme registra Lc 22.20 e I Co 11.25. "Ele disse: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue", Mc 14.24. A Graça não dispensa ordenação pois há l .050 mandamentos no NT; mas, ao contrário da Lei, ela dá poder ao homem para cumpri-los. A palavra Graça aparece 166 vezes na Bíblia e tem um valor inestimável. Verifique 10 citações da palavra Graça, com referências: Ef 2.8,9; At. 4.33; 18.27; Tt3.7;Rm5.20; 15.15; I Co 15.10; Gl 1.15; Cl 3.16; IITm2.1. Verificamos três aspectos da revelação de Deus nessa Dispensação: 1. Os Evangelhos, um tratado da revelação de Jesus Cristo, um Deus introduzido no meio dos homens: "Emanuel, Deus Conosco". 2. Revelação através do Espírito Santo: o Guia; o Orientador; o Consolador; o Intercessor; o Fortificador; o Ornamentador da Igreja. "Todos que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus". 3. Revelação pela Palavra Escrita - A Bíblia Sagrada. Nela está a revelação perfeita da vontade de Deus. Esta mesma Graça atua na formação da Igreja desde a fundação do mundo e já existia na mente de Deus: 1. Eleita por Deus desde a fundação do Mundo, Ef 1.4,5; 2. No AT, os Profetas falaram dela; 3. Personagens que simbolizaram a vida e a ação da Igreja (Enoque, Rebeca, Azenate, etc.); 4. Organização espiritual da Igreja, Mt 16.16; 5. Data de inauguração: Dia de Pentecostes, At 2; A Igreja, uma representação do Corpo de Cristo aqui na Terra. Suas funções, seu trabalho e suas obrigações'. 1. Em relação a ela mesma "Comunhão", At 2.42; 2. Em relação ao mundo "Evangelização", Mc 16.15; 3. Em relação a Deus "Adoração". Toda e qualquer tarefa da Igreja depende exclusivamente da Graça. Ela é quem nos encoraja no sentido
de cumprirmos nossa tarefa como Igreja que também é um Luzeiro no Mundo e Sal da Terra. Tenho me preocupado muito com a expressão: "Se o sal se tomar insípido para mais nada presta, a não ser para ser pisado pêlos homens". Que Deus proteja a Igreja! Seu compromisso para o futuro é o desfecho final do cumprimento das profecias, do fim dos tempos e a Dispensação da Igreja. Verifique alguns acontecimentos que surgirão : 1. Ressurreição dos crentes; 2. Transformação dos crentes vivos na vinda do Senhor; 3. Arrebatamento; 4. Tribunal de Cristo (compensação); 5. Casamento da Igreja (bodas do Cordeiro); 6. Glorificação da Igreja; 7. E nos fez Reis e Sacerdotes para Deus seu Pai. QUESTIONÁRIO: QUINTA E SEXTA DISPENSAÇÕES 1) Qual a duração da quinta Dispensação? 2) O que Deus representa quando institui a Páscoa? 3) Qual a representação de Deus na Lei? 4) Qual o tema do livro de Êxodo? 5) Onde Moisés recebeu as tábuas de pedra? 6) Qual a missão da Igreja frente ao mundo? 7) Qual a duração desta Dispensação (Igreja)? 8) Quando termina esta Dispensação? 9) Como se chama o Tribunal em que os crentes hão de comparecer? 10) Apresente dois aspectos do futuro da Igreja. 7. A SÉTIMA DISPENSAÇÃO (MILÊNIO) ALIANÇA MILÊNICA O plano redentor de Deus para com o homem termina com o cumprimento dos mil anos de paz sobre a Terra, que serão seguidos do Juízo Final e a volta à eternidade. Jesus Cristo descerá pessoalmente a terra e será REI. Ele denominou esta Dispensação de "Regeneração", Mt 19.28; é também chamada de "Tempo de_ Restauração", At 3.20,21. A juntura destes "Séculos", presente e vindouro, forma um nítido exemplo de sobreposição das Dispensações, isto é, às vezes, a um tempo transitório entre um tempo e outro. Sua duração, o próprio título indica, terá mil anos', seu início se dará com a manifestação (Parousia) de Cristo na segunda etapa de sua segunda vinda a terra, Ap 19.11-21, e findará com a instalação do grande Trono Branco, Ap 20.11-15. O próprio Cristo voltará literalmente a terra, onde Ele esteve durante 33 anos e pessoalmente reinará sobre a mesma por um espaço de 1.000 anos, e terá ao seu lado a SUA IGREJA. Ela voltará dos céus para onde foi levada no Arrebatamento. O Plano de Deus para com o mundo é fazer "Convergir" nele (em Cristo), na Dispensação e na plenitude dos tempos, Ef 1.10. Havendo efetuado a redenção dos homens pelo seu sangue derramado na cruz, e Deus no século
vindouro mostrará a suprema riqueza de sua graça. A dupla revelação do Milênio será feita: l. Pela presença pessoal de Jesus Cristo, que se sentará no trono de Davi, Lc 1.32,33; 2. O Sermão do Monte, pregado por Jesus no início de seu ministério terreno, Mt 5.6,7, é uma legislação que se tomará plena como plataforma do reino milenial. Ela será a Pedra Angular das atividades do Rei durante o Milênio. O Governo será um regime teocrático, isto é. Governo Pessoal de Deus, Is 52.7; Lc l .33; Dn 7.13. A SEDE DO GOVERNO A capital do mundo não será Washington, Londres, Tóquio e nem Paris, mas, sim, Jerusalém, a desprezada cidade tantas vezes pisada pêlos exércitos invasores. Ela será totalmente restaurada, vindo a realizar-se a visão do salmista que disse: "Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus. Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte de Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei. Nos palácios dela. Deus se faz conhecer como alto refúgio '¥ SI 48.1-3; Is 2.2-4. A BÍBLIA NO SEU TRANSCURSO MILENIAL 1. Será um reino literal e universal, Dn 2.34,35; 2. Jerusalém será a capital do reino, Jr 3.27; Is 24.23; Ez 48; 3. Os animais serão dóceis. Is 11.6-9; 65.25; Os 2.18; 4. Época de justiça e paz. Is 9.6,7; 11.4; Zc 9.10; SI 96.13; 5. A terra ficará mais fértil, Is 35. l; Am 9.3,6; 6. O prolongamento da vida humana. Is 65.20,22; Zc 8.4,5; 7. Satanás será amarrado, Ap 20.20,22,23. Haverá duas classes de pessoas: 1. Glorificados e 2. Não-glorifícados. Os glorificados são os crentes do AT e NT e os do período da Grande Tribulação e as não-glorificados são os judeus sobreviventes da Grande Tribulação, gentios remanescentes das nações e os nascidos no Milênio. A cena final e a justificação do grande Trono Branco, quando comparecerão diante do Cordeiro e Rei todos os mortos de todas as épocas, ainda não ressuscitados. Esta é a Segunda Ressurreição. O julgamento iniciará por ocasião da abertura dos livros de Deus, Ap 20.12: 7. Cada pessoa serei julgada', 2. Os inimigos do Rei serão punidos', 3. Os inimigos espirituais do Rei serão julgados: Satanás; o Anticristo; o Falso Profeta; os demônios; o Inferno e a morte. Cristo colocará sob seus pés todos os seus inimigos, I Co 15.24,25. A Ele, toda honra, glória e louvor para sempre. Amém!
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