sábado, 8 de setembro de 2018

Marxismo x Cristianismo

Marxismo x Cristianismo:


“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8)


   Atualmente os países muçulmanos são o maior grupo de perseguição aos cristãos. Do ranking criado pela organização missionária Portas Abertas, quase 90% dos cinqüenta paises listados são muçulmanos. Eles estão presentes em todos os níveis desde perseguição severa até problemas ocasionais com a Igreja.
Entretanto, o primeiro lugar não pertence a um país muçulmano. Pertence à Coréia do Norte, um país governado pela ideologia marxista. A nota conferida por Portas Abertas é de 82 pontos contra 68,5 do segundo colocado, a Arábia Saudita. Uma diferença considerável. Se lembrarmos que o país já foi testemunha de um grande avivamento, chegando Pyioniang, sua capital, a possuir 13% de cristãos, nos perguntamos: O que aconteceu?
   Podemos entender a oposição muçulmana-cristã por tratar-se de duas religiões conflitantes em seus fundamentos, com uma inimizade histórica que vai desde os seus primórdios. Mas como entender que os países onde o marxismo foi adotado como ideologia o cristianismo foi perseguido de uma forma tão perversa, intensa e diabólica? Como explicar que um homem educado como judeu e protestante criasse uma ideologia tão inimiga do cristianismo? O que disse ou escreveu Karl Marx que no fim resultou em 70 anos de perseguição serrada à Igreja e que persiste até os dias de hoje?

“Examinai tudo. Retendo o que for bom” (1 Ts 5.21)
   Não é definitivamente o marxismo político que nos importa aqui, mas o marxismo como ideologia, com seus conceitos sobre o homem, sobre Deus, sobre o mundo, sobre o futuro. Quem o conhece profundamente sabe que não é a questão de um mero partido político, de uma doutrina econômica, mas de uma cosmologia que influência toda a maneira de ver a vida. Não queremos falar dos aspectos econômicos ou políticos da doutrina de Marx. Queremos apenas analisar os pontos que levaram os países que adotaram sua ideologia a perseguir, torturar e odiar aos cristãos.
   Somos cristãos e temos por base as Escrituras Sagradas como revelação única e infalível dos propósitos de Deus. Ela é o crivo e o prumo com o qual medimos qualquer afirmação, principalmente se estas se propõe a responder questões vitais como aquelas com as quais o marxismo lida. Queremos expor um pouco de Marx e sua doutrina, analisando-a à luz da Palavra de Deus
Para efeitos de compreensão estaremos usando os termos marxismo, comunismo e socialismo como intercambiáveis, reconhecendo que em uma literatura política eles possam apresentar nuances que os diferenciam.

O homem Karl Marx

   O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do seu mau tesouro tira coisas más. (Mateus 12.35)
(…) aborreço as ações daqueles que se desviam; nada se me pegará. Um coração perverso se apartará de mim; não conhecerei o homem mau. (Salmo 101.3,4)
   Karl Marx seguiu o sinistro caminho de Lúcifer, tendo sido criado nas Sagrada Letras, primeiro como um judeu, depois como um protestante. Aos quinze anos ele escreveria:
   “Assim a história da humanidade nos ensina a necessidade de união com Cristo. Também quando consideramos a história dos indivíduos, e a natureza do homem, vemos imediatamente a centelha do divino em seu peito (…) A união dos crentes com Cristo pode vencer estes [desejos pecaminosos] e dar uma felicidade que um epicureu em sua filosofia simples e o pensador mais profundo nas profundezas de seu conhecimento procuram em vão, que somente alguém ligado incondicionalmente e infantilmente em Cristo pode saber e dirige-se a uma vida mais bela e elevada” (Karl Marx, Vida e Pensamento, Vozes)
   E então nos perguntamos: O que aconteceu com ele? Por que veio a tornar-se um ateu militante, um inimigo da fé cristã e desenvolver um sistema de pensamento que bania a Deus completamente? Em nome de suas teorias, sistemas políticos mataram, torturaram e perseguiram cristãos no mundo inteiro. Difícil conceber que todo este veneno tenha vertido de uma mente que um dia fora supostamente cristã. Porém, muito do conteúdo dos escritos de Marx e mesmo do subseqüente desenvolvimento de sua doutrina é um frasco contendo uma peçonha mortal para o cristianismo (Rm 3.13).
   Seria muito bom lermos alguns trechos de alguns poemas escritos por Marx já durante o tempo em que estudou na universidade de Berlim.
Com desdém jogarei minha luva
Bem na cara do mundo
E verei o colapso deste gigante pigmeu
Cuja queda não sufocará meu ardor
Então errarei divino e vitorioso
Pelas ruínas do mundo
E dando uma força ativa às minhas palavras
Me sentirei igual ao Criador (ver Isaías 14)
Eu sou tão cru como um deus e me encubro em trevas como ele
Ensino palavras que estão enredadas numa confusão diabólica e caótica
Há algo mais forte porém. Uma estranha confissão, tirada de um poema seu intitulado “O Violinista”, mas tarde declamado por ele e por seus seguidores, cujo tom sinistro realmente espanta:
Os vapores infernais elevam-se e enchem o meu cérebro
Até que eu enlouqueça e meu coração seja totalmente ligado
Vê está espada?
O príncipe das trevas
Vendeu-a pra mim.
   Entendemos rebeldia adolescente. A perda da fé na idade adulta não é incomum. A indiferença do adulto contrasta muitas vezes com a bela devoção infantil. Marx porém, como Nietzche, fez da maturidade uma guerra à fé adolescente. O sistema de pensamento por ele criado só poderia subsistir com a morte de Deus e de tudo o que o Cristianismo ensinava.
   Tendo sido cativo por treze anos em prisões comunistas, o pastor Romeno Richard Wumbrand escreveu sua famosa obra “Era Karl Marx um satanista?”. Ele lança a pergunta como tese, não como afirmação indubitável. Mas ele propõe muitas questões que procuram mostrar características estranhas de Marx, sua doutrina e os efeitos dela decorrentes, que vai muito além daquilo que seria esperado de uma filosofia.
   Não queremos fazer um ataque pessoal irresponsável, pois sabemos da importância histórica de Marx. Existem testemunhos favoráveis a seu respeito. Mas este testemunho pertenceu a alguém que o conheceu já na idade madura e nos dá um quadro um tanto sinistro de sua pessoa:
   “A impressão que ele me causou foi de alguém que possuía uma rara superioridade intelectual e ele era evidentemente um homem de uma personalidade excepcional. Se seu coração se igualasse ao seu intelecto, se ele possuísse tanto amor quanto possui ódio, eu atravessaria o fogo por ele (…) Mas é de se lamentar (…) que este homem com seu intelecto esplêndido não tivesse nobreza de alma. Estou convicto de que uma ambição pessoal perigosíssima consumiu todo o bem nele. Ele ri dos tolos que papagueiam seu catecismo proletários como ele ri dos comunistas e dos burgueses. As únicas pessoas que ele respeita são os aristocratas genuínos (…) A fim de evitar que eles governem, ele precisa de sua própria fonte de força que ele só pode encontrar no proletariado (…) Apesar de todas as suas garantias em contrário, a dominação pessoal era o objetivos de todos os seus esforços” (Testemunho pessoal de um tenente prussiano) (David McLellan op. Cit)

O Marxismo hoje

   A queda do muro de Berlim foi um símbolo histórico da queda do comunismo. A dicotomia mundial capitalismo-socialismo representada de modo tão vivo na divisão da cidade de Berlim chegava ao fim. O que viria depois era só conseqüência. A história mundial não caminhou na direção apontada por Marx, pois dizia que o socialismo e o comunismo faziam parte de um processo normal da evolução histórica da humanidade. Foi um duro golpe para uma ideologia que em setenta anos influenciara de forma ampla o pensamento de uma boa parte da comunidade das nações.
   A atual declaração de um presidente “Pátria, socialismo ou morte” demonstra contudo que o marxismo não é um defunto consumido pela terra. Sua força espalhou-se por todo o mundo, mesmo nos lugares onde ele era condenado e criou raízes profundas no pensamento e na vida prática das pessoas. Sofreu transformações como qualquer outra ideologia, mas até mesmo o cristianismo foi por ele influenciado como é patente na Teologia da Libertação e no CMI.
   O marxismo tem o vigor de um a religião e por isso ainda possui adeptos em várias camadas da sociedade, de humildes camponeses até intelectuais acadêmicos, de operários a estadistas. Assim como os que acreditam nas teorias da reencarnação e karma não precisam estar ligados à alguma religião, os que acreditam nas idéias marxistas não precisam estar em um partido político comunista ou afim.
 O marxismo é o que se pode chamar de uma cosmologia, um sistema que procurava explicar totalmente a existência à sua volta, dando-lhe um sentido racional. E esta cosmologia, em diversos pontos, entra em choque direto com as Escrituras Sagradas. Reclama sua autoridade de supostas “leis de História” e exige uma aceitação incondicional de seu credo.
  Por causa disto, não se pode dizer que o marxismo está morto. Suas idéias ainda são centrais para muitos partidos políticos, no mundo acadêmico e sem dúvida alguma Marx é citado em discussões e debate sobre diversos temas. Basta olhar na Web, em sites como vermelho.org / marxistas.org e domínio público.gov.br e ver que seus livros são recomendados e seu pensamento é claramente defendido. Quem acha que a devoção por Marx e suas teoria chegou ao fim basta ainda olhar o site recém lançado Marxismo Revolucionário Atual.(www.mra.org.br). Não será preciso dizer mais nada.

MARXISMO E ATEÍSMO
“Diz o néscio no seu coração: Não há Deus” (Salmo 14.1)
   Marx não era apenas um ateu. Era inimigo do cristianismo. Ele não deixou a religião de lado, colocou-se contra ela. Uma coisa é não acreditar que Deus exista. Outra coisa é lutar por tirar do coração das pessoas a confiança nesse Deus. Ele adquiriu todo seu arsenal anti Deus com o falso teólogo Bruno Bauer e o filósofo Feuerbach. Deles se escreveu em seus tempos de estudante
   “O ateísmo de Marx certamente era de uma espécie extremamente militante. Ruge escreveu a um amigo: “Bruno Bauer, Karl Marx, Christiansen e Feuerbach estão formando uma nova “Montagne”(grupo mais radical da Revolução Francesa) e fazendo do ateísmo o seu lema. Deus, religião, imortalidade são derrubados de seu trono e o homem proclamado Deus. E George Jung, um jovem próspero advogado de Colônia e partidário do movimento radical, escreveu a Ruge: “Se Marx, Bruno Bauer e Feuerbach juntos fundarem uma revista teológico-filosófica, Deus faria bem em cercar-se de todos os seus anjos e se entregar à autopiedade, pois estes certamente o tirarão de seu céu…” (Karl Marx, Vida e Pensamento, David McLellan, Vozes, p. 54).
   Não são as idéias políticas que nos preocupam, mas toda a ideologia acessória que a acompanhou. Todos os governos estabelecidos com base no marxismo, tivessem eles o nome de comunismo, socialismo ou outro qualquer, foram inimigos implacáveis da religião. Em sua dissertação de doutorado ele escreveria que a filosofia verdadeira tinha um ódio a todos os deuses que era “ seu próprio lema contra todos os deuses do céu e da terra que não reconhecem a autoconsciência do homem como a mais alta divindade. Não deverá haver nenhum outro deus além dela” (Karl Marx, Vida e Pensamento, David McLellan, Vozes, p. 49). Sua famosa frase de que a religião era o ópio do povo é suficiente para sintetizar sua posição sobre a mesma e de todos que de alguma forma o seguiram. As cruéis mortes e torturas sofridas pelos cristãos não passava de “guerra ao ópio”.
   “Posso entender”, escreveu um pastor que passou anos sendo torturado por sua fé, “Posso entender que os comunistas prendam padres e pastores como contra-revolucionários. Mas por que os padres foram forçados a dizer a missa sobre excrementos e urina, na prisão romena de Piteshti ? Por que cristãos foram torturados para tomarem a comunhão com esses mesmos elementos ? Por que a obscena zombaria da religião ?” (Era Karl Marx um satanista ?, p. 47). Sim, por quê?
   Por que após a Revolução Russa de 1917 baseada no marxismo mulheres cristãs recebiam 10 anos de prisão por causa de sua fé e prostitutas recebiam apenas 3 anos? Isto aconteceria se a doutrina marxista fosse apenas de ideologia política e econômica?
   É muito fácil derivar o ódio ao cristianismo e às religiões em geral dos escritos de Karl Marx e Friederich Engels. Não é à toa que a sua obra mais famosa, verdadeiro texto-marco da história do comunismo contenha esta assustadora afirmação “O que porém pretende o comunismo é suprimir estas verdades eternas e extirpar a religião e a moral ao invés de lhe dar forma nova” (Manifesto do Partido Comunista, Marx/Engels, Universidade Popular, Global Editora, 1986, 6ª edição, p.35). A aplicação prática desse pensamento os mártires dos países comunistas e suas famílias conhecem muito bem.

MARXISMO E A TEORIA DA EVOLUÇÃO
   “Após Ter lido A Origem das Espécies, de Charles Darwin, Marx escreveu uma carta ao seu amigo Lassalle na qual exulta porque Deus – ao menos nas ciências naturais – recebeu o golpe de misericórdia” (Marx e Engels, Diltz publ. Berlim 1972, vol 30 p. 578). A criação era um empecilho para o pensamento marxista, uma vez que o seu “materialismo dialético” não pode sobreviver diante de um Deus e uma dimensão espiritual no universo.
   Em sua própria formulação da história, Marx estabelece uma espécie de “evolução dos meios de produção”, seguindo uma ordem de Modo de produção da sociedade primitiva (coletivista) – Asiático – Escravista – Feudalismo – Capitalismo – Socialismo e Comunismo, sendo este último o grau mais avançado na escala de evolução.
   Frederick Engels, que juntamente com Marx formulou toda a ideologia escreveu um livro intitulado “Sobre o Papel do Trabalho na Transformação do macaco em homem”. Este livro é uma aplicação direta das teorias de Darwin às teorias sobre o trabalho desenvolvidas pelo Marxismo. No discurso da morte de Marx, Engels diria que “assim como Darwin descobriu a lei da evolução da natureza orgânica, Marx descobriu a lei da evolução da História humana”.
   Mesmo que Karl Marx tenha posteriormente criticado o darwinismo, este era um elemento essencial na sua doutrina. O homem não precisava mais de um Criador. Bastava milhões de anos para que compostos inorgânicos dessem origem ao ser humano. Os que mais tarde abraçariam o comunismo como o destino glorioso do mundo não hesitaria em assassinar milhares de pessoas que nada mais eram do que animais sofisticados. Sacrificar uma geração em favor das gerações futuras soava como algo altamente coerente.

MARXISMO E SEUS ATAQUES AOS FUNDAMENTOS DO CRISTIANISMO

"porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos". (Rm 1.21-22)
   Sabemos que o ataque do comunismo não é exclusivo ao cristianismo mas a qualquer forma de religião, da mesma forma que se diz do “homem da iniqüidade” que ele se levantaria “contra tudo o que se chama Deus ou se adora” (2 Ts 2.4). “O nazismo odiava o Deus de Abraão; o comunismo odiava todo tipo de deus, principalmente aquele Deus”, escreveu Alain Besançon. Por ter nascido no seio do cristianismo e por ter se propagado em países onde este era maioria, os cristãos do mundo inteiro foram vítimas dessa ideologia. É bom ressaltar que não houve na História do século XX um único país que tenha adotado o marxismo e não tenha de alguma forma perseguido a Igreja. Por quê?
   Deus, salvação, pecado, espírito eram conceitos negados por Marx e seus seguidores. Só existe a matéria e tudo o mais além disso eram invenções das classes dominantes para manter sua supremacia. Envenenado pelo ateísmo de seu tempo sua doutrina não se ateve apenas às questões políticas e econômicas. Para chegar a estas teve que formular uma concepção do mundo e da História que suplantasse o próprio Cristianismo e a história da salvação. Sua teoria filosófica era superior a tudo o que houve antes. O cristianismo não passava de uma ilusão criada pelas condições econômicas, um inimigo a ser vencido.
   E Marx não aceitava concorrência. Assim escreveu Robert Heilbroner em sua História do Pensamento Econômico. “Ele era o homem mais intolerante, mais briguento do mundo e desde o começo demonstrou-se incapaz de pensar que alguém que não seguisse sua linha de raciocínio poderia estar certo”. De uma certa forma os conceitos cristãos negados foram de alguma forma substituídos filosófica ou psicologicamente. Mas o sistema marxista nunca co-existiu pacificamente com o Cristianismo. Ou ele tentou destruí-lo ou transformá-lo, como ocorreu com a Teologia da Libertação, que nada mais foi do que um “Evangelho Segundo Marx”.
   O problema do homem não era o pecado e sim sua condição social. A redenção não viria pela cruz, mas pela mudança da sociedade, pela do modo de produção do capitalismo para o socialismo e depois pelo comunismo. O conceito de um Deus pessoal que chegou até nós através da revelação judaico-cristã foi substituído pelo termo vago “Natureza” e depois “História”. Havia sim um futuro escatológico glorioso mas que não era o resultado de uma intervenção divina de qualquer natureza e sim do próprio processo histórico sendo o estágio de comunismo inevitável.
   Para Marx, de qualquer forma, a religião cristã é uma das mais imorais que existe” (Karl Marx, Vida e Pensamento, David McLellan, Vozes, p. 54). Como pois conciliar cristianismo e marxismo? Como pois acreditar em um convivência pacífica entre ambos? Andarão dois juntos se não estiverem de acordo (Am 3.3)? Eis a gênese pessoal daquilo que viria a se transformar em ódio estatal !!
MARXISMO E SUA DEVOÇÃO À HISTÓRIA
   Ele muda os tempos e as estações; Ele remove os reis e estabelece os reis; é Ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos (Daniel 2.21)
   Todo homem tem um deus. Rejeitar o Deus da Bíblia levará o homem à busca de um substituto. Friederich Nietzsche, o filósofo da morte de Deus, substituiu-o pelo que ele chamou de “super-homem”. Alestier Crowley, revoltado com o puritanismo de sua infância voltou-se para os deuses pagãos. O marxismo fez da História o seu deus. Nela ele justificou muito dos seus crimes e fundamentou suas opiniões. “A História estava a seu favor” diziam os comunistas.
   Mesmo ateus confessos como o jornalista Janer Cristaldo foi explícito em demonstrar este aspecto “religioso da História” pertinente à doutrina marxista-comunista. Ele escreveu em seu artigo “Nós,os imorais”
   Não poucos articulistas trabalham com a falsa hipótese de que os comunistas são ateus. Nunca foram. Apenas trocaram o deus cristão por um outro. No caso, uma deusa, a História. Essa deusa teve uma encarnação humana, Stalin. Tanto que, em 1953, havia comunistas que não acreditavam em sua morte, afinal um deus não pode morrer. A fé absoluta na doutrina marxista era tal que um comunista sempre olhava com piedade para quem quer que dele discordasse: o coitado nada entendia do mundo. A Parusia proletária era dada como inelutável e a humanidade toda caminhava rumo ao comunismo.
   Ao dizer que Marx havia descoberto “as leis de evolução da história humana” Engels estava sancionando um dos elementos principais da ideologia por eles criada. Já que não havia um Deus para sancionar suas opiniões e não podendo alegar algum tipo de “revelação” transcendente, eles procuraram justificar sua autoridade apelando para a História. Esta segundo eles possuía leis fixas e inexoráveis. Por conhecerem estas leis eles podiam tranqüilamente proferir o que Karl Popper chamou de “profecias históricas”, isto é, a previsão do futuro baseado nestas supostas leis. Popper denunciou esta distorção em uma conferencia de filosofia realizada em 1948
   “A revolução naturalista (…) contra Deus substituiu o nome de Deus pelo termo Natureza (…) Hegel e Marx, por sua vez, substituíram a deusa Natura pela deusa História (…) As ofensas contra Deus foram substituídas pelos atos de ‘criminosos que resistem em vão à marcha da História’ ”.
   Ao invés do Deus pessoal que “muda os tempos e as estações”; e “remove os reis e estabelece os reis;” (Dn 2.21), Marx optou por conferir à História o domínio sobre todos os acontecimentos. Em sua adolescência ele já havia descrito a história como mestra das ciências. Ele agora se curvava perante ela e a tornava senhora de todos os destinos do mundo, seja lá o que se pessoa definir como História em seu pensamento.
 Como todo bom pensador do século XIX, o conhecimento científico era o crivo, era o fundamento de todo conhecimento. Desdenhando os socialismos anteriores como sendo utópicos, Engel classificou o seu como “científico”. Isto lhe dava um certificado de verdade, como fizera o espiritismo e outras formas de pensamento. Sua base eram as ciências sociais e históricas às quais ele queria conferir uma precisão igual às das ciências exatas.
  Embora a “Miséria do Historicismo” de Karl Popper seja todo ele um estudo de grande valor nesta questão, um trecho resume bem o pensamento que está por trás dessa ideologia
  A idéia de que deveria ser possível prever revoluções como se podem prever eclipses (…) é o fundamento do historicismo: o ponto de vista de que a evolução da humanidade segue um enredo e que se conseguirmos descobri-lo, teremos uma chave para nosso futuro.
  O impacto desta visão foi bastante forte. Funcionou para Marx quase como um oráculo. Quando morou na Inglaterra ele passou vários anos prevendo uma crise no capitalismo que nunca chegava. Marcou diversas datas, até que depois de diversos logros de fato aconteceu. Seus seguidores conclamavam que o capitalismo era um moribundo e que em breve a revolução proletária atingiria o mundo todo. Tentar evitar isso era querer parar a roda da História, tal a inevitabilidade do processo.
   Ao invés de reconhecer um Deus em cuja mão estão todas as coisas, Marx preferiu uma deusa que o frustrou completamente. Hoje, quase 200 anos depois, suas previsões soam como vã utopia. A classe operária está muito longe de ser o grupo místico imaginado por ele e as condições históricas estão longe de endossar suas previsões. Suas ácidas críticas talvez continuem em alta. Mas suas esperanças não passaram de mera ilusão.

Prelúdio para a segunda parte
   O comunismo não queria apenas extinguir o cristianismo. Queria substituí-lo, tomar para si o papel de redentor da humanidade. Não poucos pensadores perceberam essa proximidade entre marxismo e religião. Mais do que uma filosofia, ele é uma crença baseada na capacidade do homem em resolver todos os seus problemas e na História como uma lei inexorável que sanciona o comunismo como sistema mundial.
   Até aqui pudemos ver sua tentativa de extinguir a fé teísta e cristã dos corações. Ainda nos resta ver suas propostas ousadas, sua tentativa de colocar-se como a panacéia universal que há de trazer felicidade eterna. Quem pensa que sabe o que verdadeiramente o marxismo/comunismo deve continuar acompanhando a segunda parte dessa matéria.

PROLETARIADO – A IGREJA DE MARX

Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador. (Isaías 43.11)
   A luta de classes era para Marx o ponto central da História. Senhores e escravos, camponeses e nobres, burgueses e proletários. Para ele estes últimos eram mais do que uma simples classe social. Eles eram a representação concreta de um grupo especial que havia de ser o grande instrumento para redenção do mundo. Assim como no Antigo Testamento Israel era o povo eleito para levar os propósitos de Deus adiante e no Novo Testamento a Igreja era o “Corpo de Cristo” que recebera dele sua missão, os proletários eram o grande fenômeno histórico para efetivar as previsões do comunismo.
   Ao lermos sua descrição sobre o proletariado é fácil perceber que ele lhe conferiu um papel quase místico. Cercou-o de uma auréola de perfeição e atribuiu-lhe um papel redentor que lembra em muito o servo sofredor do livro de Isaías, cuja hermenêutica judaica sempre identificou com Israel:
“…na formação de uma classe com vínculos radicais, uma classe na sociedade civil, a formação de um grupo social que é a dissolução de todos os grupos sociais, a formação de uma esfera que tem caráter universal por causa de seus sofrimentos universais e não alega nenhum direito particular, porque é o objeto de nenhuma injustiça particular mas de uma injustiça geral. Esta classe não pode mais alegar um status histórico mas apenas humano. Ela não está em oposição unilateral às conseqüências do regime político alemão; está em oposição total aos seus pressupostos. É finalmente um esfera que não pode emancipar-se a si mesma sem se emancipar de todas as outras esferas da sociedade e assim emancipar estas mesmas outras esferas. Numa palavra, é a perda completa de humanidade e isso só pode ser recuperado por uma redenção completa da humanidade. Esta dissolução da sociedade, como uma classe particular, é o proletariado” Karl Marx, Vida e Pensamento, David MacLellan, Vozes, p. 110).
   O teólogo católico Jacques Doyon que em seu livro “Cristologia para o nosso tempo” percebeu esse atributo redentor atribuído por Marx à classe operária. Ele escreveu
   O agente desta liberdade, o “Messias” libertador, sempre conforme Marx, é o trabalhador mesmo, tornando-se consciente do seu estado de alienação e não contando senão consigo mesmo para se libertar. E isso não se conseguirá a não ser pela ação violenta, que rompe com uma ordem social desumana para a substituir por uma sociedade comunista, onde não existe diferença entre as classes sociais, mas onde todos serão uns para com os outros, irmãos e camaradas (…) em lugar do Messias divino, o redentor, conforme Marx é o proletariado.
Ainda Alain Besançon comenta sobre este fato:
Esta ideologia propõe um mediador e um redentor. O “proletariado”, o “explorado”, aquele que não tem nada, vai abrir ao mundo a porta da libertação. Ele é para as outras classes o que Israel é para as nações, o que o “remanescente de Israel” é para Israel. Ele é o servo do Senhor de Isaías que sofre e é o Cristo. Ele é o fruto da história naturalizada como o outro é da sagrada.
   Havendo rejeitado Deus, havendo rejeitado a Igreja e por fim, havendo rejeitado a Cristo, Marx precisava de um outro redentor. Para ele “os princípios sociais do cristianismo são encobertos e hipócritas enquanto o proletariado é revolucionário” (David Mclellan, op. Cit). Sua esperança estava neste grupo ou pelo menos assim ele dizia. Seu deus era uma classe social capaz de transformar o mundo. Para ele valem as palavras de Jeremias “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” (Jr 17.5).
O MARXISMO E A REDENÇÃO DO UNIVERSO
   Os filósofos têm interpretado o mundo de várias maneiras. O que importa é mudá-lo
Karl Marx
Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão. (Is 65.17)
   A frase de Karl Marx em epígrafe é sem dúvida muito bonita. Na verdade possui um conteúdo ideológico tão grandioso que incendiou o mundo. Toda uma geração sacrificou seus melhores anos por este “evangelho”. Os jovens queriam ser os transformadores do seu tempo, pois agora conheciam a receita. Basta lembrar o Exército Vermelho de Mao Tse Tung na revolução cultural de 1959 . Jovens seguiam matando intelectuais e burgueses crendo que através disto estariam destruindo a velha ordem e implantando a nova. No Camboja, onde não havia armas de fogo suficiente, a carnificina era feita com facas, machados e porretes.
   Não entendiam isto como um crime, mas como o caminho mais curto e necessário para “mudar o mundo”, que não aceitava as proposições de sua doutrina. Não estamos falando de especulações e sim de História real e bem documentada.
   A beleza de uma frase nem sempre é proporcional à sua verdade. A retórica pode empolgar, mas isto não significa que sempre conduzirá pelo caminho mais correto. Não há nada errado em querer melhorar as condições de vidas das pessoas e lutar por uma situação mais digna. O comunismo, porém falava em redenção em sentido mais amplo, cosmológico em seu alcance.
   A pergunta é: Pode o comunismo/marxismo ou qualquer outra doutrina transformar o mundo? Em que sentido? Até que ponto? As pretensões de Marx iam muito além de meras pretensões políticas, econômicas ou sociais mas avançavam a um grau que poderíamos descrever como religioso, redentor, salvador.
   O comunismo é a abolição positiva da propriedade privada e por conseguinte da auto-alienação humana e, portanto, a reapropriação real da essência humana pelo e para o homem… É a solução genuína do antagonismo entre homem e natureza e entre homem e homem. Ele é a solução verdadeira da luta entre existência e essência, entre objetivação e auto-afirmação, entre liberdade e necessidade, entre indivíduo e espécie. É a solução do enigma da história e sabe que há de ser esta solução” (Karl Marx, Vida e Pensamento, David MacLellan, Vozes, p. 133).
   Em seu famoso Manifesto Comunista, editado juntamente com Friederich Engels ele afirmou utopicamente, sobre a implantação do Comunismo no mundo:
“Na proporção em que a exploração de um indivíduo por outro termina, a exploração de uma nação por outra também terminará. Na proporção em que o antagonismo entre classes dentro da nação desaparece, a hostilidade de uma nação por outra terminará”
   Quem não percebe nessa afirmação uma tentativa de concretizar a promessa bíblica de paz universal profetizada em Isaías 2.4? “E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra”. O marxismo é a religião do homem, não apenas se auto redimindo como nos sistemas religiosos em geral mas redimindo tudo: o homem, as relações entre os homens, a relação entre o homem e a natureza.
   Sim, o universo precisa de uma transformação, de uma redenção. Sabemos que o pecado a tudo contaminou, a tudo corrompeu e degenerou. Mas o caminho verdadeiro da redenção não vem através de alguma filosofia, ideologia ou ação humana, mas através da ação divina que passa pela cruz e irrompe na ressurreição. Em Romanos 8.19 –23
   Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoração, a saber, a redenção do nosso corpo.
   O Novo Testamento prega uma redenção aguardada, iniciada na cruz e concretizada no Cristo ressuscitado e que se efetivará universalmente no futuro. Tudo isso através do poder de Deus e não como fruto de qualquer ação humana. Karl Marx queria rivalizar com a revelação bíblica através de sua cosmologia. Como um deus ele desejava transformar o mundo sim, mas à imagem e semelhança daquilo que foi idealizado por ele, à parte do Deus redentor.
   Quem acredita que os acontecimentos do final da década de 80 puseram um fim em todas as pretensões comunistas se engana, pois sua força vai muita além do que propostas políticas. O Curso Inicial de Comunismo Científico, foi editado em 1985, em Cuba, pelo Partido Comunista Cubano, através da “Editorial de Ciências Sociales La Habana”. Um calhamaço de 369 páginas, cópia de um velho manual do Partido Comunista da União Soviética.
   Como vemos foi utilizado não quando o comunismo/marxismo se encontrava no auge mas quanto em todo o mundo a estrutura criada ao seu redor já apresentava graves sinais de deterioração. Percebemos pelo texto abaixo não a força de uma filosofia mas algo tão intenso quanto uma religião, inspirando em seus seguidores uma fé de fazer inveja às grandes religiões mundiais e mesmo à muitas religiões de cunho missionário:
“A classe operária soviética em aliança com o campesinato e sob a direção do Partido Comunista, construiu o socialismo desenvolvido e realiza atualmente a construção do comunismo (…) Os ganhos do socialismo são grandes e reconhecidos em todo o mundo. O comunismo abre perspectivas ainda maiores, pois é a fase superior da nova sociedade. O comunismo garantirá aos povos da Terra a paz eterna, e os homens serão libertados para sempre da intranqüilidade por seu futuro e o de seus filhos. O comunismo confirmará o Reino do Trabalho na Terra, fará o trabalho livre e criador para todos e o converterá na primeira necessidade vital do homem e em fonte de sua alegria e inspiração. O comunismo criará o verdadeiro Reino da Liberdade do homem como trabalhador, como ser social, como criador e pensador, possuidor das poderosas forças sociais e da natureza. O comunismo garantirá a Igualdade e Fraternidade entre todos os homens, já que todos serão trabalhadores que se desempenharão plenamente de acordo com suas capacidades, e na mesma medida serão satisfeitas suas necessidades. O homem será outro, companheiro e irmão no mais elevado sentido da palavra. O comunismo levará a todos os homens a verdadeira Felicidade, a confiança no belo futuro e a trabalhar criativamente para que seja de grande utilidade à humanidade e a si mesmo, e dará a possibilidade de aperfeiçoar infinitamente suas qualidades físicas e intelectuais. O comunismo é o futuro luminoso de toda a humanidade”.
   É difícil ler estas palavras sem reconhecer nelas um sentido religioso, redentor e mesmo profético. Marx não as escreveu é verdade. Nem mesmo matou uma única pessoa por causa daquilo que acreditava ser verdade. Este texto todavia não está muito longe de outros textos de sua autoria já demonstrados. É fácil traçar paralelos entre as proposições de Marx e aquelas originadas à parir de seus escritos. Se “pelos seus frutos os conhecereis” como disse Jesus então conhecemos muito bem o autor de O Capital.
“A salvação marxista-leninista é otimista. Ela é comparável à salvação anunciada pela profecia bíblica. Seu objetivo é superar a natureza como ela é, o homem como ele é; chegar a um tempo messiânico de paz e justiça, em que o lobo conviva com o cordeiro, em que as disciplinas e frustrações do casamento, da família, da propriedade, do direito, da penúria sejam abolidas. Finalmente é a própria morte que é vencida: houve devaneios sobre esse tema no começo da revolução bolchevique, alimentados por certo Fedorov, um quimérico da ressurreição científica dos corpos e da imortalidade. O “ homem novo”, produto do socialismo, é um tipo de corpo gloriosos tal como a profecia bíblica entrevê. E a sua salvação está nas mãos do homem. Ela é obtida por meios políticos”. (A infelicidade do século, Alain Besançon, Bertrand Brasil, 2000, RJ)
   Produzir o homem novo tem sido uma das propostas do socialismo. Che Guevara, o ícone do comunismo mundial muitas vezes se utilizou desta expressão como o ideal a ser alcançado. Fazer o resgate do homem que se encontra “perdido” em sua condição social e torna-lo outro. Auto-redenção, mas não só ao nível pessoal e sim global através da mudança da estrutura que rodeia o homem. É uma forma de auto-salvação também “Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele. (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre), (Sl 49.7,8)
   O pensamento marxista (…) propõe o caminho para atingir uma verdadeira existência humana e nesse sentido projeta a formação de um homem novo, um indivíduo superior, plenamente antecipado e desenvolvido multifacetalmente em todos os seus aspectos, isto é, aperfeiçoado espiritual, moral, físico e esteticamente. (El marxismo y la formación del hombre nuevo, Dra. Yolanda Corujo Vallejo, Profesora Titular. Universidad de Oriente. Santiago de Cuba)
   Onde quer o marxismo se manifeste este intenção de criar o novo homem está presente. O que seria este “novo homem” é difícil de dizer, pois é uma noção muito imprecisa dentro do conceito comunista.
  FAR-SE-Á intensa difusão da teoria socialista firmada no materialismo dialético, a fim de enraizar a cultura avançada entre as massas e consolidar o sistema do socialismo científico. A luta constante contra a ideologia burguesa, individualista e mesquinha, é fundamental para forjar culturalmente o novo homem e tornar definitivamente vitoriosos os ideais do proletariado revolucionário. (Programa de um partido comunista)
(http://www.vermelho.org.br/pcdob/programa/default.asp)
   Contudo, sabemos muito bem que ela foi tomada do próprio Novo Testamento, uma expressão cristã a qual o comunismo sempre procurou roubar. Isto porque o novo homem, seja no sentido individual, seja no sentido coletivo já foi criado, quando Cristo morreu na cruz e formou uma nova humanidade a partir da união de judeus e gentios que crêem em Nele.
   Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.(Ef 2.14-16)
Ou ainda podemos citar 2 Coríntios 5.17
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.

O MILENARISMO
   O que é milenarismo? Não falamos aqui simplesmente da crença de um reinado literal de Cristo sobre a terra por mil anos, conforme descrito em Apocalipse 20.1-6. Esta fundamenta-se em uma ação divina trazendo o Reino de Deus para os homens. Falamos do milenarismo como um sistema humano perfeito, implantado na terra pelo desejo e ação humanos. Hitler dizia que o Terceiro Reich iria durar mil anos. O comunismo, como vimos, mantinha esta mesma esperança. O problema é quando o homem se acha capaz de fazer o que só Deus pode fazer.
   O milenarismo está para a Vinda do Reino de Deus, assim como a auto-salvação está para a graça. No primeiro caso o homem é seu próprio salvador enquanto no segundo caso é Deus o agente. No caso do marxismo Deus foi completamente expulso de qualquer participação do mundo vindouro. No seu lugar o agente de transformação é o proletariado, é a História, é o próprio homem. Ao invés da salvação de Deus, uma salvação humana é pregada e ações são tomadas contra aqueles que se opõe.
  A idéia do futuro, Marx a toma do passado. Ele ensinava que o relacionamento dos homens entre si e dos homens com a natureza fora perfeito algum dia. Era o que ele chamava de “comuna primitiva”. Este era o seu Éden, seu paraíso perdido que fora perdido pela maior pecado que existe, segundo o marxismo – a propriedade privada. “Por que a infância da sociedade humana, onde ela atingiu o seu mais belo desenvolvimento, não exerceria um atrativo eterno como uma idade que nunca voltará?” (David MacLellan, op. Cit. ) Era este estágio inicial a base para o glorioso futuro do mundo sob o comunismo. Como disse Besançon No momento inicial era a comuna primitiva; no momento final será o comunismo, e hoje é o momento de luta entre os dois princípios. (Op. Cit.). Uma imitação humana das bases da Teologia Bíblica.
   Alguém resumiu a salvação messiânica-marxista em quatro pontos, que fornecem uma boa compreensão do que seja o milenarismo comunista: (I) a humanidade pecadora não será salva por Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por ela mesma; (II) o método para alcançar a redenção consiste em matar ou pelo menos subjugar todos os maus, isto é, os ricos; (III) os pobres são inocentes e puros, mas não entendem seu lugar no projeto da salvação e por isso têm de colocar-se sob as ordens de uma elite dirigente, os “santos”; (IV) o morticínio redentor gerará não somente a melhor distribuição das riquezas, mas a eliminação do mal e do pecado, o advento de uma nova humanidade
   Todavia, a salvação, seja a nível pessoal, coletivo ou cósmico, é e será um ato do Deus Criador. É esta redenção que aguardamos.
"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.(At 3,19-21)
   Não podemos de modo algum acreditar que algum tipo de “Reino de Deus” possa ser levado a efeito pelo homem, por mais belas que possam parecer estas aspirações. Desejamos sim a redenção. Nossa e do universo. Mas esta só será possível pela graça e poder de Deus.
   O conceito de progresso, entendido no sentido de uma transformação em profundidade do ser humano, sob a ação da história ou de uma vontade político-histórica, não pode ser aceito, pois ele faz depender da ação política uma transformação que , segundo a Bíblia, só se deve a graça divina. Quando o que só é possível pela graça divina se torna o objetivo da ação humana, esta visa realizar o impossível. (Alain Besançon, Op. Cit)

MARXISMO E DEVOÇÃO RELIGIOSA
  O meu Santo dos Santos foi feito em pedaços e novos deuses tiveram que ser instalados
Karl Marx, 10 de Novembro de 1837
   Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas (Jr 2.13)
   Entre outros autores, Vilfredo Pareto há muito tempo, em uma de suas mais desconhecidas e importantes obras, Les Systemes Socialistes (Giard, 1926, principalmente vol II, p. 332 em diante), revelou de maneira enérgica o caráter religiosos do marxismo. Pareto, depois de mostrar as contradições e as inanidades de O Capital, argumenta que o Marxismo prospera não como filosofia da história, nem como sociologia, nem como teoria econômica, e sim como forma de religião. (MARXISMO E RELIGIÃO – HEREALDO BARBUY – DOMINUS EDITORA 1963 )
Talvez isto espante a muitos. Imaginar que um sistema político de caráter ateísta possa ter algo haver com religião parece demasiadamente absurdo, um paradoxo. Mas não é assim. Diversos foram os aqueles que perceberam essa afinidade, essa característica religiosa do marxismo. Pensadores e teólogos como Arnold Toynbee, Jacques Maritain e Rodolfo Bultmann entre outros descreveram o marxismo como um messianismo e uma heresia cristã.
  Albert Camus, que muito pouco tinha de cristão, foi um desses pensadores. Ele escreveria em O Homem Revoltado:
   O ateísmo marxista é absoluto. No entanto, ele restabelece o ser supremo ao nível do homem. A crítica da religião chega a esta doutrina na qual o homem é para o homem o ser supremo. Sob este ângulo, o socialismo é um empreendimento de divinização do homem e adquiriu certas características das religiões tradicionais”.
  Ainda um outro autor, escrevendo sobre economia faria um paralelo entre Marx e Engels com os líderes religiosso.
   Caso tivéssemos que julgar sob a luz da devoção de conceitos religiosos, diríamos que Marx poderia ser considerado um líder religioso do mesmo nível de Cristo ou Maomé, e Engels como uma espécie de São Paulo ou São João. No Instituto Marx-Engels, em Moscou, eruditos debruçam-se sobre seus trabalhos com a mesma idolatria que ridicularizam nos museus anti-religiosos que há por lá; mas enquanto Marx e Engels eram canonizados na Rússia, eram crucificados na maior parte do mundo
E ele continua ainda de forma mais contundente
   Dirigindo-se ao operário abstrato, internacional, independentemente de sua língua, raça, religião, família, e de si mesmo, Marx aboliu a realidade da Nação mas por outro lado substancializou a idéia de Humanidade.O marxismo tornou-se desde então como todas as heresias e contrafacções do Cristianismo, um credo religioso de salvação internacional. Não se trata de um sistema científico mas duma religião que quer salvar o homem como gênero abstrato.
   É secundária portanto a verdade ou mentira científica do marxismo, como filosofia, como sociologia, economia ou método. (…) Se o marxismo vivesse como doutrina científica, como viveu por exemplo a teoria da geração espontânea, não poderia sobreviver a contestação os fatos e das novas perspectivas das ciências. Mas vive como esperança e como fé.
   Na medida em que a civilização ocidental se propaga, nivelando e sepultando por toda parte as culturas autoctones e levando consigo os dados do cristianismo, na mesma forma o marxismo também se propaga como a versão herética e revoltada dos ideais cristãos
.(Robert Heilbroner, História do Pensamento Econômico, Nova Cultural)
   Encarar o marxismo como uma forma de religião não foi algo realizado somente por não-comunistas. Alguns teóricos marxistas também perceberam esse elemento religioso presente na ideologia comunista. Assim escreve José Carlos Mariátegui:
   A burguesia entretém-se numa crítica racionalista do método, da teoria, da técnica dos revolucionários. Que incompreensão! A força dos revolucionários não reside na sua ciência e sim na sua fé, na sua paixão, na sua vontade. É uma força religiosa, mística, espiritual.
   Gonzáles Prada se iludia (…) ao nos pregar anti-religiosidade. Hoje conhecemos muito mais do que na sua época sobre religião. (…) Sabemos que uma revolução é sempre religiosa. A palavra religião tem um novo valor, um novo sentido. Serve para designar alguma coisa além de um rito ou uma igreja. Não importa que os soviéticos escrevam nos seus panfletos propagandísticos que “a religião é o ópio dos povos”. O comunismo é essencialmente religioso. (José Carlos Mariátegui, Sete ensaios sobre a realidade peruana (1928), Lima, Amauta, 1976)

O terrível perigo das idéias erradas
   Reiteramos que nosso alvo não é fazer qualquer crítica política. Se em algum momento nos utilizamos de alguma citação que esteja relacionada a isto, foi apenas incidental. Estamos plenamente cientes de que os crimes cometidos contra cristãos e pessoas inocentes não podem generalizadamente ser atribuído a qualquer um que simpatize com as idéias de Marx.
Apenas queremos mostrar que os conceitos marxistas apresentam inúmeros pontos de divergência com o cristianismo. Essas divergências são muito patentes, pois onde quer que o marxismo tenha sido semeado, ele buscou destruir o cristianismo em sua prática ou em sua essência. Qualquer tentativa de unir as ideologias será um logro. As divergências são muitas e são essenciais. Deixemos que o próprio Marx fale.
   Por causa desta divergência devemos levar as obras teóricas o mais possível a sério. Estamos firmemente convencidos de que não é o esforço prático, mas antes a explicação teórica das idéias comunistas que é o perigo real. Tentativas práticas perigosas, mesmo aquelas em larga escala, podem ser respondidas com canhão. Mas as idéias conseguidas por nossa inteligência, incorporadas ao nosso modo de ver, e forjadas em nossa consciência, são correntes que nós mesmos não podemos romper sem partir nossos corações; elas são demônios que não podemos vencer sem nos submetermos a eles. (David MacLellan, op. Cit.)
   Se um pouco de fermento leveda toda a massa (1 Co 5.6), imagine muito fermento o que não fará? Deus nos conceda sabedoria e graça para discernimos as sutilezas enganadoras, as propostas ilusórias. Sabemos que muitos tomaram o caminho do marxismo idealizando ajudar e servir ao próximo. Porém, de nada vale o ímpeto quando se corre pela estrada errada. Não basta o zelo. É preciso também o entendimento.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

CRISTIANISMO X MARXISMO



É muito triste e até revoltante ver jovens sendo massacrados, ludibriados e influenciados, (sem ao menos ter uma mínima ideia do que se passa), por uma IDEOLOGIA ATEÍSTA FILOSÓFICA, nas escolas públicas, que por sua vez, deixa muito a desejar. Por isso, venho por meio deste texto refutar com veemência, esse marxismo ideológico propagado por seus adeptos!

Você que está iniciando a leitura desse extenso texto e já  pensa em desistir a leitura por preguiça mental, saiba que se não você, seu filho(a) é alvo certo dessa ideologia predominante das escolas públicas e até faculdades. Não reclame e não culpe Deus, por seus filhos(as) irem para o colégio e sequencialmente para a faculdade, e se tornarem ateus convictos. Como diz um certo provérbio popular: "Não adianta chorar o leite derramado!"

 O artigo que escrevo abaixo é um breve resumo sobre o marxismo e sua relação com a realidade e com a Igreja. Evidentemente não passa nem perto de ser exaustivo. É apenas uma contribuição a um debate que tem sido levado a cabo por irmãos e pensadores muito mais capacitados.

Insistentemente tem sido estudado, debatido e combatido por nós, cristãos bíblicos (ortodoxos) e conservadores, o que comumente se denomina marxismo cultural. Afirmo, a título de explicação, que todo o marxismo deveria, a princípio, ser tratado como cultural, na medida que está inserido como ideia ou ideologia em qualquer cultura determinada historicamente. Entretanto, o termo foi cunhado para definir uma nova visão criada pelos próprios marxistas para responder teórica e praticamente a uma série de desafios ao seu pensamento, ainda no início do século XX.

Na perspectiva de Karl Marx e de seus seguidores, o socialismo era uma verdade inexorável, que seria infalivelmente vitoriosa ainda nos estertores do século XIX e no alvorecer do XX. As contradições inerentes ao capitalismo, catapultadas pelo que eles julgavam ser o motor dialético da História, a luta de classes, levariam a ruína do capital e a vitória final do comunismo. A perspectiva clássica marxista era que o conflito mortal entre a burguesia detentora da propriedade privada sobre os meios de produção e o proletariado produtor da riqueza, mas alienado dela e do resultado final de seu trabalho, geraria uma nova sociedade governada pelos interesses do proletariado, o socialismo. Note que o socialismo, para os marxistas, ainda não seria o fim da História; o fim só seria alcançada na “plenitude” comunista, a perfeita e escatológica sociedade.

Marx não via sua doutrina como ideologia. Para ele, ideologia tinha um sentido bastante negativo, na medida em que era uma ferramenta para falsear a realidade a serviço da classe dominante. Ele a via como uma cosmovisão. Seus seguidores ainda a veem assim, sendo capazes de explicar a totalidade do cosmos. Assim escapam de si mesmos, retirando de suas doutrinas a pecha de falseadoras da realidade e, ao mesmo tempo, são alçadas ao status de explicadoras da realidade. Insisto, o MARXISMO É SÓ UMA IDEOLOGIA e, como tal, possui um fundamento religioso por ser idólatra, gnóstico e oferece um simulacro de redenção e de escatologia. Idólatra porque retira Deus do seu lugar primeiro. Gnóstico porque enxerga parte da criação como intrinsecamente má. Falsamente redentor porque credita ao homem a auto redenção e deposita no comunismo a esperança do fim da História.

No seu modo mais clássico, o marxismo alimenta a ideia que todo modo de produção é formado por uma imbricada teia de infra e superestrutura. Resumidamente, a infraestrutura seria a base econômica, e a superestrutura as relações sociais, políticas, jurídicas e culturais. Em última análise, a infraestrutura determinaria a superestrutura. Entretanto, essa visão materialista da História foi colocada em xeque ainda no começo do século XX. Na Europa, o socialismo Fabiano, os reformistas da social democracia, a própria Igreja Romana e as protestantes propunham um caminho diferente, marcadamente reformista e pacífico. Ao fim da primeira guerra, os marxistas que esperavam uma explosão revolucionária tiveram que contentar-se com a experiência russa de 1917, experiência que derrubou de vez o princípio marxista clássico de que o socialismo se daria em um capitalismo plenamente desenvolvido e prenhe de contradições. A revolução russa ocorreu em um país agrário e atrasado. O que surgiu dessa experiência foi uma aberração totalitária, burocrática e assassina que recebeu o nome de marxismo-leninismo.

É assim, contextualizado, que devemos entender o surgimento do chamado marxismo cultural ou neo marxismo. O marxismo cultural nasceu da combinação dos pensamentos do marxista italiano Antonio Gramsci e da Escola de Frankfurt, um grupo de intelectuais marxistas que se reuniram nessa instituição para repensar o marxismo e sua aplicação. Gramsci, após viver na URSS e de sua experiência sob o fascismo de Mussolini, entendeu que era necessário uma releitura do marxismo, já que o modelo clássico de Marx e a aplicação da doutrina na Rússia agrária foram um retumbante fracasso. Ele percebeu que proletariado tinha outras lealdades que não só de classe (família, religião, esporte, etc.) havia sido "corrompido" pelas "benesses" capitalistas e já não se encontrava tão disposto a aventuras revolucionárias. Propôs, então, uma reavaliação que se traduziria na inversão da equação infraestrutura determinando a superestrutura. O ponto central a ser atacado não seria mais, segundo ele, as condições materiais ou objetivas, mas as condições subjetivas, isto é, a cultura no seu sentido mais amplo. Gramsci defendeu a formação do que ele chamou bloco histórico, formado pelo proletariado, minorias oprimidas e intelectuais orgânicos dirigidos pelo partido comunista. Tal bloco histórico deveria alcançar uma hegemonia cultural, disputando com a burguesia os corações e mentes das "massas oprimidas". A disputa pela hegemonia cultural seria a nova estratégia revolucionária.

A Escola de Frankfurt absorveu e aperfeiçoou a nova estratégia. Intelectuais marxistas como Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Erich Fromm, fundadores da instituição, levaram adiante a ideia não só da subversão, mas da destruição da cultura, através da desconstrução das tradições familiares, religiosas, políticas e jurídicas. Um dos principais objetivos era e continua sendo destruir a crença em Deus. Deus é o entrave que os impede de desorganizar, subverter e destruir a cultura e as tradições. A estrutura familiar tradicional, conforme criada por Deus, também deveria e deve ser, segundo eles, destruída. O despejamento de denúncias e ataques contra a heterossexualidade e contra o papel do homem conforme a criação também é parte da destruição da ordem vigente. O feminismo igualitarista, a teoria dos gêneros, o movimento negro radical, o “ambientalismo” violento, a militância LGBT fazem parte do pacote marxista travestido de movimentos justos e aceitáveis. Todos eles têm em comum o fato de sustentarem-se em "minorias oprimidas" falsamente vítimas da "opressão" capitalista. A agenda de tais movimentos é anticapitalista e claramente comunista.

Fica bastante claro que as manifestações do marxismo cultural em nossa época e realidade são indiscutíveis. O Brasil é governado por marxistas que têm a perspectiva estratégica do marxismo cultural. O PT a aplica com extrema eficiência; seus aliados são movidos pelo mesmo objetivo. No entanto, o maior perigo para os crentes está na absorção desses ideais revolucionários e antibíblicos pela Igreja. Desde o século XIX, a Igreja tem sido permeável ao marxismo. Dói na carne constatar que um dos principais veículos de propagação do marxismo nas Igrejas são pastores e teólogos de confissão tradicional. Por exemplo, o Evangelho Social do pastor americano/alemão Walter Rauschenbusch, no século XIX, que ao priorizar, mesmo que bem intencionado o papel social da Igreja (sob a pressão das péssimas condições de vida durante a segunda revolução industrial) se equivocou ao desfocar o objetivo da mesma, que é, sobretudo, adorar a Deus.

Mas é na fé Romana que o marxismo encontrou sua morada mais alvissareira. Desde a publicação da encíclica Rerum Novarum pelo papa Leão XIII, em 1891, os católicos já expressavam sua preocupação com as questões sociais e, ao mesmo tempo, com a necessidade de responder ao marxismo. Nos anos sessenta, certamente fruto das inquietações da época, o Concílio Vaticano II aprofundou as doutrinas sociais católicas, agora mais influenciadas pelo liberalismo teológico e pelo próprio marxismo. As bases que permitiriam o surgimento da Teologia da Libertação estavam dadas. Na América Latina, liderados por teólogos católicos como Leonardo Boff, Jon Sobrino e Juan Luis Segundo, a Teologia da Libertação aprofundava seu diálogo com o marxismo sob a égide de que o evangelho exige a "opção preferencial pelos pobres", estigmatizando Jesus como um líder revolucionário e reduzindo-o a um ativista político. A Teologia da Libertação foi responsável no Brasil pelo aprofundamento do antibíblico e improvável diálogo entre cristianismo e o marxismo. A partir dela foram lançadas as bases para o surgimento do PT e da CUT, já que parte da liderança esquerdista brasileira nasceu nos movimentos sociais católicos.

"A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação"! Essa afirmação não é minha, mas de um dos principais teólogos da TMI (Teologia da Missão Integral). A TMI é uma pretensa renovação missionária protestante na América Latina, baseada na perspectiva do diálogo entre o marxismo e a Igreja de Cristo, na necessidade de ampliar a tarefa missionária com ações sociais e preocupação com as condições de vida do evangelizado; porém, não a partir das Escrituras, como deveria ser, mas de pressupostos marxistas como classes sociais, luta de classes, estatismo e consciência crítica. Os fundamentos da TMI e da TL são os mesmos: transformar o evangelizado em um potencial soldado das transformações sociais. O missionário cristão não deve, segundo eles, pregar a Palavra Redentora somente, mas influenciar as organizações sociais e a consciência, tornando-a crítica e anticapitalista, sob um verniz de caridade e atenção aos pobres. Não que Deus não nos tenha ordenado cuidado com os mais pobres, mas o fez sob a lógica única e inerrante de sua Palavra.

Concluo afirmando que não há possibilidade de um diálogo entre o MARXISMO e o CRISTIANISMO. São fundamentados por pressupostos ANTAGÔNICOS e IRRECONCILIÁVEIS. O cristianismo bíblico sustenta-se em uma premissa fundante, irrevogável, eterna e perfeita, no próprio Deus. O marxismo é uma IDEOLOGIA constitutiva de uma cosmovisão ANTROPOCÊNTRICA, essencialmente falha e idólatra. Os cristãos, por sua vez, devem se preocupar e se envolver com a política, mesmo porque cremos que tudo pertence à soberania de Deus e tudo o que Ele fez é bom. A ideia falaciosa e herética que há partes na criação que são estruturalmente más deve ser evitada. Calvino, em suas "Institutas", via com apreço a autoridade e o governo civil como servos de Deus que deviam ser respeitados e considerados. Para o cristão reformado não há separação entre o sagrado e o profano; por isso, debater e intervir politicamente na sociedade é saudável. Evidentemente que nossa intervenção deve ser balizada pela Palavra de Deus. Se estivermos fundamentados na Palavra de Deus, nossas predileções partidárias, nossas escolhas políticas e nosso voto excluem qualquer possibilidade de aproximação com partidos de esquerda ou com posições de extrema direita inclinadas ao fascismo e a violência. No fim, todas as coisas devem ser feitas para glória de Deus, inclusive a política. Mesmo que nenhum sistema econômico ou regime político sejam perfeitos em razão da queda, podemos nos voltar para políticos e propostas que se aproximem da vontade soberana de Deus exposta irrevogavelmente nas Escrituras Sagradas.

SOLI DEO GLORIA!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

As Doutrinas da Graça de Deus



Estudaremos resumidamente a "TULIP" – acróstico formado pelas iniciais em inglês das cinco doutrinas reformadas da salvação, conhecidas também como as “Doutrinas da Graça de Deus”, a saber:

Total Depravity (Depravação Total), Unconditional Election (Eleição Incondicional), Limited Atonement (Expiação Limitada), Irresistible Grace (Graça Irresistível) e Perseverance of the Saints (Perseverança dos Santos).

As doutrinas da graça dependem umas das outras, e juntas elas apontam para uma verdade central: a salvação ocorre inteiramente pela graça, porque ela pertence inteiramente a Deus. E por ser inteiramente dele, ela é inteiramente para a sua glória. Para que possamos apreciar a glória de Deus nas doutrinas da graça em toda sua plenitude, é útil reconhecer o papel desempenhado por cada pessoa da Trindade nos cinco Pontos do Calvinismo.

A eleição é a escolha de Deus Pai. A expiação é o sacrifício de Deus Filho. A graça que nos leva a Cristo e nos capacita a perseverar até o fim é a obra de Deus Espírito Santo. Assim, a salvação é uma obra divina do início ao fim – o trabalho coordenado do Deus triúno –, como é necessário para que sejamos salvos. Leve o seguinte em consideração: se estamos realmente mortos em nossos pecados (depravação radical), só Deus poderia nos escolher em Cristo (eleição incondicional), somente Cristo poderia expiar os nossos pecados (redenção particular), e somente o Espírito poderia nos levar a Cristo (graça eficaz) e nos preservar nele (graça perseverante).

Portanto, todo louvor e glória pertencem somente a Deus: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Romanos 11.36).

A ORIGEM DOS “CINCO PONTOS”

Os Cinco Pontos do Calvinismo tiveram sua origem a partir de um protesto que os seguidores de Jacob Arminius (um professor de seminário holandês) apresentaram ao “Estado da Holanda” em 1610, um ano após a morte de seu líder. O protesto consistia de “cinco artigos de fé”, baseados nos ensinos de Armínio, e ficou conhecido na história como a “Remonstrance”, ou seja, “O Protesto”. O partido arminiano insistia que os símbolos oficiais de doutrina das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg) fossem mudados para se conformar com os pontos de vista doutrinários contidos no Protesto. As doutrinas às quais os arminianos fizeram objeção eram as relacionadas com a soberania divina, a inabilidade humana, a eleição incondicional ou predestinação, a redenção particular (ou expiação limitada), a graça irresistível (chamada eficaz) e a perseverança dos santos. Essas são doutrinas ensinadas nesses símbolos da Igreja Holandesa, e os arminianos queriam que elas fossem revistas.

OS “CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO”

Os cinco artigos de fé contidos na “Remonstrance” podem ser resumidos no seguinte: 1. Deus elege ou reprova na base da fé prevista ou da incredulidade. 2. Cristo morreu por todos os homens, em geral, e em favor de cada um, em particular, embora somente os que creem sejam salvos. 3. Devido à depravação do homem, a graça divina é necessária para a fé ou qualquer boa obra. 4. Essa graça pode ser resistida. 5. Se todos os que são verdadeiramente regenerados vão seguramente perseverar na fé é um ponto que necessita de maior investigação. Esse último ponto foi depois alterado para ensinar definitivamente a possibilidade de os realmente regenerados perderem sua fé, e, por conseguinte, a sua salvação. Todavia, nem todos os arminianos estão de acordo, nesse ponto. Há muitos que acreditam que os verdadeiramente regenerados não podem perder a salvação e estão eternamente salvos.

A REJEIÇÃO DO ARMINIANISMO PELO SÍNODO DE DORT E A FORMULAÇÃO DOS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

Em 1618, foi convocado um Sínodo nacional para reunir-se em Dort, a fim de examinar os pontos de vista de Armínio à luz das Escrituras. Essa convocação foi feita pelos Estados Gerais da Holanda para o dia 13 de novembro de 1618. Constou de 84 membros e 18 representantes seculares. Entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e de outros países da Europa. Durante os sete meses de duração do Sínodo houve 154 sessões para tratar desses artigos. Após um exame minucioso e detalhado de cada ponto, feito pelos maiores teólogos da época, representando a maioria das Igrejas Reformadas da Europa, o Sínodo concluiu que, à luz do ensino claro das Escrituras, esses artigos tinham que ser rejeitados como não bíblicos. Isso foi feito por unanimidade. Não somente isso, mas o Concílio impôs censura eclesiástica aos “remonstrantes” – depondo – os de seus cargos, e a autoridade civil (governo) os baniu do país por cerca de seis anos. Além de rejeitar os cinco artigos de fé dos arminianos, o Sínodo formulou o ensino bíblico a respeito desse assunto na forma de cinco capítulos que têm sido, desde então, conhecidos como “os cinco pontos do Calvinismo”, pelo fato de Calvino ter sido grande defensor e expositor desse assunto. Embora cause estranheza a muitos essa posição, devido à mudança teológica que as igrejas têm sofrido desde vários séculos, os reformadores eram unânimes em condenar o arminianismo como uma heresia ou quase isso. A salvação era vista como uma obra da graça de Deus, do começo ao fim, sem qualquer contribuição do homem.

 – DEPRAVAÇÃO TOTAL

O ponto de vista que alguém toma a respeito da salvação será determinado, em grande escala, pelo conceito que essa pessoa tem a respeito do pecado e de seus efeitos sobre a natureza humana. Por isso, o primeiro ponto tratado pelo sistema calvinista é a doutrina bíblica da DEPRAVAÇÃO  TOTAL ou INABILIDADE TOTAL. Quando o calvinista fala do homem como sendo totalmente depravado, quer dizer que sua natureza é CORRUPTA, PERVERSA e TOTALMENTE  PECAMINOSA. O adjetivo “total” NÃO significa que cada pecador está tão completamente corrompido em suas ações e pensamentos quanto lhe seja possível ser.

O termo é usado para indicar que TODO O SER do homem foi afetado pelo pecado. A corrupção estende-se a todas as partes do homem, CORPO e ALMA. O pecado afetou a totalidade das faculdades humanas – sua MENTE, sua VONTADE, etc. (Confissão de Fé, VI, 2). Também se pode usar o adjetivo “total” para incluir nele toda a raça humana, SEM EXCEÇÃO. Como resultado dessa corrupção inata, o homem natural é TOTALMENTE INCAPAZ  de fazer qualquer coisa espiritualmente boa. É o que se quer dizer por “inabilidade total”. A inabilidade referida nessa terminologia é a “inabilidade espiritual”. Significa que o pecador está tão espiritualmente falido que ele nada pode fazer com respeito à sua SALVAÇÃO. É evidente que muitas pessoas não salvas, quando julgadas pelos padrões humanos, possuem qualidades admiráveis e realizam atos virtuosos. Porém, no CAMPO  ESPIRITUAL, quando julgadas pelos padrões divinos, são incapazes de fazer o bem (Confissão de Fé, XVI, 1 e 7).

O homem natural está ESCRAVIZADO pelo PECADO: é FILHO de Satanás, REBELDE para com Deus, CEGO para com a verdade, CORROMPIDO e INCAPAZ de salvar-se a si mesmo ou de preparar-se para a salvação. Em resumo, o NÃO  REGENERADO está morto em pecado e sua vontade está escravizada à sua NATUREZA MÁ. O homem não veio das mãos do seu Criador nessa condição depravada. Deus fez a Adão perfeito, sem qualquer maldade em sua natureza. Originalmente, a vontade de Adão estava livre do domínio do pecado. Ele não estava sujeito a qualquer compulsão natural para escolher o mal; porém, por sua queda, trouxe a morte espiritual sobre si mesmo e sobre toda a sua posteridade. Desse modo, lançou a si mesmo e a toda a raça na ruína espiritual e perdeu para si e para os seus descendentes a habilidade de fazer escolhas certas no campo espiritual.

Seus descendentes ainda são livres para escolher – todo homem faz escolhas em sua vida – mas, visto que a geração de Adão nasce com natureza pecaminosa, não tem a habilidade para escolher o BEM ao invés do MAL. Por conseguinte, a vontade do homem não é mais livre (i.e., livre do domínio do pecado) como era livre a vontade de Adão, antes da queda. Em vez disso, a vontade do homem, como resultado da DEPRAVAÇÃO HERDADA, está escravizada à sua natureza pecaminosa. A Confissão de Fé de Westminster nos dá uma declaração clara e concisa dessa doutrina: “O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso” (IX, 3).

Como resultado da transgressão de Adão, os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos; portanto, para se tornarem filhos de Deus e entrarem no Seu reino precisam NASCER  DE NOVO, do Espírito.

1. Como resultado da transgressão de Adão, os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos; portanto, para se tornarem filhos de Deus e entrarem no Seu reino precisam nascer de novo, do Espírito.

a) Quando Adão foi colocado no jardim do Éden, foi advertido para não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de imediata morte espiritual;

b) Adão desobedeceu e comeu do fruto proibido (Gn 3:1-7); por conseguinte, trouxe morte espiritual sobre si mesmo e sobre a raça;

c) Davi confessou que tanto ele, como os demais homens, fora nascido em pecado (Sl 51);

d) Porque os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos. Jesus ensinou que, para alguém entrar no reino de Deus, é preciso nascer de novo (Jo 3.5-7);

2. Como resultado da queda, os homens estão cegos e surdos para a verdade espiritual. Suas mentes estão entenebrecidas pelo pecado; seus corações são corruptos e malignos. (Gn 6:5; 8:21; Ec 9:3; Jr. 17:9; Mc 7:21-23; Jo. 3:19; Rm 8:7-8; 1Co 2:14; Ef. 4:17-19, 5:8; Tt 1:15)

3. Antes dos pecadores nascerem no reino de Deus pelo poder regenerador do Espírito, são filhos do diabo e estão debaixo de seu controle. São escravos do pecado. (Jo 8:34, 44; Rm 6:20; Ef 2:12; 2Tm. 2:25-26; Tt 3:3; 1Jo 3:10)

4. O domínio do pecado é universal: todos os homens estão debaixo do seu poder; por conseguinte, ninguém é justo, nem um só. (Rm 3:9-18)

5. Os homens, sendo deixados em seu estado de morte, são incapazes, por si mesmos, de se arrepender, de crer no evangelho ou de vir a Cristo. Não têm poder, em si mesmos, para mudar sua natureza ou preparar-se para a salvação (Jr 13:23; Mt 7:18; Jo 6:37, 44, 65 Rm 11:35; 1Co 2:14; 2Co 3:5).

Para mais textos bíblicos sobre o tema, veja:

 (Gn 2:17; 6:5; 8:21; 1 Rs 8:46; Sl 51:5; 58:3; Ec 7:20; Is 64:6; Jr 4:22; 9:5-6; 13:23; 17:9; Jo 3:3,19,36; 5:42; 8:43-44; 14:4; Rm 3:10-11; 5:12; 7:18,23; 8:7; 1 Co 2:14; 2 Co 4:4; Ef 2:3; 4:18; 2 Tm 2:25-26; 3:2-4; Tt 1:15).

 – ELEIÇÃO INCONDICIONAL


Devido ao pecado de Adão, seus descendentes entram no mundo como pecadores culpados e perdidos. Como criaturas caídas, eles não têm desejo de ter comunhão com o seu Criador. Ele é santo, justo e bom, ao passo que eles são pecaminosos, perversos e corruptos- Deixados à sua própria escolha, eles inevitavelmente seguem o deus deste século e fazem a vontade do seu pai, o diabo.

Consequentemente, os homens têm se desligado do Senhor dos céus e têm perdido todos os direitos de Seu amor e favor. Teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a doutrina da eleição. A doutrina da eleição declara que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos dentre todos os membros decaídos da raça de Adão para ser o objeto de Seu imerecido amor. Esses, e somente esses, Ele propôs salvar.

Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens (pois Ele tinha o poder e a autoridade para fazer isso), ou Ele poderia ter escolhido não salvar ninguém (pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer que seja), porém não fez nem uma coisa nem outra. Ao invés disso, Ele escolheu salvar alguns e excluir (preterir) outros. Sua eterna escolha de determinados pecadores para a salvação não foi baseada em qualquer ato ou resposta prevista da parte daqueles escolhidos, mas foi baseada tão somente no Seu beneplácito e na Sua soberana vontade. Desta forma, a eleição não foi condicionada nem determinada por qualquer coisa que os homens iriam fazer, mas resultou inteiramente do propósito determinado pelo próprio Deus. Os que não foram escolhidos foram preteridos e deixados às suas próprias inclinações e escolhas más.

Não cabe à criatura questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. É suficiente saber que o Juiz de toda a terra tem agido bem e justamente. Deve-se, contudo, ter em mente que se Deus não tivesse graciosamente escolhido um povo para Si mesmo, e soberanamente determinado prover-lhe e aplicar-lhe a salvação, ninguém seria salvo. O fato de Ele ter feito isto para alguns, à exclusão dos outros, não é de forma alguma injusto para os excluídos, a menos que se mantenha que Deus estava na obrigação de prover salvação a todos os pecadores – o que a Bíblia rejeita cabalmente.

A doutrina da eleição deve ser vista não apenas contra o pano de fundo da depravação e culpa do homem, mas também deve ser estudada em conexão com o Eterno Pacto ou acordo feito entre os membros da Tri-Unidade. Pois foi na execução deste pacto que o Pai escolheu desse mundo de pecadores perdidos um número definido de indivíduos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo.

O Filho, nos termos desse pacto, concordou em fazer tudo quanto era necessário para salvar esse povo escolhido e que lhe foi concedido pelo Pai. A parte do Espírito na execução desse pacto foi e é a de aplicar aos eleitos a salvação adquirida para eles pelo Filho. A eleição, portanto, é apenas um aspecto (embora muito importante) do propósito salvador do Deus Triuno, e dessa forma não deve ser vista como salvação. O ato da eleição em si mesmo não salvou ninguém. O que ele fez foi destacar (marcar) alguns indivíduos para a salvação.

Desta forma, a doutrina da eleição não deve ser divorciada das doutrinas da culpa do homem, da redenção e da regeneração, pois de outra forma ela será distorcida e deturpada. Em outras palavras, se quisermos manter em sua perspectiva bíblica, e corretamente entendido, o ato da eleição do Pai deve ser relacionado com a obra redentora do Filho, que Se deu a Si mesmo para salvar os eleitos e com a obra renovadora do Espírito, que traz o eleito à fé em Cristo.

1. Declarações gerais mostrando que Deus tem um povo eleito, que Ele predestinou esse povo para a salvação e, desta forma, para a vida eterna. (Dt 10.14-15; Sl 33:12; Ag. 2:23; Mt 11:27; 22:14 )
2. Antes da fundação do mundo, Deus escolheu determinados indivíduos para a salvação. Sua escolha não foi baseada em qualquer resposta ou ato previsto, a ser cumprido pelos escolhidos. A fé e as boas obras são o resultado e não a causa da escolha divina.
a) Deus fez a escolha (1Ts 1:4; 2:13);

b) A escolha divina foi feita antes da fundação do mundo (Ef 1:4; 2Ts 2:13; 2Tm 1:9 Ap 13:8; 17:8);

c) Deus escolheu determinados indivíduos para a salvação – seus nomes foram escritos no livro da vida antes da fundação do mundo (Ap 13:8;17:8);

d) A escolha divina não foi baseada em qualquer mérito previsto naqueles a quem Ele escolheu, nem foi baseada em quaisquer obras previstas, realizadas por eles: (Rm 9.11- 16; 10:20);

e) As boas obras são o resultado e não a base da predestinação: Ef 1.12; 2:10; Jo 15:16);

f) A escolha divina não foi baseada na fé prevista. A fé é o resultado e, portanto, a evidência da eleição divina, não a causa ou base de Sua escolha (At 13.48; 18:27 Fp 1:2; 2:12; 2:13; 1Ts 1:4-5; 2Ts 2:13-14);

g) É através da fé e das boas obras que alguém confirma sua chamada e eleição: (2Pe 1.5-11).

3. A eleição não é a salvação, mas é para a salvação. Assim como o presidente eleito não se torna o presidente de fato até o dia da sua posse (instalação), assim aqueles que são eleitos para a salvação não são salvos até que sejam regenerados pelo Espírito e justificados pela fé em Cristo (Em Efésios 1:4 Paulo mostra que os homens foram eleitos “em Cristo” antes que o mundo existisse. Em Rm 16:7 ele mostra que os homens não estão realmente “em Cristo” até que se convertam) [Rm 11.7; 2Ts 2:10; At 13:48; 1Ts 2:13-14]
4. A eleição foi baseada na misericórdia soberana e especial de Deus. Não foi a vontade do homem, mas a vontade de Deus que determinou que pecadores iriam ser alvos da misericórdia e ser salvos (Êx 33.19; Dt 7:6-7; Rm 9:11-24; 11:4-36 )
5. A doutrina da eleição é apenas uma parte da doutrina bíblica mais ampla da soberania de Deus. As Escrituras não apenas ensinam que Deus predestinou certos indivíduos para a vida eterna, mas que todos os eventos, grandes ou pequenos, acontecem como o resultado do eterno decreto de Deus. O Senhor Deus reina sobre os céus e a terra com absoluto controle. Nada acontece fora do Seu eterno propósito (1Cr 29.10-12; Jó 42:1-2; Sl 115:3; 135:6; Is 14:24-27; 46:9-11; 55:11; Jr 32:17; Dn 4:35; Mt 19:26)

Para mais textos bíblicos sobre o tema, veja (Dt 4:37; 7:7-8; Pv 16:4; Mt 11:25; 20:15-16; 22:14; Mc 4:11-12; Jo 6:37,65; 12:39-40; 15:16; At 5:31; 13:48; 22:14-15; Rm 2:4; 8:29-30; 9:11-12, 22-23; 11:5,8-10; Ef 1:4-5; 2:9-10; 1 Ts 1:4; 5:9; 2 Ts 2:11-12; 3:2; 2 Tm 2:10,19; Tt 1:1; 1 Pe 2:8; 2 Pe 2:12; 1 Jo 4:19; Jd 1:3-4; Ap 13:8; 17:17; 20:11-21:8).

 – EXPIAÇÃO LIMITADA

Como já foi observado, a eleição em si não salva ninguém; apenas destaca alguns pecadores para a salvação. Os que foram escolhidos pelo Pai e dados ao Filho precisam ser redimidos para serem salvos.

Para assegurar sua redenção, Jesus Cristo veio ao mundo e tomou sobre Si a natureza humana para que pudesse identificar-Se com o Seu povo e agir como seu representante ou substituto. Cristo, agindo em lugar do Seu povo, guardou perfeitamente a lei de Deus e dessa forma produziu uma justiça perfeita a qual é imputada ao Seu povo ou creditada a ele no momento em que cada um é trazido à fé nEle.

Através do que Ele fez, esse povo é constituído justo diante de Deus. Os que constituem esse povo são libertos da culpa e condenação como resultado do que Cristo sofreu por eles. Através do Seu sacrifício substitucionário Ele sofreu a penalidade dos seus pecados e assim removeu sua culpa para sempre. Por conseguinte, quando Seu povo é unido a Ele pela fé, lhe é creditada perfeita justiça pela qual fica livre da culpa e condenação do pecado. São salvos não pelo que fizeram ou irão fazer, mas tão somente na base da obra redentora de Cristo.

O Calvinismo histórico tem mantido de modo consistente a convicção de que a obra redentora de Cristo foi definida em desígnio e realização; isto é, foi intencionada para render completa satisfação em favor de certos pecadores específicos e que, de fato, assegurou a salvação a esses indivíduos e a ninguém mais. A salvação que Cristo adquiriu para o Seu povo inclui tudo que está envolvido no processo de trazê-lo a um correto relacionamento com Deus, incluindo os dons da fé e do arrependimento. Cristo não morreu simplesmente para tornar possível a Deus perdoar pecadores. Nem deixa Deus aos pecadores a decisão se a obra de Cristo será ou não efetiva. Pelo contrário, todos aqueles por quem Cristo morreu serão infalivelmente salvos. A redenção, portanto, foi designada para cumprir o propósito divino da eleição.

Todos os calvinistas concordam que a obediência e o sofrimento de Cristo são de valor infinito, e que, se fosse o propósito de Deus, a satisfação rendida por Cristo teria salvado todos os membros da raça humana. Não seria requerido de Cristo mais obediência nem sofrimento maior para assegurar a salvação de todos os homens do que foi requerido para a salvação apenas dos eleitos. Mas Ele veio ao mundo para representar e salvar apenas aqueles que Lhe foram dados pelo Pai. Desta forma, a obra salvadora de Cristo foi limitada no sentido em que foi designada para salvar uns e não outros, mas não foi limitada em valor, pois seu valor é infinito. Ela teria assegurado a salvação de todos, se essa tivesse sido a intenção de Deus.

Os arminianos também estabelecem uma limitação na obra expiatória de Cristo, mas de natureza inteiramente diferente. Eles acreditam que a obra salvadora de Cristo foi designada para tornar possível a salvação de todos os homens, desde que eles creiam, e de que a morte de Cristo, em si mesma, não assegura ou garante a salvação para ninguém. Desde que todos os homens serão salvos como resultado da obra redentora de Cristo, deve-se admitir que há uma limitação.

Essa limitação consiste num desses dois pontos: ou a expiação foi designada para assegurar a salvação para certos pecadores e não para outros, ou ela foi limitada no sentido em que não foi intencionada para assegurar a salvação de ninguém, mas apenas para tornar possível a Deus perdoar os pecadores na condição da fé. Em outras palavras, a limitação deve ser colocada, em desígnio, na sua extensão, (não foi intencionada para todos), ou na sua eficácia (ela não assegura a salvação para ninguém). Como Boettner adequadamente observa, “para o calvinista a expiação é como uma ponte estreita que atravessa todo o rio; para o arminiano, é como uma grande e larga ponte que vai apenas até a metade do caminho” (The Reformed Doctrine of Predestination, p. 153). Desta forma, são os arminianos que impõem uma limitação maior à obra de Cristo.

1.  As Escrituras descrevem o fim intencionado e realizado pela obra de Cristo como a salvação completa do Seu povo (reconciliação, justificação e santificação).

a) As Escrituras declaram que Cristo veio, não para capacitar os homens a se salvarem a si mesmos, mas para salvar pecadores (Mt 1.21; Lc 19:10; Gl 1:3-4; Tt 2:14; 1Pe 3:18);

b) As Escrituras declaram que, como resultado do que Cristo fez e sofreu. Seu povo é reconciliado com Deus, justificado, e recebe o Espírito Santo que o regenera e santifica. Todas essas bênçãos foram asseguradas por Cristo mesmo, ao Seu povo.

c) Cristo, pela Sua obra redentora, assegurou a reconciliação ao Seu povo. (Rm 5:10- 11; 2Co 5:18-19; Ef 2:15-16; Cl 1:21-22)

2. Cristo assegurou a justiça e o perdão que Seu povo necessita para a sua justificação. (Rm 3:24-25; 5:8-9; 1Co 1:30; Gl 3:13; Cl 1:13-14; Hb 9:12; 1Pe 2:24)

3. Cristo assegurou o dom do Espírito, o qual inclui regeneração e santificação e tudo que está incluído nessas graças. (Ef 1:3-4; Fp 1:29; At 5:31 Tt 2:14; 3:5-6 Ef 5:26; 1Co 1:30; Hb 9:14; 13:12 1Jo 1:7)

a) Passagens que apresentam o Senhor Jesus Cristo, em tudo que Ele fez e sofreu pelo Seu povo, como cumprindo os termos de um pacto ou concerto gracioso no qual entrou com Seu Pai celestial antes da fundação do mundo:

b) Jesus foi enviado ao mundo pelo Pai para salvar o povo que o Pai Lhe deu. Os que o Pai Lhe deu vêm a Ele e nenhum deles se perderá. (Jo. 6:35-40)

c) Jesus, como o bom Pastor, dá a Sua vida pelas Suas ovelhas. Todos os que são Suas ovelhas são trazidos por Ele ao aprisco, levadas a ouvir a Sua voz e a seguí-lo. Notemos que o Pai tem dado as ovelhas a Cristo! (Jo. 10:11-29)

d) Jesus, em Sua oração sacerdotal, roga não pelo mundo, mas por aqueles que o Pai lhe dera. Em cumprimento à tarefa dada pelo Pai, Jesus realizou a Sua obra. Essa obra era tornar Deus conhecido do Seu povo e dar-lhe a vida eterna. (Jo. 17.1-26)

e) Paulo declara que todas as “bênçãos espirituais” que os santos herdam, tais como filiação, redenção, perdão de pecados, etc., resultam do fato de estarem “em Cristo”, e liga essas bênçãos à sua fonte última – o eterno conselho de Deus – onde repousa a grande bênção de terem sido escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo para serem filhos de Deus, por meio dEle. (Ef. 1:3-12)

f) O paralelo que Paulo estabelece entre a obra condenatória de Adão e a obra salvadora de Jesus Cristo, o “segundo Adão”, pode ser melhor explicado na base do princípio de que ambos figuravam numa relação pactual com o “seu povo”. Adão figurava como o cabeça federal da raça e Cristo como o cabeça federal dos eleitos. Assim como Adão envolveu o seu povo na morte e condenação pelo seu pecado, assim também Cristo trouxe justiça e vida ao Seu povo através de Sua justiça (retidão). Rm 5.12-19)

g) Algumas passagens falam de Cristo morrendo por “todos” os homens e de Sua morte como salvando “o mundo”; todavia, outras falam de Sua morte como sendo definida em desígnio, isto é, para assegurar a salvação de um povo específico.

h) Há duas classes de textos que falam da obra salvadora de Cristo em termos gerais:

4. As que contém a palavra “mundo”. (Jo 1:9, 29;3:16,17; 4:42; 2Co 5:19; 1Jo 2:1,2; 4:14)

5. As que contêm a palavra “todos”. (Rm 5:18; 2Co 5:14,15; 1Tm 2:4-6; Hb 2:9; 2Pe 3.9; Jo 1:9; 29; 3:19; 3:16-17; 4:42; 2Co 5:19; 1Jo 2:1-2; 1Jo 4:14; Rm 5:18; 2Co 5:14-15; 1Tt 2:4-6; Hb 2:9; 2Pe. 3:9)

Uma das razões para o uso dessas expressões era corrigir a noção falsa de que a salvação era apenas para os judeus. Frases como “o mundo”, “todos os homens”, “todas as nações”, “toda criatura”, eram usadas para corrigir esse erro. Essas expressões eram usadas para mostrar que Cristo morreu para todos os homens sem distinção (i.e., Ele morreu tanto para judeus como para gentios), mas elas não pretendem indicar que Cristo morreu por todos os homens, sem exceção (i.e., Ele não morreu com o propósito de salvar todo e qualquer pecador perdido).

Há outras passagens que falam de Sua obra salvadora em termos definidos e mostram que ela foi intencionada para salvar infalivelmente um determinado povo, a saber, aqueles que Lhe foram dados pelo Pai. (Mt. 1:21; 26:28; Jo. 10:11; Jo. 11:50-53; At. 20:28; Ef. 5:25-27; Rom. 8:32-34; Heb. 2:17; 3:1; 9:15, 18; Ap. 5:9)

Para mais textos bíblicos sobre tema, veja:

 (1 Sm 3:14; Is 53:11-12; Mt 1:21; 20:28; 26:28; Jo 10:14-15; 11:50-53; 15:13; 17:6,9-10; At 20:28; Rm 5:15; Ef 5:25; Tt 3:5; Hb 9:28; Ap 5:9)

 – GRAÇA IRRESSISTÍVEL

Cada membro da Tri-Unidade – Pai, Filho e Espírito Santo – participa e contribui para a salvação de pecadores. Como já foi mostrado, o Pai, antes da fundação do mundo, escolheu aqueles que iriam ser salvos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo.

Na época oportuna, o Filho veio ao mundo e assegurou a redenção desse povo. Mas esses dois grandes atos – a eleição e a redenção – não completam a obra da salvação, pois está incluída no plano divino para a recuperação do pecador perdido a obra renovadora do Espírito Santo, pela qual os benefícios da obediência e da morte de Cristo são aplicados ao eleito.

A doutrina da Graça Irresistível ou Eficaz está relacionada com essa fase da Salvação. Declarada de modo simples, esta doutrina afirma que o Espírito Santo nunca falha em trazer à salvação aqueles pecadores que Ele pessoalmente chama a Cristo. Ele aplica inevitavelmente a salvação a todo pecador que Ele tencionou salvar, e é Sua intenção salvar todos os eleitos. O apelo do evangelho estende uma chamada à salvação a todo que ouve a mensagem. Ele convida a todos os homens, sem distinção, a beber da água da vida e viver. Ele promete salvação a todo que se arrepender e crer.

Mas essa chamada geral externa, estendida igualmente ao eleito e ao não eleito, não trará pecadores a Cristo. Por que? Porque os homens estão, por natureza, mortos em pecado e debaixo de seu poder. Eles são, por si mesmos, incapazes de abandonar os seus maus caminhos e se voltarem a Cristo, para receber misericórdia. Nem podem e nem querem fazer isso. Consequentemente, o não regenerado não vai responder à chamada do evangelho para arrepender-se e crer. Nenhuma quantidade de ameaças ou promessas externas fará um pecador cego, surdo, morto e rebelde se curvar perante Cristo como Senhor e olhar somente para Ele para a salvação.

Tal ato de fé e submissão é contrário à natureza do homem perdido. Por isso, o Espírito Santo, para trazer o eleito de Deus à salvação, estende-lhe uma chamada especial interna em adição à chamada externa contida na mensagem do evangelho. Através dessa chamada especial, o Espírito Santo realiza uma obra de graça no pecador que, inevitavelmente, o traz à fé em Cristo.

A mudança interna operada no pecador eleito o capacita a entender e crer na verdade espiritual. No campo espiritual, são lhe dados olhos para ver e ouvidos para ouvir. O Espírito cria nele um novo coração e uma nova natureza. Isto é realizado através da regeneração (novo nascimento), pela qual o pecador é feito filho de Deus e recebe a vida espiritual. Sua vontade é renovada através desse processo, de forma que o pecador vem espontaneamente a Cristo por sua própria e livre escolha. Pelo fato de receber uma nova natureza que o habilita a amar a retidão, e porque sua mente é iluminada de forma a habilitá-lo a entender e crer no evangelho, o pecador renovado (regenerado) volta-se para Cristo, livre e voluntariamente, como seu Senhor e Salvador. Assim, o pecador que antes estava morto, é atraído a Cristo pela chamada interna e sobrenatural do Espírito, a qual, através da regeneração, o vivifica e cria nele a fé e o arrependimento.

Embora a chamada externa do evangelho possa ser, e frequentemente é, rejeitada, a chamada interna e especial do Espírito nunca deixa de produzir a conversão daqueles a quem ela é feita.

Essa chamada especial não é feita a todos os pecadores, mas é estendida somente aos eleitos. O Espírito não depende em nenhuma maneira da ajuda ou cooperação do pecador para ter sucesso em Sua obra de trazê-lo a Cristo. É por essa razão que os calvinistas falam da chamada do Espírito e da graça de Deus em salvar pecadores como sendo “eficaz”, “invencível” ou “irresistível”. A graça que o Espírito Santo estende ao eleito não pode ser obstada, nem recusada; ela nunca falha em trazê-lo à verdadeira fé em Cristo.

A doutrina da Graça Irresistível ou da Vocação Eficaz é apresentada em termos bem claros no capítulo X da Confissão de Fé de Westminster.

1. Declarações gerais mostrando que a salvação é tanto obra do Espírito, como é do Pai e do Filho. (Rm 8.14; 1Co 2:10-14; 6:11; 12:3; 2Co 3:6, 17-18; 1Pe 1:2;)

2. Através da regeneração ou novo nascimento, os pecadores recebem a vida espiritual e são feitos filhos de Deus. A Bíblia descreve esse processo como uma ressurreição espiritual, uma criação, o recebimento de um novo coração, etc. A mudança interna, que é operada através do Espírito Santo, é fruto do poder e da graça de Deus e de forma nenhuma depende da ajuda do homem para a operação do Espírito ser bem-sucedida.

a) Os pecadores, através da regeneração, são trazidos para o Reino de Deus e feitos Seus filhos. O autor desse “segundo” nascimento é o Espírito Santo: o instrumento que Ele usa é a Palavra de Deus. (Jo 1:12-13; Jo 3:3-8; Tt 3:5; 1Pe 1:3; 1Jo 5:4)

3) Através da obra do Espírito o pecador morto recebe um novo coração (uma nova natureza) e é levado a andar na lei de Deus. Em Cristo ele torna-se uma nova criação. (Dt 30.6; Ez 36:26-27; Gl 6:15; Ef 2:10; 2Co 5:17-18)

a) O Espírito Santo ergue o pecador de seu estado de morte espiritual e o vivifica. (Jo 5.21; Ef 2:1, 5; Cl 2:13)

4. Deus torna conhecidos aos Seus escolhidos os segredos do Reino através da revelação interna e pessoal dada pelo Espírito. (Mt 11:25-27; c. 10:21; Mt 16:15-17; Jo 6:37, 44-45, 64-65 1Co 2:14; Ef 1:17;)

5. A Fé e o Arrependimento são dons divinos, os quais são operados na alma através da obra regeneradora do Espírito Santo. (At 5.31; 11:18; 13:48; 16:14; 18:27; Ef 2:8-9; Fp 1:29; 2Tm 2:25-26)

6.  O apelo do evangelho estende uma chamada geral externa à salvação a todos que ouvem a mensagem. Em adição a essa chamada externa, o Espírito estende uma chamada especial interna aos eleitos e só a esses. A chamada geral do evangelho pode ser, e geralmente é, rejeitada, mas a chamada especial do Espírito não pode ser rejeitada. Ela sempre resulta na conversão daqueles a quem é feita. (Rm 1:6-7; 8:30; :23-24; 1Co. 1:1- 2, 9, 23-31; Gl 1:15-16; Ef 4:4; 2Tm 1:9; Hb 9:15; Jd 1:1; 1Pe 1:15; 2:9; 5:10; 2Pe 1:3; Ap 17:14)

7.  A aplicação da salvação é toda pela graça e só é realizada através do infinito poder de Deus. (Is 55.11; Jo 3:27; 17:2; Rm 9:16; 1Co 3:6-7; 4:7; Fp 2:12-13; Tg 1:18; 1Jo 5:20)

Para mais textos bíblicos sobre tema, veja:

 (Jr 24:7; 31:3; Ez 11:19-20; 36:26-27; Mt 16:17; Jo 1:12-13; 5:21; 6:37,44-45; At 16:14; 18:27; Rm 8:30; 1 Co 4:7; 2 Co 5:17; Gl 1:15; Ef 1:19-20; Cl 2:13; 2 Tm 1:9; Hb 9:15; 1 Pe 2:9; 5:10).

 – PERSEVERANÇA DOS SANTOS

Os eleitos não são apenas redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito; eles são mantidos na fé pelo infinito poder de Deus.

Todos os que são unidos espiritualmente a Cristo, através da regeneração, estão eternamente seguros nEle. Nada os pode separar do eterno e imutável amor de Deus. Foram predestinados para a glória eterna e estão, portanto, assegurados para o céu.

A doutrina da perseverança dos santos não mantém que todos que professam a fé cristã estão garantidos para o céu. São os santos – os que são separados pelo Espírito – os que perseveram até o fim. São os crentes – aqueles que recebem a verdadeira e viva fé em Cristo – os que estão seguros e salvos nEle.

Muitos que professam a fé cristã caem, mas eles não caem da graça pois nunca estiveram na graça. Os crentes verdadeiros caem em tentações e cometem graves pecados, às vezes, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a separá-los de Cristo.

A Confissão de Fé de Westminster diz o seguinte a respeito dessa doutrina:

“Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair no estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos” (XVII, 1).

Boettner certamente está correto em afirmar que “essa doutrina não se manifesta isoladamente, mas é uma parte necessária do sistema calvinista de teologia. As doutrinas da Eleição e da Graça Eficaz implicam logicamente na salvação certa daqueles que recebem essas bênçãos. Se Deus escolheu homens de modo absoluto e incondicional para a vida eterna, e se o Seu Espírito efetivamente aplica-lhes os benefícios da redenção, a conclusão inevitável é que essas pessoas serão salvas” (op. cit., p.182).

Os seguintes versículos mostram que o povo de Deus recebe a vida eterna no momento em que crê. Estes são guardados pelo poder de Deus mediante a fé e nada os pode separar do Seu amor. Foram selados com o Espírito Santo que lhes foi dado como garantia de sua salvação e, desta forma, estão assegurados para uma herança eterna. (Is 43.1-3; 54:10; Jr 32:40; Mt 18:12-14; Jo 3:16, 36: 5:24; 6:35-40, 47; 10:27-30; 17:11-12, 15; Rm 5:8-10; Rm 8:1, 29-30, 35-39; 1Co. 1:7-9; 10:13; 2Co 4:14, 17; Ef 1:5, 13-14; 4:30; Cl 3:3-4; 1Ts 5:23-24; 2Tt 4:18; Hb 9:12, 15; 10:14; 12:28; 1Pe 1:3-5; 1Jo 2:19, 25; 5:4, 11-13, 20; Jd 1:24-25)