segunda-feira, 15 de julho de 2019

Teologia - O Estudo do Ser Deus a partir da Sua Revelação - a Bíblia



   COMECE E ENCERRE  SEUS ESTUDOS BÍBLICOS  SEMPRE ORANDO E JAMAIS SEPARE-SE DA BÍBLIA. LEIA, MEDITE E ESTUDE ELA TODOS OS DIAS. SÓ ASSIM CAMINHAREMOS CORRETAMENTE E COMBATEREMOS O NOSSO EU. 


Iniciaremos com o CREDO (confissão de fé; aquilo que cremos).

EM QUE ACREDITAMOS :

 1. A Bíblia é a única e infalível Palavra de Deus.

2. Existe um Deus verdadeiro, auto-suficiente por toda eternidade, expresso em três pessoas distintas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

3. Nosso Senhor Jesus Cristo é divino, nasceu de uma virgem, viveu na Terra sem pecado, operou milagres, suportou a morte vicária e expiatória, ressuscitou corporalmente, ascendeu aos céus, encontra-se à destra do Pai e em breve retornará à Terra em poder e glória para reinar por mil anos.

4. Cristo está na iminência de retornar fisicamente a Terra, para a vitória final dos crentes.

5. Houve a queda, pecado e condenação de todos os homens em Adão e o único meio de ser purificado do pecado é através do arrependimento e fé no sangue redentor de Cristo.

6. A regeneração pelo Espírito Santo é absolutamente essencial para a salvação pessoal.

7. A Igreja de Jesus Cristo é o universal corpo espiritual dos crentes de qualquer tribo, língua, etnia ou raça, e é dirigida por Jesus Cristo, seu Cabeça, através do Espírito Santo. É divinamente habilitada para cumprir o ministério cristão e sua grande comissão na Terra.

8. O Espírito Santo possui o poder santificador do crente, no qual habita e capacita-o a viver uma vida santa.

9. Haverá ressurreição e julgamento final de salvos e perdidos, sendo que os salvos herdarão a vida eterna e os perdidos a condenação eterna.

10. Haverá um novo céu e uma nova terra e a Jerusalém celestial, a cidade de Deus, que desce do céu cheia da glória de Deus.

11. O crescimento cristão somente pode ser alcançado pela fé e prática da Palavra de Deus.

12. O casamento é ordenado por Deus: ” Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne.” (Mateus 19.4). O casamento deve ser uma relação de exclusividade, uma união fiel ao longo da vida entre um homem e uma mulher. Essa relação entre marido e mulher deve ser semelhante ao relacionamento entre Cristo e a Igreja (Efésios 5. 23-30).

13. Há duas ordenanças a serem praticadas: 1. Batismo nas águas por imersão, após o arrependimento dos pecados e o recebimento da dádiva da salvação. 2. Santa Ceia, como uma lembrança simbólica do sofrimento e morte de Cristo pela nossa salvação.

14. A multiforme graça de Deus não defende tradições denominacionais como pentecostalismo, tradicionalismo ou neopentecostalismo, de forma que nos apoiamos na doutrina das Sagradas Escrituras e em todos seus fundamentos. Entendemos que o verdadeiro ministério cristão deve estar conformado à imagem de Cristo e ser totalmente submisso à autoridade da Bíblia.

Considerando que o estudo que estou colocando aqui é BÁSICO, veremos então o CONCEITO DE TEOLOGIA:

Teologia NÃO é do Diabo, Teologia NÃO é só pra pastor, Teologia NÃO é  razão para orgulho. Teologia é a junção de dois vocábulos gregos - "Theos" (Deus) + "logus" (sentido de estudo) = o estudo de Deus a partir de Sua Revelação!

Resumidamente, Teologia é o estudo racional da fé religiosa. No nosso caso, é a interpretação racional da fé cristã.

É INTELIGÍVEL – Pode ser compreendida pela mente humana.

REQUER EXPLICAÇÃO – Envolve interpretação dos textos bíblicos e sistematização das ideias.

ESTUDO BASEADO NA BÍBLIA – A Bíblia é a base e a fonte da Teologia.


TIPOS DE TEOLOGIA:

POR ÉPOCA (teologia patrística, teologia medieval, teologia reformada, teologia contemporânea).

POR PONTO DE VISTA (teologia calvinista, teologia arminiana, teologia católica romana).

POR ÊNFASE (teologia histórica, teologia bíblica, teologia sistemática).


PRESSUPOSTOS DA TEOLOGIA:

1. PRESSUPOSTO DA INTERPRETAÇÃO:

SIMPLES E NORMAL – Deus se comunica conosco de modo simples. Quando lemos a Bíblia, devemos interpretá-la desse modo e não procurar mensagens escondidas e obscuras por trás dos textos.

PRIORIDADE DO NOVO TESTAMENTO – A revelação de Deus foi progressiva de modo que damos prioridade ao Novo Testamento, visto que nele foi completada a revelação. Nele Jesus Cristo é apresentado como cumprimento do AT. À luz dele podemos ser muito enriquecidos com as revelações mais antigas.

LEGITIMIDADE DAS ESCRITURAS – A Bíblia deve ser utilizada de maneira correta. Devemos procurar o que ela realmente quer ensinar e NUNCA usá-la fora de contexto ou alterando seu sentido.

2. PRESSUPOSTOS PESSOAIS:

O estudante de Teologia deve:

CRER – Sem a FÉ é IMPOSSÍVEL o estudante aprender as verdades de Deus e vê-las transformar sua vida (1 Co 2.10-16).

PENSAR – A fé é RACIONAL, de modo que o estudante deve ter métodos de estudo, avaliação crítica das evidências e combinar os diversos ensinos como um todo.

DEPENDER – A dependência do Espírito Santo para a compreensão da Teologia é algo FUNDAMENTAL e OBRIGATÓRIO (Jo 16.12-15).

ADORAR – O ESTUDO e o CONHECIMENTO cada vez mais profundo de Deus devem levar o estudante a uma posição de ADORAÇÃO a Deus por RECONHECER cada vez mais que Deus é digno de tal ADORAÇÃO.


Explanando o tema "Teologia" -

Campos de Estudo da Teologia

TEOLOGIA PRÁTICA – Trata-se da APLICAÇÃO da DOUTRINA CRISTÃ na vida cotidiana. Tiago 1.19-27 “a prática da Palavra”.

TEOLOGIA BÍBLICA – Quando o seu conteúdo baseia-se, principalmente, nas Sagradas Escrituras. Antigo e Novo Testamento.

TEOLOGIA EXEGÉTICA – Palavra grega que significa “sacar, extrair”. Procura descobrir o VERDADEIRO SIGNIFICADO das Escrituras.

TEOLOGIA SISTEMÁTICA – trata-se do estudo da fé  cristã exposto de forma lógica, sistemática e ordenada.

TEOLOGIA HISTÓRICA – Refere-se ao estudo da história sobre a doutrina cristã, isto é, o desenvolvimento da doutrina cristã através da história e da Bíblia.

TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA – Trata-se do estudo das verdades bíblicas atemporais de maneira a torná-las compreensíveis ao homem de nossos dias.

 TEOLOGIA e FILOSOFIA – Objetivos similares e enfoques diferentes. Ambas buscam uma visão completa do MUNDO e da VIDA. Porém, a Teologia parte da crença na EXISTÊNCIA de Deus e de sua REVELAÇÃO, para EXPLICAR o mundo e a vida, enquanto a filosofia NEGA esses dois pontos fundamentais da teologia e parte de uma coisa dada para explicar a existência de todas as outras coisas.

A filosofia NÃO tem nenhuma doutrina de providência, pecado, revelação, consumação final, a Teologia busca em Deus e na Sua revelação respostas adequadas a estas doutrinas.

A necessidade da Teologia -

A Teologia ajuda organizar a mente. O homem é um ser racional e sua mente exige ordem. (II Tm 2.15)
O conhecimento doutrinário correto é  essencial para desenvolver o caráter cristão.
O crente só pode ser forte e saudável quando ele tem uma compreensão clara e inabalável das verdades fundamentais da fé cristã. (I Tm 1.8-10). (A moralidade cristã é fruto que cresce somente na árvore da sã doutrina).
A Teologia trás o conhecimento doutrinário, e ele é importante para efeito de avaliação e julgamento de nossas experiências e de fundamentar nossa esperança. Ex. nossa ressurreição está fundamentada na ressurreição de Cristo (I Co 15.20-28; I Ts 4.13-17).
O conhecimento doutrinário é importante para se defender das falsas doutrinas e dos sistemas religiosos e seculares que buscam nossa adesão (Mt 22.29; Gálatas 1.6-9; II Tm 4.2-4;  Jo 9.11).
A Teologia trás conhecimento doutrinário que é condição básica para o desempenho eficaz do serviço cristão (Mc 4.2; At 2.42; Tito 1.9; II Tm 3.10). Avivamento sempre vem com obediência doutrinária.

O conhecimento doutrinário é importante para a compreensão dos fatores relatados nas Escrituras. (I Co 15; Cl 1-15-16).

O Método da Teologia -

Entendendo a Teologia como uma ciência - Isso significa que ela possui procedimentos lógicos e bem definidos.

Teologia envolve a coleta de dados e informações bíblicas -  Passagens bíblicas relevantes sobre o assunto que se está investigando são coletadas para em seguida serem cuidadosamente interpretadas.

O passo seguinte é a verificação do material bíblico coletado nessa etapa - O teólogo procura identificar os pontos comuns entre os escritos sagrados para em seguida avaliar e analisar as aparentes divergências.

A análise do significado bíblico - O teólogo, após formar um todo coerente, procura compreender o verdadeiro sentido do material obtido para poder traduzir com precisão para sua forma contemporânea.

Identificação da essência doutrinária -  Nessa etapa, o teólogo busca descobrir a mensagem que existe atrás de todas as suas formas especificas de expressão, ou seja, identificar a verdade permanente dentro das formas de expressão temporárias.

 Ainda sobre o tema  "Teologia" -

Ao longo dos nossos estudos, destacarei a Teologia Reformada, que nada mais é do que a Teologia ortodoxa (autêntica; genuina) que  no decorrer dos séculos, deixou-se influenciar por teologias humanistas e heréticas e, a partir de então, como o nome sugere, fez-se necessário uma volta (reforma) a Sà DOUTRINA ensinada pelo Mestre e Senhor Jesus, e pregada pelos apóstolos e os demais cristãos ao longo dos séculos!

De uma forma geral, "Teologia Reformada" inclui qualquer sistema de crença que traça suas raízes à Reforma Protestante do século XVI (16). Claro que os Reformadores basearam sua doutrina nas ESCRITURAS, como indicado no credo de “sola scriptura”, então teologia Reformada não é um “NOVO” sistema de crença mas um que procura dar continuação à DOUTRINA APOSTÓLICA.

Geralmente, teologia Reformada defende a autoridade das Escrituras, a soberania de Deus, salvação pela graça através de Cristo e a necessidade de evangelismo. Às vezes é chamada de Teologia do Pacto por causa da ênfase dada à aliança que Deus fez com Adão e a nova aliança que veio através de Jesus Cristo (Lucas 22:20).

Autoridade das Escrituras - A Teologia Reformada ensina que a Bíblia é a INSPIRADA e CONFIÁVEL Palavra de Deus, SUFICIENTE para todos os assuntos de FÉ e PRÁTICA.

Soberania de Deus - A Teologia Reformada ensina que Deus reina com CONTROLE ABSOLUTO sobre toda a criação. Ele PREDETERMINOU todos os eventos e, portanto, NUNCA se frustra com as CIRCUNSTÂNCIAS. Isso NÃO limita a VONTADE da criatura, nem faz de Deus o AUTOR do PECADO.

Salvação pela graça - A Teologia reformada ensina que Deus em Sua GRAÇA e MISERICÓRDIA escolheu REDIMIR um povo para Si mesmo, livrando-os do PECADO e MORTE. A doutrina de salvação reformada é também conhecida como os cinco pontos do Calvinisno (ou pelo acróstico TULIP, referente às iniciais dos pontos em inglês):

T- Depravação Total do Homem (Total depravity) - O homem é COMPLETAMENTE FRACO em seu ESTADO de PECADO, está SOB a IRA de Deus e de FORMA ALGUMA pode AGRADAR a Deus. Depravidade total também significa que o homem NÃO vai NATURALMENTE PROCURAR CONHECER a Deus, até que Deus GRACIOSAMENTE o ENCORAJE a assim agir. (Gênesis 6:5; Jeremias 17:9; Romanos 3:10-18).

U – Eleição incondicional (Unconditional election) -  Deus, da eternidade passada, ESCOLHEU SALVAR uma grande multidão de PECADORES, a qual NENHUM HOMEM pode NUMERAR (Romanos 8:29-30; 9:11; Efésios 1:4-6:11-12).

L- Expiação limitada (Limited Atonement). Também chamada de “redenção particular” - Cristo tomou sobre Si o julgamento do PECADO dos ELEITOS e, portanto, PAGOU por suas vidas com a Sua morte. Em outras palavras, Ele não só tornou salvação “possível”, Ele na verdade a OBTEVE por aqueles que Ele tinha ESCOLHIDO (Mateus 1:21; João 10:11; 17:9; Atos 20:28; Romanos 8:32; Efésios 5:25).

I - Graça irresistível (Irresistible Grace). Em seu estado depois da Queda ao pecado, o homem RESISTE ao amor de Deus, mas a graça de Deus trabalhando em seu coração faz com que tal homem deseje o que ele tinha previamente resistido. Quer dizer, a graça de Deus NÃO vai falhar em realizar o seu trabalho de salvação na vida dos ELEITOS (João 6:37,44; 10:16).

P – Perseverança dos santos (Perseverance of the saints). Deus protege Seus santos de se DESVIAR TOTALMENTE; por isso salvação é eterna (João 10:27-29; Romanos 8:29-30; Efésios 1:3-14).

 A REVELAÇÃO de Deus

Basicamente, temos a chamada  REVELAÇÃO GERAL (Teologia Natural) – Inclui tudo que Deus revelou no mundo à nossa volta, incluindo o próprio homem. NÃO é suficiente para a SALVAÇÃO. Ela “apresenta” evidências da EXISTÊNCIA de Deus.

REVELAÇÃO ESPECIAL (Teologia Revelada) – É o que Deus revelou especificamente nas ESCRITURAS, por meio dos apóstolos e profetas. É REQUISITO para a SALVAÇÃO. Ela “pressupõe” a EXISTÊNCIA de Deus.

 A REVELAÇÃO GERAL

Atinge todas as pessoas (Mt 5.45; At 14.17).
É geral no aspecto GEOGRÁFICO e ECONÔMICO do planeta (Sl 19.2).
Usa meios UNIVERSAIS para sua PERCEPÇÃO, como o calor do Sol (Sl 19.4-6) e a CONSCIÊNCIA HUMANA (Rm 2.14-15).

MEIOS DA REVELAÇÃO GERAL

PELA CRIAÇÃO – Todo efeito vem de uma causa. Tudo que existe tem de ter sido formado a partir de uma causa pré-existente (argumento cosmológico).

PELA ORDEM DO UNIVERSO – O Universo demonstra ter ordem e um “propósito”. É necessário um criador com um propósito definido que tenha criado tudo com a ordem que existe (argumento teleológico).

PELA CRIAÇÃO DO HOMEM – A existência do homem como um ser moral, intelectual e religioso, diametralmente oposto ao restante da criação, aponta para um criador também moral, intelectual e espiritual que tenha nos dado forma (argumento antropológico).

PELO SEU PRÓPRIO SER –Se temos a ideia ou a noção de um “Ser Perfeito” e de que para ser perfeito ele tem de existir, logo, o “Ser Perfeito” deve mesmo existir (argumento ontológico).

CONTEÚDO DA REVELAÇÃO GERAL -

A glória de Deus (Sl 19.1).
Seu poder para realizar criação (Sl 19.1).
Sua supremacia (Rm 1.20).
Sua natureza divina (Rm 1.20).
Seu controle providencial da natureza (At 14.17).
Sua bondade (Mt 5.45).
Sua inteligência (At 17.29).
Sua existência (At 17.28).

 VALOR DA REVELAÇÃO GERAL -

Mostrar a GRAÇA de Deus.
Colaborar com o argumento do TEÍSMO.
CONDENAR com JUSTIÇA os que a REJEITAM.

A REVELAÇÃO ESPECÍFICA:

Vem de DEUS (Jo 12.49).
Vem por MEIO de Cristo (Hb 1.1-2).
Vem pela ATUAÇÃO do Espírito Santo (2Pe 1.20-21).
É CONFIÁVEL e PERMANENTE (Mt 5.18; Lc 21.33).
Está disponível para todos (Jo 20.31).
Expõe o caminho ESPECÍFICO da SALVAÇÃO (Jo 5.39; Jo 20.31; Rm 1.16)
NÃO atinge EFETIVAMENTE todas as pessoas (Jo 10.24-26).

Atinge as OVELHAS de Deus (Jo 10.27 cf. v.16)
É COMPREENDIDA pela AÇÃO do Espírito Santo (Jo 16.13).
É FUNDAMENTAL para a SALVAÇÃO dos PERDIDOS (1Co 1.21).
É FUNDAMENTAL para a EDIFICAÇÃO dos santos (2Tm 3.16-17).
É INERRANTE (não contém erros).
É INFALÍVEL (não conduz ao erro).

O que precisamos saber em relação ao "Cânon" ?

CÂNON - Significa “regra”, “padrão” ou “norma” (Gl 6.16). É o conjunto dos 66 livros INSPIRADOS por DEUS que, reunidos, formam a nossa Bíblia.

INSPIRAÇÃO é a SUPERVISÃO ATIVA de Deus sobre aquilo que os autores bíblicos escreveram nos ESCRITOS ORIGINAIS, respeitando suas PERSONALIDADES, CULTURA e FACULDADES MENTAIS.

 O TESTEMUNHO INTERNO DA BÍBLIA:

As palavras dos profetas foram e têm sido CUMPRIDAS INTEGRALMENTE (Mt 1.22  cf.  Mq 5.2, Is 9.6).
Jesus chamou os livros de Moisés e dos profetas de ESCRITURA (Mt 21.42; 22.29; Jo 5.39).
Pedro CLASSIFICOU as cartas de Paulo como ESCRITURA junto com o RESTANTE já RECONHECIDO (2Pe 3.15-16).
Paulo tem CONSCIÊNCIA da INSPIRAÇÃO dos SEUS ESCRITOS (1Co 14.37).
João relata as palavras do Senhor e lança MALDIÇÕES sobre quem alterá-las ou NÃO reconhecê-las (Ap 22.16,18-19).
As AFIRMAÇÕES sobre as Escrituras nos dão a PLENA CONVICÇÃO da ATUAÇÃO SOBERANA de Deus na FORMAÇÃO e CONSERVAÇÃO do CÂNON (2Tm 3.16-17; 2Pe 1.20-21).

 O que é a Bíblia?


   A Bíblia é a ÚNICA base da DOUTRINA CRISTÃ. Por isso, se o CONCEITO formulado sobre as Escrituras for ERRADO, todas as outras doutrinas SERÃO AFETADAS de modo NEGATIVO.
   Daí percebe-se a importância da CONCEPÇÃO SADIA da Bíblia. Quando ela NÃO é considerada de modo como EXIGE, NÃO pode servir de base para a CONSERVAÇÃO da “SÃ DOUTRINA” (Tt 2:1).
   Intimamente ligada à doutrina está a vida diária do cristão. O comportamento do crente deve ser um exemplo de doutrina posta em PRÁTICA. Portanto, se uma pessoa NÃO tiver uma idéia CORRETA acerca da Bíblia, isso também influenciará o seu MODO de ANDAR. Com efeito, a Bíblia deve ser para o cristão um MANUAL de PADRÕES para a VIDA. Se não for assim, o homem estará à mercê dos seus PRÓPRIOS modos ERRADOS e PECAMINOSOS de PENSAR, os quais fatalmente o conduzirão à RUÍNA.
   Deve ser lembrado que há pessoas que, apesar de professarem um conceito sadio da Bíblia, vivem em DESACORDO com isso. É claro que essas pessoas envergonham o Evangelho. Suas vidas espirituais são um VERDADEIRO FRACASSO.

 Ainda sobre a  Revelação:

   Revelação é, basicamente, o desvendamento de algo que era desconhecido ou a manifestação de alguma coisa que estava escondida. No contexto judaico-cristão essa palavra é usada para se referir à comunicação que Deus faz de si mesmo e da sua vontade. Assim, em termos teológicos, a revelação é um processo por meio do qual Deus desvenda ao homem seu caráter e seus desígnios (propósitos). O resultado desse processo também é chamado de REVELAÇÃO.

 Conforme vimos, a revelação de Deus se divide em dois aspectos:

1º) A Revelação Geral:

   Refere-se ao testemunho que Deus dá de si mesmo a todos os homens por meio da CRIAÇÃO (Rm 1:19-20), da sua PROVIDÊNCIA na HISTÓRIA (At 14:15-17) e da CONSCIÊNCIA HUMANA (Rm 2:14-15). A REVELAÇÃO GERAL alcança todos os homens em todos os lugares (Sl 19:1-6), mas NÃO tem CONTEÚDO REDENTOR (SALVADOR). O máximo que ela faz é expor alguns atributos de Deus, tornando os homens inescusáveis INDESCULPÁVEIS por rejeitá-lo (Rm 1:20-23).

2º) A Revelação Especial Ou Específica:

   Refere-se ao desvendamento do CARÁTER e do PLANO de Deus na HISTÓRIA da REDENÇÃO (Sl 78; 107), na pessoa de Cristo (a EXPRESSÃO MÁXIMA da REVELAÇÃO – Jo 1:18; 14:9; Cl 1:15; 2:9; Hb 1:1-3) e nas Escrituras Sagradas (2Tm 3:16; 2Pe 1:20-21). A REVELAÇÃO ESPECIAL TEM CONTEÚDO SALVÍFICO, ou seja, é POSSÍVEL alguém COMPREENDER o PLANO REDENTOR de Deus por MEIO dela (2Tm 3:15). Contudo, ainda que DESTINADA a TODOS, a revelação especial ALCANÇA EFETIVAMENTE um número LIMITADO de PESSOAS.

A Inspiração:

   Conforme visto, a Bíblia compõe a REVELAÇÃO ESPECIAL de Deus, tendo sida INSPIRADA por ELE. Quando se diz que a Bíblia é INSPIRADA por Deus,  isto significa que o Espírito Santo SUPERVISIONOU aquilo que os autores bíblicos escreveram ‘nos autógrafos’ , isto é, nos escritos originais (as cópias não foram inspiradas) de tal modo que eles o fizeram SEM COMETER qualquer ERRO.

Deus NÃO ditou as palavras da Bíblia (apenas poucas partes foram provavelmente ditadas – ex. a Lei), NEM TAMPOUCO os autores bíblicos entraram em ESTADO de ÊXTASE para escrever os livros.
   O que Deus fez na realidade foi MOVER (2Pe 1:21) ou DIRIGIR os escritores para que compusessem sua REVELAÇÃO usando suas PERSONALIDADES, CULTURAS e FACULDADES MENTAIS. Desse modo, pode-se dizer que Deus FALOU ATRAVÉS do HOMEM (Mt 1:22; 2:15; 1 Co 14:37).
   É importante destacar que NÃO é CORRETO dizer que os autores bíblicos foram INSPIRADOS por Deus. O termo “inspirados”  se APLICA APENAS aos LIVROS BÍBLICOS. Seus autores foram MOVIDOS ou IMPELIDOS (Gr. ferómenoi) pelo Espírito Santo.

Alguns textos bíblicos que servem de BASE para esse ensino são (Mt 5:18; 22:43; 2 tm 3:16; 2Pe 1:20-21 e Hb 1:1).
   Hoje NÃO existe nenhum fragmento sequer dos ESCRITOS ORIGINAIS. Todos se PERDERAM ao longo dos séculos. O que se tem agora são CÓPIAS, a maioria delas preparada por homens zelosos e habilidosos. Para se chegar ao TEXTO ORIGINAL um trabalho científico denominado ‘CRÍTICA TEXTUAL’ tem sido realizado nessas cópias e em fragmentos delas. Graças à AÇÃO de Deus em PRESERVAR sua Palavra (1Pe 1:24-25) e aos esforços da crítica textual, o conteúdo dos AUTÓGRAFOS foi mantido acessível com precisão PRATICAMENTE TOTAL.

 O Cristão deve ter sempre em mente que a Bíblia, por ser divinamente inspirada é:

INERRANTE:  NÃO há erros na Bíblia, seja no campo da ciência, da geografia, da história ou da filosofia (Jo 10:35; 17:17).

INFALÍVEL:  O que a Bíblia ensina NÃO conduz as pessoas ao erro. Nos caminhos e soluções que prescreve, ela nunca falha, de modo que a pessoa que a obedece pode caminhar segura, sabendo que está seguindo um mapa que a leva na direção certa.  Ademais, suas promessas e profecias NUNCA FALHAM. O que ela diz acerca do amanhã, certamente se cumprirá (Nm 23:19; Sl 119:9,11; Mt 5:18; Tt 1:2).
   Além disso, uma vez que Deus a destinou a criaturas inteligentes com o objetivo de lhes transmitir verdades essenciais, a Bíblia também é  INTERPRETÁVEL. Isso significa que há um SENTIDO ESPECÍFICO (e NÃO vários!)  em cada porção do texto sagrado. Esse sentido  pode ser descoberto por meio do emprego das REGRAS NORMAIS de HERMENÊUTICA, usadas, inclusive, pelo próprio Cristo (Mt 22:41-46).
   É verdade que há trechos difíceis de entender, mais isso NÃO autoriza ninguém a dar ao que foi escrito o sentido que achar mais CONVENIENTE, DISTORCENDO as Escrituras (2Pe 3:15-16). Antes, o leitor deve buscar o SIGNIFICADO PRETENDIDO pelo AUTOR SAGRADO, sabendo que esse SIGNIFICADO é CLARO na maioria das vezes e COMPÕE a mensagem do próprio Deus ao homem.
 Por ser INSPIRADA, INERRANTE, INFALÍVEL e INTERPRETÁVEL, somente a Bíblia pode ENSINAR o que é CORRETO acerca do Deus ÚNICO e VERDADEIRO. Assim, qualquer crença que a rejeite JAMAIS PODERÁ levar o homem ao REAL CONHECIMENTO da DIVINDADE.

 A Canonicidade:

   Sendo INSPIRADOS por Deus, os livros da Bíblia são dotados de CANONICIDADE. O termo “cânon” vem do hebraico (qaneh) e do grego (kánon) e significa, BASICAMENTE, vara de medir ou régua. Com o tempo, essa palavra passou a ter um significado mais amplo, indicando também uma NORMA ou PADRÃO de qualquer natureza (Gl 6:16).
   Assim, quando se afirma que um livro é CANÔNICO, isso SIGNIFICA que DEVE SER USADO como uma RÉGUA para “medir” a VALIDADE do que o HOMEM CRÊ e FAZ.

Deve ficar bem claro que a CANONICIDADE dos livros bíblicos NÃO lhes foi IMPOSTA  por HOMENS. O fato de Deus tê-los produzido usando o PROCESSO da INSPIRAÇÃO visto acima é que lhes CONFERE CANONICIDADE. Os homens SIMPLESMENTE RECONHECERAM essa qualidade presente nos LIVROS BÍBLICOS desde a sua PRODUÇÃO. Aliás, mesmo os escritores bíblicos tinham CONSCIÊNCIA da AUTORIDADE de seus ESCRITOS por serem REVELAÇÃO de Deus. Isso se pode ver, por exemplo, em 2 Samuel 23:2; 1 Coríntios 2:13 e 14:37.

Para Reconhecer um livro como CANÔNICO foram usados os seguintes critérios:

AUTORIA PROFÉTICA ou APOSTÓLICA – Para ser RECONHECIDO, o livro deveria ser escrito por um PROFETA, por um APÓSTOLO  ou por alguém SOB a AUTORIDADE de um APÓSTOLO (por exemplo, Marcos escreveu seu evangelho sob a autoridade do apóstolo Pedro).
ACEITAÇÃO – Para ser reconhecido, o livro tinha que ter AMPLA ACEITAÇÃO entre o povo de Deus. O reconhecimento da igreja em geral foi considerado fator muito importante, uma vez que o Senhor manifesta sua direção por meio do povo santo.
CONTEÚDO – Para ser reconhecido, o livro tinha que mostrar HARMONIA DOUTRINÁRIA com a ORTODOXIA já FIXADA. Livros que apresentassem DESVIOS ou NEGAÇÃO de DOUTRINAS CONSAGRADAS foram REJEITADOS.
INSPIRAÇÃO – Para ser reconhecido, o livro tinha que dar EVIDÊNCIAS de ORIGEM DIVINA, falando com AUTORIDADE e apresentando VALORES MORAIS e ESPIRITUAIS ELEVADOS, próprios de uma obra INSPIRADA pelo Espírito Santo.

 O CÂNON:

   Enquanto o termo CANONICIDADE se aplica a uma qualidade SOBRENATURAL dos livros bíblicos, a palavra “cânon” é usada para se referir ao CONJUNTO de LIVROS que COMPÕEM tanto o Antigo como o Novo Testamento.
   A Bíblia é composta por 66 livros. Dessas obras, 39 fazem parte do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Os livros do Antigo Testamento são classificados da seguinte maneira:

Pentatêuco:

Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.

- Obs. – São os cinco livros de Moisés.

Históricos:

Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.

Poéticos:

Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares.

- Obs. – Os livros de Provérbios e de Eclesiastes são também chamados SAPIÊNCIAIS.

Proféticos:

Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

- Obs. – Lamentações de Jeremias foi escrito na forma de POESIA.

Quanto aos livros que fazem parte do Novo Testamento, sua classificação é a seguinte:

Os Evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas e João.

Histórico - Atos dos Apóstolos.

Epístolas Paulinas – Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom.

Epístolas Gerais - Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas.

Escatológico – Apocalipse.

   O judaísmo ortodoxo não aceita os livros do Novo Testamento. Já o romanismo, desde o concílio de Trento (1545-1563), recepciona os livros apócrifos que são 13 obras (incluindo fragmentos de livros) escritas durante a época do Império Grego (também chamado de período inter-bíblico) e que NÃO são reconhecidas pelo judaísmo, NEM pelo PROTESTANTISMO.

 O termo “apócrifo” significa “oculto” e os livros sob essa designação são os seguintes:  1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, adições a Daniel (Salmo de Azarias, Cântico dos Três Jovens, História de Susana, Bel e o Dragão), adições a Ester, Oração de Manassés, Epístola de Jeremias, Baruque, Eclesiástico (Siraque), Sabedoria de Salomão e 1 e 2 Macabeus. Alguns manuscritos da Septuaginta incluem 3 e 4 Macabeus e os Salmos de Salomão.

A Concepção de Jesus Acerca Das Escrituras:

   Jesus expressou uma concepção extremamente elevada das Escrituras. No tocante a isso, os Evangelhos mostram o seguinte:

1) Jesus usou a Escritura para repudiar as tentações de Satanás (Mt 4:1-11).
     
2) Jesus realçou a perenidade da Lei Mosaica e dos Profetas (Mt 5:17-18), tornando esses escritos comparáveis às suas próprias palavras (Mt 24:35).

3) Jesus destacou que o testemunho de todo o Antigo Testamento acerca dele se cumpriria (Lc 24:44).

4) Jesus aprovou a visão de que nas Escrituras se encontra a vida eterna (Jo 5:39).

5) Jesus afirmou que o Espírito Santo falou através dos autores bíblicos (Mc 12:36).

6) Jesus aceitou a historicidade de eventos bíblicos considerados questionáveis na atualidade  (Mt 12:39-41; Mc 10:6; Lc 17:26-27; Jo 6:49).

7) Jesus defendeu a inerrância (ou, talvez, a integridade. Conferir Tg 2:10) da Escritura dizendo que ela não pode ser desmembrada (Jo 10:35).

 8) Jesus destacou a importância de se conhecer profundamente a Escritura (Mt 22:29).

9) Jesus valorizou detalhes gramaticais e palavras específicas do texto bíblico (Mt 5:18; 22:31-32, 43-45).

10)  Jesus garantiu a composição inerrante do Novo Testamento, dizendo que enviaria o Consolador que guiaria os apóstolos nessa tarefa (Jo 14:26; 16:12-15).

A ILUMINAÇÃO:

   Iluminação é o ministério do Espírito Santo de CAPACITAR o homem que é alcançado por sua graça a compreender a REVELAÇÃO ESCRITA de Deus.
   Essa obra é NECESSÁRIA porque as verdades da Palavra pertencem a uma dimensão que está MUITO ACIMA do ALCANCE da mente humana (Is 55:8-9), sendo conhecida somente pelo Espírito (1Co 2:11). Por isso, sem o auxílio do Senhor NÃO há como o homem acolher o que foi REVELADO (Lc 24:44-45; 1Co 2:12).

 Pra piorar a situação, Satanás CEGA o ENTENDIMENTO das pessoas, impedindo-as de COMPREENDER o EVANGELHO (2Co 4:3-4). É por causa disso que os INCRÉDULOS, NÃO tendo a AÇÃO ILUMINADORA do Espírito, NÃO conseguem ENTENDER NEM mesmo as VERDADES ESPIRITUAIS mais ELEMENTARES (1Co 2:14).

 A iluminação do Espírito Santo na mente do homem por ele favorecido é iniciada, assim, ao tempo da CONVERSÃO, quando o conhecimento da pessoa é ACLARADO, passando ela a enxergar as REALIDADES ESPIRITUAIS do EVANGELHO (At 16:14; 2Co 3:15-16; 4:6; Hb 10:32). A partir daí, a AÇÃO do Espírito Santo de trazer LUZ à MENTE do CRISTÃO PROSSEGUE (Ef 1:17-19), fazendo-o entender mais e mais a VERDADE REVELADA e também levando-o à aceitação dela, FATORES ESSÊNCIAIS para o CRESCIMENTO na vida CRISTÃ (2Co 3:18; Cl 1:9-10).

  A REVELAÇÃO ESPECIAL; A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA ; A INERRÂNCIA DA BÍBLIA -

Já nos dedicamos ao estudo da REVELAÇÃO GERAL de Deus. Agora daremos atenção à REVELAÇÃO ESPECIAL que, ao contrário da REVELAÇÃO GERAL, NÃO é necessariamente dada a TODAS as PESSOAS.

Desde os tempos antigos Deus se REVELOU aos homens de DIVERSAS FORMAS. A maior parte dessas maneiras PERDEU sua UTILIDADE depois do FECHAMENTO do CÂNON. Contudo, são PASSÍVEIS de ESTUDO, pois foram MEIOS que Deus usou para REVELAR ao homem a sua DIVINDADE e a sua VONTADE.

MANEIRAS DA REVELAÇÃO ESPECIAL

A) SORTES

Embora NÃO usemos mais o sistema de “lançar sortes”, em determinadas ocasiões isso serviu para REVELAR a vontade de Deus ao homem (Pv 16.33; At 1.21-26).

B) O URIM E O TUMIM

O peitoral usado pelo sumo sacerdote era como um grande bolso adornado com 12 pedras preciosas. Dentro havia 2 pedras, o Urim e o Tumim, que eram retiradas, como as sortes, a fim de DETERMINAR a VONTADE de Deus (Êx 28.30; Nm 27.21; Dt 33.8; 1Sm 28.6; Ed 2.63).

 C) SONHOS

O sonho, mesmo sendo uma experiência comum, muitas vezes foi usado por Deus para se comunicar com homens no período do AT, o que ocorrerá novamente por ocasião da segunda vinda de Cristo (Gn 20.3,6; 31.11-13,24,40-41; Jl 2.28).

D) VISÕES

Muitos homens de Deus tiveram visões como revelação de Deus. É notável que, nelas, eles, principalmente, “ouviram” as palavras do Senhor (Is 1.1; 6.1; Ez 1.3).

E) TEOFANIAS

Antes da encarnação, as teofanias estavam associadas com a aparição do “Anjo do Senhor”, que comunicou a mensagem divinas às pessoas (Gn 16.7-14; Ex 3.2; 2Sm 24.16; Zc 1.12).

F) ANJOS

Deus, muitas vezes, usou seus anjos para entregar mensagens divinas aos homens (Dn 9.20-21; Lc 2.10-11; Ap 1.1).

G) OS PROFETAS

Os profetas do AT trouxeram a mensagem de Deus para a humanidade (2Sm 23.2; Zc 1.1), assim como fizeram os do NT (Ef 3.5). Eles falavam DIRETAMENTE da parte de Deus, DIFERENTE dos mestres de hoje em dia, que ensinam com base no que foi PREVIAMENTE REVELADO pelas Escrituras.

H) EVENTOS

A atuação de Deus na história também o REVELA. A libertação de Israel REVELOU os atos de JUSTIÇA do Senhor (Mq 6.5). Os atos de JUÍZO REVELAM quem Deus é (Ez 25.7), assim como a encarnação de Cristo (Jo 1.14; Hb 1.3). Deve-se ressaltar que esse tipo de REVELAÇÃO se dá por meio de FATOS HISTÓRICOS REAIS, SEM que tenhamos de procurar um SENTIDO ESPIRITUAL ESCONDIDO por detrás do texto. Assim, quando a Bíblia fala de guerras e povos do passado, refere-se, de fato, a guerras e povos do passado e NÃO a outras entidades representadas por METÁFORAS. Além do mais, a própria Palavra de Deus REVELA a ATUAÇÃO de Deus em diversos FATOS HISTÓRICOS.

I) JESUS CRISTO

Indiscutivelmente, a ENCARNAÇÃO de Jesus Cristo foi um dos PRINCIPAIS MEIOS dessa REVELAÇÃO ESPECIAL. Ele REVELOU o Pai (Jo 1.14; Hb 1.2-3), mostrou a NATUREZA de Deus (Jo 14.9), o PODER de Deus (Jo 3.2), a SABEDORIA de Deus (Jo 7.46), a GLÓRIA de Deus (Jo 1.14), a VIDA de Deus (1Jo 1.1-3) e o AMOR de Deus (Rm 5.8). Nosso Senhor fez tudo isso tanto por intermédio de seus atos (Jo 2.11) como por meio de suas palavras (Mt 16.17).

J) A BÍBLIA

A Bíblia é o meio MAIS ABRANGENTE da REVELAÇÃO, pois engloba o registro de muitos ASPECTOS dessa REVELAÇÃO. É claro que NEM TUDO que Deus revelou a homens e que Jesus fez está registrado na Bíblia (Jo 21.25). Por outro lado, a Bíblia não contém apenas relatos de visões e os feitos de Jesus. Há também diversas verdades adicionais REVELADAS por meio dos escritores bíblicos. Assim, a Bíblia é, ao mesmo tempo, registro de ASPECTOS da REVELAÇÃO de Deus e a PRÓPRIA REVELAÇÃO.

Três aspectos importantes da REVELAÇÃO na Bíblia. Ela é:

· Verdadeira (Jo 17.17);

· Progressiva (Hb 1.1);

· Possui um propósito (Jo 20.31; 2Tm 3.15-17).

 A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA -

 Apesar de haver um consenso geral sobre a inspiração da Bíblia, há uma variedade de conceitos a respeito do que ela vem a ser. Alguns se concentram na ação dos autores, outros nos escritos e outros nos leitores. Alguns relacionam a inspiração à mensagem central da Bíblia, outros aos pensamentos e outros às palavras.

Essas diferenças, frutos dos infindos ataques que a Bíblia recebeu nos últimos dois séculos, tornam necessário o estudo acerca da “inspiração da Bíblia”.

 O RELATO BÍBLICO A RESPEITO DA INSPIRAÇÃO

A doutrina da INSPIRAÇÃO NÃO é invenção de teólogos. A própria Bíblia a expõe enfaticamente. Ela dá testemunho de si mesma (o que não é considerado válido pelos seus inimigos) e tem testemunho da história.

Observemos alguns textos bíblicos:

1) 2Timóteo 3.16

Esse texto mostra a EXTENSÃO da INSPIRAÇÃO (toda a Escritura). No contexto bíblico, Escritura significa tanto o AT como o NT (Lc 24.45; Jo 10.35; Lc 4.21; 1Tm 5.18 cf. Dt 25.4 e Lc 10.7; 2Pe 3.16).

Fica claro que a INSPIRAÇÃO vem da parte de Deus. As Escrituras foram “sopradas por Deus” (significado de inspiração).

O PROPÓSITO da INSPIRAÇÃO é tornar as Escrituras “úteis”. Assim, a Bíblia veio de Deus para nos mostrar como VIVER e o que devemos FAZER.

2) 2Pedro 1.21

Esse texto mostra que Deus usou autores humanos, MOVENDO-OS para esse fim pelo Espírito Santo. O mesmo verbo “mover” é também usado em At 27.15 e nos ajuda a entender seu sentido. Durante a tempestade, os marinheiros não estavam DORMINDO nem INATIVOS, mas era o vento quem, de fato, os levava.

Outro fator importante revelado nesse texto é que NÃO foi a vontade humana quem produziu as Escrituras. A vontade humana pode falhar e pode produzir erros. Porém, NÃO é assim com a VONTADE de Deus. Isso atesta a INERRÂNCIA BÍBLICA.

Resumindo, 2Pe 1.21 diz que Deus USOU homens e deixou para nós uma Bíblia TOTALMENTE CONFIÁVEL.

3) 1Coríntios 2.13

Aqui fica claro que a REVELAÇÃO de Deus chegou até nós por meio de palavras. Assim, Deus não só INSPIROU as ideias REVELADAS pela Bíblia, mas as PALAVRAS que a COMPÕE.

Ou seja, as palavras usadas na Bíblia foram INSPIRADAS por Deus.

4) Uma Compilação de Dados

Vejamos a variedade de material que Deus fez os autores incluírem na Bíblia:

a) Diretamente de Deus: (Dt 9.10).

b) Pesquisado: (Lc 1.1-4).

c) Profético: aproximadamente, 25% da Bíblia consiste em profecias, boa parte já cumprida com EXATIDÃO. NENHUM HOMEM poderia acertar 100% das profecias se fizesse por si mesmo.

d) Histórico: boa parte da Bíblia é HISTÓRICA, a maior parte escrita por homens que VIVERAM o que foi RELATADO.

e) Outros: a Bíblia registra algumas coisas que não são verdadeiras – como as mentiras de Satanás (Gn 3.4-5) –, mas o faz de maneira precisa, como realmente aconteceram. Também contém citações de escritos de pessoas incrédulas (Tt 1.12), além de trechos que revelam experiências pessoais e emoções (Rm 9.1-3). Contudo, essa variedade de material é registrada com PRECISÃO.

 DEFINIÇÃO DE INSPIRAÇÃO

Uma definição abrangente de inspiração seria: Deus supervisionou os autores humanos da Bíblia para que compusessem e registrassem, sem erros, sua mensagem à humanidade utilizando as palavras de seus escritos originais.

Isso significa que Deus não ditou as palavras da Bíblia (algumas vezes até o fez) para os escritores, mas os supervisionou soberanamente para que, no uso de suas capacidades mentais e habilidades, compusessem um material que fosse verdadeiro (Jo 17.17) e que fosse o que Deus desejava nos revelar.

 DESVIOS DA DOUTRINA DA INSPIRAÇÃO

a) Inspiração natural — Crê que os autores escreveram SEM a supervisão de Deus.

1) Deus NÃO INSPIROU as palavras;

2) A Bíblia está no MESMO PATAMAR de outros escritos; e

3) Exclui a INERRÂNCIA e a INFALIBILIDADE.

b) Inspiração mística — Crê que a Bíblia foi escrita por homens cheios do Espírito Santo. De IGUAL MODO outros escritos, como os dos pais da igreja e de grandes homens durante a história. Nesse caso:

1) Outros escritos seriam TÃO INSPIRADOS quanto a Bíblia;

2) Os livros da Bíblia NÃO são INFALÍVEIS; e

3) A Bíblia representa uma importante LITERATURA RELIGIOSA que pode, inclusive, CONTER mensagens de Deus.

c) Níveis de inspiração — Crê que ALGUMAS PARTES da Bíblia são MAIS INSPIRADAS que outras. Toda a Bíblia seria inspirada por Deus, porém, com DIFERENÇA no GRAU de INSPIRAÇÃO entre as partes.

d) Inspiração parcial — Crê que algumas partes da Bíblia foram inspiradas por Deus e outras não. Nesse ponto de vista, o que é inspirado é o propósito da Bíblia. Assim, quando fala da salvação, ela é confiável, mesmo que tenha erros históricos ou científicos.

e) Inspiração conceitual — Crê que os conceitos bíblicos são inspirados e não as palavras. Assim, a mesma ideia exposta de outro modo é tão inspirada quanto a original.

f) Inspiração neo-ortodoxa — Nesse caso, a revelação está centrada em Jesus Cristo. A Bíblia, mesmo possuindo erros, é válida ao nos apresentar Jesus. Assim, a Bíblia é produto humano falível, mas pode se tornar a Palavra de Deus quando lida por nós. Ou seja, a Bíblia se torna Palavra de Deus quando Cristo fala conosco em suas páginas. Desse modo, a Bíblia não possuiria autoridade, mas seria um bom instrumento nas mãos de Cristo, apesar de possuir erros.

A Inerrância Bíblica-

 Inerrância significa que a Bíblia NÃO tem ERROS. Esse conceito é constantemente ATACADO e o COMBATE a ele ou não tem estabelecido uma linha divisória entre os evangélicos.

 A – A IMPORTÂNCIA DA INERRÂNCIA

1) Inerrância declarada

Não é possível crer na Bíblia sem crer na inerrância total. Crer que ela pode ter erros é torná-la totalmente indigna de confiança, já que não é possível estabelecer até aonde os erros chegariam. Matérias como Cristologia e Soteriologia perderiam a credibilidade por falta de certeza de que a Bíblia as expõe corretamente. Não importa que tamanho sejam os “erros” da Bíblia. O menor deles faz com que as doutrinas bíblicas entrem em colapso. Algumas consequências disso seriam:

a) Visão liberal da seriedade do adultério;

b) Visão liberal da seriedade do homossexualismo;

c) Visão liberal do divórcio e do novo casamento;

d) Reinterpretação “cultural” de alguns ensinos da Bíblia (ex.: submissão da mulher, obediência civil e sexo antes do casamento); e

e) Tendência a encarar a Bíblia pela óptica da psicologia moderna.

2) Inerrância diluída

Para muitos, brigar pela INERRÂNCIA da Bíblia é fazer uma tempestade em um copo de água. Esses dizem que a Bíblia NÃO fala claramente sobre sua INERRÂNCIA. Contudo, para fazerem tal afirmação, eles teriam de mostrar que ela também NÃO ensina isso de modo claro.

O fato de a Bíblia NÃO falar sobre a INERRÂNCIA usando esse termo, NÃO quer dizer que essa VERDADE não seja exposta pela Bíblia. É como a doutrina da Trindade, a qual não é apoiada por um texto sequer que contenha a palavra “Trindade” e, nem por isso, é menos VERDADEIRA e BÍBLICA. Do mesmo modo, Jesus nunca disse: “eu sou Deus”, contudo a EVIDÊNCIA BÍBLICA ATESTA sua DIVINDADE.

Esse tipo de exigência de só se crer se houver um versículo que, com todas as letras, exponha e encerre a questão, não é o meio correto de interpretação das Escrituras. Usando esse critério, seria válido dizer que o time vencedor de um torneio não é campeão porque perdeu uma partida no decorrer do campeonato para a equipe que ficou em último lugar.

Outro ataque contra a inerrância é dizer que ela é uma doutrina nova e que a igreja nunca se preocupou com isso no passado. Mas isso não é verdade. A inerrância foi defendida por pessoas como Jesus (Jo 10.35) e Paulo (2Tm 3.16). Sem falar de homens de Deus que defenderam no passado a inerrância de modo veemente:

 a) Agostinho (354-430) afirmou: “As conseqüências mais DESASTROSAS devem seguir-se à crença de que EXISTE ALGO FALSO no LIVRO SAGRADO. Isso equivale a dizer que os homens por meio dos quais as Escrituras chegaram até nós, encarregados de colocá-las por escrito, registraram ALGO FALSO nesses livros. Se nesse sagrado santuário de AUTORIDADE se admitir a possibilidade de haver UMA SÓ declaração falsa, NÃO restará uma ÚNICA sentença desses livros que, parecendo a alguém difícil de praticar ou de nela crer, não possa ser explicada pela mesma regra fatal como uma afirmação na qual o autor, intencionalmente, declarou o que não era verdade” (Epístola).

b) Tomás de Aquino (1224-1274): “Nenhuma falsidade pode fundamentar o sentido literal das Escrituras” (Suma Teológica).

c) Lutero: “As Escrituras jamais erraram”.

d) John Wesley: “Se existe qualquer erro na Bíblia, bem poderiam existir mil deles. Se existe uma só falsidade naquele Livro, NÃO proveio do Deus da VERDADE”.

 B – O SIGNIFICADO DA INERRÂNCIA

A inerrância significa que tudo que a Bíblia ENSINA e apresenta é VERDADEIRO, podendo incluir aproximações, citações livres, linguagem figurada e narrativas diferentes do mesmo evento desde que NÃO se CONTRADIGAM.

É claro que essa forma complexa de se transmitir a verdade cria diversas “aparentes” dificuldades, SEM contudo, apresentar ERROS. Alguns exemplos são:

a) 1Co 10.8 diz que 23 mil morreram em um só dia e Nm 25.9 afirma que foram 24 mil, sem incluir a restrição “em um só dia”;

b) Linguagem figurada como “nascer” e “pôr do Sol”. Apesar de não condizer com o que a ciência já descobriu, são expressões corretas da observação humana e linguagem corriqueira ainda hoje;

c) Mc 10.46-52 e Lc 18.35-43 contam que Jesus curou um cego em Jericó, enquanto Mt 20.29-34 diz que eram dois cegos. Na verdade havia dois cegos, mas Marcos e Lucas contaram a história de um deles, Bartimeu.

O entendimento do TIPO de LINGUAGEM usado e o PROPÓSITO do autor DEVEM ser levados em conta. Caso contrário, teremos dificuldades de conciliar textos como o de Mt 4.4, que diz que o homem deve viver das palavras que procedem da boca de Deus, em comparação com 2Tm 3.16, que diz que toda a Escritura é inspirada por Deus.
[8/8 08:09] Adriano: C – A INERRÂNCIA NOS ENSINOS DE CRISTO

1) As evidências de ‘Mt 4.1-11’

a) Jesus disse, referindo-se às Escrituras, que o homem deveria viver de “toda palavra” que sai da boca de Deus (v.4 cf. Dt 8.3);

b) Quando Satanás citou o Sl 91.11-12, ele omitiu uma parte do v.11 que muda completamente o sentido do texto, mostrando que a ideia não era a de que Deus protege de riscos desnecessários e descabidos. Jesus respondeu que fazer uso do texto desse modo era tentar a Deus, já que o homem deve viver de “toda palavra” que procede de Deus; e

c) A resposta de Jesus a Satanás foi: “Está escrito” (vv.4,7,10).

 2) As evidências do ‘Antigo Testamento’ usadas por Cristo

a) Jesus reconheceu que Adão e Eva eram pessoas reais, criadas por Deus, e agiram de maneiras específicas (Mt 19.3-5; Mc 10.6-8);

b) Creu serem verdadeiros os eventos envolvendo os dias de Noé (Mt 24.38-39; e Lc 17.26-27);

c) Confirmou a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra e a historicidade de Ló e da sua esposa (Mt 10.15; Lc 17.28-29); e

d) Aceitou como verdadeira a história de Jonas e o peixe (Mt 12.40) e a historicidade de Isaías (Mt 12.17), Elias (Mt 17.11-12), Daniel (Mt 24.15), Abel (Mt 23.35), Zacarias (Mt 23.35), Abiatar (Mc 2.26), Davi (Mt 22.45), Moisés e seus escritos (Mt 8.4; Jo 5.46), Abraão, Isaque e Jacó (Mt 8.11; Jo 8.39).

3) A evidência de ‘Mt 5.17-18’

O termo “a Lei e os profetas” envolvia todo o Antigo Testamento. Jesus disse que ele jamais passaria, sem que se cumprisse nem mesmo um “i” ou um “til” (ARA) ou a “menor letra” ou “traço” (NVI). Ao dizer isso, Jesus se referiu ao yod, a menor letra do alfabeto hebraico. Também se referiu ao que é chamado de “til” ou “traço”, que é um pequeno sinal gráfico que diferencia letras hebraicas muito parecidas como o beit e o kaf ou o dalet e o resh. Isso demonstra a confiança que Jesus tinha em cada palavra das Escrituras.

 4) A evidência de ‘Jo 10.31-38’

Depois de afirmar sua divindade (Jo 10.30), os judeus se enfureceram e quiseram apedrejá-lo. Jesus os dissuadiu dessa ideia citando o Salmo 82, ao qual chamou de Lei. Disse que se aos homens foi atribuído o termo “deuses”, devido à alta posição a eles concedida, era correto que ele usasse o mesmo termo para si devido à unidade que tinha com o Pai. O interessante é que essa argumentação não se apoiou em livros ou capítulos da Bíblia, mas em uma palavra:  Elohim, que significa “Deus”.

Isso mostra, mais uma vez, que Jesus cria na inspiração de cada palavra, mesmo as que estão presentes em um salmo que não é nem famoso, nem fundamental no Antigo Testamento. Jesus, ao citá-lo, ainda afirmou que “a Escritura não pode falhar” (v.35).

 5) A evidência de ‘Mt 22.23-33’

Jesus expôs o erro dos saduceus de crer no Pentateuco, mas não nos anjos e na ressurreição. Acusou-os de errarem por não conhecerem nem as Escrituras, nem o poder de Deus (v.29). Jesus disse que a pergunta que fizeram era irrelevante, pois no céu seremos como “anjos”, os quais não se casam (v.30). Também citou o texto de Êx 3.6 para provar que há vida após a morte, mostrando que foi dito a Moisés que Deus era Deus de Abraão, Isaque e Jacó mesmo que eles tivessem morrido muitos anos antes.

6) A evidência de ‘Mt 22.41-46’

Em primeiro lugar, Jesus disse que Davi falou “pelo Espírito” (v.43), demonstrando sua convicção na inspiração das mínimas palavras. Foi apoiado em uma mínima palavra que ele provou que o Messias não era apenas “filho de Davi”, mas também o “Deus de Davi”. Ele se apoiou na palavra “meu” (“disse o SENHOR ao meu Senhor”). A divindade de Jesus foi apoiada nessa pequena palavra, pois Jesus tinha convicção de que cada uma delas vinha de Deus.

D – PASSAGENS PROBLEMÁTICAS

A Bíblia tem algumas dificuldades. Elas, na verdade, não constituem erros, mas “aparentes” discrepâncias que são solucionadas quando analisadas com cuidado. Também lembramos que cremos na inspiração da mesma forma que cremos na divindade: pela fé. Mesmo quando os homens tentam provar que Deus não existe, nossa fé fica inabalada. Do mesmo modo, diante de dificuldades na Bíblia nossa fé mantém nosso conceito sobre a inerrância, pois cremos que as Escrituras nos foram dadas por Deus (2Tm 3.16; 2Pe 1.21).

1) As ‘duas narrativas’ da criação

Enquanto Gn 1.11-12 diz que as plantas foram criadas no terceiro dia, Gn 2.5 dá a entender que não havia plantas antes da criação do homem, o que só ocorreu no sexto dia. Na verdade, Gn 2.5 não fala de todo tipo de planta, mas das que precisam ser “lavradas” ou “cultivadas” pelo homem, de modo que Gn 2.5 é um complemento do que foi dito em Gn 1.11-12. Do mesmo modo, foi dito em Gn 1.27 que Deus criou “homem e mulher”, cujos eventos depois foram detalhados no relato de Gn 2.18-23.

 2) A esposa de Caim

A pergunta é: se só existia a família de Adão, onde Caim encontrou sua esposa? A resposta está no texto de Gn 5.4 que diz que Adão gerou filhos e filhas. A esposa de Caim, assim como a de Sete, foi uma das suas irmãs. Tal casamento não gerou nenhum tipo de anomalia (como é arriscado acontecer hoje) porque os genes defeituosos que produzem esses tipos de mal não estavam presentes na criação de Deus.

Antes de ficarmos chocados com isso, devemos lembrar que esse tipo de casamento voltou a acontecer depois do dilúvio entre os netos de Noé, quando o casamento de parentesco mais distante possível era entre primos. O próprio Abraão se casou com sua “meio-irmã” (Gn 20.12). Só mais adiante Deus PROIBIU esse tipo de relação (Lv 18.6).

3) ‘Nm 25.9’

Moisés disse que a praga que seguiu a adoração de Israel a Baal-Peor matou 24 mil pessoas, enquanto Paulo diz que foram 23 mil (1Co 10.8). A diferença dos dois relatos está no fato de Paulo dizer que 23 mil morreram “em um só dia”. As outras mortes provavelmente ocorreram depois. Outra possibilidade que NÃO afeta a INERRÂNCIA seria o ARREDONDAMENTO por parte dos dois autores, assim como nós fazemos ao nos referirmos a uma viagem de 1.500 quilômetros, quando, na verdade, a distância correta era de 1.523 quilômetros.

4) Quem fez Davi contar os israelitas? (‘2Sm 24.1’; ‘1Cr 21.1’)

Um texto diz que foi Deus e outro diz que foi Satanás. Na verdade, Deus, soberanamente, usou Satanás para cumprir seu plano do mesmo modo que o fez para manter a humildade de Paulo por intermédio do “espinho na carne”, o qual Paulo chamou de “mensageiro de Satanás” (2Co 12.7).

5) Quem matou Golias? (‘2Sm 21.19’; ‘1Sm 17.50’)

Quem matou Golias foi Davi ou Elanã? Nesse caso, o problema é de cópia. Comparando com 1Cr 20.5, percebemos que o copista errou ao copiar 2Sm 21.19, cuja provável mensagem seria: “E Elanã, filho de Jair (ou Jaaré-tecelão), feliu a Lami, irmão de Golias”.

 6) Certos números apresentados em ‘2Sm 24’ e ‘1Cr 21’

a) O texto de 2Sm 24.9 registra 800 mil em Israel e 500 mil em Judá, enquanto 1Cr 21.5 apresenta 1,1 milhão em Israel e 470 mil em Judá. No registro de 2Sm 24, o número não inclui o exército permanente de 288 mil (1Cr 27.1-15), nem os 12 mil especificamente destacados para Jerusalém (2Cr 1.14), que, somados aos 800 mil, dá exatos 1,1 milhão. Já os 470 mil de 1Cr 21 não incluem os 30 mil do exército permanente de Judá (2Sm 6.1);

b) O de castigo pela contagem é de 7 anos em 2Sm 24.13 e de 3 anos em 1Cr 21.12. Esse é mais um erro de cópia. Isso se deve à semelhança entre as letras hebraicas usadas para grafar os números 3 e 7. O correto é que eram 3 anos e, por causa disso, a versão NVI traduz 1Cr 21 desse modo.

7) As medidas de ‘2Cr 4.2’

As medidas do mar de fundição não batem, pois diz que o diâmetro dele era de 450 cm. Porém, quando diz que a circunferência era de 13,5 m, percebemos que essa não é a circunferência de um círculo cujo diâmetro mede 450 cm, mas sim, 430 cm. Há uma discrepância de 20 cm. Entretanto, o v. 5 desfaz essa impressão ao dizer que a espessura da borda era de 10 cm. Ou seja, o mar de bronze de circunferência interna de 13,5 m, cujo diâmetro era de 430 cm, tinha de diâmetro “total”, incluindo 20 cm da espessura das duas bordas externas, exatos 450 cm.

 8) Levar o bordão (‘Mc 6.8; Lc 9.3’)

Jesus permitiu ou não levar o cajado? Na verdade, Jesus permitiu que os discípulos levassem um cajado que possuíssem. Contudo, caso não tivessem, não deveriam levar um na viagem. Chegamos a essa conclusão ao observar Mt 10.9-10, que diz que tais coisas não deveriam ser “adquiridas” para a viagem, não que não pudessem ser usadas. É o caso de não poder levar duas sandálias, podendo, contudo, levar uma: a que ia no pé. A intenção de Jesus era que os discípulos “não fizessem provisão especial para essa missão”.

9) A semente de mostarda (‘Mt 13.32’)

Jesus disse que a semente de mostarda era a menor das sementes. Porém, sabe-se que há sementes menores. Mas, quando Jesus falou isso, disse que era a semente “que um homem plantou no seu campo”. Fica claro que Jesus apelou para a experiência dos judeus, que, das espécies cultivadas, tinha a mostarda como o exemplar de menor semente.

10) Os cegos de Jericó (‘Mt 20.29-34’; ‘Mc 10.46-52’; ‘Lc 18.35-43’)

Eram um ou dois cegos? Como já vimos, eram dois e Mateus está certo em sua afirmação. Porém, Lucas e Marcos se concentraram em um só deles. O motivo disso é que, provavelmente, ele era muito conhecido e isso justifica eles terem citado seu nome: Barjesus.

11) O pai de Zacarias (‘Mt 23.35’)

Zacarias era filho de Beraquias (Zc 1.1) ou de Joiada (2Cr 24.20)? Na verdade, esses dois Zacarias são pessoas diferentes. O Zacarias de 2Cr 24.20-21 viveu antes do cativeiro babilônico e foi apedrejado. O outro Zacarias é o profeta autor do livro que leva seu nome. Ele viveu no período posterior ao exílio e era filho de um homem chamado Beraquias. Apesar de as Escrituras não falarem que ele foi martirizado, esse é a quem, provavelmente, Jesus se referiu, citando corretamente o nome do seu pai e usando um profeta dos tempos do encerramento do AT, traçando uma linha do início ao fim da história registrada no AT ao dizer “de Abel a Zacarias”.

12) Zacarias ‘versus’ Jeremias (‘Mt 27.9-10’)

Mateus cita Jeremias a respeito de um texto que encontramos em Zc 11.12-13. Esse pode, tanto ser um erro de cópia, como um modo de os judeus pós-exílio se referirem às Escrituras. Jeremias é o primeiro livro do Talmude Babilônico e o profeta era proeminente na mente dos judeus dos tempos de Jesus (Mt 16.14). Assim, Mateus pode ter se referido às Escrituras citando Jeremias, além de ter em mente os eventos relacionados à casa do oleiro registrados em Jr 18 e 19.

13) Isaías ‘versus’ Malaquias (‘Mc 1.2-3’)

Marcos cita um texto de Malaquias dizendo ser de Isaías. Provavelmente, Marcos usa Isaías com a intenção de associá-lo não àquele texto em particular, mas ao assunto como um todo que era a pessoa de Cristo, a quem ele acabara de mencionar. Nesse caso, o profeta Isaías é notável, pois fala muito do Messias, principalmente em Is 53, texto esse conhecido como “o servo sofredor”. Devemos lembrar que a óptica sob a qual Marcos apresenta Jesus em seu Evangelho é a de Jesus como “servo”.

 14) Abiatar ‘versus’ Aimeleque (‘Mc 2.26’)

Marcos diz que Davi comeu os pães da proposição nos dias de Abiatar, mas 1Sm 21.1-6 diz que o sumo sacerdote era Aimeleque, pai de Abiatar (1Sm 22.20). Contudo, Jesus não se referiu a Abiatar como sendo o sumo sacerdote, mas disse “nos dias de Abiatar”. Na sequência do relato histórico, Saul mandou matar Aimeleque e os seus, mas Abiatar conseguiu sobreviver, tornando-se sumo sacerdote durante todo o reinado de Davi, sendo deposto apenas no início do reinado de Salomão (1Rs 2.27). Assim, o fato histórico em questão realmente aconteceu “nos dias de Abiatar” e não necessariamente enquanto ele exercia o sumo sacerdócio.

15) A morte de Judas

At 1.8 diz que Judas “precipitou-se, rompendo-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram”, enquanto Mt 27.5 diz que ele “foi enforcar-se”. Os dois relatos se completam. Judas tentou se enforcar e, devido a algum imprevisto como a ruptura da corda ou do galho, ele caiu de um lugar alto, o que causou os danos citados em At 1.8.

16) Problemas em ‘At 7’

Atos 7 apresenta um discurso de Estevão ao Sinédrio que apresenta algumas dificuldades. Nesse caso, mesmo que Estevão tivesse errado, Lucas registrou corretamente suas palavras. Contudo, as dificuldades apresentadas no discurso de Estevão não precisam necessariamente estar erradas.

Em At 7.6, Estevão diz que o cativeiro durou 400 anos (assim como Gn 15.13), enquanto Êx 12.40 menciona 430 anos. Se observarmos bem, o texto de Ex 12.40 diz que o povo “habitou” no Egito por 430 anos. Estevão, por sua vez, falou que a “escravidão” durou 400 anos.

Outro problema está em At 7.14 onde Estevão diz que a família de Jacó tinha 75 pessoas, enquanto Gn 46.27 diz que eram 70. Estevão deve ter se referido ao texto da Septuaginta, o qual registra, em Ex 1.5, o número de 75 pessoas, o que inclui o filho e o neto de Manassés e dois filhos e um neto de Efraim.

terça-feira, 11 de junho de 2019

O homem nasce bom e torna-se mal ou ele já nasce mal?


(Efésios 2:1–3; Romanos 3:10–12)

"Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do
espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais."(Efésios 2:1–3)

"...tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo,
nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se
extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um
sequer". (Romanos 3:9b–12)

   Toda religião e filosofia humana no mundo, exceto o Cristianismo
bíblico, têm sustentado que o homem é basicamente bom e aperfeiçoável através de seus próprios esforços. O filósofo Inglês do século dezessete John Locke (1632–1704) acreditava que o homem nascia como
uma lousa em branco (“tabula rasa”) de inocência. Jean Jacques Rousseau
(1712–1778), o filósofo francês do século dezoito, acreditava que o homem
era bom, assim iniciando a filosofia humanista que coloca o homem antes de
Deus. Ele disse, “o Homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. O Islamismo ensina que todos são nascidos puros (de “musselina” - tecido leve
e um pouco transparente, que serve para vestuário) e naturalmente bons até
que sejam desviados pelo ambiente. O Homem é visto como aperfeiçoável
através do ser corretamente guiado e lembrado da unidade de Alá.
Contudo, apenas através da revelação de Deus, como encontrada na
Bíblia, é que podemos entender a total depravação do homem, que mostra
ser ele totalmente incapaz de salvar a si próprio ou de fazer qualquer obra
meritoriamente boa com respeito à sua salvação. Essa é uma verdade
redescoberta na Bíblia durante a Reforma que transformou a Europa no
século dezesseis e tem impactado o mundo desde então. Infelizmente, nos
tempos modernos, os ensinamentos prejudiciais do Arminianismo têm tido
um papel predominante na maioria das igrejas protestantes, na medida em
que estas se tornam mais antropocêntricas que teocêntricas. Esses ensinamentos foram largamente popularizados através do movimento
Wesleyano e dos acampamentos reavivalistas da América do século
dezenove por pregadores como Charles Finney. Que, por sua vez,
influenciaram as denominações e sociedades missionárias que enviaram
missionários para fundar igrejas protestantes ao redor do mundo.
Então, com a ascensão da teologia liberal, a pecaminosidade do
homem foi minimizada, enquanto pensava-se que o progresso social, a
educação e o desenvolvimento do potencial humano fossem trazer uma
sociedade ainda mais progressista de amor, justiça, igualdade e fraternidade.
Com as grandes guerras do século vinte e a horrenda destruição e morte
devido às lutas entre as chamadas nações “cristãs”, essa aspiração
desapareceu em larga escala.
Apesar disso, as pessoas continuaram a pensar que poderiam
prosseguir pelas suas próprias forças, apenas com uma pequena ajuda de
Deus no caminho. Na teologia da libertação, popular na América Latina, foi
adotada uma visão marxista da sociedade. Sob esse ponto de vista, o homem
não é visto como totalmente corrompido pelo pecado, mas como um povo
que fora oprimido economicamente. A isto é atribuída a corrupção e o
pecado estrutural na sociedade. Pela liberação dos mestres opressores, as
pessoas estariam livres para desenvolver a si mesmas e a transformar a
sociedade existente numa sociedade de igualdade e justiça. O que ocorre
inevitavelmente é que, quando os oprimidos chegam a uma posição de
poder, eles se tornam também opressores. Isso porque o coração humano
não foi transformado apenas através de uma mudança na dinâmica social.
Mas, graças a Deus, está ocorrendo uma mudança nessa maré nas
igrejas que buscam ser fiéis às Escrituras de acordo com um entendimento
do evangelho como totalmente obra de um Deus soberano. A Bíblia
claramente nos diz que o homem não tem nada a contribuir para a sua
salvação. Ela é um dádiva de Deus (Efésios 2:8, 9).

I. Contexto Histórico

Em 1619, um grupo de teólogos publicou um documento com cinco
capítulos que fora escrito em resposta a cinco pontos de protesto de
discípulos de um professor de seminário na Holanda chamado Tiago
Armínio (1560–1609). Um Sínodo nacional foi chamado para responder a
Representação (protesto). Oitenta e quatro membros e 18 comissários
seculares vieram, não só da Holanda, mas da Alemanha, Bavária, Suíça e
Inglaterra. Eles se reuniram por sete meses e formularam o que ficou
conhecido como os Cinco Pontos do Calvinismo, em homenagem ao
reformador João Calvino (1509–1564), o qual expusera essas doutrinas no século anterior. O sínodo restabeleceu todas as doutrinas que haviam sido
sustentadas por praticamente todos os reformadores e pelo Pai da Igreja
Agostinho de Hipona (354–430 D.C.), mil e duzentos anos antes.
Os líderes da Reforma do século dezesseis eram da mesma opinião de
Agostinho no sentido de que o homem é totalmente depravado e arruinado
em seu estado natural separado da Graça de Deus. Todos os reformadores
dos primórdios eram unânimes em sua visão de que o homem era
completamente impotente em seu estado de pecado e totalmente
dependente da soberania de Deus para a salvação. O ponto para os
reformadores não era apenas se Deus era o autor da justificação, mas de fé.
A questão em tela era até onde o Cristianismo era um relacionamento com
Deus que dependia unicamente de Deus para a salvação e tudo mais, ou de
nossa auto-confiança e auto-esforço. Crítico para a determinação da resposta
a essa questão era ter um correto entendimento da natureza do homem e de
sua capacidade ou carência decorrente dessa condição. Assim, o primeiro
ponto dos líderes da igreja que se encontraram no Sínodo de Dort na
Holanda em 1618–1619 para responder aos Arminianos era relativo ao
pecado e seus efeitos na natureza humana. Essa doutrina é determinante
para as doutrinas seguintes. Uma vez que todos os cinco pontos do
calvinismo são realmente inseparáveis. Todos eles ensinam que Deus salva
pecadores. Pecadores não salvam a si próprios de nenhuma forma, nem
dividem a glória da salvação com Deus. A Ele apenas seja toda glória.
Amém.

II. Morte em Pecado

Assim que Paulo começa a explicar para os efésios os passos pelos
quais Deus irá cumprir o Seu propósito de salvar Seus eleitos, ele lembra a
eles do estado em que se encontravam antes de serem feitos vivos em Cristo
pela sua graça. “Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”
(Efésios 2:1). Paulo está falando aqui de nosso estado espiritual antes de
sermos nascidos de novo. A fim de nos tornarmos vivos, saindo da morte
no pecado, devemos nascer dos céus pelo Espírito de Deus, através da
lavagem pela Palavra de Deus (João 3:5; 1 Coríntios 6:11; Efésios 5:26).
Nossa condição de morte espiritual é o que herdamos dos nossos
primeiros pais, Adão e Eva. Deus os criou retos e bons, com um
relacionamento correto com Ele. No Jardim do Éden, Deus plantou a
árvore do conhecimento do bem e do mal e ordenou ao homem, “De toda
árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do
bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente
morrerás” (Gênesis 2:16, 17). Adão e Eva intencionalmente desobedeceram o SENHOR e comeram da árvore. Depois de serem enganados por Satanás
e comerem do fruto proibido, eles caíram de seu caminho com Deus em
morte espiritual, e, conseqüentemente, morte física.
Adão era o líder federal ou representativo para toda a raça humana.
Sua queda em pecado significou que toda a sua posteridade herdaria uma
natureza pecaminosa. Isso pode ser comparado a quando um jogador de
futebol (americano) sai de campo, todo o time é penalizado. O pecado
singular de Adão penalizou toda a humanidade. Paulo explica aos romanos
como isso aconteceu. “Portanto, assim como por um só homem entrou o
pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a
todos os homens, porque todos pecaram...” (Romanos 5:12). Pode-se
comparar o pecado de Adão para a raça humana a como alguém colocando
veneno em um recipiente de água pura. Daquele momento em diante, toda
porção da água se tornou venenosa de forma que é impossível obter até
mesmo uma pequena porção de água pura do recipiente. Similarmente, o ato
singular do pecado de Adão poluiu a corrente sangüínea da raça humana
com o pecado desde o momento da concepção.
Essa verdade fica evidente através das Escrituras. O rei Davi
confessou a Deus após ser confrontado pelo seu adultério dizendo, “Eu
nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5).
Sua natureza pecaminosa vinha do que ele era e havia sido desde o
nascimento. Davi também expressa isso no Salmo 58 “Desviam-se os
ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo
mentiras.” (Salmos 58:3). Jó (14:4) e seus dois amigos Elifaz e Bildade
(25:4–6) expressam que o homem não é puro. Elifaz diz “Que é o homem,
para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo? Eis que Deus
não confia nem nos seus santos; nem os céus são puros aos seus olhos,
quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a
iniqüidade como a água!” (Jó 15:14–16). Paulo diz mais na passagem de
Efésios 2 “e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”
(Efésios 2:3). Em outras palavras, nossa condição espiritual não decorre do
que fizemos, mas decorre do que somos naturalmente, desde o nascimento.
Isso significa que a única maneira de escaparmos da condição de
morte espiritual em que nos encontramos é que Deus se curve em
misericórdia e radicalmente nos transforme, através de um novo
nascimento. Jesus disse ao líder religioso Nicodemos “Em verdade, em
verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no
reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do
Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de
novo” (João 3:5-7). Anteriormente João aponta que aqueles que acreditam
no nome de Jesus “deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber,
aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:12,
13). Em outras palavras, essa transformação em uma vida nova ocorre
somente pelo poder e vontade de Deus.
Entre aqueles que sustentavam uma posição arminiana, incluindo
católicos romanos e ortodoxos, eles viam o homem como uma pessoa se
afogando no mar. Ele está batendo seus braços e pernas, tentando manter
sua cabeça fora d’água. Ele precisa de ajuda; seus pulmões estão se
enchendo de água, mas ele ainda está vivo e capaz de fazer algo para ajudar a
si mesmo. Jesus aparece em um bote e joga ao homem afogando um salva-
vidas. O homem alcança e segura o salva-vidas por sua própria fé e força.
Então, Jesus o puxa seguramente para o bote, que segue para a vida eterna.
Os calvinistas bíblicos vêem o homem estando totalmente afogado e
morto no fundo do mais profundo oceano. Ele tem um coração petrificado,
feito de pedra. Ele não pode ver Jesus vindo para salvá-lo porque ele está
morto e totalmente cego para essa dimensão espiritual. Assim como Jesus
chamou Lázaro para se levantar da sepultura após estar morto por quatro
dias, da mesma forma ele dá nova vida para nossos pútridos corpos mortos.
Em Seu grande amor e misericórdia Ele nos chama para uma ressurreição
em que nós ouvimos Sua voz porque fomos levantados para a vida, apesar
de antes estarmos mortos. Então, nós não podemos dizer que tivemos
qualquer parte em nossa salvação, mas que ela foi totalmente de Deus. Pois
somente Deus salva os pecadores. Como Paulo explica aos colossenses “E a
vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão
da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos
delitos” (Colossenses 2:13).

III. Escravos do Pecado

Tendo nascido com uma natureza pecaminosa, nós continuamente
possuímos uma tendência a ter pensamentos maus, falar palavras más e ter
atitudes más. Na realidade, isto é tudo o que temos capacidade de fazer aos
olhos de Deus, porque nós somos escravos do pecado e cativos do poder de
Satanás. Não é que ninguém faça boas obras. Todos nós fazemos obras
relativamente boas. Até mesmo o pior criminoso que possamos imaginar
poderá fazer algumas obras relativamente boas. Ele pode amar sua mãe e dar
doces para as crianças vizinhas. O chefe local da máfia pode auferir milhões
de dólares do tráfico de drogas em uma vizinhança pobre levando à ruína
várias famílias e à morte de várias pessoas. Contudo, quando ele dá perus de
graça na época do Dia de Ações de Graça para famílias em albergues ele é
louvado e suas boas ações são publicadas nos jornais locais.
   Qualquer boa obra que fazemos é, na realidade, obra pecaminosa
perante Deus a menos que nós as façamos com a correta motivação de
darmos glória a Deus e não ao nosso próprio orgulho. Como Isaías diz
“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como
trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas
iniqüidades, como um vento, nos arrebatam” (Isaías 64:6). Deus está
dizendo que nossas boas obras são como trapos manchados pela sujeira da
menstruação de uma mulher. O Catecismo de Heidelberg dá uma boa
definição para “boas obras”: Somente aquelas que são feitas através da
verdadeira fé, de acordo com a lei de Deus e para a Sua glória” (Resposta
91). Edwin Palmer explica isso dizendo “De acordo com o Catecismo, três
elementos são necessários para se fazer verdadeiras boas obras: fé
verdadeira, obediência à lei de Deus e motivo apropriado. Uma obra
relativamente boa, por outro lado, pode ter a correta aparência externa, mas
não ser executada através de fé verdadeira ou para a glória de Deus. Assim,
não-cristãos podem executar ações relativamente boas, apesar de eles
mesmos estarem totalmente em depravação”.

Total depravação não quer dizer que nós somos tão perversos quanto
possível. Ninguém pode pecar todo o pecado que seria possível. Jesus
reconheceu que mesmo os perversos podem fazer o bem, quando disse “Se
fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os
pecadores fazem isso” (Lucas 6:33). É através da graça comum de Deus que
Ele restringe a maldade em todos (2 Tessalonicenses 2:7) e possibilita que
eles possam fazer o bem relativo. Mas mesmo o incrédulo reconhece a
pecaminosidade do homem. “Um velho provérbio chinês afirma: ‘Existem
dois homens bons – um está morto e o outro ainda não nasceu’”.
Paulo relembra os cristãos efésios de sua condição anterior dizendo
“nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o
príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da
desobediência” (Efésios 2:2).Ele está dizendo que eles estavam vivendo nas
garras de Satanás, no controle de suas vidas. Jesus disse aos judeus que se
opunham a ele “Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete
pecado é escravo do pecado” (João 8:34). E Ele continuou dizendo “Vós
sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos.” (João
8:44). Aqueles escravizados pelo pecado estão sob o controle de Satanás.
Essa é a condição de cada um de nós antes de reconhecermos Cristo como
Senhor pela fé. Como a epístola de João diz “Sabemos que somos de Deus e
que o mundo inteiro jaz no Maligno” (1 João 5:19).

IV. Objetos da Ira de Deus

Nosso pecado não é algo com que Deus “pega leve”. Não, nosso
Deus é um Deus santo que não pode simplesmente olhar sobre o pecado ou
tê-lo em Sua presença. Como o profeta Habacuque diz, “Tu és tão puro de
olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que,
pois, toleras os que procedem perfidamente...” (Habacuque 1:13). Sendo um
Deus de justiça, o pecado deve ser punido. Todos nós merecemos ir para o
inferno. Paulo explica como os cristãos efésios viviam “entre os quais
também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne,
fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza,
filhos da ira, como também os demais” (Efésios 2:3). A ira de Deus é contra
nós até mesmo pela nossa natureza pecaminosa. Pois tudo deve ser feito
para a Sua glória somente. Desde o nascimento nós falamos mentiras e
procuramos somente o nosso bem-estar. A Escritura nos diz que “se, de
fato, é justo para com Deus ... quando do céu se manifestar o Senhor Jesus
com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os
que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de
nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos
da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado
nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia
(porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho)” (2 Tessalonicenses
1:6–10).

V. Reino Universal do Pecado

Quando Paulo expõe aos Romanos o porquê de precisarmos da
retidão de Cristo para cobrir nossos pecados ele cita os Salmos 14 e 53,
dizendo:

“Não há justo, nem um sequer;
 não há quem entenda,
 não há quem busque a Deus” (Romanos 3:10, 11).

Esta citação primeiramente declara que não há ninguém justo aos
olhos de Deus. Segundo, ninguém entende o que é bom. Terceiro, todos são
incapazes mesmo de procurar a Deus. Vamos expandir um pouco esses
pontos. Outra forma de descrever nossa depravação total é como esta sendo
uma total incapacidade. Isso significa que o homem é incapaz de fazer o
bem, de entender o que é bom ou até mesmo de desejar o que é bom.

Primeiro, todos são pecadores e necessitam da graça de Deus, já que
ninguém é justo. A pecaminosidade do homem espalhou-se por toda a raça humana desde a queda de Adão. Como Paulo disse “... pela desobediência
de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (Romanos 5:19). Essa
pecaminosidade infiltrou-se na raça humana mesmo antes da entrega da lei a
Moisés. Antes do Dilúvio “Viu o SENHOR que a maldade do homem se
havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do
seu coração” (Gênesis 6:5). Mesmo logo depois do Dilúvio, o SENHOR
disse do homem “porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua
mocidade” (Gênesis 8:21). Jesus nos ensinou que é do coração que procede
toda forma de pecado (Marcos 7:20–23). “Nada sai do corpo físico do
homem que seja agradável de olhar ou agradável de cheirar. Da mesma
forma que não existe nada que saia do coração do homem que seja agradável
a Deus (para a salvação).”  Adiante, em Romanos 3, Paulo nos disse “não
há quem faça o bem, não há nem um sequer” (v. 12).

VI. Mentes Obscurecidas pelo Pecado

Segundo, ninguém entende o bem. Não só todos os homens são
mortos no pecado e escravos dele, mas suas mentes estão obscurecidas pelo
pecado. O homem não-regenerado não tem entendimento das coisas de
Deus. Tais coisas são loucura para ele. Paulo declara que os não regenerados
estão “obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da
ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração” (Efésios 4:18). No
que diz respeito aos judeus descrentes, Paulo diz que “... os sentidos deles se
embotaram” e “o véu está posto sobre o coração deles” “... Quando, porém,
algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado (2 Coríntios. 3:14–
16).
O Evangelho de João descreve a vinda de Jesus ao mundo como a
vida que dá luz aos homens. Seu prólogo diz “A luz resplandece nas trevas,
e as trevas não prevaleceram contra ela” (João 1:5). Adiante, ele diz que o
“Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o
mundo não o conheceu. Veio para o que era seu [o povo Judeu], e os seus
não o receberam” (João 1:10, 11). O problema que Jesus encontrou não
estava em sua apresentação, seu estilo ou suas habilidades de comunicação.
Ninguém teria feito melhor trabalho em comunicar a verdade. Pelo
contrário, eram os duros e descrentes corações que eram incapazes de
entender a verdade. Jesus disse aos judeus “Se vos digo a verdade, por que
razão não me credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso,
não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (João 8:46–47).
João explica porque corações duros e obscurecidos de descrentes
evitam a luz da verdade de Deus. “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.” (João 3:19-21).
Como Paulo falou do poder e da glória da cruz de Cristo aos
coríntios, ele explicou porque muitos a rejeitaram: “Certamente, a palavra da
cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos,
poder de Deus” (1 Coríntios 1:18). Adiante, ele diz “Ora, o homem natural
não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode
entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). O
cientista e filósofo Francês Blaise Pascal (1623–1662) disse: “Existem apenas
dois tipos de homens: os justos, que se acreditam pecadores; e o resto,
pecadores, que se acreditam justos”.
   Existem vários teólogos e pastores que passam a maior parte de suas
vidas estudando a Bíblia, sem, contudo, nunca terem acreditado nela. Eles
não podem acreditar porque o Espírito de Deus não regenerou seus
corações. Eles podem ser capazes de explicar acuradamente o evangelho e as
verdades da Bíblia e ainda rejeitá-las como mitos e estórias criadas para
explicar eventos não entendidos antes da nossa era científica. E apenas pelo
poder e iluminação do Espírito Santo é que uma pessoa pode entender as
profundas verdades do Evangelho.

VII. A Incapacidade do Homem de Se Arrepender e
Acreditar

   Terceiro, nós somos totalmente incapazes de até mesmo procurar a
Deus. Como Paulo diz, “Não há quem busque a Deus”. De fato, o homem
odeia a Deus e o que Ele representa. O homem odeia o bem e não se
importa. É necessário um miraculoso trabalho de Deus para uma pessoa
chegar à fé salvadora. Como Jesus disse, “Ninguém pode vir a mim se o Pai,
que me enviou, não o trouxer...” (João 6:44). Um pouco depois, Jesus
repetiu o mesmo pensamento dizendo “ninguém poderá vir a mim, se, pelo
Pai, não lhe for concedido” (João 6:65). Isso quer dizer que ninguém pode
escolher seguir Jesus. Todas as pessoas estão atadas ao pecado.
A vontade é livre para escolher o que acha melhor, mas o que ela
naturalmente pensa como melhor é não buscar ou escolher Deus. O homem
natural não quer se submeter e servir a Deus. Ele rejeita a soberania de Deus
em sua vida. Ele pensa que a felicidade da satisfação na vida não é
encontrada na justiça de Deus. Apesar da vontade do homem ser livre para
escolher “Provai e vede que o SENHOR é bom” (Salmos 34:8), ele “odeia” o gosto do “pão vivo que desceu do céu” (João 6:51). A vontade do homem
natural está atada pelas correntes do pecado, o que afeta seu entendimento e
visão. Por que o homem natural não poder ir a Deus? Como Jeremias disse,
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente
corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). Só aqueles que
primeiramente têm a obra do Espírito de Deus em seu coração são capazes
de ir para Jesus. Assim que Paulo falou a um grupo de mulheres que se
juntaram em Filipos, próximo a um rio, Lídia veio a crer. Nos é dito que “O
Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (Atos
16:14, grifamos). Ela não abriu o seu coração. Deus é que o abriu.
Jeremias, que era bom amigo do africano Ebede-Meleque, o qual
havia lhe salvado das profundezas pantanosas de uma cisterna com uma
corda (Jeremias 38:7-13), usou o homem negro para ilustrar uma verdade
espiritual:

“Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele
ou o leopardo, as suas manchas?
Então, não poderíeis fazer o bem,
estando acostumados a fazer o mal.” (Jeremias 13:23).

   A questão retórica colocada por Jeremias confirma o fato de que é
impossível para qualquer um mudar de uma vida de pecado para fazer o
bem, quanto mais alcançando justiça perante Deus. O grande pregador
inglês do século dezenove Charles Spurgeon descreve isso da seguinte
forma:

…Você não poderia tornar um homem negro em branco,
apesar de você poder tornar um homem branco em negro.
Você pode fazer o que quiser por meio de corrupção, mas você
não pode fazer nada através de correção. Você pode se fazer
sujo pelo pecado, mas você não pode se fazer limpo
espiritualmente por si mesmo, faça o que fizer. Existe uma
facilidade em ir para baixo; você pode pular para dentro de um
precipício bastante rápido, mas quem poderia ficar ao fundo de
um alto despenhadeiro e saltar para o topo de um só pulo? O
homem pode descer contra sua vontade, mas ele não pode
subir mesmo com sua vontade. Você pode fazer o mal muito
facilmente, você pode fazê-lo com as duas mãos,
gananciosamente e faze-lo de novo e de novo e não se cansar
dele; mas retornar ao caminho correto, isso é difícil.
O que pode o homem fazer para mudar a sua natureza e se fazer um
novo homem? Nada! Ouvir sermões, ir à igreja, dar dinheiro aos pobres e
ajudar uma viúva a consertar o seu teto vazando, não vão mudar o coração de um pecador. Todos os meios aparentes de que alguém possa se utilizar
serão inúteis. É somente a obra do Espírito de Deus que pode mudar um
coração frio de pedra em um coração de carne que responde ao chamado de
Deus.
   O homem continuamente pensa que ele deve fazer algo para contribuir para
sua salvação. Mesmo aqueles que reconhecem que a salvação é pela graça de
Deus, ainda pensam que são eles quem escolhem Deus e são eles que
contribuem com a fé para acreditar. A questão que enfrentamos com relação
ao ponto da depravação total ou extrema, é expressa por Edwin Palmer da
seguinte forma:
É Deus sozinho o autor da salvação ou também a fé? Deus
contribui com o sacrifício substituinte de Cristo e o homem
contribui com a sua fé? Ou a fé é também um dom de Deus
(Efésios 2:8)? A salvação depende parte de Deus (a entrega de
Cristo na cruz) ou totalmente de Deus (a entrega de Cristo na
cruz para morrer por nós além de nos dar a nossa fé)?
O homem mantém um pouquinho da glória para si mesmo – a
capacidade de acreditar? Ou toda a glória vai para Deus? O
ensinamento da depravação total é que Deus leva toda a glória
e o homem nenhuma.

VIII. Aplicação

O que nós aprendemos pelo ensinamento de nossa depravação total é
uma explicação para todos os problemas que encontramos em nosso mundo
de ódio, guerra, pobreza, ganância, drogas, promiscuidade sexual, rebelião e
anarquia. Mesmo se todo o mundo se convertesse, não seriam resolvidos
todos os nossos problemas, uma vez que os cristãos ainda são pecadores.
Mas nós vemos que o Evangelho nos leva a resolver os problemas no
mundo até que Jesus venha, quando todas as coisas serão renovadas.
   Em segundo lugar, nós aprendemos que estamos em uma condição
terrível em nossa própria depravação. Isso nos dá uma noção da urgência de
buscar a Deus. Nós percebemos que não há esperança longe da graça
sobrenatural e imerecida de Deus. Isso deveria nos levar a apelar a Deus por
misericórdia. Nós deveríamos chamar a Jesus para nos salvar de nossa
condição miserável.
   Em terceiro lugar, sabemos agora que se nós buscamos a ajuda e a
misericórdia de Deus é somente porque Deus primeiramente começou a
obra de seu Espírito em nossos corações para chamar por Ele. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua
boa vontade (Filipenses 2:13).
   Em quarto, o entendimento da total depravação do homem tem um
impacto em várias decisões feitas em casa, na escola, na política pública e no
governo. Nosso entendimento da natureza pecaminosa básica da
humanidade afeta como devemos educar nossas crianças. Isto afeta
diretrizes com respeito ao crime e à punição. A depravação da humanidade
influenciou fortemente os autores da Constituição dos Estados Unidos a
desenvolver um sistema de controle e avaliação nos três ramos do governo
(executivo, legislativo e judiciário), sabendo que existe uma contínua
tendência do homem em buscar subjugar outros, se permitido.
Mas no coração dessa doutrina está a necessidade de nós
entendermos que estamos totalmente falidos perante Deus. Se mantivermos
a idéia de que temos alguma capacidade espiritual, ainda que pequena, não
vamos nos preocupar nunca com a nossa condição espiritual. Geralmente
nós pensamos que temos uma longa vida para viver e que ainda há tempo
para acreditar em Cristo mais tarde. Mas ao conhecermos nossa real
condição de estarmos mortos no pecado, estaremos em desespero e
procurando por Cristo. Nós vamos sentir uma urgência em nos
arrependermos e acreditarmos Nele. Pois nós não temos mérito em nós
mesmos para oferecer a Deus e recebermos a salvação. A salvação vem de
Deus somente, através de Cristo somente, pela graça somente, através da fé
somente que nos é dada como um dom de Deus, para a glória de Deus
somente. Aleluia! Amém.

Ação de Graças:

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Efésios 3:20, 21).


Todos os indivíduos em particular ou todas as classes de indivíduos?

   Portanto, exorto, antes de tudo, que se usem súplicas, orações, intercessões, ações de graças em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se encontram em posição de destaque, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isso é bom e aceitável aos olhos de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. (1 Timóteo 2:1-3)

1. Portanto, exorto, antes de tudo. Os exercícios religiosos que o apóstolo aqui ordena mantêm e fortalecem em nós o culto sincero e o temor de Deus, bem como nutrem a consciência íntegra. O termo, portanto, é então perfeitamente apropriado, visto que essas exortações se deduzem naturalmente do encargo que ele pusera sobre Timóteo.

Primeiramente, ele trata da oração pública e de sua regulamentação, a saber: que ela deve ser feita não só em favor dos crentes, mas em favor de todo o gênero humano. É possível que alguém argumente: “Por que devemos preocupar-nos com o bem-estar dos incrédulos, já que não mantêm nenhuma relação conosco? Não é suficiente que nós, que somos irmãos, oremos uns pelos outros e encomendemos a Deus toda a Igreja? Os estranhos não significam nada para nós”. Paulo se põe contra essa perversa perspectiva, e diz aos efésios que incluíssem em suas orações todos os homens, e não as restringissem somente ao corpo da Igreja.
Admito que não entendo plenamente a diferença entre os três ou quatro tipos de oração de que Paulo faz menção. É pueril a opinião expressa por Agostinho, a qual torce as palavras de Paulo para adequarem-se ao uso cerimonial de sua própria época. O ponto de vista mais simples é preferível, a saber: que súplicas são solicitações para sermos libertados do mal; orações são solicitações por algo que nos seja proveitoso; e intercessões são nossos lamentos postos diante de Deus em razão das injúrias que temos suportado. Eu mesmo, contudo, não entro em distinções sutis desse gênero; ao contrário, deduzo um tipo diferente de distinção. Proseucai [Proseuche] é o termo grego geral para todo e qualquer tipo de oração; e deh>seiv[deeseis] denota essas formas de oração nas quais se faz alguma solicitação específica. Portanto, essas duas palavras se relacionam como o gênero e a espécie. v´Enteu>xeiv[Enteuxeois] é o termo usual de Paulo para as orações que oferecemos em favor uns dos outros, e o termo usado em latim é intercessionesintercessões. Platão, contudo, em seu segundo diálogo intitulado, Albibíades, usa a palavra de forma diferenciada para denotar uma petição definida, expressa por uma pessoa em seu próprio favor. Em cada inscrição do livro, bem como em muitas passagens, ele mostra claramente que proseuch [proseuche] é, como eu já disse, um termo geral.
Todavia, para não nos determos desproporcionalmente por mais tempo numa questão que não é de grande relevância, Paulo, em minha opinião, está simplesmente dizendo que sempre que as orações públicas foram oferecidas, as petições e súplicas devem ser formuladas em favor de todos os homens, mesmo daqueles que presentemente não mantêm nenhum relacionamento conosco. O amontoado de termos não é supérfluo; pois ao meu ver Paulo, intencionalmente, junta esses três termos com o mesmo propósito, ou seja, com o fim de recomendar, com o maior empenho possível, e pedir com a máxima veemência, que se façam orações intensas e constantes.
Sobre o significado de ações de graças não há nada de obscuro, pois ele não só nos incita a orar a Deus pela salvação dos incrédulos, mas também a render graças por sua prosperidade e bem-estar. A portentosa benevolência que Deus nos demonstra dia a dia, ao fazer “seu sol nascer sobre bons e maus”, é digna de todo o nosso louvor; e o amor devido ao nosso próximo deve estender-se aos que dele são indignos.

2. Em favor dos reis. Ele faz expressa menção dos reis e de outros magistrados porque os cristãos têm muito mais razão de odiá-los do que todos os demais. Todos os magistrados daquele tempo eram ajuramentados inimigos de Cristo, de modo que se poderia concluir que eles não deviam orar em favor de pessoas que viviam devotando toda a sua energia e riquezas em oposição ao reino de Cristo, enquanto que, para os cristãos, a extensão desse reino, e de todas as coisas, é a mais desejável. O apóstolo resolve essa dificuldade e expressamente ordena que orações sejam oferecidas em favor deles. A depravação humana não é razão para não se ter em alto apreço as instituições divinas no mundo. Portanto, visto que Deus designou magistrados e príncipes para a preservação do gênero humano, e por mais que fracassem na execução da designação divina, não devemos, por tal motivo, cessar de ter prazer naquilo que pertence a Deus e desejar que seja preservado. Eis a razão por que os crentes, em qualquer país em que vivam, devem não só obedecer às leis e ao comando dos magistrados, mas também, em suas orações, devem defender seu bem-estar diante de Deus. Disse Jeremias aos israelitas: “Orai pela paz de Babilônia, porque, em sua paz, tereis paz” [Jeremias 29:7). Eis o ensino universal da Escritura: que aspiremos o estado contínuo e pacífico das autoridades deste mundo, pois elas foram ordenadas por Deus.

Para que vivamos vida tranqüila e mansa. Ele acrescenta mais uma persuasão, ao mostrar como isso será proveitoso a nós próprios e ao enumerar as vantagens geradas por um governo bem regulamentado. A primeira é uma vida tranqüila, porquanto os magistrados se encontram bem armados com espada para a manutenção da paz. A menos que restrinjam o atrevimento dos homens perversos, o mundo inteiro se encherá de ladrões e assassinos. Portanto, a forma correta de conservar a paz consiste em que a cada pessoa seja dado o que é propriamente seu, e que a violência dos poderosos seja refreada. A segunda vantagem consiste na preservação da piedade, ou seja, quando os magistrados se diligenciam em promover a religião, em manter o culto divino e requerer reverência pelas coisas sacras. A terceira vantagem consiste na preocupação pela seriedade pública: pois o benefício advindo dos magistrados consiste em que impeçam os homens de se entregarem a impurezas bestiais ou a vergonha devassidão, bem como a preservar a modéstia e a moderação. Se esses três requisitos foram suprimidos, que gênero de vida será deixado à sociedade humana? Portanto, se porventura nos preocupamos com a tranqüilidade pública, com a piedade ou com a decência, lembremo-nos de que o nosso dever é diligenciarmo-nos em favor daqueles por cuja instrumentalidade obtemos tão relevantes benefícios.
Disso concluímos que os fanáticos que lutam pela supressão dos magistrados são privados de toda humanidade e promovem unicamente o barbarismo impiedoso. Que grande diferença há entre Paulo que declara que, por amor à preservação da justiça e da decência, bem como da promoção da religião, devemos orar em favor dos reis, e aqueles que dizem que não só o poder real, mas também todo e qualquer governo, são contrários à religião. O que Paulo afirma tem o Espírito Santo como Autor; conseqüentemente, o conceito dos fanáticos não tem outro autor senão o diabo.
Se porventura suscitar-se a pergunta se devemos ou não orar em favor dos reis de cujo governo não recebemos tais benefícios, minha resposta é que devemos orar por eles, sim, para que, sob as diretrizes do Espírito Santo, comecem a conceder-nos essas bênçãos, com as quais até agora não foram capazes de prover-nos. Portanto, devemos não só orar por aqueles que já são dignos, mas também pedir a Deus que converta os maus em bons governantes. Devemos manter sempre este princípio: que os magistrados são designados por Deus para a proteção da religião, da paz e da decência públicas, precisamente como a terra foi ordenada para produzir o alimento. Por conseguinte, quando oramos pelo pão de cada dia, pedimos a Deus que faça a terra fértil, ministrando-lhe sua bênção, assim devemos considerar os magistrados como meios ordinários que Deus, em Sua providência, ordenou para conceder-nos as demais bênçãos. A isso deve-se acrescentar que, se somos privados daquelas bênçãos que Paulo atribui como dever dos magistrados no-las fornecer, a culpa é nossa. É a ira de Deus que faz com que os magistrados sejam inúteis, da mesma forma que faz com que a terra seja estéril. Portanto, devemos orar pela remoção dos castigos que nos sobrevêm em virtude de nossos pecados.
Em contrapartida, os magistrados e todos quantos desempenham algum ofício na magistratura são aqui lembrados de seu dever. Não basta que restrinjam a injustiça, dando a cada um o que é devidamente seu, e mantenham a paz, se não são igualmente zelosos em promover a religião e em regulamentar os costumes pelo uso de uma disciplina construtiva. A exortação de Davi, para que [os magistrados] “beijem o Filho” [Salmo 2:12, e a profecia de Isaías, para que sejam pais da Igreja, é de grande relevância. Portanto, não terão motivo para se congratularem, caso negligenciem sua assistência na manutenção do culto divino.

3. Isso é bom e aceitável. Havendo demonstrado que o mandamento que ele promulgara é excelente, agora apela para um argumento mais enérgico, a saber: que é agradável a Deus. Pois quando sabemos que essa é a vontade, cumpri-la é a melhor que todas as demais razões. Pelo termo, “bom”, ele tem em mente o que é certo e lícito; e, visto que a vontade de Deus é a regra pela qual devemos regulamentar todos os nossos deveres, ele prova que ela é justa, porque é aceitável a Deus.
Esta passagem merece detida atenção, pois dela podemos extrair o princípio geral de que a única norma genuína para agir bem e com propriedade é acatar a e esperar na vontade de Deus, e não empreender nada senão aquilo que ele aprova. E essa é também a regra da oração piedosa, a saber: que tomemos a Deus por nosso Líder, de modo que todas as nossas orações sejam regulamentadas por Sua vontade e comando. Se essa regra não houvera sido suprimida, as orações dos papistas, hoje, não seriam tão saturadas de corrupções. Pois, como poderão provar que detêm a autoridade divina para se dedicarem à intercessão dos santos falecidos, ou eles mesmos praticarem a intercessão em favor dos mortos? Em suma, em toda a sua forma de orar, o que poderão apresentar que seja do agrado de Deus?

4. Daqui se deduz uma confirmação do segundo argumento, o fato de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos. Pois, que seria mais razoável do que todas as nossas orações se conformarem a este decreto divino? Concluindo, ele demonstra que Deus tem no coração a salvação de todos os homens, porquanto Ele chama a todos os homens para o conhecimento de Sua verdade. Este é um argumento que parte de um efeito observado em direção à sua causa. Pois se “o evangelho é o poder de Deus par a salvação de todo aquele que crê [Romanos 1:16], então é justo que todos aqueles a quem o evangelho é proclamado sejam convidados a nutrir a esperança da vida eterna. Em suma, visto que a vocação [do evangelho] é uma prova concreta da eleição secreta, então Deus admite à posse da salvação aqueles a quem Ele concedeu a bênção de participarem de Seu evangelho, já que o evangelho nos revela a justiça de Deus que garante o ingresso na vida.
À luz desse fato, fica em evidência a pueril ilusão daqueles que crêem que esta passagem contradiz a predestinação. Argumentam: “Se Deus quer que todos os homens, sem distinção alguma, sejam salvos, então não pode ser verdade que, mediante Seu eterno conselho, alguns hajam sido predestinados para a salvação e outros, para a perdição”. Poderia haver alguma base para tal argumento, se nesta passagem Paulo estivesse preocupado com indivíduos; e mesmo que assim fosse, ainda teríamos uma boa resposta. Porque, ainda que a vontade de Deus não deva ser julgada à luz de Seus decretos secretos, quando Ele no-los revela por meio de sinais externos, contudo não significa que ele não haja determinado secretamente, em Seu íntimo, o que se propõe fazer com cada pessoa individualmente.
Mas não acrescentarei a este tema nada mais, visto o assunto não ser relevante ao presente contexto, pois a intenção do apóstolo, aqui, é simplesmente dizer que nenhuma nação da terra e nenhuma classe social são excluídas da salvação, visto que Deus quer oferecer o evangelho a todos sem exceção. Visto que a pregação do evangelho traz vida, o apóstolo corretamente conclui que Deus considera a todos os homens como sendo igualmente dignos de participar da salvação. Ele, porém, está falando de classes, e não de indivíduos; e sua única preocupação é incluir em seu número príncipes e nações estrangeiros. Que a vontade de Deus é que eles também participem do ensinamento do evangelho é por demais óbvio à luz das passagens já citadas e de outras afins. Não é sem razão que se disse: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão” [Salmo 2:8]. A intenção de Paulo era mostrar que devemos ter em consideração, não que tipo de homens são os príncipes, mas, antes, o que Deus queria o que fossem. Há um dever de amor que se preocupa com a salvação de todos aqueles a quem Deus estende Seu chamamento e testifica acerca desse amor através de orações piedosas.
É nessa mesma conexão que ele chama Deus nosso Salvador, pois de qual fonte obtemos a salvação senão da imerecida munificência divina? O mesmo Deus que já nos conduziu à Sua salvação pode, ao mesmo tempo, estender a mesma graça também a eles. Aquele que já nos atraiu a si pode uni-los também a nós. O apóstolo considera como um argumento indiscutível o fato de Deus agir assim entre todas as classes e todas as nações, porque isso foi predito pelos profetas.