segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Laicismo

O que é Laico: Laico significa o que ou quem não pertence ou não está sujeito a uma religião. O termo “laico” tem sua origem etimológica no Grego “laikós” que significa “do povo”. Está relacionado com a vida secular (mundana) e com atitudes profanas que não se conjugam com a vida religiosa. Um comportamento secular é o oposto de um comportamento eclesiástico,direcionado para atividades da Igreja. Laico é a forma erudita de leigo, cujo significado no meio religioso se refere ao membro ativo da Igreja que não exerce funções específicas do clérigo. O laicismo é uma doutrina que defende a ausência de qualquer obrigação de caráter religioso nas instituições governamentais. É uma posição que visa a laicidade, ou seja, a não intervenção da religião no Estado. A qualidade de ser laico pressupõe a não interferência da igreja em assuntos políticos e culturais. Quando se fala em Estado laico, existe a ideia de neutralidade sobre questões religiosas. Deve haver liberdade para os cidadãos manifestarem a sua fé religiosa, qualquer que ela seja, sem haver controle ou imposição de uma religião específica.

22 marcas de uma possível falsa igreja

22 marcas de uma possível falsa igreja - Sabemos que muitos dos leitores foram despertados para o Evangelho, mas se encontram em igrejas onde o mesmo não aconteceu. Falemos sobre os seguintes temas: 1.Porque Você Não Pode Mudar Sua Igreja 2.Quando você pode mudar sua igreja? 3.Como Mudar Sua Igreja 4.Como Viver Com o Que Você Não Consegue Mudar Agora queremos pensar naquilo que você deve procurar em uma nova igreja, caso você tenha optado por sair de sua igreja ou esteja sem uma. Hoje, passaremos alguns avisos sobre marcas de uma possível falsa igreja. Assim, você pode ficar atento ao entrar em uma “igreja”. Sua igreja talvez não seja uma igreja se… 1.Seu pastor raramente fala sobre Jesus. (Essa é fácil). 2.Seu pastor fala sobre Jesus, mas somente no estilo “siga seu exemplo”. (Você poderia ser um Mórmon ou mesmo muçulmano e pregar desse jeito). 3.As músicas de “adoração” são mais sobre como você se sente e o que você pode fazer, em oposição a quem Deus é e o que Ele fez. 4.A extensão do envolvimento de quase todos na igreja está limitada ao culto semanal. 5.Seu pastor não pastoreia as pessoas cara a cara, mas gerencia “sistemas” em seu escritório, 40 horas por semana. 6.Alguns desses sistemas são projetados para que o pastor interaja com o menor número de pessoas possível. 7.Você não se lembra da última vez que participou da Ceia do Senhor. 8.Muito do planejamento e foco na organização gira em torno de fazer um culto sensacional. 9.Você nunca ouve a palavra “pecado” por lá. 10.Você ouve a palavra “pecado”, mas apenas brevemente ou redefinida como “falhas”. 11.Você não se lembra a última vez que ouviu o nome de Jesus em uma mensagem. 12.A mensagem de Páscoa não é sobre a ressurreição, mas “novas oportunidades” na sua vida ou virar uma nova página. 13.Em feriados patrióticos, a mensagem é sobre quão grande nosso país é. 14.Nos outros fins de semana, a mensagem é sobre quão grande você é. 15.Há mais vídeos que orações. 16.Pessoas não cantam durante o culto de “adoração”, mas assistem. 17.As responsabilidades principais do pastor são coisas estranhas à Escritura. 18.Existe mais dinheiro investido em propaganda que em missões. 19.A maioria dos pequenos grupos gira em torno de esportes ou lazer, e não estudo ou serviço. 20.Você sempre se sente confortável lá. 21.Ser membro da igreja parece apenas um sistema de recrutamento de voluntários. 22.Você só encontra outras pessoas da igreja nos cultos de domingo. Se sua igreja parece com uma ou mais dessas coisas, talvez seja uma torcida espiritual, um teatro religioso, um clube social cristão, ou alguma coisa totalmente diferente, mas, provavelmente, biblicamente falando, não é uma reunião da igreja bíblica.

Como Fazer Uso dos Meios de Graça

Como Fazer Uso dos Meios de Graça - Exercita-te, pessoalmente, na piedade. [...] Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes. (1 Tm 4.7.12-16) Os meios da graça são frutos de uma noiva que deseja ter maior comunhão com seu Noivo e não de uma tentativa de sermos aceitos por Cristo. Somos aceitos com base em sua graça, e essa graça nos leva a buscarmos ativamente o Amado de nossas almas. Consideraremos meios de graça como qualquer exercício pessoal através do qual Deus possa nos aproximar de Cristo. Quero destacar três âmbitos dos meios da graça: o particular, o corporativo e o interpessoal. Meios particulares da graça Ler as Escrituras É nosso dever diário ler Palavra de Deus. Para o crente a bíblia é uma carta de amor que Deus o envia diariamente. Um puritano enumerou oito formas de lermos as Escrituras: 1.Com diligência – como um homem cavando em busca de um tesouro; 2.Com sabedoria – não ficar demasiado tempo em um só livro, etc; 3.Com preparação – prepararmo-nos espiritualmente e logisticamente para ler a Palavra (buscar um local tranquilo, etc.); 4.Com meditação – ler a bíblia, meditar e depois orar com base na meditação; 5.Com conversas piedosas – conversar com outros sobre o que lemos; 6.Com fé – fé é a chave. Outros livros podem informá-lo ou reforma-lo, mas só a bíblia pode transformá-lo. 7.Com prática. 8.Com oração. A leitura da bíblia não só transforma você, mas impacta as pessoas a sua volta. Então, saiba que você não irá crescer muito em santidade e a sua vida não irá impactar outras pessoas se você não estiver diariamente buscando, amando, vivendo as Escrituras. Meditar nas Escrituras A diferença entre ler e meditar é na meditação você se concentra em um assunto ou texto específico. Os puritanos faziam muito isso, contudo a nossa geração perdeu essa prática. Os puritanos apresentavam sete passos para a meditação: 1.Ore para que o Espírito Santo foque a sua mente na meditação; 2.Leia uma parte das Escrituras e medite em um ou dois versículos ou em uma doutrina específica contida no texto. 3.Memorize este versículo para ajuda-lo em sua meditação; 4.Medite em tudo o que sabe sobre aquele verso, usando o livro da Escritura, o livro da Consciência e da Memória e o livro da Natureza e buscando aplicar tais coisas em sua vida. 5.Estimule suas afeições enquanto medita, tais como amor, alegria, zelo. 6.Faça uma resolução espiritual – os puritanos normalmente escreviam essa resolução em seus diários e oravam 7.Termine sua meditação com ações de graças ou cantando os salmos, pois isto ajudará a memorizar a Palavra. Oração e Prática Os reformadores diziam “Orare et labutare” – ore e labute. Se você ora, mas não pratica, você está andando em círculos. A prática é importante, mas a oração deve ter prioridade. John Bunyan já dizia: “Você pode fazer mais do que orar depois de ter orado, mas você não pode fazer nada mais do que orar até ter orado”. Quanto mais oramos, mais saberemos quão pouco temos dessa graça. Por isso, priorize a oração; entregue a sua vida à oração. Um dos nossos problemas, mesmo sendo reformados e conservadores em nossa teologia, é marginalizar a oração, tratando-a como um apêndice de um livro. Martinho Lutero em meio a suas ocupações disse: “Tenho tanto para fazer hoje que acho que passarei as primeiras três horas em oração”. Quando você orar, a melhor maneira de orar a Deus é orar Palavra para Ele. Deus gosta de ouvir sua própria Palavra. Mostre para Ele as promessas e diga “Senhor, faça como dissestes”. Manter um diário espiritual Os puritanos mantinham um registro de suas alegrias e problemas espirituais e isso os encorajava a contemplar a ação de Deus em suas vidas. Meios coorporativos da graça Faça melhor uso da pregação Os puritanos chamavam o Sabbath de o mercado da alma – assim como eles iam ao mercado para comprarem sua comida natural, eles, no domingo, alimentavam a sua alma. Um determinado puritano aconselhou inclusive sobre como ouvir sermões, dizendo: “antes de ir ao culto, vista a sua alma com oração; venha com um santo apetite; esteja atento a palavra pregada; receba-a com fé e mansidão; e, então, lute para mantê-la, meditando nela; ore sobre ela depois do fim do sermão.” Além disso, precisamos conversar sobre o sermão com nossos irmãos e filhos. Faça melhor uso dos sacramentos Os sacramentos trazem a Palavra de forma mais sensorial. Não temos um Cristo melhor nos sacramentos do que na Palavra, mas muitas vezes percebemos a Cristo de forma mais clara. Faça melhor uso da comunhão dos santos Precisamos compartilhar nossas experiências espirituais uns com os outros. Aconselhar, exortar e edificar um aos outros. Cristãos mais maduros tem o dever de edificar cristãos mais novos. Você, provavelmente, se tornará semelhante aos amigos (e livros) com os quais você se associa. Meios interpessoais da graça Deveríamos nos ocupar com evangelismo e com o serviço cristão, sendo exemplares e fugindo do mundanismo. Em todos esses meios de graça devemos buscar a Jesus Cristo. Toda a nossa santidade está em Cristo. E usamos esses meios de graça para nos preparar para o nosso casamento, onde o nosso Noivo nos tornará perfeitos e seremos totalmente santos, como uma Noiva sem mácula, nem ruga

Depravação Radical

Depravação radical - As doutrinas da graça são verdades fundamentais que exaltam a graça de Deus em nossas vidas. Cada doutrina diz com sua própria voz: Deus salva pecadores. A forma? O Pai, o Filho e o Espírito trabalham para salvar pecadores. Os cinco pontos das doutrinas da graça são: •Depravação radical •Eleição soberana •Expiação definitiva •Chamado eficaz •Graça Perseverante A importância de sabermos o estado espiritual do homem é que se pensarmos que o homem está somente doente espiritualmente, então a graça salvadora de Deus não será apropriadamente exaltada; mas, se crermos que o homem está radicalmente morto em pecado e que não há nada que ele possa fazer para contribuir para a sua salvação, então contemplaremos a grandeza da salvação de Deus. O testemunho da Escritura é que todo ser humano que nasce neste mundo, nasce perdido no pecado, com uma natureza pecaminosa e uma inclinação maligna para o pecado. É por isso que Deus tem que ser aquele que busca e salva o pecador. “Não há ninguém que busque a Deus” é a declaração de Paulo. Nenhum pecador busca a Deus. Deus é quem busca o pecador. Vejamos quatro características do homem pecador: Ignorância, Ódio, Rebelião e Surdez Espirituais Ignorância Espiritual A primeira característica da depravação radical do homem é que ele se encontra em um estado de ignorância espiritual. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra [entenderam, o original permite este sentido também] ela. [...] O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. (Jo 1:5,10) O Senhor Jesus é a luz que vem ao mundo, mas o mundo não o compreendeu. O criador do mundo veio ao mundo, mas o mundo não o conheceu. Ele disse claramente que era o caminho, a verdade e a vida, a ressurreição e a vida, mas o mundo não o entendeu, pois está debaixo da praga chamada pecado. Quão cego eles podem ser ao ponto de não verem a luz do mundo? os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. (Jo 1:13) Não é por esforço humano, nem por características étnicas que alguém nasce de novo. Se alguém é salvo o é somente pela vontade de Deus que ativa a vontade de um homem morto em pecado. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (Jo 3:3) Um pecador precisa primeiro nascer de novo para poder ver, compreender, discernir o reino de Deus. Ele não pode fazer isso no estado que está. Apesar de o homem ter a permissão para ver o reino ou vir a Cristo, ele é incapaz de fazer tais coisas. Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. (2Co 4:3.4) O homem natural não pode entender as coisas de Deus, pois o evangelho está encoberto para eles, pois o diabo o cegou. Ódio espiritual Contudo, o homem não é somente ignorante. Não é só uma questão do intelecto, mas também uma questão do coração, pois o homem odeia a luz. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. (Jo 3:19-20) Todo aquele que pratica o mal (e a bíblia diz que são todos os homens naturais) odeia a luz e ama as trevas. Sendo assim, o coração do problema humano é o problema do coração humano. O problema está no coração! Rebelião espiritual Outra característica da depravação radical do homem é sua rebelião espiritual contra Deus. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (Jo 3:36) O Evangelho não é uma sugestão ou opção. O Evangelho é um mandamento. Vem como um imperativo divino. Jesus pregou: “Arrependei-vos, pois o Reino de Deus está próximo”. Você obedece ou desobedece. Portanto, toda forma de incredulidade é uma rebeldia espiritual contra Deus e seu Cristo. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. (Jo 5:25) Este versículo não se refere somente a ressurreição final, pois o tempo também “já chegou”. Este texto fala sobre o novo nascimento espiritual daqueles que ouvem a voz do Filho de Deus. Logo, Jesus enfatiza que quem ouve a voz do Filho é os mortos. Um médico sempre tem que chegar ao diagnóstico correto se deseja dar um tratamento correto. No mundo, há três diagnósticos para aqueles que estão fora de Cristo: 1.A humanidade está bem e não há nada errado com ela. Ela apenas sobre de más influências. 2.A humanidade está doente no seu pecado. Por estar doente, ainda conserva alguma capacidade em si mesmo para responder ao medicamento. 3.A humanidade está morta espiritualmente em pecados; e, sem qualquer vida espiritual, nem sequer uma centelha, não há forma nenhuma para reagir por si só ao Evangelho. Este é o diagnóstico de Jesus e dos apóstolos da condição humana. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. (Jo 6:44) Esta é a contundente verdade de que a menos que o Pai arraste (o “trouxer” tem este sentido no original) alguém até Cristo, ninguém virá. O ser humano não pode se achegar a Cristo sem a intervenção divina. Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. (Jo 8:34) Todo pecador, que vive deliberadamente sob o pecado, está debaixo do terrível senhorio do pecado para fazer o que seu senhor comanda. Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. (Jo 8:44) Jesus olhou nos olhos das pessoas religiosas daquela época e disse: seu pai é o diabo. Há somente duas famílias sobre a terra, os filhos de Deus e os filhos do diabo. A menos que Deus faça alguém nascer de novo e, assim, fazer parte da família divina, todo ser humano é filho do diabo, praticando as obras de seu pai e andando segundo o príncipe da potestade do ar (Ef 2:2) Surdez espiritual Outra característica é que o incrédulo pode até ouvir a voz do pregador, mas não poderá ouvir a voz de Deus, a menos que Deus leve a verdade pregada do ouvido até o coração. Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. (Jo 8:43) Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus. (Jo 8:47) Aqueles que não são de deus não dão ouvidos a Cristo e são incapazes de ouvir as palavras dele. Este é o testemunho da depravação radical do homem. Isso não significa que todo homem é tão mal quanto ele pode ser, mas sim que a totalidade do ser humano está contaminada pelo pecado – a mente, o coração e a vontade estão escravizados pelo pecado, para fazer a vontade de Satanás. Esta verdade da depravação total, da total incapacidade de aceitar a Cristo, não é algo difícil de entender, é algo difícil d engolir! Isso porque fere nosso precioso orgulho do livre-arbítrio e nos deixa na condição de pecadores perdidos totalmente dependentes de Deus. Contudo, a importância de nos atentarmos a essa doutrina é que se não entendermos as más notícias, não iremos nos regozijar nas boas notícias. A glória da graça de Deus brilha mais forte sob o pano escuro da nossa depravação. Se entendermos quão grande era nossa miséria espiritual, poderemos perceber quão grande salvação recebemos em Cristo Jesus

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Perante à lei somos livres para pregar o evangelho em lugares públicos, qual a sua desculpa?

TÍTULO II Dos Direitos e Garantias Fundamentais CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996) XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Hoje é o Dia da Reforma Protestante; conheça as 95 teses de Lutero

Hoje é o Dia da Reforma Protestante; conheça as 95 teses de Lutero - No dia 31 de outubro é comemorado por evangélicos de todo o mundo o Dia da Reforma Protestante. Em 1517, um dia antes da festa católica de “Todos os Santos”, o monge agostiniano Martinho Lutero pregou publicamente suas 95 teses (veja abaixo), na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha. Seu apelo era por uma mudança nas práticas da Igreja Católica, por isso o nome “Reforma”. A iniciativa teve consequências por toda a Europa, dividiu reinos, gerou protestos e mortes. E mudou para sempre a Igreja. Para alguns, Lutero destruiu a unidade do que era considerada a igreja, era um monge renegado que desejava apenas destruir os fundamentos da vida monástica. Para outros, é um grande herói, que restaurou a pregação do evangelho puro de Jesus e da Bíblia, o reformador de uma igreja corrupta. O fato é que ele mudou o curso da história ao desafiar o poder do papado e do império, e possibilitou que o povo tivesse acesso à Bíblia em sua própria língua. A principal doutrina de Lutero era contra o pagamento de penitências e indulgências aos líderes religiosos. Ele enfatizava que a salvação é pela graça, não por obras. Conta-se que muita coisa mudou dentro daquele monge até então submisso ao papa quando, em 1515, Lutero começou a dar palestras sobre a Epístola aos Romanos. Ao estudar as Escrituras se deparou com o primeiro capítulo de Romanos, que decretava “o justo viverá pela fé”. Desvendava-se diante dele o que é conhecida como “justificação pela fé”, ou seja, a justificação do pecador diante de Deus não é por um esforço pessoal, mas sim um presente dado àqueles que acreditam na obra de Cristo na cruz. Porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, onde Martinho Lutero pregou publicamente suas 95 teses O movimento encabeçado por Lutero ocorreu durante um dos períodos mais revolucionários da história (passagem da Idade Média para o Renascimento) e mostra como as crenças de um homem pode mudar o mundo. A controvérsia acabou sendo, segundo historiadores, maior do que Lutero pretendia ou imaginara. Porém, ao atacar a venda de indulgências por parte da igreja, acabou opondo-se ao lucro obtido por pessoas muito mais poderosas do que ele. Segundo Lutero, se era verdade que o Papa tinha poder de tirar as almas do purgatório, devia usar esse poder, não por razões egoístas, como a necessidade arrecadar fundos para construir uma igreja, mas simplesmente por amor, e devia fazê-lo gratuitamente. A idolatria aos santos também foi um dos grandes pontos de discórdia com os lideres católicos. A maioria dos historiadores concorda que Lutero teria tentado apresentar seus argumentos ao Papa e alguns amigos de outras universidades. No entanto, as teses colocadas na porta da Catedral de Wittemberg e os muitos argumentos teológicos impressos e distribuídos por ele nos meses seguintes, acabaram se espalhando por toda a Europa, fazendo com que ele fosse chamado ao Vaticano para se retratar perante o Papa. A partir de então, entrou abertamente em conflito com a Igreja Católica. Acabou excomungado em 1520, pelo papa Leão X. Alegava-se que ele incorria em “heresia notória”. Devido a esses acontecimentos, Lutero temendo a morte, ficou exilado no Castelo de Wartburg, por cerca de um ano. Durante esse período trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, resultando na impressão do Novo Testamento em setembro de 1522. Legado de Lutero O famoso pastor Charles Spurgeon escreveu: “Lutero aprendeu a ser independente de todos os homens, pois ele lançou-se sobre o seu Deus! Ele tinha todo o mundo contra ele e ainda viveu alegremente. Se o Papa excomungou, ele queimou a bula de excomunhão! Se o Imperador o ameaçou, ele alegrou-se porque se lembrou das palavras do Senhor: “Os reis da terra se levantam, e os príncipes dos países juntos. Aquele que está sentado nos céus se rirá” (Salmo 2). Quando disseram-lhe: “Onde você vai encontrar abrigo se o Príncipe Eleitor não protegê-lo?”. Ele respondeu: “Sob o escudo amplo de Deus”. Lutero não podia ficar parado. Ele tinha que escrever e falar! E oh, com que confiança ele falou! Abominava as dúvidas sobre Deus e as Escrituras!” Para algumas vertentes do catolicismo, os protestantes são hereges. Para outras, “irmãos separados”. O movimento originado por Lutero ficou conhecido como Protestantismo e seus seguidores como “protestantes”. O termo é pouco comum no Brasil, onde se prefere usar “evangélicos”. As 95 teses: 1. Ao dizer: “Fazei penitência”, etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência. 2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes). 3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne. 4. Por consequência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus. 5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones. 6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, a culpa permaneceria. 7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário. 8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos. 9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade. 10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório. 11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam. 12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição. 13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas. 14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais quanto menor for o amor. 15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero. 16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança. 17. Parece necessário, para as almas no purgatório, que o horror devesse diminuir à medida que o amor crescesse. 18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontrem fora do estado de mérito ou de crescimento no amor. 19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza disso. 20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs. 21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa. 22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida. 23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos. 24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena. 25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular. 26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão. 27. Pregam doutrina mundana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu]. 28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus. 29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas, como na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal? 30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão. 31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo. 32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência. 33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele. 34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos. 35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão. 36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência. 37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência. 38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina. 39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo a liberalidade de indulgências e a verdadeira contrição. 40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto. 41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor. 42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia. 43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências. 44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena. 45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus. 46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência. 47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação. 48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está pronto a pagar. 49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas. 50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas. 51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro. 52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas. 53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas. 54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela. 55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias. 56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo. 57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam. 58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior. 59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época. 60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem estes tesouros. 61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por si só é suficiente. 62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus. 63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os últimos. 64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros. 65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas. 66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens. 67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa renda. 68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade da cruz. 69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas. 70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbidos pelo papa. 71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas. 72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências. 73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências, 74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a santa caridade e verdade. 75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura. 76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados venais no que se refere à sua culpa. 77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa. 78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I Coríntios XII. 79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz de Cristo. 80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes sermões sejam difundidos entre o povo. 81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens doutos defender a dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos leigos. 82. Por exemplo: Por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante? 83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos? 84. Do mesmo modo: Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro, permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito? 85. Do mesmo modo: Por que os cânones penitenciais – de fato e por desuso já há muito revogados e mortos – ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor? 86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis? 87. Do mesmo modo: O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à plena remissão e participação? 88. Do mesmo modo: Que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis? 89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes? 90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes. 91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido. 92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo “Paz, paz!” sem que haja paz! 93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo “Cruz! Cruz!” sem que haja cruz! 94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno. 95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA RELIGIOSA, CONVICÇÃO FILOSÓFICA OU POLÍTICA E ESCUSA DE CONSCIÊNCIA (ART. 5º, VI E VIII)

LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA RELIGIOSA, CONVICÇÃO FILOSÓFICA OU POLÍTICA E ESCUSA DE CONSCIÊNCIA (ART. 5º, VI E VIII)* - A constituição Federal prevê que ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos impostas e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei, pois: "a liberdade de consciência constitui o núcleo básico de onde derivam as demais liberdades do pensamento. É nela que reside o fundamento de toda a atividade político-partidária, cujo exercício regular não pode gerar restrição aos direitos de seu titular". Igualmente, o art. 15, IV, da carta federal, prevê que a recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou´prestação alternativa acarretará a perda dos direitos políticos. Dessa forma, dois são os requisitos para privação de direitos em virtude de crença religiosa ou convicção filosófica ou política: não-cumprimento de uma obrigação a todos imposta e descumprimento de prestação alternativa, fixada em lei. O direito à escusa de consciência não está adstrito simplesmente ao serviço militar obrigatório, mas pode abranger quaisquer obrigações coletivas que conflitem com as crenças religiosas, convicções políticas ou filosóficas, como, por exemplo, o dever de alistamento eleitoral aos maiores de 18 anos e o dever de voto aos maiores de 18 anos e menores de 70 anos (CF, art. 14, parágrafo 1º, I e II), cujas prestações alternativas vêm estabelecidas nos arts. 7º e 8º do Código Eleitoral (justificação ou pagamento de multa pecuniária), e, ainda, à obrigatoriedade do Júri.