quarta-feira, 11 de maio de 2016

A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL

A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL



AS CAUSAS DA DIVISÃOSalomão foi um rei de obras grandiosas, gerando também grandes despesas. Para pagamento destas despesas o povo teve de arcar com mais impostos. Após a morte do rei o povo se dirigiu ao sucessor Roboão pedindo a redução dos pesados encargos colocados sobre eles. Roboão seguindo o conselho de seus amigos jovens disse que em seu reino o jugo seria mais pesado que o de seu pai. Após essa decisão de Roboão o povo se negou a continuar sendo governado por ele. Levantaram como rei de Israel, Jeroboão, ficando sob as ordens de Roboão apenas a tribo de Judá e Benjamim (1 Re 12). Sendo assim o reino de Israel ficou dividido, formando Judá e Benjamim o reino do Sul e o restante das dez tribos o reino do Norte.
Com a divisão, a geografia cooperou para o desenvolvimento independente de cada tribo. A tribo de Judá não se comunicava com as tribos do Norte em razão da largura e profundidade do vale do Soreque, na região central de Israel. A oeste estavam os filisteus; ao sul, o perigoso deserto do Neguebe e também as populações nômades da região, sempre hostis a estrangeiros; a leste havia o mar Morto. Assim Judá era a tribo mais isolada de Israel, portanto a mais sujeita ao sentimento de liberdade.

O sucessor de Salomão, seu filho Roboão, reinou por dezessete anos (931-913 a.C.). O perfil geral de Roboão é descrito da seguinte maneira: “Fez ele o que era mal, porquanto não dispôs o coração para buscar ao Senhor” (2 Cr 12.14). As Escrituras Sagradas indicam que Roboão e seus compatriotas atingiram o mais baixo nível de comportamento idólatra. Estabeleceram lugares altos e os postes-ídolos de Aserá, além de se envolverem em rituais de prostituição sodomita.

O povo das dez tribos aclamou Jeroboão como monarca do recém-formado reino. O rei imediatamente estabeleceu sua capital em Siquém, uma localidade considerada santa por todos os habitantes de Israel. O novo rei estabelecido havia recebido a promessa de uma dinastia eterna caso permanecesse fiel ao Senhor (1 Rs 11.38). Entretanto, se a situação religiosa de Judá era má, a de Israel tornou-se pior. Jeroboão mandou estabelecer santuários em Betel e Dã, tornando essas cidades centros de adoração pagã. Assim seu reino se tornou o modelo de iniquidades para sempre, com o qual os futuros reis malignos de Israel seriam comparados (1 Rs 16.2, 3.19). Jeroboão violou os mandamentos de Deus e a aliança com Yahweh, seguindo outros deuses e rejeitando o Deus de Israel. Portanto, Yahweh findaria a dinastia de Jeroboão rapidamente e transportaria Israel para além do rio Eufrates, em consequência de seus pecados.

Em várias ocasiões os dois reinos lutaram entre si competindo pelo controle da região. Porém, os laços da tradição antepassada eram muitos fortes, fato que os manteve unidos muitas vezes em ocasiões de perigo (1 Rs 14.30). Uma diferença marcante entre ambos os reinos foi a perpetuação no Sul de uma dinastia única, a davídica, enquanto no Norte se levantaram cinco diferentes dinastias no curto período de 210 anos.

Esse fenômeno se deu por causa do papel religioso desempenhado pelos reis da dinastia davídica, o que levou a uma associação entre o javismo, religião dos israelitas antes do exílio na Babilônia, cuja consequência posterior foi a esperança messiânica do período pós-exílico.

REINO DO NORTE (ISRAEL)
O Reino do Norte (Israel) era menos instável politicamente que o Reino do Sul (Judá), Sua duração mais curta como nação independente (209 anos) e a violência ligada à sucessão ao trono comprovam esse fato. O historiador de Reis considerou “maus” todos os dezenove governantes de Israel, porque perpetuaram o culto ao “bezerro de ouro” de Jeroboão. A medida de duração do reinado de um monarca israelita era de apenas dez anos, e nove famílias diferentes reivindicaram o trono. Para chegar ao trono, o carisma era tão útil quanto a ascendência, mas não era garantia de preservação; sete reis foram assassinados, um cometeu suicídio, um foi ferido por Deus e outro foi deposto e levado para Assíria.

A QUEDA DO REINO DO NORTE
O Reino do Norte lutou em varias ocasiões contra o domínio assírio, fazendo alianças com outros reinos, como por exemplo, o Egito, e formando uma liga de cidades que enfrentavam essa potência. Em 723 a.C., os líderes do Norte tentaram de algum modo forçar o Reino de Judá a participar de acordos e alianças contra a Assíria. Desesperado, Acaz (732-716), governante de Judá naquela ocasião, pediu auxilio à Assíria contra essa intervenção vinda do Reino do Norte, o que desencadeou a tomada da região pelo exercito assírio. Em 732 a cidade de Damasco e a Galiléia foram sitiadas, restando ao reino de Israel submeter-se ao controle estrangeiro.

Nessa região a migração forçada de colonos estrangeiros não foi comprovada, porém é certa a formação de uma nova identidade étnica através da mistura dos assírios com a população local. A perda, nessa ocasião de cerca de dois terços de seu território fez com que restasse ao povo do Reino do Norte aproximadamente apenas as montanhas de Efraim, com a capital Samaria. O rei Oséias (731-723 a.C.), de Israel, que assumiu o trono sob a concordância do rei assírio Tiglate-Pileser III, não se conformando com a perda territorial e de independência, pediu auxílio ao Egito, que lhe prometeu enviar forças militares, que nunca chegaram. De qualquer modo, os anos que se seguiram foram marcados pela esperança de libertação. Porem, em 722 o Reino do Norte foi definitivamente conquistado por Salmanaser V (726-722 a.C.), ocorrendo a consolidação assíria com Sargão II (722-705 a.C.). Samaria foi repovoada por colonos estrangeiros e a população deportada por todo o império assírio.
OBSERVAÇÃO
 
A tribo de Simeão, por ter o seu território no meio da tribo de Judá, com o passar do tempo foi englobada pela tribo de Judá por esta ser mais numerosa do que ela. A tribo de Benjamin também foi absorvida por Judá, tendo deixado de existir como tribo separada e funcional, entretanto, esta tribo ainda existia em termos territoriais, por isso ela é citada em I Rs 12.21. Mas, em I Rs 11. 13,32,36 e I Rs 12.20, aparece apenas a tribo de Judá. 
As dez tribos do Norte provavelmente devem estar contando com a tribo de Simeão, pois mesmo o seu território tendo sido englobado pela tribo de Judá, os seus descendentes parecem ter ido habitar ao norte com as outras tribos e não aceitaram a dinastia de Davi. No texto de II Cr 15.8,9, o cronista deixa subtendido que Simeão estava com o reino do Norte.
REIS DE ISRAEL APÓS A DIVISÃO
Para esta época, a maioria dos historiadores segue as cronologias estabelecidas por William F. Albright ou Edwin R. Thiele, ou a nova cronologia de Gershon Galil. Iremos seguir a cronologia de Edwin R. Thiele. As datas são a.C.

 JEROBOÃO I 931-910
 NADABE 910-909 - foi assassinado
 BAASA 909-886
 ELÁ 886-885 - foi assassinado
 ZINRI 885 - suicidou-se
 ONRI 885-874
 ACABE 874-853
 ACAZIAS 853-852
 JORÃO 852-841 – foi assassinado
 JEÚ 841-814
 JEOACAZ 814-798
 JEOÁS 798-782
 JEROBOÃO II 782-753
 ZACARIAS 753 - foi assassinado
 SALUM 752 - foi assassinado
 MENAÉM 752-742
 PECAÍAS 742-740 - foi assassinado
 PECA 740-732 - foi assassinado
 OSÉIAS 732-722 - deposto

A palavra final do destino de Israel é encontrada no capítulo 17 versículos 22 a 23 de 2 Reis “Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha feito; nunca se apartaram deles; Até que o SENHOR tirou a Israel de diante da sua presença, como falara pelo ministério de todos os seus servos, os profetas; assim foi Israel expulso da sua terra à Assíria até ao dia de hoje. E o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; e eles tomaram a Samaria em herança, e habitaram nas suas cidades”.



REINO DO SUL (JUDÁ)
O Reino de Judá limitava-se ao Norte com o Reino de Israel, a Oeste com a inquieta região costeira da Filístia, ao Sul com o Deserto do Neguebe, e a Leste com o Rio Jordão e o Mar Morto e o Reino de Moabe. Era uma região montanhosa, fértil, relativamente protegida de invasões estrangeiras (o território da Tribo de Judá manteve-se basicamente o mesmo durante os mais de 300 anos de sua existência). Sua capital era Jerusalém, onde encontrava-se o Templo do Deus de Israel mandado construir pelo rei Salomão para abrigar a Arca da Aliança.

O Reino de Judá entrou em conflitos com os reinos de Moabe, Amom e os filisteus. Entretanto, o principal adversário político e militar do Reino de Judá foi o Reino de Israel. Inúmeras vezes travaram-se batalhas entre as dois reinos, com vitórias pouco significativas para cada lado. Israel tornou-se fortemente influenciado pela cultura cananéia e pela religião fenícia, enquanto Reino de Judá permaneceu, de maneira geral, fiel à sua fé em YHVH, o Deus dos patriarcas hebreus.

O culto a YHVH e a preservação da linhagem real davídica do qual deveria vir o prometido Messias, de acordo com os profetas do Velho Testamento, é a justificativa para a misericórdia de Deus sobre o Reino do Sul, ao passo que o politeísmo de Israel teria sido responsável por sua ira sobre seus governantes. 

O Reino de Judá viu o perigo das potências estrangeiras emergentes quando a capital de Israel, Samaria foi tomada pelo rei assírio Sargão, em 722 a.C.. Mais tarde, o Rei Senaqueribe invade o Reino de Judá e sitia Jerusalém, mas sem a conquistar. Segundo a Bíblia, o seu exército foi "subitamente destruído por obra de Deus".

O Reino do Sul persistiu por mais de um século e meio depois da destruição de Israel (cerca de 345 anos). Ao contrário de Israel, os reinados dos dezenove reis e uma rainha em Judá, tiveram duração média de mais de dezessete anos. A dinastia de Davi foi a única a reivindicar o trono do Sul, realçando a estabilidade política. O reinado terrível da rainha Atália foi a única interrupção da sucessão davídica. No entanto em Judá também ocorreram intrigas políticas, pois cinco reis foram assassinados, dois foram feridos por Deus e três foram exilados. O historiador de Reis relatou que oito monarcas de Judá foram “bons” porque seguiram o exemplo de Davi e obedeceram a Javé. Foram eles: Asa, Josafá, Joás, Amazias, Uzias, Jotão, Ezequias e Josias.

Os reis Ezequias e Josias são idealizados como personagens semelhantes a Davi e Salomão porque purificaram o templo e restauraram a adoração adequada em Jerusalém. 
REIS DE JUDÁ APÓS A DIVISÃO
As datas são a.C

 ROBOÃO 931-913
 ABIAS 913-911
 ASA 911-870
 JOSAFÁ 872-848
 JEORÃO 848-841 – foi assassinado
 ACAZIAS 841-841 – morto por Jeú rei de Israel
 ATÁLIA 841-835 – foi assassinada
 JOÁS 835-796 – foi assassinado
 AMAZIAS 796-767 – foi assassinado
 UZIAS (AZARIAS) 792-740
 JOTÃO 750-732
 ACAZ 735-716
 EZEQUIAS 716-687
 MANASSÉS 697-643
 AMOM 643-641 – foi assassinado
 JOSIAS 641-609 – morreu em batalha
 JEOACAZ 609 – deposto pelo Faraó Neco
 JEOAQUIM 609-598
 JOAQUIM 598 – deposto pelos babilônios
 ZEDEQUIAS 598-586 – deposto pelos babilônios

Zedequias, o último rei de Judá foi levado preso para a Babilônia.

O Reino do Sul também foi levado cativo, por não obedecer aos mandamentos do Senhor: “E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. E os que escaparam da espada levou para Babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia. Para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram” (2 Cr 36.19-21).

Com um desfecho melhor que Israel, o povo de Judá voltou para sua terra, cumprindo-se assim a promessa do Senhor de que da raiz de Davi nasceria o redentor. Por isso Ciro rei da Pérsia permitiu aos judeus retornarem a Jerusalém, conforme narrado pelo escritor do livro das Crônicas: “Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR pela boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, o SENHOR seu Deus seja com ele, e suba” (2 Cr 36.22-23).


 

sábado, 9 de abril de 2016

Tradicionalismo ; Pentecostalismo ou Neopentecostalismo?


São Chamadas de igrejas pentecostais àquelas que ensinam que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência não necessariamente ligada a conversão, logo, para os pentecostais, nem todo cristão verdadeiro e realmente salvo é batizado com o Espírito Santo. Para eles, a prova disso é que alguns não falam em outras línguas e associam o falar em línguas com o batismo com o Espírito Santo.
Segundo afirmam, somente é realmente capacitado para pregar ou ser consagrados ao diáconato, presbitério e pastoreio quem foi batizado com o Espírito Santo (o que significa para eles falar em outras línguas), pois para as igrejas pentecostais, somente foram revestidos do poder quem recebeu o dom de línguas. Por este motivo, nestas igrejas, um dos principais critérios para a separação de obreiros é o falar em línguas.
Nas igrejas pentecostais, os cultos são marcados pela emoção e, não poucas vezes, são envolvidos pelo sensacionalismo. Enfatiza-se a necessidade de se buscar o batismo com o Espírito Santo, o que se receberá com muito clamor, oração, perseverança, etc..., o que nos dá uma noção de esforço próprio.
O movimento pentecostal, como conhecemos hoje em dia, é recente (aproximadamente 100 anos) dentro do contexto das igrejas no que se refere ao tempo, sendo que já se subdividiu em outro ramo chamado de neopentecostalismo.
São Chamadas de igrejas tradicionais àquelas que ensinam que o batismo com o Espírito Santo, apesar de não ser a conversão, está associado a mesma, sendo que, todo cristão verdadeiro e realmente salvo é batizado com o Espírito Santo. O dom de línguas não é uma evidencia do batismo com o Espírito Santo; pois nem todos os salvos o possuem.
Segundo afirmam, todo aquele que se converteu, nasceu de novo e foi batizado com o Espírito, logo, todo cristão verdadeiro é capacitado para testemunhar à respeito de Cristo.
Nas igrejas tradicionais, os cultos são marcados pela liturgia inflexível, valorização do ensino  e há um certo desprezo com relação a tudo o que for sobrenatural; não se crê que os dons sobrenaturais possam se manifestar nos dias de hoje.
As igrejas tradicionais, em sua grande maioria, são oriundas da reforma protestante, sendo portanto, muitíssimo mais antigas que as pentecostais, que, na verdade, saíram das tradicionais.

Neopentecostalismo é o nome que se dá aos pentecostais da terceira geração. São assim chamados porque diferem muito dos pentecostais históricos e dos da segunda geração. Realmente é um novo pentecostalismo. Não se apegam à questão de roupas, de televisão, de costumes, e têm um jeito diferente de falar sobre Deus. Dualizam o mudo espiritual dividindo-o entre Deus e o Diabo. Para eles o mundo está completamente tomado por demônios, e é sua função expulsá-los. Pregam a prosperidade como meio de vida. Pobreza é coisa de Satanás. Doença só existe em quem não acredita em Deus e sua origem é o demônio. Seus cultos são sempre emotivos objetivando uma libertação do mundo satânico. Em muitos pontos pode-se dizer que suas doutrinas são bem parecidas com as doutrinas das religiões orientais, tais como Seicho-No-E, induísmo e budismo. Para eles o crente não pode sentir dor, ser pobre ou estar fraco.
Este movimento começou no início da década de setenta. Seu crescimento deve-se muito aos programas de rádio e televisão, nos quais, devido ao anúncio de curas e milagres, tiveram uma grande audiência. Seus ouvintes e telespectadores geralmente são recrutados para dentro de suas igrejas. O sistema de testemunho é forte, e isso certamente encoraja outros a tomar o mesmo caminho.
No Brasil a maior igreja neopentecostal é a UNIVERSAL DO REINO DE DEUS (IURD). Já conta com mais de dois mil templos em todo o Brasil e é a terceira maior igreja evangélica do país, ficando atrás apenas da Assembleia e da Cristã. Fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo, tem procurado estabelecer um sistema episcopal como o católico. Possui um forte esquema de comunicação, que é sem dúvida o fator de peso na divulgação e crescimento de seus trabalhos.
Depois da Universal a maior igreja neopentecostal no Brasil é a IGREJA INTERNACIONAL DA GRAÇA. Esta igreja foi fundada em 1980 pelo missionário R. R. Soares no Rio de Janeiro. Na intenção de imitar o trabalho de Kenneth Hagen (um dos maiores apresentadores de igrejas televisionadas dos EUA), Soares investe muito na apresentação de seus programas. Outra Igreja forte no ramo neopentecostal é a RENASCER EM CRISTO, que trabalha principalmente com a camada alta da sociedade. Há pouco tempo quase comprou uma rede de Televisão. A tendência é crescer. Seu fundador se autodeclarou "apóstolo". E temos também a Igrejas gedozistas ou Grupo dos doze.
 G12: Uma Nova Reforma ou Uma Velha Heresia?
A maioria dos participantes desconhece a origem do movimento, bem como suas propostas. Fascinados pelo impacto emocional e o aparente resultado imediato, vêem o G-12 como a esperança de se alcançar a unidade da igreja e uma reforma estrutural. Segundo alguns proponentes, o modelo eclesiástico denominado células é uma Segunda Reforma, nada perdendo em intensidade para a Reforma Protestante do Século XVI.1 O propósito deste artigo é demonstrar que G-12 não traz uma nova reforma, mas sim, velhas doutrinas como teologia da prosperidade, confissão positiva e maldição hereditária, entre outras.
Assim, o que se propõe é verificar a origem e as propostas doutrinárias do movimento, com base em suas próprias afirmações. Não nos dedicaremos aqui a discutir as questões metodológicas dos encontros. Apesar da importância dos mesmos, o foco central tem sido negligenciado nas discussões quando estas giram somente em torno das questões técnicas e psicológicas dos encontros. Este é apenas um componente do complexo movimento G-12.
I. História
Todos os proponentes do modelo G-12 admitem que o movimento teve seu início com a visão recebida por César Castellanos Domínguez.2 Castellanos é pastor da Missão Carismática Internacional, que ele fundou depois de um período de frustração com o seu próprio ministério. Desiludido com os resultados do seu trabalho, ele aplicou o modelo de igrejas em células de Paul Young Choo, alcançando resultados mais satisfatórios. Porém, em 1991, segundo as suas próprias informações, ele recebeu uma visão que iria mudar definitivamente o seu ministério e a sua igreja. Conforme ele relata:
Em 1991, sentimos que se aproximava um maior crescimento, mas algo impedia que o mesmo ocorresse em todas as dimensões. Estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse a frutificação das setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze. Deus me tirou o véu. Foi então que tive a clareza do modelo que agora revoluciona o mundo quanto ao conceito mais eficaz para a multiplicação da igreja: os doze. Nesta ocasião, escutei ao Senhor dizendo-me: Vais reproduzir a visão que tenho te dado em doze homens, e estes devem fazê-lo em outros doze, e estes, por sua vez, em outros! Quando Deus me mostrou a projeção de crescimento, maravilhei-me.3
Após ter implantado o modelo, a Missão Carismática Internacional experimentou um surpreendente surto de crescimento. Isto chamou a atenção de líderes no Brasil, os quais, movidos pelo interesse de alcançar crescimento semelhante, implantaram o modelo em suas comunidades e o têm difundido entre as igrejas evangélicas brasileiras.
Dois aspectos precisam ser observados quanto à implantação do movimento no Brasil. Primeiro, a chamada Igreja em Células, como estratégia de crescimento da igreja, não é nova no Brasil, tendo sido aplicada há vários anos. Então, qual seria o fator determinante para o crescimento? Aponta-se como elementos distintivos e, portanto, determinantes, o número exato de doze discípulos e os encontros de três dias.4 Nota-se assim porque tais elementos do modelo são os mais enfatizados. Em segundo lugar, é importante observar que, ao ser implantado no Brasil, tanto o Modelo G-12 como o Encontro foram adaptados, passando por modificações como, por exemplo, o sigilo do Encontro (ou Pacto de Legalidade e Silêncio), que é característica peculiar ao modelo brasileiro.
Os principais proponentes do G-12 no Brasil são Valnice Milhomens e Rene Terra Nova, ambos considerando-se legítimos discípulos de César Castellanos. Valnice afirma ter recebido autoridade por delegação de Castellanos.5 Terra Nova, semelhantemente, diz exercer tal autoridade espiritual por delegação do mesmo Castellanos.6
II. Funcionamento
Apesar das diferenças existentes no movimento, alguns pontos básicos são comuns. O modelo é estruturado a partir de uma dinâmica definida como Escada do Sucesso.7 Em suma, o processo pode ser resumido em quatro etapas:
Evangelização
Consolidação
Treinamento
Envio
A Evangelização acontece nas células, que têm como referencial o número 12. Assim, quando uma célula alcança o número de 24 pessoas em suas reuniões, ela se subdivide. A outra característica é que, a princípio, a célula ocupa o papel de ensino e formação da igreja, restando ao culto comunitário o papel de celebração.
Consolidação é a etapa na qual a fé do indivíduo é alicerçada ou definitivamente assegurada. É nesta etapa do processo que o Encontro é realizado. Desta forma, fica evidente que o propósito do Encontro não é primariamente a evangelização, sendo inclusive recomendado que se certifique a conversão do candidato antes de sua participação.8 Basicamente, o Encontro tem dois objetivos. Primeiro, efetivar a fé do novo convertido, através de libertação e quebra de maldições. Em segundo lugar, conduzir à visão aquele que se converteu por métodos anteriores ao G-12, ou seja, fazer a transição do modelo eclesiástico antigo para o G-12. A isto denominam transicionar ou receber a visão. O Encontro é um retiro de dois dias e de natureza homogênea que ocorre durante um fim de semana, sendo precedido e seguido de quatro reuniões, normalmente semanais (pré e pós-encontro). São nove horas de palestras acompanhadas de extremo rigor disciplinar, inclusive com proibição de intercomunicação, o que provoca uma forte reação emocional e resultados aparentemente surpreendentes.9
O Treinamento é realizado pela escola de líderes de cada igreja. Aqui são preparados os discipuladores que irão dirigir as células e executar o programa de discipulado. A tendência é de cursos breves de baixa qualidade. O objetivo é que cada participante ou seguidor do G-12 alcance os seus 144 discípulos. Por fim, ocorre o Envio, quando os líderes treinados assumem a liderança de grupos em células, sempre de 12 pessoas, as quais estarão em treinamento para assumirem liderança.
Quanto ao funcionamento, é importante observar ainda que o G-12 é um movimento que não propõe a filiação de seus participantes à igreja realizadora do evento. É possível ser um dos doze de algum discipulador e permanecer membro de uma igreja histórica que não tenha se enquadrado no modelo, por exemplo. Dessa forma, o movimento, através de seus Encontros, tem uma penetração mais eficiente no seio das igrejas, e permite aos líderes da região exercer controle sobre membros de outras igrejas sem que eles se desvinculem das mesmas.
III. Interpretação Bíblica, Revelações e Experiências Místicas
O movimento segue as tendências contemporâneas de interpretação,10 mais especificamente a subjetividade e relatividade na interpretação e aplicação dos textos bíblicos. De fato, tanto o Modelo como o Encontro parecem bíblicos, se considerarmos o volume de citações e alusões a textos bíblicos neles contidos.11 Naturalmente, os participantes e proponentes do modelo também afirmam que a sua base teológica é a inerrância das Escrituras, que são aceitas como regra de fé e prática. A diferença está em seus princípios de interpretação.
Três princípios podem ser observados. O primeiro implica na ambigüidade do entendimento dos textos. Em outras palavras, os textos são tratados de forma relativa, podendo adquirir significados múltiplos. Não se trata de um sensus plenior da passagem, mas de diversos sentidos dados a uma mesma passagem, que é entendida, assim, de forma ambígua.12
Por exemplo, em Habacuque 2.2 a palavra visão é entendida de diferentes maneiras, significando ao mesmo tempo a visão recebida pelo profeta Habacuque, visões literais recebidas atualmente pelas pessoas, e visões não-literais, mas que implicam em um desejo ou uma forte convicção, frutos da capacidade de projetar o futuro.13 Estes dois últimos sentidos são usados e justificados pelo texto de Habacuque e outros. Portanto, não é simples entender o que significa adquirir a visão conforme propõe o movimento. Pode significar o entendimento correto da Escritura, bem como desenvolver a capacidade de buscar objetivos ainda não concretizados ou, finalmente, abraçar a visão recebida por César Castellanos.
O Encontro e suas fases não são só para os novos crentes, mas também para líderes que querem implantar a visão de células de multiplicação e de grupos de 12. Para essa visão é necessário uma grande disciplina, disposição e acima de tudo experiência com o Senhor Jesus.14
O segundo princípio pode ser definido como uma espécie de hermenêutica freudiana.15 Mais que alegórica, ela é simbólica. Com base em um subjetivismo extremado, as passagens bíblicas são aplicadas dando-se aos detalhes significados teológicos e práticos, como vemos no Manual do Encontro:
“…Saíram, pois, da cidade e foram ter com ele” (Jo 4.30). É necessário sair para encontrar-se com Jesus… Saímos da cidade para termos um encontro com Ele. Abraão, Moisés, Jesus saíram da cidade. Nós precisamos sair da agitação para nos encontrarmos com Ele.16
Observe-se que, na tentativa de justificar o Encontro, o texto bíblico não foi apenas alegorizado, mas ganhou além de um significado teológico um sentido simbólico que expressa desejo, obediência e até mesmo fé. O Encontro incentiva, portanto, uma utilização simbólica da Escritura e reúne em torno de si um conjunto de ritos, práticas e procedimentos entendidos como bíblicos, mas de natureza mística.
O terceiro princípio é a subjetividade na aplicação, uma espécie de interpretação romântica da Bíblia.17 Por esse princípio, as perspectivas históricas e literárias são abandonadas e o centro da interpretação passa a ser a experiência subjetiva, intimista e mística do intérprete. Por esta via, todos os textos se aplicam a todas as pessoas, sob qualquer aspecto.
Nessa ocasião ouvi a voz de Deus, quando me disse que fosse ao Jordão para me batizar novamente, e inclusive me mostrou quem deveria fazê-lo: um missionário mexicano que logo me compartilhou que, quando sua mãe estava grávida, um profeta orou mostrando: Este menino que vai nascer terá o ministério de João Batista.
Quando saí das águas, senti literalmente no espírito que os céus se abriram e que Deus enviava seu Espírito.18
Essas práticas são comuns no movimento e demonstram uma aplicação da Escritura que cede sua objetividade à subjetividade pessoal e tendenciosa do intérprete. Neste caso, observamos que a Escritura é afastada de sua posição de única regra de fé e prática, e agora tal autoridade é compartilhada com as revelações recebidas pelos proponentes do G-12.
As mesmas regras de interpretação são aplicadas às revelações contemporâneas. A única base do Modelo G-12 é a visão e a revelação dadas a César Castellanos. Daí, tanto a fé como a vida cristã são conduzidas por revelações recebidas pelos líderes. Decisões práticas, como casar-se ou não, são tomadas por meios de visões ou revelações.
Recordo-me de situações tão concretas como a revelação do dia em que ela se converteria à vida cristã e o momento em que depois de pedir outros sinais, o Senhor me disse com voz audível…19
Desde aí tive o convencimento de que realmente Deus lhe falava (a César), que era um homem de fé, a quem o Espírito Santo comunicava as coisas de forma direta… Sempre desejei escutar a voz de Deus, da mesma maneira que meu esposo conseguia…20
Tais decisões são chamadas de decisões transcendentais21 e regem a vida cristã. A natureza mística das mesmas é definida de maneira precisa por César Castellanos: “A Missão Carismática Internacional é uma igreja eminentemente profética. Teria que sê-lo por duas razões: a primeira, seu início foi determinado por uma palavra profética dada diretamente por Deus a este seu servo…”22
Essa subjetividade subjuga a Escritura aos critérios humanos. As pretensiosas visões e revelações diretas determinam a doutrina da igreja e a conduta pessoal. Não há limites para a imaginação humana. Como afirma Valnice: “Deus trabalha com visões; onde não há visão não há obra. Todas as realizações começam com visões.”23
A este arsenal de revelações cotidianas, seguem-se inúmeros casos de experiências inexplicáveis de natureza mística. Ressurreições, arrebatamentos e cerimônias são detalhadamente descritos em obras dos líderes do movimento. Fazem parte do dia-a-dia da fé proposta pelos agenciadores do G-12. Não nos surpreende o dualismo presente nessas revelações, bem como nas suas interpretações. A surpresa advém do fato de que os líderes avocam para si uma credibilidade acima de qualquer crítica. O questionamento de suas experiências é quase sempre descrito como incredulidade e oposição a Deus. Observe-se a avaliação que Valnice faz de uma de suas visões, quando, segundo ela, Deus lhe mostrou duas igrejas, a fiel – Jerusalém – e a infiel – Roma.
Jerusalém representa o lugar onde a Palavra de Deus é integralmente obedecida, sem questionar, e o Espírito é o Senhor Absoluto na Igreja. Roma é o lugar da lógica, da razão, onde a filosofia vai construindo uma estrutura de raciocínio que leva ao questionamento da Palavra de Deus.24
Além de promover a separação entre a fé e a razão, fica evidente que a visão do líder é inquestionável. Em qualquer outra situação essa posição seria classificada como fanatismo.
IV. A Teologia do Modelo G-12
Como já dissemos a teologia do movimento e do encontro não nos trazem muitas novidades em termos de propostas, mas reeditam o conjunto de doutrinas propaladas pelo neopentecostalismo. Duas observações podem ser feitas a título de introdução. Em primeiro lugar, a inconsistência ou incoerência de suas doutrinas sequer é observada pelos seguidores do movimento, o que demonstra mais uma vez a fragilidade das igreja evangélicas. Em segundo lugar, o mérito do G-12 talvez seja ter levado algumas doutrinas do neopentecostalismo às últimas conseqüências.
A. Antropologia
Um bom ponto de partida para a análise do movimento é a sua antropologia. Sob a influência pós-moderna, o homem preconizado pelo G-12 é fruto do que David Herrero chama de espírito romântico,25 como ele mesmo descreve: “O Homem Romântico não é apenas inerentemente bom, mas é também divino. De acordo com a filosofia que permeia a antropologia romântica, entre Deus e o homem há uma identidade básica.”26
Pelas suas afirmações, César Castellanos deixa claro que a sua perspectiva do ser humano é fatalmente comprometida com esse antropocentrismo, se não dos demais, pelo menos de si mesmo. Ele afirma:
Experimentei meu espírito se desprendendo do corpo. Lutei; porém uma força invisível manejava minha alma. De repente, veio à minha mente a prova do mês anterior e recordei-me das palavras “não é hora!” Apropriei-me delas e disse: Senhor não é possível que tu permitas esta morte, não é hora, Tu precisas de mim na terra, dá-me forças para regressar ao meu corpo e poder levantá-lo em teu nome.27
Em outra ocasião o Espírito Santo lhe diz, após ele ter orado entregando a direção da igreja ao próprio Espírito:
E por que tardaste tanto para decidi-lo? Porque até agora tu eras o pastor e Eu teu auxiliar? Tu me dizias Espírito Santo abençoa esta pessoa e esta obra, abençoa o que vou pregar, abençoa a igreja e eu tinha que fazê-lo.28
Maior arrogância encontramos nas afirmações de Valnice: “Tudo que sai da boca de Deus é um decreto, pois emitido por uma autoridade, cuja palavra tem força de lei, seus decretos são acompanhados de seu cumpra-se.”29 Tal ensino é seguido por sua própria experiência pessoal. Ao referir-se à atitude que tomou ao avaliar o horário das 18:00 h como momento de adoração a Maria, ela declara:
Pai, como autoridade espiritual nesta nação, revogo o decreto de Roma e estabeleço um outro decreto…30
O milagre ocorre quando eu libero o poder do Espírito Santo. E então ocorrem milagres, pois as pessoas são transformadas.31
Esta não é uma característica isolada, mas é notada nos vários líderes que aderiram ao movimento,32 demonstrando ser um espírito da época. Contudo, não são apenas aqueles que estão com Deus que parecem gozar desse status. Quanto aos que se opõem ao G-12, afirma-se:
Pode-se dizer que o pastor que não entre nesta dimensão está matando o progresso do evangelho em sua área… Quem não se reproduz está afetando a possibilidade de conversão de milhares de vidas.33
É óbvio que os proponentes afirmam crer na soberania de Deus; contudo, suas propostas são inconsistentes com as doutrinas mais elementares da Escritura, como por exemplo a onipotência de Deus. Por esse caminho, a independência divina fica prejudicada e Deus se torna dependente da vontade humana. Além da relação com Deus, um outro aspecto no qual os líderes do G-12 expressam a sua divinização é quanto aos espíritos malignos. As ações dos espíritos malignos dependem da conduta humana: “Todo pecado é uma quebra de comunhão com Deus. Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios, cada pecado atrai uma maldição.”34 Assim, meus atos têm o poder de liberar (não se sabe bem de onde) demônios que estavam presos (não se sabe por quem ou para quê).
B. Soteriologia
A conseqüência final dessa exaltação humana é a descaracterização da pessoa e obra redentora de Deus e, por contraditório que pareça, a exaltação do homem e de Satanás. A segurança do crente é reduzida ao acaso, ou, na melhor das hipóteses, à sua conduta e autoridade espiritual. O fato de a Escritura nos ensinar que somos guardados por Deus (Sl 121) e que Jesus nos guarda (Jo 17.12) é totalmente negligenciado. Diante da perspectiva de guerra espiritual35 exarada pelos ensinos do G-12, os demônios alcançaram poder e posição de destaque, em algumas ocasiões acima de Deus.
Quando peco, abro uma porta de legalidade para que satanás entre com seu propósito, MATAR, ROUBAR E DESTRUIR… A maldição se infiltra por uma legalidade e abre a porta para que demônios venham sobre a vida da pessoa.36
É importante notar aqui que esta citação refere-se ao Encontro, onde se pressupõe que o participante, também chamado de encontrista, é convertido. Isso significa que Satanás tem poder para entrar na vida daquele que foi salvo por Cristo. Mais do que isso, a conduta pecaminosa é considerada uma obstrução ou impedimento para que Deus abençoe os seus filhos.
Por algum motivo, o modelo G-12 descreve o crente como um ser dividido entre Deus e o diabo. Pertencemos a Deus, mas o diabo exerce domínio sobre nós. O manual ainda afirma: “Para que haja cura interior são necessários dois passos: Romper o domínio de satanás sobre nós e tomar posse do que é nosso por direito.37
Isto nos conduz ao verdadeiro caráter da doutrina do movimento G-12, ou seja, seu dualismo, onde Deus e os demônios contendem em condições de igualdade. Em uma narrativa no mínimo pitoresca, Valnice descreve o projeto “Palácio da Rainha.”38 Em sua argumentação e pretensa interpretação bíblica, ela entende que Paulo não venceu a entidade pagã em Éfeso (Atos 19), mas apenas a enfraqueceu. Contudo, segundo ela, seguindo dados históricos, coube a João derrotar aquela entidade e conquistar Éfeso para Cristo. Esse domínio geográfico de Deus durou 200 anos, sendo depois a cidade conquistada por tal entidade. Ao explicar a razão para esse domínio, ela afirma: “Hoje Éfeso fica na Turquia, um país muçulmano. Há apenas cerca de 500 cristãos nascidos de novo naquele país. O que teria acontecido? Diana reconquistou seu trono.”39
Tomou-o das mãos de quem? Assim a obra redentora de Cristo é maculada pelo G-12, tornada sem efeito, uma vez que somos submetidos a uma salvação que depende de uma libertação posterior e de quebra de pactos e maldições não desfeitos na cruz de Cristo. Essa visão dualista nos dispõe a situações que fogem ao controle de Deus, e vivemos assim sob constante atuação demoníaca em nossas vidas.
Tais afirmações aproximam o G-12 mais do pré-gnosticismo do primeiro século que do cristianismo bíblico. Evidenciam a natureza sincrética do movimento e sua total incapacidade de mostrar a soberana obra redentora de Deus. A salvação é despida de seu caráter gracioso, e tanto ela como a vida cristã dependem dessa aventura humana no mundo espiritual. Tais pessoas não possuem autoridade para falar do evangelho da soberana graça de Deus.
Além de negar a obra redentora de Deus, o ensino do G-12 ainda se opõe à pessoa de Deus. Seus atributos são menosprezados, inclusive sua bondade, amor e justiça. Em um sessão de regressão, o ministrador do Encontro é orientado a conduzir seus encontristas a perdoar aqueles que os fizeram sofrer:
Em cada faixa etária, desde a infância até a vida adulta, o ministrador deverá instruir os encontristas a se lembrarem de momentos difíceis, amargos, traumatizantes, etc. Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus.40
Tal afirmação se baseia na hipótese de alguém estar magoado com Deus. Contudo, ela ignora a natureza santa e justa de Deus, bem como a sua imutabilidade, e acentua o caráter meritório do sofrimento humano.41
C. Eclesiologia
Por se tratar de um movimento que se propõe ser o modelo eclesiástico do próximo milênio, podemos definir este ponto como uma escato-eclesiologia. É notório que a motivação do G-12 é o crescimento vertiginoso da igreja. Isto a transforma em uma instituição ensimesmada, auto-centrada e escrava do pluralismo e pragmatismo religioso. Três pontos podem ser destacados nessa escato-eclesiologia.
Em primeiro lugar, usando os termos do próprio movimento, a igreja do século XXI será sobrenatural. Por sobrenatural entende-se o caráter místico e supersticioso42 dado ao movimento pelo neopentecostalismo. Aguarda-se para o próximo século o surgimento de sinais em abundância e o retorno aos milagres neotestamentários. Conforme as previsões de um líder:
Creio que brevemente seremos revestidos com a unção dos grandes e maravilhosos prodígios do Espírito Santo e nossa sombra curará com a de Pedro, e pela nossa palavra de ordem, mortos ressuscitarão e grandes fenômenos ocorrerão pela fé, em nome de Jesus.43
Além dos sinais miraculosos, espera-se um período de inúmeras revelações rotineiras, vistas como o “mover” de Deus. Isto implica em que no próximo milênio a igreja deverá abandonar seus dogmas, suas doutrinas, visto que será conduzida pelas revelações.
Em segundo lugar, a igreja do século XXI é vista como um cumprimento escatológico. O modelo G-12 se vê como o cumprimento profético. Como esperado, tais profecias não são encontradas nas escrituras, mas provém das revelações recebidas pelos proponentes do movimento. Senão vejamos:
Temos recebido a palavra no sentido de que nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo, e a única estrutura que permitirá estar preparados para isto é a igreja em células.44
As congregações do tipo paroquial, nas quais não há mais que 200 pessoas, não estarão no modelo, porque cada igreja será de no mínimo cem mil pessoas.45
Além de Castellanos, outros líderes do movimento e seus discípulos têm a mesma visão profética, a mesma expectativa triunfalista para o próximo século:
Tendo a convicção de que o modelo de Bogotá era a base para o modelo que Deus tem para nós, temos retornado às convenções para beber da fonte. Cremos que Deus deu ao Pr. César Castellanos o modelo dos doze que há de revolucionar a igreja do próximo milênio.46
Como filhos que somos de Deus Todo-Poderoso, seremos conhecidos nos céus como a geração das maiores conquistas e das maiores colheitas para o Reino de Deus. 47
Hoje estamos reformando a eclesiologia… Por isso creio que esse movimento é a complementação da primeira reforma. Creio que ele está varrendo os quatro cantos da terra hoje, numa proporção e numa velocidade muito maior que a reforma protestante do século XVI.48
Fica claro que o movimento se vê como um cumprimento profético, contudo, não das Escrituras, e sim das projeções e previsões feitas pelos seus proponentes.
Em terceiro lugar, a visão eclesiástica do movimento sofreu uma influência empresarial, e por essa razão aproximou-se de conceitos liberais. A divisão da igreja em ministérios administrativos e espirituais assemelha-se à visão liberal de Adolf Harnack acerca da igreja. Ele idealizou a divisão entre ministério religioso e ministério administrativo ou local.49 Castellanos afirma:
A igreja é a empresa mais importante de uma nação, pelo que o mesmo crescimento exigirá que haja dois setores no interior da igreja: um de caráter administrativo e outro relacionado ao ministério pastoral.50
Isto revela mais do que uma proposta teológica: expressa a influência empresarial da estrutura eclesiástica montada por Castellanos. Sua eclesiologia está mais próxima de um marketing de rede que do evangelho. O número 12 é a único elemento nessa estrutura que se relaciona com o evangelho. Mesmo assim, nenhuma parte do relato dos evangelistas nos ensina que os discípulos tiveram por sua vez exatos doze discípulos.
Seguindo uma tendência atual, a administração de Castellanos é centralizadora e sua eclesiologia é personalista. Negando evidências bíblicas, tanto do Novo como do Antigo Testamento (Dt 1; At 15; 1 Tm 1.6-16), Castellanos defende o fim de colegiados e assembléias, e propõe um sistema de governo totalitário e personalista:
A época das assembléias e dos comitês de anciãos para dar passos importantes na Igreja, já passou na história. Estou convencido de que Deus dá a visão ao pastor e nessa medida é a ele que o Espírito Santo fala, indicando-lhe até onde deve mover-se.51
Conclusão
O G-12 está longe de ser uma reforma, muito menos protestante. Esse movimento não protesta, mas se acomoda e se amalgama à filosofia da época. Surge como proposta inovadora, mas traz consigo doutrinas antigas. De fato, o G-12 e o Encontro tem prestado um tremendo desserviço à igreja evangélica no Brasil.
Finalizando, gostaria de mencionar o que podemos concluir acerca desse movimento. Em primeiro lugar, temos a certeza de que o movimento irá passar, como outras ondas neopentecostais. Todavia, como as demais ondas, é provável que muito de suas doutrinas e práticas permaneça em nosso meio. É necessário discutir o G-12; contudo, a discussão deve ir além das questões metodológicas do Encontro. Com ou sem regressão, o Encontro continuará a ensinar a necessidade de perdoar a Deus e outras coisas questionáveis. Devemos debater de forma mais ampla a presença das teologias neopentecostais e sua influência na vida e fé das igrejas evangélicas.
Em segundo lugar, é importante lembrar que o movimento revela a fragilidade do ensino nas igrejas evangélicas. Um vento de doutrina, com ensinos tão destoantes da Escritura, sequer é notado por membros dessas igrejas. O problema se agrava ao considerarmos que novas ondas nos esperam. Que Deus nos conduza à fidelidade à sua Palavra e à responsabilidade de lutar pela fé evangélica (Judas 3-4).


Pontos positivos e negativos:
Tanto o Pentecostalismo quanto o tradicionalismo possuem os seus pontos positivos e negativos.
As igrejas pentecostais trazem a seu favor o fato de crerem nos dons sobrenaturais, o que, conforme ensina a Bíblia, produz edificação; entretanto, tendem a partir para a carnalidade. A maior parte destas igrejas deixam a Bíblia de lado e passam a serem guiadas por experiências particulares, visões e “profecias” que, em sua grande maioria, são da carne e às vezes até mesmo do Diabo. Por deixarem o ensino e colocar a ênfase na emoção, abrem brecha para o sentimentalismo e a expansão de heresias. Seus membros, em sua grande maioria, são meninos e, muitas vezes, partem para o extremismo de até mesmo acharem, por exemplo, que os irmãos tradicionais não tem o Espírito Santo porque não gritam ou não falam em línguas. Para eles, um sinal de espiritualidade é a gritaria!
As igrejas tradicionais possuem a seu favor a organização, disciplina e a importância ao ensino; porém, o excesso de zelo quanto à manifestação dos dons nos cultos, pode levar a uma frieza espiritual. Os dons sobrenaturais não são o principal e devem ser regidos pela Palavra de Deus, pois são necessários também; devemos então colocá-los sob o prumo da Bíblia e não proibir a manifestação dos mesmos. Devem ser evitados os modismos e extremismos quanto à liturgia de culto, entretanto a liturgia de culto não deve ser algo inflexível.
Os membros destas igrejas tendem ao radicalismo achando que toda e qualquer manifestação sobrenatural ou é da carne ou do Diabo; seus membros esquecem muitas vezes que a ciência deve ser regada com o amor, pois se não ela inchará o coração. A maior parte das línguas, profecias e outras manifestações realmente partem da carne e infelizmente até mesmo do inimigo, mas existem as manifestações do Senhor. Por causa do extremo zelo sem discernimento, muitas igrejas tradicionais esfriaram-se completamente.
Nossa posição:
Para que possamos entrar propriamente em nosso estudo, quero que o leitor saiba:
1º- Se olharmos partindo do conceito bíblico e correto do batismo com o Espírito Santo, bem como a importância do ensino, ordem e decência, zelo pela pureza doutrinária e rejeição de toda manifestação que fuja dos padrões bíblicos; alguns pentecostais dirão que somos considerados tradicionais.
2º- Se considerarmos que cremos na manifestação dos dons sobrenaturais ainda nos dias de hoje; alguns tradicionais dirão que somos pentecostais.
Amados; resumindo, somos pentecostais porque cremos na manifestação dos dons do Espírito na atualidade, entretanto cremos que todo cristão verdadeiro é batizado com o Espírito Santo e que isso não tem ligação com o falar em outras línguas e não se trata de uma experiência à parte da conversão, mas acompanha a mesma. Cremos ainda que os dons devem ser regidos pela Palavra de Deus e que a espiritualidade de alguém não pode e não deve ser medida por manifestações sobrenaturais e sim pelo fruto do Espírito em uma vida transformada.

Concluímos dizendo :  "A multiforme graça de Deus não defende tradições denominacionais como pentecostalismo, tradicionalismo ou neopentecostalismo, de forma que nos apoiamos na doutrina das Sagradas Escrituras e em todos seus fundamentos. Entendemos que o verdadeiro ministério cristão deve estar conformado à imagem de Cristo e ser totalmente submisso à autoridade da Bíblia.

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

FORÇA :

Força
Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena.
Provérbios 24:10

Na Segunda Guerra Mundial, Hitler com seu exército verde estava conquistando toda a Europa. Como um exímio estrategista militar, vislumbrava um sucesso colossal. Um dos seus objetivos era conquistar a Inglaterra. Então, uma série de bombardeios e ataques aéreos foram disferidos contra o Reino Unido. As cidades estavam devastadas! Propostas de rendição eram frequentemente feitas pelos alemães nazistas. Parecia ser o fim da “ilha”; eles não tinham mais força ou esperança.
Nesse período assumiu a liderança do país Winston Churchill, que fez um poderoso discurso ao povo inglês. Todos achavam que ele iria recuar, se entregar, se render a Hitler. Mas não! Não foi isso que ele fez. Ao invés disso seu discurso foi ousado e otimista; ele mexeu com os ânimos da população inglesa, estimulou os soldados à bravura, dizendo: “Ainda que tivermos que morrer, não nos entregaremos, vamos à guerra!
Toda a Inglaterra foi contagiada pelo discurso de Churchill. Da fraqueza tiraram força e o resultado foi surpreendente: a Alemanha não consegui conquistar a Grã-Bretanha! Eles prevaleceram, pois no dia da angústia não se mostraram fracos.
É exatamente isso que o texto acima está a nos ensinar: você que está passando provações, está vivendo o dia da angústia, portanto, não te mostres fraco, frouxo; não recue ante as ameaças do inimigo, não ceda um centímetro de espaço a ele; não veja o lado negativo, o quanto você é pequeno, fraco ou o quanto o inimigo e a adversidade são gigantescos…
Veja o quanto o poder de Deus é infinito, quão grandiosas são Suas promessas e vá para a guerra dizendo como Davi à Golias: ” Hoje mesmo Deus te entregará nas minhas mãos”! Assim sua força na angústia não será pequena, mas sim será poderosa! Avante Guerreiro!

quarta-feira, 23 de março de 2016

A Verdade :

A Verdade -  E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8:32)
    Depois da queda do muro de Berlin, em 1989, iniciou-se um período chamado pelos estudiosos de “pós-modernismo”. O pós-modernismo é um pensamento filosófico que trouxe com ele o seu principal filho, o Relativismo! Relativismo é a afirmação absoluta que não existem verdades absolutas. Tudo é relativo. A verdade depende do ponto de vista e da circunstância de cada um.
Estamos vivendo hoje o auge do Relativismo; nossa sociedade é uma sociedade relativista, não existem mais valores absolutos, verdades absolutas, cada um tem sua verdade, sua maneira própria de enxergar a vida. E, qualquer um que quiser impor algum valor a absoluto será rotulado de extremista, fundamentalista retrógrado.
   Todavia, o mais assombroso é que até na Igreja de Cristo a verdade tem sido relativizada pelas inúmeras doutrinas apresentadas, pelas mais diversas denominações… Os Batistas têm suas verdades; os Presbiterianos as deles; os Pentecostais e Neopentecostais também têm outras verdades e assim por diante! Claro que podemos ter discordância em pontos que não são vitais à fé cristã, todavia alguns estão se distanciando muito em suas “verdades”!
   A Palavra de Deus ensina verdades absolutas, valores absolutos! Cristo mostrou verdade absolutas, veja: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (João 14:6). Ele usou artigo definido “o” e não o artigo indefinido “um”, Ele disse que Ele é o único caminho; que Ele detém a única verdade. Ele ensinou valores e verdades absolutas, que não dependem de pontos de vistas desse ou daquele que julga mais conveniente.
   Você quer saber onde está contida essa verdade? Vá às Escrituras, toda verdade absoluta de Deus está lá! Não viva uma vida cristã relativista, não creia nesse ou naquele pregador, teólogo, ou pastor que não tem compromisso com as verdades absolutas da Palavra de Deus, que se divergem tanto entre si. Vá para a Bíblia, somente ela tem a verdade absoluta! Obedeça-a! Viva essas verdades absolutas, pois elas lhe trarão paz, triunfo e vida eterna!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O QUE ESTÁ ERRADO COM A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE?

   Apesar de até o presente só ter melhorado a vida dos seus pregadores e fracassado em fazer o mesmo com a vida dos seus seguidores, a teologia da prosperidade continua a influenciar as igrejas evangélicas no Brasil.
   Uma das razões pela qual os evangélicos têm dificuldade em perceber o que está errado com a teologia da prosperidade é que ela é diferente das heresias clássicas, aquelas defendidas pelos mórmons e "testemunhas de Jeová" sobre a pessoa de Cristo, por exemplo. A teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico. Ela não nega diretamente nenhuma das verdades fundamentais do Cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que a teologia da prosperidade diz, e sim o que ela não diz.
1) Ela está certa quando diz que Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que qualquer bênção vinda de Deus é graça e não um direito que nós temos e que podemos reivindicar ou exigir dele.
2) Ela acerta quando diz que podemos pedir a Deus bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que Deus tem o direito de negá-las quando achar por bem, sem que isto seja por falta de fé ou fidelidade de nossa parte.
3) Ela acerta quando diz que devemos sempre declarar e confessar de maneira positiva que Deus é bom, justo e poderoso para nos dar tudo o que precisamos, mas erra quando deixa de dizer que estas declarações positivas não têm poder algum em si mesmas para fazer com que Deus nos abençoe materialmente.
4) Ela acerta quando diz que devemos dar o dízimo e ofertas, mas erra quando deixa de dizer que isto não obriga Deus a pagá-los de volta.
5) Ela acerta quando diz que Deus faz milagres e multiplica o azeite da viúva, mas erra quando deixa de dizer que nem sempre Deus está disposto, em sua sabedoria insondável, a fazer milagres para atender nossas necessidades, e que na maioria das vezes ele quer nos abençoar materialmente através do nosso trabalho duro, honesto e constante.
6) Ela acerta quando identifica os poderes malignos e demôníacos por detrás da opressão humana, mas erra quando deixa de identificar outros fatores como a corrupção, a desonestidade, a ganância, a mentira e a injustiça, os quais se combatem, não com expulsão de demônios, mas com ações concretas no âmbito social, político e econômico.
7) Ela acerta quando diz que Deus costuma recompensar a fidelidade mas erra quando deixa de dizer que por vezes Deus permite que os fiéis sofram muito aqui neste mundo.
8) Ela está certa quando diz que podemos pedir e orar e buscar prosperidade, mas erra quando deixa de dizer que um não de Deus a estas orações não significa que Ele está irado conosco.
9) Ela acerta quando cita textos da Bíblia que ensinam que Deus recompensa com bênçãos materiais aqueles que o amam, mas erra quando deixa de mostrar aquelas outras passagens que registram o sofrimento, pobreza, dor, prisão e angústia dos servos fiéis de Deus.
10) Ela acerta quando destaca a importância e o poder da fé, mas erra quando deixa de dizer que o critério final para as respostas positivas de oração não é a fé do homem mas a vontade soberana de Deus.
11) Ela acerta quando nos encoraja a buscar uma vida melhor, mas erra quando deixa de dizer que a pobreza não é sinal de infidelidade e nem a riqueza é sinal de aprovação da parte de Deus.
12) Ela acerta quando nos encoraja a buscar a Deus, mas erra quando induz os crentes a buscá-lo em primeiro lugar por aquelas coisas que a Bíblia constantemente considera como secundárias, passageiras e provisórias, como bens materiais e saúde.
   A teologia da prosperidade, à semelhança da teologia da libertação e do movimento de batalha espiritual, identifica um ponto biblicamente correto, abstrai-o do contexto maior das Escrituras e o utiliza como lente para reter toda a revelação, excluindo todas aquelas passagens que não se encaixam.
    Ao final, o que temos é uma religião tão diferente do Cristianismo bíblico que dificilmente poderia ser considerada como tal. Estou com saudades da época em que falso mestre era aquele que batia no portão da nossa casa para oferecer um exemplar do livro de Mórmon ou da Torre de Vigia...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Arrebatamento - "Posição Pré-Tribulacionista" ; "Distinção Entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda"

    Uma pesquisa recente da revista U.S. News & World Report descobriu que 61 por cento dos americanos acreditam que Jesus Cristo vai voltar à terra, e 44 por cento acreditam no Arrebatamento da Igreja. Mas  O que é o Arrebatamento?   Com tamanha certeza popular, por que há tanta confusão interpretativa a respeito desses acontecimentos? A doutrina do Arrebatamento pré-tribulacional é um ensino bíblico importante não apenas por oferecer percepções interessantes sobre o futuro, mas também porque oferece aos crentes motivação para a vida contemporânea. O Arrebatamento pré-tribulacional ensina que, antes do período de sete anos conhecido como Tribulação, todos os membros do corpo de Cristo (tanto os vivos quanto os mortos) serão arrebatados nos ares para o encontro com Jesus Cristo e depois serão levados ao céu. O ensino do Arrebatamento é mais claramente apresentado em 1 Tessalonicenses 4.13-18. Nessa passagem Paulo informa seus leitores de que os crentes que estiverem vivos por ocasião do Arrebatamento serão reunidos aos que morreram em Cristo antes deles. No versículo 17 a palavra "arrebatados" traduz a palavra grega harpazo, que significa "dominar por meio de força" ou "capturar". Essa palavra é usada 14 vezes no Novo Testamento Grego de várias maneiras diferentes. Ocasionalmente o Novo Testamento usa harpazo com o sentido de "roubar", "arrastar" ou "carregar para longe" (Mateus 12.29; João 10.12). Também pode ser usada com o sentido de "levar embora com uso de força" (João 6.15; 10.28-29; Atos 23.10; Judas 23). No entanto, para nossos propósitos, um terceiro uso é mais significativo. Diz respeito ao Espírito Santo levando alguém de um lugar para outro. Encontramos esse uso em quatro ocorrências (Atos 8.39; 2 Coríntios 12.2, 4; 1 Tessalonicenses 4.17; Apocalipse 12.5). Esse último uso é ilustrado em Atos 8.39, quando Filipe, ao completar o batismo do oficial etíope, é "arrebatado" e divinamente transportado do deserto até a cidade costeira de Azoto. De modo semelhante, a Igreja será, num momento, levada da terra ao céu. Não deve-se estranhar, portanto, que um autor contemporâneo tenha chamado esse evento peculiar de "O Grande Seqüestro".[...]
    Por que a doutrina da iminência é significativa para o Arrebatamento? O ensino neo-testamentário de que Cristo poderia voltar a qualquer momento e arrebatar a Sua Igreja sem sinais ou advertências prévios (i.e. iminência) é um argumento tão poderoso em favor do pré-tribulacionismo que se tornou uma das doutrinas mais ferozmente atacadas pelos oponentes da posição pré-tribulacionista. Eles percebem que, se o Novo Testamento de fato ensinar a iminência, um arrebatametno pré-tribulacional estará praticamente assegurado.        Definição de Iminência -  Qual é a definição bíblica de iminência? O Dr. Renald Showers define e descreve iminência da seguinte maneira: 1) Um acontecimento iminente é aquele que está sempre "pairando acima de alguém, constantemente prestes a vir sobre ou a alcançar alguém; próximo quanto à sua ocorrência". Assim, a iminência traz consigo o sentido de que algo pode acontecer a qualquer momento. Outras coisas podem acontecer antes do evento iminente, mas nada precisa acontecer antes que ele aconteça. Se alguma coisa precisa acontecer antes de determinado evento ocorrer, tal evento não é iminente. Em outras palavras, a necessidade de que algo ocorra antes destrói o conceito de iminência. 2) Uma vez que é impossível saber exatamente quando ocorrerá um evento iminente, não se pode contar com a passagem de determinado período de tempo antes que tal evento iminente ocorra. À luz disso, é preciso estar sempre preparado para que ele aconteça a qualquer momento. 3) Não se pode legitimamente estabelecer direta ou implicitamente uma data para sua ocorrência. Assim que alguém marca uma data para um evento iminente, destrói o conceito de iminência, porque ao fazer isso afirma que um determinado intervalo de tempo deve transcorrer antes que tal evento ocorra. Uma data específica para um evento é contrária ao conceito de que tal evento possa ocorrer a qualquer momento. 4) É impossível dizer legitimamente que um evento iminente vai acontecer em breve. A expressão "em breve" implica que tal evento precisa ocorrer "dentro de um tempo pequeno (depois de um ponto específico designado ou implícito)". Em termos de contraste, um evento iminente pode ocorrer dentro de um pequeno intervalo de tempo, mas não precisa fazê-lo para ser iminente. Espero que você perceba, agora, que "iminente" não é igual a "em breve". O fato de que Jesus Cristo pode voltar a qualquer momento, mesmo que não necessariamente em breve, e sem a necessidade de qualquer sinal anterior à Sua vinda, requer o tipo de iminência ensinado pela posição pré-tribulacionista e é um forte apoio ao pré-tribulacionismo. Que passagens do Novo Testamento ensinam essa verdade? Os versículos que afirmam a volta de Cristo a qualquer momento, sem aviso prévio, e aqueles que instruem os crentes a esperar e aguardar a vinda do Senhor ensinam a doutrina da iminência. Observem-se as seguintes passagens do Novo Testamento: • 1 Coríntios 1.7 – "...aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo". • 1 Coríntios 16.22 – "Maranata!" • Filipenses 3.20 – "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo". • Filipenses 4.5 – "Perto está o Senhor". • 1 Tessalonicenses 1.10 – "e para aguardardes dos céus o Seu Filho...". • 1 Tessalonicenses 4.15-18 – "Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras". • 1 Tessalonicenses 5.6 – "Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios". • 1 Timóteo 6.14 – "que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo". • Tito 2.13 – "aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus". • Hebreus 9.28 – "assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação". • Tiago 5.7-9 – "Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor... pois a vinda do Senhor está próxima... Eis que o Juiz está às portas". • 1 Pedro 1.13 – "Por isso,... sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo". • Judas 21 – "guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna". • Apocalipse 3.11; 22.7, 12, 20 – "Eis que venho sem demora!" • Apocalipse 22.17, 20 – "O Espírito e a Noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que dá testemunho destas cousas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Vem, Senhor Jesus!" Ao considerarmos as passagens mencionadas acima, observamos que Cristo pode voltar a qualquer momento, que o Arrebatamento é de fato iminente. Somente o pré-tribulacionismo pode dar um sentido pleno, literal, a tal acontecimento iminente. Outras posições sobre o Arrebatamento precisam redefinir iminência de maneira mais elástica do que indica o Novo Testamento. O Dr. John Walvoord declara: "A exortação a que aguardemos a ‘manifestação da glória’ de Cristo para os Seus (Tito 2.13) perde seu significado se a Tribulação tiver que ocorrer antes. Fosse esse o caso, os crentes deveriam observar os sinais."   Se a posição pré-tribulacionista sobre a iminência não for aceita, então haverá sentido em procurar identificar os eventos relacionados à Tribulação (i.e., o Anticristo, as duas testemunhas, etc.) e não em esperar o próprio Cristo. O Novo Testamento, todavia, como demonstrado acima, uniformemente instrui a Igreja a olhar para a volta de Cristo, ao passo que os santos da Tribulação são exortados a observar os sinais. A exortação neo-testamentária a que nos consolemos mutuamente pela volta de Cristo (João 14.1; 1 Tessalonicenses 4.18) não mais teria sentido se os crentes tivessem, primeiro, que passar por qualquer porção da Tribulação. Em vez disso, o consolo teria que esperar a passagem pelos eventos da Tribulação. Não! A Igreja recebeu uma "bendita esperança", em parte porque a volta do Senhor é, de fato, iminente. A Igreja primitiva tinha uma saudação especial que os crentes só usavam entre si, conforme registrado em 1 Coríntios 16.22: a palavra "Maranata!" Esta palavra é constituída de três termos aramaicos: Mar ("Senhor"), ana ("nosso"), e tha ("vem"), significando, assim, "Vem, nosso Senhor!" Como outras passagens do Novo Testamento, "Maranata" só faz sentido se uma vinda iminente, ou seja, a qualquer momento, for pressuposta. Isso também serve de apoio à posição pré-tribulacionista. Não foi à toa que os antigos cristãos cunharam essa saudação peculiar que reflete uma ansiosa expectativa pelo cumprimento dessa bendita esperança como uma presença real em suas vidas cotidianas. A vida da Igreja em nossos dias só teria a melhorar se "Maranata" voltasse a ser uma saudação sincera nos lábios de crentes que vivem com esta expectativa. Maranata!


Distinção Entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda - “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras... Certamente, venho sem demora” (Ap 22.12,20). "O encontro nos ares."  Essas palavras, as últimas de Cristo que foram registradas por escrito, confirmam Sua promessa anterior: “...voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14.3). Paulo faz referência ao cumprimento dessa promessa: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, ...e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; ...depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4.16-17). Como resposta a essas promessas de Cristo, “o Espírito e a noiva dizem: Vem!” (Ap 22.17); ao que João adiciona, jubilante: “Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20b). Quem é essa Noiva? Após declarar que esposo e esposa são “uma só carne”, Paulo explica: “Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.32). A qualquer momento As palavras de Cristo, do mesmo modo como as de João, do Espírito e da Noiva, não fariam sentido se essa vinda para levar os crentes para Si mesmo tivesse que esperar a revelação do Anticristo (perspectiva pré-ira) ou a consumação da Grande Tribulação (perspectiva pós-tribulacionista). Uma vinda de Cristo “pós-qualquer coisa” para Sua Noiva simplesmente não se encaixa nessas palavras das Escrituras. Afirmar que a Grande Tribulação deve ocorrer primeiro, para que o Espírito e a Noiva digam: “Vem, Senhor Jesus”, é como exigir o pagamento de uma dívida que vai vencer somente em sete anos! Um Arrebatamento “pós-qualquer coisa” vai contra várias passagens das Escrituras que demandam claramente a vinda de Cristo a qualquer momento (iminente). O próprio Jesus disse: “Cingido esteja o vosso corpo, e acesas as vossas candeias, sede vós semelhantes a homens que esperam o seu senhor” (Lc 12.35,36a). Esse mandamento seria ridículo se Cristo pudesse vir para o Arrebatamento apenas após os sete anos da Tribulação. A vinda que a Noiva de Cristo tanto deseja levará à ressurreição dos mortos e à transformação dos corpos dos vivos. Isso fica bem claro não somente em 1 Tessalonicenses 4, mas também através de outras passagens: “...de onde (os céus) aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória” (Fp 3.20-21). Muitas outras passagens também incentivam os crentes a vigiar e esperar com intensa expectativa. Essas exortações somente fazem sentido se a possibilidade de Cristo levar Sua Noiva para o céu puder ocorrer a qualquer momento: “...aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.7); “...deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro, e para aguardardes dos céus o Seu Filho...” (1 Ts 1.9-10); “...aguardando a bendita esperança e a manifestação do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13); “...aparecerá segunda vez ...aos que o aguardam para a salvação” (Hb 9.28); “Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor” (Tg 5.7). Diferentes opiniões sobre o Arrebatamento não afetam a salvação, mas deveríamos procurar entender o que a Bíblia diz. A Igreja primitiva estava claramente esperando o Senhor a qualquer momento. Estar vigiando e esperando por Cristo, se o Anticristo deve aparecer primeiro, é como esperar o Pentecoste antes da Páscoa. No entanto, Cristo exortou: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25.13); “...para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo. O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai” (Mc 13.36-37). A surpresa da Sua vinda A seguinte afirmação de Jesus também não se encaixa numa vinda pós-tribulacionista: “Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Mt 24.44). É absurdo imaginar que qualquer pessoa sobrevivente da Grande Tribulação, que tenha visto os eventos profetizados (as pragas e julgamentos derramados na terra; a imagem do Anticristo no Templo; a marca da besta imposta a todos que quiserem comprar e vender; as duas testemunhas testificando em Jerusalém, sendo mortas, ressuscitadas e levadas ao céu; Jerusalém cercada pelos exércitos do mundo, etc.), tendo contado os 1260 dias (3 anos e meio) de duração da segunda metade da Grande Tribulação (preditos em Apocalipse 11.2-3;12.14), poderia imaginar naquela hora que Cristo não estaria a ponto de retornar! Após todos esses acontecimentos, isso será por demais evidente. Portanto, simplesmente não há como reconciliar uma vinda de Cristo pós-tribulacionista com Seu aviso de que virá quando não estiver sendo esperado. Distinção entre Arrebatamento e Segunda Vinda Somente essa afirmação já distingue o Arrebatamento (a retirada da Igreja da terra para o céu) da Segunda Vinda (para resgatar Israel durante o Armagedom); pois este último acontecimento não vai surpreender quase ninguém. Contrastando com Seu aviso de que mesmo muitos na Igreja não O estarão esperando, as Escrituras anunciam outra vinda de Cristo quando todos os sinais já tiverem sido cumpridos e todos souberem que Ele está voltando. A um Israel descrente, Cristo declarou: “Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas” (Mt 24.33). Até o Anticristo saberá: “E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o Seu exército” (Ap 19.19). “Cingido esteja o vosso corpo, e acesas as vossas candeias, sede vós semelhantes a homens que esperam o seu senhor” (Lc 12.35,36a) Ou Cristo está se contradizendo (impossível!), ou Ele está falando de dois eventos. Jesus disse que virá num tempo de paz e prosperidade quando até Sua Noiva não estará esperando por Ele: “Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Lc 12.40). Não somente as [virgens] néscias, mas até as sábias estarão dormindo: “E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mt 25.5). No entanto, a Escritura diz que o Messias virá quando o mundo estiver quase destruído pela guerra, fome e os juízos de Deus, e quando Israel estiver quase derrotado. Então, Yahweh declara: “olharão para aquele a quem traspassaram” (Zc 12.10b), e todos os judeus vivos na terra reconhecerão seu Messias que retornará como “Deus forte, Pai da Eternidade” (Is 9.6): exatamente como os profetas previram, Ele veio como homem, morreu pelos seus pecados, e retornará, dessa vez para salvar Israel. Sobre esse momento culminante, Cristo declara: “Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mt 24.13). Paulo adiciona: “...todo o Israel [ainda vivo] será salvo”... (Rm 11.26). "Dois eventos distintos." Não podemos escapar ao fato de que duas vindas de Cristo ainda se darão no futuro: uma que surpreenderá até mesmo Sua Noiva e outra que não será uma surpresa para quase ninguém. As duas não podem ser o mesmo evento. Mas onde o Novo Testamento diz que ainda há duas vindas a serem cumpridas? Todo cristão crê em duas vindas de Cristo: Ele veio uma vez à terra, morreu pelos nossos pecados, ressuscitou dentre os mortos, retornou ao céu e voltará. Contudo, em nenhum lugar o Antigo Testamento diz que haveria duas vindas distintas. Esse fato causou confusão para os rabinos, para os discípulos de Cristo e até para João Batista, que era “cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (Lc 1.15, 41,44), João tinha testificado que Jesus era “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). No entanto, este último dos profetas do Velho Testamento, de quem não havia ninguém maior “nascido de mulher” (Lc 7.28), começou a duvidar: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mt 11.3). Somente uma vinda do Messias era esperada. Ele iria resgatar Israel e estabelecer Seu Reino sobre o trono de Davi em Jerusalém. Por essa razão os rabinos, os soldados e a multidão zombaram dEle na cruz (Mt 27.40-44; Mc 15.18-20; 29-32; Lc 23.35-37). Apesar de todos os milagres que Jesus tinha feito, os discípulos, da mesma forma, tomaram Sua crucificação como a prova conclusiva de que Ele não poderia ter sido o Messias. Os dois na estrada de Emaús disseram: “...nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir Israel” (Lc 24.19-21) – mas agora Ele estava morto. Cristo os repreendeu por não crerem “tudo o que os profetas disseram!” (Lc 24.25). Este era o problema comum: deixar de considerar todas as profecias. Israel tinha uma compreensão unilateral da vinda do Messias (e continua assim atualmente), que lhe permitia ver apenas Seu reino triunfante e o deixava cego para Seu sacrifício pelo pecado. Até mesmo muitos cristãos estão tão obcecados com pensamentos de “conquista” e “domínio” que imaginam ser responsabilidade da Igreja dominar o mundo e estabelecer o Reino de Deus, para que o Rei possa retornar à terra para reinar. Eles se esquecem da promessa que Ele fez à Sua Noiva de levá-la ao céu, de onde ela voltará com Ele para ajudá-lO a governar o mundo. O Arrebatamento ocorrerá antes da Tribulação. Como poderia Cristo executar julgamento sobre a terra, vindo do céu “entre suas santas miríades (multidões de santos)” (Jd 14), se primeiro não as tivesse levado para o céu? Aqui temos outra razão para um Arrebatamento anterior à Tribulação. Incrivelmente, Michael Horton, em seu livro “Putting Amazing Back into Grace”, imagina que 1 Tessalonicenses 4.14 (“assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem”) refere-se à Segunda Vinda de Cristo “com os santos”. Ao contrário, na ocasião do Arrebatamento Jesus trará a alma e o espírito dos cristãos fisicamente mortos para serem reunidos com seus corpos na ressurreição, levando-os para o céu juntamente com os vivos transformados. Na Segunda Vinda Ele trará consigo de volta à terra os santos vivos, que já foram ressuscitados e previamente levados ao céu no Arrebatamento. Antes da volta de Cristo com os Seus santos haverá a celebração das Bodas do Cordeiro com Sua Noiva (Ap 19.7). Tendo passado pelo Tribunal de Cristo (1 Co 3.12-15); (2 Co 5.10 ), os santos estarão vestidos de linho fino, branco e puro (Ap 19.8). Certamente eles devem ser também o exército vestido de linho fino, branco e puro (Ap 19.14) que virá com Cristo para destruir o Anticristo. Quando eles foram levados ao céu? É claro que isso não ocorrerá durante a própria Segunda Vinda, pois não haveria tempo suficiente nem para o Tribunal de Cristo, nem para as Bodas do Cordeiro. O Arrebatamento deve ter ocorrido anteriormente. Aqueles que estão com seus pés plantados na terra, esperando encontrar um “Cristo”, esquecem que o verdadeiro Cristo virá nos buscar para nos encontrarmos com Ele nos ares e nos levará para a casa de Seu Pai. Eles se esquecem também que o Anticristo estabelecerá um reino terreno antes que o verdadeiro Rei volte para reinar. Infelizmente, os que se empenham em estabelecer um reino nesta terra estão preparando o mundo para o reino fraudulento do “homem do pecado”. "A Escritura registra duas vindas." Como alguém nos tempos do Velho Testamento poderia saber que haveria duas vindas do Messias? Somente por implicação. Ou os profetas se contradisseram quando profetizaram que o Messias seria rejeitado e crucificado e que Ele também seria proclamado Rei sobre o trono de Davi para sempre, ou eles falavam de duas vindas de Cristo. Não há forma de colocar dentro de um só evento o que os profetas disseram. Simplesmente tem de haver duas vindas do Messias: primeiro como o Cordeiro de Deus, para morrer pelos nossos pecados, e depois como o Leão da Tribo de Judá (Os 5.14-15; Ap 5.5), em poder e glória para resgatar Israel no meio da batalha do Armagedom. A mesma coisa acontece no Novo Testamento. Note as muitas contradições, a menos que estes sejam dois eventos: 1) Ele vem para Seus santos e numa hora que ninguém espera; mas vem com Seus santos quando todos souberem que Ele está vindo. 2) Ele não vem à terra mas arrebata os santos para se encontrarem com Ele nos ares (1 Ts 4.17); por outro lado, Ele vem à terra: “naquele dia, estarão Seus pés sobre o monte das Oliveiras” (Zc.14.4), e os santos vem à terra com Ele. 3) Ele leva os santos para o céu, para as muitas mansões na casa de Seu Pai, para estarem com Ele (Jo.14.3); mas traz os santos do céu (Zc 14.5, Jd 14). 4) Ele vem para Sua Noiva num tempo de paz e prosperidade, bons negócios e prazeres (Lc 17.26-30); mas volta para salvar Seu povo Israel quando o mundo já terá sido praticamente destruído, em meio ao pior conflito já visto na terra, a batalha do Armagedom. Rebatendo as críticas ao Arrebatamento Cristo declarou: “Assim como foi nos dias de Noé ...comiam, bebiam, casavam-se... O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre... Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar” (Lc 17.26-30). Essas condições mundiais por ocasião do Arrebatamento só podem se referir ao período anterior à Tribulação; certamente não ao final dela!   Arrebatamento? Há críticos afirmando que a palavra “Arrebatamento” nem está na Bíblia! Isso não é verdade, pois a versão latina da Bíblia (Vulgata), feita por Jerônimo no quinto século, traduziu o grego harpazo (arrancar subitamente) pela palavra raptus (raptar), da qual deriva “Arrebatamento”. Foi o que Cristo nos prometeu em João 14: levar-nos para o céu. “Certamente, venho sem demora” (Ap 22.20). Outros críticos papagueiam o mito propagado por Dave MacPherson, de que o ensino do Arrebatamento antes da Tribulação apareceu apenas no início do século XIX através de Darby, que o teria aprendido de Margaret MacDonald. Ela o teria recebido de Edward Irving, e este, por sua vez, o teria encontrado nos escritos do jesuíta Emmanuel Lacunza. Isso simplesmente não é verdade. Muitos escritores anteriores expressaram a mesma convicção. Um deles foi Ephraem de Nisibis (306-373 d.C.), bem conhecido na história da igreja da Síria. Ele afirmou: “Todos os santos e eleitos de Deus serão reunidos antes da tribulação, que está por vir, e serão levados para o Senhor...” Seu sermão com essa afirmação teve ampla circulação popular em diferentes idiomas. Sim, há uma vinda do Senhor após a Tribulação: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias... verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (Mt 24.29-30). A referência aos anjos “reunindo Seus escolhidos dos quatro ventos” (vv. 29-31) certamente não significa Cristo arrebatando Sua Igreja para levá-la ao céu, pois trata-se do ajuntamento do Israel disperso, de volta à sua terra quando da Segunda Vinda. Cristo associou o mal com o pensamento de que Sua vinda se atrasaria: “Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu Senhor demora-se” (Mt 24.48; Lc 12.45). Novamente, essa afirmação não tem sentido se o Arrebatamento vem após a Tribulação. Não existe motivo maior para uma vida santa e um evangelismo diligente do que saber que o Senhor poderia nos levar ao céu a qualquer momento. Que a Noiva acorde do seu sono, apaixone-se novamente pelo Noivo, e de coração diga continuamente por meio da sua vida diária: “Vem, Senhor Jesus!”