quinta-feira, 5 de outubro de 2017

PECADO ORIGINAL



A Bíblia é enfática ao dizer que o estado de pecado é absolutamente universal. É natural e inevitável que cada pessoa peque. "Pois não há homem que não peque" (1 Rs 8.46). "Todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado... todos se extraviaram... não há quem faça o bem, não há nem um sequer... pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3.9, 12, 23). "Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós" (1 Jo 1.8). A Bíblia explica essa pecaminosidade universal em termos de solidariedade dos homens com Adão (cf. 1 Co 15.22; Rm 5.12 ss.). Adão, ao transgredir, tornou-se pecador por natureza. E os descendentes de Adão já nascem pecadores, e, assim, pecam por natureza. O nome tradicional daquela disposição inerente de antipatia contra Deus e contra a sua lei, que temos herdado de Adão, é pecado original — nome esse que, embora não figure na Bíblia, é muito apropriado, quer consideremos que essa disposição é herdada por nós do primeiro homem, quer pensemos que ela encontra-se em nós desde nossa concepção, ou quer achemos que todos os nossos atos de pecado se originam dela. A Bíblia intitula essa disposição de "a carne", ou "o pendor da carne" (Rm 8.7), ou simplesmente "o pecado que habita em mim" (Rm 7.20; examine os vv. 8-13). Essa atitude controla e determina a conduta de cada homem que não está em Cristo. Onde o Senhor não governa, o pecado o faz.

A descrição bíblica sobre o estado de pecado inclui estes pontos:

1. É um estado de condenação. Isso nos mostra a relação do pecador para com Deus como Juiz, bem como para com os requisitos penais de sua lei, a qual declara: "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18.20). "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1) — à parte de Cristo, todos os homens estão sob sentença de morte, tanto devido às suas delinquências pessoais (cf. Rm 1.32; 2.8, 9), como por causa de sua solidariedade com Adão. Assim como os crentes são justificados por causa de Cristo, por ter-lhes sido imputada a retidão dEle, assim também aqueles que não têm a Cristo são condenados por causa de Adão, por lhes ser imputada a transgressão dele. Isso não significa, entretanto, que eles sejam tidos como se tivessem praticado pessoalmente o pecado de Adão, e, sim, que Adão pecou representativamente, em sua capacidade pública de cabeça da raça humana, e que todos os homens estão envolvidos nas consequências penais de seu ato pecaminoso. A obrigação penal que nos cabe, em virtude de nossa ligação com Adão, com frequência tem sido chamada culpa original, estando essa culpa incluída na definição do pecado original.

Em Romanos 5.12 e 15.19, Paulo desdobrou essa noção da culpa original — a ideia é que, quando um pecou, "todos pecaram", e, em razão desse ato, "tornaram-se pecadores".

2.      É um estado de contaminação. Isso nos mostra a relação entre o pecador e o Deus santo. Nos dias do Antigo Testamento, Deus muito ensinou, através de vários tabus e rituais de pureza, sobre questões de higiene e de hábitos alimentares, que há coisas que tornam o homem incapaz de ter comunhão com Ele, pois contaminam o homem, tornando-o sujo e, em consequência, repelente e inaceitável aos olhos de Deus. Nosso Senhor eliminou e cancelou esses preceitos simbólicos, tendo dito enfaticamente que aquilo que contamina o homem não são os alimentos, mas o pecado. "Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar...? E assim considerou ele puros todos os alimentos. E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura" (Mc 7.18 ss.). Isaías aprendera a lição há séculos. Quando ouviu os serafins proclamarem no templo a santidade de Deus, foi compelido a exclamar: "Ai de mim!... porque sou homem de lábios impuros". Ele foi forçado a reconhecer-se incapaz de ter comunhão com Deus, e, de fato, "perdido" — condenado — face a reação adversa que o Deus santo certamente demonstraria para com a sua imundícia (Is 6.3-5).

3.      É  um estado de depravação. Isso nos mostra a relação entre o atual estado do pecador e a imagem de Deus, na qual ele foi criado. Em essência, essa imagem era a retidão (cf. Ec 7.29). Conforme fora criado por Deus, o homem possuía uma mente conhecedora da vontade de Deus e um coração que se regozijava nessa vontade, amando-a e praticando-a. Fazia parte da natureza do homem, então, ser santo, como Deus é santo. No entanto, não é assim agora. A mente humana está entenebrecida no tocante às realidades espirituais, a sua vontade se alienou da vontade de Deus, a sua consciência é insensível à voz de Deus (cf. Ef 4.18, 19). O homem tornou-se não apenas fraco, mas também mau aos olhos de Deus; e agora é inegavelmente perverso e ímpio (Rm 5.6). Moral e espiritualmente, o caráter do homem estampa a imagem de Satanás, e não a de Deus. Ora, é precisamente isso o que a Bíblia quer dizer quando fala sobre o homem caído no pecado como "filho do diabo" (Jo 8.44; Mt 13.38; At 13.10 e 1 Jo 3.8).

Essa depravação, essa distorção da imagem de Deus, é comumente e corretamente tida como total: não no sentido que no homem tudo é tão mau quanto possa ser, mas no sentido que no homem coisa alguma é tão boa quanto deveria ser. Nada do que o homem faz é bom, nem o exercício de quaisquer de suas faculdades tem qualificação aos olhos de Deus. Até mesmo quando certos homens de moralidade "procedem por natureza de conformidade com a lei" (o que ocorre com certa frequência — Rm 2.14; cf. Mt 7.11), seus corações mostram-se errados. Cada ação deles é viciada, voltada de alguma maneira para seus próprios interesses, pois o motivo do pecador sempre é algo mais (e, portanto, sempre algo menos) do que o puro amor a Deus, a pura consideração para com a vontade de Deus e ó puro desejo por sua glória. Em cada ato humano, em algum ponto, manifesta-se sempre a corrupção. Deus, que lê o coração, vê tudo isso, mesmo quando o homem nada percebe. "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Rm 7.18).

4.      É um estado de incapacidade. Isso nos mostra a relação entre o pecador e Deus na qualidade de Legislador, e os preceitos de sua lei. Deus não alterou a sua santa lei, desde a Queda (e como poderia Ele fazê-lo?). Ele continua exigindo de nós um perfeito amor a Si e ao nosso próximo. Seu direito de ordenar e a retidão daquilo que Ele ordena não é afetado pela depravação de nossa natureza. O que foi afetada foi a nossa capacidade de obedecer aos seus mandamentos. Antes de cair no pecado, Adão tinha em si esta capacidade de obedecer a Deus, mas nós não a temos. Como podemos amar a Deus, se o impulso que vem do mais profundo de nosso ser é inimizade contra Ele? Para nós, isso é simplesmente impossível. "O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8.7, 8). E quando Deus ordena àqueles que estão na carne que se arrependam (At 17.30) e confiem em seu Filho (Jo 6.28, 29), eles não podem atender enquanto seus corações não forem renovados (cf. Jo 3.5; 6.44; 1 Co 2.14).

Em vista disso, nossa vontade é livre? A resposta mais simples e direta é que nossa vontade é livre, mas nós mesmos não somos. Nossa vontade é livre no sentido que temos a capacidade de fazer aquilo que queremos, no campo das ações morais; mas nós mesmos, como descendentes de Adão, somos escravos do pecado (Jo 8.34; Rm 3.9; 6.16-23). Isto significa que, de fato, jamais haveremos de querer, com todo o nosso coração, fazer a vontade Deus. Portanto, em seu estado pecaminoso, o homem jamais pode agradar a Deus. A tragédia do homem jaz precisamente no fato que a sua vontade é livre e que ele tem o poder de fazer aquilo que quer e escolhe fazer; mas, aquilo que ele quer e escolhe é sempre, de alguma forma, para a autoglorificação, e, portanto, é pecaminoso e ímpio, resultando que tudo quanto o homem faz serve para aumentar a sua condenação.

5.      E um estado de ira. Esse termo nos mostra a relação entre o pecador e Deus na qualidade de Rei e, como tal, Juiz (pois nos tempos bíblicos os reis eram juízes, assim como, antes da monarquia, os juízes de Israel na verdade eram reis). No Antigo Testamento, o Rei divino é um guerreiro que batalha contra seus inimigos, impulsionado pela ira, a fim de levá-los à ruína. No Novo Testamento, os pecadores são os inimigos do Rei divino (Rm 5.10) e estão sob a sua ira (Rm 1.18 ss.). O Senhor de todas as coisas, que é o Juiz de toda a terra (Gn 18.25), está agora contra eles. Ora, se Deus está contra os pecadores, segue-se que todas as coisas também lhes são contrárias. Deus governa o seu mundo, mas não para o bem dos pecadores (Rm 1.18-2.16; 1 Ts 2.14-16; Ap 6.15-17).

6.     É um estado de morte. Na Bíblia, a morte e a vida não são conceitos primariamente fisiológicos. Antes, são conceitos espirituais e teológicos. A vida significa comunhão com Deus, na experiência de seu amor; a morte significa estar sem esse privilégio. Os pecadores estão num estado de morte (Ef 2.1) e não têm qualquer outra expectativa, senão a de continuarem nesse mesmo estado (Rm 6.23).


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A Divisão do Reino de Israel!

A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL :

Salomão foi um rei de obras grandiosas, gerando também grandes despesas. Para pagamento destas despesas o povo teve de arcar com mais impostos. Após morte do rei o povo se dirigiu ao sucessor, Roboão, pedindo a redução dos pesados encargos colocados sobre eles. Roboão seguindo o conselho de seus amigos jovens disse que em seu reino o jugo seria mais pesado que o de seu pai. Após essa decisão de Roboão o povo se negou a continuar sendo governado por ele. Levantaram como rei de Israel Jeroboão, ficando sob as ordens de Roboão apenas as tribos de Judá e Benjamim (1 Re 12). Sendo assim o reino de Israel ficou dividido, formando Judá e Benjamim o reino do Sul e o restante das dez tribos o reino do Norte.

Com a divisão, a geografia cooperou para o desenvolvimento independente de cada tribo. A tribo de Judá não se comunicava com as tribos do Norte em razão da largura e profundidade do vale do Soreque, na região central de Israel. A oeste estavam os filisteus; ao sul, o perigoso deserto do Neguebe e também as populações nômades da região, sempre hostis a estrangeiros; a leste havia o mar Morto. Assim Judá era a tribo mais isolada de Israel, portanto a mais sujeita ao sentimento de liberdade.

O sucessor de Salomão, seu filho Roboão, reinou por dezessete anos (931-913 a.C.). O perfil geral de Roboão é descrito da seguinte maneira: “Fez ele o que era mal, porquanto não dispôs o coração para buscar ao Senhor” (2 Cr 12.14). As Escrituras Sagradas indicam que Roboão e seus compatriotas atingiram o mais baixo nível de comportamento idólatra. Estabeleceram lugares altos e postes-ídolos de Aserá, além de se envolverem em rituais de prostituição sodomita.

O povo das dez tribos aclamou Jeroboão como monarca do recém-formado reino. O rei imediatamente estabeleceu sua capital em Siquém, uma localidade considerada santa por todos os habitantes de Israel. O novo rei estabelecido havia recebido a promessa de uma dinastia eterna caso permanecesse fiel ao Senhor (1 Rs 11.38). Entretanto, se a situação religiosa de Judá era má, a de Israel tornou-se pior. Jeroboão mandou estabelecer santuários em Betel e Dã, tornando essas cidades centros de adoração pagã. Assim seu reino se tornou o modelo de iniquidades para sempre, com o qual os futuros reis malignos de Israel seriam comparados (1 Rs 16.2, 3.19). Jeroboão violou os mandamentos de Deus e a aliança com Yahweh, seguindo outros deuses e rejeitando o Deus de Israel. Portanto, Yahweh findaria a dinastia de Jeroboão rapidamente e transportaria Israel para além do rio Eufrates, em consequência de seus pecados.

Em várias ocasiões os dois reinos lutaram entre si competindo pelo controle da região. Porém, os laços da tradição antepassada eram muitos fortes, fato que os manteve unidos, muitas vezes em ocasiões de perigo (1 Rs 14.30). Uma diferença marcante entre ambos os reinos foi a perpetuação no Sul de uma dinastia única, a davídica, enquanto no Norte se levantaram cinco diferentes dinastias no curto período de 210 anos.

Esse fenômeno se deu por causa do papel religioso desempenhado pelos reis da dinastia davídica, o que levou a uma associação entre o javismo, religião dos israelitas antes do exílio na Babilônia, cuja consequência posterior foi a esperança messiânica do período pós-exílico.

REINO DO NORTE

O Reino do Norte (Israel) era menos estável politicamente que o Reino do Sul (Judá), Sua duração mais curta como nação independente (209 anos) e a violência ligada à sucessão ao trono comprovam esse fato. O historiador de Reis considerou “maus” todos os dezenove governantes de Israel, porque perpetuaram o culto ao “bezerro de ouro” de Jeroboão. A medida de duração do reinado de um monarca israelita era de apenas dez anos, e nove famílias diferentes reivindicaram o trono. Para chegar ao trono, o carisma era tão útil quanto a ascendência, mas não era garantia de preservação; sete reis foram assassinados, um cometeu suicídio, um foi ferido por Deus e outro foi deposto e levado para Assíria.

A palavra final do destino de Israel é encontrada no capítulo 17 versículos 22 a 23 de 2 Reis “Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha feito; nunca se apartaram deles; Até que o SENHOR tirou a Israel de diante da sua presença, como falara pelo ministério de todos os seus servos, os profetas; assim foi Israel transportado da sua terra para a Assíria, onde permanece até o dia de hoje. E o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; e eles tomaram a Samaria em herança, e habitaram nas suas cidades”.

REIS DE ISRAEL APÓS A DIVISÃO

Para esta época, a maioria dos historiadores segue as cronologias a seguir : As data são a.C :

JEROBOÃO - 931-910
NADABE - 910-909 - foi assassinado
BAASA  - 909-886
ELÁ - 886-885 – foi assassinado
ZINRI - 885 - suicidou-se
ONRI -  885-874
ACABE - 874-853
ACAZIAS -  853-852
JORÃO -  852-841 – foi assassinado
JEÚ -  841-814
JEOACAZ -  814-798
JEOÁS - 798-782
JEROBOÃO II -  782-753
ZACARIAS -  753 - foi assassinado
SALUM - 752 -  foi assassinado
MENAÉM - 752-742
PECAÍAS - 742-740 – foi assassinado
PECA - 740-732 – foi assassinado
OSÉIAS - 732-722 – foi deposto pelo rei da Assíria, Salmaneser.
Oséias foi o último rei de Israel.

REINO DO SUL

O Reino do Sul persistiu por mais de um século e meio que o Reino do Norte (cerca de 345 anos). Ao contrário de Israel, os reinados dos dezenove reis e uma rainha em Judá, tiveram duração média de mais de dezessete anos. A dinastia de Davi foi a única a reivindicar o trono do Sul, realçando a estabilidade política. O reinado terrível da rainha Atália foi a única interrupção da sucessão davídica. No entanto em Judá também ocorreram intrigas políticas, pois cinco reis foram assassinados, dois foram feridos por Deus e três foram exilados. O historiador de Reis relatou que oito monarcas de Judá foram “bons” porque seguiram o exemplo de Davi e obedeceram a Javé. Foram eles: Asa, Josafá, Joás, Amazias, Uzias, Jotão, Ezequias e Josias.

Os reis Ezequias e Josias são idealizados como personagens semelhantes a Davi e Salomão porque purificaram a templo e restauraram a adoração adequada em Jerusalém.

O Reino do Sul também foi levado cativo, por não obedecerem aos mandamentos do Senhor: “E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. E os que escaparam da espada levou para Babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia. Para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram” (2 Cr 36.19-21).

Com um desfecho melhor que Israel, o povo de Judá voltou para sua terra, cumprindo-se assim a promessa do Senhor de que da raiz de Davi nasceria o redentor. Por isso Ciro rei da Pérsia permitiu aos judeus retornarem a Jerusalém, conforme narrado pelo escritor do livro das Crônicas: “Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR pela boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, o SENHOR seu Deus seja com ele, e suba” (2 Cr 36.22-23).

REIS DE JUDÁ APÓS A DIVISÃO - Para esta época, a maioria dos historiadores segue as seguintes cronologias : As data são a.C :

ROBOÃO - 931-913
ABIAS - 913-911
ASA - 911-870
JOSAFÁ - 870-848
JEORÃO - 848-841 – foi assassinado
ACAZIAS - 841-841 – morto por Jeú rei de Israel
ATÁLIA - 841-835 – foi assassinada
JOÁS - 835-796 – foi assassinado
AMAZIAS - 796-767 – foi assassinado
UZIAS (AZARIAS) - 767-740
JOTÃO - 740-732
ACAZ - 732-716
EZEQUIAS - 716-687
MANASSÉS - 687-643
AMOM - 643-641 – foi assassinado
JOSIAS - 641-609 – morreu em batalha
JEOACAZ - 609 – deposto pelo Faraó Neco
JEOAQUIM - 609-598
JOAQUIM - 598 – deposto pelos babilônios
ZEDEQUIAS - 598-586 – deposto pelos babilônios

Zedequias foi o último rei de Judá, foi levado preso para a Babilônia.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Como Devo Interpretar a Bíblia?

"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies ? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Colossenses 2:20-23)

Ouço não poucas vezes, pessoas dizerem entenderem que a interpretação escriturística deve ser de acordo com o pensamento de cada um, e pior, que não faz-se necessário estudar Teologia,  pois tal estudo nos deixa críticos demais... A minha resposta tem sido básica e objetiva, digo-lhes que tais pessoas estão precisando ler mais Bíblia,  pois o cerne do Evangelho é conhecer mais a Jesus Cristo (Jo 17:3). E não existe possibilidade alguma de conhecermos a Deus , senão pela  Revelação Especial  (A Bíblia) que Ele mesmo nos preparou. Temos inúmeras referências bíblicas para corroborar tal pensamento,  dentre elas : (Ed 7:10; Os 4:6; Mt 22:29; Jo 5:39 ...dentre outros).
A Bíblia nos ensina o modo de entendê-la. Uma das regras básicas da Hermenêutica bíblica é que a Bíblia interpreta a própria Bíblia. A hermenêutica,  a exegese e a semântica , são instrumentos para podermos interpretar corretamente não só a Bíblia,  mas também qualquer literatura,  seja histórica, jurídica ou religiosa, e essas ferramentas não nos permite fazer interpretações a nosso bel  prazer,  usando nossas mentes férteis e cauterizadas pelo pecado, distantes do Criador. Veja abaixo uma básica explicação dessas ferramentas acima descritas:

"Semântica" (do grego σημαντικός, sēmantiká, plural neutro de sēmantikós, derivado de sema, sinal), é o estudo do significado. Incide sobre a relação entre significantes, tais como palavras, frases, sinais e símbolos, e o que eles representam, a sua denotação. A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos para se expressar através da linguagem. Outras formas de semântica incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal, e semiótica.

"Hermenêutica" é um ramo da filosofia que estuda a teoria da interpretação, que pode referir-se tanto à arte da interpretação, ou a teoria e treino de interpretação. A hermenêutica tradicional - que inclui hermenêutica Bíblica - se refere ao estudo da interpretação de textos escritos, especialmente nas áreas de literatura, religião e direito. A hermenêutica moderna, ou contemporânea, engloba não somente textos escritos, mas também tudo que há no processo interpretativo. Isso inclui formas verbais e não-verbais de comunicação, assim como aspectos que afetam a comunicação, como proposições, pressupostos, o significado e a filosofia da linguagem, e a semiótica. A hermenêutica filosófica refere-se principalmente à teoria do conhecimento de Hans-Georg Gadamer como desenvolvida em sua obra "Verdade e Método" (Wahrheit und Methode), e algumas vezes a Paul Ricoeur. Consistência hermenêutica refere-se à análise de textos para explicação coerente. Uma hermenêutica (singular) refere-se a um método ou vertente de interpretação.

"Exegese" é a interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário. A exegese como todo saber, tem práticas implícitas e intuitivas. A tarefa da exegese dos textos sagrados da Bíblia tem uma prioridade e anterioridade em relação a outros textos. Isto é, os textos sagrados são os primeiros dos quais se ocuparam os exegetas na tarefa de interpretar e dar seu significado. A palavra exegese é oriunda do grego exegeomai, exegesis: ex tem o sentido de retirar, derivar, ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por e "hegeisthai" o de conduzir, guiar.
Por isso, o termo exegese significa, como interpretação, revelar o sentido de algo ligado ao mundo do humano, mas a prática se orientou no sentido de reservar a palavra para a interpretação dos textos bíblicos. Exegese, portanto, é a denominação que se confere à interpretação das Sagradas Escrituras desde o século II da Era Cristã. Orígenes, cristão egípcio que escreveu nada menos que 600 obras, defendia a interpretação alegórica dos textos sagrados, afirmando que estes traziam, nas entrelinhas de uma clareza aparente, um sentido mais profundo. O termo exegese ficou ligado à interpretação alegórica, ensejando abusos de interpretação, a ponto de alguns autores afirmarem, ironicamente, que a Bíblia seria um livro onde cada qual procura o que deseja e sempre encontra o que procura.
Ser exegeta é contextualizar o que foi escrito com a cultura da época e extrair os princípios morais para o tempo presente.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Regeneração e Novo Nascimento

Regeneração -

Que diremos a estas coisas? Onde a graça e os dons se encontram, e Deus chama para a
obra ministerial, essa pessoa deve ser usada por Ele, seja educada em escola ou não.
Eu tenho, meu caro leitor, uma grande admiração pela aprendizagem, e acho que isso é uma grande vantagem para o ministro do evangelho, mas não que ela seja essencialmente necessária para o chamado de uma pessoa para o ministério do evangelho; pois deixe que um homem tenha sempre tão perfeita compreensão das línguas originais em que os mistérios de Deus estão escritos, se ele não é abençoado com uma compreensão espiritual sobrenatural, enquanto ele sabe perfeitamente as palavras, ele é completamente ignorante do poder das verdades espirituais. Isto é evidente a partir do que o apóstolo Paulo diz: “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e
não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. E ele falou isso por experiência, pois por homem natural falava não somente do profano, ímpio, nem do homem fraco e ignorante, que tem apenas pouca capacidade natural para compreender os mistérios espirituais, mas também do homem moral, o homem erudito, o homem de sagacidade; com a máxima capacidade natural, mesmo este homem, o homem de grande erudição, enquanto natural, não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe são loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
O apóstolo Paulo estava longe de ser um homem profano, um homem fraco, ou iletrado, enquanto um homem natural; ele era um fariseu, uma das mais severas seitas da religião judaica, perfeitamente ensinado, e até excessivamente, na lei dos Pais; ele foi perfeitamente ensinado na lei de Moisés, que falou das coisas concernentes ao Senhor Jesus; ele foi criado em Jerusalém, aos pés de Gamaliel, tanto que foi dito a ele depois de sua conversão, “as muitas letras te fazem delirar”. E ainda assim este homem de sagacidade, de moralidade, de muito aprendizado, enquanto um homem natural, ou no seu estado não convertido era bastante ignorante de Cristo, até que Deus fez dele um homem espiritual, e de uma forma sobrenatural revelou Seu Filho nele, ou deu-lhe uma capacidade espiritual para entender os mistérios espirituais; e, então, ele estava apto a pregar o Senhor Jesus. E Deus pode assim chamar e usar um homem inculto, se Lhe agradar. E a maioria dos apóstolos eram tais, quando o nosso Senhor primeiro os enviou a pregar.
E ao contrário, como foi com Nicodemos — um fariseu, um moralista rigoroso, um homem culto, um professor da lei de Moisés, um governante em Israel, um do Sinédrio judaico? !
ainda sendo apenas um homem natural, quão ignorante era ele sobre doutrina da regeneração, quando o nosso Senhor a pregou para ele?
E quantos são, atualmente, os mestres de nosso Israel que não têm tanto como
uma verdadeira noção desta importante doutrina da regeneração, e muito menos uma experiência abençoada em seus corações? Quantos há que pensam que o batismo é a regeneração; ou, no máximo, reforma externa de um homem ímpio de imoralidades grosseiras, para praticar os deveres de moralidade? Não é por esta razão que eles são completamente ignorantes da obra de regeneração, como é a obra de Deus sobre nós? Eles fazem as pessoas alterarem as suas vidas e tornarem-se novas criaturas, “o que”, como um clérigo digno bem diz, “é a pregação de um caminho de salvação que é impraticável para o homem caído”. Assim uma pessoa precisa nascer de novo, ou ser um homem espiritual, e, como tal, ensinado por Deus, seja erudito ou não, antes que ele possa espiritualmente ou verdadeiramente conhecer ou pregar o evangelho de Cristo.
Mas, se a regeneração é, portanto, necessária, e alguém poderia dizer: Se não podemos fazer-nos novas criaturas, como devemos nos tornar tais? E em que consiste a regeneração? Eu respondo: Nenhum homem pode tornar-se uma nova criatura; ele deve ser totalmente dependente do Espírito Santo para esta obra, na qual a criatura é completamente passiva. É dever de todo homem natural reformar a sua vida, e abster-se de todo pecado conhecido, desde que por todo o pecado que ele comete traz mais desonra a Deus, e entesoura para si mesmo mais ira para o dia da vingança. Mas nada que qualquer homem natural faça pode torná-lo uma nova criatura. Como ele não poderia dar a si mesmo uma existência natural, assim ele não pode dar a si mesmo uma existência na graça; esta é a prerrogativa exclusiva de Deus, operar pelo Seu Espírito Santo em quem Ele quer; pois,
sobre aqueles que são novas criaturas devem ser ditos ser “obra de Deus, criados em Cristo Jesus para boas obras”, sendo por Ele “gerados novamente para uma viva esperança, pela ressurreição de Cristo dentre os mortos”.
E quem pode criar uma nova natureza espiritual no coração, senão Deus? Que homem pode gerar em si mesmo para uma viva esperança? E, ainda assim, se ele não é abençoado com esta obra de Deus, ele não irá, não poderá, ser um participante da herança dos santos na luz, não tendo aptidão em si mesmo para esse gozo glorioso. E como todo o gozo provém  da afabilidade do objeto para o sujeito, e um homem natural é um homem profano, que júbilo ele pode ter em um Deus infinitamente santo? Como aquele que ama o pecado pode deliciar-se com uma perfeita conformidade com a imagem santa de Deus, e uma dedicação inteira e eterna somente para o Seu louvor, que são as felicidades dos santos em alegria enquanto eles contemplam a face de Jeová? E se esses temperamentos santos não são criados em nossos corações aqui, em uma medida começada, devendo ser preenchida a seguir, as nossas almas serão miseráveis para sempre, pois nenhuma pessoa ou coisa impura entrará na nova Jerusalém. Mas, quanto ao próximo ponto, no que a regeneração consiste? Permita-me responder brevemente: A regeneração consiste em uma mudança universal forjada em nossas almas em todos os seus poderes e faculdades pelo Espírito e palavra de graça — ou no dom de uma nova natureza, uma natureza espiritual, na alma de quem está sendo renovado segundo a imagem de Deus no conhecimento e verdadeira santidade, na qual a nova natureza contém em si a fé e o amor, esperança e toda a graça — e é a nossa aptidão para comunicar com objetos novos e espirituais. E este novo e espiritual princípio da graça tem o seu lugar em todas as potências da alma. O entendimento, que antes era trevas, a seguir, é feito luz no Senhor. A vontade, que era toda rebelião contra a salvação de Deus em Cristo, que é toda a partir da livre graça, é então feita disposta a confiar na livre graça em Cristo para toda a felicidade da salvação. A consciência, que estava cheia de culpa e medo, é então aspergida com o sangue de Cristo, e, portanto, abençoada com paz. As afeições, que eram fixadas em uma propensão terrena, sensual, são, então, erguidas a objetos espirituais e celestes.
Em uma palavra, “as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”; cada homem que está em Cristo é uma nova criatura.
Que homem pode dizer em um sentido espiritual, como o homem que nasceu cego, cujos olhos o nosso Senhor abriu, “Uma coisa eu sei, que eu era cego, agora vejo”. A fé é novo olho da alma, para discernir o pecado em outra luz completamente diferente do que o homem fazia antes; discernir o pecado no coração em sua natureza odiosa e consequências lamentáveis; discernir a lei de Deus em sua espiritualidade, estendendo aos pensamentos, bem como aos atos, na equidade de sua exigência de obediência perfeita, e na justiça de sua maldição para cada, até mesmo a menor desobediência; e, portanto, para discernir a insuficiência de sua própria obediência para justificar a justiça da alma diante de um Deus de infinita santidade; discernir pelo evangelho a total suficiência, a excelência transcendente de Cristo. A fé que opera pelo amor aos seus gloriosos objetos, o totalmente desejável Jesus, se submete à Sua perfeita justiça, rejeita a sua própria justiça, como escória e lixo, e deseja ser achado nEle, e na Sua justiça apenas; e aprovação do Salvador, como novo Chefe da alma, recebe-O em Sua Pessoa e ofício para todos os confins da graça como dom gratuito de Deus para o principal dos pecadores, e dá-se a si mesmo para ser inteiramente dEle em toda santa obediência para a glória do Senhor e felicidade presente e eterna na alma.
A fé dobra os joelhos à Cristo, e reverencia o Salvador em toda a plenitude da Sua salvação; e fé nos afetos eleva a alma para cima, até todos os objetos celestiais, a todas aquelas delícias superiores que devem ser apreciadas em Deus, parcialmente aqui, e completamente e eternamente no porvir; com um “quem tenho eu no céu, senão a Ti? e ninguém há na terra que eu deseje além de Ti”. Os desejos daquela alma estão centrados em Cristo, como seu presente e porção eterna; e se deleita em todas as coisas que carregam a Sua imagem, Sua palavra, Suas obras, Seus caminhos e ordenanças, e todos os Seus santos; e a alma abomina com indignação, tudo o que Deus abomina, todo pecado é uma abominação para aquele homem desde que ele é nascido de novo. Pois, o homem que é uma nova criatura em Cristo o é, sem dúvida, em todos os seus poderes e faculdades, embora esta obra como ainda é apenas uma obra iniciada, esta deve ser concluída na dissolução de seu corpo para sua plena salvação.
A obra é perfeita quanto ao tipo, e perfeita quanto às partes, estendendo-se a todos os seus poderes e faculdades, mas ainda não é perfeita quanto ao grau, como uma criança tem todas as partes de um homem, embora não chegou à completa estatura de homem perfeito.
E assim é com as almas que são recém-nascidas, o que fez um digno religioso dizer: “cada homem regenerado é dois homens”, ou seja, ele tem uma nova natureza nele, que é inteiramente para Deus, e uma velha natureza ainda na parte restante, que é inteiramente para o pecado. E essas duas naturezas que residem na mesma alma e em todas as suas faculdades, que são santificadas apenas em parte — a natureza corrupta, a carne cobiça contra o Espírito, ou natureza santa em seu coração — e o Espírito contra a carne; e sendo estes contrários, um ao outro, as almas que nasceram de novo não podem fazer perfeitamente as coisas que eles desejam, por causa do pecado que habita neles. Isso fez o apóstolo Paulo dizer: “Quando quero fazer o bem, o mal está comigo”. E como ele gemia sob essa miséria, com um “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”. E estes gemidos sob o fardo restante do pecado são peculiares ao recém-nascido, para aqueles que têm uma santa natureza espiritual neles, em virtude da regeneração. E essa natureza nova e santa neles é a sua aptidão para discernir as coisas espirituais, que não podem ser conhecidas por nenhum homem natural; pois, iniciada comunhão com Deus em Cristo, e uma dedicação solene para o Seu louvor, como a sua conclusão, irá prepará-los para a visão beatífica de Sua face pelos séculos sem fim!
Feliz, três vezes feliz, então, são aqueles que nasceram de novo! Eles são herdeiros da-
quela herança gloriosa que é incorruptível, imaculada, e que não se desvanece, reservada no Céu para eles.

Novo Nascimento

 Muitas vezes eu ouço as pessoas dizerem ou perguntarem assim : “eu desejo muito saber se eu sou um daqueles que nasceram de novo”.
Há duas maneiras pelas quais uma alma vem a saber se ela nasceu de novo. A primeira é pela revelação do Espírito testemunhando à alma em alguma palavra ou outra na qual essa verdade é declarada. A segunda é por Ele permitir que a alma discirna seus próprios atos em luz Divina, e tire conclusões a partir destes discernidos atos da graça que tenha o princípio; e em ambas as maneiras o Senhor pode lhe dar satisfação em um instante se Lhe
agradar. Mas, de modo geral, leva um tempo antes de um filho de Deus poder tirar conclusões constantes de seu novo nascimento a partir dos seus próprios sentimentos da nova vida; e, portanto, você pode ser recém-nascido apesar de você não saber!
A criança viva, você sabe, quando primeiro nascida no mundo tem vida, mas ela não sabe disso. Ela tinha uma vida secreta a partir de sua primeira vivificação no útero, e daí um movimento secreto; mas assim que nasce, começa a viver visivelmente para os outros, mas ainda assim, a própria criança não sabe nada sobre o assunto. Ele chora, deseja mamar, experimenta o leite, e é satisfeita, vê a luz e sente o calor com prazer, todos os quais são manifestações visíveis de sua vida aos espectadores, mas a criança não sabe nada sobre isso, porque não é capaz de autorreflexão.
E assim é com a alma recém-nascida; há uma obra secreta de Deus sobre todo o coração, um princípio de vida dado, e dali, alguns movimentos secretos e agitações fracas agora e depois, sob convicções iniciadas, antes de ser trazida para a vida visível da graça, que se descobre assim que a alma é nascida de novo, na respiração ou clamor da nova criatura, seus desejos, seus discernimentos, e seus prazeres, que, quando comunicada aos cristãos
adultos, eles sabem que tal alma é um dos recém-nascido de Cristo, embora esta criança em si ainda não seja capaz de refletir sobre seus próprios atos de forma a concluir a sua  vida a partir dali.
E se for este o seu caso, que você não pode fazer um julgamento a partir do que você já
experimentou se você tem a vida da graça, ou é um nascido de novo, então me diga, como uma criatura racional, como é com você, para que, como tal, possa dizer o que os sentimentos da alma tem sido, embora como uma nova criatura que você ainda pode não vir a tal exercício de seus sentidos espirituais como conhecer esses sentimentos sendo sentimentos de graça, e uma certa demonstração de seu ser nascido de novo.
Bem, uma criança viva vê. O que você tem visto? Você já viu-se ser um pecador por natureza, bem como pela prática, de coração, bem como a vida, e que você é totalmente arruinado, e deve perecer para sempre, sem um interesse salvador em Jesus Cristo, como sendo totalmente incapaz de fazer qualquer coisa para livrar-se da ira vindoura? Você já viu a
sua própria justiça ser apenas trapos imundos, e sua própria força para fazer qualquer boa obra ser apenas fraqueza? Mais uma vez, você viu tão excelência em Cristo, como um  Salvador completo, que é extremamente adequado para o seu caso como um pecador  perdido? E você tem qualquer discernimento da glória da livre graça de Deus e da misericórdia em Cristo? Você tem, então, o olho da nova criatura, discernimento da fé, a fé dos eleitos de Deus.
E a partir desses discernimentos você foi feito a clamar ao Senhor, para lamentar o seu pecado diante dEle, e para suplicar Seu Trono de misericórdia, orando a Ele para dar-lhe  Cristo independente do que mais Ele negue a você? Você tem, então, a respiração da nova criatura, que flui de ninguém, senão daqueles que têm a vida da nova criatura.
Mais uma vez, quais são os seus desejos? Os anseios de sua alma são pela livre graça e
misericórdia de Deus em Cristo, como manifestado nas promessas, aqueles seios de consolação? Você tem, então, o apetite da nova criatura, e é certamente nascido da Palavra e do Espírito de Deus.
Mais uma vez, quais são os seus prazeres? O que mais satisfaz e agrada a sua alma? A
graça de Deus e do Senhor Jesus Cristo têm sido doces e saborosos para você em uma
promessa ou em uma ordenança, o refrigério e satisfação de sua alma por alguns momentos, apenas contanto que você teve o peito em sua boca, a graça da promessa vertida para  você? Então, você provou que o Senhor é bom, e é um dos bebês recém-nascidos de Cristo.
E você já sentiu qualquer calor refrescante e conforto no amor de Deus, que, como o fogo, já aqueceu e acalorou a alma fria? Você tem, então, aquela sensação que é própria de uma nova criatura, e é evidente nestes aspectos que você certamente nasceu de novo, e como tal, você deve ver, ou seja, aproveitar o reino de Deus como um reino de graça aqui, que é um reino de poder, justiça, paz e alegria no Espírito Santo; e você entrará no reino de glória no futuro, como sendo feito apto para ser um participante da herança dos santos na luz;
pois aquele que é o seu Deus preparou para você uma cidade, e fez a sua alma para essa
mesma finalidade, não havendo nunca uma alma no mundo que seja assim criada, que não seja um vaso de misericórdia preparada para a glória, por uma obra salvífica do Espírito Santo sobre ela, bem como no propósito de Deus a seu respeito.
Vá em frente, portanto, como um recém-nascido, para o genuíno leite espiritual da Palavra — a graça sem mistura do Evangelho — para que você possa crescer assim, pois isso é com o propósito de que você mantenha e aumente a vida graça iniciada em sua alma, até que seja aperfeiçoado na vida de glória. Alegre-se, então, você ovelha de Cristo, pois você está extremamente seguro sob os cuidados de seu amoroso Pastor. Ele vai te levantar com o Seu braço, e carregá-lo-á em Seu seio; Ele vai conduzir você a pastos verdes, junto das águas, e fará com que você repouse em segurança.

terça-feira, 25 de julho de 2017

CONFISSÃO POSITIVA?

O QUE É CONFISSÃO POSITIVA?

Há realmente poder em nossas palavras?

CRIADOR DESSA HERESIA: criada por dois falsos mestres americanos:. Kenyon e Kenneth Hagin. E influenciou também a Dom Gosset, um outro forte expoente dessa falsa doutrina bíblica  (Confissão Positiva).

DEFININDO OS TERMOS:

 O que é o Movimento do Pensamento Positivo?

É a crença em que o pensamento de uma pessoa é o fator primordial em relação a suas circunstâncias. Só em ter pensamentos positivos todas as influências e circunstâncias negativas serão vencidas.

E o Movimento de Confissão Positiva?

É a versão cristianizada do pensamento positivo que essencialmente substitui a fé em Deus pela habilidade de ter fé em si mesmo. O simples fato de confessar positivamente o que se crê faz com que o desejo confessado aconteça.

O verbo decretar está sendo conjugado dia-a-dia pelas mais variadas denominações. Não são poucas as pessoas que usam o jargão evangélico: “Tá decretado!” Não faz muito tempo às famosas frases de efeito no meio evangélico eram outras bem menos danosas para a fé cristã, como, por exemplo: “O sangue de Cristo tem poder” – nem sempre usada no contexto correto –, “Tá amarrado!” etc.

Mas, qual o motivo da frase “tá decretado” – e suas variações – estar errada? Não temos que reivindicar os nossos direitos junto ao Pai? Não somos filhos do Rei? As nossas palavras não possuem poder?

Para responder, sinceramente, a estas e outras perguntas, gostaria de dar algumas explicações do por quê não creio na assim chamada “confissão positiva”.

Devemos também lembrar-nos de que o termo “decreto” pertence somente ao Senhor de Toda Glória, como bem falou Rubens Cartaxo Junior: “ Os Decretos eternos de Deus é exclusivo de Sua pessoa o qual fez desde a Eternidade - Sl 33.11; Is 14.26-27; 46.9-10; Dn 4.34-35; Mt 10.29-30; Lc 22.22; At 2.23; 4.27-28; 17.26; Rm 4.18; 8.18-30; I Co 2.7; Ef 1.11; 2.10; II Tm 1.8-9; I Pe 1.18-20. Estes textos demonstram que Deus tem um propósito, ou um plano, para o Universo que criou. Este plano existe antes da criação. É um plano sábio, de acordo com o conselho de Deus. Ninguém pode anulá-lo, pois é Eterno”.

A “confissão positiva” é parte da “teologia da prosperidade”, tão divulgada e recebida pela Igreja brasileira. Esta doutrina vem sendo divulgada há alguns anos no Brasil, especialmente por R. R. Soares que é o responsável pela divulgação dos livros de Kenneth E. Hagin, principal expositor desta doutrina. Hagin diz que recebeu a fórmula da fé diretamente de Jesus, e mandou escrever de 1 a 4 esta “fórmula”. Com ela, diz, pode-se conseguir tudo. Consiste em:

    (1)  "Diga a coisa" , positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo.

    (2)  "Faça a coisa" , o que nós fazemos irá determinar a nossa vitória.

    (3)  "Receba a coisa", a fé irá dinamizar a ação e Deus tem que responder, pois está preso a “leis espirituais”.

    (4)  "Conte a coisa", para que outras pessoas possam crer. Deve-se usar palavras como: decretar, exigir, reivindicar, declarar, determinar, e não se pode pedir “se for da tua vontade”, pois isso destrói a fé.

Não são poucos os líderes que adotam e pregam essa doutrina. Como disse o próprio R. R. Soares em uma entrevista para a Revista Eclésia, quando perguntado se ele era adepto da teologia da prosperidade, ele respondeu:

“...Agora, eu prego a prosperidade. Prefiro mil vezes pregar teologia chamada da prosperidade do que teologia do pecado, da mentira, da derrota, do sofrimento... A teologia da prosperidade, pelo que se fala por aí, eu bato palmas. Não creio na miséria. Essa história é conversa de derrotados. São tudo um bando de fracassados, cujas igrejas são um verdadeiro fracasso”.

Para muitos, ganhar e ter dinheiro viraram sinônimos de vitória. E o que mais nos impressiona é a suposta “base bíblica” para defender seus devaneios. Um exemplo clássico é o texto de Filipenses 4:13 – que virou um moto na boca dos cristãos hodiernos – que diz: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” . Só que os adeptos da teologia da prosperidade ignoram por completo o contexto da passagem. Veja o que diz os versos 11 e 12: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter em abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.

Em outras palavras Paulo diz-nos que poderia passar por qualquer situação – fome, abatimento, necessidade, ter de tudo e não ter nada – pelo simples fato de que a sua força, em momentos de tribulação ou não, era Jesus Cristo.

Esse movimento pensa que a língua e a mente têm um poder que pode criar as circunstâncias ao nosso redor. Não é mais do que uma “parapsicologia evangélica”. Muitas das coisas que os “doutores da fé” dizem são clones dos ensinamentos do poder da mente, muito explorado pelo Dr. Joseph Murphy anos atrás. Ele escreveu alguns livros como: “Como usar as leis da mente”, “Conversando com Deus”, “As grandes verdades da Bíblia”, “A magia do poder extra-sensorial”, “O poder do subconsciente”, dentre outros.

Vou apenas citar um trecho do livro “A paz interior”, do Dr. Murphy para vermos que se parece muito com os “doutores da fé”. Comentando João 1:5-7 ele diz: “As trevas referem-se à ignorância ou falta de conhecimento da maneira como a mente funciona. Estamos nas trevas quando não sabemos que somos o que pensamos e sentimos. O homem está num estado condicionado do Não-condicionado, com todas as qualidades, atributos e potenciais de Deus . O homem está aqui para descobrir quem é. Não é um autônomo. Tem a capacidade de pensar de duas maneiras: positivamente e negativamente . Quando começa a descobrir que o bem e o mal que experimenta são decorrentes exclusivamente da ação de sua própria mente, começa a despertar do senso de escravidão e limitação ao mundo exterior. Sem conhecer as leis da mente , o homem não sabe como produzir seu desejo”.

Vejamos ainda o que Jorge Linhares diz em seu livro: “Bênção e Maldição”, onde mostra um Deus dependente do homem, este é o Evangelho da Confissão Positiva e do Evangelho da Maldição – “Palavras produzem bênção... [ou] maldição... Palavras negativas... dão lugar a opressão demoníaca... ...Palavras positivas (confissão positiva), amorosas, de fé, de confiança em Deus, liberam o poder divino para desfazer a opressão...”

SUPOSTA BASE BÍBLICA DA CONFISSÃO POSITIVA

Existem algumas supostas bases bíblicas que os defensores da confissão Positiva usam para defender esta doutrina, vamos dar apenas três passagens para não tomar muito tempo, no entanto, as demais passagens seguem basicamente esta linha de interpretação.

Marcos 11:22-23 – “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”.

Os defensores apregoam que o verso acima ensina que devemos ter a fé de Deus, ou seja, a confissão que gera as coisas. Declarar a existência de coisas que do nada virão a existir, podendo assim criar a realidade que quisermos.

O Pr. Jorge Issao Noda explica muito bem esta passagem em seu livro: “Somos deuses?”, ele diz; “Copeland editou uma Bíblia de referência onde este texto tem uma leitura alternativa: ‘Tende a fé de Deus'. Capps, Price, Hagin, são unânimes nesta interpretação. Hagin afirma, inclusive, que ela está de acordo com a visão dos eruditos em grego. O texto diz: echete (tende) pistin (fé) theou (de Deus). De Deus? Então Deus tem fé! Sendo assim, os mestres da Fé têm razão. Os cristãos, através dos séculos, estiveram interpretando erroneamente este texto. Xeque-mate? De maneira nenhuma. Robertson, um dos maiores eruditos em grego, afirma que o texto deve ser traduzido para ‘tende fé em Deus' porque se trata de um genitivo objetivo. Neste caso Deus não é o sujeito da fé (fé de Deus), mas o objeto da fé (fé em Deus). Os eruditos em grego maciçamente concordam com Robertson, contrariando a afirmação de Hagin”.

Temos que ter fé em Deus, essa nossa fé em Deus é que faz com que os montes que enfrentamos a cada dia sejam superados, não pelo poder inerente a fé, mas no poder inerente do doador da fé, ou seja, o nosso Deus. Sem essa fé não venceremos, mas com Ele somos mais do que vencedores.

Provérbios 6:2 – “E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”.

Este texto, dizem, significa que o poder de não passar por problemas está na língua. No entanto, Salomão está falando da pessoa que ficou por fiador de outro, como expressa o versículo anterior: “Filho meu, se ficasse por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”.

A Bíblia de Genebra explica o termo “enredado”: “Pedir dinheiro emprestado é uma coisa, mas prover segurança para outrem é caminhar para dentro de uma armadilha feita pelo próprio indivíduo”.

Provérbios 18:21 – “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”.

Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este verso não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores.

Para uma compreensão melhor do que eu quero dizer, deixe-me mostrar-lhes algumas implicações práticas sobre a Confissão Positiva. Se você crer nesta doutrina, então terá que desconsiderar aquilo que eu irei falar a seguir. Mas se você quer ponderar o assunto, leia com atenção as frases seguintes.

IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DE SE CRÊ NA DOUTRINA DA CONFISSÃO POSITIVA

Citaremos algumas implicações preocupantes que comprovam a periculosidade desta doutrina para os cristãos menos desavisados:

1 – A Doutrina da confissão positiva aniquila a Soberania de Deus.

Deus não depende das palavras dos homens para agir. Deus é e sempre será Soberano. Soberania é o atri buto pelo qual Deus possui completa autoridade sobre todas as coisas criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gn 14:19; Ex 18:11; Dt 10:14-17;  II Cr 20:6; Jr 27:5; At 17:24-26; Jd 4; Sl 22:28; 47:2,3,8; 50:10-12;  Ap.19:6).

Já imaginou um Deus que depende do homem para agir? Com certeza Ele entraria em enrascada se estivesse sujeito às oscilações da vontade humana. Eu mesmo não queria um Deus desse tipo. Prefiro o Deus da Bíblia que “tudo faz como lhe apraz”. (Sl 115:3).

2 – A Doutrina da confissão positiva enaltece o homem.

Quando entendemos biblicamente quem na realidade é o homem, ficamos sobremaneira conscientes de nossas falhas e limitações. Quanto mais a confissão Positiva enaltece o homem, mais eu vejo o seu erro. A Bíblia nos mostra claramente que o homem nada é comparado ao Senhor nosso Deus.

A Bíblia retrata como na verdade é o homem (Ezequiel 16:4-5; Is 1:6 Rm 3:10-18; Sal 51:5; 58:3; Is 48:8; João 5:40; Rm 1:28; 3:11, 18; Jr 13:23; João 6:44-45; Rm 8:6-8; Ef 4:18; Rm 1:21; Jr 17:9).

3 – A Doutrina da confissão positiva dá mais valor a palavra falada do que às Escrituras.

Onde fica a luta de reformadores como Lutero? Muitos foram aqueles que lutaram para que hoje tivéssemos a Palavra de Deus em nossas mãos. Muito sangue foi derramado para que pudéssemos ler às Escrituras sem a interferência da vontade humana. Onde fica o princípio da “Sola Scriptura”? A Bíblia deixou de ser relevante para as nossas vidas? Creio firmemente que não e os textos bíblicos confirmam isso - Sl 19:7-11; Sl 119; Jo 5:39; Rm 15:4; II Tm 3:16-17.

Amado irmão, se precisássemos apenas falar e declarar para que as circunstâncias adversas fossem resolvidas e vivêssemos rica e abundantemente sem problemas, então porquê a Bíblia dá tanta ênfase a suportar o sofrimento? Se Paulo tivesse o poder de parar de sofrer decretando, então como foi que ele teve que ficar com o espinho na carne? Deixemos de incoerência e vivamos a verdade da Palavra do Senhor!

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”. II Co 12:10.

4 – A Doutrina da confissão positiva dá um conceito simplista da fé cristã.

O evangelho de Cristo é o evangelho da cruz, da renúncia, do arrependimento, do nascer de novo. O cristianismo de hoje é um cristianismo sem cruz, sem sacrifícios. Gosto de dizer que é o “evangelho boa vida”, evangelho “não-faça-nada-e-ganhe-tudo”. Esse não é o evangelho de Cristo. Basta vermos alguns textos para comprovar o que estou dizendo – Jo 3; Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23; Gl 6:12; Mt 3:8; Lc 5:32; II Pd 3:9, etc.

5 – A Doutrina da confissão positiva não tem o respaldo na História da Igreja.

Fico imaginando Lutero ou Calvino orando da seguinte maneira: “Eu decreto que a partir de hoje o papado vai morrer, reivindico que todos os inimigos do evangelho sejam transportados para o inferno. Declaro explicitamente que não mais haverá mais heresias e que os inimigos da cruz de Cristo vão desaparecer da face da terra. Está decretado em nome de Jesus!”

Essa oração nunca aconteceu. Dentro da História da Igreja não se tem notícia de coisas absurdas como essa. Será que todos os grandes homens de Deus estavam enganados a respeito de sua fé? Quando examinamos biografias diversas dos homens de Deus, seja de quem for, notamos uma única nota coerente em todos: Verdadeira humildade. Todos foram humildes em afirmar a soberania de Deus e a fraqueza do homem. Agora, o homem quer mandar em Deus? Meus amados somos servos e não senhores. E basta para nós sermos apenas servos.

Conclusão: Estude a Palavra e não fique por ai repetindo, como papagaio, aquilo que você escuta na televisão. É muito fácil pregar heresias. É muito prático dizer um “abracadabra” evangélico para que tudo se resolva. Difícil é estudar com afinco às Escrituras, passar horas debruçado sobre as páginas santas desse livro. Buscar de Deus o verdadeiro sentido da vida, entender às verdades centrais desse livro, no entanto, é salutar.

Como a Igreja do Senhor está precisando de bereanos hoje em dia. Você quer ser um deles? Oxalá que sim! Deus o abençoe.


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Soli Deo Gloria

Soli Deo Gloria- 


Usamos a frase glória de Deus com tanta frequência que ela tende a perder sua força bíblica. Mas essa glória, como o sol, não é menos ardente - e não menos benéfica - porque as pessoas a ignoram. No entanto, Deus odeia ser ignorado. “Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre”. (Salmo 50:22). Então, vamos nos concentrar novamente na glória de Deus. O que é a glória de Deus e quão importante ela é?
O que é a glória de Deus?
A glória de Deus é a santidade de Deus colocada em exposição. Isto é, o valor infinito de Deus manifestado. Perceba como Isaías muda de “santo” para “glória”: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”. (Isaías 6:3). Quando a santidade de Deus enche a terra para que as pessoas vejam, ela chama-se glória.
O significado básico de santo é “separado do comum”. Assim sendo, a santidade de Deus é a sua infinita “separação” de tudo o que é comum. É isso que o faz ser o único infinito - como o diamante mais raro e mais perfeito do mundo - só que não existem outros deuses-diamantes. A singularidade de Deus como sendo o único Deus - Sua “Divindade” - o faz infinitamente valioso e santo.
Ao falar da glória de Deus, a Bíblia admite que este valor infinito teve sua entrada na criação. Brilhou, assim como era. A glória de Deus é o resplendor da sua santidade, a irradiação do seu valor infinito. E quando ela flui, é vista como bela e grandiosa. Ela tem tanto a qualidade de ser infinita quanto a magnitude. Desta forma, podemos definir a glória de Deus como a beleza e a grandeza da sua multiforme perfeição.
Digo “multiforme perfeição”, porque a Bíblia diz que aspectos específicos do ser de Deus contêm glória. Por exemplo, lemos sobre a “gloriosa graça” (Efésios 1:6) e “a glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:9). O próprio Deus é glorioso, pois ele é a perfeita união de todas as suas multiformes e gloriosas perfeições.
Mas esta definição deve ser qualificada. A Bíblia também fala da glória de Deus antes de ser revelada na criação. Por exemplo, Jesus orou: “e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (João 17:5). Portanto, quero sugerir a seguinte definição: A glória de Deus é o esplendor externo da beleza intrínseca e grandeza da sua multiforme perfeição.
Estou ciente de que palavras apontam para uma definição muito pobre. Eu substituí uma palavra inadequada-glória-por duas palavras inadequadas - beleza e grandeza. No entanto, Deus se revelou a nós em palavras como “a glória de Deus”. Portanto, elas não são palavras sem sentido.
Devemos constantemente nos lembrar de que estamos falando de uma glória que está além de qualquer comparação na criação. “A glória de Deus” é como designamos a beleza e a grandeza infinita da Pessoa que existia antes de qualquer coisa. Essa beleza e grandeza existem sem origem, sem comparação, sem analogia, sem serem julgadas por qualquer critério externo. A glória de Deus é definitiva, o padrão absolutamente original de grandeza e beleza. Toda a grandeza e beleza criadas vêm dela e aponta para ela, mas não podem reproduzi-la de forma adequada e em sua abrangência.
“A glória de Deus” é uma forma de dizer que há uma realidade objetiva e absoluta para a qual apontam todas as maravilhas, respeito, veneração, louvor, honra, elogio e adoração dos seres humanos. Nós fomos feitos para encontrar o nosso mais profundo prazer em admirar o infinitamente admirável - a glória de Deus. Essa glória não é a projeção psicológica do desejo humano insatisfeito sobre a realidade. Pelo contrário, o desejo inconsolável do ser humano é a evidência de que fomos feitos para a glória de Deus.
Quão central é a glória de Deus?
A glória de Deus é o objetivo de todas as coisas (1 Coríntios 10:31;Isaías 43:6-7). A grande missão da Igreja é declarar a glória de Deus entre as nações. “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas”. (Salmo 96:1-3; Ezequiel 39:21; Isaías 66:18-19).
Qual é a nossa esperança?
Nossa máxima esperança é ver a glória de Deus. “E gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Romanos 5:2). Deus irá “vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória” (Judas 24). Ele irá “conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão” (Romanos 9:23). Jesus, em toda a sua pessoa e obra, é a encarnação e revelação máxima da glória de Deus (João 17:24; Hebreus 1:3).
Além disso, não somente veremos a glória de Deus, mas também teremos participação, em algum sentido, em sua glória. “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada” (1 Pedro 5:1). “Aos que justificou, a esses também glorificou” (Romanos 8:30). A esperança que é verdadeiramente conhecida e estimada tem um efeito decisivo sobre os nossos valores, escolhas e ações hoje.
Valorizando a Glória de Deus
Conheça a glória de Deus. Estude a glória de Deus, a glória de Cristo. Estude sua alma. Conheça as glórias pelas quais você é seduzido e porque você valoriza glórias que não são a glória de Deus.
Estude a sua própria alma para saber como fazer as glórias do mundo desmoronarem como Dagom, em pedaços miseráveis, ??no chão dos templos do mundo (1 Samuel 5:4). Tenha fome de ver e compartilhar mais da glória de Cristo, a imagem de Deus.

Sola Christus

Solus Christus- 


A teologia reformada afirma que a Escritura e sua doutrina sobre a graça e fé enfatizam que a salvação é solus Christus, “somente por Cristo”, isto é, Cristo é o único Salvador (Atos 4:12). B.B. Warfield escreveu: “O poder salvador da fé reside, portanto, não em si mesma, mas repousa no Salvador Todo Poderoso”.
A centralidade de Cristo é o fundamento da fé protestante. Martinho Lutero disse que Jesus Cristo é o “centro e a circunferência da Bíblia” — isso significa que quem ele é e o que ele fez em sua morte e ressurreição são o conteúdo fundamental da Escritura. Ulrich Zwingli disse: “Cristo é o Cabeça de todos os crentes, os quais são o seu corpo e, sem ele, o corpo está morto”.
Sem Cristo, nada podemos fazer; nele, podemos fazer todas as coisas (João 15:5; Filipenses 4:13). Somente Cristo pode trazer salvação. Paulo deixa claro em Romanos 1-2 que, embora haja uma auto-manifestação de Deus além da sua obra salvadora em Cristo, nenhuma porção de teologia natural pode unir Deus e o homem. A união com Cristo é o único caminho da salvação.
Nós precisamos urgentemente ouvir solus Christus em nossos dias de teologia pluralista. Muitas pessoas hoje questionam a crença de que a salvação é somente pela fé em Cristo. Como Carl Braaten diz, eles “estão voltando à velha e falida forma de abordagem cristológica do século XIX, do liberalismo protestante, e chamando-a de “nova”, quando, na verdade, é pouco mais que uma “Jesusologia” superficial”. O resultado final é que, atualmente, muitas pessoas, como H.R. Niebuhr disse em sua famosa frase a respeito do liberalismo — proclamam e adoram “um  Deus sem ira, o qual trouxe homens sem pecado para um reino sem julgamento por meio de ministrações de um Cristo sem a cruz”.
Nossos antepassados reformados, aproveitando uma perspectiva que rastreia todo o caminho de volta aos escritos de Eusébio de Cesaréia, no século IV, acharam útil pensar a respeito de Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei. A Confissão Batista de Londres de 1689, por exemplo, coloca isso da seguinte forma: “Cristo, e somente Cristo, está apto a ser o mediador entre Deus e o homem. Ele é o profeta, sacerdote e rei da igreja de Deus” (8.9). Observemos mais detalhadamente esses três ofícios.
Cristo, o Profeta
Cristo é o Profeta que precisamos para nos instruir nas coisas de Deus, a fim de curar a nossa cegueira e ignorância. O Catecismo de Heidelberg o chama de “nosso principal Profeta e Mestre, que nos revelou totalmente o conselho secreto e a vontade de Deus a respeito da nossa redenção” (A. 31). “O Senhor, teu Deus”, Moisés declarou em Deuteronômio 18:15, “te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás”. Ele é o Filho de Deus, e Deus exige que nós o escutemos (Mateus 17:5).
Como o Profeta, Jesus é o único que pode revelar o que Deus tem planejado na história “desde a fundação do mundo”, e que pode ensinar e manifestar o real significado das “escrituras dos profetas” (o Antigo Testamento, ver Romanos 16:25-26). Podemos esperar progredir em nossa vida cristã apenas se dermos ouvidos à sua instrução e ensino.
Cristo, o Sacerdote
Cristo é também o Sacerdote—nosso extremamente necessário Sumo Sacerdote que, como diz o Catecismo de Heidelberg: “pelo sacrifício de Seu corpo, nos redimiu, e faz contínua intercessão junto ao Pai por nós” (A. 31). Nas palavras da Confissão Batista de Londres de 1689 “por causa do nosso afastamento de Deus e da imperfeição de nossos melhores serviços, precisamos de seu ofício sacerdotal para nos reconciliar com Deus e nos tornar aceitáveis por ele” (8.10).
A salvação está somente em Jesus Cristo, porque há duas condições que, não importa o quanto nos esforcemos, nunca poderemos satisfazer. No entanto, elas devem ser cumpridas se estamos para ser salvos. A primeira é satisfazer a justiça de Deus pela obediência à lei. A segunda é pagar o preço de nossos pecados. Nós não podemos cumprir nenhuma dessas condições, mas Cristo as cumpriu perfeitamente. Romanos 5:19 diz: “ por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”. Romanos 5:10 diz: “nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho”. Não há outra maneira de entrar na presença de Deus a não ser por meio de Cristo somente.
O sacrifício de Jesus ocorreu apenas uma vez, mas ele ainda continua sendo nosso grande Sumo Sacerdote, aquele através do qual toda a oração e louvor são feitos aceitáveis a Deus. Nos lugares celestiais, ele continua sendo nosso constante Intercessor e Advogado (Romanos 8:34; 1 João 2:1). Não é de se admirar, então, que Paulo diz que a glória deve ser dada a Deus “por meio de Jesus Cristo pelos séculos dos séculos” (Romanos 16:27). O gozo de achegarmo-nos a Deus pode crescer apenas por uma confiança profunda nele como nosso sacrifício e intercessor.
Cristo, o Rei
Finalmente, Cristo é o Rei, que reina sobre todas as coisas. Ele reina sobre sua Igreja por meio de seu Espírito Santo (Atos 2:30-33). Ele soberanamente dá o arrependimento ao impenitente e concede perdão ao culpado (Atos 5:31). Cristo é “o nosso Rei eterno que nos governa por sua Palavra e Espírito, e que defende e preserva-nos no gozo da salvação que ele adquiriu para nós” (O Catecismo de Heidelberg, P&R.31). Como o Herdeiro real da nova criação, ele nos levará a um reino de eterna luz e amor.
Neste sentido, podemos concordar com João Calvino quando ele diz: “Nós podemos passar pacientemente por esta vida com sua miséria, frieza, desprezo, injúrias e outros problemas—satisfeitos com uma coisa: que o nosso Rei nunca nos deixará desamparados, mas suprirá as nossas necessidades, até que, ao terminar nossa luta, sejamos chamados para o triunfo”. Podemos crescer na vida cristã apenas se vivermos obedientemente sob o domínio de Cristo e pelo seu poder.
Se você é um filho de Deus, Cristo em seu tríplice ofício como Profeta, Sacerdote e Rei significará tudo para você. Você ama solus Christus? Você o ama em sua pessoa, ofícios, naturezas e benefícios? Ele é o seu Profeta para ensinar-lhe; o seu Sacerdote para sacrificar e interceder por você e lhe abençoar, e o seu Rei para governá-lo e guiá-lo?
Depois de uma execução empolgante da Nona Sinfonia de Beethoven, o famoso maestro italiano Arturo Toscanini disse à orquestra: “Eu não sou nada. Você não é nada. Beethoven é tudo”. Se Toscanini pode dizer isso sobre um compositor brilhante, mas que está morto, quanto mais os cristãos devem dizer o mesmo sobre o Salvador que vive, o qual, no que diz respeito à nossa salvação, é o compositor, músico e até mesmo a própria bela música.