terça-feira, 11 de junho de 2019
O homem nasce bom e torna-se mal ou ele já nasce mal?
(Efésios 2:1–3; Romanos 3:10–12)
"Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do
espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais."(Efésios 2:1–3)
"...tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo,
nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se
extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um
sequer". (Romanos 3:9b–12)
Toda religião e filosofia humana no mundo, exceto o Cristianismo
bíblico, têm sustentado que o homem é basicamente bom e aperfeiçoável através de seus próprios esforços. O filósofo Inglês do século dezessete John Locke (1632–1704) acreditava que o homem nascia como
uma lousa em branco (“tabula rasa”) de inocência. Jean Jacques Rousseau
(1712–1778), o filósofo francês do século dezoito, acreditava que o homem
era bom, assim iniciando a filosofia humanista que coloca o homem antes de
Deus. Ele disse, “o Homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. O Islamismo ensina que todos são nascidos puros (de “musselina” - tecido leve
e um pouco transparente, que serve para vestuário) e naturalmente bons até
que sejam desviados pelo ambiente. O Homem é visto como aperfeiçoável
através do ser corretamente guiado e lembrado da unidade de Alá.
Contudo, apenas através da revelação de Deus, como encontrada na
Bíblia, é que podemos entender a total depravação do homem, que mostra
ser ele totalmente incapaz de salvar a si próprio ou de fazer qualquer obra
meritoriamente boa com respeito à sua salvação. Essa é uma verdade
redescoberta na Bíblia durante a Reforma que transformou a Europa no
século dezesseis e tem impactado o mundo desde então. Infelizmente, nos
tempos modernos, os ensinamentos prejudiciais do Arminianismo têm tido
um papel predominante na maioria das igrejas protestantes, na medida em
que estas se tornam mais antropocêntricas que teocêntricas. Esses ensinamentos foram largamente popularizados através do movimento
Wesleyano e dos acampamentos reavivalistas da América do século
dezenove por pregadores como Charles Finney. Que, por sua vez,
influenciaram as denominações e sociedades missionárias que enviaram
missionários para fundar igrejas protestantes ao redor do mundo.
Então, com a ascensão da teologia liberal, a pecaminosidade do
homem foi minimizada, enquanto pensava-se que o progresso social, a
educação e o desenvolvimento do potencial humano fossem trazer uma
sociedade ainda mais progressista de amor, justiça, igualdade e fraternidade.
Com as grandes guerras do século vinte e a horrenda destruição e morte
devido às lutas entre as chamadas nações “cristãs”, essa aspiração
desapareceu em larga escala.
Apesar disso, as pessoas continuaram a pensar que poderiam
prosseguir pelas suas próprias forças, apenas com uma pequena ajuda de
Deus no caminho. Na teologia da libertação, popular na América Latina, foi
adotada uma visão marxista da sociedade. Sob esse ponto de vista, o homem
não é visto como totalmente corrompido pelo pecado, mas como um povo
que fora oprimido economicamente. A isto é atribuída a corrupção e o
pecado estrutural na sociedade. Pela liberação dos mestres opressores, as
pessoas estariam livres para desenvolver a si mesmas e a transformar a
sociedade existente numa sociedade de igualdade e justiça. O que ocorre
inevitavelmente é que, quando os oprimidos chegam a uma posição de
poder, eles se tornam também opressores. Isso porque o coração humano
não foi transformado apenas através de uma mudança na dinâmica social.
Mas, graças a Deus, está ocorrendo uma mudança nessa maré nas
igrejas que buscam ser fiéis às Escrituras de acordo com um entendimento
do evangelho como totalmente obra de um Deus soberano. A Bíblia
claramente nos diz que o homem não tem nada a contribuir para a sua
salvação. Ela é um dádiva de Deus (Efésios 2:8, 9).
I. Contexto Histórico
Em 1619, um grupo de teólogos publicou um documento com cinco
capítulos que fora escrito em resposta a cinco pontos de protesto de
discípulos de um professor de seminário na Holanda chamado Tiago
Armínio (1560–1609). Um Sínodo nacional foi chamado para responder a
Representação (protesto). Oitenta e quatro membros e 18 comissários
seculares vieram, não só da Holanda, mas da Alemanha, Bavária, Suíça e
Inglaterra. Eles se reuniram por sete meses e formularam o que ficou
conhecido como os Cinco Pontos do Calvinismo, em homenagem ao
reformador João Calvino (1509–1564), o qual expusera essas doutrinas no século anterior. O sínodo restabeleceu todas as doutrinas que haviam sido
sustentadas por praticamente todos os reformadores e pelo Pai da Igreja
Agostinho de Hipona (354–430 D.C.), mil e duzentos anos antes.
Os líderes da Reforma do século dezesseis eram da mesma opinião de
Agostinho no sentido de que o homem é totalmente depravado e arruinado
em seu estado natural separado da Graça de Deus. Todos os reformadores
dos primórdios eram unânimes em sua visão de que o homem era
completamente impotente em seu estado de pecado e totalmente
dependente da soberania de Deus para a salvação. O ponto para os
reformadores não era apenas se Deus era o autor da justificação, mas de fé.
A questão em tela era até onde o Cristianismo era um relacionamento com
Deus que dependia unicamente de Deus para a salvação e tudo mais, ou de
nossa auto-confiança e auto-esforço. Crítico para a determinação da resposta
a essa questão era ter um correto entendimento da natureza do homem e de
sua capacidade ou carência decorrente dessa condição. Assim, o primeiro
ponto dos líderes da igreja que se encontraram no Sínodo de Dort na
Holanda em 1618–1619 para responder aos Arminianos era relativo ao
pecado e seus efeitos na natureza humana. Essa doutrina é determinante
para as doutrinas seguintes. Uma vez que todos os cinco pontos do
calvinismo são realmente inseparáveis. Todos eles ensinam que Deus salva
pecadores. Pecadores não salvam a si próprios de nenhuma forma, nem
dividem a glória da salvação com Deus. A Ele apenas seja toda glória.
Amém.
II. Morte em Pecado
Assim que Paulo começa a explicar para os efésios os passos pelos
quais Deus irá cumprir o Seu propósito de salvar Seus eleitos, ele lembra a
eles do estado em que se encontravam antes de serem feitos vivos em Cristo
pela sua graça. “Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”
(Efésios 2:1). Paulo está falando aqui de nosso estado espiritual antes de
sermos nascidos de novo. A fim de nos tornarmos vivos, saindo da morte
no pecado, devemos nascer dos céus pelo Espírito de Deus, através da
lavagem pela Palavra de Deus (João 3:5; 1 Coríntios 6:11; Efésios 5:26).
Nossa condição de morte espiritual é o que herdamos dos nossos
primeiros pais, Adão e Eva. Deus os criou retos e bons, com um
relacionamento correto com Ele. No Jardim do Éden, Deus plantou a
árvore do conhecimento do bem e do mal e ordenou ao homem, “De toda
árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do
bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente
morrerás” (Gênesis 2:16, 17). Adão e Eva intencionalmente desobedeceram o SENHOR e comeram da árvore. Depois de serem enganados por Satanás
e comerem do fruto proibido, eles caíram de seu caminho com Deus em
morte espiritual, e, conseqüentemente, morte física.
Adão era o líder federal ou representativo para toda a raça humana.
Sua queda em pecado significou que toda a sua posteridade herdaria uma
natureza pecaminosa. Isso pode ser comparado a quando um jogador de
futebol (americano) sai de campo, todo o time é penalizado. O pecado
singular de Adão penalizou toda a humanidade. Paulo explica aos romanos
como isso aconteceu. “Portanto, assim como por um só homem entrou o
pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a
todos os homens, porque todos pecaram...” (Romanos 5:12). Pode-se
comparar o pecado de Adão para a raça humana a como alguém colocando
veneno em um recipiente de água pura. Daquele momento em diante, toda
porção da água se tornou venenosa de forma que é impossível obter até
mesmo uma pequena porção de água pura do recipiente. Similarmente, o ato
singular do pecado de Adão poluiu a corrente sangüínea da raça humana
com o pecado desde o momento da concepção.
Essa verdade fica evidente através das Escrituras. O rei Davi
confessou a Deus após ser confrontado pelo seu adultério dizendo, “Eu
nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5).
Sua natureza pecaminosa vinha do que ele era e havia sido desde o
nascimento. Davi também expressa isso no Salmo 58 “Desviam-se os
ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo
mentiras.” (Salmos 58:3). Jó (14:4) e seus dois amigos Elifaz e Bildade
(25:4–6) expressam que o homem não é puro. Elifaz diz “Que é o homem,
para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo? Eis que Deus
não confia nem nos seus santos; nem os céus são puros aos seus olhos,
quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a
iniqüidade como a água!” (Jó 15:14–16). Paulo diz mais na passagem de
Efésios 2 “e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”
(Efésios 2:3). Em outras palavras, nossa condição espiritual não decorre do
que fizemos, mas decorre do que somos naturalmente, desde o nascimento.
Isso significa que a única maneira de escaparmos da condição de
morte espiritual em que nos encontramos é que Deus se curve em
misericórdia e radicalmente nos transforme, através de um novo
nascimento. Jesus disse ao líder religioso Nicodemos “Em verdade, em
verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no
reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do
Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de
novo” (João 3:5-7). Anteriormente João aponta que aqueles que acreditam
no nome de Jesus “deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber,
aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:12,
13). Em outras palavras, essa transformação em uma vida nova ocorre
somente pelo poder e vontade de Deus.
Entre aqueles que sustentavam uma posição arminiana, incluindo
católicos romanos e ortodoxos, eles viam o homem como uma pessoa se
afogando no mar. Ele está batendo seus braços e pernas, tentando manter
sua cabeça fora d’água. Ele precisa de ajuda; seus pulmões estão se
enchendo de água, mas ele ainda está vivo e capaz de fazer algo para ajudar a
si mesmo. Jesus aparece em um bote e joga ao homem afogando um salva-
vidas. O homem alcança e segura o salva-vidas por sua própria fé e força.
Então, Jesus o puxa seguramente para o bote, que segue para a vida eterna.
Os calvinistas bíblicos vêem o homem estando totalmente afogado e
morto no fundo do mais profundo oceano. Ele tem um coração petrificado,
feito de pedra. Ele não pode ver Jesus vindo para salvá-lo porque ele está
morto e totalmente cego para essa dimensão espiritual. Assim como Jesus
chamou Lázaro para se levantar da sepultura após estar morto por quatro
dias, da mesma forma ele dá nova vida para nossos pútridos corpos mortos.
Em Seu grande amor e misericórdia Ele nos chama para uma ressurreição
em que nós ouvimos Sua voz porque fomos levantados para a vida, apesar
de antes estarmos mortos. Então, nós não podemos dizer que tivemos
qualquer parte em nossa salvação, mas que ela foi totalmente de Deus. Pois
somente Deus salva os pecadores. Como Paulo explica aos colossenses “E a
vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão
da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos
delitos” (Colossenses 2:13).
III. Escravos do Pecado
Tendo nascido com uma natureza pecaminosa, nós continuamente
possuímos uma tendência a ter pensamentos maus, falar palavras más e ter
atitudes más. Na realidade, isto é tudo o que temos capacidade de fazer aos
olhos de Deus, porque nós somos escravos do pecado e cativos do poder de
Satanás. Não é que ninguém faça boas obras. Todos nós fazemos obras
relativamente boas. Até mesmo o pior criminoso que possamos imaginar
poderá fazer algumas obras relativamente boas. Ele pode amar sua mãe e dar
doces para as crianças vizinhas. O chefe local da máfia pode auferir milhões
de dólares do tráfico de drogas em uma vizinhança pobre levando à ruína
várias famílias e à morte de várias pessoas. Contudo, quando ele dá perus de
graça na época do Dia de Ações de Graça para famílias em albergues ele é
louvado e suas boas ações são publicadas nos jornais locais.
Qualquer boa obra que fazemos é, na realidade, obra pecaminosa
perante Deus a menos que nós as façamos com a correta motivação de
darmos glória a Deus e não ao nosso próprio orgulho. Como Isaías diz
“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como
trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas
iniqüidades, como um vento, nos arrebatam” (Isaías 64:6). Deus está
dizendo que nossas boas obras são como trapos manchados pela sujeira da
menstruação de uma mulher. O Catecismo de Heidelberg dá uma boa
definição para “boas obras”: Somente aquelas que são feitas através da
verdadeira fé, de acordo com a lei de Deus e para a Sua glória” (Resposta
91). Edwin Palmer explica isso dizendo “De acordo com o Catecismo, três
elementos são necessários para se fazer verdadeiras boas obras: fé
verdadeira, obediência à lei de Deus e motivo apropriado. Uma obra
relativamente boa, por outro lado, pode ter a correta aparência externa, mas
não ser executada através de fé verdadeira ou para a glória de Deus. Assim,
não-cristãos podem executar ações relativamente boas, apesar de eles
mesmos estarem totalmente em depravação”.
Total depravação não quer dizer que nós somos tão perversos quanto
possível. Ninguém pode pecar todo o pecado que seria possível. Jesus
reconheceu que mesmo os perversos podem fazer o bem, quando disse “Se
fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os
pecadores fazem isso” (Lucas 6:33). É através da graça comum de Deus que
Ele restringe a maldade em todos (2 Tessalonicenses 2:7) e possibilita que
eles possam fazer o bem relativo. Mas mesmo o incrédulo reconhece a
pecaminosidade do homem. “Um velho provérbio chinês afirma: ‘Existem
dois homens bons – um está morto e o outro ainda não nasceu’”.
Paulo relembra os cristãos efésios de sua condição anterior dizendo
“nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o
príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da
desobediência” (Efésios 2:2).Ele está dizendo que eles estavam vivendo nas
garras de Satanás, no controle de suas vidas. Jesus disse aos judeus que se
opunham a ele “Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete
pecado é escravo do pecado” (João 8:34). E Ele continuou dizendo “Vós
sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos.” (João
8:44). Aqueles escravizados pelo pecado estão sob o controle de Satanás.
Essa é a condição de cada um de nós antes de reconhecermos Cristo como
Senhor pela fé. Como a epístola de João diz “Sabemos que somos de Deus e
que o mundo inteiro jaz no Maligno” (1 João 5:19).
IV. Objetos da Ira de Deus
Nosso pecado não é algo com que Deus “pega leve”. Não, nosso
Deus é um Deus santo que não pode simplesmente olhar sobre o pecado ou
tê-lo em Sua presença. Como o profeta Habacuque diz, “Tu és tão puro de
olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que,
pois, toleras os que procedem perfidamente...” (Habacuque 1:13). Sendo um
Deus de justiça, o pecado deve ser punido. Todos nós merecemos ir para o
inferno. Paulo explica como os cristãos efésios viviam “entre os quais
também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne,
fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza,
filhos da ira, como também os demais” (Efésios 2:3). A ira de Deus é contra
nós até mesmo pela nossa natureza pecaminosa. Pois tudo deve ser feito
para a Sua glória somente. Desde o nascimento nós falamos mentiras e
procuramos somente o nosso bem-estar. A Escritura nos diz que “se, de
fato, é justo para com Deus ... quando do céu se manifestar o Senhor Jesus
com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os
que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de
nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos
da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado
nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia
(porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho)” (2 Tessalonicenses
1:6–10).
V. Reino Universal do Pecado
Quando Paulo expõe aos Romanos o porquê de precisarmos da
retidão de Cristo para cobrir nossos pecados ele cita os Salmos 14 e 53,
dizendo:
“Não há justo, nem um sequer;
não há quem entenda,
não há quem busque a Deus” (Romanos 3:10, 11).
Esta citação primeiramente declara que não há ninguém justo aos
olhos de Deus. Segundo, ninguém entende o que é bom. Terceiro, todos são
incapazes mesmo de procurar a Deus. Vamos expandir um pouco esses
pontos. Outra forma de descrever nossa depravação total é como esta sendo
uma total incapacidade. Isso significa que o homem é incapaz de fazer o
bem, de entender o que é bom ou até mesmo de desejar o que é bom.
Primeiro, todos são pecadores e necessitam da graça de Deus, já que
ninguém é justo. A pecaminosidade do homem espalhou-se por toda a raça humana desde a queda de Adão. Como Paulo disse “... pela desobediência
de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (Romanos 5:19). Essa
pecaminosidade infiltrou-se na raça humana mesmo antes da entrega da lei a
Moisés. Antes do Dilúvio “Viu o SENHOR que a maldade do homem se
havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do
seu coração” (Gênesis 6:5). Mesmo logo depois do Dilúvio, o SENHOR
disse do homem “porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua
mocidade” (Gênesis 8:21). Jesus nos ensinou que é do coração que procede
toda forma de pecado (Marcos 7:20–23). “Nada sai do corpo físico do
homem que seja agradável de olhar ou agradável de cheirar. Da mesma
forma que não existe nada que saia do coração do homem que seja agradável
a Deus (para a salvação).” Adiante, em Romanos 3, Paulo nos disse “não
há quem faça o bem, não há nem um sequer” (v. 12).
VI. Mentes Obscurecidas pelo Pecado
Segundo, ninguém entende o bem. Não só todos os homens são
mortos no pecado e escravos dele, mas suas mentes estão obscurecidas pelo
pecado. O homem não-regenerado não tem entendimento das coisas de
Deus. Tais coisas são loucura para ele. Paulo declara que os não regenerados
estão “obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da
ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração” (Efésios 4:18). No
que diz respeito aos judeus descrentes, Paulo diz que “... os sentidos deles se
embotaram” e “o véu está posto sobre o coração deles” “... Quando, porém,
algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado (2 Coríntios. 3:14–
16).
O Evangelho de João descreve a vinda de Jesus ao mundo como a
vida que dá luz aos homens. Seu prólogo diz “A luz resplandece nas trevas,
e as trevas não prevaleceram contra ela” (João 1:5). Adiante, ele diz que o
“Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o
mundo não o conheceu. Veio para o que era seu [o povo Judeu], e os seus
não o receberam” (João 1:10, 11). O problema que Jesus encontrou não
estava em sua apresentação, seu estilo ou suas habilidades de comunicação.
Ninguém teria feito melhor trabalho em comunicar a verdade. Pelo
contrário, eram os duros e descrentes corações que eram incapazes de
entender a verdade. Jesus disse aos judeus “Se vos digo a verdade, por que
razão não me credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso,
não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (João 8:46–47).
João explica porque corações duros e obscurecidos de descrentes
evitam a luz da verdade de Deus. “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.” (João 3:19-21).
Como Paulo falou do poder e da glória da cruz de Cristo aos
coríntios, ele explicou porque muitos a rejeitaram: “Certamente, a palavra da
cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos,
poder de Deus” (1 Coríntios 1:18). Adiante, ele diz “Ora, o homem natural
não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode
entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). O
cientista e filósofo Francês Blaise Pascal (1623–1662) disse: “Existem apenas
dois tipos de homens: os justos, que se acreditam pecadores; e o resto,
pecadores, que se acreditam justos”.
Existem vários teólogos e pastores que passam a maior parte de suas
vidas estudando a Bíblia, sem, contudo, nunca terem acreditado nela. Eles
não podem acreditar porque o Espírito de Deus não regenerou seus
corações. Eles podem ser capazes de explicar acuradamente o evangelho e as
verdades da Bíblia e ainda rejeitá-las como mitos e estórias criadas para
explicar eventos não entendidos antes da nossa era científica. E apenas pelo
poder e iluminação do Espírito Santo é que uma pessoa pode entender as
profundas verdades do Evangelho.
VII. A Incapacidade do Homem de Se Arrepender e
Acreditar
Terceiro, nós somos totalmente incapazes de até mesmo procurar a
Deus. Como Paulo diz, “Não há quem busque a Deus”. De fato, o homem
odeia a Deus e o que Ele representa. O homem odeia o bem e não se
importa. É necessário um miraculoso trabalho de Deus para uma pessoa
chegar à fé salvadora. Como Jesus disse, “Ninguém pode vir a mim se o Pai,
que me enviou, não o trouxer...” (João 6:44). Um pouco depois, Jesus
repetiu o mesmo pensamento dizendo “ninguém poderá vir a mim, se, pelo
Pai, não lhe for concedido” (João 6:65). Isso quer dizer que ninguém pode
escolher seguir Jesus. Todas as pessoas estão atadas ao pecado.
A vontade é livre para escolher o que acha melhor, mas o que ela
naturalmente pensa como melhor é não buscar ou escolher Deus. O homem
natural não quer se submeter e servir a Deus. Ele rejeita a soberania de Deus
em sua vida. Ele pensa que a felicidade da satisfação na vida não é
encontrada na justiça de Deus. Apesar da vontade do homem ser livre para
escolher “Provai e vede que o SENHOR é bom” (Salmos 34:8), ele “odeia” o gosto do “pão vivo que desceu do céu” (João 6:51). A vontade do homem
natural está atada pelas correntes do pecado, o que afeta seu entendimento e
visão. Por que o homem natural não poder ir a Deus? Como Jeremias disse,
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente
corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). Só aqueles que
primeiramente têm a obra do Espírito de Deus em seu coração são capazes
de ir para Jesus. Assim que Paulo falou a um grupo de mulheres que se
juntaram em Filipos, próximo a um rio, Lídia veio a crer. Nos é dito que “O
Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (Atos
16:14, grifamos). Ela não abriu o seu coração. Deus é que o abriu.
Jeremias, que era bom amigo do africano Ebede-Meleque, o qual
havia lhe salvado das profundezas pantanosas de uma cisterna com uma
corda (Jeremias 38:7-13), usou o homem negro para ilustrar uma verdade
espiritual:
“Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele
ou o leopardo, as suas manchas?
Então, não poderíeis fazer o bem,
estando acostumados a fazer o mal.” (Jeremias 13:23).
A questão retórica colocada por Jeremias confirma o fato de que é
impossível para qualquer um mudar de uma vida de pecado para fazer o
bem, quanto mais alcançando justiça perante Deus. O grande pregador
inglês do século dezenove Charles Spurgeon descreve isso da seguinte
forma:
…Você não poderia tornar um homem negro em branco,
apesar de você poder tornar um homem branco em negro.
Você pode fazer o que quiser por meio de corrupção, mas você
não pode fazer nada através de correção. Você pode se fazer
sujo pelo pecado, mas você não pode se fazer limpo
espiritualmente por si mesmo, faça o que fizer. Existe uma
facilidade em ir para baixo; você pode pular para dentro de um
precipício bastante rápido, mas quem poderia ficar ao fundo de
um alto despenhadeiro e saltar para o topo de um só pulo? O
homem pode descer contra sua vontade, mas ele não pode
subir mesmo com sua vontade. Você pode fazer o mal muito
facilmente, você pode fazê-lo com as duas mãos,
gananciosamente e faze-lo de novo e de novo e não se cansar
dele; mas retornar ao caminho correto, isso é difícil.
O que pode o homem fazer para mudar a sua natureza e se fazer um
novo homem? Nada! Ouvir sermões, ir à igreja, dar dinheiro aos pobres e
ajudar uma viúva a consertar o seu teto vazando, não vão mudar o coração de um pecador. Todos os meios aparentes de que alguém possa se utilizar
serão inúteis. É somente a obra do Espírito de Deus que pode mudar um
coração frio de pedra em um coração de carne que responde ao chamado de
Deus.
O homem continuamente pensa que ele deve fazer algo para contribuir para
sua salvação. Mesmo aqueles que reconhecem que a salvação é pela graça de
Deus, ainda pensam que são eles quem escolhem Deus e são eles que
contribuem com a fé para acreditar. A questão que enfrentamos com relação
ao ponto da depravação total ou extrema, é expressa por Edwin Palmer da
seguinte forma:
É Deus sozinho o autor da salvação ou também a fé? Deus
contribui com o sacrifício substituinte de Cristo e o homem
contribui com a sua fé? Ou a fé é também um dom de Deus
(Efésios 2:8)? A salvação depende parte de Deus (a entrega de
Cristo na cruz) ou totalmente de Deus (a entrega de Cristo na
cruz para morrer por nós além de nos dar a nossa fé)?
O homem mantém um pouquinho da glória para si mesmo – a
capacidade de acreditar? Ou toda a glória vai para Deus? O
ensinamento da depravação total é que Deus leva toda a glória
e o homem nenhuma.
VIII. Aplicação
O que nós aprendemos pelo ensinamento de nossa depravação total é
uma explicação para todos os problemas que encontramos em nosso mundo
de ódio, guerra, pobreza, ganância, drogas, promiscuidade sexual, rebelião e
anarquia. Mesmo se todo o mundo se convertesse, não seriam resolvidos
todos os nossos problemas, uma vez que os cristãos ainda são pecadores.
Mas nós vemos que o Evangelho nos leva a resolver os problemas no
mundo até que Jesus venha, quando todas as coisas serão renovadas.
Em segundo lugar, nós aprendemos que estamos em uma condição
terrível em nossa própria depravação. Isso nos dá uma noção da urgência de
buscar a Deus. Nós percebemos que não há esperança longe da graça
sobrenatural e imerecida de Deus. Isso deveria nos levar a apelar a Deus por
misericórdia. Nós deveríamos chamar a Jesus para nos salvar de nossa
condição miserável.
Em terceiro lugar, sabemos agora que se nós buscamos a ajuda e a
misericórdia de Deus é somente porque Deus primeiramente começou a
obra de seu Espírito em nossos corações para chamar por Ele. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua
boa vontade (Filipenses 2:13).
Em quarto, o entendimento da total depravação do homem tem um
impacto em várias decisões feitas em casa, na escola, na política pública e no
governo. Nosso entendimento da natureza pecaminosa básica da
humanidade afeta como devemos educar nossas crianças. Isto afeta
diretrizes com respeito ao crime e à punição. A depravação da humanidade
influenciou fortemente os autores da Constituição dos Estados Unidos a
desenvolver um sistema de controle e avaliação nos três ramos do governo
(executivo, legislativo e judiciário), sabendo que existe uma contínua
tendência do homem em buscar subjugar outros, se permitido.
Mas no coração dessa doutrina está a necessidade de nós
entendermos que estamos totalmente falidos perante Deus. Se mantivermos
a idéia de que temos alguma capacidade espiritual, ainda que pequena, não
vamos nos preocupar nunca com a nossa condição espiritual. Geralmente
nós pensamos que temos uma longa vida para viver e que ainda há tempo
para acreditar em Cristo mais tarde. Mas ao conhecermos nossa real
condição de estarmos mortos no pecado, estaremos em desespero e
procurando por Cristo. Nós vamos sentir uma urgência em nos
arrependermos e acreditarmos Nele. Pois nós não temos mérito em nós
mesmos para oferecer a Deus e recebermos a salvação. A salvação vem de
Deus somente, através de Cristo somente, pela graça somente, através da fé
somente que nos é dada como um dom de Deus, para a glória de Deus
somente. Aleluia! Amém.
Ação de Graças:
“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Efésios 3:20, 21).
Todos os indivíduos em particular ou todas as classes de indivíduos?
Portanto, exorto, antes de tudo, que se usem súplicas, orações, intercessões, ações de graças em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se encontram em posição de destaque, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isso é bom e aceitável aos olhos de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. (1 Timóteo 2:1-3)
1. Portanto, exorto, antes de tudo. Os exercícios religiosos que o apóstolo aqui ordena mantêm e fortalecem em nós o culto sincero e o temor de Deus, bem como nutrem a consciência íntegra. O termo, portanto, é então perfeitamente apropriado, visto que essas exortações se deduzem naturalmente do encargo que ele pusera sobre Timóteo.
Primeiramente, ele trata da oração pública e de sua regulamentação, a saber: que ela deve ser feita não só em favor dos crentes, mas em favor de todo o gênero humano. É possível que alguém argumente: “Por que devemos preocupar-nos com o bem-estar dos incrédulos, já que não mantêm nenhuma relação conosco? Não é suficiente que nós, que somos irmãos, oremos uns pelos outros e encomendemos a Deus toda a Igreja? Os estranhos não significam nada para nós”. Paulo se põe contra essa perversa perspectiva, e diz aos efésios que incluíssem em suas orações todos os homens, e não as restringissem somente ao corpo da Igreja.
Admito que não entendo plenamente a diferença entre os três ou quatro tipos de oração de que Paulo faz menção. É pueril a opinião expressa por Agostinho, a qual torce as palavras de Paulo para adequarem-se ao uso cerimonial de sua própria época. O ponto de vista mais simples é preferível, a saber: que súplicas são solicitações para sermos libertados do mal; orações são solicitações por algo que nos seja proveitoso; e intercessões são nossos lamentos postos diante de Deus em razão das injúrias que temos suportado. Eu mesmo, contudo, não entro em distinções sutis desse gênero; ao contrário, deduzo um tipo diferente de distinção. Proseucai [Proseuche] é o termo grego geral para todo e qualquer tipo de oração; e deh>seiv[deeseis] denota essas formas de oração nas quais se faz alguma solicitação específica. Portanto, essas duas palavras se relacionam como o gênero e a espécie. v´Enteu>xeiv[Enteuxeois] é o termo usual de Paulo para as orações que oferecemos em favor uns dos outros, e o termo usado em latim é intercessiones, intercessões. Platão, contudo, em seu segundo diálogo intitulado, Albibíades, usa a palavra de forma diferenciada para denotar uma petição definida, expressa por uma pessoa em seu próprio favor. Em cada inscrição do livro, bem como em muitas passagens, ele mostra claramente que proseuch [proseuche] é, como eu já disse, um termo geral.
Todavia, para não nos determos desproporcionalmente por mais tempo numa questão que não é de grande relevância, Paulo, em minha opinião, está simplesmente dizendo que sempre que as orações públicas foram oferecidas, as petições e súplicas devem ser formuladas em favor de todos os homens, mesmo daqueles que presentemente não mantêm nenhum relacionamento conosco. O amontoado de termos não é supérfluo; pois ao meu ver Paulo, intencionalmente, junta esses três termos com o mesmo propósito, ou seja, com o fim de recomendar, com o maior empenho possível, e pedir com a máxima veemência, que se façam orações intensas e constantes.
Sobre o significado de ações de graças não há nada de obscuro, pois ele não só nos incita a orar a Deus pela salvação dos incrédulos, mas também a render graças por sua prosperidade e bem-estar. A portentosa benevolência que Deus nos demonstra dia a dia, ao fazer “seu sol nascer sobre bons e maus”, é digna de todo o nosso louvor; e o amor devido ao nosso próximo deve estender-se aos que dele são indignos.
2. Em favor dos reis. Ele faz expressa menção dos reis e de outros magistrados porque os cristãos têm muito mais razão de odiá-los do que todos os demais. Todos os magistrados daquele tempo eram ajuramentados inimigos de Cristo, de modo que se poderia concluir que eles não deviam orar em favor de pessoas que viviam devotando toda a sua energia e riquezas em oposição ao reino de Cristo, enquanto que, para os cristãos, a extensão desse reino, e de todas as coisas, é a mais desejável. O apóstolo resolve essa dificuldade e expressamente ordena que orações sejam oferecidas em favor deles. A depravação humana não é razão para não se ter em alto apreço as instituições divinas no mundo. Portanto, visto que Deus designou magistrados e príncipes para a preservação do gênero humano, e por mais que fracassem na execução da designação divina, não devemos, por tal motivo, cessar de ter prazer naquilo que pertence a Deus e desejar que seja preservado. Eis a razão por que os crentes, em qualquer país em que vivam, devem não só obedecer às leis e ao comando dos magistrados, mas também, em suas orações, devem defender seu bem-estar diante de Deus. Disse Jeremias aos israelitas: “Orai pela paz de Babilônia, porque, em sua paz, tereis paz” [Jeremias 29:7). Eis o ensino universal da Escritura: que aspiremos o estado contínuo e pacífico das autoridades deste mundo, pois elas foram ordenadas por Deus.
Para que vivamos vida tranqüila e mansa. Ele acrescenta mais uma persuasão, ao mostrar como isso será proveitoso a nós próprios e ao enumerar as vantagens geradas por um governo bem regulamentado. A primeira é uma vida tranqüila, porquanto os magistrados se encontram bem armados com espada para a manutenção da paz. A menos que restrinjam o atrevimento dos homens perversos, o mundo inteiro se encherá de ladrões e assassinos. Portanto, a forma correta de conservar a paz consiste em que a cada pessoa seja dado o que é propriamente seu, e que a violência dos poderosos seja refreada. A segunda vantagem consiste na preservação da piedade, ou seja, quando os magistrados se diligenciam em promover a religião, em manter o culto divino e requerer reverência pelas coisas sacras. A terceira vantagem consiste na preocupação pela seriedade pública: pois o benefício advindo dos magistrados consiste em que impeçam os homens de se entregarem a impurezas bestiais ou a vergonha devassidão, bem como a preservar a modéstia e a moderação. Se esses três requisitos foram suprimidos, que gênero de vida será deixado à sociedade humana? Portanto, se porventura nos preocupamos com a tranqüilidade pública, com a piedade ou com a decência, lembremo-nos de que o nosso dever é diligenciarmo-nos em favor daqueles por cuja instrumentalidade obtemos tão relevantes benefícios.
Disso concluímos que os fanáticos que lutam pela supressão dos magistrados são privados de toda humanidade e promovem unicamente o barbarismo impiedoso. Que grande diferença há entre Paulo que declara que, por amor à preservação da justiça e da decência, bem como da promoção da religião, devemos orar em favor dos reis, e aqueles que dizem que não só o poder real, mas também todo e qualquer governo, são contrários à religião. O que Paulo afirma tem o Espírito Santo como Autor; conseqüentemente, o conceito dos fanáticos não tem outro autor senão o diabo.
Se porventura suscitar-se a pergunta se devemos ou não orar em favor dos reis de cujo governo não recebemos tais benefícios, minha resposta é que devemos orar por eles, sim, para que, sob as diretrizes do Espírito Santo, comecem a conceder-nos essas bênçãos, com as quais até agora não foram capazes de prover-nos. Portanto, devemos não só orar por aqueles que já são dignos, mas também pedir a Deus que converta os maus em bons governantes. Devemos manter sempre este princípio: que os magistrados são designados por Deus para a proteção da religião, da paz e da decência públicas, precisamente como a terra foi ordenada para produzir o alimento. Por conseguinte, quando oramos pelo pão de cada dia, pedimos a Deus que faça a terra fértil, ministrando-lhe sua bênção, assim devemos considerar os magistrados como meios ordinários que Deus, em Sua providência, ordenou para conceder-nos as demais bênçãos. A isso deve-se acrescentar que, se somos privados daquelas bênçãos que Paulo atribui como dever dos magistrados no-las fornecer, a culpa é nossa. É a ira de Deus que faz com que os magistrados sejam inúteis, da mesma forma que faz com que a terra seja estéril. Portanto, devemos orar pela remoção dos castigos que nos sobrevêm em virtude de nossos pecados.
Em contrapartida, os magistrados e todos quantos desempenham algum ofício na magistratura são aqui lembrados de seu dever. Não basta que restrinjam a injustiça, dando a cada um o que é devidamente seu, e mantenham a paz, se não são igualmente zelosos em promover a religião e em regulamentar os costumes pelo uso de uma disciplina construtiva. A exortação de Davi, para que [os magistrados] “beijem o Filho” [Salmo 2:12, e a profecia de Isaías, para que sejam pais da Igreja, é de grande relevância. Portanto, não terão motivo para se congratularem, caso negligenciem sua assistência na manutenção do culto divino.
3. Isso é bom e aceitável. Havendo demonstrado que o mandamento que ele promulgara é excelente, agora apela para um argumento mais enérgico, a saber: que é agradável a Deus. Pois quando sabemos que essa é a vontade, cumpri-la é a melhor que todas as demais razões. Pelo termo, “bom”, ele tem em mente o que é certo e lícito; e, visto que a vontade de Deus é a regra pela qual devemos regulamentar todos os nossos deveres, ele prova que ela é justa, porque é aceitável a Deus.
Esta passagem merece detida atenção, pois dela podemos extrair o princípio geral de que a única norma genuína para agir bem e com propriedade é acatar a e esperar na vontade de Deus, e não empreender nada senão aquilo que ele aprova. E essa é também a regra da oração piedosa, a saber: que tomemos a Deus por nosso Líder, de modo que todas as nossas orações sejam regulamentadas por Sua vontade e comando. Se essa regra não houvera sido suprimida, as orações dos papistas, hoje, não seriam tão saturadas de corrupções. Pois, como poderão provar que detêm a autoridade divina para se dedicarem à intercessão dos santos falecidos, ou eles mesmos praticarem a intercessão em favor dos mortos? Em suma, em toda a sua forma de orar, o que poderão apresentar que seja do agrado de Deus?
4. Daqui se deduz uma confirmação do segundo argumento, o fato de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos. Pois, que seria mais razoável do que todas as nossas orações se conformarem a este decreto divino? Concluindo, ele demonstra que Deus tem no coração a salvação de todos os homens, porquanto Ele chama a todos os homens para o conhecimento de Sua verdade. Este é um argumento que parte de um efeito observado em direção à sua causa. Pois se “o evangelho é o poder de Deus par a salvação de todo aquele que crê [Romanos 1:16], então é justo que todos aqueles a quem o evangelho é proclamado sejam convidados a nutrir a esperança da vida eterna. Em suma, visto que a vocação [do evangelho] é uma prova concreta da eleição secreta, então Deus admite à posse da salvação aqueles a quem Ele concedeu a bênção de participarem de Seu evangelho, já que o evangelho nos revela a justiça de Deus que garante o ingresso na vida.
À luz desse fato, fica em evidência a pueril ilusão daqueles que crêem que esta passagem contradiz a predestinação. Argumentam: “Se Deus quer que todos os homens, sem distinção alguma, sejam salvos, então não pode ser verdade que, mediante Seu eterno conselho, alguns hajam sido predestinados para a salvação e outros, para a perdição”. Poderia haver alguma base para tal argumento, se nesta passagem Paulo estivesse preocupado com indivíduos; e mesmo que assim fosse, ainda teríamos uma boa resposta. Porque, ainda que a vontade de Deus não deva ser julgada à luz de Seus decretos secretos, quando Ele no-los revela por meio de sinais externos, contudo não significa que ele não haja determinado secretamente, em Seu íntimo, o que se propõe fazer com cada pessoa individualmente.
Mas não acrescentarei a este tema nada mais, visto o assunto não ser relevante ao presente contexto, pois a intenção do apóstolo, aqui, é simplesmente dizer que nenhuma nação da terra e nenhuma classe social são excluídas da salvação, visto que Deus quer oferecer o evangelho a todos sem exceção. Visto que a pregação do evangelho traz vida, o apóstolo corretamente conclui que Deus considera a todos os homens como sendo igualmente dignos de participar da salvação. Ele, porém, está falando de classes, e não de indivíduos; e sua única preocupação é incluir em seu número príncipes e nações estrangeiros. Que a vontade de Deus é que eles também participem do ensinamento do evangelho é por demais óbvio à luz das passagens já citadas e de outras afins. Não é sem razão que se disse: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão” [Salmo 2:8]. A intenção de Paulo era mostrar que devemos ter em consideração, não que tipo de homens são os príncipes, mas, antes, o que Deus queria o que fossem. Há um dever de amor que se preocupa com a salvação de todos aqueles a quem Deus estende Seu chamamento e testifica acerca desse amor através de orações piedosas.
É nessa mesma conexão que ele chama Deus nosso Salvador, pois de qual fonte obtemos a salvação senão da imerecida munificência divina? O mesmo Deus que já nos conduziu à Sua salvação pode, ao mesmo tempo, estender a mesma graça também a eles. Aquele que já nos atraiu a si pode uni-los também a nós. O apóstolo considera como um argumento indiscutível o fato de Deus agir assim entre todas as classes e todas as nações, porque isso foi predito pelos profetas.
segunda-feira, 27 de maio de 2019
A História da Confissão de fé de Westminster
A Confissão de Fé de Westminster é a principal declaração doutrinária adotada oficialmente pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Ela foi um dos documentos aprovados pela Assembléia de Westminster (1643-1649), convocada pelo Parlamento inglês para elaborar novos padrões doutrinários, litúrgicos e administrativos para a Igreja da Inglaterra. Para se entender as circunstâncias da formulação desse importante documento, é preciso relembrar a história da Reforma Inglesa.
1. Antecedentes
1. Antecedentes
Até 1534, a Inglaterra havia sido católica romana por muitos séculos. Nesse ano, sob a liderança do rei Henrique VIII, essa nação rompeu com Roma e aprovou o Ato de Supremacia, pelo qual o rei passou a ser o chefe da Igreja da Inglaterra. Assim sendo, passou a existir uma igreja nacional inglesa, separada de Roma, mas ainda católica, com o nome de Igreja Anglicana.
Com a morte de Henrique VIII em 1547, subiu ao trono o seu filho adolescente Eduardo VI. Sob a liderança de Thomas Cranmer, arcebispo de Cantuária, foram elaborados dois importantes documentos, ambos influenciados pela teologia calvinista: os Trinta e Nove Artigos e o Livro de Oração Comum. Várias outras reformas foram realizadas, tendo-se a impressão de que a fé protestante iria triunfar. Todavia, a morte prematura do jovem rei, em 1553, interrompeu bruscamente esse processo.
Eduardo foi sucedido por sua meia-irmã, Maria Tudor, mais tarde conhecida como “Maria, a Sanguinária”. Ela era filha de Henrique VIII e da princesa católica espanhola Catarina de Aragão. De imediato, Maria se dispôs a anular o que seu pai e seu irmão haviam feito e levar a Inglaterra de volta para a Igreja de Roma. O arcebispo Cranmer e muitos outros líderes da Reforma foram queimados na fogueira.
Muitos protestantes fugiram para o continente, sendo que um bom número deles se refugiou em Genebra, onde o reformador João Calvino estava no auge da sua influência. Eles organizaram uma igreja presbiteriana, tendo como pastor um dos refugiados, o escocês João Knox. Outro refugiado, Miles Coverdale, e alguns companheiros fizeram uma nova tradução das Escrituras, que ficou conhecida como a Bíblia de Genebra. Foi a primeira Bíblia de tamanho pequeno a ser publicada e a primeira Bíblia em inglês na qual os livros eram divididos em capítulos e versículos.
Com a morte de Maria em 1558, sua meia-irmã Elizabete subiu ao trono para um longo reinado de 45 anos. O Ato de Supremacia foi restabelecido e os protestantes exilados tiveram permissão para retornar. Eles voltaram para a Inglaterra e a Escócia com a sua Bíblia de Genebra e com maior convicção acerca do calvinismo e do presbiterianismo.
2. Os puritanos
Nesse contexto, solidificou-se um movimento cujas raízes mais remotas vinham desde o pré-reformador João Wyclif (século 14), passando pelo tradutor da Bíblia William Tyndale (†1536) e muitos outros líderes. Firmemente apegados às Escrituras e à teologia calvinista, esses protestantes começaram a insistir numa reforma genuína da igreja inglesa, com uma forma de governo, um sistema de doutrinas, um culto e uma vida mais puros, ou seja, mais bíblicos. Com isso, por volta de 1565 eles passaram a ser chamados de “puritanos”.
A rainha Elizabete alarmou-se com o crescimento do puritanismo e tudo fez para forçar os puritanos a se submeterem aos padrões religiosos vigentes. Todavia, o movimento continuou a crescer. Um autor diz que a Inglaterra nunca experimentou uma transformação moral tão grande como a que ocorreu entre o meio do reinado de Elizabete e a convocação do Longo Parlamento. A Inglaterra se tornou o povo de um livro, a Bíblia, que era lida nas igrejas e nos lares, gerando grande vitalidade espiritual. (Ver John Richard Green, em Uma Breve História do Povo Inglês).
Com a morte de Elizabete em 1603, Tiago VI da Escócia, filho de Maria Stuart, tornou-se Tiago I, rei da Inglaterra e da Escócia, e chefe da igreja. Os puritanos nutriam grandes esperanças em relação ao novo rei, que havia sido educado pelos presbiterianos da Escócia. Todavia, ele os decepcionou profundamente, visto estar muito apegado ao sistema episcopal de governo eclesiástico. Ele disse: “Vou fazer com que se submetam ou os expulsarei do país, ou coisa pior”. No sei reinado, um grupo de puritanos foi inicialmente para a Holanda e depois para a Nova Inglaterra, na América do Norte. A única coisa positiva que esse rei fez na área religiosa foi aprovar uma nova e influente tradução da Bíblia, que ficou conhecida como a Versão do Rei Tiago (King James Version, 1611).
3. A Assembléia de Westminster
A rainha Elizabete alarmou-se com o crescimento do puritanismo e tudo fez para forçar os puritanos a se submeterem aos padrões religiosos vigentes. Todavia, o movimento continuou a crescer. Um autor diz que a Inglaterra nunca experimentou uma transformação moral tão grande como a que ocorreu entre o meio do reinado de Elizabete e a convocação do Longo Parlamento. A Inglaterra se tornou o povo de um livro, a Bíblia, que era lida nas igrejas e nos lares, gerando grande vitalidade espiritual. (Ver John Richard Green, em Uma Breve História do Povo Inglês).
Com a morte de Elizabete em 1603, Tiago VI da Escócia, filho de Maria Stuart, tornou-se Tiago I, rei da Inglaterra e da Escócia, e chefe da igreja. Os puritanos nutriam grandes esperanças em relação ao novo rei, que havia sido educado pelos presbiterianos da Escócia. Todavia, ele os decepcionou profundamente, visto estar muito apegado ao sistema episcopal de governo eclesiástico. Ele disse: “Vou fazer com que se submetam ou os expulsarei do país, ou coisa pior”. No sei reinado, um grupo de puritanos foi inicialmente para a Holanda e depois para a Nova Inglaterra, na América do Norte. A única coisa positiva que esse rei fez na área religiosa foi aprovar uma nova e influente tradução da Bíblia, que ficou conhecida como a Versão do Rei Tiago (King James Version, 1611).
3. A Assembléia de Westminster
Tiago foi sucedido no trono por seu filho Carlos I, que reinou de 1625 a 1649. Seu principal conselheiro era William Laud, arcebispo de Cantuária, um adepto da teologia arminiana e da uniformidade religiosa. Em 1637, Carlos I e Laud tentaram fazer com que os presbiterianos da Escócia se submetessem ao governo e culto da Igreja da Inglaterra, com seu sistema episcopal (bispos e arcebispos). No ano seguinte, os escoceses assinaram um Pacto Nacional no qual se comprometiam a defender o presbiterianismo e entraram em guerra contra o rei.
Carlos precisava de mais homens e dinheiro para lutar contra os escoceses e assim foi forçado a convocar a eleição de um Parlamento. Para seu horror, os ingleses elegeram um Parlamento puritano. Ele rapidamente dissolveu o parlamento e convocou nova eleição, que resultou em uma maioria puritana ainda mais expressiva. O rei tentou novamente tentou dissolver o Parlamento, que entrou em guerra contra ele. Estava iniciada a guerra civil inglesa.
Entre outras coisas, esse Parlamento puritano voltou sua atenção para a questão religiosa. Há 75 anos os puritanos vinham insistindo que a Igreja da Inglaterra tivesse uma forma de governo, doutrinas e culto mais puros. Assim sendo, o Parlamento convocou a “Assembléia de Teólogos de Westminster”, que ficou composta de 121 dos ministros mais capazes da Inglaterra, além de 20 membros da Câmara dos Comuns e 10 membros da Câmara dos Lordes. Todos os ministros, exceto dois, eram da Igreja da Inglaterra. Praticamente todos eles eram puritanos, calvinistas. Infelizmente, não havia unanimidade entre eles quanto à forma de governo: a maioria era composta de presbiterianos, muitos eram partidários da forma congregacional e alguns defendiam o episcopalismo. Os debates mais longos e acalorados foram travados nessa área.
A Assembléia de Westminster iniciou seus trabalhos na Abadia de Westminster, em Londres, no dia 1° de julho de 1643, e continuou em atividade durante cinco anos e meio. Nesse período, houve 1163 reuniões do plenário e centenas de reuniões de comissões e subcomissões.
4. A conexão escocesa
Carlos precisava de mais homens e dinheiro para lutar contra os escoceses e assim foi forçado a convocar a eleição de um Parlamento. Para seu horror, os ingleses elegeram um Parlamento puritano. Ele rapidamente dissolveu o parlamento e convocou nova eleição, que resultou em uma maioria puritana ainda mais expressiva. O rei tentou novamente tentou dissolver o Parlamento, que entrou em guerra contra ele. Estava iniciada a guerra civil inglesa.
Entre outras coisas, esse Parlamento puritano voltou sua atenção para a questão religiosa. Há 75 anos os puritanos vinham insistindo que a Igreja da Inglaterra tivesse uma forma de governo, doutrinas e culto mais puros. Assim sendo, o Parlamento convocou a “Assembléia de Teólogos de Westminster”, que ficou composta de 121 dos ministros mais capazes da Inglaterra, além de 20 membros da Câmara dos Comuns e 10 membros da Câmara dos Lordes. Todos os ministros, exceto dois, eram da Igreja da Inglaterra. Praticamente todos eles eram puritanos, calvinistas. Infelizmente, não havia unanimidade entre eles quanto à forma de governo: a maioria era composta de presbiterianos, muitos eram partidários da forma congregacional e alguns defendiam o episcopalismo. Os debates mais longos e acalorados foram travados nessa área.
A Assembléia de Westminster iniciou seus trabalhos na Abadia de Westminster, em Londres, no dia 1° de julho de 1643, e continuou em atividade durante cinco anos e meio. Nesse período, houve 1163 reuniões do plenário e centenas de reuniões de comissões e subcomissões.
4. A conexão escocesa
Mal haviam começado os trabalhos, as forças parlamentares começaram a ficar em desvantagem na guerra. Rapidamente foi enviada uma delegação à Escócia em busca de auxílio. Os escoceses concordaram em enviar socorro, mediante duas condições: (a) todos os membros da Assembléia de Westminster e do Parlamento deviam assinar uma Liga e Pacto Solene a ser redigido pelos escoceses; (b) os escoceses iriam nomear alguns representantes junto à Assembléia de Westminster. Ao assinarem esse documento, os ingleses se comprometeram a manter e defender a Igreja Presbiteriana da Escócia e a realizarem uma reforma da igreja “na Inglaterra e na Irlanda em sua doutrina, governo, culto e disciplina, de acordo com a Palavra de Deus e o exemplo das melhores igrejas reformadas”.
Os escoceses enviaram seis delegados à Assembléia de Westminster – quatro pastores e dois presbíteros – sem direito a voto. Os ministros eram: Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie e Samuel Rutherford. Esses poucos representantes escoceses exerceram uma influência decisiva sobre a Assembléia. Com a chegada dos escoceses e a assinatura da Liga e Pacto Solene em setembro de 1643, houve uma mudança radical no trabalho da Assembléia. Antes disso, a maior parte do tempo havia sido dedicada a uma revisão dos Trinta e Nove Artigos e não se pensara em elaborar uma nova Confissão de Fé. Agora os Trinta e Nove Artigos foram postos de lado e passou-se a fazer uma reforma profunda na Igreja da Inglaterra.
A Assembléia de Westminster era um conjunto de homens não somente eruditos, mas profundamente espirituais. Gastou-se muito tempo em oração e tudo foi feito com espírito de reverência. Robert Baillie, um dos representantes escoceses, descreveu um dos dias de jejum e oração: “Depois que o Dr. Twisse deu início com uma breve oração, o Sr. Marshall orou longamente por duas horas, confessando mui piedosamente os pecados dos membros da Assembléia… Depois disso, o Sr. Arrowsmith pregou por uma hora, e então foi cantado um salmo. Em seguida, o Sr. Vines orou por quase duas horas, o Sr. Palmer pregou por uma hora e o Sr. Seaman orou por quase duas horas; em seguida, foi cantado um salmo. Depois disso, o Sr. Henderson os levou a uma breve e suave reflexão sobre as faltas confessadas e outras faltas vistas na Assembléia, para serem corrigidas. O Dr. Twisse encerrou com breve oração e bênção. Deus estava presente de modo tão claro nesse exercício devocional que nós certamente esperamos uma bênção tanto sobre os assuntos da Assembléia quanto sobre todo o reino”.
5. O trabalho da Assembléia
Os escoceses enviaram seis delegados à Assembléia de Westminster – quatro pastores e dois presbíteros – sem direito a voto. Os ministros eram: Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie e Samuel Rutherford. Esses poucos representantes escoceses exerceram uma influência decisiva sobre a Assembléia. Com a chegada dos escoceses e a assinatura da Liga e Pacto Solene em setembro de 1643, houve uma mudança radical no trabalho da Assembléia. Antes disso, a maior parte do tempo havia sido dedicada a uma revisão dos Trinta e Nove Artigos e não se pensara em elaborar uma nova Confissão de Fé. Agora os Trinta e Nove Artigos foram postos de lado e passou-se a fazer uma reforma profunda na Igreja da Inglaterra.
A Assembléia de Westminster era um conjunto de homens não somente eruditos, mas profundamente espirituais. Gastou-se muito tempo em oração e tudo foi feito com espírito de reverência. Robert Baillie, um dos representantes escoceses, descreveu um dos dias de jejum e oração: “Depois que o Dr. Twisse deu início com uma breve oração, o Sr. Marshall orou longamente por duas horas, confessando mui piedosamente os pecados dos membros da Assembléia… Depois disso, o Sr. Arrowsmith pregou por uma hora, e então foi cantado um salmo. Em seguida, o Sr. Vines orou por quase duas horas, o Sr. Palmer pregou por uma hora e o Sr. Seaman orou por quase duas horas; em seguida, foi cantado um salmo. Depois disso, o Sr. Henderson os levou a uma breve e suave reflexão sobre as faltas confessadas e outras faltas vistas na Assembléia, para serem corrigidas. O Dr. Twisse encerrou com breve oração e bênção. Deus estava presente de modo tão claro nesse exercício devocional que nós certamente esperamos uma bênção tanto sobre os assuntos da Assembléia quanto sobre todo o reino”.
5. O trabalho da Assembléia
Durante seus cinco anos e meio de atividade, a Assembléia de Westminster produziu os chamados Padrões Presbiterianos. À medida que era concluído, cada documento era encaminhado ao Parlamento como o “humilde conselho” da Assembléia. O Parlamento não aprovou automaticamente o trabalho da Assembléia, mas gastou muito tempo estudando e discutindo cada documento. Os Padrões Presbiterianos, na ordem em que foram concluídos pela Assembléia, são os seguintes: (a) Diretório do Culto Público a Deus: foi concluído em dezembro de 1644 e aprovado pelo Parlamento em janeiro de 1645. Substituiu o Livro de Oração Comum. (b) Forma de Governo Eclesiástico e Ordenação: foi concluída em novembro de 1644 e aprovada pelo Parlamento em 1648. Era uma forma presbiteriana de governo e substituiu o episcopalismo na Igreja da Inglaterra. (c) Confissão de Fé: foi concluída em dezembro de 1646 e aprovada pelo Parlamento em março de 1648. (d) Catecismos Maior e Breve: foram concluídos no final de 1647 e aprovados pelo Parlamento em setembro de 1648. (e) Saltério: versão métrica dos salmos para o culto; havia várias versões concorrentes, mas a de Francis Rous, membro do Parlamento e da Assembléia, foi finalmente aprovada em novembro de 1645, após uma extensa revisão. Foi aprovado pelo Parlamento no ano seguinte.
6. A Confissão de Fé
6. A Confissão de Fé
O esboço inicial da Confissão de Fé de Westminster foi preparado por duas comissões a partir de outubro de 1644, com a plena participação dos representantes da Igreja da Escócia. O plenário da Assembléia discutiu o documento de julho de 1645 a dezembro de 1646. Alguns dos debates foram acalorados, especialmente sobre temas como o Decreto de Deus, a Liberdade Cristã e a Liberdade de Consciência, e a liderança de Cristo. De um modo geral, houve uma notável unanimidade entre os participantes.
No dia 26 de novembro de 1646 o texto ficou pronto, com a exceção do prefácio e de algumas emendas. Estes foram concluídos no 4 de dezembro, quando a Confissão de Fé foi apresentada à Câmara dos Comuns. Todavia, o Parlamento exigiu a apresentação de textos bíblicos de apoio, cuja preparação e discussão continuou até abril de 1647. Em 29 de abril, a Confissão com as passagens bíblicas foi apresentada às duas câmaras. A Câmara dos Comuns determinou a impressão de 600 cópias, somente para os membros do Parlamento e da Assembléia. O título era: “O humilde conselho da Assembléia de teólogos que por autoridade do Parlamento ora está reunida em Westminster… com respeito a uma Confissão de Fé, com a adução de citações e textos da Escritura”.
A Confissão foi aprovada pelo Parlamento somente em 1648, com o seguinte título: “Artigos de religião cristã, aprovados e sancionados por ambas as casas do Parlamento, segundo o conselho da Assembléia de teólogos ora reunida em Westminster por autoridade do Parlamento”.
A Confissão de Fé é uma expressão da teologia agostiniana e calvinista que há mais de um século vinha influenciando os teólogos ingleses. Especificamente, a forma da Confissão foi influenciada pelos chamados Artigos Irlandeses, elaborados pelo bispo Ussher em 1615. Quanto ao esquema teológico geral sob o qual os teólogos de Westminster agruparam suas principais doutrinas, trata-se do sistema conhecido como Teologia Federal ou Teologia do Pacto (Pacto das Obras e Pacto da Graça).
Como uma declaração da doutrina reformada e como uma afirmação do calvinismo do século 17, a Confissão de Fé é um documento extremamente moderado e judicioso. William Beveridge conclui: “Devemos agradecer a Deus por essa declaração sábia, completa e equilibrada de nossa fé, que chegou até nós como uma preciosa herança da Assembléia de Westminster”.
7. Eventos subseqüentes
No dia 26 de novembro de 1646 o texto ficou pronto, com a exceção do prefácio e de algumas emendas. Estes foram concluídos no 4 de dezembro, quando a Confissão de Fé foi apresentada à Câmara dos Comuns. Todavia, o Parlamento exigiu a apresentação de textos bíblicos de apoio, cuja preparação e discussão continuou até abril de 1647. Em 29 de abril, a Confissão com as passagens bíblicas foi apresentada às duas câmaras. A Câmara dos Comuns determinou a impressão de 600 cópias, somente para os membros do Parlamento e da Assembléia. O título era: “O humilde conselho da Assembléia de teólogos que por autoridade do Parlamento ora está reunida em Westminster… com respeito a uma Confissão de Fé, com a adução de citações e textos da Escritura”.
A Confissão foi aprovada pelo Parlamento somente em 1648, com o seguinte título: “Artigos de religião cristã, aprovados e sancionados por ambas as casas do Parlamento, segundo o conselho da Assembléia de teólogos ora reunida em Westminster por autoridade do Parlamento”.
A Confissão de Fé é uma expressão da teologia agostiniana e calvinista que há mais de um século vinha influenciando os teólogos ingleses. Especificamente, a forma da Confissão foi influenciada pelos chamados Artigos Irlandeses, elaborados pelo bispo Ussher em 1615. Quanto ao esquema teológico geral sob o qual os teólogos de Westminster agruparam suas principais doutrinas, trata-se do sistema conhecido como Teologia Federal ou Teologia do Pacto (Pacto das Obras e Pacto da Graça).
Como uma declaração da doutrina reformada e como uma afirmação do calvinismo do século 17, a Confissão de Fé é um documento extremamente moderado e judicioso. William Beveridge conclui: “Devemos agradecer a Deus por essa declaração sábia, completa e equilibrada de nossa fé, que chegou até nós como uma preciosa herança da Assembléia de Westminster”.
7. Eventos subseqüentes
Com o auxílio dos escoceses, as forças parlamentares lideradas por Oliver Cromwell esmagaram o rei Charles e seus exércitos. Cromwell e o exército inglês eram partidários do congregacionalismo; assim sendo, os presbiterianos foram expulsos do Parlamento em 1648. O rei foi decapitado na Torre de Londres em janeiro de 1649, sendo então criada a Comunidade (Commonwealth), tendo Cromwell como Lorde Protetor da Inglaterra e da Escócia.
Cromwell morreu em 1658 e dois anos depois foi restaurada a monarquia, com Carlos II no trono dos dois países. O episcopado foi restaurado, sendo aprovadas rígidas leis que impunham submissão ao governo e ao culto da Igreja da Inglaterra. Cerca de dois mil ministros presbiterianos foram expulsos de suas igrejas e residências. Seguiu-se um longo período de intolerância e cerceamento. Somente no século 19 foi organizada a Igreja Presbiteriana da Inglaterra (1876).
Na Escócia, os Padrões de Westminster foram prontamente adotados pela Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana, substituindo os antigos documentos que vinham desde a época de John Knox. Isso é notável se lembrarmos que a Assembléia de Westminster era composta de 121 ministros puritanos ingleses e apenas quatro ministros escoceses. Os presbiterianos escoceses agiram assim por causa dos méritos intrínsecos dos Padrões de Westminster e em especial devido ao seu desejo de promover a unidade entre os presbiterianos das Ilhas Britânicas. Através da imigração e do esforço missionário dos presbiterianos escoceses, esses padrões foram levados para a Irlanda do Norte, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Brasil e até aos confins da terra.
8. Relevância atual
Cromwell morreu em 1658 e dois anos depois foi restaurada a monarquia, com Carlos II no trono dos dois países. O episcopado foi restaurado, sendo aprovadas rígidas leis que impunham submissão ao governo e ao culto da Igreja da Inglaterra. Cerca de dois mil ministros presbiterianos foram expulsos de suas igrejas e residências. Seguiu-se um longo período de intolerância e cerceamento. Somente no século 19 foi organizada a Igreja Presbiteriana da Inglaterra (1876).
Na Escócia, os Padrões de Westminster foram prontamente adotados pela Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana, substituindo os antigos documentos que vinham desde a época de John Knox. Isso é notável se lembrarmos que a Assembléia de Westminster era composta de 121 ministros puritanos ingleses e apenas quatro ministros escoceses. Os presbiterianos escoceses agiram assim por causa dos méritos intrínsecos dos Padrões de Westminster e em especial devido ao seu desejo de promover a unidade entre os presbiterianos das Ilhas Britânicas. Através da imigração e do esforço missionário dos presbiterianos escoceses, esses padrões foram levados para a Irlanda do Norte, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Brasil e até aos confins da terra.
8. Relevância atual
A Confissão de Fé de Westminster é considerada uma das melhores e mais equilibradas exposições da fé reformada já escritas. Suas definições doutrinárias foram cuidadosamente elaboradas por alguns dos homens mais cultos e piedosos do século 17. Talvez a sua linguagem e algumas de suas ênfases pareçam estranhas à nossa mentalidade do início do século 21. Todavia, temos de reconhecer que a maior parte das suas formulações continuam plenamente válidas para os dias atuais. Embora seja um documento muito importante e valioso para os reformados, ela não está no mesmo nível da Escritura, ficando subordinada à mesma.
A Confissão de Fé pode ser considerada um pequeno manual de teologia bíblica. Seus 33 capítulos abordam os temas mais importantes da teologia cristã, conforme segue: a doutrina da Escritura Sagrada – cap. 1; a doutrina de Deus (ser e obras) – caps. 2-5; a doutrina do homem e da redenção – caps. 6-9; a doutrina da aplicação da salvação – caps. 10-15; a doutrina da vida cristã – caps. 16-19; a doutrina do cristão na sociedade – caps. 20-24; a doutrina da igreja – caps. 25-31; e a doutrina das últimas coisas – caps. 32-33.
Os principais temas da teologia reformada são abordados na Confissão de Fé de Westminster: (a) a autoridade das Escrituras – cap. 1; (b) a soberania de Deus e a eleição – caps. 3, 10; (c) o conceito do pacto – cap. 7; (d) a integração da doutrina com a vida cristã – cap. 16; (e) a relação entre lei e evangelho – cap. 19; (f) a importância da igreja e dos sacramentos – caps. 25-29; (g) o sistema de governo – cap. 31; (h) o relacionamento entre o reino de Deus e o mundo.
A Confissão de Fé pode ser considerada um pequeno manual de teologia bíblica. Seus 33 capítulos abordam os temas mais importantes da teologia cristã, conforme segue: a doutrina da Escritura Sagrada – cap. 1; a doutrina de Deus (ser e obras) – caps. 2-5; a doutrina do homem e da redenção – caps. 6-9; a doutrina da aplicação da salvação – caps. 10-15; a doutrina da vida cristã – caps. 16-19; a doutrina do cristão na sociedade – caps. 20-24; a doutrina da igreja – caps. 25-31; e a doutrina das últimas coisas – caps. 32-33.
Os principais temas da teologia reformada são abordados na Confissão de Fé de Westminster: (a) a autoridade das Escrituras – cap. 1; (b) a soberania de Deus e a eleição – caps. 3, 10; (c) o conceito do pacto – cap. 7; (d) a integração da doutrina com a vida cristã – cap. 16; (e) a relação entre lei e evangelho – cap. 19; (f) a importância da igreja e dos sacramentos – caps. 25-29; (g) o sistema de governo – cap. 31; (h) o relacionamento entre o reino de Deus e o mundo.
Entendendo a Confissão de fé de Westminster
O que a Confissão de Fé de Westminster diz sobre a interpretação das Escrituras
O neoliberalismo
Muitos estudiosos e teólogos modernos concordam que o antigo liberalismo, como movimento histórico do século passado, está agonizando. Entretanto, muitos dos pressupostos do antigo liberalismo quanto à interpretação das Escrituras têm sobrevivido e encontrado expressão em várias correntes teológicas e hermenêuticas que historicamente pertencem ao período pós-moderno.
O rótulo “neoliberalismo” tem sido aplicado a esse movimento teológico-hermenêutico que preserva alguns dos pressupostos racionalistas do antigo liberalismo e que se utiliza de conceitos da filosofia, hermenêutica, linguística e teologia pós-modernas. É particularmente o sistema de interpretação das Escrituras do neoliberalismo que se constitui um desafio urgente à doutrina reformada.
A hermenêutica neoliberal
De acordo com a hermenêutica neoliberal, é impossível alcançar-se o sentido original do texto bíblico. É possível explorar uma pretensa “reserva-de-sentidos” que há no texto da Bíblia, extraindo “sentidos” que dependerão das circunstâncias em que estivermos. Consequentemente, a hermenêutica neoliberal coloca a verdade apenas como um ideal a ser perseguido, ideal esse que jamais será alcançado com segurança aqui nessa vida. Como resultado, jamais poderemos ter certeza absoluta de que conhecemos a verdade. O máximo que poderemos fazer é afirmar com convicção um dos muitos sentidos que poderíamos encontrar no texto.
Partindo de algumas teorias modernas de linguística, essa hermenêutica sugere que os autores bíblicos poderiam ter escrito algo que não correspondia à sua intenção original. Exagera a distância entre o autor e o texto ao ponto de não podermos mais encontrar a intenção do autor nos textos.
Ainda postulam que a Bíblia nada mais é que uma interpretação da vida e do mundo feita por seus autores, uma maneira de interpretar a realidade. O texto bíblico é reduzido ao resultado da busca feita pelos seus autores de sentido na realidade e na história. Esse ensino fere frontalmente o conceito reformado de que a Bíblia, mesmo tendo sido escrita por homens situados no tempo e no espaço, é a revelação autoritativa de Deus, e a transforma numa tentativa humana de compreender a realidade.
Também afirma que é impossível termos conhecimento do sentido pleno e verdadeiro das Escrituras, já que o texto não tem um único sentido, pleno e verdadeiro, mas múltiplos sentidos. Seguindo o pluralismo religioso do pós-modernismo, rejeita o conceito de verdade proposicional (de que uma ideia possa ser verdadeira) e assim a possibilidade de alcançarmos a interpretação correta de uma passagem bíblica.
Desafios à teologia reformada
Essa abordagem interpretativa tem servido de ferramenta para o surgimento das teologias ideológicas, teologias feministas, de libertação e outras, já que transfere o sentido do autor e do texto para o leitor.
Tradicionalmente, a hermenêutica reformada reconhece a necessidade de aplicarmos o texto bíblico às diversas situações em que nos encontramos, mas vê essas aplicações não como “sentidos” novos e múltiplos de um mesmo texto, mas como a significação do sentido único de um texto para as diversas situações da vida.
As implicações da hermenêutica neoliberal acabam por tornar a mensagem das Escrituras inacessível à Igreja. De acordo com eles, acabamos sem Escritura, sem revelação, sem verdade e sem pregação, podendo no máximo pregar apenas uma interpretação nossa do texto mas jamais a verdade divina.
Se não podemos alcançar o sentido das Escrituras não nos resta qualquer base para a doutrina e a prática da igreja, para decisões teológicas, para o ensino doutrinário, para a ordem eclesiástica. Instala-se o caos onde cada um pode interpretar como queira as Escrituras, as decisões da Igreja e seus símbolos de fé.
Os princípios de interpretação de Westminster
Lembremos o que os puritanos escreveram sobre esse assunto na Confissão de Fé de Westminster. O capítulo I da Confissão trata das Escrituras, e neles, os puritanos expressaram suas convicções quanto à correta interpretação das Escrituras. Em resumo, são estas:
- Para evitar que Sua vontade e a verdade se perdessem pela corrupção dos homens e a malícia de Satanás, Deus fê-la escrever nas Escrituras Sagradas. A inspiração das Escrituras resulta no fato de que elas expressam fielmente a vontade de Deus, a verdade divina.
“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo” (CFW, I.1).Referências – Sl 19:1-4; Rm 1:32, e 2:1, e 1:19-20, e 2:14-15; 1 Co 1:21, e 2:13-14; Hb 1:1-2; Lc 1:3-4; Rm 15:4; Mt 4:4, 7, 10; Is 8:20; 1 Tm 3:15; 2 Pe 1:19.
- A possibilidade de conhecermos o sentido das Escrituras, sentido esse pretendido por Deus através do autor humano:
“Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela” (CFW, I.6).
- O Espírito Santo garante a compreensão salvadora das coisas reveladas na palavra de Deus, as Escrituras
“À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas” (CFW, I.6; ver Catecismo Maior pergunta 4)Ref. 2 Tm 3:15-17; Gl 1:8; 2 Ts 2:2; Jo 6:45; 1 Co 2:9, 10, 12; 1 Co 11:13-14.
- O sentido das Escrituras é tão claramente exposto e explicado que a suficiente compreensão das mesmas pode ser alcançada através dos meios ordinários (pregação, leitura e oração)
“Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas” (CFW, I.7)Ref. 2 Pe 3:16; Sl 119:105, 130; At 17:11.
- Há somente um sentido verdadeiro e pleno em cada texto da Escritura e não múltiplos sentidos, e esse sentido pode ser alcançado e compreendido pela Igreja
“A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente” (CFW, I.9)Ref. At 15:15; Jo 5:46; 2 Pe 1:20-21.
- Exatamente porque as Escrituras não têm sentidos múltiplos é que as mesmas são o supremo tribunal em controvérsias religiosas, aos quais a Igreja sempre deve apelar
“O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal” (CFW, I.8; cf. como exemplo XXIX.6).Ref. Mt 5:18; Is 8:20; 2 Tm 3:14-15; 1 Co 14; 6, 9, 11, 12, 24, 27-28; Cl 3:16; Rm 15:4.
- A vontade de Deus está claramente expressa nas Escrituras e ao alcance da igreja, de forma que a mesma pode distinguir entre culto aceitável a Deus e os que não são.
“A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras” (CFW, XXI,1)
- Apesar dos eleitos serem humanos e pecadores, recebem de Deus o que é necessário para compreenderem as coisas de Deus para a salvação
“Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça” (CFW X,1; ver também o Catecismo Maior, pergunta 157).
Conclusão:
Esse pequeno resumo dos princípios de interpretação bíblica que se encontram na Confissão de Fé de Westminster serve para mostrar que os puritanos, seguindo a linha de interpretação dos reformadores, entenderam que a única maneira de interpretar as Escrituras sem violar a sua integridade, propósito e escopo, era procurar entender o sentido que os autores humanos haviam pretendido transmitir. Reconheciam que essa nem sempre era uma tarefa fácil, mas confiavam que, com a ajuda da ação iluminadora do Espírito, do conhecimento das línguas originais e do contexto histórico, poderiam alcançar esse sentido. A teologia que temos na Confissão de Fé de Westminster é o resultado do emprego sistemático dessa hermenêutica.
quinta-feira, 18 de abril de 2019
PÁSCOA - Coelho ou Cordeiro???
A mesma noite da morte para os egípcios, foi a noite de libertação para os hebreus. Para uns o juízo, para outros a salvação. A diferença entre o juízo e o livramento, a morte e a vida, a condenação e a salvação foi o sangue do Cordeiro.
Israel estava debaixo do chicote do carrasco. Não apenas com as costas debaixo do açoite, mas também com os pés no barro e as mãos calejadas no trabalho. Eram 430 anos de amarga escravidão.
Deus ouve o clamor do seu povo e envia o seu mensageiro com uma mensagem expressa a Faraó: DEIXA O MEU O POVO IR.
Faraó endureceu o coração e oprimiu ainda mais o povo. Deus enviou dos céus dez pragas, exerceu juízo sobre todos os deuses do Egito, quebrou o orgulho de Faraó, fez abalar as pirâmides milenares e tirou o seu povo do cativeiro com mão forte e poderosa.
O golpe final de Deus foi a matança dos primogênitos. Aquela era a décima praga. O único meio de salvação daquele dilúvio de juízo era o sangue do Cordeiro. Não havia outro meio de livramento. A morte visitaria o palácio e as choupanas, pobres e ricos, velhos e crianças. O anjo do juízo passaria à meia-noite. Onde encontrasse o sangue, passaria por cima, mas onde não visse o sangue, o primogênito morreria inapelavelmente.
A Páscoa foi o dia da independência de Israel. A noite do terror dos egípcios, foi a noite da libertação do povo de Deus. A mesma mão que feriu uns, resgatou os outros. A Páscoa não apenas trouxe unidade para Israel, salvação para os seus filhos, mas também libertação do cativeiro. Israel se tornou livre para servir a Deus.
Qual é a mensagem da Páscoa?
A PÁSCOA MARCA UM NOVO COMEÇO PARA O POVO DE DEUS –
Israel estava debaixo do chicote do carrasco. Não apenas com as costas debaixo do açoite, mas também com os pés no barro e as mãos calejadas no trabalho. Eram 430 anos de amarga escravidão.
Deus ouve o clamor do seu povo e envia o seu mensageiro com uma mensagem expressa a Faraó: DEIXA O MEU O POVO IR.
Faraó endureceu o coração e oprimiu ainda mais o povo. Deus enviou dos céus dez pragas, exerceu juízo sobre todos os deuses do Egito, quebrou o orgulho de Faraó, fez abalar as pirâmides milenares e tirou o seu povo do cativeiro com mão forte e poderosa.
O golpe final de Deus foi a matança dos primogênitos. Aquela era a décima praga. O único meio de salvação daquele dilúvio de juízo era o sangue do Cordeiro. Não havia outro meio de livramento. A morte visitaria o palácio e as choupanas, pobres e ricos, velhos e crianças. O anjo do juízo passaria à meia-noite. Onde encontrasse o sangue, passaria por cima, mas onde não visse o sangue, o primogênito morreria inapelavelmente.
A Páscoa foi o dia da independência de Israel. A noite do terror dos egípcios, foi a noite da libertação do povo de Deus. A mesma mão que feriu uns, resgatou os outros. A Páscoa não apenas trouxe unidade para Israel, salvação para os seus filhos, mas também libertação do cativeiro. Israel se tornou livre para servir a Deus.
Qual é a mensagem da Páscoa?
A PÁSCOA MARCA UM NOVO COMEÇO PARA O POVO DE DEUS –
Um novo calendário, uma nova vida -
• O capítulo 12 de Êxodo é talvez o mais solene e importante de todo o Velho Testamento. Ele registra a instituição da Páscoa. O sacrifício da Páscoa inaugura um novo calendário: “Este mês vos será o principal dos meses…” (v. 2).
• A Páscoa era o começo de uma nova vida para o povo de Deus. A partir dali deixaram de ser escravos do Egito para serem peregrinos na direção da terra prometida. A Páscoa era o memorial de que ali cessava a escravidão e começava uma nova vida, livre!
• O mundo pensa que quando uma pessoa se converte, ela perde a vida. Mas a conversão não é o fim da vida, é o fim da escravidão. Ser cristão é deixar o Egito e começar a caminhar como um ser livre rumo à Canaã celestial.
• A Páscoa foi o começo de uma nova nação. Até então, Israel não era uma nação. Mas agora, livre, remido, esse povo torna-se o povo separado de Deus. A Páscoa nos mostra um novo começo, um novo calendário, um novo compromisso, uma nova jornada, um novo destino.
• O capítulo 12 de Êxodo é talvez o mais solene e importante de todo o Velho Testamento. Ele registra a instituição da Páscoa. O sacrifício da Páscoa inaugura um novo calendário: “Este mês vos será o principal dos meses…” (v. 2).
• A Páscoa era o começo de uma nova vida para o povo de Deus. A partir dali deixaram de ser escravos do Egito para serem peregrinos na direção da terra prometida. A Páscoa era o memorial de que ali cessava a escravidão e começava uma nova vida, livre!
• O mundo pensa que quando uma pessoa se converte, ela perde a vida. Mas a conversão não é o fim da vida, é o fim da escravidão. Ser cristão é deixar o Egito e começar a caminhar como um ser livre rumo à Canaã celestial.
• A Páscoa foi o começo de uma nova nação. Até então, Israel não era uma nação. Mas agora, livre, remido, esse povo torna-se o povo separado de Deus. A Páscoa nos mostra um novo começo, um novo calendário, um novo compromisso, uma nova jornada, um novo destino.
A PÁSCOA REVELA O PROJETO DE DEUS NA REDENÇÃO DA FAMÍLIA –
A família está no centro do projeto de Deus
• A família precisa celebrar a Páscoa junta (v. 3). A família precisa toda estar debaixo do sangue do Cordeiro (v. 7). A família toda precisava se alimentar do Cordeiro (v. 8). A família toda precisava celebrar este memorial nas suas gerações futuras (v. 14). A família toda precisa ter o compromisso de ensinar seus filhos sobre o significado da Páscoa (v. 26-27). A família toda obedeceu essa ordenança divina (v. 28).
• A família precisa celebrar a Páscoa junta (v. 3). A família precisa toda estar debaixo do sangue do Cordeiro (v. 7). A família toda precisava se alimentar do Cordeiro (v. 8). A família toda precisava celebrar este memorial nas suas gerações futuras (v. 14). A família toda precisa ter o compromisso de ensinar seus filhos sobre o significado da Páscoa (v. 26-27). A família toda obedeceu essa ordenança divina (v. 28).
A salvação da família exige a diligência dos pais
• Poderiam os pais deixarem seus primogênitos fora de casa naquela noite de juízo? Poderiam os pais negligenciar a ordem de Deus de sacrificar o Cordeiro e passar o seu sangue nas vergas das portas? Certamente nenhuma família dos hebreus descansou até ver todos os seus filhos debaixo do sangue.
• Poderiam os pais deixarem seus primogênitos fora de casa naquela noite de juízo? Poderiam os pais negligenciar a ordem de Deus de sacrificar o Cordeiro e passar o seu sangue nas vergas das portas? Certamente nenhuma família dos hebreus descansou até ver todos os seus filhos debaixo do sangue.
A salvação da família exige confiança plena na Palavra de Deus
• Imaginem se um pai dissesse: “Nós não cremos nessa religião que exige derramento de sangue. Não vamos matar o Cordeiro. Não vamos sujar nossas casas com sangue. Não acreditamos nessas superstições.” Se assim tivessem feito, enfrentariam o inevitável juízo de Deus. Deus fez exatamente o que avisou, como avisou, quando avisou. O juízo não foi sem alerta. Quem creu foi salvo. Quem não creu foi condenado.
• Imagine se um pai dissesse, não queremos que o sangue seja passado defronte da Casa, vamos passá-lo lá atrás, ou por dentro da casa, onde ninguém possa ver. Não quero que minha casa seja diferente das casas dos egípcios. Se assim fizesse, aquela casa teria sido visitado pelo anjo do juízo. Aqueles que se envergonham do sangue do Cordeiro, não podem ser salvos pelo Cordeiro.
• Imaginem se um pai dissesse: “Nós não cremos nessa religião que exige derramento de sangue. Não vamos matar o Cordeiro. Não vamos sujar nossas casas com sangue. Não acreditamos nessas superstições.” Se assim tivessem feito, enfrentariam o inevitável juízo de Deus. Deus fez exatamente o que avisou, como avisou, quando avisou. O juízo não foi sem alerta. Quem creu foi salvo. Quem não creu foi condenado.
• Imagine se um pai dissesse, não queremos que o sangue seja passado defronte da Casa, vamos passá-lo lá atrás, ou por dentro da casa, onde ninguém possa ver. Não quero que minha casa seja diferente das casas dos egípcios. Se assim fizesse, aquela casa teria sido visitado pelo anjo do juízo. Aqueles que se envergonham do sangue do Cordeiro, não podem ser salvos pelo Cordeiro.
A comunhão das famílias forma a grande congregação do povo de Deus –
• Embora havia muitas famílias, era apenas uma congregação (v. 3,6). Quando nos reunimos Deus nos vê individualmente como parte do Corpo, a igreja. Mas somos membros uns dos outros. O que fez de Israel uma nação, uma congregação, um povo, foi o sangue do Cordeiro. Nosso vínculo é o sangue!
• Embora havia muitas famílias, era apenas uma congregação (v. 3,6). Quando nos reunimos Deus nos vê individualmente como parte do Corpo, a igreja. Mas somos membros uns dos outros. O que fez de Israel uma nação, uma congregação, um povo, foi o sangue do Cordeiro. Nosso vínculo é o sangue!
A PÁSCOA MOSTRA QUE DEUS SALVA O SEU POVO ATRAVÉS DO CORDEIRO QUE FOI MORTO –
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro divinamente apontado –
• A pergunta de Isaque a Abraão: Onde está o Cordeiro? introduziu um dos principais temas do Velho Testamento, enquanto o povo aguardava o Messias. A pergunta foi respondida finalmente por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).
• Filipe disse para o eunuco que vinha lendo Isaías 53, que o Cordeiro era Jesus (At 8:35). Paulo disse para a igreja de Corinto que Cristo é o nosso Cordeiro Pascal (1 Co 5:7). Pedro disse que fomos remidos pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo (1 Pe 1:18-20). João o vê no céu e Jesus lhe é apresentado como o Cordeiro que foi morto, mas está vivo pelos séculos dos séculos (Ap 5:6).
• Jesus é o Cordeiro suficiente para uma pessoa (Gn 22:13-14). Jesus é o Cordeiro suficinete para uma família (Êx 12:3). Jesus é o Cordeiro suficiente para uma nação (Is 53:8). Jesus é o Cordeiro suficiente para o mundo inteiro (Jo 1:29).
• A pergunta de Isaque a Abraão: Onde está o Cordeiro? introduziu um dos principais temas do Velho Testamento, enquanto o povo aguardava o Messias. A pergunta foi respondida finalmente por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).
• Filipe disse para o eunuco que vinha lendo Isaías 53, que o Cordeiro era Jesus (At 8:35). Paulo disse para a igreja de Corinto que Cristo é o nosso Cordeiro Pascal (1 Co 5:7). Pedro disse que fomos remidos pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo (1 Pe 1:18-20). João o vê no céu e Jesus lhe é apresentado como o Cordeiro que foi morto, mas está vivo pelos séculos dos séculos (Ap 5:6).
• Jesus é o Cordeiro suficiente para uma pessoa (Gn 22:13-14). Jesus é o Cordeiro suficinete para uma família (Êx 12:3). Jesus é o Cordeiro suficiente para uma nação (Is 53:8). Jesus é o Cordeiro suficiente para o mundo inteiro (Jo 1:29).
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro sem defeito –
• Jesus é o Cordeiro perfeito. Ele é o Filho Amado do Pai, em quem o Pai tem o todo o seu prazer. Ele foi obediente até à morte e morte de cruz. Ele não escoiceou seus algozes, mas como ovelha muda foi para a cruz e intercedeu pelos transgressores.
• Ele não conheceu pecado (2 Co 5:21).
• Ele não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca (1 Pe 2:22)
• Ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado (1 Jo 3:5)
• Até seu traidor, disse que ele era inocente.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro Morto –
• Não é a vida do Cordeiro que salva. Não é o exemplo do Cordeiro que redime. Não é a presença do Cordeiro na família que livra da morte. O cordeiro tinha que ser morto. É a morte de Cristo que nos trouxe salvação. Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9:22).
• Algumas pessoas dizem que admiram a vida, o exemplo e os ensinos de Jesus. Outros põem sua confiança nos milagres de Jesus. Mas ninguém é salvo pelos ensinos de Jesus, mas sim, pelo seu sangue. É a morte de Cristo que nos trouxe salvação.
a) Mt 20:28 – Ele veio para dar a sua vida em resgate de muitos
b) Mt 26:28 – Este é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.
c) Ap 5:9 – Foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.
• Jesus foi o nosso substituto. Ele morreu em nosso lugar. Sua morte foi vicária, substitutiva. Ele morreu a nossa morte. Deus fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. O inocente morreu pelo culpado.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro do sangue aplicado –
• Não basta saber que o Cordeiro foi morto. Não é também o sangue do Cordeiro que livra do juízo, mas o sangue do Cordeiro aplicado. Deus disse: “Quando eu vir o sangue, passsarei por sobre vós” (v. 13).
• A apropriação da expiação precisa ser pessoal: “Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2:20).
a) O sangue é sinal de distinção – O que distinguia os egípcios dos israelitas naquela noite do juízo era o sangue. Na verdade só existem duas categorias de pessoas: os que pertencem à igreja dos comprados pelo sangue da redenção e aqueles que ainda estão debaixo de seus pecados. O que vai importar naquele dia não é a sua religião, suas obras, seus méritos, seus dons, mas se você está ou não debaixo do sangue.
b) O sangue é sinal de salvação – Onde o anjo da morte via o sangue não entrava, pois o sangue lhe dizia:“Aqui já foi realizado o juízo, aqui a obra já está feita”. Só o sangue do Cordeiro retinha a espada do juízo. Os filhos de Jacó não eram melhores, nem mais hábeis, nem mais santos, nem mais justos. O que os distinguia era o sangue. Quem está debaixo do sangue do Cordeiro está justificado. Agora já não há mais nenhuma condenação.
c) O sangue é sinal de segurança – O centro do Cristianismo é a cruz e o significado da cruz é a substituição. Cristo morreu por nós. Ele carregou os nossos pecados em seu próprio corpo. O castigo que nos trás a paz estava sobre ele. No sangue de Cristo temos segurança de perdão, de purificação.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro Sustentador –
• Aqueles que são salvos pelo sangue do Cordeiro, alimentam-se do Cordeiro. O sangue nos livra do cativeiro e da morte. O cordeiro nos sustenta para a caminhada rumo à Canaã celestial. Cristo é o alimento.
a) O conteúdo da refeição (v. 8) – A refeição da Páscoa era feita do Cordeiro assado, ervas amargas e pão sem fermento.
• O CORDEIRO ASSADO NO FOGO – O nosso Cordeiro sofreu na cruz o fogo da justiça de Deus. Cristo foi ferido e moído na cruz.
• ERVAS AMARGAS – falam do sofrimento que deixaram no Egito e das provas que teriam pela frente.
• PÃO SEM FERMENTO – O fermento é símbolo de impureza, pecado oculto, falso ensino (Mt 16:6-12), hipocrisia (Lc 12:1) e vida pecaminosa (1 Co 5:6-8).
b) A maneira de participar da refeição (v. 11) – A Páscoa precisa ser comida com pressa. Era hora de sair do Egito. Prontidão para marchar. Lombos cingidos, sandálias nos pés, e cajado na mão. Como-lo-eis à pressa. Deus tem pressa que você saia do Egito. Faraó quis deter o povo: 1) Sirvam a Deus no Egito mesmo (8:25); 2) Fiquem perto (8:28); 3) Fiquem os jovens (10:10,11); 4) Fiquem os rebanhos (10:24-26). Moisés não negocia. O Egito não é o lugar para o povo de Deus permanecer.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro Vivo – Ap 1:18
• O Apocalipse nos aponta o Cordeiro de Deus, como aquele que está vivo. Que está no trono. Que reina. Aquele diante de quem todo joelho se dobra.
• O Apocalipse nos aponta o Cordeiro que tem sete chifres, onipotente; que tem sete olhos, onisciente. O Cordeiro que voltará para julgar as nações.
A PÁSCOA É UM MEMORIAL A SER PERPETUADO A FIM QUE AS NOVAS GERAÇÕES CONHEÇAM A SALVAÇÃO DE DEUS –
• Jesus é o Cordeiro perfeito. Ele é o Filho Amado do Pai, em quem o Pai tem o todo o seu prazer. Ele foi obediente até à morte e morte de cruz. Ele não escoiceou seus algozes, mas como ovelha muda foi para a cruz e intercedeu pelos transgressores.
• Ele não conheceu pecado (2 Co 5:21).
• Ele não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca (1 Pe 2:22)
• Ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado (1 Jo 3:5)
• Até seu traidor, disse que ele era inocente.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro Morto –
• Não é a vida do Cordeiro que salva. Não é o exemplo do Cordeiro que redime. Não é a presença do Cordeiro na família que livra da morte. O cordeiro tinha que ser morto. É a morte de Cristo que nos trouxe salvação. Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9:22).
• Algumas pessoas dizem que admiram a vida, o exemplo e os ensinos de Jesus. Outros põem sua confiança nos milagres de Jesus. Mas ninguém é salvo pelos ensinos de Jesus, mas sim, pelo seu sangue. É a morte de Cristo que nos trouxe salvação.
a) Mt 20:28 – Ele veio para dar a sua vida em resgate de muitos
b) Mt 26:28 – Este é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.
c) Ap 5:9 – Foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.
• Jesus foi o nosso substituto. Ele morreu em nosso lugar. Sua morte foi vicária, substitutiva. Ele morreu a nossa morte. Deus fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. O inocente morreu pelo culpado.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro do sangue aplicado –
• Não basta saber que o Cordeiro foi morto. Não é também o sangue do Cordeiro que livra do juízo, mas o sangue do Cordeiro aplicado. Deus disse: “Quando eu vir o sangue, passsarei por sobre vós” (v. 13).
• A apropriação da expiação precisa ser pessoal: “Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2:20).
a) O sangue é sinal de distinção – O que distinguia os egípcios dos israelitas naquela noite do juízo era o sangue. Na verdade só existem duas categorias de pessoas: os que pertencem à igreja dos comprados pelo sangue da redenção e aqueles que ainda estão debaixo de seus pecados. O que vai importar naquele dia não é a sua religião, suas obras, seus méritos, seus dons, mas se você está ou não debaixo do sangue.
b) O sangue é sinal de salvação – Onde o anjo da morte via o sangue não entrava, pois o sangue lhe dizia:“Aqui já foi realizado o juízo, aqui a obra já está feita”. Só o sangue do Cordeiro retinha a espada do juízo. Os filhos de Jacó não eram melhores, nem mais hábeis, nem mais santos, nem mais justos. O que os distinguia era o sangue. Quem está debaixo do sangue do Cordeiro está justificado. Agora já não há mais nenhuma condenação.
c) O sangue é sinal de segurança – O centro do Cristianismo é a cruz e o significado da cruz é a substituição. Cristo morreu por nós. Ele carregou os nossos pecados em seu próprio corpo. O castigo que nos trás a paz estava sobre ele. No sangue de Cristo temos segurança de perdão, de purificação.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro Sustentador –
• Aqueles que são salvos pelo sangue do Cordeiro, alimentam-se do Cordeiro. O sangue nos livra do cativeiro e da morte. O cordeiro nos sustenta para a caminhada rumo à Canaã celestial. Cristo é o alimento.
a) O conteúdo da refeição (v. 8) – A refeição da Páscoa era feita do Cordeiro assado, ervas amargas e pão sem fermento.
• O CORDEIRO ASSADO NO FOGO – O nosso Cordeiro sofreu na cruz o fogo da justiça de Deus. Cristo foi ferido e moído na cruz.
• ERVAS AMARGAS – falam do sofrimento que deixaram no Egito e das provas que teriam pela frente.
• PÃO SEM FERMENTO – O fermento é símbolo de impureza, pecado oculto, falso ensino (Mt 16:6-12), hipocrisia (Lc 12:1) e vida pecaminosa (1 Co 5:6-8).
b) A maneira de participar da refeição (v. 11) – A Páscoa precisa ser comida com pressa. Era hora de sair do Egito. Prontidão para marchar. Lombos cingidos, sandálias nos pés, e cajado na mão. Como-lo-eis à pressa. Deus tem pressa que você saia do Egito. Faraó quis deter o povo: 1) Sirvam a Deus no Egito mesmo (8:25); 2) Fiquem perto (8:28); 3) Fiquem os jovens (10:10,11); 4) Fiquem os rebanhos (10:24-26). Moisés não negocia. O Egito não é o lugar para o povo de Deus permanecer.
O Cordeiro da Páscoa é o Cordeiro Vivo – Ap 1:18
• O Apocalipse nos aponta o Cordeiro de Deus, como aquele que está vivo. Que está no trono. Que reina. Aquele diante de quem todo joelho se dobra.
• O Apocalipse nos aponta o Cordeiro que tem sete chifres, onipotente; que tem sete olhos, onisciente. O Cordeiro que voltará para julgar as nações.
A PÁSCOA É UM MEMORIAL A SER PERPETUADO A FIM QUE AS NOVAS GERAÇÕES CONHEÇAM A SALVAÇÃO DE DEUS –
Conte para as futuras gerações o que Deus fez por você –
• A nova geração que iria entrar na terra prometida, poderia esquecer-se da amarga escravidão do Egito bem como dos poderosos feitos libertários de Deus. A celebração contínua da Páscoa era um instrumento pedagógico de Deus para manter viva na memória do povo, a história da redenção.
• A morte de Cristo na cruz é o nosso ÊXODO.
• O Cordeiro que foi morto, mas está vivo é o NOSSO ALIMENTO.
• Somos responsáveis a instruir a nova geração a conhecer a Deus, a amar a Deus e a alegrar-se nos seus poderosos feitos.
• A nova geração que iria entrar na terra prometida, poderia esquecer-se da amarga escravidão do Egito bem como dos poderosos feitos libertários de Deus. A celebração contínua da Páscoa era um instrumento pedagógico de Deus para manter viva na memória do povo, a história da redenção.
• A morte de Cristo na cruz é o nosso ÊXODO.
• O Cordeiro que foi morto, mas está vivo é o NOSSO ALIMENTO.
• Somos responsáveis a instruir a nova geração a conhecer a Deus, a amar a Deus e a alegrar-se nos seus poderosos feitos.
Conte para as pessoas que só aqueles que recebem o selo do pacto podem participar da Páscoa –
• Nenhuma pessoa pode alimentar-se de Cristo, antes de ser liberto e salvo pelo sangue de Cristo. Ninguém pode fazer parte da solene assembléia do povo de Deus, antes de reconhecer que precisa estar debaixo do sangue do Cordeiro.
• Comer sem discernir o Corpo é comer para o próprio juízo.
• A circuncisão era o selo da antiga da aliança, como o batismo é o selo da nova aliança. Só aqueles que se arrependem, crêem e são batizados são introduzidos nessa bendita assembléia dos remidos.
• Nenhuma pessoa pode alimentar-se de Cristo, antes de ser liberto e salvo pelo sangue de Cristo. Ninguém pode fazer parte da solene assembléia do povo de Deus, antes de reconhecer que precisa estar debaixo do sangue do Cordeiro.
• Comer sem discernir o Corpo é comer para o próprio juízo.
• A circuncisão era o selo da antiga da aliança, como o batismo é o selo da nova aliança. Só aqueles que se arrependem, crêem e são batizados são introduzidos nessa bendita assembléia dos remidos.
Tenha o cuidado de celebrar a Páscoa com santidade –
• Ao celebrarmos a Ceia do Senhor precisamos examinar o nosso coração, a nossa vida. O fermento é um símbolo do pecado oculto. Começa pequeno, age secretamente, mas espalha-se rapidamente. Ele cresce e incha e infiltra em toda a massa. Não podemos associar iniquidade com ajuntamento solene. Paulo diz: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem como fermento da maldade e da malícia e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (1 Co 5:7-8).
• Ao celebrarmos a Ceia do Senhor precisamos examinar o nosso coração, a nossa vida. O fermento é um símbolo do pecado oculto. Começa pequeno, age secretamente, mas espalha-se rapidamente. Ele cresce e incha e infiltra em toda a massa. Não podemos associar iniquidade com ajuntamento solene. Paulo diz: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem como fermento da maldade e da malícia e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (1 Co 5:7-8).
A PÁSCOA QUE CELEBRAMOS É A PÁSCOA DO SENHOR –
• 17 vezes o Senhor é mencionado em Êxodo 12. Ele é o centro da história da redenção.
1. Deus revelou o seu poder – v. 29-30
• À meia-noite, Deus visitou em juízo as casas dos egípcios. A Páscoa é um símbolo de rendenção para o povo de Deus e de juízo para os ímpios. A morte não respeitou posição nem poder nem idade. A morte não alcançou os israelitas porque eles estavam debaixo do sangue do Cordeiro pascal. Você está debaixo do sangue?
1. Deus revelou o seu poder – v. 29-30
• À meia-noite, Deus visitou em juízo as casas dos egípcios. A Páscoa é um símbolo de rendenção para o povo de Deus e de juízo para os ímpios. A morte não respeitou posição nem poder nem idade. A morte não alcançou os israelitas porque eles estavam debaixo do sangue do Cordeiro pascal. Você está debaixo do sangue?
2. Deus guardou a sua promessa – v. 31-36
• Deus havia falado tudo o que ia acontecer. Mas faraó endureceu o seu coração e não creu (Ex 11:1-8). Aqueles que obedeceram foram salvos. Os incrédulos perecem.
• Assim será no dia do juízo. Aqueles que crêem e correm para o abrigo do sangue do Cordeiro escaparão do furor da ira do Deus Todo-poderoso, mas aqueles que zombam do sangue do Cordeiro, perecerão. Passará os céus e a terra, mas a Palavra de Deus não passará.
• Deus havia falado tudo o que ia acontecer. Mas faraó endureceu o seu coração e não creu (Ex 11:1-8). Aqueles que obedeceram foram salvos. Os incrédulos perecem.
• Assim será no dia do juízo. Aqueles que crêem e correm para o abrigo do sangue do Cordeiro escaparão do furor da ira do Deus Todo-poderoso, mas aqueles que zombam do sangue do Cordeiro, perecerão. Passará os céus e a terra, mas a Palavra de Deus não passará.
3. Deus libertou o seu povo – v. 37-42,51
• Os israelitas saíram corajosamente do Egito, enquanto estes estavam sepultando os seus mortos (Nm 33:3-4). 600 mil homens, 2 milhões de pessoas. O Êxodo foi a maior demonstração da libertação de Deus na vida de Israel, símbolo da nossa redenção.
• Os israelitas saíram corajosamente do Egito, enquanto estes estavam sepultando os seus mortos (Nm 33:3-4). 600 mil homens, 2 milhões de pessoas. O Êxodo foi a maior demonstração da libertação de Deus na vida de Israel, símbolo da nossa redenção.
CONCLUSÃO
• A Páscoa deve levar-nos a uma profunda investigação, a fim de saber se de fato todos os membros da família estão debaixo do sangue – v. 22
• A Páscoa deve levar-nos a um compromisso familiar de explicar para os nossos filhos o que Deus fez por nós. Quem ele é para nós – v. 26,27.
• A Páscoa deve levar-nos à adoração – v. 27.
• A Páscoa deve levar-nos a um compromisso familiar de explicar para os nossos filhos o que Deus fez por nós. Quem ele é para nós – v. 26,27.
• A Páscoa deve levar-nos à adoração – v. 27.
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