Como podemos definir DEUS?
Deus não pode ser definido por uma palavra ou por uma frase. Portanto, é necessário que tentemos, mesmo que de forma limitada, descrever as “qualidades de Deus”, ou o que chamamos de seus “atributos”.
Essa descrição é limitada, pois Deus é INCOMPREENSÍVEL a nós. Por isso, o descrevemos com base apenas no que ele nos REVELOU a seu respeito. Tais descrições apontam igualmente para o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Os atributos de Deus são os aspectos do seu caráter.
Para entendermos melhor os Atributos de Deus, analisamos e classificamos tais aspectos no que chamamos de 'CATEGORIAS DOS ATRIBUTOS DIVINOS'. São eles:
A) Atributos naturais e morais
De modo apenas didático, os atributos naturais de Deus envolvem sua essência (ex.: eternidade, imutabilidade) e os atributos morais, sua vontade (ex.: santidade, justiça).
B) Atributos incomunicáveis e comunicáveis
Os atributos incomunicáveis são aqueles exclusivos de Deus, como a eternidade e a onipotência. Apenas ele tem essas qualidades e elas não foram transmitidas (comunicadas) a nenhum ser criado. Deus não compartilhou tais atributos com o homem. Os atributos comunicáveis, por sua vez, foram impressos na humanidade na criação: são a inteligência, a vontade e a moralidade, entre outros.
OS ATRIBUTOS DE DEUS:
- AMOR
O amor envolve afeição, mas também envolve atitude de entrega, cuidado e correção. O amor busca o bem do ser amado e paga o preço pela promoção desse bem.
A Bíblia declara que “Deus é amor” (1Jo 4.8). Em relação ao homem, esse amor se revela no fato de Deus se permitir amar os pecadores. Isso é graça (Ef 2.4-8). O amor foi derramado no coração do cristão (Rm 5.5) e quando Deus corrige, demonstra amor pelos seus filhos (Hb 12.6,7).
Algumas características ligadas intimamente ao amor, até mesmo fazendo parte dele, são: bondade, misericórdia, longanimidade e graça.
· A bondade divina pode ser definida como a preocupação benevolente com suas criaturas (At 14.17).
· A misericórdia é o aspecto da bondade que faz Deus demonstrar piedade e compaixão (Ef 2.4,5).
· A longanimidade fala sobre o controle diante das provocações (1Pe 3.20).
· Graça é o favor imerecido de Deus demonstrado primariamente pela pessoa e obra de Jesus Cristo (2Tm 1.9).
O fato de Deus ser amor não é base para o “universalismo”, ou seja, que, no final, ele acabará salvando todas as pessoas. O amor NÃO anula outros atributos de Deus como SANTIDADE e JUSTIÇA. Tal HERESIA é totalmente contraditória ao ensino bíblico (Mc 9.45-48).
ETERNIDADE
O atributo da eternidade significa que Deus não tem começo nem fim. Sua existência é eterna, tanto no passado como no futuro, sem interrupções ou limitações causadas por uma sucessão de eventos.
A autoexistência de Deus está intimamente ligada com sua eternidade, pois, por não ter começo, ele não foi criado por outro, existindo por si só.
A Bíblia fala da eternidade de Deus (Sl 90.2; Gn 21.33).
Uma das implicações da eternidade de Deus é que ela nos dá muito conforto, visto que ele nunca deixará de existir e que seu controle sustentador e providencial de todas as coisas e eventos está assegurado.
IMUTABILIDADE
Significa que Deus não muda. Não quer dizer que ele esteja imóvel ou inativo, mas que não se altera, cresce ou se desenvolve.
A Bíblia ensina sobre a imutabilidade de Deus (Ml 3.6; Tg 1.17).
Um problema levantado dentro desse assunto é: “Deus se arrepende?” (Gn 6.6). Na verdade, tal linguagem não corresponde ao que, como homens, vivenciamos no arrependimento. Tanto a imutabilidade como a sabedoria e onisciência de Deus tornam vazias as ideias de que ele muda seus planos eternos ou que se arrepende de algo que fez. Nesse caso, o arrependimento é mais uma linguagem antropomórfica (ver Gn 6.6 no que fala do “coração” de Deus).
Há também o problema de vermos Deus tratando fatos iguais de maneiras diferentes durante a história. Isso também não quer dizer que Deus mude, mas que ele executa seu plano para com o homem durante a história conforme seus eternos propósitos.
A imutabilidade de Deus também nos conforta e encoraja, pois sabemos que suas promessas não falharão (Ml 3.16; 2Tm 2.13). Deus também mantém sempre a mesma atitude contra o pecado.
- INFINITUDE
Significa que Deus não tem limites ou limitações. Não é limitado nem pelo TEMPO, nem pelo ESPAÇO.
As Escrituras descrevem essa qualidade divina (1Rs 8.27; At 17.24-28).
Infinitude não é o mesmo que onipresença. A infinitude aponta mais para a transcendência de Deus (já que não está limitado pelo espaço) e a onipresença aponta para a imanência de Deus (já que está presente em todos os lugares).
- JUSTIÇA
A justiça está ligada à lei, à moralidade e à retidão. Deus é reto em relação a si mesmo e em relação à criação.
A Bíblia muito enaltece a JUSTIÇA de Deus (Sl 11.7; 19.9; Dn 9.7; At 17.31).
- LIBERDADE
Deus independe das suas criaturas e da sua criação. Não há qualquer criatura que IMPEÇA Deus ou que o OBRIGUE a algo.
Isaías expõe a liberdade e a independência de Deus com uma pergunta retórica (Is 40.13,14). Jesus mostrou que Deus exerce sua liberdade ao executar LIVREMENTE sua VONTADE (Mt 11.26).
Isso significa que Deus é livre para tudo? Na verdade, ele é limitado apenas pela sua própria NATUREZA. Assim, a SANTIDADE dele o impede de PECAR e a ETERNIDADE dele o impede de MORRER. A perfeição de Deus NÃO é afetada por esse tipo de limitação e sim mantida.
A liberdade de Deus nos mostra que ele NÃO tem quaisquer obrigações para conosco a menos que ele mesmo queira se comprometer. Desse modo, não temos qualquer direito de fazer cobranças a Deus.
- ONIPOTÊNCIA
Deus pode fazer qualquer coisa compatível com sua própria natureza. Mesmo podendo tudo, o que ele escolhe fazer ou não tem motivos que só ele conhece.
A Bíblia está repleta de textos que falam sobre a onipotência de Deus (Gn 17.1; Ex 6.3; 2Co 6.18; Ap 1.8).
A onipotência de Deus tem limites? Sim, em três áreas:
· Limitações naturais (Tt 1.2; Tg 1.13, 2Tm 2.13).
· Limitações autoimpostas (Gn 9.11; At 12.2).
· Limitações por definição (ex.: 2+2=6 ou um triângulo de 4 pontas).
Essas limitações não tornam Deus imperfeito. Sua perfeição tem a COERÊNCIA como fator INTEGRANTE. A perfeição de Deus NÃO permite que ele se torne IMPERFEITO no uso da sua ONIPOTÊNCIA. O mais importante é que Deus NÃO pode fazer COISAS ERRADAS.
Em relação ao cristão, o poder de Deus é principalmente relevante quanto ao Evangelho (Rm 1.16), à segurança (1Pe 1.5) e à ressurreição (1Co 6.14).
- ONIPRESENÇA
Significa que Deus está presente em todos os lugares.
O texto clássico sobre a onipresença de Deus é (Sl 139.7-10).
Onipresença NÃO é o mesmo que “panteísmo”, que iguala o universo a Deus. Há distinção entre Deus e a criação, apesar de a sua presença estar em toda parte. Ele não se torna DIFUSO ou TRANSPOSTO pelo universo.
Aprendemos com a onipresença que ninguém pode fugir de Deus e que ele está presente em todas as CIRCUNSTÂNCIAS da nossa vida.
- ONISCIÊNCIA
Deus sabe todas as coisas de modo PLENO sem esforço algum. Não há coisas ou assuntos que ele NÃO conheça melhor que outros. Ele conhece tudo igualmente bem. Deus nunca tem dúvidas, nem busca respostas (a não ser quando, de modo didático, inquire os homens para o próprio bem deles).
As Escrituras enaltecem o conhecimento ILIMITADO de Deus (Sl 139.16; 147.4).
O fato de sabermos sobre a onisciência de Deus deve nos trazer segurança, conforto e sobriedade (Hb 4.13).
- SANTIDADE
Significa que Deus é SEPARADO de TUDO que é INDIGNO ou IMPURO e que, ao mesmo tempo, é COMPLETAMENTE PURO e DISTINTO de todos os outros.
A santidade foi muito enfatizada por Deus no tempo do AT (Lv 11.44; Is 40.25; Hc 1.12). No NT, a santidade é uma qualidade marcante de Deus (Jo 17.11; 1Pe 1.15,16; Ap 4.8).
A santidade de Deus torna necessário o AFASTAMENTO entre ele e os PECADORES — a menos que estes sejam feitos santos por intermédio dos méritos de Cristo.
A santidade divina deve fazer o cristão ser SENSÍVEL ao seu PECADO (Is 6.3,5; Lc 5.8). A santidade dele o torna PADRÃO para nossa VIDA e CONDUTA (1Jo 1.7).
- SIMPLICIDADE
Significa que Deus NÃO é um ser COMPOSTO nem tem partes DISTINTAS. Está relacionada à ESSÊNCIA de Deus e NÃO é CONTRÁRIA à doutrina da Trindade. Apesar de ser TRIÚNO, Deus NÃO é COMPOSTO de muitas PARTES ou SUBSTÂNCIAS.
Um aspecto da simplicidade de Deus é “Deus é espírito” (Jo 4.24). Em contraste, os seres humanos são tanto ESPÍRITO como MATÉRIA. Na encarnação, Jesus se tornou carne, mas o Deus-homem sempre foi ESPÍRITO.
Isso nos garante que Deus sempre será Espírito e nos capacita a adorá-lo em espírito, isto é, não de maneiras materiais.
- SOBERANIA
Significa, em primeiro lugar, que Deus é o SER SUPREMO do UNIVERSO e, em segundo lugar, que ele é o PODER SUPREMO do UNIVERSO.
Deus exerce o PODER TOTAL sobre TODAS as COISAS, mesmo que possa escolher deixar que tudo aconteça seguindo LEIS NATURAIS que ele mesmo ESTABELECEU.
A Bíblia revela que Deus tem um PLANO ABRANGENTE (Ef 1.11), que TUDO está sob o CONTROLE dEle (Sl 135.6), mesmo o MAL, ainda que o Senhor NÃO se ENVOLVA com ele (Pv 16.4) e que seu principal OBJETIVO é o LOUVOR da sua GLÓRIA (Ef 1.14). Alguns problemas levantados são:
· A soberania de Deus ANULA a responsabilidade do homem?
· Por que a soberania de Deus PERMITE a EXISTÊNCIA do MAL?
Aos nossos olhos, essas questões são CONTRADIÇÕES, mas essa visão é apenas APARENTE. De modo misterioso a nós, a soberania de Deus NÃO ANULA a RESPONSABILIDADE do homem e vice-versa (Fl 2.12,13). Quanto ao PECADO, um dia Deus irá puni-lo. Mas, por agora, de algum modo, faz parte do PLANO de Deus (caso contrário, não seria soberano), sendo que o Senhor NÃO o CRIOU (caso contrário, não seria santo) (Rm 9.21-23).
- UNIDADE
Significa que só existe um Deus e que ele é INDIVISÍVEL.
Essa qualidade foi especialmente enfatizada no AT (Dt 6.4). O NT, mesmo trazendo uma clara revelação da Trindade, afirma a UNIDADE de Deus (Ef 4.6; 1Co 8.6; 1Tm 2.5).
Isso quer dizer que as pessoas da Trindade NÃO são ESSÊNCIAS SEPARADAS.
- VERDADE
Quer dizer que Deus é COERENTE consigo mesmo, que ele é tudo que deveria ser, que ele se REVELOU como realmente é e que sua REVELAÇÃO é TOTALMENTE CONFIÁVEL.
Deus é o ÚNICO Deus VERDADEIRO (Jo 17.3), portanto, NÃO pode MENTIR (Tt 1.2) e é sempre CONFIÁVEL. Deus NÃO pode fazer nada que CONTRADIGA sua PRÓPRIA NATUREZA e NÃO é possível que QUEBRE sua PALAVRA ou que NÃO cumpra suas PROMESSAS (2Tm 2.13).
Como sabemos que Deus existe?
Explicação e Base Bíblica – A
resposta pode ser dada em duas partes: primeira, todas as pessoas
têm uma INTUIÇÃO ÍNTIMA de Deus. Segunda, CREMOS nas PROVAS
encontradas nas ESCRITURAS e na NATUREZA.
Todas as pessoas de qualquer lugar têm uma profunda intuição
íntima de que Deus existe, de que são criaturas de Deus e de que ele
é seu Criador. Paulo diz que mesmo os gentios descrentes tinham
“conhecimento de Deus”, mas não o honravam como Deus nem lhe
eram gratos (Rm 1:21).
Além da consciência íntima de Deus, que dá claro testemunho do
fato de que ele existe, encontramos claras evidências da sua
existência nas Escrituras e na natureza.
As provas de que Deus existe se encontram, logicamente,
disseminadas por toda a Bíblia. De fato, a Bíblia sempre pressupõe
que Deus existe. O primeiro versículo não apresenta provas da
existência de Deus, mas passa imediatamente a nos narrar o que ele
fez: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Se nos convencemos
de que a Bíblia é verdadeira, então sabemos com base nela não só
que Deus existe, mas também muita coisa sobre sua natureza e seus
atos.
O mundo também dá farto testemunho da existência de Deus.
Paulo diz que a eterna natureza e divindade de Deus são claramente
percebidas “por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1:20).
Também temos as “provas” tradicionais da existência de Deus, arquitetadas por
filósofos cristãos (e alguns não cristãos) de várias épocas da história,
são de fato tentativas de analisar as evidências, especialmente as
evidências da natureza, de modos extremamente cuidadosos e
logicamente precisos, a fim de convencer as pessoas de que não é
racional rejeitar a idéia de que Deus existe.
A maior parte das provas tradicionais da existência de Deus pode
ser classificada em quatro tipos importantes de argumento:
1- O Argumento Cosmológico - Considera o fato de que toda coisa
conhecida do universo tem uma causa. Portanto, arrazoa o
argumento, o próprio universo deve também necessariamente ter
uma causa, e a causa de um universo tão grandioso só pode ser
Deus.
2- O Argumento Teleológico – É na verdade uma subcategoria do
argumento cosmológico. Concentra-se na evidência da harmonia, da
ordem e do planejamento no universo, e argumenta que esse
planejamento dá provas de um propósito inteligente (a palavra grega
telos significa “fim”, “meta” ou “propósito”). Como o universo parece
ter sido planejado com um propósito, deve necessariamente existir
um Deus inteligente e determinado que o criou para funcionar assim.
3- O Argumento Ontológico – Parte da idéia de Deus, definido
como um ser “maior do que qualquer coisa que se possa imaginar”.
Depois arrazoa que a característica da existência deve pertencer a tal
ser, pois maior é existir que não existir.
4- O Argumento Moral – Parte do senso humano do certo e do
errado, e da necessidade da imposição da justiça, e raciocina que
deve necessariamente existir um Deus que seja a fonte do certo e do
errado e que vai algum dia impor a JUSTIÇA a TODAS as pessoas.
Como todos esses argumentos se baseiam em fatos sobre a
criação que realmente são verdadeiros, podemos dizer que todas
essas provas (quando cuidadosamente formuladas) são, num sentido
objetivo, provas válidas.
São válidas porque avaliam corretamente as evidências e ponderam com acerto, chegando a uma conclusão verdadeira: de fato, o universo realmente tem Deus como causa, realmente dá provas de um planejamento deliberado, Deus realmente existe como ser maior do que qualquer coisa que se possa imaginar e ele realmente nos deu um senso do certo e do errado e um senso de que seu juízo virá algum dia.
Finalmente, é preciso lembrar que neste mundo pecador Deus
precisa POSSIBILITAR que nos convençamos, senão jamais
creríamos nele. Lemos que “o deus deste século cegou o
entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz
do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4:4). Não obstante, Paulo diz
que “visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co 1:21).
Se pretendemos conhecer a Deus, antes é necessário que ele se
REVELE a nós. Mesmo discutindo a REVELAÇÃO de Deus que vem da
natureza, Paulo diz que o que podemos conhecer sobre Deus está
claro às pessoas “porque Deus lhes manifestou” (Rm 1:19). A CRIAÇÃO NATURAL revela Deus porque ele mesmo decide REVELAR-SE assim.
Como Deus é INFINITO, e nós, FINITOS e LIMITADOS, jamais poderemos compreender PLENAMENTE a Deus. Nesse sentido, podemos dizer que Deus é incompreensível, ou seja, “que não pode ser plenamente compreendido”. Esse sentido precisa ser claramente distinguido do significado mais comum, “que não pode ser compreendido”. NÃO é verdade dizer que Deus NÃO pode ser compreendido, mas, sim, dizer que ele NÃO pode ser compreendido PLENA ou EXAUSTIVAMENTE.
Embora NÃO possamos conhecer EXAUSTIVAMENTE a Deus, podemos conhecer coisas VERDADEIRAS sobre ele. De fato, TUDO o que as Escrituras nos falam sobre Deus é VERDADEIRO. É verdade dizer que Deus é AMOR (1Jo 4:8), que Deus é LUZ (1Jo 1:5), que Deus é ESPÍRITO (Jo 4:24), que Deus é JUSTO ou RETO (Rm 3:26) e assim por diante.
Dizer isso NÃO implica nem exige que saibamos tudo sobre Deus, ou sobre seu amor, ou sobre sua justiça ou sobre qualquer outro atributo.
Segundo a visão cristã, a negação de Deus ou o conceito errado sobre ele produzirá desajustes e quedas na vida de uma pessoa. Já o conceito correto sobre Deus trará equilíbrio e sensatez.
Obviamente os crentes aceitam sem reservas o fato da existência
de Deus. Crendo na VERACIDADE da Bíblia, NÃO pode negar o Deus
que ela apresenta.
Assim, numa sociedade em que o ATEÍSMO FILOSÓFICO e PRÁTICO FINGE ser INCONTESTÁVEL, os discípulos de Jesus caminham na CONTRAMÃO
das TENDÊNCIAS SECULARES, proclamando a REALIDADE de um Deus
criador, amoroso e santo com quem é possível o homem se relacionar e, por meio disso, desfrutar de notável satisfação.
Os cristãos também acreditam que o fato de alguém RECONHECER ou NÃO o Deus das Escrituras Sagradas INFLUENCIA DIRETAMENTE não somente a sua RELIGIOSIDADE, mas também o estilo de VIDA que adota, o qual
abrange seu modo de PENSAR, FALAR e AGIR. O ateísmo, segundo
entendem, é, portanto, perigoso, uma vez que lança o homem num
VÁCUO MORAL, longe de qualquer fundamento ético SÓLIDO sobre o qual possa construir sua VIDA e CONDUTA.
Fica claro, portanto, que a crença em Deus e a CONCEPÇÃO SADIA acerca dele NÃO são meras questões filosófico-religiosas, mas constituem fatores DETERMINANTES da FELICIDADE e do BOM VIVER do ser humano.
Ainda sobre a existência de Deus, vale ressaltar que a Bíblia NÃO discute a existência de Deus. Antes, simplesmente a
afirma logo em seu primeiro versículo (Gn 1:1), dizendo
posteriormente que é POSSÍVEL perceber que Deus existe por meio da
CRIAÇÃO e da PROVIDÊNCIA (At 14:17; Rm 1:20), sendo isso tão ÓBVIO que somente os INSENSATOS são capazes de dizer que NÃO há Deus (Sl 14:1).
Por causa disso, os argumentos a seguir, já tratados anteriormente, não foram desenvolvidos na Bíblia. Em vez disso, foram elaborados por teólogos do passado
que perceberam que a existência de Deus pode ser COMPROVADA pelo
simples USO da RAZÃO.
Temos visto, que há, basicamente, quatro ARGUMENTOS LÓGICOS que são usados para defender a existência de Deus. Veja-os a seguir de maneira mais simplificada :
O Argumento Cosmológico – Esse argumento afirma que existe um
mundo (Gr. Kosmos). Logo, ALGO ou ALGUÉM deve tê-lo CAUSADO, pois
NÃO existe EFEITO sem CAUSA. Ademais, numa cadeia ininterrupta de
CAUSAS e EFEITOS, chega-se fatalmente a uma CAUSA ORIGINAL NÃO
CAUSADA. Essa causa primária só pode ser Deus. Os principais
expoentes desse argumento foram Aristóteles e Tomás de Aquino.
O Argumento Teleológico - Aponta para o fato de que as coisas que
existem no universo têm um propósito ou finalidade (Gr.telos). Além
disso, tudo revela um arranjo ordenado num grau de harmonia e
organização surpreendentes. Obviamente, um sistema harmonioso, funcional e que atende a inúmeras finalidades não pode ter como causa uma força impessoal (como uma explosão, por exemplo) ou o
acaso. De fato, somente uma mente inteligente pode originar
sistemas tão complexos como os encontrados no universo. Essa
“mente” só pode ser Deus.
O Argumento Ontológico - Foi proposto inicialmente por Anselmo de Canterbury (c.1033-1109). Parte da afirmação de que a crença em Deus é universal, sendo certo que todo homem tem em si a idéia de um Ser Perfeito. Segundo Anselmo, se o homem concebesse a idéia
de um Ser Perfeito que não existe, esse ser não seria perfeito, dada a
sua inexistência. Logo, o Ser Perfeito deve existir.
O Argumento Antropológico e Moral - Esse argumento realça que o homem NÃO é apenas um ser físico, mas também um ente dotado de CONSCIÊNCIA, senso MORAL, INTELECTO, EMOÇÕES e VONTADE. Esses
fatores PSÍQUICOS e MORAIS NÃO podem ter como CAUSA uma FORÇA CEGA ou meros COMPONENTES FÍSICO-QUÍMICOS.
Além disso, a crença na divindade é inerente ao homem. Tudo isso só encontra explicação no
fato de o ser humano ter sido criado à imagem e semelhança de um
Deus santo e pessoal que imprimiu nele algumas de suas marcas.
Vimos que "Atributo" é uma qualidade própria de um ser. Por atributos de Deus entendem-se as propriedades que pertencem ao seu ser e que consequentemente o CARACTERIZAM. Seus atributos são perfeições que lhe são atribuídas nas Escrituras e que podem ser verificadas nas obras da CRIAÇÃO, PROVIDÊNCIA e REDENÇÃO.
Como os atributos de Deus são vários, os estudiosos os dividem em dois grupos: os ATRIBUTOS NATURAIS e os ATRIBUTOS MORAIS.
Vimos que "Atributos Naturais" são atributos ligados á existência de Deus, ou seja, àquilo que ele é em si mesmo. Os atributos naturais são os seguintes:
VIDA – Deus é um ser vivo. Ele PENSA, SENTE e AGE. Sua vida é
INFINITA. Ele JAMAIS morrerá (Jr 10:10; Mt 16:16; Jo 5:26; 1Ts 1:9).
ESPIRITUALIDADE - Deus é Espírito. Ele NÃO tem corpo, sendo,
portanto, INVISÍVEL (Dt 4:15; Jo 4:24; 1 Tm 1:17).
PERSONALIDADE – Deus é PESSOAL. Isto NÃO significa que ele
existe em um corpo como as pessoas comuns, mas sim que ele tem
uma PERSONALIDADE, sendo dotado de INTELECTO (ou inteligência),
EMOÇÕES e VONTADE (Êx 4:14; Rm 8:28; Rm 11:33-36; Ef 1:8-9).
AUTOEXISTÊNCIA - Deus existe por si mesmo. Ele NÃO foi CAUSADO.
Sua vida NÃO provém de nada que não seja ele mesmo. É necessário
frisar também que ele NÃO se AUTOCRIOU (Êx 3:14; Jo 5:26).
ETERNIDADE – Deus NÃO tem começo e nem fim. Ele existe e
sempre existiu ETERNAMENTE. Ele está acima do tempo (Sl 90:2; Hb 1:10-12; Ap 1:8).
ONISCIÊNCIA - Deus CONHECE TODAS as coisas. NÃO há nada que ele possa ou tenha que aprender. Seu conhecimento é infinito e completo (Is 40:28; Rm 11:33; Hb 4:13). Ele sabe o que aconteceu, o que
acontece, o que acontecerá e o que aconteceria (Sl 139:3-4; Mt 11:21-23).
ONIPOTÊNCIA - Deus tem poder ILIMITADO. Ele pode fazer tudo que
deseja e que planejou EXECUTAR sem que nada o IMPEÇA ou DIFICULTE
suas AÇÕES (Jó 42:2; Jr 32:17; Sl 115:3; Mt 19:26). Entretanto, todo o seu poder é coerente com seu CARÁTER SANTO e sua NATUREZA INFINITA.
Desse modo, há coisas que Deus NÃO pode fazer, como MENTIR,
MORRER ou CRIAR um ser melhor que ele próprio (Tt 1:2; Hb 6:18).
ONIPRESENÇA - Deus está presente em TODOS os LUGARES. Não se
pode FUGIR de sua PRESENÇA. Isso NÃO significa que Deus está contido em sua CRIAÇÃO, mas sim, que NÃO existe lugar algum em TODO o UNIVERSO onde ele NÃO ESTEJA (Sl 139:7-10; Jr 23:23-24).
IMUTABILIDADE - Deus NÃO MUDA. Ele permanece sempre o
mesmo. Seu relacionamento com as pessoas as TRANSFORMA, mas ele
mesmo NUNCA é TRANSFORMADO. De fato, NADA lhe pode ser
ACRESCENTADO ou TIRADO. Sua imutabilidade é real porque ele é
PERFEITO, NÃO havendo nada em seu ser que precise mudar (Sl 102:27; Ml 3:6; Tg 1:17).
Os Atributos Morais:
São os atributos ligados ao caráter infinitamente IMACULADO de
Deus. Podem ser resumidos em dois:
SANTIDADE – Deus é ABSOLUTAMENTE SANTO. Ele está SEPARADO de
tudo o que é MAU e IMPURO. Ele é PERFEITO, PURO e ÍNTEGRO em seu caráter (Is 6:3; 1Pe 1:15-16; 1Jo 1:5; Hb 6:18).
A santidade de Deus se manifesta por meio de sua RETIDÃO, ou seja,
ele FAZ e EXIGE o que é RETO (Sl 25:8). Também por meio de sua
JUSTIÇA, que é a EXECUÇÃO das PENALIDADES contra o PECADO (Sl 11:4-
7), a santidade de Deus se evidencia.
AMOR - Deus ama suas criaturas. Ele se preocupa com o bem-estar
delas. Movido pelo amor, DEUS SAI em busca do homem e procura se
relacionar com ele, mesmo quando isso envolve SACRIFÍCIO (Is 63:9; Jo
3:16; 1Jo 4:16). O amor de Deus se manifesta também por meio de
sua MISERICÓRDIA, que é a disposição que tem de NÃO aplicar a pena
que o PECADO MERECE, e por meio da sua GRAÇA, que é a disposição
que tem de dar aquilo que o PECADOR NÃO MERECE (Ef 2:8).
Outros Importantes Atributos De Deus São:
SOBERANIA – Deus REINA ABSOLUTO sobre TODO UNIVERSO, governando-o com sua infinita SABEDORIA e sem ter que OFERECER EXPLICAÇÕES a ninguém acerca de seus ATOS (Jó 40:1-9; Rm 9:20).
LIBERDADE - Sendo SOBERANO e DONO de TUDO, Deus é LIVRE para
FAZER o que QUISER, sendo IMPOSSÍVEL que ultrapasse seus “direitos”, uma vez que NÃO HÁ LIMITES para sua AUTORIDADE (Is 46:9-10; Rm 9:21).
AUTOSSUFICIÊNCIA - Deus NÃO PRECISA de NADA nem de NINGUÉM.
Quando ele REALIZA ou ORDENA algo, NÃO o FAZ para SUPRIR alguma
NECESSIDADE SUA, MAS para MANIFESTAR LIVREMENTE seu AMOR, SABEDORIA, PODER e GRAÇA aos homens (At 17:24-25).
A Tri-Unidade:
Deus é um ser em três pessoas. Pai, Filho e Espírito Santo são
pessoas distintas, que se interrelacionam numa única essência. Essa
doutrina não pode ser entendida pela lógica humana, mas é
claramente ensinada na Bíblia que afirma a divindade do Pai (Ef 1:3),
do Filho (1 Jo 5:20) e do Espírito Santo (At 5:3-4).
A doutrina da Tri-Unidade não deve ser entendida como triteísmo
(a crença em três deuses distintos), pois ainda que Deus seja
tripessoal, a Bíblia afirma claramente que ele é um só em essência
ou substância (Dt 6:4; Tg 2:19).
Também não se deve pensar que as pessoas da Tri-Unidade
sejam manifestações diferentes de uma só pessoa divina
(sabelianismo ou modalismo). Isso porque as três pessoas, ainda que
unidas em essência (Jo 10:30), são distintas entre si (Mt 3:16-17),
sendo certo que o Filho é eternamente gerado (unigênito) pelo Pai
(Jo 1:14,18; 3:16,18) e a ele se sujeita (Jo 5:19; 8:28; 12:49),
enquanto o Espírito Santo procede somente do Pai, mas é enviado
tanto pelo Pai (Jo 14:16,26) como pelo Filho (Jo 15:26).
Sendo três pessoas da Tri-Unidade iguais em divindade, tanto o
Pai como o Filho e o Espírito Santo devem ser igualmente adorados,
cultuados, honrados, invocados e obedecidos (Mt 28:19; 1Co 8:6;
2Co 13:14; 2Tm 1:2; 1Jo 1:3).
Os Decretos de Deus :
Decretos de Deus são seus PLANOS e DESÍGNIOS PERFEITOS, estabelecidos na ETERNIDADE. Por meio deles o Senhor DIRIGE SOBERANAMENTE a
HISTÓRIA e realiza sua VONTADE em TODO o UNIVERSO, atingindo, assim, seus PROPÓSITOS SANTOS (Ef 1:11).
Os decretos de Deus são IMPOSSÍVEIS de ser frustrados (Jó 23:13-
14; 42:2; Is 43:13; 46:10), sobrepõem-se aos propósitos humanos (Sl
33:10; Pv 19:21; Dn 4:35; Fp 2:13) e, sendo perfeitos, não sofrem
alterações (1Sm 15:29; Is 46:10; Hb 6:17), subsistindo para sempre
(Sl 33:11).
IMPORTANTE!
Quando a Bíblia diz que Deus se arrependeu, isso NÃO significa que ele reconheceu seus erros e, então, decidiu voltar atrás (1Sm 15:29). Na verdade, a frase “Deus se arrependeu” é expressão do que alguns teólogos chamam de linguagem analógica , ou seja, uma linguagem
que envolve COMPARAÇÃO ou APROXIMAÇÃO.
Isso significa que o que Deus sente NÃO pode ser traduzido com precisão em termos humanos. Por isso, a Bíblia adota muitas vezes uma linguagem que se aproxima ao máximo do que o homem pode compreender a partir de suas próprias SENSAÇÕES e EXPERIÊNCIAS, sendo certo, contudo, que essa forma de falar sobre a divindade NÃO descreve suas emoções com exatidão.
Outro fato a se considerar é que o arrependimento, quando aplicado a Deus, NÃO se refere necessariamente a mudanças de ideia, mas sim a uma “guinada” no modo como ele vem tratando o homem, seja da bênção para o castigo (Gn 6:6-7; 1Sm 15:11,35; Jr 18:9-10), seja do castigo para o perdão (Êx 32:14; 2Sm 24:16; Jr 18:8; Am 7:2-6; Jn 3:10). Isso, porém, não implica alteração do seu plano previamente traçado.
A Bíblia ensina que os decretos de Deus envolvem “TODAS AS
COISAS” (Ef 1:11), mas é possível CLASSIFICAR as esferas de sua ABRANGÊNCIA da seguinte maneira:
A CRIAÇÃO -
Tudo o que Deus criou está SUJEITO aos seus PLANOS e cumpre o que ele DETERMINA (Sl 148:1-10). Foi, inclusive, por seu DECRETO soberano que a natureza foi submetida à vaidade (ou seja, foi condenada à uma existência fútil, fadada à deterioração) até o dia da LIBERTAÇÃO dos crentes (Rm 8:20-21). De fato, nada acontece em toda a criação sem a AUTORIZAÇÃO SUPREMA de Deus (Mt 10:29).
A HISTÓRIA -
O Senhor determinou os tempos de ascensão e queda
de todos os povos e também as regiões específicas que deveriam
ocupar (Dt 32:8; At 17:26). Ele decretou os atos cruéis da Assíria (Is
10:5-6) e a queda desse império por não reconhecer que era só um
instrumento nas mãos de Deus (Is 10:12-15). Ele decretou também a
destruição das nações pelos babilônios (Sf 3:8), predeterminou o
castigo dos próprios babilônios (Jr 25:11-14) e planejou a restauração
de Jerusalém por meio de Ciro (Is 44:24-28; 46:11). As ações de
Herodes, de Pôncio Pilatos, dos gentios e do povo de Israel no trato
com Jesus foram predeterminadas por Deus (At 4:27-28). Ele
também traçou a trajetória de expansão do cristianismo (At 16:6-10).
O Senhor ainda decretou que a história termine com a sujeição
completa de todo o universo a Cristo (Ef 1:9-10). Na verdade, as
profecias do A.T. e os ensinos do N.T. acerca do futuro nada mais
são do que revelações dos decretos de Deus referentes à história
universal.
O Governo Humano -
Ainda que os diversos países sejam
governados por homens e sistemas legais injustos, é preciso
reconhecer que os decretos de Deus também estão por trás dos
governos das nações, não havendo nenhuma autoridade política que
não tenha sido estabelecida pelo Senhor (Dn 2:21; Rm 13:1). Foi
Deus quem deu autoridade e poder a Faraó (Rm 9:17), a
Nabucodonozor (Jr 27:4-8), a Ciro (Is 41:2-4; 45:1-7) e a Pilatos (Jo
19:10-11), tudo com o objetivo de, por meio deles, cumprir os seus
decretos. Desse modo, ele, o Senhor, tem pleno domínio sobre o
reino dos homens e o dá a quem ele quer (Dn 4:17, 25, 32; 5:21),
movendo o coração dos governantes de acordo com seus propósitos
às vezes misteriosos, mas sempre justos (Êx 9:12; 10:20, 27; 11:10;
14:8; Ed 7:21-28; Pv 21:1).
A Vida Dos Indivíduos -
Os planos de Deus se realizam também
na vida de cada indivíduo, sendo ele quem decide formar pessoas
fisicamente perfeitas (Sl 139:13-14) e pessoas mudas, surdas e
cegas (Êx 4:11; Jo 9:1-3). O Senhor também decretou os limites da
vida de cada um, fixando o número certo de seus dias (Jó 14:5; Mt
6:27) e todos os detalhes da história de todos os seres humanos (Jó
23:13-15; Sl 138:8; 139:16), incluindo suas funções (Jr 1:5; Gl 1:15-
16), suas capacitações (Dn 2:21), suas experiências (At 22:14-15) e a
forma como hão de morrer (Jo 21:18-19; At 1:15-20). Deus age
livremente e como bem entende na vida de todo e qualquer indivíduo,
sempre com o objetivo de realizar seus objetivos (Dn 4:35). Ele fez
com que Sansão se interessasse por uma moça filistéia a fim de
cumprir seus planos contra os inimigos de Israel (Jz 14:1-4). Ele
impediu que os filhos de Eli ouvissem os conselhos do pai porque
queria matá-los (1Sm 2:25). Ele também decretou a traição de Judas
revelando-a de antemão na Escritura e usando o falso discípulo para
cumprir as profecias sobre a rejeição e morte do Messias (Mt 26:24; Jo 17:12; At 1:15-20).
A Salvação -
Os decretos de Deus abrangem a história, o meio e os
alvos da salvação. Na eternidade, ele planejou que Seu Filho fosse
morto como sacrifício pelo pecado (At 2:23; 1Pe 1:18-20) e que a
oferta de salvação em Cristo fosse feita a todas as nações (Lc 24:44-
48). Ele também decretou quem seria salvo e quem seria destinado
para a ira (Pv 16:4; Rm 9:15-18, 21-24; 1Pe 2:8). Essa decisão foi
tomada antes dos tempos eternos (Ef 1:4-5) com base em sua
própria determinação e graça e não com base em méritos pessoais
(Ef 1:11; 2Tm 1:9). Ao homem não cabe questionar o decreto
salvífico de Deus, uma vez que ele tem o direito de ser gracioso com
quem quiser e de endurecer o coração de quem quiser (Is 63:17; Rm
9:18-21), sendo sempre justo em todas as suas decisões (Rm 9:14).
No cumprimento de seus santos desígnios, o Senhor também
decretou que uniria judeus e gentios num só corpo, a igreja (Ef 3:3-
11) e que só um remanescente de Israel seria salvo antes da vinda
do Senhor (Rm 9:27; 11:5, 25-26).
Os decretos de Deus não tornam os homens inocentes pelos males que praticam -
Os caldeus foram considerados culpados por sua maldade contra
Judá (Hc 1:11), mesmo sendo o próprio Deus quem os levantou para
realizar esses atos (Hc 1:6). Da mesma forma, Herodes e Pôncio
Pilatos pecaram quando conspiraram contra Jesus, apesar de ter sido
Deus quem decretou que agissem assim (At 4:27-28). O que se
depreende disso é que o decreto de Deus NÃO ANULA o PECADO dos
PERVERSOS, NEM torna Deus CULPADO por suas más ações. Note-se que
Jesus reprovou Judas mesmo sabendo que ele, com sua traição,
cumpriu o DECRETO divino (Mt 26:24). Pedro, por sua vez, criticou os
judeus de Jerusalém por matarem Jesus, mesmo sabendo que isso
tinha sido PREESTABELECIDO por Deus (At 2:23). A maneira como Deus
DECRETA o MAL sem se tornar CULPADO e sem REMOVER a CULPA dos
PERVERSOS não é REVELADA na Escritura, estando ALÉM da
COMPREENSÃO HUMANA. Trata-se de um dos muitos mistérios que
permanecem escondidos na mente INSONDÁVEL do Senhor (Dt 29:29)
e que deve ESTIMULAR a HUMILDADE, a FÉ e a ADORAÇÃO, e NUNCA a
REBELIÃO ou o INCONFORMISMO (Rm 11:33-36).
Os Decretos De Deus Não Podem Ser Alterados Pelas Orações Dos Homens -
Textos que dão a impressão de que Deus mudou de plano por
causa da intercessão de alguém (Êx 32:9-14) devem ser entendidos
no sentido de que a aparente mudança no desejo do Senhor já estava fixada em seus planos pré-estabelecidos, sendo a própria oração parte integrante desses planos. É por isso que, mesmo sabendo que Deus já tem tudo planejado, o crente deve orar. Passagens bíblicas como (2Sm 7:27-29, Dn 9:2-3 e Ap 22:20) mostram pessoas orando mesmo depois de Deus ter revelado o que já tinha planejado fazer.
Os Decretos De Deus Relativos À Salvação Não Devem Desencorajar O Evangelismo -
Deus não somente DECRETOU quem seria SALVO, mas também
DETERMINOU que os seus ELEITOS fossem ALCANÇADOS por meio da PREGAÇÃO (1Co 1:21). Assim, uma vez que o crente NÃO sabe quem é ELEITO, é seu DEVER pregar a TODOS. Ademais, é preciso destacar que o
DECRETO ELETIVO de Deus é, na verdade, um ESTÍMULO ao EVANGELISMO,
uma vez que FORNECE a GARANTIA do seu SUCESSO. De fato, uma vez que é certo que os ESCOLHIDOS atenderão ao convite do evangelho (Jo 10:16; At 13:48), os crentes devem se sentir ENCORAJADOS a PROCLAMAR
com EMPENHO as boas-novas. Note-se que em Atos 18:9-10 foi a
certeza de que havia ELEITOS de Deus em Corinto que motivou Paulo a PERSEVERAR no trabalho de EVANGELIZAÇÃO daquela terrível cidade.
Quero ainda, enfatizar dois pontos importantes da TEONTOLOGIA - A Tri-Unidade Divina e os nomes de Deus:
Começando com a Tri-Unidade temos:
Na Bíblia NÃO aparece nenhuma vez a palavra “trindade”. Contudo, usamos essa palavra para expressar uma doutrina que, apesar de muito COMPLEXA, é BÍBLICA.
Trindade de Deus significa que ele é uma só ESSÊNCIA DIVINA em TRÊS PESSOAS DISTINTAS: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
A TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO -
No Antigo Testamento encontramos “indícios” da Tri-Unidade de Deus. Contudo, devemos ter em mente que a REVELAÇÃO PROGRESSIVA tornou EVIDENTE a TRINDADE apenas no Novo Testamento.
A) UNIDADE DE DEUS
O “Shema” (Dt 6.4) demonstra INEGAVELMENTE a UNIDADE de Deus. Ela descarta TOTALMENTE a ideia do POLITEÍSMO. Outras passagens que apresentam a UNIDADE de Deus são (Ex 20.3, Dt 4.35, Is 45.14, 46.9).
B) PALAVRAS PLURAIS
“Elohim” é um plural de majestade e NÃO deve ser utilizado para provar a TRINDADE de Deus. Entretanto, Deus mesmo fala de si, muitas vezes, usando pronomes e verbos no PLURAL (Gn 1.26; 3.22; 11.7; Is 6.8)
C) O ANJO DO SENHOR
Apesar dos diversos anjos que aparecem em toda a Bíblia, algumas vezes surge na narrativa o “Anjo do Senhor”. Esse anjo é chamado de Deus e, ao mesmo tempo, é DISTINTO de Deus. Os textos bíblicos sugerem se tratar de UMA das PESSOAS da TRINDADE, visto que tal anjo executa seus planos, dá ordens com AUTORIDADE e FAZ promessas como o próprio Senhor o FAZ em outras ocasiões (Gn 16.7-13; 18.1-21; Ml 3.1).
D) DISTINÇÃO DE PESSOAS
a) O Senhor é distinto do Senhor (Gn 19.24; Os 1.7).
b) O Redentor (que é divino) é distinto do Senhor (Is 59.20).
c) O Espírito é distinto do Senhor (Is 48.16; 59.21; 63.9-10).
[3/8 13:51] Adriano: A TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO
Apesar de NÃO trazer clara a ideia da TRINDADE, há fortes INDÍCIOS dela ao longo de todo o NT (1Jo 5.7 traz uma ideia muito clara da TRINDADE. Contudo, o trecho que expõe esse CONCEITO NÃO consta em muitos manuscritos importantes sendo, provavelmente, um acréscimo posterior).
A) EVIDÊNCIA DA UNICIDADE DE DEUS
O NT, como o VT, também insiste na EXISTÊNCIA de apenas UM Deus (1Co 8.4-6; Ef 4.3-6; Tg 2.19).
B) EVIDÊNCIA DA TRIPLICIDADE DE DEUS
a) O Pai é reconhecido como Deus (Jo 6.27; 1Pe 1.2).
b) Jesus é reconhecido como Deus. Ele tem onisciência (Mt 9.4), onipotência (Mt 28.18), onipresença (Mt 28.20), poder para perdoar pecados (Mc 2.1-12), para sustentar todas as coisas (Cl 1.17), para criar (Jo 1.3) e para julgar todos (Jo 5.27). Ele é, de fato, chamado de Deus apesar de ser distinto do Pai (Jo 1.1). Jesus mesmo fez essa DISTINÇÃO e IDENTIFICAÇÃO ao mesmo tempo (Jo 10.30).
c) O Espírito Santo é reconhecido como Deus. Ele é chamado de Deus (At 5.3-4), é onisciente (1Co 2.10), onipresente (1Co 6.19) e REGENERA as pessoas (Jo 3.5-8).
C) EVIDÊNCIA DA TRIUNIDADE DE DEUS
O NT NÃO expõe as pessoas da TRINDADE apenas de forma ISOLADA. Ele os UNE em várias AFIRMAÇÕES FORTES e GLORIOSAS em que o Pai, o Filho e o Espírito são apresentados em PÉ de IGUALDADE, mas com DISTINÇÃO (Mt 28.19; Mt 3.16-17; Jo 14.26; 2Co 13.14).
A DEFINIÇÃO DE TRINDADE
Há uma dificuldade muito grande em definir EXAUSTIVA e CORRETAMENTE essa doutrina, visto que a ênfase em um aspecto diminui outro. Uma das melhores definições da Trindade é a de B.B. Warfield: “Existe apenas um Deus ÚNICO e VERDADEIRO, mas na UNIDADE da Divindade existem TRÊS pessoas COETERNAS e COIGUAIS, da mesma SUBSTÂNCIA, mas de SUBSISTÊNCIA DISTINTA”.
FUNÇÕES DENTRO DA TRINDADE
Apesar da UNIDADE e da COEXISTÊNCIA das pessoas da TRINDADE, o NT apresenta FUNÇÕES DISTINTAS de cada uma delas, embora trabalhem PERFEITAMENTE JUNTAS no mesmo PROPÓSITO.
a) O Pai elegeu os santos (1Pe 1.2), amou o mundo (Jo 3.16) e concede boas dádivas (Tg 1.17).
b) O Filho sofreu por nós (Mc 8.31), trouxe redenção (1Pe 1.18-19) e sustenta todas as coisas (Hb 1.3).
c) O Espírito Santo regenera o perdido (Tt 3.5), capacita (At 1.8) e santifica (Gl 5.22-23).
HERESIAS A RESPEITO DA TRINDADE
Devido à falta de uma definição clara da Trindade na Bíblia, esse foi um campo em que floresceram inúmeras HERESIAS sobre a Divindade, principalmente nos primeiros séculos. Algumas delas são:
a) Adocianismo – Crê que Jesus era um homem comum que recebeu poderes espeiais do Espírito Santo no batismo.
b) Modalismo – Crê que existe apenas uma pessoa divina que se apresenta de modos diferentes durante a história. Também conhecida como sabelianismo ou patripassianismo.
c) Arianismo – Crê que o Filho foi criado pelo Deus eterno, sendo inferior ao Pai. Crê também que o Espírito Santo foi o primeiro a ser criado pelo Filho, já que ele criou todas as coisas.
ASPECTOS PRÁTICOS DA DOUTRINA DA TRINDADE
A Teologia é repleta de aspectos relevantes provenientes da doutrina da Trindade de Deus. A REDENÇÃO é um exemplo em que vemos as TRÊS PESSOAS participando ativamente em nosso benefício (Jo 3.6,16). A revelação de Deus envolve o Filho e o Espírito trabalhando na comunicação da verdade de Deus (Jo 1.18; 16.13).
A prioridade sem inferioridade é vista na Trindade como base para o relacionamento correto entre o homem e a mulher (1Co 11.3). Na oração, apesar de podermos nos dirigir a qualquer das três pessoas, seguimos o precedente bíblico e falamos com o Pai, em nome do Filho, conforme a direção e intercessão do Espírito Santo (Jo 15.16; Rm 8.26; Ef 2.18; 6.18).
Por fim, veremos acerca dos nomes de Deus -
A Bíblia, especialmente o Antigo Testamento, apresenta diversos
nomes pelos quais Deus é chamado. Cada um deles revela algo
acerca do CARÁTER ou das OBRAS do Senhor.
A análise de alguns nomes com que Deus é chamado na Bíblia serve como REVELAÇÃO ADICIONAL do CARÁTER de Deus.
Além disso, o uso do “nome do Senhor” sempre foi visto com muita REVERÊNCIA. Invocar o nome do Senhor era o mesmo que adorá-lo (Gn 21.33). Usar seu nome em vão era desonrá-lo (Ex 20.7).
Assim, percebemos que podemos aprender sobre o CARÁTER e sobre o relacionamento com Deus por meio do estudo de nomes aplicados a ele nas Escrituras.
A) ELOHIM
O termo hebraico Elohim é utilizado para se referir à divindade geral e significa que Deus é o forte, o líder poderoso, a divindade suprema. Geralmente é traduzido na nossa Bíblia como Deus.
É interessante notar que Elohim é empregado na forma PLURAL. A terminação “im” é usada para indicar o plural em hebraico assim como a letra “s” na língua portuguesa. Existem várias possíveis razões para isso, mas a mais provável é que o plural, nesse caso, tenha a intenção de enaltecer o poder de Deus. Isso é conhecido como “plural de majestade”. Esse uso fica claro ao notar-se que os verbos, adjetivos e pronomes ligados a Elohim no AT aparecem na forma SINGULAR evidenciando NÃO se tratar de vários deuses e sim de um Deus Todo-poderoso.
Algumas implicações surgem do uso do nome Elohim aplicado a Deus:
a) A soberania de Deus (Dt 10.17; Jr 32.27);
b) A ação de Deus como o criador (Gn 1.1; Is 45.18; Jn 1.9);
c) O juízo de Deus (Sl 50.6; 58.11).
d) As obras poderosas de Deus em favor de Israel (Sl 68.7-8).
Algumas derivações desse nome também servem para nos revelar mais um pouco de Deus:
a) El Shaddai – Traz a ideia do Deus Todo-poderoso assentado sobre uma montanha. Assim Deus se apresentou aos patriarcas (Gn 17.1; Ex 6.3; Sl 91.1-2);
b) El Elyon – Significa Deus altíssimo e enfatiza a força, a soberania e a supremacia de Deus (Gn 14.19);
c) El Olam – Significa Deus eterno e aponta para a imutabilidade de Deus (Gn 21.33);
d) El Roi – Significa Deus que se vê (Gn 16.13-14). Agar o chamou assim quando Deus falou com ela antes do nascimento de Ismael.
B) YAHWEH
Esse nome também é conhecido por Jeová. Na nossa Bíblia geralmente aparece no AT como Senhor em letras de caixa alta para diferenciarmos esse nome de outros que têm a mesma tradução (SENHOR). É também traduzido como EU SOU e significa que Deus é autoexistente.
Apesar de várias pessoas no início do AT tratarem Deus por esse nome, somente a Moisés foi dado conhecer seu sentido mais profundo quando Deus se apresentou como “EU SOU O QUE EU SOU” (Êx 3.14).
Yahweh era o nome pessoal de Deus pelo qual era conhecido por Israel. Depois do exílio, foi considerado um nome sagrado e não era mais pronunciado. Em lugar dele era usado Adonai.
Algumas implicações surgem do uso do nome Yahweh:
a) A autoexistência imutável de Deus (ver Jo 8.58 conforme Êx 3.14);
b) A presença constante de Deus entre seu povo (Êx 3.12 cf. v.14);
c) O poder de Deus para agir em benefício do seu povo e para manter sua aliança com ele (Êx 6.6).
Algumas derivações desse nome também servem para nos apontar vários tipos de atuação de Deus para com a criação e para com seu povo:
a) Yahweh Jireh – Significa “o SENHOR proverá” (Gn 22.14).
b) Yahweh Nissi – Significa “o SENHOR é minha bandeira” (Êx 17.15);
c) Yahweh Shalom – Significa “o SENHOR é paz” (Jz 6.24);
d) Yahweh Sabbaoth – Significa “o SENHOR dos exércitos” (1 Sm 1.3);
e) Yahweh Maccadeshkem – Significa “o SENHOR que vos santifica” (Êx 31.13);
f) Yahweh Raah – Significa “o SENHOR é meu pastor” (Sl 23.1);
g) Yahweh Tsidkenu – Significa “SENHOR, justiça nossa” (Jr 23.6);
h) Yahweh Shammah – Significa “o SENHOR está ali” (Ez 48.35);
i) Yahweh Elohim Israel – Significa “o SENHOR, Deus de Israel” (Jz 5.3; Is 17.6).
C) ADONAI
Adonai, assim como Elohim, é um plural de majestade. Aparece na nossa Bíblia como “Senhor” (em letras normais) e significa senhor, mestre, proprietário (vejam esses sentidos sendo aplicados genericamente, não em relação a Deus, em Gn 19.2; 40.1; 1Sm 1.15).
Traz a ideia de que Deus tem autoridade absoluta sobre o homem. Josué reconheceu a autoridade do príncipe do exército do Senhor (Js 5.14) e Isaías submeteu-se à autoridade do Senhor, seu mestre (Is 6.8-11).
O termo equivalente no NT é kyrios (Senhor).
D) DEUS (THEOS)
Theos é a mais frequente designação para Deus no NT. É usado para se referir a Deus, mas há também textos em que theos aponta para deuses pagãos (At 12.22, 1Co 8.5), para o diabo (2Co 4.4) e para a sensualidade (Fp 3.19). O mais importante é que Jesus é chamado de theos (Rm 9.5; Jo 1.1,18, 20.28, Tt 2.13).
Algumas implicações são:
a) Ele é o único Deus verdadeiro (Mt 23.9; Rm 3.30; 1Tm 2.5);
b) Ele é inigualável (1Tm 1.17; Mt 6.24);
c) Ele é transcendente (At 17.24; Hb 3.4; Ap 10.6);
d) Ele é o Salvador (1Tm 1.1; 2.3; 4.10).
E) SENHOR (KYRIOS)
Das 717 vezes em que kyrios aparece no NT, 210 vezes aparece nos escritos de Lucas e 275 nos de Paulo (67,7%). Kyrios enfatiza autoridade e supremacia. Pode significar:
a) Senhor (Jo 4.11);
b) Dono (Lc 19.33);
c) Mestre (Cl 3.22);
d) Ídolos (1Co 8.5);
e) Maridos (1Pe 3.6).
Quando aplicado a Deus, expressa especialmente sua condição de criador, seu poder e domínio justo sobre o universo.
Jesus foi chamado de kyrios no sentido de “rabi” ou “Senhor” (Mt 8.6). Quando Tomé o chamou de “Senhor meu e Deus meu”, atribuiu a ele divindade absoluta (Jo 20.28). A ordem de Rm 10.9 significa reconhecer Jesus com a natureza e os atributos que pertencem somente a Deus. Assim, a essência do cristianismo é reconhecer que Jesus é o yahweh do AT.
F) MESTRE (DESPOTES)
Despotes dá a ideia de propriedade, enquanto kyrios dá ideia de autoridade. Deus é chamado várias vezes de despotes (Lc 2.29; At 4.24, Ap 6.10). Jesus é chamado de despotes duas vezes (2Pe 2.1; Jd 4).
G) PAI
Deus é apresentado no NT como Pai. No AT o nome Pai designa Deus 15 vezes. No NT isso acontece 245 vezes. As atuações de Deus ressaltadas pelo nome Pai demonstram que ele dá:
a) Graça e paz (Ef 1.2; 1Ts 1.1);
b) Boas dádivas (Tg 1.7);
c) Mandamentos (2Jo 4);
d) Respostas de oração (Ef 2.18; 1Ts 3.11).
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Teologia - O Estudo do Ser Deus a partir da Sua Revelação - a Bíblia
COMECE E ENCERRE SEUS ESTUDOS BÍBLICOS SEMPRE ORANDO E JAMAIS SEPARE-SE DA BÍBLIA. LEIA, MEDITE E ESTUDE ELA TODOS OS DIAS. SÓ ASSIM CAMINHAREMOS CORRETAMENTE E COMBATEREMOS O NOSSO EU.
Iniciaremos com o CREDO (confissão de fé; aquilo que cremos).
EM QUE ACREDITAMOS :
1. A Bíblia é a única e infalível Palavra de Deus.
2. Existe um Deus verdadeiro, auto-suficiente por toda eternidade, expresso em três pessoas distintas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
3. Nosso Senhor Jesus Cristo é divino, nasceu de uma virgem, viveu na Terra sem pecado, operou milagres, suportou a morte vicária e expiatória, ressuscitou corporalmente, ascendeu aos céus, encontra-se à destra do Pai e em breve retornará à Terra em poder e glória para reinar por mil anos.
4. Cristo está na iminência de retornar fisicamente a Terra, para a vitória final dos crentes.
5. Houve a queda, pecado e condenação de todos os homens em Adão e o único meio de ser purificado do pecado é através do arrependimento e fé no sangue redentor de Cristo.
6. A regeneração pelo Espírito Santo é absolutamente essencial para a salvação pessoal.
7. A Igreja de Jesus Cristo é o universal corpo espiritual dos crentes de qualquer tribo, língua, etnia ou raça, e é dirigida por Jesus Cristo, seu Cabeça, através do Espírito Santo. É divinamente habilitada para cumprir o ministério cristão e sua grande comissão na Terra.
8. O Espírito Santo possui o poder santificador do crente, no qual habita e capacita-o a viver uma vida santa.
9. Haverá ressurreição e julgamento final de salvos e perdidos, sendo que os salvos herdarão a vida eterna e os perdidos a condenação eterna.
10. Haverá um novo céu e uma nova terra e a Jerusalém celestial, a cidade de Deus, que desce do céu cheia da glória de Deus.
11. O crescimento cristão somente pode ser alcançado pela fé e prática da Palavra de Deus.
12. O casamento é ordenado por Deus: ” Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne.” (Mateus 19.4). O casamento deve ser uma relação de exclusividade, uma união fiel ao longo da vida entre um homem e uma mulher. Essa relação entre marido e mulher deve ser semelhante ao relacionamento entre Cristo e a Igreja (Efésios 5. 23-30).
13. Há duas ordenanças a serem praticadas: 1. Batismo nas águas por imersão, após o arrependimento dos pecados e o recebimento da dádiva da salvação. 2. Santa Ceia, como uma lembrança simbólica do sofrimento e morte de Cristo pela nossa salvação.
14. A multiforme graça de Deus não defende tradições denominacionais como pentecostalismo, tradicionalismo ou neopentecostalismo, de forma que nos apoiamos na doutrina das Sagradas Escrituras e em todos seus fundamentos. Entendemos que o verdadeiro ministério cristão deve estar conformado à imagem de Cristo e ser totalmente submisso à autoridade da Bíblia.
Considerando que o estudo que estou colocando aqui é BÁSICO, veremos então o CONCEITO DE TEOLOGIA:
Teologia NÃO é do Diabo, Teologia NÃO é só pra pastor, Teologia NÃO é razão para orgulho. Teologia é a junção de dois vocábulos gregos - "Theos" (Deus) + "logus" (sentido de estudo) = o estudo de Deus a partir de Sua Revelação!
Resumidamente, Teologia é o estudo racional da fé religiosa. No nosso caso, é a interpretação racional da fé cristã.
É INTELIGÍVEL – Pode ser compreendida pela mente humana.
REQUER EXPLICAÇÃO – Envolve interpretação dos textos bíblicos e sistematização das ideias.
ESTUDO BASEADO NA BÍBLIA – A Bíblia é a base e a fonte da Teologia.
TIPOS DE TEOLOGIA:
POR ÉPOCA (teologia patrística, teologia medieval, teologia reformada, teologia contemporânea).
POR PONTO DE VISTA (teologia calvinista, teologia arminiana, teologia católica romana).
POR ÊNFASE (teologia histórica, teologia bíblica, teologia sistemática).
PRESSUPOSTOS DA TEOLOGIA:
1. PRESSUPOSTO DA INTERPRETAÇÃO:
SIMPLES E NORMAL – Deus se comunica conosco de modo simples. Quando lemos a Bíblia, devemos interpretá-la desse modo e não procurar mensagens escondidas e obscuras por trás dos textos.
PRIORIDADE DO NOVO TESTAMENTO – A revelação de Deus foi progressiva de modo que damos prioridade ao Novo Testamento, visto que nele foi completada a revelação. Nele Jesus Cristo é apresentado como cumprimento do AT. À luz dele podemos ser muito enriquecidos com as revelações mais antigas.
LEGITIMIDADE DAS ESCRITURAS – A Bíblia deve ser utilizada de maneira correta. Devemos procurar o que ela realmente quer ensinar e NUNCA usá-la fora de contexto ou alterando seu sentido.
2. PRESSUPOSTOS PESSOAIS:
O estudante de Teologia deve:
CRER – Sem a FÉ é IMPOSSÍVEL o estudante aprender as verdades de Deus e vê-las transformar sua vida (1 Co 2.10-16).
PENSAR – A fé é RACIONAL, de modo que o estudante deve ter métodos de estudo, avaliação crítica das evidências e combinar os diversos ensinos como um todo.
DEPENDER – A dependência do Espírito Santo para a compreensão da Teologia é algo FUNDAMENTAL e OBRIGATÓRIO (Jo 16.12-15).
ADORAR – O ESTUDO e o CONHECIMENTO cada vez mais profundo de Deus devem levar o estudante a uma posição de ADORAÇÃO a Deus por RECONHECER cada vez mais que Deus é digno de tal ADORAÇÃO.
Explanando o tema "Teologia" -
Campos de Estudo da Teologia
TEOLOGIA PRÁTICA – Trata-se da APLICAÇÃO da DOUTRINA CRISTÃ na vida cotidiana. Tiago 1.19-27 “a prática da Palavra”.
TEOLOGIA BÍBLICA – Quando o seu conteúdo baseia-se, principalmente, nas Sagradas Escrituras. Antigo e Novo Testamento.
TEOLOGIA EXEGÉTICA – Palavra grega que significa “sacar, extrair”. Procura descobrir o VERDADEIRO SIGNIFICADO das Escrituras.
TEOLOGIA SISTEMÁTICA – trata-se do estudo da fé cristã exposto de forma lógica, sistemática e ordenada.
TEOLOGIA HISTÓRICA – Refere-se ao estudo da história sobre a doutrina cristã, isto é, o desenvolvimento da doutrina cristã através da história e da Bíblia.
TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA – Trata-se do estudo das verdades bíblicas atemporais de maneira a torná-las compreensíveis ao homem de nossos dias.
TEOLOGIA e FILOSOFIA – Objetivos similares e enfoques diferentes. Ambas buscam uma visão completa do MUNDO e da VIDA. Porém, a Teologia parte da crença na EXISTÊNCIA de Deus e de sua REVELAÇÃO, para EXPLICAR o mundo e a vida, enquanto a filosofia NEGA esses dois pontos fundamentais da teologia e parte de uma coisa dada para explicar a existência de todas as outras coisas.
A filosofia NÃO tem nenhuma doutrina de providência, pecado, revelação, consumação final, a Teologia busca em Deus e na Sua revelação respostas adequadas a estas doutrinas.
A necessidade da Teologia -
A Teologia ajuda organizar a mente. O homem é um ser racional e sua mente exige ordem. (II Tm 2.15)
O conhecimento doutrinário correto é essencial para desenvolver o caráter cristão.
O crente só pode ser forte e saudável quando ele tem uma compreensão clara e inabalável das verdades fundamentais da fé cristã. (I Tm 1.8-10). (A moralidade cristã é fruto que cresce somente na árvore da sã doutrina).
A Teologia trás o conhecimento doutrinário, e ele é importante para efeito de avaliação e julgamento de nossas experiências e de fundamentar nossa esperança. Ex. nossa ressurreição está fundamentada na ressurreição de Cristo (I Co 15.20-28; I Ts 4.13-17).
O conhecimento doutrinário é importante para se defender das falsas doutrinas e dos sistemas religiosos e seculares que buscam nossa adesão (Mt 22.29; Gálatas 1.6-9; II Tm 4.2-4; Jo 9.11).
A Teologia trás conhecimento doutrinário que é condição básica para o desempenho eficaz do serviço cristão (Mc 4.2; At 2.42; Tito 1.9; II Tm 3.10). Avivamento sempre vem com obediência doutrinária.
O conhecimento doutrinário é importante para a compreensão dos fatores relatados nas Escrituras. (I Co 15; Cl 1-15-16).
O Método da Teologia -
Entendendo a Teologia como uma ciência - Isso significa que ela possui procedimentos lógicos e bem definidos.
Teologia envolve a coleta de dados e informações bíblicas - Passagens bíblicas relevantes sobre o assunto que se está investigando são coletadas para em seguida serem cuidadosamente interpretadas.
O passo seguinte é a verificação do material bíblico coletado nessa etapa - O teólogo procura identificar os pontos comuns entre os escritos sagrados para em seguida avaliar e analisar as aparentes divergências.
A análise do significado bíblico - O teólogo, após formar um todo coerente, procura compreender o verdadeiro sentido do material obtido para poder traduzir com precisão para sua forma contemporânea.
Identificação da essência doutrinária - Nessa etapa, o teólogo busca descobrir a mensagem que existe atrás de todas as suas formas especificas de expressão, ou seja, identificar a verdade permanente dentro das formas de expressão temporárias.
Ainda sobre o tema "Teologia" -
Ao longo dos nossos estudos, destacarei a Teologia Reformada, que nada mais é do que a Teologia ortodoxa (autêntica; genuina) que no decorrer dos séculos, deixou-se influenciar por teologias humanistas e heréticas e, a partir de então, como o nome sugere, fez-se necessário uma volta (reforma) a SÃ DOUTRINA ensinada pelo Mestre e Senhor Jesus, e pregada pelos apóstolos e os demais cristãos ao longo dos séculos!
De uma forma geral, "Teologia Reformada" inclui qualquer sistema de crença que traça suas raízes à Reforma Protestante do século XVI (16). Claro que os Reformadores basearam sua doutrina nas ESCRITURAS, como indicado no credo de “sola scriptura”, então teologia Reformada não é um “NOVO” sistema de crença mas um que procura dar continuação à DOUTRINA APOSTÓLICA.
Geralmente, teologia Reformada defende a autoridade das Escrituras, a soberania de Deus, salvação pela graça através de Cristo e a necessidade de evangelismo. Às vezes é chamada de Teologia do Pacto por causa da ênfase dada à aliança que Deus fez com Adão e a nova aliança que veio através de Jesus Cristo (Lucas 22:20).
Autoridade das Escrituras - A Teologia Reformada ensina que a Bíblia é a INSPIRADA e CONFIÁVEL Palavra de Deus, SUFICIENTE para todos os assuntos de FÉ e PRÁTICA.
Soberania de Deus - A Teologia Reformada ensina que Deus reina com CONTROLE ABSOLUTO sobre toda a criação. Ele PREDETERMINOU todos os eventos e, portanto, NUNCA se frustra com as CIRCUNSTÂNCIAS. Isso NÃO limita a VONTADE da criatura, nem faz de Deus o AUTOR do PECADO.
Salvação pela graça - A Teologia reformada ensina que Deus em Sua GRAÇA e MISERICÓRDIA escolheu REDIMIR um povo para Si mesmo, livrando-os do PECADO e MORTE. A doutrina de salvação reformada é também conhecida como os cinco pontos do Calvinisno (ou pelo acróstico TULIP, referente às iniciais dos pontos em inglês):
T- Depravação Total do Homem (Total depravity) - O homem é COMPLETAMENTE FRACO em seu ESTADO de PECADO, está SOB a IRA de Deus e de FORMA ALGUMA pode AGRADAR a Deus. Depravidade total também significa que o homem NÃO vai NATURALMENTE PROCURAR CONHECER a Deus, até que Deus GRACIOSAMENTE o ENCORAJE a assim agir. (Gênesis 6:5; Jeremias 17:9; Romanos 3:10-18).
U – Eleição incondicional (Unconditional election) - Deus, da eternidade passada, ESCOLHEU SALVAR uma grande multidão de PECADORES, a qual NENHUM HOMEM pode NUMERAR (Romanos 8:29-30; 9:11; Efésios 1:4-6:11-12).
L- Expiação limitada (Limited Atonement). Também chamada de “redenção particular” - Cristo tomou sobre Si o julgamento do PECADO dos ELEITOS e, portanto, PAGOU por suas vidas com a Sua morte. Em outras palavras, Ele não só tornou salvação “possível”, Ele na verdade a OBTEVE por aqueles que Ele tinha ESCOLHIDO (Mateus 1:21; João 10:11; 17:9; Atos 20:28; Romanos 8:32; Efésios 5:25).
I - Graça irresistível (Irresistible Grace). Em seu estado depois da Queda ao pecado, o homem RESISTE ao amor de Deus, mas a graça de Deus trabalhando em seu coração faz com que tal homem deseje o que ele tinha previamente resistido. Quer dizer, a graça de Deus NÃO vai falhar em realizar o seu trabalho de salvação na vida dos ELEITOS (João 6:37,44; 10:16).
P – Perseverança dos santos (Perseverance of the saints). Deus protege Seus santos de se DESVIAR TOTALMENTE; por isso salvação é eterna (João 10:27-29; Romanos 8:29-30; Efésios 1:3-14).
A REVELAÇÃO de Deus
Basicamente, temos a chamada REVELAÇÃO GERAL (Teologia Natural) – Inclui tudo que Deus revelou no mundo à nossa volta, incluindo o próprio homem. NÃO é suficiente para a SALVAÇÃO. Ela “apresenta” evidências da EXISTÊNCIA de Deus.
REVELAÇÃO ESPECIAL (Teologia Revelada) – É o que Deus revelou especificamente nas ESCRITURAS, por meio dos apóstolos e profetas. É REQUISITO para a SALVAÇÃO. Ela “pressupõe” a EXISTÊNCIA de Deus.
A REVELAÇÃO GERAL
Atinge todas as pessoas (Mt 5.45; At 14.17).
É geral no aspecto GEOGRÁFICO e ECONÔMICO do planeta (Sl 19.2).
Usa meios UNIVERSAIS para sua PERCEPÇÃO, como o calor do Sol (Sl 19.4-6) e a CONSCIÊNCIA HUMANA (Rm 2.14-15).
MEIOS DA REVELAÇÃO GERAL
PELA CRIAÇÃO – Todo efeito vem de uma causa. Tudo que existe tem de ter sido formado a partir de uma causa pré-existente (argumento cosmológico).
PELA ORDEM DO UNIVERSO – O Universo demonstra ter ordem e um “propósito”. É necessário um criador com um propósito definido que tenha criado tudo com a ordem que existe (argumento teleológico).
PELA CRIAÇÃO DO HOMEM – A existência do homem como um ser moral, intelectual e religioso, diametralmente oposto ao restante da criação, aponta para um criador também moral, intelectual e espiritual que tenha nos dado forma (argumento antropológico).
PELO SEU PRÓPRIO SER –Se temos a ideia ou a noção de um “Ser Perfeito” e de que para ser perfeito ele tem de existir, logo, o “Ser Perfeito” deve mesmo existir (argumento ontológico).
CONTEÚDO DA REVELAÇÃO GERAL -
A glória de Deus (Sl 19.1).
Seu poder para realizar criação (Sl 19.1).
Sua supremacia (Rm 1.20).
Sua natureza divina (Rm 1.20).
Seu controle providencial da natureza (At 14.17).
Sua bondade (Mt 5.45).
Sua inteligência (At 17.29).
Sua existência (At 17.28).
VALOR DA REVELAÇÃO GERAL -
Mostrar a GRAÇA de Deus.
Colaborar com o argumento do TEÍSMO.
CONDENAR com JUSTIÇA os que a REJEITAM.
A REVELAÇÃO ESPECÍFICA:
Vem de DEUS (Jo 12.49).
Vem por MEIO de Cristo (Hb 1.1-2).
Vem pela ATUAÇÃO do Espírito Santo (2Pe 1.20-21).
É CONFIÁVEL e PERMANENTE (Mt 5.18; Lc 21.33).
Está disponível para todos (Jo 20.31).
Expõe o caminho ESPECÍFICO da SALVAÇÃO (Jo 5.39; Jo 20.31; Rm 1.16)
NÃO atinge EFETIVAMENTE todas as pessoas (Jo 10.24-26).
Atinge as OVELHAS de Deus (Jo 10.27 cf. v.16)
É COMPREENDIDA pela AÇÃO do Espírito Santo (Jo 16.13).
É FUNDAMENTAL para a SALVAÇÃO dos PERDIDOS (1Co 1.21).
É FUNDAMENTAL para a EDIFICAÇÃO dos santos (2Tm 3.16-17).
É INERRANTE (não contém erros).
É INFALÍVEL (não conduz ao erro).
O que precisamos saber em relação ao "Cânon" ?
CÂNON - Significa “regra”, “padrão” ou “norma” (Gl 6.16). É o conjunto dos 66 livros INSPIRADOS por DEUS que, reunidos, formam a nossa Bíblia.
INSPIRAÇÃO é a SUPERVISÃO ATIVA de Deus sobre aquilo que os autores bíblicos escreveram nos ESCRITOS ORIGINAIS, respeitando suas PERSONALIDADES, CULTURA e FACULDADES MENTAIS.
O TESTEMUNHO INTERNO DA BÍBLIA:
As palavras dos profetas foram e têm sido CUMPRIDAS INTEGRALMENTE (Mt 1.22 cf. Mq 5.2, Is 9.6).
Jesus chamou os livros de Moisés e dos profetas de ESCRITURA (Mt 21.42; 22.29; Jo 5.39).
Pedro CLASSIFICOU as cartas de Paulo como ESCRITURA junto com o RESTANTE já RECONHECIDO (2Pe 3.15-16).
Paulo tem CONSCIÊNCIA da INSPIRAÇÃO dos SEUS ESCRITOS (1Co 14.37).
João relata as palavras do Senhor e lança MALDIÇÕES sobre quem alterá-las ou NÃO reconhecê-las (Ap 22.16,18-19).
As AFIRMAÇÕES sobre as Escrituras nos dão a PLENA CONVICÇÃO da ATUAÇÃO SOBERANA de Deus na FORMAÇÃO e CONSERVAÇÃO do CÂNON (2Tm 3.16-17; 2Pe 1.20-21).
O que é a Bíblia?
A Bíblia é a ÚNICA base da DOUTRINA CRISTÃ. Por isso, se o CONCEITO formulado sobre as Escrituras for ERRADO, todas as outras doutrinas SERÃO AFETADAS de modo NEGATIVO.
Daí percebe-se a importância da CONCEPÇÃO SADIA da Bíblia. Quando ela NÃO é considerada de modo como EXIGE, NÃO pode servir de base para a CONSERVAÇÃO da “SÃ DOUTRINA” (Tt 2:1).
Intimamente ligada à doutrina está a vida diária do cristão. O comportamento do crente deve ser um exemplo de doutrina posta em PRÁTICA. Portanto, se uma pessoa NÃO tiver uma idéia CORRETA acerca da Bíblia, isso também influenciará o seu MODO de ANDAR. Com efeito, a Bíblia deve ser para o cristão um MANUAL de PADRÕES para a VIDA. Se não for assim, o homem estará à mercê dos seus PRÓPRIOS modos ERRADOS e PECAMINOSOS de PENSAR, os quais fatalmente o conduzirão à RUÍNA.
Deve ser lembrado que há pessoas que, apesar de professarem um conceito sadio da Bíblia, vivem em DESACORDO com isso. É claro que essas pessoas envergonham o Evangelho. Suas vidas espirituais são um VERDADEIRO FRACASSO.
Ainda sobre a Revelação:
Revelação é, basicamente, o desvendamento de algo que era desconhecido ou a manifestação de alguma coisa que estava escondida. No contexto judaico-cristão essa palavra é usada para se referir à comunicação que Deus faz de si mesmo e da sua vontade. Assim, em termos teológicos, a revelação é um processo por meio do qual Deus desvenda ao homem seu caráter e seus desígnios (propósitos). O resultado desse processo também é chamado de REVELAÇÃO.
Conforme vimos, a revelação de Deus se divide em dois aspectos:
1º) A Revelação Geral:
Refere-se ao testemunho que Deus dá de si mesmo a todos os homens por meio da CRIAÇÃO (Rm 1:19-20), da sua PROVIDÊNCIA na HISTÓRIA (At 14:15-17) e da CONSCIÊNCIA HUMANA (Rm 2:14-15). A REVELAÇÃO GERAL alcança todos os homens em todos os lugares (Sl 19:1-6), mas NÃO tem CONTEÚDO REDENTOR (SALVADOR). O máximo que ela faz é expor alguns atributos de Deus, tornando os homens inescusáveis INDESCULPÁVEIS por rejeitá-lo (Rm 1:20-23).
2º) A Revelação Especial Ou Específica:
Refere-se ao desvendamento do CARÁTER e do PLANO de Deus na HISTÓRIA da REDENÇÃO (Sl 78; 107), na pessoa de Cristo (a EXPRESSÃO MÁXIMA da REVELAÇÃO – Jo 1:18; 14:9; Cl 1:15; 2:9; Hb 1:1-3) e nas Escrituras Sagradas (2Tm 3:16; 2Pe 1:20-21). A REVELAÇÃO ESPECIAL TEM CONTEÚDO SALVÍFICO, ou seja, é POSSÍVEL alguém COMPREENDER o PLANO REDENTOR de Deus por MEIO dela (2Tm 3:15). Contudo, ainda que DESTINADA a TODOS, a revelação especial ALCANÇA EFETIVAMENTE um número LIMITADO de PESSOAS.
A Inspiração:
Conforme visto, a Bíblia compõe a REVELAÇÃO ESPECIAL de Deus, tendo sida INSPIRADA por ELE. Quando se diz que a Bíblia é INSPIRADA por Deus, isto significa que o Espírito Santo SUPERVISIONOU aquilo que os autores bíblicos escreveram ‘nos autógrafos’ , isto é, nos escritos originais (as cópias não foram inspiradas) de tal modo que eles o fizeram SEM COMETER qualquer ERRO.
Deus NÃO ditou as palavras da Bíblia (apenas poucas partes foram provavelmente ditadas – ex. a Lei), NEM TAMPOUCO os autores bíblicos entraram em ESTADO de ÊXTASE para escrever os livros.
O que Deus fez na realidade foi MOVER (2Pe 1:21) ou DIRIGIR os escritores para que compusessem sua REVELAÇÃO usando suas PERSONALIDADES, CULTURAS e FACULDADES MENTAIS. Desse modo, pode-se dizer que Deus FALOU ATRAVÉS do HOMEM (Mt 1:22; 2:15; 1 Co 14:37).
É importante destacar que NÃO é CORRETO dizer que os autores bíblicos foram INSPIRADOS por Deus. O termo “inspirados” se APLICA APENAS aos LIVROS BÍBLICOS. Seus autores foram MOVIDOS ou IMPELIDOS (Gr. ferómenoi) pelo Espírito Santo.
Alguns textos bíblicos que servem de BASE para esse ensino são (Mt 5:18; 22:43; 2 tm 3:16; 2Pe 1:20-21 e Hb 1:1).
Hoje NÃO existe nenhum fragmento sequer dos ESCRITOS ORIGINAIS. Todos se PERDERAM ao longo dos séculos. O que se tem agora são CÓPIAS, a maioria delas preparada por homens zelosos e habilidosos. Para se chegar ao TEXTO ORIGINAL um trabalho científico denominado ‘CRÍTICA TEXTUAL’ tem sido realizado nessas cópias e em fragmentos delas. Graças à AÇÃO de Deus em PRESERVAR sua Palavra (1Pe 1:24-25) e aos esforços da crítica textual, o conteúdo dos AUTÓGRAFOS foi mantido acessível com precisão PRATICAMENTE TOTAL.
O Cristão deve ter sempre em mente que a Bíblia, por ser divinamente inspirada é:
INERRANTE: NÃO há erros na Bíblia, seja no campo da ciência, da geografia, da história ou da filosofia (Jo 10:35; 17:17).
INFALÍVEL: O que a Bíblia ensina NÃO conduz as pessoas ao erro. Nos caminhos e soluções que prescreve, ela nunca falha, de modo que a pessoa que a obedece pode caminhar segura, sabendo que está seguindo um mapa que a leva na direção certa. Ademais, suas promessas e profecias NUNCA FALHAM. O que ela diz acerca do amanhã, certamente se cumprirá (Nm 23:19; Sl 119:9,11; Mt 5:18; Tt 1:2).
Além disso, uma vez que Deus a destinou a criaturas inteligentes com o objetivo de lhes transmitir verdades essenciais, a Bíblia também é INTERPRETÁVEL. Isso significa que há um SENTIDO ESPECÍFICO (e NÃO vários!) em cada porção do texto sagrado. Esse sentido pode ser descoberto por meio do emprego das REGRAS NORMAIS de HERMENÊUTICA, usadas, inclusive, pelo próprio Cristo (Mt 22:41-46).
É verdade que há trechos difíceis de entender, mais isso NÃO autoriza ninguém a dar ao que foi escrito o sentido que achar mais CONVENIENTE, DISTORCENDO as Escrituras (2Pe 3:15-16). Antes, o leitor deve buscar o SIGNIFICADO PRETENDIDO pelo AUTOR SAGRADO, sabendo que esse SIGNIFICADO é CLARO na maioria das vezes e COMPÕE a mensagem do próprio Deus ao homem.
Por ser INSPIRADA, INERRANTE, INFALÍVEL e INTERPRETÁVEL, somente a Bíblia pode ENSINAR o que é CORRETO acerca do Deus ÚNICO e VERDADEIRO. Assim, qualquer crença que a rejeite JAMAIS PODERÁ levar o homem ao REAL CONHECIMENTO da DIVINDADE.
A Canonicidade:
Sendo INSPIRADOS por Deus, os livros da Bíblia são dotados de CANONICIDADE. O termo “cânon” vem do hebraico (qaneh) e do grego (kánon) e significa, BASICAMENTE, vara de medir ou régua. Com o tempo, essa palavra passou a ter um significado mais amplo, indicando também uma NORMA ou PADRÃO de qualquer natureza (Gl 6:16).
Assim, quando se afirma que um livro é CANÔNICO, isso SIGNIFICA que DEVE SER USADO como uma RÉGUA para “medir” a VALIDADE do que o HOMEM CRÊ e FAZ.
Deve ficar bem claro que a CANONICIDADE dos livros bíblicos NÃO lhes foi IMPOSTA por HOMENS. O fato de Deus tê-los produzido usando o PROCESSO da INSPIRAÇÃO visto acima é que lhes CONFERE CANONICIDADE. Os homens SIMPLESMENTE RECONHECERAM essa qualidade presente nos LIVROS BÍBLICOS desde a sua PRODUÇÃO. Aliás, mesmo os escritores bíblicos tinham CONSCIÊNCIA da AUTORIDADE de seus ESCRITOS por serem REVELAÇÃO de Deus. Isso se pode ver, por exemplo, em 2 Samuel 23:2; 1 Coríntios 2:13 e 14:37.
Para Reconhecer um livro como CANÔNICO foram usados os seguintes critérios:
AUTORIA PROFÉTICA ou APOSTÓLICA – Para ser RECONHECIDO, o livro deveria ser escrito por um PROFETA, por um APÓSTOLO ou por alguém SOB a AUTORIDADE de um APÓSTOLO (por exemplo, Marcos escreveu seu evangelho sob a autoridade do apóstolo Pedro).
ACEITAÇÃO – Para ser reconhecido, o livro tinha que ter AMPLA ACEITAÇÃO entre o povo de Deus. O reconhecimento da igreja em geral foi considerado fator muito importante, uma vez que o Senhor manifesta sua direção por meio do povo santo.
CONTEÚDO – Para ser reconhecido, o livro tinha que mostrar HARMONIA DOUTRINÁRIA com a ORTODOXIA já FIXADA. Livros que apresentassem DESVIOS ou NEGAÇÃO de DOUTRINAS CONSAGRADAS foram REJEITADOS.
INSPIRAÇÃO – Para ser reconhecido, o livro tinha que dar EVIDÊNCIAS de ORIGEM DIVINA, falando com AUTORIDADE e apresentando VALORES MORAIS e ESPIRITUAIS ELEVADOS, próprios de uma obra INSPIRADA pelo Espírito Santo.
O CÂNON:
Enquanto o termo CANONICIDADE se aplica a uma qualidade SOBRENATURAL dos livros bíblicos, a palavra “cânon” é usada para se referir ao CONJUNTO de LIVROS que COMPÕEM tanto o Antigo como o Novo Testamento.
A Bíblia é composta por 66 livros. Dessas obras, 39 fazem parte do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Os livros do Antigo Testamento são classificados da seguinte maneira:
Pentatêuco:
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
- Obs. – São os cinco livros de Moisés.
Históricos:
Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.
Poéticos:
Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares.
- Obs. – Os livros de Provérbios e de Eclesiastes são também chamados SAPIÊNCIAIS.
Proféticos:
Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
- Obs. – Lamentações de Jeremias foi escrito na forma de POESIA.
Quanto aos livros que fazem parte do Novo Testamento, sua classificação é a seguinte:
Os Evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas e João.
Histórico - Atos dos Apóstolos.
Epístolas Paulinas – Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom.
Epístolas Gerais - Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas.
Escatológico – Apocalipse.
O judaísmo ortodoxo não aceita os livros do Novo Testamento. Já o romanismo, desde o concílio de Trento (1545-1563), recepciona os livros apócrifos que são 13 obras (incluindo fragmentos de livros) escritas durante a época do Império Grego (também chamado de período inter-bíblico) e que NÃO são reconhecidas pelo judaísmo, NEM pelo PROTESTANTISMO.
O termo “apócrifo” significa “oculto” e os livros sob essa designação são os seguintes: 1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, adições a Daniel (Salmo de Azarias, Cântico dos Três Jovens, História de Susana, Bel e o Dragão), adições a Ester, Oração de Manassés, Epístola de Jeremias, Baruque, Eclesiástico (Siraque), Sabedoria de Salomão e 1 e 2 Macabeus. Alguns manuscritos da Septuaginta incluem 3 e 4 Macabeus e os Salmos de Salomão.
A Concepção de Jesus Acerca Das Escrituras:
Jesus expressou uma concepção extremamente elevada das Escrituras. No tocante a isso, os Evangelhos mostram o seguinte:
1) Jesus usou a Escritura para repudiar as tentações de Satanás (Mt 4:1-11).
2) Jesus realçou a perenidade da Lei Mosaica e dos Profetas (Mt 5:17-18), tornando esses escritos comparáveis às suas próprias palavras (Mt 24:35).
3) Jesus destacou que o testemunho de todo o Antigo Testamento acerca dele se cumpriria (Lc 24:44).
4) Jesus aprovou a visão de que nas Escrituras se encontra a vida eterna (Jo 5:39).
5) Jesus afirmou que o Espírito Santo falou através dos autores bíblicos (Mc 12:36).
6) Jesus aceitou a historicidade de eventos bíblicos considerados questionáveis na atualidade (Mt 12:39-41; Mc 10:6; Lc 17:26-27; Jo 6:49).
7) Jesus defendeu a inerrância (ou, talvez, a integridade. Conferir Tg 2:10) da Escritura dizendo que ela não pode ser desmembrada (Jo 10:35).
8) Jesus destacou a importância de se conhecer profundamente a Escritura (Mt 22:29).
9) Jesus valorizou detalhes gramaticais e palavras específicas do texto bíblico (Mt 5:18; 22:31-32, 43-45).
10) Jesus garantiu a composição inerrante do Novo Testamento, dizendo que enviaria o Consolador que guiaria os apóstolos nessa tarefa (Jo 14:26; 16:12-15).
A ILUMINAÇÃO:
Iluminação é o ministério do Espírito Santo de CAPACITAR o homem que é alcançado por sua graça a compreender a REVELAÇÃO ESCRITA de Deus.
Essa obra é NECESSÁRIA porque as verdades da Palavra pertencem a uma dimensão que está MUITO ACIMA do ALCANCE da mente humana (Is 55:8-9), sendo conhecida somente pelo Espírito (1Co 2:11). Por isso, sem o auxílio do Senhor NÃO há como o homem acolher o que foi REVELADO (Lc 24:44-45; 1Co 2:12).
Pra piorar a situação, Satanás CEGA o ENTENDIMENTO das pessoas, impedindo-as de COMPREENDER o EVANGELHO (2Co 4:3-4). É por causa disso que os INCRÉDULOS, NÃO tendo a AÇÃO ILUMINADORA do Espírito, NÃO conseguem ENTENDER NEM mesmo as VERDADES ESPIRITUAIS mais ELEMENTARES (1Co 2:14).
A iluminação do Espírito Santo na mente do homem por ele favorecido é iniciada, assim, ao tempo da CONVERSÃO, quando o conhecimento da pessoa é ACLARADO, passando ela a enxergar as REALIDADES ESPIRITUAIS do EVANGELHO (At 16:14; 2Co 3:15-16; 4:6; Hb 10:32). A partir daí, a AÇÃO do Espírito Santo de trazer LUZ à MENTE do CRISTÃO PROSSEGUE (Ef 1:17-19), fazendo-o entender mais e mais a VERDADE REVELADA e também levando-o à aceitação dela, FATORES ESSÊNCIAIS para o CRESCIMENTO na vida CRISTÃ (2Co 3:18; Cl 1:9-10).
A REVELAÇÃO ESPECIAL; A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA ; A INERRÂNCIA DA BÍBLIA -
Já nos dedicamos ao estudo da REVELAÇÃO GERAL de Deus. Agora daremos atenção à REVELAÇÃO ESPECIAL que, ao contrário da REVELAÇÃO GERAL, NÃO é necessariamente dada a TODAS as PESSOAS.
Desde os tempos antigos Deus se REVELOU aos homens de DIVERSAS FORMAS. A maior parte dessas maneiras PERDEU sua UTILIDADE depois do FECHAMENTO do CÂNON. Contudo, são PASSÍVEIS de ESTUDO, pois foram MEIOS que Deus usou para REVELAR ao homem a sua DIVINDADE e a sua VONTADE.
MANEIRAS DA REVELAÇÃO ESPECIAL
A) SORTES
Embora NÃO usemos mais o sistema de “lançar sortes”, em determinadas ocasiões isso serviu para REVELAR a vontade de Deus ao homem (Pv 16.33; At 1.21-26).
B) O URIM E O TUMIM
O peitoral usado pelo sumo sacerdote era como um grande bolso adornado com 12 pedras preciosas. Dentro havia 2 pedras, o Urim e o Tumim, que eram retiradas, como as sortes, a fim de DETERMINAR a VONTADE de Deus (Êx 28.30; Nm 27.21; Dt 33.8; 1Sm 28.6; Ed 2.63).
C) SONHOS
O sonho, mesmo sendo uma experiência comum, muitas vezes foi usado por Deus para se comunicar com homens no período do AT, o que ocorrerá novamente por ocasião da segunda vinda de Cristo (Gn 20.3,6; 31.11-13,24,40-41; Jl 2.28).
D) VISÕES
Muitos homens de Deus tiveram visões como revelação de Deus. É notável que, nelas, eles, principalmente, “ouviram” as palavras do Senhor (Is 1.1; 6.1; Ez 1.3).
E) TEOFANIAS
Antes da encarnação, as teofanias estavam associadas com a aparição do “Anjo do Senhor”, que comunicou a mensagem divinas às pessoas (Gn 16.7-14; Ex 3.2; 2Sm 24.16; Zc 1.12).
F) ANJOS
Deus, muitas vezes, usou seus anjos para entregar mensagens divinas aos homens (Dn 9.20-21; Lc 2.10-11; Ap 1.1).
G) OS PROFETAS
Os profetas do AT trouxeram a mensagem de Deus para a humanidade (2Sm 23.2; Zc 1.1), assim como fizeram os do NT (Ef 3.5). Eles falavam DIRETAMENTE da parte de Deus, DIFERENTE dos mestres de hoje em dia, que ensinam com base no que foi PREVIAMENTE REVELADO pelas Escrituras.
H) EVENTOS
A atuação de Deus na história também o REVELA. A libertação de Israel REVELOU os atos de JUSTIÇA do Senhor (Mq 6.5). Os atos de JUÍZO REVELAM quem Deus é (Ez 25.7), assim como a encarnação de Cristo (Jo 1.14; Hb 1.3). Deve-se ressaltar que esse tipo de REVELAÇÃO se dá por meio de FATOS HISTÓRICOS REAIS, SEM que tenhamos de procurar um SENTIDO ESPIRITUAL ESCONDIDO por detrás do texto. Assim, quando a Bíblia fala de guerras e povos do passado, refere-se, de fato, a guerras e povos do passado e NÃO a outras entidades representadas por METÁFORAS. Além do mais, a própria Palavra de Deus REVELA a ATUAÇÃO de Deus em diversos FATOS HISTÓRICOS.
I) JESUS CRISTO
Indiscutivelmente, a ENCARNAÇÃO de Jesus Cristo foi um dos PRINCIPAIS MEIOS dessa REVELAÇÃO ESPECIAL. Ele REVELOU o Pai (Jo 1.14; Hb 1.2-3), mostrou a NATUREZA de Deus (Jo 14.9), o PODER de Deus (Jo 3.2), a SABEDORIA de Deus (Jo 7.46), a GLÓRIA de Deus (Jo 1.14), a VIDA de Deus (1Jo 1.1-3) e o AMOR de Deus (Rm 5.8). Nosso Senhor fez tudo isso tanto por intermédio de seus atos (Jo 2.11) como por meio de suas palavras (Mt 16.17).
J) A BÍBLIA
A Bíblia é o meio MAIS ABRANGENTE da REVELAÇÃO, pois engloba o registro de muitos ASPECTOS dessa REVELAÇÃO. É claro que NEM TUDO que Deus revelou a homens e que Jesus fez está registrado na Bíblia (Jo 21.25). Por outro lado, a Bíblia não contém apenas relatos de visões e os feitos de Jesus. Há também diversas verdades adicionais REVELADAS por meio dos escritores bíblicos. Assim, a Bíblia é, ao mesmo tempo, registro de ASPECTOS da REVELAÇÃO de Deus e a PRÓPRIA REVELAÇÃO.
Três aspectos importantes da REVELAÇÃO na Bíblia. Ela é:
· Verdadeira (Jo 17.17);
· Progressiva (Hb 1.1);
· Possui um propósito (Jo 20.31; 2Tm 3.15-17).
A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA -
Apesar de haver um consenso geral sobre a inspiração da Bíblia, há uma variedade de conceitos a respeito do que ela vem a ser. Alguns se concentram na ação dos autores, outros nos escritos e outros nos leitores. Alguns relacionam a inspiração à mensagem central da Bíblia, outros aos pensamentos e outros às palavras.
Essas diferenças, frutos dos infindos ataques que a Bíblia recebeu nos últimos dois séculos, tornam necessário o estudo acerca da “inspiração da Bíblia”.
O RELATO BÍBLICO A RESPEITO DA INSPIRAÇÃO
A doutrina da INSPIRAÇÃO NÃO é invenção de teólogos. A própria Bíblia a expõe enfaticamente. Ela dá testemunho de si mesma (o que não é considerado válido pelos seus inimigos) e tem testemunho da história.
Observemos alguns textos bíblicos:
1) 2Timóteo 3.16
Esse texto mostra a EXTENSÃO da INSPIRAÇÃO (toda a Escritura). No contexto bíblico, Escritura significa tanto o AT como o NT (Lc 24.45; Jo 10.35; Lc 4.21; 1Tm 5.18 cf. Dt 25.4 e Lc 10.7; 2Pe 3.16).
Fica claro que a INSPIRAÇÃO vem da parte de Deus. As Escrituras foram “sopradas por Deus” (significado de inspiração).
O PROPÓSITO da INSPIRAÇÃO é tornar as Escrituras “úteis”. Assim, a Bíblia veio de Deus para nos mostrar como VIVER e o que devemos FAZER.
2) 2Pedro 1.21
Esse texto mostra que Deus usou autores humanos, MOVENDO-OS para esse fim pelo Espírito Santo. O mesmo verbo “mover” é também usado em At 27.15 e nos ajuda a entender seu sentido. Durante a tempestade, os marinheiros não estavam DORMINDO nem INATIVOS, mas era o vento quem, de fato, os levava.
Outro fator importante revelado nesse texto é que NÃO foi a vontade humana quem produziu as Escrituras. A vontade humana pode falhar e pode produzir erros. Porém, NÃO é assim com a VONTADE de Deus. Isso atesta a INERRÂNCIA BÍBLICA.
Resumindo, 2Pe 1.21 diz que Deus USOU homens e deixou para nós uma Bíblia TOTALMENTE CONFIÁVEL.
3) 1Coríntios 2.13
Aqui fica claro que a REVELAÇÃO de Deus chegou até nós por meio de palavras. Assim, Deus não só INSPIROU as ideias REVELADAS pela Bíblia, mas as PALAVRAS que a COMPÕE.
Ou seja, as palavras usadas na Bíblia foram INSPIRADAS por Deus.
4) Uma Compilação de Dados
Vejamos a variedade de material que Deus fez os autores incluírem na Bíblia:
a) Diretamente de Deus: (Dt 9.10).
b) Pesquisado: (Lc 1.1-4).
c) Profético: aproximadamente, 25% da Bíblia consiste em profecias, boa parte já cumprida com EXATIDÃO. NENHUM HOMEM poderia acertar 100% das profecias se fizesse por si mesmo.
d) Histórico: boa parte da Bíblia é HISTÓRICA, a maior parte escrita por homens que VIVERAM o que foi RELATADO.
e) Outros: a Bíblia registra algumas coisas que não são verdadeiras – como as mentiras de Satanás (Gn 3.4-5) –, mas o faz de maneira precisa, como realmente aconteceram. Também contém citações de escritos de pessoas incrédulas (Tt 1.12), além de trechos que revelam experiências pessoais e emoções (Rm 9.1-3). Contudo, essa variedade de material é registrada com PRECISÃO.
DEFINIÇÃO DE INSPIRAÇÃO
Uma definição abrangente de inspiração seria: Deus supervisionou os autores humanos da Bíblia para que compusessem e registrassem, sem erros, sua mensagem à humanidade utilizando as palavras de seus escritos originais.
Isso significa que Deus não ditou as palavras da Bíblia (algumas vezes até o fez) para os escritores, mas os supervisionou soberanamente para que, no uso de suas capacidades mentais e habilidades, compusessem um material que fosse verdadeiro (Jo 17.17) e que fosse o que Deus desejava nos revelar.
DESVIOS DA DOUTRINA DA INSPIRAÇÃO
a) Inspiração natural — Crê que os autores escreveram SEM a supervisão de Deus.
1) Deus NÃO INSPIROU as palavras;
2) A Bíblia está no MESMO PATAMAR de outros escritos; e
3) Exclui a INERRÂNCIA e a INFALIBILIDADE.
b) Inspiração mística — Crê que a Bíblia foi escrita por homens cheios do Espírito Santo. De IGUAL MODO outros escritos, como os dos pais da igreja e de grandes homens durante a história. Nesse caso:
1) Outros escritos seriam TÃO INSPIRADOS quanto a Bíblia;
2) Os livros da Bíblia NÃO são INFALÍVEIS; e
3) A Bíblia representa uma importante LITERATURA RELIGIOSA que pode, inclusive, CONTER mensagens de Deus.
c) Níveis de inspiração — Crê que ALGUMAS PARTES da Bíblia são MAIS INSPIRADAS que outras. Toda a Bíblia seria inspirada por Deus, porém, com DIFERENÇA no GRAU de INSPIRAÇÃO entre as partes.
d) Inspiração parcial — Crê que algumas partes da Bíblia foram inspiradas por Deus e outras não. Nesse ponto de vista, o que é inspirado é o propósito da Bíblia. Assim, quando fala da salvação, ela é confiável, mesmo que tenha erros históricos ou científicos.
e) Inspiração conceitual — Crê que os conceitos bíblicos são inspirados e não as palavras. Assim, a mesma ideia exposta de outro modo é tão inspirada quanto a original.
f) Inspiração neo-ortodoxa — Nesse caso, a revelação está centrada em Jesus Cristo. A Bíblia, mesmo possuindo erros, é válida ao nos apresentar Jesus. Assim, a Bíblia é produto humano falível, mas pode se tornar a Palavra de Deus quando lida por nós. Ou seja, a Bíblia se torna Palavra de Deus quando Cristo fala conosco em suas páginas. Desse modo, a Bíblia não possuiria autoridade, mas seria um bom instrumento nas mãos de Cristo, apesar de possuir erros.
A Inerrância Bíblica-
Inerrância significa que a Bíblia NÃO tem ERROS. Esse conceito é constantemente ATACADO e o COMBATE a ele ou não tem estabelecido uma linha divisória entre os evangélicos.
A – A IMPORTÂNCIA DA INERRÂNCIA
1) Inerrância declarada
Não é possível crer na Bíblia sem crer na inerrância total. Crer que ela pode ter erros é torná-la totalmente indigna de confiança, já que não é possível estabelecer até aonde os erros chegariam. Matérias como Cristologia e Soteriologia perderiam a credibilidade por falta de certeza de que a Bíblia as expõe corretamente. Não importa que tamanho sejam os “erros” da Bíblia. O menor deles faz com que as doutrinas bíblicas entrem em colapso. Algumas consequências disso seriam:
a) Visão liberal da seriedade do adultério;
b) Visão liberal da seriedade do homossexualismo;
c) Visão liberal do divórcio e do novo casamento;
d) Reinterpretação “cultural” de alguns ensinos da Bíblia (ex.: submissão da mulher, obediência civil e sexo antes do casamento); e
e) Tendência a encarar a Bíblia pela óptica da psicologia moderna.
2) Inerrância diluída
Para muitos, brigar pela INERRÂNCIA da Bíblia é fazer uma tempestade em um copo de água. Esses dizem que a Bíblia NÃO fala claramente sobre sua INERRÂNCIA. Contudo, para fazerem tal afirmação, eles teriam de mostrar que ela também NÃO ensina isso de modo claro.
O fato de a Bíblia NÃO falar sobre a INERRÂNCIA usando esse termo, NÃO quer dizer que essa VERDADE não seja exposta pela Bíblia. É como a doutrina da Trindade, a qual não é apoiada por um texto sequer que contenha a palavra “Trindade” e, nem por isso, é menos VERDADEIRA e BÍBLICA. Do mesmo modo, Jesus nunca disse: “eu sou Deus”, contudo a EVIDÊNCIA BÍBLICA ATESTA sua DIVINDADE.
Esse tipo de exigência de só se crer se houver um versículo que, com todas as letras, exponha e encerre a questão, não é o meio correto de interpretação das Escrituras. Usando esse critério, seria válido dizer que o time vencedor de um torneio não é campeão porque perdeu uma partida no decorrer do campeonato para a equipe que ficou em último lugar.
Outro ataque contra a inerrância é dizer que ela é uma doutrina nova e que a igreja nunca se preocupou com isso no passado. Mas isso não é verdade. A inerrância foi defendida por pessoas como Jesus (Jo 10.35) e Paulo (2Tm 3.16). Sem falar de homens de Deus que defenderam no passado a inerrância de modo veemente:
a) Agostinho (354-430) afirmou: “As conseqüências mais DESASTROSAS devem seguir-se à crença de que EXISTE ALGO FALSO no LIVRO SAGRADO. Isso equivale a dizer que os homens por meio dos quais as Escrituras chegaram até nós, encarregados de colocá-las por escrito, registraram ALGO FALSO nesses livros. Se nesse sagrado santuário de AUTORIDADE se admitir a possibilidade de haver UMA SÓ declaração falsa, NÃO restará uma ÚNICA sentença desses livros que, parecendo a alguém difícil de praticar ou de nela crer, não possa ser explicada pela mesma regra fatal como uma afirmação na qual o autor, intencionalmente, declarou o que não era verdade” (Epístola).
b) Tomás de Aquino (1224-1274): “Nenhuma falsidade pode fundamentar o sentido literal das Escrituras” (Suma Teológica).
c) Lutero: “As Escrituras jamais erraram”.
d) John Wesley: “Se existe qualquer erro na Bíblia, bem poderiam existir mil deles. Se existe uma só falsidade naquele Livro, NÃO proveio do Deus da VERDADE”.
B – O SIGNIFICADO DA INERRÂNCIA
A inerrância significa que tudo que a Bíblia ENSINA e apresenta é VERDADEIRO, podendo incluir aproximações, citações livres, linguagem figurada e narrativas diferentes do mesmo evento desde que NÃO se CONTRADIGAM.
É claro que essa forma complexa de se transmitir a verdade cria diversas “aparentes” dificuldades, SEM contudo, apresentar ERROS. Alguns exemplos são:
a) 1Co 10.8 diz que 23 mil morreram em um só dia e Nm 25.9 afirma que foram 24 mil, sem incluir a restrição “em um só dia”;
b) Linguagem figurada como “nascer” e “pôr do Sol”. Apesar de não condizer com o que a ciência já descobriu, são expressões corretas da observação humana e linguagem corriqueira ainda hoje;
c) Mc 10.46-52 e Lc 18.35-43 contam que Jesus curou um cego em Jericó, enquanto Mt 20.29-34 diz que eram dois cegos. Na verdade havia dois cegos, mas Marcos e Lucas contaram a história de um deles, Bartimeu.
O entendimento do TIPO de LINGUAGEM usado e o PROPÓSITO do autor DEVEM ser levados em conta. Caso contrário, teremos dificuldades de conciliar textos como o de Mt 4.4, que diz que o homem deve viver das palavras que procedem da boca de Deus, em comparação com 2Tm 3.16, que diz que toda a Escritura é inspirada por Deus.
[8/8 08:09] Adriano: C – A INERRÂNCIA NOS ENSINOS DE CRISTO
1) As evidências de ‘Mt 4.1-11’
a) Jesus disse, referindo-se às Escrituras, que o homem deveria viver de “toda palavra” que sai da boca de Deus (v.4 cf. Dt 8.3);
b) Quando Satanás citou o Sl 91.11-12, ele omitiu uma parte do v.11 que muda completamente o sentido do texto, mostrando que a ideia não era a de que Deus protege de riscos desnecessários e descabidos. Jesus respondeu que fazer uso do texto desse modo era tentar a Deus, já que o homem deve viver de “toda palavra” que procede de Deus; e
c) A resposta de Jesus a Satanás foi: “Está escrito” (vv.4,7,10).
2) As evidências do ‘Antigo Testamento’ usadas por Cristo
a) Jesus reconheceu que Adão e Eva eram pessoas reais, criadas por Deus, e agiram de maneiras específicas (Mt 19.3-5; Mc 10.6-8);
b) Creu serem verdadeiros os eventos envolvendo os dias de Noé (Mt 24.38-39; e Lc 17.26-27);
c) Confirmou a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra e a historicidade de Ló e da sua esposa (Mt 10.15; Lc 17.28-29); e
d) Aceitou como verdadeira a história de Jonas e o peixe (Mt 12.40) e a historicidade de Isaías (Mt 12.17), Elias (Mt 17.11-12), Daniel (Mt 24.15), Abel (Mt 23.35), Zacarias (Mt 23.35), Abiatar (Mc 2.26), Davi (Mt 22.45), Moisés e seus escritos (Mt 8.4; Jo 5.46), Abraão, Isaque e Jacó (Mt 8.11; Jo 8.39).
3) A evidência de ‘Mt 5.17-18’
O termo “a Lei e os profetas” envolvia todo o Antigo Testamento. Jesus disse que ele jamais passaria, sem que se cumprisse nem mesmo um “i” ou um “til” (ARA) ou a “menor letra” ou “traço” (NVI). Ao dizer isso, Jesus se referiu ao yod, a menor letra do alfabeto hebraico. Também se referiu ao que é chamado de “til” ou “traço”, que é um pequeno sinal gráfico que diferencia letras hebraicas muito parecidas como o beit e o kaf ou o dalet e o resh. Isso demonstra a confiança que Jesus tinha em cada palavra das Escrituras.
4) A evidência de ‘Jo 10.31-38’
Depois de afirmar sua divindade (Jo 10.30), os judeus se enfureceram e quiseram apedrejá-lo. Jesus os dissuadiu dessa ideia citando o Salmo 82, ao qual chamou de Lei. Disse que se aos homens foi atribuído o termo “deuses”, devido à alta posição a eles concedida, era correto que ele usasse o mesmo termo para si devido à unidade que tinha com o Pai. O interessante é que essa argumentação não se apoiou em livros ou capítulos da Bíblia, mas em uma palavra: Elohim, que significa “Deus”.
Isso mostra, mais uma vez, que Jesus cria na inspiração de cada palavra, mesmo as que estão presentes em um salmo que não é nem famoso, nem fundamental no Antigo Testamento. Jesus, ao citá-lo, ainda afirmou que “a Escritura não pode falhar” (v.35).
5) A evidência de ‘Mt 22.23-33’
Jesus expôs o erro dos saduceus de crer no Pentateuco, mas não nos anjos e na ressurreição. Acusou-os de errarem por não conhecerem nem as Escrituras, nem o poder de Deus (v.29). Jesus disse que a pergunta que fizeram era irrelevante, pois no céu seremos como “anjos”, os quais não se casam (v.30). Também citou o texto de Êx 3.6 para provar que há vida após a morte, mostrando que foi dito a Moisés que Deus era Deus de Abraão, Isaque e Jacó mesmo que eles tivessem morrido muitos anos antes.
6) A evidência de ‘Mt 22.41-46’
Em primeiro lugar, Jesus disse que Davi falou “pelo Espírito” (v.43), demonstrando sua convicção na inspiração das mínimas palavras. Foi apoiado em uma mínima palavra que ele provou que o Messias não era apenas “filho de Davi”, mas também o “Deus de Davi”. Ele se apoiou na palavra “meu” (“disse o SENHOR ao meu Senhor”). A divindade de Jesus foi apoiada nessa pequena palavra, pois Jesus tinha convicção de que cada uma delas vinha de Deus.
D – PASSAGENS PROBLEMÁTICAS
A Bíblia tem algumas dificuldades. Elas, na verdade, não constituem erros, mas “aparentes” discrepâncias que são solucionadas quando analisadas com cuidado. Também lembramos que cremos na inspiração da mesma forma que cremos na divindade: pela fé. Mesmo quando os homens tentam provar que Deus não existe, nossa fé fica inabalada. Do mesmo modo, diante de dificuldades na Bíblia nossa fé mantém nosso conceito sobre a inerrância, pois cremos que as Escrituras nos foram dadas por Deus (2Tm 3.16; 2Pe 1.21).
1) As ‘duas narrativas’ da criação
Enquanto Gn 1.11-12 diz que as plantas foram criadas no terceiro dia, Gn 2.5 dá a entender que não havia plantas antes da criação do homem, o que só ocorreu no sexto dia. Na verdade, Gn 2.5 não fala de todo tipo de planta, mas das que precisam ser “lavradas” ou “cultivadas” pelo homem, de modo que Gn 2.5 é um complemento do que foi dito em Gn 1.11-12. Do mesmo modo, foi dito em Gn 1.27 que Deus criou “homem e mulher”, cujos eventos depois foram detalhados no relato de Gn 2.18-23.
2) A esposa de Caim
A pergunta é: se só existia a família de Adão, onde Caim encontrou sua esposa? A resposta está no texto de Gn 5.4 que diz que Adão gerou filhos e filhas. A esposa de Caim, assim como a de Sete, foi uma das suas irmãs. Tal casamento não gerou nenhum tipo de anomalia (como é arriscado acontecer hoje) porque os genes defeituosos que produzem esses tipos de mal não estavam presentes na criação de Deus.
Antes de ficarmos chocados com isso, devemos lembrar que esse tipo de casamento voltou a acontecer depois do dilúvio entre os netos de Noé, quando o casamento de parentesco mais distante possível era entre primos. O próprio Abraão se casou com sua “meio-irmã” (Gn 20.12). Só mais adiante Deus PROIBIU esse tipo de relação (Lv 18.6).
3) ‘Nm 25.9’
Moisés disse que a praga que seguiu a adoração de Israel a Baal-Peor matou 24 mil pessoas, enquanto Paulo diz que foram 23 mil (1Co 10.8). A diferença dos dois relatos está no fato de Paulo dizer que 23 mil morreram “em um só dia”. As outras mortes provavelmente ocorreram depois. Outra possibilidade que NÃO afeta a INERRÂNCIA seria o ARREDONDAMENTO por parte dos dois autores, assim como nós fazemos ao nos referirmos a uma viagem de 1.500 quilômetros, quando, na verdade, a distância correta era de 1.523 quilômetros.
4) Quem fez Davi contar os israelitas? (‘2Sm 24.1’; ‘1Cr 21.1’)
Um texto diz que foi Deus e outro diz que foi Satanás. Na verdade, Deus, soberanamente, usou Satanás para cumprir seu plano do mesmo modo que o fez para manter a humildade de Paulo por intermédio do “espinho na carne”, o qual Paulo chamou de “mensageiro de Satanás” (2Co 12.7).
5) Quem matou Golias? (‘2Sm 21.19’; ‘1Sm 17.50’)
Quem matou Golias foi Davi ou Elanã? Nesse caso, o problema é de cópia. Comparando com 1Cr 20.5, percebemos que o copista errou ao copiar 2Sm 21.19, cuja provável mensagem seria: “E Elanã, filho de Jair (ou Jaaré-tecelão), feliu a Lami, irmão de Golias”.
6) Certos números apresentados em ‘2Sm 24’ e ‘1Cr 21’
a) O texto de 2Sm 24.9 registra 800 mil em Israel e 500 mil em Judá, enquanto 1Cr 21.5 apresenta 1,1 milhão em Israel e 470 mil em Judá. No registro de 2Sm 24, o número não inclui o exército permanente de 288 mil (1Cr 27.1-15), nem os 12 mil especificamente destacados para Jerusalém (2Cr 1.14), que, somados aos 800 mil, dá exatos 1,1 milhão. Já os 470 mil de 1Cr 21 não incluem os 30 mil do exército permanente de Judá (2Sm 6.1);
b) O de castigo pela contagem é de 7 anos em 2Sm 24.13 e de 3 anos em 1Cr 21.12. Esse é mais um erro de cópia. Isso se deve à semelhança entre as letras hebraicas usadas para grafar os números 3 e 7. O correto é que eram 3 anos e, por causa disso, a versão NVI traduz 1Cr 21 desse modo.
7) As medidas de ‘2Cr 4.2’
As medidas do mar de fundição não batem, pois diz que o diâmetro dele era de 450 cm. Porém, quando diz que a circunferência era de 13,5 m, percebemos que essa não é a circunferência de um círculo cujo diâmetro mede 450 cm, mas sim, 430 cm. Há uma discrepância de 20 cm. Entretanto, o v. 5 desfaz essa impressão ao dizer que a espessura da borda era de 10 cm. Ou seja, o mar de bronze de circunferência interna de 13,5 m, cujo diâmetro era de 430 cm, tinha de diâmetro “total”, incluindo 20 cm da espessura das duas bordas externas, exatos 450 cm.
8) Levar o bordão (‘Mc 6.8; Lc 9.3’)
Jesus permitiu ou não levar o cajado? Na verdade, Jesus permitiu que os discípulos levassem um cajado que possuíssem. Contudo, caso não tivessem, não deveriam levar um na viagem. Chegamos a essa conclusão ao observar Mt 10.9-10, que diz que tais coisas não deveriam ser “adquiridas” para a viagem, não que não pudessem ser usadas. É o caso de não poder levar duas sandálias, podendo, contudo, levar uma: a que ia no pé. A intenção de Jesus era que os discípulos “não fizessem provisão especial para essa missão”.
9) A semente de mostarda (‘Mt 13.32’)
Jesus disse que a semente de mostarda era a menor das sementes. Porém, sabe-se que há sementes menores. Mas, quando Jesus falou isso, disse que era a semente “que um homem plantou no seu campo”. Fica claro que Jesus apelou para a experiência dos judeus, que, das espécies cultivadas, tinha a mostarda como o exemplar de menor semente.
10) Os cegos de Jericó (‘Mt 20.29-34’; ‘Mc 10.46-52’; ‘Lc 18.35-43’)
Eram um ou dois cegos? Como já vimos, eram dois e Mateus está certo em sua afirmação. Porém, Lucas e Marcos se concentraram em um só deles. O motivo disso é que, provavelmente, ele era muito conhecido e isso justifica eles terem citado seu nome: Barjesus.
11) O pai de Zacarias (‘Mt 23.35’)
Zacarias era filho de Beraquias (Zc 1.1) ou de Joiada (2Cr 24.20)? Na verdade, esses dois Zacarias são pessoas diferentes. O Zacarias de 2Cr 24.20-21 viveu antes do cativeiro babilônico e foi apedrejado. O outro Zacarias é o profeta autor do livro que leva seu nome. Ele viveu no período posterior ao exílio e era filho de um homem chamado Beraquias. Apesar de as Escrituras não falarem que ele foi martirizado, esse é a quem, provavelmente, Jesus se referiu, citando corretamente o nome do seu pai e usando um profeta dos tempos do encerramento do AT, traçando uma linha do início ao fim da história registrada no AT ao dizer “de Abel a Zacarias”.
12) Zacarias ‘versus’ Jeremias (‘Mt 27.9-10’)
Mateus cita Jeremias a respeito de um texto que encontramos em Zc 11.12-13. Esse pode, tanto ser um erro de cópia, como um modo de os judeus pós-exílio se referirem às Escrituras. Jeremias é o primeiro livro do Talmude Babilônico e o profeta era proeminente na mente dos judeus dos tempos de Jesus (Mt 16.14). Assim, Mateus pode ter se referido às Escrituras citando Jeremias, além de ter em mente os eventos relacionados à casa do oleiro registrados em Jr 18 e 19.
13) Isaías ‘versus’ Malaquias (‘Mc 1.2-3’)
Marcos cita um texto de Malaquias dizendo ser de Isaías. Provavelmente, Marcos usa Isaías com a intenção de associá-lo não àquele texto em particular, mas ao assunto como um todo que era a pessoa de Cristo, a quem ele acabara de mencionar. Nesse caso, o profeta Isaías é notável, pois fala muito do Messias, principalmente em Is 53, texto esse conhecido como “o servo sofredor”. Devemos lembrar que a óptica sob a qual Marcos apresenta Jesus em seu Evangelho é a de Jesus como “servo”.
14) Abiatar ‘versus’ Aimeleque (‘Mc 2.26’)
Marcos diz que Davi comeu os pães da proposição nos dias de Abiatar, mas 1Sm 21.1-6 diz que o sumo sacerdote era Aimeleque, pai de Abiatar (1Sm 22.20). Contudo, Jesus não se referiu a Abiatar como sendo o sumo sacerdote, mas disse “nos dias de Abiatar”. Na sequência do relato histórico, Saul mandou matar Aimeleque e os seus, mas Abiatar conseguiu sobreviver, tornando-se sumo sacerdote durante todo o reinado de Davi, sendo deposto apenas no início do reinado de Salomão (1Rs 2.27). Assim, o fato histórico em questão realmente aconteceu “nos dias de Abiatar” e não necessariamente enquanto ele exercia o sumo sacerdócio.
15) A morte de Judas
At 1.8 diz que Judas “precipitou-se, rompendo-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram”, enquanto Mt 27.5 diz que ele “foi enforcar-se”. Os dois relatos se completam. Judas tentou se enforcar e, devido a algum imprevisto como a ruptura da corda ou do galho, ele caiu de um lugar alto, o que causou os danos citados em At 1.8.
16) Problemas em ‘At 7’
Atos 7 apresenta um discurso de Estevão ao Sinédrio que apresenta algumas dificuldades. Nesse caso, mesmo que Estevão tivesse errado, Lucas registrou corretamente suas palavras. Contudo, as dificuldades apresentadas no discurso de Estevão não precisam necessariamente estar erradas.
Em At 7.6, Estevão diz que o cativeiro durou 400 anos (assim como Gn 15.13), enquanto Êx 12.40 menciona 430 anos. Se observarmos bem, o texto de Ex 12.40 diz que o povo “habitou” no Egito por 430 anos. Estevão, por sua vez, falou que a “escravidão” durou 400 anos.
Outro problema está em At 7.14 onde Estevão diz que a família de Jacó tinha 75 pessoas, enquanto Gn 46.27 diz que eram 70. Estevão deve ter se referido ao texto da Septuaginta, o qual registra, em Ex 1.5, o número de 75 pessoas, o que inclui o filho e o neto de Manassés e dois filhos e um neto de Efraim.
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